Miguel Beleza cita Machado a propósito dos erros de Gaspar
Caminante,
son tus huellas
el camino, y nada más;
caminante, no hay camino,
se hace camino al andar.
Al andar se hace camino,
y al volver la vista atrás
se ve la senda que nunca
se ha de volver a pisar.
Caminante, no hay camino,
sino estelas en la mar.
Uma novidade, num país de fatalistas.
terça-feira, julho 02, 2013
quarta-feira, junho 26, 2013
A sensação de viver um interregno. Tempo e locais inóspitos que as grandes e pequenas coisas parece terem desertado.
Comecei a ler The Diary of a Country Parson, no caso James Woodeforde, que chegou hoje da Amazon.
Primeira surpresa, a data da sua publicação, anos vinte do século passado. Tinha pensado o Diário obra conhecida desde os inícios do séc. XIX.
Comecei a ler The Diary of a Country Parson, no caso James Woodeforde, que chegou hoje da Amazon.
Primeira surpresa, a data da sua publicação, anos vinte do século passado. Tinha pensado o Diário obra conhecida desde os inícios do séc. XIX.
sexta-feira, junho 21, 2013
quinta-feira, junho 06, 2013
Junho. O tempo passa.
Há dias, um político perguntava-se sobre o porquê do salazarismo ter demorado tanto.
Entretanto, na televisão, uma criada de Salazar veio visitar o Palácio de S. Bento.
Conta hábitos frugais e o relato das poupanças faz ressaltar a ironia: na altura, Portugal crescia quase 10% ao ano... Hoje, o inquilino de um palácio de São Bento sofisticado dirige um país falido.
Está-se a pensar nestes desconsertos quando se vê a empregada que, na Feira do Livro, encontrou, ocasionalmente, Santana Lopes, que ocupou o mesmo lugar de Salazar: a chefia do governo português.
Não sei porquê penso no monólogo de Alfred Doolittle, pai de Elisa.
A questão é que indignos ou dignos, a apoiar - ou tolerar - uma ditadura ou a viver em democracia, as necessidades são as mesmas - e cada vez temos menos.
quarta-feira, maio 22, 2013
Ver o afã com que em alguns blogs ditos conservadores se aceita a adopção por homossexuais.
Em alguns deles chega a ser doloroso observar quanto querem agradar aos donos da agenda política. Seria caso para dizer, aos pais adoptivos.
Interessante ainda verificar como a adopção é menos vista no que tem de sacrifício por outrém, pela criança adoptada - como bem lembra Scruton - em detrimento da concepção que mais se aproxima da ficção jurídica romana, em que um filho adoptivo servia sobretudo os interesses do pai, de que constituia, muitas vezes, um troféu.
A Varela, como já se deram conta os mais inteligentes, é uma representante fiel do regime - possidónio, falido e caduco - a que não falta o habitual ódio ao ar fresco).
Por isso, já começaram as operações de contenção de danos - que vão ao ponto de retratar Varela como "tia da linha", quando se trata, bem pelo contrário , de alguém que vive - tudo leva a crer que bem - republicana e laicamente à conta de uma universidade pública.
WebRep
currentVote
noRating
noWeight
terça-feira, maio 07, 2013
quinta-feira, abril 25, 2013
À tarde, encontrei uns botões-de-punho caros, comprados há 2 ou 3 anos, e que tinha esquecido completamente.
Proibi-me lamentos por uns tempos.
Ah, o 25 de Abril: há uns anos, quando foi, pensei tratar-se do desaparecimento do último travão do "desenvolvimento". O fim do estado autoritário seria o caminho aberto para a agradável prosperidade europeia.
Estamos falidos e temos um estado que faria a inveja de Pombal e da Inquisição (os dois deram-se sempre bem, aliás, para quem ache o par desconchavado).
Proibi-me lamentos por uns tempos.
Ah, o 25 de Abril: há uns anos, quando foi, pensei tratar-se do desaparecimento do último travão do "desenvolvimento". O fim do estado autoritário seria o caminho aberto para a agradável prosperidade europeia.
Estamos falidos e temos um estado que faria a inveja de Pombal e da Inquisição (os dois deram-se sempre bem, aliás, para quem ache o par desconchavado).
segunda-feira, abril 15, 2013
É uma afirmação um pouco temerária* num blog: estes anos produziram em Portugal uma geração e meia (e contaminou outra) que, mesmo por entre os escombros, se delicia a auto-celebrar-se.
A coisa não é apenas portuguesa, mas por cá ganhou dimensões de monstruosidade.
É um espectáculo deprimente ver o que esta gente se cumprimenta, o que esta gente se admira e se estima e se festeja!
* De facto, sê-lo-ia, se o blog tivesse leitores.
A coisa não é apenas portuguesa, mas por cá ganhou dimensões de monstruosidade.
É um espectáculo deprimente ver o que esta gente se cumprimenta, o que esta gente se admira e se estima e se festeja!
