quinta-feira, março 08, 2012
sábado, março 03, 2012
Este artigo deve tomar-se como uma provocação, um convite a que meçamos as implicações daquilo que concedemos levianamente, por preguiça, ou por moda.
sexta-feira, março 02, 2012
quarta-feira, fevereiro 29, 2012
quinta-feira, fevereiro 23, 2012
Ash Wednesday
Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn
Desiring this man's gift and that man's scope
I no longer strive to strive towards such things
(Why should the aged eagle stretch its wings?)
Why should I mourn
The vanished power of the usual reign?
Because I do not hope to know again
The infirm glory of the positive hour
Because I do not think
Because I know I shall not know
The one veritable transitory power
Because I cannot drink
There, where trees flower, and springs flow, for there is nothing again
Because I know that time is always time
And place is always and only place
And what is actual is actual only for one time
And only for one place
I rejoice that things are as they are and
I renounce the blessed face
And renounce the voice
Because I cannot hope to turn again
Consequently I rejoice, having to construct something
Upon which to rejoice
And pray to God to have mercy upon us
And pray that I may forget
These matters that with myself I too much discuss
Too much explain
Because I do not hope to turn again
Let these words answer
For what is done, not to be done again
May the judgement not be too heavy upon us
Because these wings are no longer wings to fly
But merely vans to beat the air
The air which is now thoroughly small and dry
Smaller and dryer than the will
Teach us to care and not to care
Teach us to sit still.
Pray for us sinners now and at the hour of our death
Pray for us now and at the hour of our death.
(.............................................................................)
T. S. Eliot
Because I do not hope to turn again
Because I do not hope
Because I do not hope to turn
Desiring this man's gift and that man's scope
I no longer strive to strive towards such things
(Why should the aged eagle stretch its wings?)
Why should I mourn
The vanished power of the usual reign?
Because I do not hope to know again
The infirm glory of the positive hour
Because I do not think
Because I know I shall not know
The one veritable transitory power
Because I cannot drink
There, where trees flower, and springs flow, for there is nothing again
Because I know that time is always time
And place is always and only place
And what is actual is actual only for one time
And only for one place
I rejoice that things are as they are and
I renounce the blessed face
And renounce the voice
Because I cannot hope to turn again
Consequently I rejoice, having to construct something
Upon which to rejoice
And pray to God to have mercy upon us
And pray that I may forget
These matters that with myself I too much discuss
Too much explain
Because I do not hope to turn again
Let these words answer
For what is done, not to be done again
May the judgement not be too heavy upon us
Because these wings are no longer wings to fly
But merely vans to beat the air
The air which is now thoroughly small and dry
Smaller and dryer than the will
Teach us to care and not to care
Teach us to sit still.
Pray for us sinners now and at the hour of our death
Pray for us now and at the hour of our death.
(.............................................................................)
T. S. Eliot
sábado, fevereiro 11, 2012
Público - O futuro dura muito tempo
Vasco Pulido Valente tem geralmente razão porque lê a realidade, enquanto a generalidade dos políticos e «fazedores de opinião» gosta de a recitar.
«[...] Os deputados da Assembleia da República espumavam de fúria e o Governo resolveu exibir a sua dignidade num comunicado seco e sentido. Toda essa gente se acha com certeza acima da crítica daqueles que lhe vão dando o pão de cada dia. Mas não lhe ocorre que não mereça o respeito de ninguém. Cá dentro, houve um pacto para não se falar do passado, ou seja, para nunca se apurarem as culpas do sarilho onde nos meteram. E o patriotismo serve para ir calando parcialmente o que se diz lá fora. Os príncipes e o pessoal menor da República andam por aí de "consciência tranquila" , como eles nos costumam garantir, a tratar com serenidade e deleite da sua preciosa vidinha.
