quarta-feira, dezembro 23, 2009

SANTO E FELIZ NATAL!


Lucas 2,1-14.
Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria. Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade. Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida. E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria. Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.» De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.»
Da Bíblia Sagrada

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Um bom discurso da Dra. Manuela Ferreira Leite, hoje.

«Estamos a assistir ao desmoronamento total das instituições e ao seu descrédito», disse, referindo-se à conduta do primeiro-ministro e PS.

Não sei se é por ser conservador, se por mero asco ao politicamente correcto, mas tenho tido muito frio.

domingo, dezembro 20, 2009

A grosseria, a boçalidade do PS dá a Portugal um tom de taberna.
Ao menos que in vino veritas.
E por veritas, a vida que havia além do défice e que o medíocre Sampaio nos prometia era esta. Não é uma vida agradável.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Pequeno tremor de terra, há minutos.

Tão ténue aqui, que fui ao site do Instituto de Meteorologia confirmar.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Revel's analysis helps to make sense of the latest version of the totalitarian temptation, this time the temptation of radical Islam (though "Last Exit to Utopia" does not explicitly broach the subject). Strange as it may seem, today's Western "progressives," whose domestic political fixations include gay marriage and abortion rights, nonetheless frequently find themselves making common cause with Muslim fanatics for whom such things are anathema.

This seemingly strange affiliation has partly to do with a shared loathing, among radical leftists and radical Islamists, of the U.S. and Israel. But as Revel astutely notes, the deeper bond is what he calls the "excommunication of modernity," a mark of the left going back to the primitivist and anti-civilizational musings of Jean-Jacques Rousseau. The Islamists understand this commonality as well: Among the doctrinal sources cited by Osama bin Laden, one finds not only the Quran but also the works of Noam Chomsky.

Anyone who thinks the totalitarian temptation lies buried in Lenin's mausoleum would do well to read this book, a fitting literary capstone in the career of one of France's true immortals
Tenho atribuído à minha idade o achar que esta moda das t-shirts e blusas no Inverno é uma insanidade.
Vejo, com alegria, que não.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Hoje a Igreja celebra hoje S. João da Cruz, reformador e doutor da Igreja e que escrevia assim:

Llama de amor viva

¡Oh llama de amor viva
que tiernamente hieres
de mi alma en el más profundo centro!
Pues ya no eres esquiva
acaba ya si quieres,
¡rompe la tela de este dulce encuentro!

¡Oh cauterio süave!
¡Oh regalada llaga!
¡Oh mano blanda! ¡Oh toque delicado
que a vida eterna sabe
y toda deuda paga!
Matando, muerte en vida has trocado.

¡Oh lámparas de fuego
en cuyos resplandores
las profundas cavernas del sentido,
que estaba oscuro y ciego,
con estraños primores
color y luz dan junto a su querido!

¡Cuán manso y amoroso
recuerdas en mi seno
donde secretamente solo moras,
y en tu aspirar sabroso
de bien y gloria lleno,
cuán delicadamente me enamoras!

domingo, dezembro 13, 2009

Vivemos, em Portugal, sob a ditadura da mais grosseira imbecilidade.
Sair daqui, não sei como será.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Ontem ouvi o Pinto de Sousa declarar muito contente que a UE estaria na linha da frente em questões climáticas. Com o casamento gay, também alguém falava em estar na linha da frente ou quase. O mesmo Sousa considerava o aborto um progresso que trouxe Portugal para o séc. XXI. Idem, na questão dos carrinhos eléctricos, sem se dar conta essa que pulsão crista da onda é um índice seguro de atraso e a compulsão saloia e nova-rica de estar ao corrente uma velha maldição de parvenus.
Ri com o ar do meu post anterior, tão pergunta final à mesa de café e que é mera tristeza com a nossa incapacidade de resposta aos problemas, de como é tudo continua tão pesado, tão grave, tão hirto e desajeitado. A agilidade nacional esgotou-se - ou poupa-se - para passar a fronteira, a salto se necessário.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Novas da Irlanda: os funcionários públicos vão ter reduções de 10% nos seus ordenados.

E por cá?

terça-feira, dezembro 08, 2009

segunda-feira, dezembro 07, 2009

A política gosta de procurar na ciência a legitimação das suas propostas. Restos do séc. XIX. De vários aspectos do séc. XIX - e XX. E a ciência não se faz rogada em o fazer.
A coisa já provocou centenas de milhares de mortos, mas há sempre quem esteja pronto a repetir a experiência, principalmente quando tal significa mais estado, lucros a empresas correctas e um modo expedito de impor soluções que os populações não aceitariam se não fossem apresentadas como decretos infalíveis do altíssimo.
Há 68 anos, Pearl Harbor.

(Estas datas começam a parecer muito distantes. Talvez para compensar esse esmaecer tento aproximar os acontecimentos, pergunto-me como teria sido a reacção em Portugal, à hora do jantar - o ataque começou eram aqui seis da tarde: choque, indignação e a percepção que o curso da guerra mudara nesse dia.)

sábado, dezembro 05, 2009

A propósito do aquecimento global,
«You can't teach an old dogma new tricks»
como lembrava Dorothy Parker.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

«Tenha juízinho»
O tom rufia chegou à tribuna de S. Bento.
Para condizer com a pelintrice.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

O gosto de, ao ler isto enrouquecer aos berros de Eu bem dizia, eu bem dizia!, é obnubilado pelo facto cruel de não ser posssível isentar os prudentes que previram esta situação triste das consequências do que aí vem.
(Ah, parece-me evidente que o aumento de impostos - a acontecer - deve acarretar a demissão do primeiro-ministro).

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Vi esta vitória da AD (o único projecto político a que aderi de alma e coração) como algo de natural, o desejo de aggiornamento do país, ou pelo menos de uma parte importante da classe média (de uma classe média antiga, sofisticada, educada o suficiente para sentir e meditar o nosso atraso, com a consciência que o problema nacional era político e não resolúvel por ímpetos tecnocráticos, fossem eles os mais bem intencionados) e que conduziria atrás de si o resto de Portugal. Pensei que nos iríamos aproximar da média europeia no funcionamento das instituições políticas e civis. E que o mesmo se passaria com a situaçao económica.
Com Camarate - a 4 de Dezembro de 1980 - percebi que tudo seria mais difícil - embora estivesse longe de supor quanto. Não esperava do PS, sozinho ou em coligação, senão a manutenção do status quo e apercebi-me cedo que os governos de Cavaco Silva (com as palermices do português novo - e do sucesso), não iriam tratar do essencial, que era - e é - a dimensão e o lugar do estado na vida portuguesa.
Quanto a isso, a única novidade é que o estado evoluiu de mero obstáculo a activo corruptor.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Sou um adepto ferveroso do boicote, enquanto forma de protesto: pode ser eficaz e tem a vantagem acrescida de exigir de nós um minimum, se não de sacrifício, de disposição para arcar com consequências que, mesmo que consistam numa mera incomodidade, sempre lembram que não há convenientes sem inconvenientes, uma verdade simples que em Portugal não é uma verdade evidente.
Tudo isto para dizer que deixei de ler o Público - como, antes, já tinha deixado de ler o DN, ouvir a TSF, ver os telejornais da TVI ou ver o Eixo do Mal.
Deixei, por isso, de ter acesso às crónicas de Vasco Pulido Valente, uma maçada importante.
No entanto, sei que irei encontrar as mais importantes.
E a de ontem é do melhor que tenho lido nos últimos tempo, com o aliciante especial de constituir puro e simples bom senso.

sábado, novembro 28, 2009

«Com este Estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura. Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora sobre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e formos bem comportados. É assim que queremos viver, quietinhos e bem comportados?»