* De facto, sê-lo-ia, se o blog tivesse leitores.
sábado, abril 13, 2013
quinta-feira, abril 04, 2013
quinta-feira, fevereiro 14, 2013
segunda-feira, fevereiro 11, 2013
sexta-feira, fevereiro 01, 2013
terça-feira, janeiro 22, 2013
segunda-feira, janeiro 14, 2013
quarta-feira, janeiro 02, 2013
«Agora, é evidente que, de três, uma: ou o
Brasil vai propor uma revisão do AO, ou tratará de a empreender pro domo
sua sem ouvir os outros países de língua portuguesa, ou fará como em
1945, deixando-o tornar-se letra morta por inércia pura e simples. No
primeiro caso, mostra-se a razão que tínhamos ao insistir na suspensão
do AO, a tempo, para revisão e correcção. A iniciativa deveria ter sido
portuguesa e muitos problemas teriam sido evitados. No segundo caso,
mostra-se além disso que continuamos a ser considerados um país pronto a
agachar-se à mercê das conveniências alheias. Com a desculpa, a raiar
um imperialismo enjoativo, da "unidade" da língua, em Portugal haverá
sempre umas baratas tontas disponíveis para se sujeitarem ao que quer
que o Brasil venha a resolver quanto à sua própria ortografia. Foi o que
se passou em 1986 e 1990. No terceiro caso, mostra-se ainda que
ficaremos reduzidos a uma insignificância internacional que foi criada
por nós mesmos.»
Vasco Graça Moura, no Diário de Notícias de hoje. Aqui.
Vasco Graça Moura, no Diário de Notícias de hoje. Aqui.
sábado, dezembro 29, 2012
sábado, dezembro 08, 2012
segunda-feira, dezembro 03, 2012
Francisco Sá Carneiro - ontem, dia 2 de Dezembro, fez 33 anos que ganhou as eleições - representava o que eu pensava então que seria o futuro de Portugal: a condução dos assuntos do país entregue a uma geração culta e cosmopolita, que anos de oposição afastara de ideias de facilidade e que conhecia o país.
Com a sua morte - num 4 de Dezembro - comecei a entrever um destino mais confuso - ou antes, a antever a entrega do país a quem dele não tinha uma ideia, uma visão. Estava, porém, longe de supor que assistiríamos à demissão de toda uma classe - e de uma geração ? - e à entrega do poder a arrivistas medíocres, uns deles a roçar a mera delinquência.
A miséria a que conduziram o país e agora impera - em todas as acepções do termo, já que é ela a soberana - se não contribuiu para que ao poder volte gente mais preparada e mais densa tem, ao menos, a vantagem de ter feito cessar o grotesto espectáculo da bulimia.
Mas quando voltaremos a ter um primeiro-ministro com biblioteca?
Com a sua morte - num 4 de Dezembro - comecei a entrever um destino mais confuso - ou antes, a antever a entrega do país a quem dele não tinha uma ideia, uma visão. Estava, porém, longe de supor que assistiríamos à demissão de toda uma classe - e de uma geração ? - e à entrega do poder a arrivistas medíocres, uns deles a roçar a mera delinquência.
A miséria a que conduziram o país e agora impera - em todas as acepções do termo, já que é ela a soberana - se não contribuiu para que ao poder volte gente mais preparada e mais densa tem, ao menos, a vantagem de ter feito cessar o grotesto espectáculo da bulimia.
Mas quando voltaremos a ter um primeiro-ministro com biblioteca?
sábado, dezembro 01, 2012
VIVA O 1º DE DEZEMBRO!
VIVA PORTUGAL!
Portugueses celebremos
O dia da redenção,
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.
A fé dos campos de Ourique,
Coragem deu e valor,
Aos famosos de quarenta,
Que lutaram com ardor.
P'rá Frente ! P'rá Frente !
Repetir saberemos as proezas Portuguesas
Avante, Avante,
É voz que soará triunfal,
Vá avante mocidade de Portugal,
Vá avante mocidade de Portugal.
VIVA PORTUGAL!
Portugueses celebremos
O dia da redenção,
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.
A fé dos campos de Ourique,
Coragem deu e valor,
Aos famosos de quarenta,
Que lutaram com ardor.
P'rá Frente ! P'rá Frente !
Repetir saberemos as proezas Portuguesas
Avante, Avante,
É voz que soará triunfal,
Vá avante mocidade de Portugal,
Vá avante mocidade de Portugal.
sexta-feira, novembro 09, 2012
quinta-feira, novembro 01, 2012
sexta-feira, outubro 05, 2012
terça-feira, outubro 02, 2012
A situação não é de diagnóstico difícil: o estado consome 47% do PIB e deveria consumir muito menos.
É preciso cortar na despesa.
O resto são estratégias de negação, no que, infelizmente, somos exímios.
Leia-se aqui como conseguimos sempre não conseguir.
É preciso cortar na despesa.
O resto são estratégias de negação, no que, infelizmente, somos exímios.
Leia-se aqui como conseguimos sempre não conseguir.
quarta-feira, setembro 26, 2012
domingo, setembro 23, 2012
No Brasil (no que lê e pensa) comemora-se o cinquentenário da morte de Bernanos.
Bem precisávamos de alguma inocência heróica, depois de provada tanta culpa cobarde...
