segunda-feira, agosto 29, 2005

Voltei ontem. Péssimo humor. Deveria ter respeitado a decisão, tomada o ano passado, de não voltar a passar quase um mês num sítio de que gosto mas que me maça e seca ao terceiro dia em quantidades e qualidades que não imaginava possíveis.
Aprender e remoer esta lição, eis a minha única boa intenção da "rentrée", a minha única ocupação do Setembro que aí vem. De todo ele.

domingo, agosto 07, 2005


Regates, Monet.

Logo esperam-me as actividades das vésperas das idas: fazer malas, ter tudo pronto, a vontade de ir acondicionada em papel de seda e metida numa velha gentlemen's hat box, para usar amanhã, segunda-feira.

sábado, agosto 06, 2005

Notícias da uma. Emigração para o Reino Unido e Irlanda. Custa-me a crer: nenhum dos dois países tem códigos de trabalho que se comparem com o nosso na defesa dos direitos dos trabalhadores. Será que os emigrantes estão informados? E em Inglaterra, então, vítima das medidas de Thatcher (e que Blair não revogou)?! Alguém os avise!

sexta-feira, agosto 05, 2005

Se me ocorresse mandar certificar-me como produto fumado - o que, todavia, não farei - mereceria sê-lo quanto o merece legitimamente o salmão ou o arenque. Fumado e indignado, numa indignação sem nome, engolfado numa névoa escura e malcheirosa que foi, até há poucas horas, verde seiva e sombra fresca, espero por melhores dias.

Este governo prossegue, afincadamente, a incapacidade e incompetência dos outros no que respeita aos incêndios e bem fez o primeiro-ministro em sair para o Quénia, para gozar férias.

P.S. Acabo de ler que "António Costa classificou de «extrema gravidade» a actual situação dos fogos em Portugal Continental". Registo a afirmação e a atitude dos aindas primeiro-ministro e presidente da república.
De um passeio à beira mar: refém, poderoso Neptuno? Se refém, sofre de um caso severo de síndrome de Estocolmo, já que me parece inseparável e cúmplice dos seus supostos raptores.
De resto, partilho da opinião.

quinta-feira, agosto 04, 2005

35º C
Processo de cafrealização quase terminado, estou perto da pensée sauvage
(daqui a pouco devem começar a tornar-se inteligíveis alguns aspectos mais curiosos da vida nacional).

segunda-feira, agosto 01, 2005

Efeméride: as viagens para a praia, anos a fio, neste dia. Quando de combóio, mudança em Alfarelos.
A citação de Emerson no Impensavel faíscou aqui e relembrou-nos aquela magnífica passagem de Bloom.
Eu lembrei-me do Emerson - que por estes lados portugueses se lê pouco -através de uma das cartas de Proust, que era um admirador dele.
Os portugueses estão pessimistas quanto à sua situação económica e outro inquérito revela que julgam justificado esse pessimismo.Creio, de facto, que o keynesianismo da trolha já não enstusiasma ninguém e que as "grandes obras" não apenas não suscitam a adesão ingénua de outros tempos quanto é cada vez maior o número daqueles que, por razões várias, as questionam. Entretanto, neste país deprimido, pessimista e abatido, cheio de desempregados sem esperança, o Primeiro-Ministro resolveu ir passear três semanas para o Quénia.
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

Alberto Caeiro

domingo, julho 31, 2005

Creio que já tinha falado de Churchill e da sua opção de resistir e lutar.
Hoje interrogar-nos-iamos ainda sobre os perigos dessa luta: podia-se lutar contra o nazismo mantendo-se a democracia? A opção pela guerra representava quantas mortes em ataques alemães que uma negociação evitaria? E etc, etc.

O interessante - embora dado habitual - é que os mais preocupados com a democracia e a sua preservação foram, geralmente, partidários activos das ditaduras do leste europeu , defenderam tais regimes e consideravam-nos, até, "avanços" em direcção ao futuro.
E pensam que a gente não tem memória.
O après-dîner acabou, saíram agora, e passei por "aqui" a caminho da cama.
Da leitura de interrogações - e doutas, algumas - sobre o comportamento da polícia londrina fica-me cada vez mais a sensação de que a certeza (agora pacifica - e rectrospectiva) de Churchill sobre a atitude a tomar por alturas da 2ª Guerra Mundial seria hoje uma incerta, rude, primária e atoleimada certeza de gente inculta, conflituosa e bulhenta. Tudo, mas tudo, menos a óbvia única coisa a fazer que hoje nos parece ter sido.
(Não era, no entanto, a "única" coisa a fazer, podiam ter capitulado, ou negociado com os nazis e os seus então aliados comunistas.)

sexta-feira, julho 29, 2005

Quase a bonança: partiram os barulhos, tudo está quase pronto e no silêncio das coisas já feitas.
Mas, "para depois das férias" ficaram algumas pequenas coisas para fazer que, estou quase certo, se transformarão, a seu tempo, em pequeninos entraves desagradáveis.

quinta-feira, julho 28, 2005

Martelos pneumáticos por todo o lado. Serve de consolo o estar fresco e a esperança de que o pior já tenha passado (frase audaz, já que ainda há pouco furaram inadvertidamente um tubo e uma pequena cascata cor de ferrugem escorreu pela parede acabada de pintar).

terça-feira, julho 26, 2005

segunda-feira, julho 25, 2005

Seca extrema e incêndios.
Hoje, o céu está nublado, talvez chova um pouco. Num telejornal, entrevista com a proprietária de um café de praia, sobre os prejuízos cuasados pelo "mau" tempo. Noutro lado, era com optimismo que se prometiam melhorias, isto é, o regresso da seca e da canícula.
Que fazer desta gente apalermada que redige notícias? Que consistência de mau sorvete a daqueles cérebros!
Com gentalha assim não admira que o Dr. Soares seja a novidade da season.
O comissário espanhol Almunia fala da possibilidade de um processo de pobreza acelerada em Portugal. Depois da apreensão inicial, quase se simpatiza com a ideia, tanto mais que a pobreza purificada no crisol da perda faz ainda parte das nossas alquimias salvíficas que, ao contrário do resto do mundo, se não apoiam em felicidades e fins felizes por medo de tudo isso ser uma estafante coisa. A paralisia da miséria ancilosou-nos, moldou-nos o esqueleto à miséria e, por isso, tudo o resto nos dói.

domingo, julho 24, 2005

Domingo nublado. Choverá? Há dois meses que não cai uma gota de água.
Neura finis patrie a propósito do 24 de Julho e dias seguintes