quarta-feira, janeiro 31, 2007

Parece-me que há um erro no que diz, um grande erro: não seríamos todos nós, cidadãos comuns, quem estaria sujeito à inversão do ónus da prova, mas quem, e apenas quem, exercesse cargos públicos. Será um dos ossos do ofício da coisa pública, como já acontece no Reino Unido, a pátria do rule of the law que invoca para rejeitar a proposta. Referiu-se a esse regime britânico o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa - que não esqueceu que, a apontar no mesmo sentido, existe já uma directiva comunitária.
Coisas enternecedoras - e todas elas vindas de Paris!

Os RG, Renseignements Généraux, os serviços de informações gerais (as alegrias que a república francesa me dá são infindáveis!) teriam recebido ordens para investigar o património imobiliário de Madame Royal, a candidata socialista ao trono do Eliseu. Teriam sido as informações destes amáveis serviços que forçaram a candidata socialista a declarar que sim, que pagava imposto sobre a fortuna (é coisa que nunca deixa de me espantar, a aptidão dos socialistas para fazerem fortuna e, acima de tudo, o conservarem-na com tanto empenho e eficácia).

A outra notícia que veio da repúblique da Gália foi a do uso de testes de ADN em alguns suspeitos habituais para determinar quem, há dias, tinha roubado a lambretta do filho do ministro de la république, Sarkozy. Uma diligência que faz ternura, de facto: é a fraternité aplicada ao rebento ministerial, com algum esquecimento da égalité, já que parece nunca ter sido usado método tão científico para detectar os autores dos outros milhares de roubos de duas rodas. A notícia não especificava se os acusados tinham ficado em liberté.
A entrevista com Vasco Pulido Valente: um inexplicável luxo.

terça-feira, janeiro 30, 2007

Se o aquecimento global se mantiver a este ritmo estou em crer que terei de instalar chauffage central...

segunda-feira, janeiro 29, 2007


Depois de saber tudo sobre Masson, descobri ontem que Miss Pearls era bibliotecária. Percebi o porquê de um blog aparentemente tão - uhm, como dizer? - sensato e recatado, emanar uma carga erótica tão... tão intensa, tão Cancioneiro Geral, uma licenciosidade delicada e perturbantemente gótico-manuelina. Fiquei a saber, mas ainda não me recompus verdadeiramente.
Em labirintos e arabescos repousava de alguns rectos intentos a que, por falta de engenho, não alcancei furtar-me, quando vi que aqui se publicava o nome do autor deste blog. Fui numa carreira ao google ver quem era. Lá estava: MARTINS, JOSÉ - Nasceu em meados do século passado [séc. XIX], em Patos, segundo informa Átila Almeida.
Tal como supusera, mais coisa menos coisa.
Curiosidade satisfeita, volto para onde estava.

quarta-feira, janeiro 24, 2007

«...Tout le malheur des hommes vient d'une seule chose, qui est de ne pas savoir demeurer en repos, dans une chambre.»

Pascal, Pensées

terça-feira, janeiro 23, 2007

Esta minha assiduidade aqui, no blog, radica, creio, no medo de existir que, segundo José Gil, compartilho com os demais portugueses: não quero que o meu algum cansaço do Impensável se inscreva, fique registado pela omissão, e obrigo-me a escrever ainda mais um post.
Vou ter de combater esta compulsão timorata.


O tempo do patrocionador Bris

segunda-feira, janeiro 22, 2007

O que mais gostei hoje nos blogs:

"(...) alguém que tão abnegadamente se eregeu em ombudsman blogosférico da imprensa (...)"

Eregeu é um achado. Significará, creio, erigir perto ou nas costas do mar Egeu, ou, fig: erigir argumentos, argumentar com os métodos dos sofistas das proximidades do Egeu.

P.S. Mesquinho? Seja, mas tenho para mim que o eregeu não é lapso.
Tempos bons para viver: quando as coisas não têm ainda nome e os animais falam.

domingo, janeiro 21, 2007

Cheguei há 10 minutos do depois de jantar em casa de amigos. Noite muito divertida, estive com gente que não via há muito e que gostei de rever.
O poema em que tinha pensado para hoje era o Neutral Tones do Thomas Hardy, apenas por falar de dias de inverno. Gosto muito da terrífica terceira estrofe.