Lembro-me de ouvir elogiar Bernanos, lido pela geração mais velha, grande parte já desaparecida e que também lia Teillard de Chardin, Gabriel Marcel, Mounier e a Esprit.
sábado, setembro 22, 2012
sábado, setembro 15, 2012
Os vindouros têm em direito a saber a opinião impensável.
Sobre a medida em si (redução da taxa social única), não se sabe bem o que pensar e partilha-se a posição de Victor Bento.
Quanto ao resto, o que que verdadeiramente está em causa - e que não pode perdurar - é um modo autoritário e sacudido de fazer política, tanto mais insuportável quanto os governos têm ministros como Relvas...
Sobre a medida em si (redução da taxa social única), não se sabe bem o que pensar e partilha-se a posição de Victor Bento.
Quanto ao resto, o que que verdadeiramente está em causa - e que não pode perdurar - é um modo autoritário e sacudido de fazer política, tanto mais insuportável quanto os governos têm ministros como Relvas...
quinta-feira, setembro 13, 2012
Aqui
A mais importante e notável meditação sobre o nosso destino próximo.
A ver absolutamente, esta entrevista da Dra. Manuela Ferreira Leite.
A mais importante e notável meditação sobre o nosso destino próximo.
A ver absolutamente, esta entrevista da Dra. Manuela Ferreira Leite.
terça-feira, setembro 11, 2012
segunda-feira, setembro 10, 2012
quinta-feira, setembro 06, 2012
quarta-feira, setembro 05, 2012
Factos
1 Num país com fogos violentos, a locutora, com um ar tristonho, avisa que o bom tempo vai acabar para a semana. A frivolidade desta gente é inacreditável!
2 O tédio pode ter horas de grande agitação.
3 Creio que tenho de me considerar um fraco leitor - uma denominação que considerava, ainda há pouco tempo, poder vir a ser-me aplicável. Mas a verdade é que há muito tempo que não sou o "ávido leitor" da adolescência.
1 Num país com fogos violentos, a locutora, com um ar tristonho, avisa que o bom tempo vai acabar para a semana. A frivolidade desta gente é inacreditável!
2 O tédio pode ter horas de grande agitação.
3 Creio que tenho de me considerar um fraco leitor - uma denominação que considerava, ainda há pouco tempo, poder vir a ser-me aplicável. Mas a verdade é que há muito tempo que não sou o "ávido leitor" da adolescência.
segunda-feira, setembro 03, 2012
domingo, setembro 02, 2012
O déficit está fora de controlo. Nada de surpreendente: mesmo quando se pretende que tudo mude para que tudo fique na mesma - na fórmula do Príncipe de Lampedusa, que o actual governo português parece ter adoptado - é necessário mudar alguma coisa.
E nada foi feito para além de meter a mão nas algibeiras dos portugueses - o que, infelizmente, não constitui uma mudança.
E nada foi feito para além de meter a mão nas algibeiras dos portugueses - o que, infelizmente, não constitui uma mudança.
sábado, setembro 01, 2012
sexta-feira, agosto 17, 2012
Festejos de Verão
Le temps fuit et sans retour
Emporte nos tendresses,
Loin de cet heureux séjour
Le temps fuit sans retour.
Zéphyrs embrasés,
Versez-nous vos caresses,
Zéphyrs embrasés,
Donnez-nous vos baisers!
vos baisers! vos baisers! Ah!
Belle nuit, ô nuit d'amour,
Souris à nos ivresses,
Nuit plus douce que le jour,
Ô belle nuit d'amour!
Ah! Souris à nos ivresses!
Nuit d'amour, ô nuit d'amour!
Ah! ah! ah! ah!! ah! ah! ah! ah! ah
Les contes d'Hoffmann
Jacques Offenbachah!
Le temps fuit et sans retour
Emporte nos tendresses,
Loin de cet heureux séjour
Le temps fuit sans retour.
Zéphyrs embrasés,
Versez-nous vos caresses,
Zéphyrs embrasés,
Donnez-nous vos baisers!
vos baisers! vos baisers! Ah!
Belle nuit, ô nuit d'amour,
Souris à nos ivresses,
Nuit plus douce que le jour,
Ô belle nuit d'amour!
Ah! Souris à nos ivresses!
Nuit d'amour, ô nuit d'amour!
Ah! ah! ah! ah!! ah! ah! ah! ah! ah
Les contes d'Hoffmann
Jacques Offenbachah!
sexta-feira, agosto 03, 2012
segunda-feira, julho 23, 2012
Até onde podemos traçar a linha da única religião portuguesa, o culto do estado?
D. João II ou o Marquês de Pombal que mataram com abundância - e o segundo fez uma inexplicada grande fortuna - são figuras impingidas aos portugueses como grandes estadistas.
Camilo Castelo Branco denunciou o culto republicano do Pombal, mas creio que estava a ser optimista: o culto da brutalidade e autoritarismo estatais são devoções nacionais.
Agora, mesmo sem personificações plausíveis, crê-se ainda assim nesta divindade até à extorsão total.