Rui Ramos, CM (via ABC do PPM)
O estatismo português - e VPV julga-nos mais estatistas do que os franceses - continuou depois do 25 de Abril a ser um desígnio nacional. É o estado-mãe, que alimenta e o estado-pai, que castiga.
Quando castiga mais do que alimenta - e não estou sequer convencido que estejamos nessa fase - há murmúrios ligeiros contra o divino.
Reparo que não reli uma linha que fosse de Moby Dick este Novembro. Idem para o Monte dos Vendavais, que também gostei, durante anos, de reler no regresso do frio. Sinto-me vagamente desagradado com estes desleixos, interpreto-os como sinais certos da morte de outro daqueles que somos ao longo do tempo.
Este ano, acabo o mês preocupado e ocupado - além da história do Rui Ramos - apenas com o Dubai e a exposição do HSBC, temor pouco insólito, que guarda de outros tempos um sempre estranhado mas persistente gosto pela sobriedade (que fez de mim, durante muito tempo, um leitor de um só livro).
Pouco sei ainda deste parvenu que veste um velho hábito.

quinta-feira, novembro 26, 2009

A meio de considerações em francês, muito francesas, muito smart-doutas sobre a violência na revolução francesa, o cerveau malade de Robespierre.
Eis-nos chegados ao ensaio de aeroporto.
Já a ideia, que perpassava e repassava, de ser a cultura europeia intrinsecamente perversa (um continuum, das perseguições aos albigenses a Auschwitz), era servida com o requinte e elevados padrões de desonestidade habituais da boa cuisine française que se dedica às idées.

quarta-feira, novembro 25, 2009

E também faz hoje anos que tive a experiência única de estar sob recolher obrigatório. Não foi desagradável: não tencionava sair. E o fim do projecto comunista (que, entre nós, era sublinhado por visitas constantes de grupos folklóricos de escusas repúblicas da ex-URSS) foi uma feliz coisa.
Antes de mais: faz hoje 164 anos que nasceu Eça de Queiroz.

terça-feira, novembro 24, 2009

segunda-feira, novembro 23, 2009

Em Novembro, duas mortes. A de Kennedy, da minha infância, a de Proust, uma morte da minha idade adulta.
Não me esqueci de nenhuma delas e andei até à procura do espargo de Manet (para pôr aqui a ilustrar um post que não escrevi). Não do molho que Swann sugere ao Duque de Guermantes que compre (um molho inteiro pareceu-me excesso de diligência, coisa de clube de leitura dos confins da Manitoba) mas aquele que o pintor deu ao comprador do molho. Este.

sábado, novembro 21, 2009

Para d. Para K; e também para Fr. - lembrar imprevistas descobertas

A alegria de exclamar, «mas é isso, é exactamente isso!», também já a julgava prescrita por não uso. Mas não: quando encontrei aqui isto de de Ayn Rand: «A civilização é o progresso em direcção a um sociedade de privacidade. Toda a existência do selvagem é pública, governada pelas leis da sua tribo. A civilização é o processo de libertação do homem relativamente aos homens- em itálico o âmago da coisa - relembrei como difusamente sempre pensara que os actos públicos dos soberanos eram, mais que impositivas e ameaçadoras encenações de poder, uma dádiva paternal, a renúncia dessa intimidade (por muito apenas moderna que possa ser a militância consequente nela) - que eles poderiam ter e não tinham - com especial destaque para os monarcas portugueses, com um péssimo serviço de mesa que sofriam em público - e para a ambição desmedida do viver recolhido que Mme. De Maintenon - que vinda das ruas onde mendigou publicamente - impôs em Versailles (ainda que sob o disfarce de excesso barroco).

sexta-feira, novembro 20, 2009

Sobre processos, verdades formais, & outras coisas atinentes à justiça:

Al Capone foi um comerciante de móveis de Chicago que teve um problema com o fisco.

Tudo o mais que se diga não tem o menor suporte legal (não foi condenado por qualquer outro delito por qualquer sentença transitada em julgado).

quinta-feira, novembro 19, 2009

Outro orçamento rectificativo, desemprego nos dois dígitos, tudo aquilo que a oposição, Dra. Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas, tinha previsto e avisado há muito.
Um governo pouco sério e medíocre, este que os portugueses quiseram escolher.
O déficit previsto atingiu oficialmente 8%.
A realidade tem uma vida obscura e espinhosa em Portugal - agravada com o actual governo.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Chegou hoje a História de Portugal coordenada pelo Rui Ramos. Estou a folhear.

«Chegarem-me livros pelo correio» é um prazer que se mantém intacto. Um dos poucos.

terça-feira, novembro 17, 2009

Adriano Moreira usa o termo estado exíguo para designar um estado incapaz de satisfazer as suas atribuições.
É um termo infeliz. Um estado pode ser exíguo, no sentido de diminuto, e ser muito eficaz. Pense-se na Confederação Suiça.
O termo seria mais estado-gangrena, já que estão na moda as metáforas com origem na patalogia.
Gangrena parece-me muito acertado. Segundo o Priberam, gangrena é : 1. Med. Extinção da acção vital em parte determinada, seguida de decomposição e apodrecimento.
2. Fig. Corrupção moral.
3. Doutrinas perniciosas.
4. Doença das árvores que lhes destrói a casca e a madeira.
gangrena dos ossos: necrose.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Enquanto isto (as emanações pútridas do lameiro em que isto se tornou), os USA preparam-se para deixar cair o pacto sobre o clima. O interessante é que, quando Obama toma medidas que não agradam aos fiéis do politicamente correcto, transforma-se no impessoal e quase incógnito "Presidente dos EUA".
Encontrei a palavra num post do Abupto e era dela que tinha andado à procura para tentar definir a situação que vivemos aqui: subserviência. A subserviência, lembremos, é qualidade de quem se presta servilmente às vontades de outrem.

domingo, novembro 15, 2009

Indícios da prática de um crime de atentado ao estado de direito, numa conversa entre o Sousa e o Vara?
Certamente, erro dos auditores, que não perceberam que os escutados especulariam sobre problemas do Rechtsaat, muito provavelmente, a influência dos conceitos expensidos no Die deutsche Polizeiwissenschaft nach den Grundsätzen des Rechtsstaates por Mohls no Naturrrecht und Deutsches Recht de Gierek. Pouco habituados a discussões deste jaez e à questões hipotéticas, tomaram a discussão filosófica e histórica por coisas reais de agora...
Assim se armam as confusões!
Lia-se Le ballet royal, Versailles.
Os habitantes de Versailles foram massacrados: assassinados o Rei e a Rainha, massacrados impiedosamente, apenas por serem quem eram, muitos dos que seriam os naturais espectadores do ballet - o genocídio abre a história contemporânea -, a que vem este royal possidónio?

quinta-feira, novembro 12, 2009

quarta-feira, novembro 11, 2009

segunda-feira, novembro 09, 2009


O muro de Berlin: importante contributo do pensamento da esquerda e dos governos progressistas para a história do mundo.
Era um regime moderno, relativista, ateu, sem crucifixos nas paredes das aulas.
Infelizmente, caiu há 20 anos, às mãos da populaça ignara.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Ao que Strauss disse, da gente a mais, de um mundo que não reconhece, acrescentaria a estranheza da luz a mais e a proximidade a mais. As trevas escapam-nos, com elas se vai o indistinto que nos retempera; e quase tudo e quase todos estão demasiado próximos, participam da tortura da instantaneidade.

quarta-feira, novembro 04, 2009

terça-feira, novembro 03, 2009

8% de déficit orçamental?????!!!!!
Quem diria! - aquela campanha analfabeta e pateta para acabar com os pontos de exclamação não era inocente.
8% e a subir?!?!?!?!?!
Tsc... tsc...
Coisas que ajudam bastante em momentos de desânimo: redescobrir, com a pobre Hilda, a pintura de Canney-Letty.
Parece que a caloraça acabou e já posso ler.
O primeiro livro da minha reading season*? After Virtue, A Study in moral Theory do Alasdair MacIntyre, uma pequena homenagem à devassidão triunfante (pelo menos, entre nós, portugueses).
* Porque escrevo reading season? Lembrei-me Eça sobre as season em Inglaterra, lembrei-me do artigo dele e gosto de seasons, um modo agradável de organizar a monotonia.

domingo, novembro 01, 2009

"É a golpadazeca do ordinareco que faz umas jogadas, umas burlas, umas corrupções, umas porcarias, umas porcarias, condenando o país"
Ernâni Lopes sobre o estado em que estamos
O artigo de Vasco Pulido Valente no Público de ontem, «A carreira de um corrupto» é, poucas horas depois de publicado, um texto de referência para a história da falência da 3ª república portuguesa.

sexta-feira, outubro 30, 2009

Este post, de há tanto tempo, linkado aqui, continua a trazer leitores ao Impensável.
quem não ache verosímil o episódio dos 10 000 euros, por ser o alegado corrompido um vice-presidente de um grande banco.
É pessimismo lamentável: pode ser sinal de temperança, um louvável sinal de temperança.

quinta-feira, outubro 29, 2009

Estou sem ler há meses! Este calor estraga-me qualquer leitura boa de tempo frio, quando as fibras mentais (lembro-me sempre de Montesquieu nestas alturas de lassidão) adquirem a elasticidade pujante do vime. E leituras de praia em fins de Outubro também não vale a pena tentar: o gesto para evitar besuntar as páginas com o creme do sol faz tão parte da dita, que seria impossível evitá-lo. E para patetices, já bastam as necessárias.

