Primeira noite de Inverno: quando vi
a citação proustiana de Charlotte lembrei-me de fazer o que tinha decidido há muito: comparar a
minha tradução, a de Mário Quintana (ou sob direcção dele), aquela em que li o RTP (En
Recherche du
Temps
Perdu), com a de Pedro Tamen e ambas com o original. E
entre les deux mon coeur balance: nenhuma se furta à
rugosidade, ao atrito do fraseado de Proust que, deliberadamente, conserva muitas vezes asperezas de estaleiro, memórias do
em bruto, marcas do escopro, da conceição e vida do pensamento do narrador: um dos numerosos prazeres de ler Proust reside em descobrir a geologia, os estratos do seu pensamento, os métodos de escavação que utiliza.
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