Mesmo em portugueses, esta extraordinária ilusão não deixa de surpreender. O Estado falhou no essencial e foram eles que falharam. Não foi a Europa ou a América ou o "capitalismo selvagem" que falharam. Foram eles. Levar um povo inerme à falência e, a seguir, à miséria equivale, por exemplo, a perder uma guerra. São coisas que não se desculpam. A relativa resignação com que os portugueses se têm portado talvez leve a maioria do nosso funcionalismo político ao erro de supor que adquiriu uma espécie de imunidade perpétua e que nem agora, nem depois lhe pedirão contas. Mas, como já se vai vendo, a vontade de as pedir aumenta dia a dia e acabará inevitavelmente por se tornar geral.»
Vasco Pulido Valente tem geralmente razão porque lê a realidade, enquanto a generalidade dos políticos e «fazedores de opinião» gosta de a recitar.
«[...] Os deputados da Assembleia da República espumavam de fúria e o Governo resolveu exibir a sua dignidade num comunicado seco e sentido. Toda essa gente se acha com certeza acima da crítica daqueles que lhe vão dando o pão de cada dia. Mas não lhe ocorre que não mereça o respeito de ninguém. Cá dentro, houve um pacto para não se falar do passado, ou seja, para nunca se apurarem as culpas do sarilho onde nos meteram. E o patriotismo serve para ir calando parcialmente o que se diz lá fora. Os príncipes e o pessoal menor da República andam por aí de "consciência tranquila" , como eles nos costumam garantir, a tratar com serenidade e deleite da sua preciosa vidinha.
Mesmo em portugueses, esta extraordinária ilusão não deixa de surpreender. O Estado falhou no essencial e foram eles que falharam. Não foi a Europa ou a América ou o "capitalismo selvagem" que falharam. Foram eles. Levar um povo inerme à falência e, a seguir, à miséria equivale, por exemplo, a perder uma guerra. São coisas que não se desculpam. A relativa resignação com que os portugueses se têm portado talvez leve a maioria do nosso funcionalismo político ao erro de supor que adquiriu uma espécie de imunidade perpétua e que nem agora, nem depois lhe pedirão contas. Mas, como já se vai vendo, a vontade de as pedir aumenta dia a dia e acabará inevitavelmente por se tornar geral.»
quinta-feira, fevereiro 09, 2012
Uma lição que chega de Angola:
«A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.»
Jornal de Angola, 8 de Agosto de 2012
«A Língua Portuguesa é património de todos os povos que a falam e neste ponto estamos todos de acordo. É pertença de angolanos, portugueses, macaenses, goeses ou brasileiros. E nenhum país tem mais direitos ou prerrogativas só porque possui mais falantes ou uma indústria editorial mais pujante.
Uma velha tipografia manual em Goa pode ser tão preciosa para a Língua Portuguesa como a mais importante empresa editorial do Brasil, de Portugal ou de Angola. O importante é que todos respeitem as diferenças e que ninguém ouse impor regras só porque o difícil comércio das palavras assim o exige. Há coisas na vida que não podem ser submetidas aos negócios, por mais respeitáveis que sejam, ou às “leis do mercado”. Os afectos não são transaccionáveis. E a língua que veicula esses afectos, muito menos. Provavelmente foi por ter esta consciência que Fernando Pessoa confessou que a sua pátria era a Língua Portuguesa.»
Jornal de Angola, 8 de Agosto de 2012
sexta-feira, fevereiro 03, 2012
quarta-feira, fevereiro 01, 2012
E passam hoje 104 anos sobre a data do Regicídio d'El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Real D. Luís Filipe.
Com este crime a república desembaraçou-se de um Rei popular e com prestígio internacional.
O século republicano não foi dos mais brilhantes: caos, crime, ditadura e, agora, a falência no quadro de um país devastado moralmente.
Com este crime a república desembaraçou-se de um Rei popular e com prestígio internacional.