quarta-feira, outubro 28, 2009

Ontem, tinha sido o Dr. Ulrich a traçar a cores escuras o tremendo desmazelo do aeroporto da Portela. Hoje, o Dr. Ricardo Espírito Santo Salgado falou nalguma melhoria da situação e consiste a dita em mais pedidos de empréstimo para casa (há mais proprietários de casa neste torrãozinho abençoado do que na rica Alemanha, mas a coisa não parece afligir ninguém).
Ora, nenhum destes senhores é tolo.
E nós outros também o não devíamos ser.
Já não sei quem dizia que o nosso atraso se manifestava ainda no ter-se-lhe atribuído causas que escondem aquela de que não temos culpa: a geografia.
Estamos aqui a um canto, as coisas demoram a chegar e nós - ou partes de - a mudar.
Ora, o comboio, o aeroporto e todas essas coisas que se encomendam lá fora dão, afinal, menos trabalho e perturbam menos o remanso de fim de mundo do que querer pôr o rapazio a saber matemática - como o Dr. Vasco Pulido Valente já bem notou. Os cultores dos «grandes investimentos», das Novas Sines, não são o «futuro», mas uma manifestação do passado e do medo de mudança, principalmente quando essa mudança afecta métodos e modos, é uma via e não uma recompensa vistosa que encha o olho.

segunda-feira, outubro 26, 2009

Tem-se falado de Inquisição - como se ela não tivesse sempre sido, em Portugal, um instrumento do estado (não foi por fervor religioso que o Pombal - esse herói republicano - lhe concedeu o título de majestade, apenas devido ao soberano): além de polícia política e instilador de medos, terrrores, respeitos e temores reverenciais - que perduram hoje - a Inquisição produzia doutrina que se mantém, ainda viçosa, entre nós:
"[....] Foi por isso estendido no potro e atado de pés e mãos, foi-lhe protestado pelo notário que se elle réo morresse no tormento, quebrasse algum membro, perdesse algum sentido, a culpa seria sua e não dos Senhores Inquisidores que o julgaram ao dito tormento, segundo o merecimento do seu processo."
in António Baião, "Episódios Dramáticos da Inquisição Portuguesa", aqui.

sábado, outubro 24, 2009

Há pouco, na Antena 2, não sei quem opinava que o espólio dos grandes artistas se diva tornar património nacional assim que morressem. É uma afirmação que nos põe em nº 1 no culto do estatismo. Para além de não caber ao estado - mas ao tempo - saber quem são os «grandes artistas» ou os «grandes vultos», esta monstruosidade constítuia um confisco, com requintes de particular crueldade. E dizem-se coisas destas em nome da arte.

quarta-feira, outubro 21, 2009

Li um livro dele, que achei mais um, sem novidades, tributário do realismo fantástico sud america-Marquez, de que não gosto e sem nada que o distinguisse nem que, creio eu, o faça perdurar.
Do que respiguei de outros livros, a mesma impressão, além da pobreza das teses e da abundância de lugares-comuns próprios de quem em filosofia não foi além do expendido em sebentas insípidas ou em boticas jacobinas de província.
Da pessoa, censor dedicado e de uma vaidade pouco comum, tudo me afasta.
Arrumei o assunto há muitos anos e fico admirado com o tempo que lhe dedicam.

terça-feira, outubro 20, 2009

segunda-feira, outubro 19, 2009

Nada pior numa segunda-feira de manhã do que as migalhas dum brunch do sábado lonqínquo.

domingo, outubro 18, 2009

Ontem, um sábado com uma noite agradavelmente clima temperado, lia sobre como Byron's narcissistic regime of diet and exercise [as] a genuinely fateful moment: the beginnings of the obsession with youthfulness (especially svelt youth) as a paradigma ao invés de uma cultura que celebrava the embointpoint and fleshiness as a sign of vitality.

Hoje, ao brunch, enquanto enchia de doce de figo as fatias de brioche não pude deixar de meditar nos males imensos do romantismo.

sexta-feira, outubro 16, 2009

Lembrei-me, depois de anos, da razão que me levava a associar a frase de Marlowe «Was this the face that launch'd a thousand ships/ And burnt the topless towers of Ilium?/Sweet Helen, make me immortal with a kiss» a uma tirada no Cyrano de Bérgerac de Rostand; melhor, lembrei-me o motivo porque foram referidas as duas naquela tarde: a desmesura de Fausto filiada na de Ícaro, reside nao tanto nos intuitos mas no desprezo, na desatenção ao pormenor.
Cyrano sabia a importância de uns traços regulares nos assuntos da imortalidade.

quarta-feira, outubro 14, 2009

Tenho para mim que este calor excessivo, monótono, cansativo, teve a sua parte, e não negligenciável, nos resultados eleitorais.
Em mim, pelo menos, da razão ao sentimento, tudo parece estar deslaçado, como um molho.
E o país também acho que talhou.

segunda-feira, outubro 12, 2009

Tem sido referido que o PS subiu o número de votos. Outra coisa não seria de esperar: em toda a Europa somos geralmente invejados pelo acerto com que tratamos os nossos assuntos e cobiçada a boa organização da nossa administração pública, que vai a par com o estado vicejante da nossa economia. Nada havia, por isso, que convidasse a hesitações! De facto, porquê mudar de partido sendo certo que o PS governa o país desde 1995 - com uma pequena interrupção de dois anos - e nos tem tornado um exemplo para a Europa, se não para o mundo?
Quanto às eleições que se prendem mais comigo, o sítio onde vivo tem a esperar o pior. Bom gosto, boa educação e bom senso não se adquirem pelo voto.

domingo, outubro 11, 2009

O silêncio, razoável substituto da contenção que resulta da genuína dignidade, tinha desaparecido da assembleia onde votei: havia algazarra e a propósito da taxa de abstenção o nome de um dos candidatos era referido por membros da mesa.

sábado, outubro 10, 2009

A atribuição do Nobel a Obama, se à primeira vista se revelou contraproducente, não deixa de ser útil para os seus autores: um estudo de limites.

sexta-feira, outubro 09, 2009

Com a ajuda da falta de senso que sempre caracterizou a esquerda, Obama vai-se tornando numa figura ridicularizável.
No discurso em que agradece o Nobel, afirma: “Para ser franco, acho que não mereço estar na companhia de tantas figuras transformadoras que foram honradas com este prémio, homens e mulheres que me inspiraram e inspiraram o mundo inteiro pela sua procura corajosa da paz”

É por modéstia e bravura que não recebe o Dalai Lama.
Simples.

quinta-feira, outubro 08, 2009

E o engraçado é que basta insistir no assunto para se ser acusado de estar sempre a bater na mesma tecla. Por sua vez, discutir se o espilro do político B é gripe ou recado já é assunto nunca esgotado.
Cansaço, muito cansaço.

quarta-feira, outubro 07, 2009

Encontro no gravador o programa de Constança Cunha e Sá. Gente de quem gosto, mas a discussão passa ao largo do problema essencial: que modelo da economia queremos, como competir na Europa com os países ex-socialistas do leste, se, afinal, queremos ser pobres ou enriquecer? Mas, parece que não são questões interessantes.
É espantoso como o essencial está arredado das nossas preocupações!

terça-feira, outubro 06, 2009

...o que não concebo é que se discutam ninharias e se elevem nadas à condição de problemas nacionais num país onde há fome.

segunda-feira, outubro 05, 2009

Será desta que posso dizer sim à F., ceder perante a insistência do "eu arrumava já as coisas de Verão" que não são já ancinhos, baldes, moinhos e peneiras, mas camisas, calças, polos, t-shirts, até os fato de banho? Diria que sim, mas as repercussões imediatas, entre as quais a subida das camisas de flanela às gavetas de cima parece-me ainda pura isensatez.
99 anos depois, o país vive em apagada e vil tristeza, pobre, atrasado, corrupto.

O Doutor Cavaco falou ao país. Sobre o Doutor Cavaco formei opinião há muitos anos, através dos escritos do Prof. Alfredo de Sousa, datados - lembro-me muito bem - de Linda-a-Velha.

domingo, outubro 04, 2009

São Francisco de Assis
Tenho o ar condicionado ligado e reclamo contra este Outono ardente.
Tal como se podia ler num jornal de 1880, o tempo já não é o que era e não nos podemos fiar nas estações!

sexta-feira, outubro 02, 2009

Aprender com Elizabeth de Caraman-Chimay, Condessa de Grefullhe (1860-1952):

«Nous ne dépendons de personne; et nous devons avoir le courage de nos opinions. C'est un luxe, et le plus grand de tous»

Carta a seu Marido.

