sexta-feira, agosto 03, 2012

O distância do poder - mesmo quando provocada por um exílio voluntário - não assegura, por si, qualquer lucidez no juízo do mundo.. A sapiência da renúncia deve esgotar-se em si mesma e, quando perfeita torna o mundo supérfluo, não mais "compreensível".

segunda-feira, julho 23, 2012

Até onde podemos traçar a linha da única religião portuguesa, o culto do estado?
D. João II ou o Marquês de Pombal que mataram com abundância - e o segundo fez uma inexplicada grande fortuna - são figuras impingidas aos portugueses como grandes estadistas.
Camilo Castelo Branco denunciou o culto republicano do Pombal, mas creio que estava a ser optimista: o culto da brutalidade e autoritarismo estatais são devoções nacionais.
Agora, mesmo sem personificações plausíveis, crê-se ainda assim nesta divindade até à extorsão total.
O FMI, que já terá percebido o carácter profundamente perverso da religião de estado portuguesa, preveniu que a diminuição do déficit (uma heresia, afinal) teria de ser feita pelo lado da receita.
Será uma tarefa quase impossível.

quarta-feira, julho 11, 2012

Nortada, como sempre, no Verão de Portugal. Na segunda quinzena de Julho, o vento caía e vinha calor, os dias mais quentes do ano. Depois, com Agosto, o vento voltava, de noroeste, atlântico e fresco.

quinta-feira, julho 05, 2012

O estado português distorceu até despedaçar o mercado de arrendamento. Fê-lo à custa do direito de propriedade, pela limitação da liberdade contratual. Parte foi oportunismo, parte falta de princípios e o restante aquele misto de ignorância e construtivismo social - que, em Portugal, esquerda e direita partilham. O resultado de tudo isso, para além da liquidação física das cidades, com a perda de património cultural material e imaterial, foi forçar os portugueses à compra de casa, para que milhares deles não tinham meios. Agora, querem devolver aos bancos as casas que deixaram de poder pagar e o Poder, que é sempre generoso com o dinheiro e direitos alheios, quer alterar o regime da garantia das obrigações. Acontece, porém, que lá fora, os credores (que vivem no estranho mundo dos adultos), ao perceberem este delírio manso - mas devastador dos mais elementares e universais princípios do direito dos contratos, acabaram de explicar aos bancos portugueses que terão de assinalar as imparidades (perdas) que surgirão dessa mudança de regime, o que pode atrasar em anos a possibilidade de poderem financiar-se, por eles, no mercados, com a consequente escassez de crédito ... Por uma vez estes imbecis vão perceber algo de muito simples: não há vantagens sem desvantagens. Perceberão?

quarta-feira, julho 04, 2012

As últimas notícias da partícula de Deus
do Público


«Suponhamos que o Higgs é um jornalista e que as outras partículas subatómicas são figuras políticas que atravessam uma sala (o Universo). O movimento - a velocidade de deslocação - de cada político dentro do grupo de jornalistas (o campo de Higgs) será mais ou menos lento dependendo do número de jornalistas que os querem entrevistar e que se aglutinam à sua volta.

Quanto mais jornalistas (mais Higgs) o político tiver a travar a sua passagem, maior o peso mediático desse político... ou seja, maior a massa dessa partícula. Pelo contrário, um político que ninguém está interessado em entrevistar será mais leve (terá menos massa) e poderá deslocarse no meio dos jornalistas sem abrandar tanto, interagindo muito menos com o campo de Higgs.»

Impossível que o Impensavel não assinalasse a suspeita desta descoberta.


