Este blog faz hoje 10 anos.
Tempo mais do que suficiente para que o A. - hoje com letra grande - do seu início seja já um pouco diferente de quem escreve estas linhas comemorativas.
O entusiasta bloguista já não habita aqui.
Uma vista de olhos: estão longe os quinhentos e muitos "posts" de 2008, o ano mais ocupado. Em 2012, foram menos de cem e este ano ainda não foram trinta, sequer!
Faria todo o sentido acabar, verificada a caducidade de uma vontade, se não fosse ela menos do A. do que deste blog lui-même (que é, também, a mais do que um repositório das crenças e aflições do escrevedor - que acaba de verificar, com algum espanto, aliás, que são muitas as datas de dias seus atribulados que
no Impensável são serenos, amenos, dias), vontade de blog que parece querer erigir-se, por piedosa vaidade e omissão, em testemunho da divulgação da internet em Portugal - e da passagem dos primeiros entusiasmos.
E aqui fica ele, por isso, monumentando, como parece querer, ao modo de um velho chafariz pitoresco que as pessoas visitam. Sempre foi bucólico.
domingo, setembro 22, 2013
segunda-feira, setembro 16, 2013
The Outing*
An outburst of anger near the road, a refusal to speak on the path, a silence in the pine woods, a silence across the old railroad bridge, an attempt to be friendly in the water, a refusal to end the argument on the flat stones, a cry of anger on the steep bank of dirt, a weeping among the bushes.
Lydia Davis
Davis é a minha descoberta literária mais reconfortante dos últimos anos.
* Atente-se:
Outing
An outburst of anger near the road, a refusal to speak on the path, a silence in the pine woods, a silence across the old railroad bridge, an attempt to be friendly in the water, a refusal to end the argument on the flat stones, a cry of anger on the steep bank of dirt, a weeping among the bushes.
Lydia Davis
Davis é a minha descoberta literária mais reconfortante dos últimos anos.
* Atente-se:
Outing
1. An excursion, typically a pleasure trip.
2. A walk outdoors.
terça-feira, setembro 10, 2013
quinta-feira, julho 11, 2013
O que se segue é asqueroso e imoral, é a negação da democracia e do estado de direito.
(no Público de ontem)
O hábito de cozinhar as decisões nas lojas a recato do Povo, dá nisto
(e já têm o desplante de escrever estas obscenidades).
Acontece que entidades públicas não têm segredos privados, nem há decisões privadas de eleitos sobre coisas públicas - a não ser em casos excepcionalíssimos que não podem passar disso mesmo, de excepcionalíssimas excepções ao princípio do livre escrutínio popular - que é um direito e um dever de todos.
Aqui, para poder aquilatar, por si, do estado do assunto.
‹‹A câmara avançou agora para o Constitucional por considerar, segundo o
"Público", que a obrigatoriedade de divulgar este tipo de documentos
"abre caminho a que todas as decisões políticas e documentos que as
corporizam fiquem sujeitas ao escrutínio público e, eventualmente,
judicial, o que irá conduzir, inevitavelmente, à diminuição/perda da
autonomia que deve caracterizar o exercício do poder político".››
E rematam:
E rematam:
"Não se trata aqui de esconder o que quer que seja do domínio
público, trata-se é de proteger a reserva das discussões e documentos de
cariz político" destinados a ajudar na tomada de decisões, "essas sim
públicas", sustenta igualmente a autarquia.
O hábito de cozinhar as decisões nas lojas a recato do Povo, dá nisto
(e já têm o desplante de escrever estas obscenidades).
Acontece que entidades públicas não têm segredos privados, nem há decisões privadas de eleitos sobre coisas públicas - a não ser em casos excepcionalíssimos que não podem passar disso mesmo, de excepcionalíssimas excepções ao princípio do livre escrutínio popular - que é um direito e um dever de todos.
Aqui, para poder aquilatar, por si, do estado do assunto.
segunda-feira, julho 08, 2013
sábado, julho 06, 2013
quarta-feira, julho 03, 2013
O governo dissolve-se perante a inevitabilidade de, finalmente, ter de cortar a despesa do estado.
Há pouco, representantes do sistema - que deixaram esta gente a mandar nisto (sem perceber que, a partir de 2008, a coisa pública não podia estar nas mãos de gangsters políticos ou de ineptos) davam alguns sinais de vida, mas pode ser tarde de mais, até para eles.
Nota - o discurso do primeiro-ministro (mas toda a situação, não esquecendo o ministro dos negócios estrangeiros, longe de uma saída honrosa) é o espelho de uma infantilidade e imperícia políticas assustadoras.
terça-feira, julho 02, 2013
Miguel Beleza cita Machado a propósito dos erros de Gaspar
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
Uma novidade, num país de fatalistas.