Para a N. que a ouviu num longínquo concerto.

quinta-feira, outubro 01, 2009

Uhmmmm
Boçalmente, dá-se a entender que Cavaco Silva está doente e diminuído
Já a Dra. Manuela Ferreira Leite, apesar do seu curriculum académico invejável, nos foi apresentada como pouco mais do que uma simplória.
Ao contrário, Sócrates parece ser cosmopolita, elegante, culto e saudável, o que se deverá à frequência dos grandes ateliers da cova da Beira ou dos sofisticados colegas da exclusiva faculdade que frequentou.
Ao pé dele todos somos canhestros saloios adoentados. Doentes, muito doentes.
.

quarta-feira, setembro 30, 2009

"Foram ultrapassados os limites do tolerável e da decência"
Presidente da República


Há muito, na humilde opinião do Impensávell, mas sempre é alguma coisa: o clima de União Nacional acabou.

terça-feira, setembro 29, 2009

A fotografia das hediondas hijas de Zapatarero substitue e ilustra muitos livros de história das ideias.
O íncómodo do Zapatero que passeia as raparigas à custa do povo espanhol, as leva a um jantar oficial e depois vem falar de intimidade também substitui com proveiro várias outras leituras.
O fim do mundo é rombo.

segunda-feira, setembro 28, 2009

Prepondera neste fim de mundo uma complicada, recortada, estupidez, equivalente nas esferas dos pátrios destinos às trevas que se apossam dos grandes doentes e são o mais claro sinal da extrema gravidade do seu mal.
Pouco há a fazer.

domingo, setembro 27, 2009

sexta-feira, setembro 25, 2009

Pacheco Pereira queixava-se ontem, na Quadratura do Círculo, do PS ter feito uma campanha de casos. Mas são os casos, o anedótico, o episódio, que uma sociedade iliterada melhor compreende.
Antes das europeias pensava para comigo que era impossível ser verdade o que anunciavam as sondagens. Agora, embora não tão convicto, continuo, a pensar que vivemos um embuste nunca dantes visto.
Entretanto, e depois de ler VPV no Público: acresce a este natural pendor para a irrelevância e para o secundário a inépcia de Cavaco. Sempre o achei baço, a beirar o medíocre, e felicito-me por não ter votado nele.

quinta-feira, setembro 24, 2009

40%, o PS? Acho demais, mas, em todos o caso, não se diga que substimo o nosso apego à miséria. Quem sabe? Talvez até a maioria absoluta, a ignomínia absoluta.

quarta-feira, setembro 23, 2009

Este blog fez ontem 6 anos.
Começa a ser levemente assustador.
E talvez o nosso destino seja mesmo a mediocridade, a apagada e vil tristeza, o opróbrio.
Talvez não gostemos mesmo de viver bem e desempoeiradamente.

terça-feira, setembro 22, 2009

Na RR, há pouco, uma entrevista com Manuela Ferreira Leite. Um calmante ouvir uma pessoa inteligente - muito inteligente - e competente e um pensamento maduro, reflectido, estruturado.
A entrevistadora perguntou-lhe pelas gaffes. As gaffes de Ferreira Leite? As gaffes de Ferreira Leite não são dela, mas da iliteracia reinante. E da canalhice medíocre que campeia e que parece conformar-se com o empobrecimento do país.

Outono

segunda-feira, setembro 21, 2009

Tempo bom - suave com luz magnífica.

Leitura de jornais e de blogs: esta gente passou das marcas.

quarta-feira, setembro 16, 2009

O calor desapareceu e voltaram os dias de ante Outono.
A tentativa de apresentação da Dra. Manuela Ferreira Leite como uma pessoa de idade, pouco sofisticada, até um pouco simples - e isto até pela parte de comentadores que se dirigem à classe média (que sabe, por isso, aquilatar, tal como os autores dos comentários, da qualidade do curriculum académico e profissional de MFL) - essa aposta contra a evidência, deve ser cuidadosamente estudada, escalpelizada. Creio que dela se retirará o que é miséria intelectual das gerações que nasceram, se educaram e se tornaram adultas sob a democracia - ao mesmo tempo que conservam a rudeza e a crueldade da gente do campo.
Entretanto, há notícias.

segunda-feira, setembro 14, 2009

O governo socialista espanhol parece não ter dificuldade em entender a Dra. Manuela Ferreira Leite.
Por cá, parece, também, o que diz a Dra. Ferreira Leite deixou de dar azo às deturpações e chufas de há uns tempos.
Por mim, sempre a achei muito clara, e pasmei perante a dimensão da rutilante ignorância*, desonestidade, preconceito, presunção e má fé com que foi recebida e foram recebidas as declarações que fazia. Ainda não sei em que proporção entra cada um daqueles ingredientes no que têm escrito sobre Manuela Ferreira Leite: o facto de, aparentemente, acharem o Pinto de Sousa um "estadista" dificulta-me os cálculos.

domingo, setembro 13, 2009

Pesquisas gastronómicas: creio que descobri algo que poderia passar por um gelado de papa Nestlé (Cérelac).
Resta-me agora tentar encontrar um de Nestum. Do do meu tempo - ainda em latas redondas - e que hoje já teria ultrapassado a designação de Nestum Classic rumo à de Nestum Vintage.
Coisas mais óbvias: voto MFL porque as políticas de MFL me parecem mais ajustadas do que as do PS e MFL uma pessoa muito inteligente, arguta e capaz de as executar, o que tudo há pouco confirmei. Ao contrário, sempre achei o actual PM muito limitado (pensei, de início, que estava a confundir com ignorância, mas não).
Prontos.

sábado, setembro 12, 2009

Estou à espera de duas coisas: que este tempo de calor e seca passe e que -como já havia dito - que a Dra. Manuela Ferreira Leite me dê más notícias, desagradáveis, nítidas e confiáveis.
Esta gente que se apoderou do país, sem escrúpulos nem valores, desonesta, mentirosa, corrupta e corruptora, abusadora, abjecta, terá pensado que o poder era um locus de devassidão, onde os valores não cabem, e que o país, hipocritamente, admiraria essa destreza, essa quase audácia no aviltamento, e que acabaria mesmo por lhes agradecer. A falta de virtude e a fraude como método não produziram efeitos, pelo que é impossível saber se o país se vergaria à pulhice triunfante e pagadora, mas creio que se terão enganado profundamente: o aviltamento não nos entusiasma quanto imaginavam.
Misteriosa e sinceramente gostamos da virtude.

segunda-feira, setembro 07, 2009

Meditação antes do lanche:

Nunca vi a esquerda lamentar a descida do nível de ensino.
Estes, pelo acerto da classificações (a minha preferida é a da Eneida), fazem-me lembrar alguns politólogos, analistas e comentadores portugueses.

domingo, setembro 06, 2009

Boas notícias: este blog voltou!
Hoje ainda vindimo e amanhã ceifo.
Com esta azáfama o blog tem ficado entregue às ervas daninhas.
Espero ainda ouvir na campanha eleitoral discutir o fim do modelo de desenvolvimento que nos trouxe aqui tão perto da ruína e ter uma ideia das repercussões doutro que nos devolva a competetividade - o que, desde logo, parece exigir muito mais esforço do que o expendido a encomendar e mandar fazer obras - e fazer-nos crescer, fazer a industrialização mental.

quinta-feira, setembro 03, 2009

TVI: esta gente do governo vive no e do inadmissível.
Entretanto, forma-se a teoria de que o Governo PS nada teria a ver com a questão TVI porque seria muito estúpido.
Mas eu acho - e os dados parecem mais confirmar do que desmentir - que este governo é, além de poucas letras, muito inepto e pouco inteligente.

quarta-feira, setembro 02, 2009

Por detrás de um aparente progressismo, o que há é a obsessão de por o estado a mandar em tudo com pretexto na criação de uma sociedade falsamente laica imposta aos cidadãos, onde, em nome da igualdade, se destrói a liberdade individual e a diferença.

e

Manuela Ferreira Leite consubstancia uma forma diferente de fazer política, o que explica o tom visceral de recusa que todos os que estão cá mais para se servir do que para servirem, têm. O seu incómodo é total porque haver um exemplo vivo de ser diferente é insuportável para quem quer continuar a ser igual. Manuela Ferreira Leite não está na política por qualquer ambição pessoal, não pretende usar a política para ter qualquer carreira, não quer ter protagonismo nem vive de aparecer nos jornais, está na política por sentido de dever à coisa pública, por sentido de obrigação cívica, porque se revolta com a situação de Portugal. Podia ter ido para o seu Vale de Lobos, mas não foi. E trouxe à vida pública um sentido de responsabilidade, de verdade, de credibilidade que incomoda e muito, incomoda mesmo muito, o PS.

JPP
Vi 30 segundos da entrevista do Sousa.
A entrevistadora e ele não sabem distinguir cinismo de hipocrisia.

Vi um excerto de texto de JPP sobre o governo socialista. Bom. Vou pôr aqui um pedaço.