O FMI, que já terá percebido o carácter profundamente perverso da religião de estado portuguesa, preveniu que a diminuição do déficit (uma heresia, afinal) teria de ser feita pelo lado da receita.
Será uma tarefa quase impossível.
D. João II ou o Marquês de Pombal que mataram com abundância - e o segundo fez uma inexplicada grande fortuna - são figuras impingidas aos portugueses como grandes estadistas.
Camilo Castelo Branco denunciou o culto republicano do Pombal, mas creio que estava a ser optimista: o culto da brutalidade e autoritarismo estatais são devoções nacionais.
Agora, mesmo sem personificações plausíveis, crê-se ainda assim nesta divindade até à extorsão total.
O FMI, que já terá percebido o carácter profundamente perverso da religião de estado portuguesa, preveniu que a diminuição do déficit (uma heresia, afinal) teria de ser feita pelo lado da receita.
Será uma tarefa quase impossível.
quarta-feira, julho 11, 2012
terça-feira, julho 10, 2012
sábado, julho 07, 2012
quinta-feira, julho 05, 2012
O estado português distorceu até despedaçar o mercado de arrendamento. Fê-lo à custa do direito de propriedade, pela limitação da liberdade contratual. Parte foi oportunismo, parte falta de princípios e o restante aquele misto de ignorância e construtivismo social - que, em Portugal, esquerda e direita partilham.
O resultado de tudo isso, para além da liquidação física das cidades, com a perda de património cultural material e imaterial, foi forçar os portugueses à compra de casa, para que milhares deles não tinham meios.
Agora, querem devolver aos bancos as casas que deixaram de poder pagar e o Poder, que é sempre generoso com o dinheiro e direitos alheios, quer alterar o regime da garantia das obrigações.
Acontece, porém, que lá fora, os credores (que vivem no estranho mundo dos adultos), ao perceberem este delírio manso - mas devastador dos mais elementares e universais princípios do direito dos contratos, acabaram de explicar aos bancos portugueses que terão de assinalar as imparidades (perdas) que surgirão dessa mudança de regime, o que pode atrasar em anos a possibilidade de poderem financiar-se, por eles, no mercados, com a consequente escassez de crédito ...
Por uma vez estes imbecis vão perceber algo de muito simples: não há vantagens sem desvantagens. Perceberão?
quarta-feira, julho 04, 2012
As últimas notícias da partícula de Deus
do Público
«Suponhamos que o Higgs é um jornalista e que as outras partículas subatómicas são figuras políticas que atravessam uma sala (o Universo). O movimento - a velocidade de deslocação - de cada político dentro do grupo de jornalistas (o campo de Higgs) será mais ou menos lento dependendo do número de jornalistas que os querem entrevistar e que se aglutinam à sua volta.
Quanto mais jornalistas (mais Higgs) o político tiver a travar a sua passagem, maior o peso mediático desse político... ou seja, maior a massa dessa partícula. Pelo contrário, um político que ninguém está interessado em entrevistar será mais leve (terá menos massa) e poderá deslocarse no meio dos jornalistas sem abrandar tanto, interagindo muito menos com o campo de Higgs.»
Impossível que o Impensavel não assinalasse a suspeita desta descoberta.
Nota: As notícias em inglês contêm estranhas palavras (e.g. "physics", "science") que aqui são tidas por "arcaísmos".
do Público
«Suponhamos que o Higgs é um jornalista e que as outras partículas subatómicas são figuras políticas que atravessam uma sala (o Universo). O movimento - a velocidade de deslocação - de cada político dentro do grupo de jornalistas (o campo de Higgs) será mais ou menos lento dependendo do número de jornalistas que os querem entrevistar e que se aglutinam à sua volta.
Quanto mais jornalistas (mais Higgs) o político tiver a travar a sua passagem, maior o peso mediático desse político... ou seja, maior a massa dessa partícula. Pelo contrário, um político que ninguém está interessado em entrevistar será mais leve (terá menos massa) e poderá deslocarse no meio dos jornalistas sem abrandar tanto, interagindo muito menos com o campo de Higgs.»
Impossível que o Impensavel não assinalasse a suspeita desta descoberta.
Nota: As notícias em inglês contêm estranhas palavras (e.g. "physics", "science") que aqui são tidas por "arcaísmos".
segunda-feira, julho 02, 2012
O manjerico deste ano tinha-se transformado, à tarde, num chorão exangue, situação tão mais lamentável quanto a rega tinha sido pensada com cuidado, para evitar excessos.
Acudiu-se-lhe com água e, passado uma hora, pareceu começar a recompor-se, mas ainda sem deixar de inspirar os maiores cuidados.
Mas tudo correu bem e hoje lá está, fresco e viçoso. Para lhe prestar socorro ficou interrompida a leitura da Apologie que Montaigne faz de de Raimond Sebond, o teólogo natural.
Mas tudo correu bem e hoje lá está, fresco e viçoso. Para lhe prestar socorro ficou interrompida a leitura da Apologie que Montaigne faz de de Raimond Sebond, o teólogo natural.
quarta-feira, junho 20, 2012
Campainha e interruptor da luz de cabeceira de um conhecido hotel português. A fotografia
é de ontem.