O século republicano não foi dos mais brilhantes: caos, crime, ditadura e, agora, a falência no quadro de um país devastado moralmente.
terça-feira, janeiro 31, 2012
É hoje o centenário de SAR, a Senhora Infanta Dona Adelaide de Bragança, neta de D. Miguel e Infanta de Portugal
Para além das qualidades pessoais, que a fazem credora da admiração dos Portugueses, que não perderiam em conhecer melhor a sua vida, com uma condenação à morte pelo regime nazi e depois, menos emocionante, a acção social em Portugal ao longo de muitos anos, a Senhora Infanta liga-nos de um modo muito directo a um período histórico já remoto. A sua longevidade, conjugada com nascimentos tardios (seu Pai nasceu quando o Rei D. Miguel tinha já 51 anos, e o Pai de Dona Adelaide tinha, por sua vez, 59 anos à data do seu nascimento, em 1912).
Assim, convivemos hoje com a sobrinha-neta do Rei D. Pedro IV, (sim, o da estátua do Rossio, sendo seu Pai primo direito da Rainha D. Maria II, de quem a Infanta é, por isso, uma próxima segunda prima.
Pelo seu nascimento e pela sua vida, a Infanta Dona Adelaide é alguém muito longe da habitual mesmice.
Pelo seu nascimento e pela sua vida, a Infanta Dona Adelaide é alguém muito longe da habitual mesmice.
O Impensável apresenta os seus respeitosos parabéns a Sua Alteza Real
Uma notícia sobre a Infanta, aqui
Uma notícia sobre a Infanta, aqui
sábado, janeiro 28, 2012
Há numerosas votações por unanimidade na Assembleia da República.
Algumas, como a do «acordo ortográfico» são, para além de insultuosas, de todo incompreensíveis porque recaem sobre assuntos que dividem a opinião dos portugueses e Portugal pretende fingir ser uma democracia representativa.
O mistério esclarece-se, no entanto, facilmente: basta lembrar a lei eleitoral e o processo de nomeação dos deputados, que dependem inteiramente dos chefes dos partidos e respectivos caciques.
É que tudo continua como aqui se explica:
«- Agora, meu amigo, com a tio do Cavaleiro ministro da Justiça e o José
Ernesto ministro do Reino, vai Deputado pela círculo quem o André
Cavaleiro mandar.[...]
«De resto (declarara o Cavaleiro, rindo) aquele Circulo de Vila-Clara constituía uma propriedade sua - tão sua como Corinde. Livremente, poderia eleger o servente da Repartição que era gago e bêbedo.»Algumas, como a do «acordo ortográfico» são, para além de insultuosas, de todo incompreensíveis porque recaem sobre assuntos que dividem a opinião dos portugueses e Portugal pretende fingir ser uma democracia representativa.
O mistério esclarece-se, no entanto, facilmente: basta lembrar a lei eleitoral e o processo de nomeação dos deputados, que dependem inteiramente dos chefes dos partidos e respectivos caciques.
É que tudo continua como aqui se explica:
«- Agora, meu amigo, com a tio do Cavaleiro ministro da Justiça e o José
Ernesto ministro do Reino, vai Deputado pela círculo quem o André
Cavaleiro mandar.[...]
Eça de Queiróz, A ilustre Casa de Ramires
sexta-feira, janeiro 27, 2012
Sobre o «acordo» ortográfico
O «acordo» é um assunto da(s) maçonaria(s), que tomou a seu cargo os desejos da(s) sua(s) congénere(s) brasileira(s). Na posse deste dado, a que convém acrescentar as revelações recentes, o que lhe parece agora estranho ficará claro: a falta de discussão no parlamento, as pequenas e maiores sabotagens, os apoios que falecem, as adopções pelos jornais, a imposição nas escolas pela ministra alçada, mulher de vilar, maçon ou para-maçon, ex-presidente da Gulbenkian que pagou o dicionário do malaca, não terá qualquer dificuldade em perceber. O impulso processual deste «acordo» foi dado por Sarney, o ex-presidente brasileiro que junta à sua pertença à maçonaria o lugar na academia brasileira de letras - a que atribuiu recentemente o seu maior prémio a Ronaldinho Gaúcho, Acrescente-se a isso uma corrupção tropical, combinada com anseio dos literatos lusitanos de não haver quem os compra (como Flaubert já notava a propósito de outras gentes) e ter-se-á a receita miserável do «acordo».
