quarta-feira, maio 22, 2013

Ver o afã com que em alguns blogs ditos conservadores  se aceita a adopção por homossexuais.
Em alguns deles chega a ser doloroso observar  quanto querem agradar aos donos da agenda política. Seria caso para dizer,  aos pais adoptivos.  

Interessante ainda verificar como a adopção é menos vista no que tem de sacrifício por outrém, pela criança adoptada - como bem lembra Scruton - em detrimento da concepção que mais se aproxima  da ficção jurídica romana, em que um filho adoptivo servia sobretudo os interesses do pai, de que constituia, muitas vezes, um troféu.
A Varela, como já se deram conta os mais inteligentes, é uma representante fiel do regime - possidónio, falido e caduco  - a que não falta o habitual ódio ao ar fresco). 
Por isso, já começaram as operações de contenção de danos - que vão ao ponto de retratar  Varela como "tia da linha",  quando se trata, bem pelo contrário , de alguém que vive - tudo leva a crer  que bem - republicana e laicamente à conta de uma universidade pública.

terça-feira, maio 07, 2013

A propósito dos exames das criancinhas, o cronista, os seus 40s ou 50 conta um seu exame e os preparativos. Compra de fato, etc.
Esquecemos todos e esse esquecimento - essa amnistia da nossa miséria - fez-nos mal.

quinta-feira, abril 25, 2013

À tarde, encontrei uns botões-de-punho caros,  comprados há 2 ou 3 anos, e que tinha esquecido completamente.
Proibi-me lamentos por uns tempos.




Ah, o 25 de Abril: há uns anos, quando foi, pensei tratar-se do desaparecimento do último travão do "desenvolvimento". O fim do estado autoritário seria   o caminho aberto para a agradável prosperidade europeia. 

Estamos falidos e temos um estado que faria a inveja de Pombal e da Inquisição (os dois deram-se sempre bem, aliás, para quem ache o par desconchavado).

segunda-feira, abril 15, 2013

É uma afirmação um pouco temerária* num blog: estes anos produziram em Portugal uma geração e meia (e contaminou outra) que, mesmo por entre os escombros, se delicia a auto-celebrar-se.

A coisa não é apenas portuguesa, mas por cá ganhou dimensões de monstruosidade.

É um espectáculo deprimente ver o que esta gente se cumprimenta, o que esta gente se admira e se estima e se festeja!

* De facto, sê-lo-ia, se o blog tivesse leitores.

sábado, abril 13, 2013

Notas da noite

1 - a antropologia ou é uma ontologia ou;

2 - Bergman usa as interpretações de Fournier. Podiam ser outras? Não.

segunda-feira, fevereiro 11, 2013

sexta-feira, fevereiro 01, 2013

Diz-se: desvendou-se o mistério, a verdade foi conhecida. Ora, nada mais misterioso do que a verdade.

terça-feira, janeiro 22, 2013

Todas as novidades - Aveux et anathèmes de Cioran, no caso, paru 1987 - começam a estar demasiado distantes.

segunda-feira, janeiro 14, 2013

É a estação das notícias sobre a  "desolação que assola a paisagem".

No Portugal de hoje, no dia de hoje, muito sereno, tépido, luminoso, compreende-se que a desolação é das ideias, das instituições, da mediocridade das gentes.

quarta-feira, janeiro 02, 2013

«Agora, é evidente que, de três, uma: ou o Brasil vai propor uma revisão do AO, ou tratará de a empreender pro domo sua sem ouvir os outros países de língua portuguesa, ou fará como em 1945, deixando-o tornar-se letra morta por inércia pura e simples. No primeiro caso, mostra-se a razão que tínhamos ao insistir na suspensão do AO, a tempo, para revisão e correcção. A iniciativa deveria ter sido portuguesa e muitos problemas teriam sido evitados. No segundo caso, mostra-se além disso que continuamos a ser considerados um país pronto a agachar-se à mercê das conveniências alheias. Com a desculpa, a raiar um imperialismo enjoativo, da "unidade" da língua, em Portugal haverá sempre umas baratas tontas disponíveis para se sujeitarem ao que quer que o Brasil venha a resolver quanto à sua própria ortografia. Foi o que se passou em 1986 e 1990. No terceiro caso, mostra-se ainda que ficaremos reduzidos a uma insignificância internacional que foi criada por nós mesmos.»

Vasco Graça Moura, no Diário de Notícias de hoje.  Aqui.

sábado, dezembro 29, 2012

As minhas deambulações pelo Facebook e a militância no anti-acordismo ortográfico tornaram este blog um lugar mais solitário do que soía.

segunda-feira, dezembro 03, 2012

Francisco Sá Carneiro -  ontem, dia 2 de Dezembro, fez 33 anos que ganhou as eleições - representava o que eu pensava então que seria o futuro de Portugal: a condução dos assuntos do país entregue a uma geração culta e cosmopolita, que anos de oposição afastara de ideias de facilidade e que conhecia  o país.
Com a sua morte - num 4 de Dezembro - comecei a entrever um destino mais confuso - ou antes, a antever  a entrega do país a quem dele não tinha uma ideia, uma visão. Estava, porém,  longe de supor que assistiríamos à demissão de toda uma classe - e de uma geração ? - e à entrega do poder  a arrivistas  medíocres, uns deles a roçar a mera delinquência.
A miséria a que conduziram o país e agora impera - em todas as acepções do termo, já que é ela a soberana - se não contribuiu para que ao poder volte gente mais preparada e mais densa tem, ao menos, a vantagem de ter feito cessar o grotesto espectáculo da bulimia.
Mas quando voltaremos a ter um primeiro-ministro com biblioteca?