Caminante, son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
Uma novidade, num país de fatalistas.
quarta-feira, junho 26, 2013
A sensação de viver um interregno. Tempo e locais inóspitos que as grandes e pequenas coisas parece terem desertado.
Comecei a ler The Diary of a Country Parson, no caso James Woodeforde, que chegou hoje da Amazon.
Primeira surpresa, a data da sua publicação, anos vinte do século passado. Tinha pensado o Diário obra conhecida desde os inícios do séc. XIX.
Comecei a ler The Diary of a Country Parson, no caso James Woodeforde, que chegou hoje da Amazon.
Primeira surpresa, a data da sua publicação, anos vinte do século passado. Tinha pensado o Diário obra conhecida desde os inícios do séc. XIX.
sexta-feira, junho 21, 2013
quinta-feira, junho 06, 2013
Junho. O tempo passa.
Há dias, um político perguntava-se sobre o porquê do salazarismo ter demorado tanto.
Entretanto, na televisão, uma criada de Salazar veio visitar o Palácio de S. Bento.
Conta hábitos frugais e o relato das poupanças faz ressaltar a ironia: na altura, Portugal crescia quase 10% ao ano... Hoje, o inquilino de um palácio de São Bento sofisticado dirige um país falido.
Está-se a pensar nestes desconsertos quando se vê a empregada que, na Feira do Livro, encontrou, ocasionalmente, Santana Lopes, que ocupou o mesmo lugar de Salazar: a chefia do governo português.
Não sei porquê penso no monólogo de Alfred Doolittle, pai de Elisa.
A questão é que indignos ou dignos, a apoiar - ou tolerar - uma ditadura ou a viver em democracia, as necessidades são as mesmas - e cada vez temos menos.
quarta-feira, maio 22, 2013
Ver o afã com que em alguns blogs ditos conservadores se aceita a adopção por homossexuais.
Em alguns deles chega a ser doloroso observar quanto querem agradar aos donos da agenda política. Seria caso para dizer, aos pais adoptivos.
Interessante ainda verificar como a adopção é menos vista no que tem de sacrifício por outrém, pela criança adoptada - como bem lembra Scruton - em detrimento da concepção que mais se aproxima da ficção jurídica romana, em que um filho adoptivo servia sobretudo os interesses do pai, de que constituia, muitas vezes, um troféu.
A Varela, como já se deram conta os mais inteligentes, é uma representante fiel do regime - possidónio, falido e caduco - a que não falta o habitual ódio ao ar fresco).
Por isso, já começaram as operações de contenção de danos - que vão ao ponto de retratar Varela como "tia da linha", quando se trata, bem pelo contrário , de alguém que vive - tudo leva a crer que bem - republicana e laicamente à conta de uma universidade pública.
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terça-feira, maio 07, 2013
quinta-feira, abril 25, 2013
À tarde, encontrei uns botões-de-punho caros, comprados há 2 ou 3 anos, e que tinha esquecido completamente.
Proibi-me lamentos por uns tempos.
Ah, o 25 de Abril: há uns anos, quando foi, pensei tratar-se do desaparecimento do último travão do "desenvolvimento". O fim do estado autoritário seria o caminho aberto para a agradável prosperidade europeia.
Estamos falidos e temos um estado que faria a inveja de Pombal e da Inquisição (os dois deram-se sempre bem, aliás, para quem ache o par desconchavado).
Proibi-me lamentos por uns tempos.
Ah, o 25 de Abril: há uns anos, quando foi, pensei tratar-se do desaparecimento do último travão do "desenvolvimento". O fim do estado autoritário seria o caminho aberto para a agradável prosperidade europeia.
Estamos falidos e temos um estado que faria a inveja de Pombal e da Inquisição (os dois deram-se sempre bem, aliás, para quem ache o par desconchavado).
segunda-feira, abril 15, 2013
É uma afirmação um pouco temerária* num blog: estes anos produziram em Portugal uma geração e meia (e contaminou outra) que, mesmo por entre os escombros, se delicia a auto-celebrar-se.
A coisa não é apenas portuguesa, mas por cá ganhou dimensões de monstruosidade.
É um espectáculo deprimente ver o que esta gente se cumprimenta, o que esta gente se admira e se estima e se festeja!
* De facto, sê-lo-ia, se o blog tivesse leitores.
A coisa não é apenas portuguesa, mas por cá ganhou dimensões de monstruosidade.
É um espectáculo deprimente ver o que esta gente se cumprimenta, o que esta gente se admira e se estima e se festeja!
* De facto, sê-lo-ia, se o blog tivesse leitores.
sábado, abril 13, 2013
quinta-feira, abril 04, 2013
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