Coisas irritantes: em busca do sítio de dois versos de de Shakespeare que ontem passei a noite a repetir, mas em português (por isso quase impossível de tentar pelo Google).
Creio agora que ontem confundi Hespérides com Hébridas, vou tentar novamente.

terça-feira, setembro 01, 2009

Não fora a lembrança de milhares de anos de miséria humana e o ter lido Del Sentimento Tragico de la Vida numa idade muito infuenciável e ficaria bastante abatido por encontrar lenços de assoar passados do avesso.
Na sexta-feira, arranjar modo de tocar no assunto.

sábado, agosto 29, 2009

Estes tempos de fins de Agosto e começos de Setembro são o meu jardin d'acclimatation para os tédios de Inverno.

sexta-feira, agosto 28, 2009

Uma parenta atribuía às correntes de ar um papel maior nas catástrofes mundiais. Eu, mais novo, achava graça mas descria. Verificado hoje, sur place: a tosse que me acomete surgiu depois de ter estado exposto à cá de de casa, a clássica corrente sala-corredor-janela poente do quarto que, vejo agora, terá sido já responsável por muitos outros dissabores.
Ontem uma amiga médica suspeitou que eu pudesse estar no começo de uma "Gripe A". Hoje continuo sem febre mas tive agora mesmo um violentíssimo ataque de espilros que, acrescido às dores de garganta, que continuam com pouco alívio, me faz temer o pior,
Sim, estou doente.
Se puder sair de casa, de hoje a um mês vou, pela primeira vez na minha vida (se não contar com a AD), votar PSD. Manuela Ferreira Leite usou a linguagem de um país novo que pensa (oh sim, pensa!) sobre os erros cometidos e reage contra o pensamento mágico, a um tempo fruto do primarismo do subdesenvolvimento e da velha leveza nacional, tudo agravado pelo novo-riquismo acéfalo post-adesão à UE, que o bando medíocre de Sócrates (gente de poucas letras que vive de todos os expedientes) tão bem encarna.

terça-feira, agosto 11, 2009

A questão com estas visões de praia, espreguiçadeiras, chapéus de sol, a sombra da palmeira e a vaga ao fundo é levar-nos a esquecer que, mesmo no melhor dos mundos, estar lá sentado e gostar mesmo de lá estar é extraordinariamente improvável.

sábado, agosto 08, 2009

Raul Solnado morreu.
Tinha-o visto há meses, no bar que frequentava. Achei-o frágil e surpreendi-me por isso: fazia-o mais novo, uma composição de diversas imagens, do Solnado dos anos 60 que apenas vagamente lembrava, ao da Cornélia, a outros ainda, mais recentes, todos longe deste que tinha envelhecido e emprestava à memória de outros tempos uma amabilidade que era apenas dele.

sexta-feira, agosto 07, 2009

Eu não espero de Manuela Ferreia Leite - e com volúpia o digo - senão as costumeiras e tranquilizadoras más notícias, as que acabam por originar, muito a contragosto, alguma medida que remedeia alguma coisa por uns tempos.
Depois de quase cinco ano de falta de educação e gritaria de feira impingindo em altos berros techno-pimba o paraíso - e suponho que a felicidade - nada mais quero que o desgosto antigo, sofrido em sossego antigo na costumada e civilizada angústia.

a bout de souffle

quarta-feira, agosto 05, 2009

A questão das listas do PSD? Infeliz hic et nunc a inclusão de pessoas com processos crime. Creio que ainda não se deram bem conta do estado de exaustão moral a que o país chegou.

Entretanto, a campanha do PS prossegue com felicidade, com as mudanças na TVI.
Agosto tinha os seus habitantes: alguns exilados, os que aproveitavam para abrir as casas de família, os que, nunca se sabia bem porque, estavam aqui uns dias.
Dos vindos de fora a C.: dava passeios antes de jantar, o ar britânico overseas de inglesa do Porto, memórias de verões na Granja. Ia-a encontrando depois, em jantares em casa de outros cultures da intermitência estival, e era agradável relembrar de uns anos para os outros o humour inteligente. A última vez que conversámos contou com graça um jantar em que fizera o papel de anfitriã portuense, por a terem achado, como dizia com um ar convicto e subversivo, a pessoa mais importante do povoado.
O marido, divertido e bem disposto, o eterno deputado da terra junto da Assembléia Nacional até 1974, encontrava-o muito no supermercado, ou no centro da cidadezinha.
Agora, já não vêm, a casa está sempre fechada e eu sem quem, com dégagé, passe à frente da casa no passeio da tarde.

terça-feira, agosto 04, 2009

Aquela concepção do homem enquanto relação abala o meu gosto camponês pela solidez e pela certeza maciça e consoladoramente inerte. Pois é, para aqui estou a ler Kierkegaard.

segunda-feira, agosto 03, 2009

Lembrei-me a propósito desta coisa da erc: creio que já se pode chamar ditadura ao regime da Venezuela.
Esta foi feita à nossa frente, com a conivência europeia e o mal disfarçado entusiasmo das esquerdas..
Ficará para a história que apenas um Rei mandou calar o ditador!
(De lastimar que ninguém tivesse feito o mesmo ao mentiroso daqui).
Num documentário britânico no «Historia» referia-se, com indignado - e justificado - espanto, que em Inglaterra houve propostas para que pudesse ser possível estar preso 90 dias sem ser acusado. A coisa é apresentada - e bem - como uma perversão cruel e bárbara da Justiça.
Em Portugal, ridente rincão, a presente democracia pariu um Código de Processo Penal em que o prazo para estar preso sem acusação pode chegar a um ano.
O dito é muito louvado, por ser progressista - do que não duvido - e moderno.
A direita também não desgosta.
Isto tudo é muito, muito, cansativo.

domingo, agosto 02, 2009

Na casa que, durante anos, ficava vazia desde a manhã de 1, sinto-me um pouco o fantasma das férias passadas - e das futuras.

sábado, agosto 01, 2009

Outro partidário da liberdade respeitosa e amigo do governo português.
Agradável preguiçar sem horários - mesmo que para coisas agradáveis.

Dos blogs: Pacheco Pereira esquece o condicional e o conjuntivo e fala no tempo futuro, como se este governo fosse continuar. É um efeito retórico poderoso, apresentar como certo um futuro miserável, mas com alguns perigos num país onde existe um arreigado gosto em viver mal.
- 1 de Agosto, nem mais!
- Quer dizer então que já estamos em Agosto? Admirável! «Nem mais»? Não o saberia dizer melhor, não o saberia dizer melhor!
- Amabilidade sua, amabilidade sua!

quinta-feira, julho 30, 2009

A RTP1 palra há minutos com entusiasmo sobre a vinda do Rei de Espanha a Portugal. Fazem-se limpezas, arruma-se a casa para receber Sua Majestade.
Escusado era, que não enganamos o perspicácia de Sua Majestade que nos conhece bem e à nossa pequenez, à nossa paixão pelo reles e pela velhacaria mais baixa: foi o Parlamento ainda em funções que recusou um voto de pesar pelo assassinato d'El Rei D. Carlos, tio-avô do monarca espanhol.

quarta-feira, julho 29, 2009

É de Boucher a Vénus da tela em baixo. E tenho ouvido Rameau, Jean-Philippe. Férias francesas, dit-il en clignotant l'oeil.
No Portugal dos pequeninos um comentador dizia que este governo tinha posto o pais em guerra fria civil (comentário Mani Pulite). Muito bem redigido, como diria a Duquesa de Guermantes.

Ricardo Salgado, que já muito tinha inquietado quando veio elogiar a situação, provoca-me mais angústias a defender o TGV. É que tenho lá algumas economias e os banqueiros querem-se sensatos (o que quer dizer, entre outras coisas, não demasiado ambiciosos).

sábado, julho 25, 2009

Há umas semanas um tribunal português suspendeu a pena a uma mulher que assassinou o filho recém-nascido.
Poucas coisas dirão mais sobre nós, sobre o pouco valor que, de facto, continuamos a dar à vida humana e a ausência de dignidade, de decoro, de vergonha, que preside à nossa vidinha do que esta desgraçada decisão.

quinta-feira, julho 23, 2009

Aqui.
Não creio que seja soberba: a soberba, por muito que se deva detestar, exige algum applomb. E isso não tem. O Sousa é mais ser pateta, dizer patetices, não ter noção, fazer figura triste, esse tipo de coisas baças. No seu melhor, tende para o stiff de província, género sessão solene, repetitivo e maçador.
Não podemos é dizer que não sabíamos: a entrevista dada a Herman José que por aí circula mostra a massa de que se fazem os presidentes da junta de freguesia com queda para as requalificações.

quarta-feira, julho 22, 2009

O dia está fresco, nublado. Há um vento agradável.
Um agradável prenúncio de Outono, depois do calor cansativo dos últimos dias.

segunda-feira, julho 20, 2009



A televisão estava a arranjar (durou ainda bastante mais) e houve mudança para casa de amigos. Acabámos por adormecer todos e fomos acordados pelos mais velhos quando estava quase. Estremunhado, não sei se vi bem a descida de Armstrong, mas a impressão de ter sido testemunha da fuga ficou até hoje.

terça-feira, julho 14, 2009

A fórmula de Lampedusa, tão sedutora no que para um marxista seria um exercício de cinismo e "lúcida antecipação" sempre me pareceu, para além de infundada, pouco sensata. O problema reside antes no que sempre acaba por mudar, apesar de tudo aparentemente se manter.