O «acordo» é um assunto da(s) maçonaria(s), que tomou a seu cargo os desejos da(s) sua(s) congénere(s) brasileira(s). Na posse deste dado, a que convém acrescentar as revelações recentes, o que lhe parece agora estranho ficará claro: a falta de discussão no parlamento, as pequenas e maiores sabotagens, os apoios que falecem, as adopções pelos jornais, a imposição nas escolas pela ministra alçada, mulher de vilar, maçon ou para-maçon, ex-presidente da Gulbenkian que pagou o dicionário do malaca, não terá qualquer dificuldade em perceber. O impulso processual deste «acordo» foi dado por Sarney, o ex-presidente brasileiro que junta à sua pertença à maçonaria o lugar na academia brasileira de letras - a que atribuiu recentemente o seu maior prémio a Ronaldinho Gaúcho, Acrescente-se a isso uma corrupção tropical, combinada com anseio dos literatos lusitanos de não haver quem os compra (como Flaubert já notava a propósito de outras gentes) e ter-se-á a receita miserável do «acordo».
Um dos erros cometidos pelos intelectuais portugueses sérios, do Prof. Victor Aguiar e Silva ao Prof. António Emiliano, terá sido o de pensarem que os seus reparos demolidores, que reuniam a qualidade académica à sensatez, se imporiam a este atrevimento rufia.
A questão, no entanto, como disse o malaca*,era política, não línguística, e o Estado Português, colapsado, não podia - nem pode ainda - dar a resposta devida.
E como vejo no governo representantes dessa massa falida que é Portugal hoje, não creio que a coisa mude tão rapidamente. Mas mudará!
* permito-me um idiossincrasia ortográfica: escreverei sempre com minúscula os nomes relacionados com os responsáveis pelo «acordo».
* permito-me um idiossincrasia ortográfica: escreverei sempre com minúscula os nomes relacionados com os responsáveis pelo «acordo».
quinta-feira, janeiro 26, 2012
quarta-feira, janeiro 25, 2012
Creio que já se percebeu que de mudanças teremos o mínimo possível.
E da alarvidade campónia da «nova» lei do arrendamento às manobras do regente do status quo da união nacional, o maçon Relvas, tudo indica que o futuro não será risonho.
Com inquietação se deve registar o aparente alastrar da pacovice a quem a deveria ser imune, quanto mais não fosse, pela contínua exposição à realidade exterior. Esperemos que não tenhamos mais anúncios de pontos de viragem.
E da alarvidade campónia da «nova» lei do arrendamento às manobras do regente do status quo da união nacional, o maçon Relvas, tudo indica que o futuro não será risonho.
Com inquietação se deve registar o aparente alastrar da pacovice a quem a deveria ser imune, quanto mais não fosse, pela contínua exposição à realidade exterior. Esperemos que não tenhamos mais anúncios de pontos de viragem.
quinta-feira, janeiro 19, 2012
Ontem à noite, ensaio do Warburg sobre o retrato de Lourenço de Medicis, por Ghirlandaio, na Capela Sassetti.
Pesquisa na net sobre pormenores do fresco, com a opção semelhantes. Verifico, com algum espanto, que o google lê o retrato de um modo que o Dali
da Bordadeira de Vermeer não desdenharia.
O método paranóico-crítico daliniano usado pelo google assemelhou Lourenço e os Sassetti à imagem abaixo.
quarta-feira, janeiro 11, 2012
segunda-feira, janeiro 09, 2012
DECLARAÇÃO DE DESOBEDIÊNCIA AO dito ACORDO ORTOGRAFICO
Do Prof. Doutor LUIZ FAGUNDES
«Como cidadão, e como linguista e professor que se ocupa da História da Língua Portuguesa, e porque entendo que – primeiro – o Acordo Ortográfico é um chorrilho de asneiras desnecessárias e inúteis, e que – segundo – não compete ao Estado decidir como é que eu devo escrever a língua que herdei dos meus antepassados (e que escrevo tal c...omo a Sr.ª D. Graziela me ensinou na escola primária da Serreta), do mesmo modo que não compete ao Estado decidir que remédio deverei eu utilizar para as dores nas costas (competência que apenas reconheço ao meu médico), declaro aqui solenemente que me recuso a escrever o Português à maneira atoleimada e anti-histórica que me tentaram impor.