«Bientôt minuit. C'est l'instant où le malade, qui a été obligé de partir en voyage et a dû coucher dans un hôtel inconnu, réveillé par une crise, se réjouit en apercevant sous la porte une raie de jour. Quel bonheur, c'est déjà le matin! Dans un moment les domestiques seront levés, il pourra sonner, on viendra lui porter secours. L'espérance d'être soulagé lui donne du courage pour souffrir. Justement il a cru entendre des pas; les pas se rapprochent, puis s'éloignent.
Et la raie de jour qui était sous sa porte a disparu. C'est minuit; on vient d'éteindre le gaz; le dernier domestique est parti et il faudra rester toute la nuit à souffrir sans remède.»
Proust, RTP, Du côté de chez Swann
segunda-feira, junho 18, 2012
In paradisum deducant te angeli
Ao paraíso possam os Anjos levar-te.
in tuo adventu
À tua chegada
suscipiant te martyres,
recebam-te os Mártires,
et perducant te
e guiem-te
in civitatem sanctam Jerusalem.
à cidade santa, Jerusalém.
Chorus angelorum te suscipiat,
Recebam-te os coros dos Anjos,
et cum Lazaro quondam paupere
e com Lázaro, outrora pobre,
aeternam habeas requiem.
possas ter o eterno descanso.
Em memória de LA.F. - um comentador deste "blog".
Em memória de LA.F. - um comentador deste "blog".
sábado, junho 16, 2012
sexta-feira, junho 08, 2012
Medina Carreira em entrevista ao “i”
«Tenho para mim como certo que a origem da presente crise do Ocidente emerge da sua desindustrialização e da dependência energética, com custos crescentes. Foi isso que afundou as economias e foi esse afundamento que motivou os endividamentos já referidos, destinados a evitar uma quebra acentuada do padrão de vida ocidental. Entre nós, sentem-se também os efeitos da incompetência e da irresponsabilidade governativa vigente nos últimos anos. A fragilidade económica ocidental gerou os endividamentos e foram estes que originaram o subprime americano, tanto quanto a chamada crise das dívidas soberanas na Europa. A crise da zona euro surge na sequência desses factos. Sem se enfrentar esta realidade mais ampla, os esforços em curso na Europa do euro, mesmo que bem sucedidos, não evitarão a progressiva decadência do Ocidente. Neste emaranhado de circunstâncias, de que ainda não se fala em Portugal, as árvores são a austeridade, a falta de crescimento e o desemprego. Estão na orla da floresta e por isso são visíveis por todos. Mas a reviravolta do mundo, que é tudo o resto que a liberalização económica provocou, ultrapassa a Europa e o euro, e constitui a verdadeira floresta em que avançamos, desorientados.»
Medina Carreira não é o senhor pitoresco, caturra e ultrapassado que nos avisava e tinha razão acerca dos “desafios” de Sócrates. Medina Carreira pensa, verdadeiramente, actividade que ocupa pouca gente em Portugal e menos ainda quando se trata de questionar a nossa civilização - ou aspectos dela - actividade deixada pouco mais o que à ficção científica.
quarta-feira, junho 06, 2012
Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure
Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.
Os primeiros versos emitidos pela BBC anunciaram à resistência francesa a iminência do desembarque aliado.
Foi há 68 anos e convém não esquecer.
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.
Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure
Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.
Os primeiros versos emitidos pela BBC anunciaram à resistência francesa a iminência do desembarque aliado.
Foi há 68 anos e convém não esquecer.
terça-feira, junho 05, 2012
domingo, junho 03, 2012
sexta-feira, junho 01, 2012
Mesmo para quem discorde, o afirmado pela Dra. Teodora Cardoso exprime uma reflexão e uma preocupação com questões decididamente sérias, coisa rara entre nós.
quinta-feira, maio 31, 2012
Balanço do mês de Maio:
gente medíocre espia gente medíocre.
(A mediocridade é majestática em Portugal).
Déficit orçamental e execução do orçamento em perigo. Reformas que, por pura cobardia, continuam por fazer.
Um primeiro-ministro sem rasgo que não soube aproveitar a ocasião.
Esperam-nos tristíssimos tempos.
terça-feira, maio 22, 2012
Da entrevista da Dra. Maria do Carmo Vieira:
Grego clássico, em Portugal, já não haverá ninguém a aprender;
Latim é uma disciplina de opção.
Literatura Portuguesa idem.
Pode-se ser professor de português sem ter estudado latim ou literatura portuguesa.
Assim, através da estupifidicação, se prepara um país para a Ditadura.
segunda-feira, maio 21, 2012
domingo, maio 20, 2012
terça-feira, maio 15, 2012
sábado, maio 12, 2012
sexta-feira, maio 11, 2012
What made telephone conversation so interesting to one of the main progenitors of “conversational analysis”—a discipline that looks for the deep structures in our everyday talk—was not that it represented some bold break from traditional human communication, but that it is, in essence, pure talk, not contaminated by the suggestive glance, the gesture of a hand, a person’s body torque. Sifting through hundreds of hours of actual recorded calls from an array of sources, Schegloff rigorously dissected the dynamics in play when two people who cannot see each other talk: the turn taking, the “forced position repair” (that moment in a conversation when one realizes there has been a misunderstanding—“I thought you meant . . .”— and the participants must go backward in time to “fix” the conversational thread).
quinta-feira, maio 10, 2012
quarta-feira, maio 09, 2012
segunda-feira, maio 07, 2012
Quem leu Eça - as reflexões de Eça sobre a França - perceberá melhor a eleição de Hollande no que ela é para além de justa reacção à vã agitação de Sarkozy.