segunda-feira, julho 13, 2009

terça-feira, julho 07, 2009

E sobre Sócrates?
«-É um rapaz da província que subiu na vida à custa da esperteza e de muito pouco trabalho. Assinou projectos arquitectónicos que não eram dele...
-Ele negou, assumiu a autoria...
-Fiquei com a impressão de que tinha assinado projectos que não eram dele. Mentiu, recentemente, no negócio da PT. Tem um percurso de opacidade.»
Descrição sucinta e certeira, de grande utilidade para os lisboetas que ainda acreditam nas virtudes da província.
(Itálicos impensaveis)
-Tem tido uma guerra com os queirosianos. Porquê?
-Eles começaram a fazer-me guerra.
-Mas guerra como?
Tem a ver com as carreiras, luta-se por um poder muito pequenino. Os queirosianos vivem do Eça, é como se fossem sanguessugas. O Eça é a razão de ser da carreira e da promoção deles. Tenho a sorte de não pertencer a uma faculdade de letras. Fiz Filosofia, saltei para Sociologia, e agora faço história e de vez em quando escrevo biografias. Não preciso do Eça para subir na carreira. Para começar, já estava no topo, a liberdade era total. Comecei a perceber quando fui a uma conferência nos Estados Unidos, no centenário do Eça em 2000. Havia 40 portugueses que não tomavam o pequeno-almoço comigo, que não se sentavam ao meu lado no autocarro, que não me falavam. Achei aquilo estranho. Mas quem é esta gente? Depois, havia um professor da Faculdade de Letras, o António Feijó, que me disse: "Mas ainda não percebeste? Estás-lhes a roubar o território" Aquilo é território murado, é o território deles. E o professor americano depois explicou-me que quando me convidou por causa da biografia do Eça teve imediatamente cartas de alguns queirosianos a dizer que o Instituto Camões não me devia pagar o avião. Isto disse-me o americano, que respondeu que se o Instituto Camões não pagasse, a universidade americana pagaria. Não sabia nada disto quando fui, só quando cheguei aos Estados Unidos é que verifiquei que era uma persona non grata.
-Mas quem são esses queirosianos?
- Basicamente, é o Carlos Reis. É catedrático de Coimbra e agora é reitor da Universidade Aberta. E é autor do mais ridículo programa de Português que eu li em dias da vida. As criancinhas entre o 1.o ano e o 9.o ano vão ter de ser sujeitas a um programa de Português que é uma aberração total e completa. Os outros são assistentes dele. Como ele é catedrático, os outros têm medo de falar comigo, porque se na América os vissem a tomar o pequeno-almoço comigo, depois não iam a professor auxiliar.
O Eça, teve a fazer-lhe o elogio fúnebre o Ministro da Marinha - o cargo que ele atribuíra a Abranhos. Agora tem esta gente. O pormenor das cartinhas enviadas para que a universidade norte-americana não pagasse o bilhete de avião valem por tratados.
Pobre Eça! Pobres de nós!

segunda-feira, julho 06, 2009

Li ontem esta notícia.
Durante anos, passei uns dias de Setembro na Barca, onde nunca foi falado, nem sequer ao café, na mesa da casa de jantar imensa - onde quase sempre havia apenas dois comensais - e a conversa vagarosa ia às vezes por lembranças de gente das letras que a dona da casa conhecera. Mas deste nunca se falou e nem o ser a minha anfitriã ela mesma uma visita da Barca - a casa estava fechada 10 meses no ano - é explicação por si. Só a diversidade, a incomensurabilidade e mudez dos mundos, mesmo em terra onde todos têm quintas, terras, leiras, que fazem extrema com todos.
Cansaço e tédio, irritação difusa.

sábado, julho 04, 2009

Reacção de um interlocutor brasileiro à "cena Pinho":

«parece coisa de política local daqui
de cidadezinhas do interior
com todo o respeito
eheh»

quinta-feira, julho 02, 2009

Olé?
Aqui neste lugar esteve o post com o ministro Pinho a fazer corninhos e de que apenas resta aquele início.
Dado que foi demitido, desaparece o post, evitando que este blog tome ares de tertúlia.
Crise na América: a realidade não votou Obama e é pouco permeável a slogans.

quarta-feira, julho 01, 2009

Este governo é tão intensamente um governo de vaudeville que, quando o ministro Pinho (também diz haviam, adiante) rasgou um papel numa entrevista, fiquei à espera que o engolisse e o regurgitasse intacto.
À procura de uma ária barrroca (os 3 errs ficam bem), encontro no You Tube abrasileirado as "recomendações para Você". Não há "acordo" ortográfico que transforme este medonho "para Você" no nosso elegante para si. Aliás, o si é um problema grave no Brasil. Consigo ou comigo são pronomes que por lá não se usam. Certa vez, um brasileiro (curso superior numa universidade com renome brasílico), com aquele nacionalismo arrogante e saloio como só o produzem a miséria e a ignorância, repreendeu-me por dizer consigo na acepção de «em companhia da pessoa a quem ou de quem se fala». Que era erro, que era mau português.
E ainda hoje deve estar convencido de tal.

segunda-feira, junho 29, 2009

Repetição
Madoff: 150 anos em poucos meses (e com garantias muito superiores às que apregoam haver por aqui, uma das muitas mentiras em que uns e outros vão convindo e alimenta o parolismo patrioteiro).
Nesta rapidez, toda a diferença entre o 1º mundo e este em que vivemos.
O primeiro-ministro disse no parlamento, no exercício das suas funções, oficialmente, e em resposta a perguntas feitas por deputados no uso das faculdades previstas na constituição e regimento da assembleia da república, que não conhecia o negócio PT.
Se uma mentira é sempre mentira, o certo é que esta não é uma mentirola proferida à saída de uma qualquer inaguração em resposta a um qualquer jornalista: é proferida no coração da democracia e de uma forma solene.
Se não há novidades, e nada acontecer, mentir torna-se um comportamento legítimo em Portugal, sem sanção, e, no mínimo, qualquer português passa a ter direito de chamar ao primeiro-ministro mentiroso - até em requerimentos oficiais.
Espere-se pelo desmentido.

sexta-feira, junho 26, 2009

Para quem viveu a parte agradável de uma sociedade rural, vociferar pela necessidade de modernizar o país seria uma tarefa pouco entusiasmante não fora o atraso geral ter sintomas tão desagradáveis quanto o actual governo ou as proporções que toma um assunto tão comum como o acrescento de uma pista suplementar num aeroporto de Lisboa: isto tudo toma dimensões tão mais desagradáveis quanto é certo ter-se perdido o hábito de estar fora grande parte do ano.

quinta-feira, junho 25, 2009

Ontem, lia eu sobre o problema das diversas grafias do nome da mulher de Shakespeare, quando ouvi uma grita afadistada, canalha. Percebi com espanto e estupefacção que era o primeiro-ministro português que, aos berros, gingão, insultava os deputados e, numa confissão que seria de incúria se não fosse escandalosamente inverosímil, asseverava nada saber sobre um negócio da PT - empresa em que o Estado tem uma golden share... tudo numa abjecção de modos, num desaustino que pensei para comigo ser necessário alguém dizer ao Sousa que há limites. Para a gritaria e para a alarvaria. A sério, muito a sério.

quarta-feira, junho 24, 2009

Cara afogueada, quase descomposta, o grande saco atirado sobre o ombro, olhou-me tão friamente quanto o suor que lhe escorria da testa permitia e disparou:" isto assim não pode continuar". Isto são os kilogramas de cartas dos leitores do Impensável e a reclamação a da carteira, que diariamente sofre com esse despejar na minha morada física dos protestos pela magreza dos posts (esmaecimento que alguns leitores datam do segundo semestre de 2006).
Não me vou defender: é verdade.
Agora, porém, tenho andado ocupado com a oxfordian thesis. Assim que tirar o assunto a limpo, volto às grandes questões nacionais.
SHARING SPOT
A propósito de análises de Sida a fazer em crianças e adolescentes com menos de 14 anos, sem prévia autorização dos país, o que constitui um crime, uma funcionária, perguntada se mesmo assim iria avante, respondia com ar resoluto e de quem não repudia o martírio, que sim. A questão é que a funcionária sabe muito bem que, em Portugal, não corre nenhum risco de ir presa. A mesma impunidade quanto à indemnização civil que, a ser outorgada, nunca lhe saíria do bolso.
Na verdade, aquela funcionária sabe que a sua total impunidade está assegurada.
(Ao invés, umas palavras menos felizes sobre o primeiro-ministro, podiam, até há bem pouco tempo - até à derrota do PS - trazer-lhe alguns dissabores. Mas esta funcionária zelosa que anuncia com confiança que cometeria um crime, nunca diria uma palavra em desabono do Pinto de Sousa. Porque o faria?)

segunda-feira, junho 22, 2009

Lembro-me de um calor muito quieto e calado. Hoje há buzinas, vozearias, um desassossego estéril.