NEUTRAL TONES

We stood by a pond that winter day,
And the sun was white, as though chidden of God,
And a few leaves lay on the starving sod,
-They had fallen from an ash, and were gray.

Your eyes on me were as eyes that rove
Over tedious riddles solved years ago;
And some words played between us to and fro -
On which lost the more by our love.

The smile on your mouth was the deadest thing
Alive enough to have strength to die;
And a grin of bitterness swept thereby
Like an ominous bird a-wing….

Since then, keen lessons that love deceives,
And wrings with wrong, have shaped to me
Your face, and the God-curst sun, and a tree,
And a pond edged with grayish leaves.

sábado, janeiro 20, 2007

Amanhã, domingo, há poema.
A Associação Sindical [sic] de Juízes Portugueses elaborou, a propósito do caso de Torres Novas, um comunicado tão inexplicável quanto ela própria.
Chamou-me nele a atenção esta frase, logo no início - não, não é sobre o problema da "legitimação" embora seja suculento - mas refiro-me ao esclarecimento sobre a admissibilidade de critica:

« Numa sociedade democrática e plural, tendo em conta que a transparência e a crítica são valores inerentes à legitimação democrática dos tribunais, é admissível que as decisões judiciais sejam sujeitas ao escrutínio dos cidadãos, assumindo aí a comunicação social uma função importante. »

É só para dizer que numa democracia não é apenas admissível o escrutínio, pelos cidadãos, das decisões judicias mas absolutamente imprescindível.
Afinal, não são eles o Povo em nome do qual se administra Justiça?
Ou o Povo será, meramente, a entidade patronal?
Foi no Bomba que li o artigo de VPV sobre o referendo. Concordo com muita coisa ( ou não fora ele um dos meus maîtres à penser), mas não partilho o medo de que o referendo enfraqueça a representação. VPV sabe bem o que é a representação em Portugal e disse-no-lo elequentemente depois de ter renunciado ao mandato. Ao que lhe foi concedido para nos representar - antes, creio, de ter havido qualquer referendo.
Se não considerasse que a vida humana começa na concepção e que é, em si, um valor absoluto, teria imenso a discutir e a ponderar. Pensando como penso, resta-me aborrecer e votar "não" - aquilo em que acredito não é discutível.
Quem parece que também votaria não - se considerasse a vida humana absoluta - seria o Dr. House. Os estranhos sintomas de um seu paciente, concebido por inseminação artificial, deviam-se, segundo o seu diagnóstico, a algo que lhe aconteceu quando tinha, quando era 12 células: uma delas foi substituída pela de um outro óvulo, de um gémeo seu. O paciente sofria das consequências do quimerismo.
O que nos acontece quando somos 12 células influencia a nossa vida futura... há entre essa dúzia de células que podem e o que somos muitos anos depois um ininterruptus continuum, uma identidade de destino, de singularidade que nenhum dramático obstáculo, nenhum terrível acontecimento perturba (nem sequer o começo do pulsar desse estranho artefacto onde, quisemos pensar, nasciam os nossos afectos).

sexta-feira, janeiro 19, 2007

Uma das coisas que me preocupa(va?) no TLEBS é a de me parecerem aquelas designações muito de quem não lê, mais ainda, de quem não gosta de ler, nem da língua portuguesa, a julgar pelo modo como a escrevem.
Serviço Público: muito agradável a manteiga fresca, feita em casa, nos scones tépidos. Pôr, depois, a geleia de chá.

quinta-feira, janeiro 18, 2007

E não esquecer de assinar, concordando e querendo, a petição anti-TLEBS.
É a última semana.
O link está ai, à direita, nas causas.
Episódio de anglofilite não infecciosa: vontade de me meter num avião - ou no velho e decrépito Sud - e ir estar uns dias a Inglaterra, a Londres (books, shirts, some grooming things, colognes) e, depois, a Hastings ou Torquay e voltar aqui, smoothly.
Sei, porém, de antemão, que a preguiça tem a batalha ganha. Tem? Tem. Tem!? Não, mas tem.