Com o socialista é o regresso à normalidade no que se refere a amantes e estado, dois aspectos essenciais da vida pública francesa.
Ao contrário do vencido, que no começo do seu mandato corria atrás de uma mulher visivelmente farta dele e que o deixou (sim, Sarkozy era um quitté - uma das situações mais humilhantes para um francês, a ponto de, segundo Stendhal, serem escassas as palavras para designar tal situação), Hollande tem uma amante que escondeu do público durante a campanha eleitoral da sua maitresse en titre, Ségolène Royal e que hoje é a oficial, Valérie Massonneau, divorcée Trierweiler.
Por aqui aqui se pode ver que a vitória de Hollande é a da França séria, cordata, que dizer?, habitual, onde "les grandes passions sont si rares que les grands hommes" e as amantes desempenham um papel determinante no exercício do poder ("De l'amour" de Stendhal - com relevância, capítulos XL, XLI e XLII)
Com o socialista é o regresso à normalidade no que se refere a amantes e estado, dois aspectos essenciais da vida pública francesa.
Ao contrário do vencido, que no começo do seu mandato corria atrás de uma mulher visivelmente farta dele e que o deixou (sim, Sarkozy era um quitté - uma das situações mais humilhantes para um francês, a ponto de, segundo Stendhal, serem escassas as palavras para designar tal situação), Hollande tem uma amante que escondeu do público durante a campanha eleitoral da sua maitresse en titre, Ségolène Royal e que hoje é a oficial, Valérie Massonneau, divorcée Trierweiler.
Por aqui aqui se pode ver que a vitória de Hollande é a da França séria, cordata, que dizer?, habitual, onde "les grandes passions sont si rares que les grands hommes" e as amantes desempenham um papel determinante no exercício do poder ("De l'amour" de Stendhal - com relevância, capítulos XL, XLI e XLII)
Por aqui, tudo bem, dir-me-ão. mas e o estado: "As medidas propostas por Hollande? Não revelam imprudência, não são nefastas?"
Creio que deverão ser tidas como declarações não sérias, não no sentido de serem desonestas, mas no de serem jocosas, uma plaisanterie, une guignolade, bonne á rigoler: há mesmo promessas de gastar rios de dinheiro, o que, nas presentes condições, desempenha o papel dos apartes das comédias de Moliére: um modo jovial e rassurant de assegurar que nada se vai, afinal, passar como julgam.
Não, de verdadeiramente tenebroso em Hollande e que, devo confessar, me inquieta, apenas sua mãe, assistente social e católica de esquerda.
sábado, maio 05, 2012
Creio que não é novidade.
Há muito que a imagem de Portugal no exterior é a de um país corrupto.
Quanto aos juízes: não creio que a renuneração seja um problema. Em Inglaterra - naquele país onde não há ditaduras - 75% das acções são julgadas por pessoas comuns, em voluntariado, que têm uma formação de algumas semanas e que recebem apenas modestas ajudas de custo para deslocações, não vendo ninguém nesse regime qualquer problema ou ameaça à independência judicial - que, por aqui, se eleva às altura de uma essência diafana e inefável, quando consiste na produção de decisões de acordo com a lei e não consoante o desejo do poder executivo. A tese que subjaz é a de que o dinheiro, ou a falta dele, deixam os juizes nas mãos do executivo. Não menos deixa o excesso de benesses e a expectativa de mais...
O que assegura a independência e a imparcialidade - coisa diferente da «independência» - dos juízes não é o dinheiro: é a honestidade e uma cultura que a premeie.
Há muito que a imagem de Portugal no exterior é a de um país corrupto.
Quanto aos juízes: não creio que a renuneração seja um problema. Em Inglaterra - naquele país onde não há ditaduras - 75% das acções são julgadas por pessoas comuns, em voluntariado, que têm uma formação de algumas semanas e que recebem apenas modestas ajudas de custo para deslocações, não vendo ninguém nesse regime qualquer problema ou ameaça à independência judicial - que, por aqui, se eleva às altura de uma essência diafana e inefável, quando consiste na produção de decisões de acordo com a lei e não consoante o desejo do poder executivo. A tese que subjaz é a de que o dinheiro, ou a falta dele, deixam os juizes nas mãos do executivo. Não menos deixa o excesso de benesses e a expectativa de mais...
O que assegura a independência e a imparcialidade - coisa diferente da «independência» - dos juízes não é o dinheiro: é a honestidade e uma cultura que a premeie.
quinta-feira, maio 03, 2012
E a comoção do 1º de Maio foi o promocional bodo aos pobres dado pelo Sr Alexandre Soares dos Santos, proprietário do "Pingo Doce".