sexta-feira, junho 19, 2009

Entretanto, creio que toda a gente percebeu que o modelo das obras públicas se esgotou irremediavelmente e que o crescimento económico de Portugal vai exigir um sofisticado apego à realidade e engenho (pouco abundante entre nós, ao contrário do que se propala).
A época da política do fontanário acabou e o pobre Sócrates com os seus títulos falsos, a sua formação académica precária, a sua rusticidade de arraial revelou-se, de repente, tão antigo quanto realmente, e a contra-gosto, é. Não sendo ilustrado, o engenheiro ilustra um tempo que acaba. Talvez, com sorte, se transforme em mais uma alegoria sobre as desventuras de nascer no tempo errado.
Um dia - espero que ainda em tempo útil - gostaria de saber porque - para além da preguiça - me deixo ficar por aqui nestes fins-de-semana tórridos.

quinta-feira, junho 18, 2009

«Uma coligação com o país» - Sempre achei que o Sousa não fazia a menor ideia do que fosse uma democracia representativa e creio que tinha razão.

quarta-feira, junho 17, 2009

Dizem-me alguns cínicos que, nas canonizações, os advogados do diabo nem sempre são muito contundentes nas críticas aos santificandos. É facto que me vem à memória sempre que vejo uma das homilias do Sousa. Há pouco fui parar à Sic e ouvia-se, em voz off, as opiniões dos amigos do engenheiro sobre ele mesmo, das quais se retirava que, a morrer hoje, o primeiro-ministro de Portugal talvez não entrassse de imediato, por entre hossanas, no céu. Que talvez tivesse de aguardar por Domingo. Ousadias da imprensa livre, mas que não evitaram que mudasse apressadamente de canal.
Agora voltei e está a dar uma coisa que se chama «Salve-se quem puder». Achei muito a propósito.
Rebeldes da língua
Por Ruy Castro
FOLHA DE SÃO PAULO - 17/06/09
RIO DE JANEIRO - Abgar Renault (1901-1995), um dos nossos mais subestimados poetas modernos - não necessariamente "modernistas"-, nunca aderiu às reformas ortográficas de 1943 e 1971. Até morrer, escreveu belezas como "Quando me sumo na total ausência/ do curso opaco e ascetico do somno/ e não estou em mais nenhum lugar,/ mil invisiveis cousas mysteriosas/ talvez ocorram sobre o chão, pelo ar". E Abgar não era um amador excêntrico. Era filólogo, um profissional da língua. Foi um dos expoentes da gloriosa Universidade do Brasil, chegou a ministro da Educação e defendeu o Brasil na Unesco. Pois nem assim. Seus textos em prosa e poemas aportavam nas editoras cheios de "yy" e "ph" e eram convertidos para a ortografia vigente. Ordens de cima, diziam. Mas sua desobediência civil foi bonita. Movimento parecido, só que em massa, está acontecendo em Portugal, com a recusa dos lusos a aderir ao "acordo" ortográfico recém-decretado e já em uso no Brasil. Os portugueses não querem dispensar o "c" de "insecto", o "p" de "Egipto" ou o "h" de "húmido", além dos tremas e hifens. É como eles veem a língua, e fazem bem em defender seu patrimônio. Aqui no Brasil começam a surgir sintomas dessa desobediência. O escritor Reinaldo Moraes, autor do recém-lançado romance "Pornopopéia", não abriu mão do acento nem no título. E o também recente "Dicionário Amoroso da Língua Portuguesa", editado por Marcelo Moutinho e Jorge Reis-Sá, com contos, poemas e ensaios de autores de Brasil, Portugal, Angola, Moçambique e Timor Leste, é uma aula prática de unidade na diversidade. Nesse livro, cada autor escreve como se escreve em seu país. Pois, para nenhuma surpresa, aqui e além-mar, entende-se tudo. E por que não? É a mesma língua portuguesa. Nisso está o seu encanto.
Verifico pela leitura dos posts que estou um pouco amargo, mas 4 anos a aturar esta gente tira a boa disposição a qualquer.
É que, deixem-me dizê-lo, muito sinceramente que considero o governo desta tropa fandanga o responsável por um dos mais nefastos períodos da história recente de Portugal: uma governação de rufias, plebeia, que fez imperar a falta de escrúpulos e guindou a má fé a virtude.
Nunca pensei que pudéssemos ser acometidos por um tão grande aglomerado de defeitos e vícios e espero que não se repita tão cedo.

segunda-feira, junho 15, 2009

Constâncio, além de se permitir um tom de regateira para com um deputado, alguém que deriva a sua legitimidade directamente do voto popular, insiste para que lhe não perguntem por pormenores. Também a mim me parece que alguém com um ordenado milionário não se deve preocupar com insignificâncias.
Com que se preocupará o funcionário Constâncio?
Pedro Magalhães propõe uma auditoria às sondagens.
Sobre sondagens já tomei a decisão de não comprar jornais em dia que as divulguem e fugir de canais em alturas que as transmitam.
Não seria desinteressante um boicote a quem encomenda sondagens a gente que, no mínimo, é incompetente.
Les letttres persannes
A multidão que hoje chama ditador a Ahmadinejad é a mesma que celebrou a sua eleição. Muitas mulheres que hoje protestam, começaram a usar, de livre vontade, o chadar ou o niqab ainda no tempo do Xá, e ulularam furiosa e devotamente por Khomeini.
Foram atendidos, eles e elas. Porque protestam agora?
Sim, é verdasde, este Eu não dizia? tem um gosto especial.

sexta-feira, junho 12, 2009

Há dois anos vivi um Verão de quase alucinação neste hotel, por conta da insónia: adormecia tarde e às 8 da manhã estava acordado. Atribui tudo às agruras da meia-idade. Talvez, mas as cortinas tinham uma quota parte importante no estado vigil que então não percebi e hoje me pareceu evidente. Clarividências da senectude.

Comprei ontem o livro da Leonor Botelho, por ter ouvido dizer bem e gostar de memórias. Nascido quase dois decénios depois, ainda pude assistir ao ritual do "fecho da casa" com a vinda do Verão e que nas "Casas faladas" é tão bem lembrado. A existência de várias casas, numa altura em que se não " ia a" (excepto Lisboa, mas não me lembro de, em pequeno, ir e voltar no mesmo dia), as viagens eram "para" fez-me pensar que a diminuição dos rendimentos e a carestia extinguiram - como na história a invenção da agricultura - os prazeres dessas errâncias.

quarta-feira, junho 10, 2009

10 de Junho

Dia de Camões

em que

a Igreja celebra

o Santo Anjo da Guarda de Portugal

Lembrei-me de uma vez que o blog teve mais de 90 visitas. No dia seguinte, antes de postar, ajeitei o nó da gravata: half-Windsor e duplo susto. Mas a multidão desapareceu para sempre e o Impensável é hoje um blog lounge, informal, smart casual nos seus melhores dias. Porque é que me lembrei disto? Enquanto lia Putnam («Renovar a Filosofia», pg. 105) matutei sobre a hipótese esbandajora de me dotar com um fato de Verão igual ao de Ernest (atentar nos 0:32 segundos e reaparição aos 0:42s), branco e preto, em vez do de cor de palha pálida, em linho, com que tinha resolvido proteger a minha pobre natureza da inclemência do estio e de temíveis «apareça logo à tarde» o que tudo, espantosamente, se adequa à questão do problema de saber como há quem aceite a verdade em enunciados contrafactuais enquanto mantém a noção de que a verdade não contrafactual é problemática - o que, embaraçosamente, me sucede de vez em quando chega o Verão.

terça-feira, junho 09, 2009

O Impensável parece uma sede concelhia do PSD (imagem arbitrária: nunca entrei em nenhuma).
Esclarecendo-me, dir-me-ei que não sou do PSD, que nunca votei no PSD, salvo no passado Domingo e que no fim do segundo governo do Prof. Cavaco Silva estava quase - bem, não estava, mas quase - tão farto do governo como estou deste, menos a parte do asco visceral e aflição que agora tenho por isto e que no tempo do Prof. Cavaco Silva não passava de algum tédio e apreensão moderados.

segunda-feira, junho 08, 2009

É espantosa a capacidade de produção de questões apatetadas. Agora é a da ingovernabilidade.
Se com maiorias absolutas caem governos (o do Dr. Santana Lopes) e empobrecemos (o do Sr. Sousa) e fomos ultrapassados por diversos outros países europeus (Chipre, por exemplo), as maiorias absolutas não são condição nem necessária nem suficiente de governabilidade material. A questão verdadeira é outra.
E é essa que temos de discutir.
O autor deste post felicíssimo está na outra margem, mas é comum o rio que nos separa.
A ler, que contém enumeração preciosa e exaustiva de todos os coniventes com a recente desgraça que nos assolou.

Se o Impensável fosse a Life, com Life cover e tudo,
Manuela Ferreira Leite
seria a Live cover do Impensável.

domingo, junho 07, 2009

A GENTALHA PERDEU!