Nota: As notícias em inglês contêm estranhas palavras  (e.g. "physics", "science") que aqui são tidas por "arcaísmos".
Não, não é impressão sua, senhora ou senhor leitor. Em qualquer país com uma réstea de ética na vida pública o ministro Relvas teria sido demitido ontem.

segunda-feira, julho 02, 2012

O manjerico deste ano tinha-se transformado, à tarde, num chorão exangue, situação tão mais lamentável quanto a rega tinha sido pensada com cuidado, para evitar excessos. Acudiu-se-lhe com água e, passado uma hora, pareceu começar a recompor-se, mas ainda sem deixar de inspirar os maiores cuidados.
Mas tudo correu bem e hoje lá está, fresco e viçoso. Para lhe prestar socorro ficou interrompida a leitura da Apologie que Montaigne faz de de Raimond Sebond, o teólogo natural.

quarta-feira, junho 20, 2012

                   Campainha e interruptor da luz de cabeceira de um  conhecido hotel português. A fotografia 
é de ontem.

«Bientôt minuit. C'est l'instant où le malade, qui a été obligé de partir en voyage et a dû coucher dans un hôtel inconnu, réveillé par une crise, se réjouit en apercevant sous la porte une raie de jour. Quel bonheur, c'est déjà le matin! Dans un moment les domestiques seront levés, il pourra sonner, on viendra lui porter secours. L'espérance d'être soulagé lui donne du courage pour souffrir. Justement il a cru entendre des pas; les pas se rapprochent, puis s'éloignent.
Et la raie de jour qui était sous sa porte a disparu. C'est minuit; on vient d'éteindre le gaz; le dernier domestique est parti et il faudra rester toute la nuit à souffrir sans remède.»

Proust, RTP, Du côté de chez Swann

segunda-feira, junho 18, 2012



In paradisum deducant te angeli
Ao paraíso possam os Anjos levar-te.
in tuo adventu 
À tua chegada
suscipiant te martyres,
recebam-te os Mártires,  
et perducant te 
e guiem-te
in civitatem sanctam Jerusalem. 
à cidade santa, Jerusalém.
Chorus angelorum te suscipiat, 
Recebam-te os coros dos Anjos,
et cum Lazaro quondam paupere 
e com Lázaro, outrora pobre, 
aeternam habeas requiem.
possas ter  o eterno descanso.

Em memória de LA.F. - um comentador deste "blog".


domingo, junho 10, 2012

                                                    DIA DE PORTUGAL E DE CAMÕES


sexta-feira, junho 08, 2012

Medina Carreira em entrevista ao “i” «Tenho para mim como certo que a origem da presente crise do Ocidente emerge da sua desindustrialização e da dependência energética, com custos crescentes. Foi isso que afundou as economias e foi esse afundamento que motivou os endividamentos já referidos, destinados a evitar uma quebra acentuada do padrão de vida ocidental. Entre nós, sentem-se também os efeitos da incompetência e da irresponsabilidade governativa vigente nos últimos anos. A fragilidade económica ocidental gerou os endividamentos e foram estes que originaram o subprime americano, tanto quanto a chamada crise das dívidas soberanas na Europa. A crise da zona euro surge na sequência desses factos. Sem se enfrentar esta realidade mais ampla, os esforços em curso na Europa do euro, mesmo que bem sucedidos, não evitarão a progressiva decadência do Ocidente. Neste emaranhado de circunstâncias, de que ainda não se fala em Portugal, as árvores são a austeridade, a falta de crescimento e o desemprego. Estão na orla da floresta e por isso são visíveis por todos. Mas a reviravolta do mundo, que é tudo o resto que a liberalização económica provocou, ultrapassa a Europa e o euro, e constitui a verdadeira floresta em que avançamos, desorientados.» Medina Carreira não é o senhor pitoresco, caturra e ultrapassado que nos avisava e tinha razão acerca dos “desafios” de Sócrates. Medina Carreira pensa, verdadeiramente, actividade que ocupa pouca gente em Portugal e menos ainda quando se trata de questionar a nossa civilização - ou aspectos dela - actividade deixada pouco mais o que à ficção científica.
Humberto Coelho pronunciou-se sobre a polémica que rodeia os jogadores. Espera-se, a todo o momento, uma reacção do secretário Viegas da cultura.

quarta-feira, junho 06, 2012

Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Os primeiros versos emitidos pela BBC anunciaram à resistência francesa a iminência do desembarque aliado.
Foi há 68 anos e convém não esquecer.

terça-feira, junho 05, 2012