Apesar dos tumultos, alguns dos fregueses deixaram palavras de agradecimento à bondade do empresário.
A «troika» considerou nociva a situação de monopólio na distribuição alimentar, facilitada, ao longo de anos, pelas administrações central e local.
Apesar dos tumultos, alguns dos fregueses deixaram palavras de agradecimento à bondade do empresário.
A «troika» considerou nociva a situação de monopólio na distribuição alimentar, facilitada, ao longo de anos, pelas administrações central e local.
terça-feira, abril 17, 2012
Não é que já não goste de «blogar», que gosto; o busílis reside no Facebook, onde se palra e há novidades.
Grande parte da vida bloguística transferiu-se para lá e hoje, excepção feita aos blogues-artigos-de-fundo, estes, pessoais, têm um pouco o aspecto solitário das gavetas a que sucederam como repositório de impressões.
Que fazer a um objecto destes, que, já faz parte da minha vida vai para Setembro fazer 9 anos?
Esperar que se transforme na questão de uma década? É isso.
Grande parte da vida bloguística transferiu-se para lá e hoje, excepção feita aos blogues-artigos-de-fundo, estes, pessoais, têm um pouco o aspecto solitário das gavetas a que sucederam como repositório de impressões.
Que fazer a um objecto destes, que, já faz parte da minha vida vai para Setembro fazer 9 anos?
Esperar que se transforme na questão de uma década? É isso.
quinta-feira, abril 05, 2012
domingo, abril 01, 2012
quinta-feira, março 29, 2012
Um governo chefiado por um falso engenheiro, com uma resolução de «conselho de ministros», põe a andar um mecanismo de destruição da Língua Portuguesa.
Estas monstruosidades, produtos do atraso, do analfabetismo, da falta de espírito crítico, de falta de respeito pelo Património, ao serviço das ambições sul-americanas, como as podemos combater?
Estas monstruosidades, produtos do atraso, do analfabetismo, da falta de espírito crítico, de falta de respeito pelo Património, ao serviço das ambições sul-americanas, como as podemos combater?
domingo, março 25, 2012
terça-feira, março 20, 2012
A Primavera começou há bocadinho.
A primeira notícia a brotar não é agradável:
A primeira notícia a brotar não é agradável:
«De acordo com o estudo da consultora Ernst & Young, o crescimento
da Espanha, Grécia, Irlanda, Itália e Portugal, até 2015, não irá além
de 0,5% – um ritmo lento e incomparável com o progresso de 9% que os
restantes 12 países da zona euro deverão registar.
O ritmo de crescimento lento, a par com a quebra no investimento
público, taxa de desemprego elevada e recuo no consumo público e privado
são alguns dos indicadores que definem um país “pobre”.»
Trouxeram-nos aqui Cavacos palonços de poucas letras, Passos-khen, Marcelos inteligentíssimos e patéticos - um Gilles palrador - Pachecos, também inteligentíssimos (o que nós temos de gente inteligentíssima!) Toninhos Xavieres amáveis, Portas, alguns crápulas e um ou outro ganster.
Tudo isto funciona a 220 costaváquos.
Trouxeram-nos aqui Cavacos palonços de poucas letras, Passos-khen, Marcelos inteligentíssimos e patéticos - um Gilles palrador - Pachecos, também inteligentíssimos (o que nós temos de gente inteligentíssima!) Toninhos Xavieres amáveis, Portas, alguns crápulas e um ou outro ganster.
Tudo isto funciona a 220 costaváquos.
sábado, março 10, 2012
quinta-feira, março 08, 2012
sábado, março 03, 2012
Este artigo deve tomar-se como uma provocação, um convite a que meçamos as implicações daquilo que concedemos levianamente, por preguiça, ou por moda.
sexta-feira, março 02, 2012
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
Ash Wednesday
Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn
Desiring this man's gift and that man's scope
I no longer strive to strive towards such things
(Why should the aged eagle stretch its wings?)
Why should I mourn
The vanished power of the usual reign?
Because I do not hope to know again
The infirm glory of the positive hour
Because I do not think
Because I know I shall not know
The one veritable transitory power
Because I cannot drink
There, where trees flower, and springs flow, for there is nothing again
Because I know that time is always time
And place is always and only place
And what is actual is actual only for one time
And only for one place
I rejoice that things are as they are and
I renounce the blessed face
And renounce the voice
Because I cannot hope to turn again
Consequently I rejoice, having to construct something
Upon which to rejoice
And pray to God to have mercy upon us
And pray that I may forget
These matters that with myself I too much discuss
Too much explain
Because I do not hope to turn again
Let these words answer
For what is done, not to be done again
May the judgement not be too heavy upon us
Because these wings are no longer wings to fly
But merely vans to beat the air
The air which is now thoroughly small and dry
Smaller and dryer than the will
Teach us to care and not to care
Teach us to sit still.
Pray for us sinners now and at the hour of our death
Pray for us now and at the hour of our death.
(.............................................................................)