E a política dos golpes baixos, a exaltação do reles, da desonestidade e da má fé.

sábado, junho 06, 2009



Há 65 anos estes soldados desembarcaram na Normandia, na França que capitulara vergonhosa - e apressadamente.
Há 65 anos, Isabel II, então Princesa-Herdeira, filha do Comandante-em-Chefe destes soldados que se vêem no filme imediatamente antes do desembarque - e da morte, para milhares deles - encontrava-se ao serviço do exército britânico e é hoje a única chefe de estado em funções que serviu na 2ª Guerra Mundial.
Apesar disso, o presidente francês não convidou a Rainha Isabel II, hoje a Comandante-em-Chefe dos Exércitos da Grã-Bretanha e do Canadá, para assistir às comemorações do 65º aniversário do desembarque.
Primeiro concordei com quem se indignou. Agora, penso que assim é tudo mais congruente e a ausência da Soberana a lembra-nos que vivemos num estranho e perigoso mundo.

quinta-feira, junho 04, 2009

Mais curiosidades de tradução:
No telejornal da RTP1 o Holly Coran que Obama claramente disse transforma-se em Corão, tout court.
No caso, pode pôr-se a hipótese de um intuito pio: o de evitar que S. Obama perdesse fiéis.
Antes de me deitar deparei com a notícia das primeiras sondagens que dão a vitória ao PSD - como vagamente prevera - e já tristemente descrera.
Vou votar em branco - a questão das unanimidades parlamentares no «acordo» ortográfico - mas é uma boa notícia. Espero que o PSD ganhe; melhor, que Manuela Ferreira Leite ganhe. É civilizada (o Eça queria meter umas cunhas ao bisavô dela e esses apontamentos de currículo sempre me deram uma agradável sensação de tranquilidade), além de civilizada, corajosa, persistente e sem problemas em dizer as coisas desagradáveis que, aliás, só nos faz bem ouvir (o que arde cura).
Mesmo que os resultados desta sondagem se não concretizem ela é um sinal de melhoras, o primeiro anúncio de uma convalescença.
Estava a perder a esperança!
Orgulho e Preconceito na TVI.

Nas legendas, £ são traduzidas por $US. Three hundred pounds transformam-se em «trezentos dólares», assim mesmo.
Atendendo aos tempos, ocorre-me que alguém possa achar subtil, engenhoso ou hábil.

quarta-feira, junho 03, 2009

Conceição Pequito, depois de fazer um quadro sombrio da democracia portuguesa e do cul-de-sac a que nos está a conduzir o estado do nosso sistema político, que considera bloqueado, declara opor-se frontalmente às candidaturas de independentes à Assembleia da República: «Isso era um risco muito grande de populismo».
Parece-me que risco maior é o do paternalismo. Foi ele que gizou o actual sistema, a que subjaz um juízo de incapacidade sobre a possibilidade dos portugueses viveram em democracias sem baias - e que a autora, com a melhor das intenções, reactualiza.

sábado, maio 30, 2009

Coisas para dizer aos sábados à tarde
Agatha Christie diz ou faz dizer a uma sua personagem indiferente às modas que ainda gosta de Alma Tadema. O tom é fier, um repto amável.
Li isto há anos, era pequeno, e lembro-me de achar muito bem achado que a escritora - ou mrs. Marple - gostasse de Tadema quando vi pela primeira vez, tempo depois, uma das telas dele. Um outro visitador - como Bulwer Lytton - do império romano soterrado ali mesmo, a jeito de servir de contraste e aviso à virtude e sentimentalidade britânicas na questão dos atributos morais e perigos dos excessos decorativos.
No Bomba, uma tela de John William Godward, que, tal como Alma Tadema, padecia da doença do mármore.

sexta-feira, maio 29, 2009

O Lopes foi alijado da presidência da Eurojust, no que, creio, constitui uma indicação do modo como a UE lidará com as indignidades deste país em camisa: sempre que a nossa falta de vergonha os afectar, ou a honorabilidade das instituições deles, acabam liminarmente com a situação, mandando-nos sair ou calar, sem mais, como os adultos põem fim às bulhas ou atabalhoadas pretensões de fedelhos mal educados.

quinta-feira, maio 28, 2009

Na tvi24, Vasco Pulido Valente, com a sua abominação por Manuela Ferreira Leite, começa a ser divertido. Villaverde Cabral tempera o destempero a golpes de evidência e bom senso (raridades nacionais), mas Pulido não se dá por vencido e é sempre um bom espectáculo ver alguém inteligente deixar-se levar pela paixão até ao disparate.

quarta-feira, maio 27, 2009

Como se vê por aqui a coisa é às claras. Tão às claras que referi-la é politicamente incorrecto. Neste caso é tão grave - é o princípio da divisão de poderes reduzido a pó e o reconhecimento de que os tribunais não aplicam, mas verdadeiramente fazem lei - que ponho a hipótese da nova juiz do supremo estar a reagir, ironicamente, a uma crítica cada vez mais frequente sobre o facciosismo esquerdista nas decisões de alguns tribunais - lá e cá.

segunda-feira, maio 25, 2009

domingo, maio 24, 2009

A desoras, o A torto e a direito, com algumas surpresas: sobre o «acordo ortográfico», tépidos óbices. A questão prévia - a da legitimidade - não é feita; a da degradação (sic) da língua idem, e é sempre triste ver pessoas inteligentes ignoraram questões tão pouco ignoráveis.
Viegas fala do «acordo» no Brasil, como se lá tivesse as repercussões que aqui teria...
Algumas «razões» aduzidas - o google(!!!) - por Teixeira da Mota levam-me a perguntar se aquele jurisconsulto alguma vez o utilizou: o google permite e facilita a existência de variantes! Ainda no território da fatalidade informática, Viegas referia que somos demasiado pequenos para os programas de computador possuírem as variantes. Já existem e até para línguas menos faladas que o português.

A surpresa da noite foi ver João Pereira Coutinho dizer que a Inglaterra nunca fez «a» revolução (presumo que com maiúscula). Não sabia que havia «a» revolução para fazer, mas houve por lá uma coisa qualquer, não sei quê industrial, que, a haver revoluções (não confundir com genocídios), foi «a» nos últimos cem séculos. Mais ano menos ano.

quarta-feira, maio 20, 2009

Alguém de nome Micael qualquer coisa dá neste momento na Sic notícias sobre o caso Lopes da Mota. Dizia ele que não sei quem «interviu».
Não ouvi mais, mas há-de ser rapaz de talento (e está muito bem como comentador numa estação de televisão portuguesa).
Os trabalhadores da Autoeuropa não aceitaram uma proposta da administração porque poderiam, por algum tempo, ter de trabalhar ao sábado sem receber horas extraordinárias.
A administração diz que irá, também ela, deliberar. A fábrica pode entrar em layoff ou haver despedimentos.
Cada um aceita as consequências dos seus actos. Por mim, o trabalho em alguns sábados, no actual estado das coisas, não me parece uma violência desmedida. Talvez na Saxónia concordem comigo e a empresa acabe por ser mudar para lá.

terça-feira, maio 19, 2009

Paulo Rangel não acha que os portugueses se importem muito com a falta do referendo europeu.
São os nossos políticos. Os que aprovam por quase unanimidade leis como aquela do financiamento dos partidos. Ou o crime do ocordo ortográfico. Ou... Que desânimo!
O meu hesitante voto não vai parar a Rangel.

sexta-feira, maio 15, 2009

Estou a ver a corrida no Campo Pequeno.
Nunca nada corre mal, apenas alguns azares, mas que não desfiguram a lide. O cavalo sofreu um toque? A pega foi à terceira? O que é isso? Nada, correu tudo bem no geral, música e volta à praça.
Não há que errar, é o virus portugaldagora: o muco produzido ataca o espírito crítico até nas pessoas mais decentes.
Esteja atento aos sintomas: arrepios e prostração moral, alternada com contentamentos sem motivo aparente. Seguem-se delírios e alucinações. Pode deixar sequelas.

quinta-feira, maio 14, 2009

Legislar com Staline:
Emenda - igual ao soneto - do PSD à proposta do PS sobre a educação sexual nas escolas:
«Outra das propostas de alteração apresentada pelo PSD prende-se com a questão da obrigatoriedade de frequência. "Mediante requerimento fundamentado, apresentado pelo respectivo encarregado de educação, o Conselho Pedagógico poderá isentar o aluno da obrigatoriedade de frequência da educação sexual, com base no respeito por convicções individuais e familiares manifestamente divergentes com os conteúdos curriculares adoptados pela escola", defendem os sociais-democratas.»

Ou seja, os pais, numa matéria do foro íntimo de cada família, estariam dependentes do poder discricionário (até em sentido técnico-jurídico) de um conselho pedagógico e cada um posto na situação de ter de explicar fundadamente a alguns funcionários o como e o porquê da educação dada a seus filhos.