T. S. Eliot
Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn
Desiring this man's gift and that man's scope
I no longer strive to strive towards such things
(Why should the aged eagle stretch its wings?)
Why should I mourn
The vanished power of the usual reign?
Because I do not hope to know again
The infirm glory of the positive hour
Because I do not think
Because I know I shall not know
The one veritable transitory power
Because I cannot drink
There, where trees flower, and springs flow, for there is nothing again
Because I know that time is always time
And place is always and only place
And what is actual is actual only for one time
And only for one place
I rejoice that things are as they are and
I renounce the blessed face
And renounce the voice
Because I cannot hope to turn again
Consequently I rejoice, having to construct something
Upon which to rejoice
And pray to God to have mercy upon us
And pray that I may forget
These matters that with myself I too much discuss
Too much explain
Because I do not hope to turn again
Let these words answer
For what is done, not to be done again
May the judgement not be too heavy upon us
Because these wings are no longer wings to fly
But merely vans to beat the air
The air which is now thoroughly small and dry
Smaller and dryer than the will
Teach us to care and not to care
Teach us to sit still.
Pray for us sinners now and at the hour of our death
Pray for us now and at the hour of our death.
(.............................................................................)
T. S. Eliot
sábado, fevereiro 11, 2012
Público - O futuro dura muito tempo
Vasco Pulido Valente tem geralmente razão porque lê a realidade, enquanto a generalidade dos políticos e «fazedores de opinião» gosta de a recitar.
«[...] Os deputados da Assembleia da República espumavam de fúria e o Governo resolveu exibir a sua dignidade num comunicado seco e sentido. Toda essa gente se acha com certeza acima da crítica daqueles que lhe vão dando o pão de cada dia. Mas não lhe ocorre que não mereça o respeito de ninguém. Cá dentro, houve um pacto para não se falar do passado, ou seja, para nunca se apurarem as culpas do sarilho onde nos meteram. E o patriotismo serve para ir calando parcialmente o que se diz lá fora. Os príncipes e o pessoal menor da República andam por aí de "consciência tranquila" , como eles nos costumam garantir, a tratar com serenidade e deleite da sua preciosa vidinha.
Mesmo em portugueses, esta extraordinária ilusão não deixa de surpreender. O Estado falhou no essencial e foram eles que falharam. Não foi a Europa ou a América ou o "capitalismo selvagem" que falharam. Foram eles. Levar um povo inerme à falência e, a seguir, à miséria equivale, por exemplo, a perder uma guerra. São coisas que não se desculpam. A relativa resignação com que os portugueses se têm portado talvez leve a maioria do nosso funcionalismo político ao erro de supor que adquiriu uma espécie de imunidade perpétua e que nem agora, nem depois lhe pedirão contas. Mas, como já se vai vendo, a vontade de as pedir aumenta dia a dia e acabará inevitavelmente por se tornar geral.»
Vasco Pulido Valente tem geralmente razão porque lê a realidade, enquanto a generalidade dos políticos e «fazedores de opinião» gosta de a recitar.
«[...] Os deputados da Assembleia da República espumavam de fúria e o Governo resolveu exibir a sua dignidade num comunicado seco e sentido. Toda essa gente se acha com certeza acima da crítica daqueles que lhe vão dando o pão de cada dia. Mas não lhe ocorre que não mereça o respeito de ninguém. Cá dentro, houve um pacto para não se falar do passado, ou seja, para nunca se apurarem as culpas do sarilho onde nos meteram. E o patriotismo serve para ir calando parcialmente o que se diz lá fora. Os príncipes e o pessoal menor da República andam por aí de "consciência tranquila" , como eles nos costumam garantir, a tratar com serenidade e deleite da sua preciosa vidinha.
Mesmo em portugueses, esta extraordinária ilusão não deixa de surpreender. O Estado falhou no essencial e foram eles que falharam. Não foi a Europa ou a América ou o "capitalismo selvagem" que falharam. Foram eles. Levar um povo inerme à falência e, a seguir, à miséria equivale, por exemplo, a perder uma guerra. São coisas que não se desculpam. A relativa resignação com que os portugueses se têm portado talvez leve a maioria do nosso funcionalismo político ao erro de supor que adquiriu uma espécie de imunidade perpétua e que nem agora, nem depois lhe pedirão contas. Mas, como já se vai vendo, a vontade de as pedir aumenta dia a dia e acabará inevitavelmente por se tornar geral.»
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
Uma lição que chega de Angola:
«A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.»
Jornal de Angola, 8 de Agosto de 2012
«A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.»
Jornal de Angola, 8 de Agosto de 2012
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
E passam hoje 104 anos sobre a data do Regicídio d'El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe.
Com este crime a república desembaraçou-se de um Rei popular e com prestígio internacional.
O século republicano não foi dos mais brilhantes: caos, crime, ditadura e, agora, a falência no quadro de um país devastado moralmente.
Com este crime a república desembaraçou-se de um Rei popular e com prestígio internacional.
O século republicano não foi dos mais brilhantes: caos, crime, ditadura e, agora, a falência no quadro de um país devastado moralmente.
Subscrever:
Mensagens (Atom)