Este é, até ao momento, o meu único acto de desobediência civil.
Mas é consciente.»
Que se subscreve, entusiásticamente.
quarta-feira, janeiro 04, 2012
domingo, janeiro 01, 2012
sábado, dezembro 31, 2011
Auld Lang Syne - Red Hot Chilli Pipers (Ao vivo).
Auld Lang Syne
- Should auld acquaintance be forgot
- and never brought to mind?
- Should auld acquaintance be forgot
- and days of auld lang syne?
- For auld lang syne, my dear,
- for auld lang syne,
- we'll take a cup of kindness yet,
- for auld lang syne.
- Should auld acquaintance be forgot
- and never brought to mind?
- Should auld acquaintance be forgot
- and days of auld lang syne?
- And here's a hand, my trusty friend
- And gie's a hand o' thine
- We'll tak' a cup o' kindness yet
- For auld lang syne
Oito posts de fim do ano.
Gosto deste, bem disposto e cheio de entusiasmo narrador.
O do ano passado foi desanimado.
Desta vez, deixo a simples verificação e volto à esperança.
Um feliz Dia de Ano Bom e um sereno e alegre - pobretes, mas alegretes! - ano de 2012.
Gosto deste, bem disposto e cheio de entusiasmo narrador.
O do ano passado foi desanimado.
Desta vez, deixo a simples verificação e volto à esperança.
Um feliz Dia de Ano Bom e um sereno e alegre - pobretes, mas alegretes! - ano de 2012.
domingo, dezembro 25, 2011
Acordei, ainda com muito sono, a tempo de ligar a televisão e ouvir notícias.
Que o Santo Padre condenara a superficialidade e o liberalismo corrente.
O Santo Padre condenara o liberalismo? É que mesmo quase a dormir, e ainda em intimidade com a almofada, não esqueço que o Santo Padre é, entre outras coisas, um professor alemão. Isto é, sabe exprimir-se e usa os termos adequados. Quando passaram as imagens de Bento XVI do discurso em que este teria condenado o liberalismo ouvi atentamente. Não, não era perceptível em lado algum tal condenação. Mais tarde, já levantado, fui ver ao site do Vaticano. Não, também nada constava.
Um pequeno presente de má fé esperava por mim no meu acordar tardio do Dia de Natal.
Que o Santo Padre condenara a superficialidade e o liberalismo corrente.
O Santo Padre condenara o liberalismo? É que mesmo quase a dormir, e ainda em intimidade com a almofada, não esqueço que o Santo Padre é, entre outras coisas, um professor alemão. Isto é, sabe exprimir-se e usa os termos adequados. Quando passaram as imagens de Bento XVI do discurso em que este teria condenado o liberalismo ouvi atentamente. Não, não era perceptível em lado algum tal condenação. Mais tarde, já levantado, fui ver ao site do Vaticano. Não, também nada constava.
Um pequeno presente de má fé esperava por mim no meu acordar tardio do Dia de Natal.
sábado, dezembro 24, 2011
sexta-feira, dezembro 23, 2011
quinta-feira, dezembro 22, 2011
No século XIX Eça alertava os seus leitores: no parlamento inglês discutia-se com seriedade os abismos da nossa estupidez.
Não sei se somos estúpidos, mas sei que politicamente não nos recomendamos como democracia e estamos novamente falidos.
Enquanto isto, a assembleia da república, presidida por uma jovem reformada que afirma acreditar «que numa folha A4 se podia mudar a Europa toda», parece ocupada em fazer com que naquela câmara, pouco soberana, adopte uma versão mentecapta de Português, ao arrepio dos pareceres oficiais e que impica a mudança da grafia de milhares de palavras - facto inédito no mundo inteiro.
Os portugueses que não sejam diligentemente estúpidos ver-se-ão, assim, como em país ocupado, forçados à resistência a esta espampanante alarvidade - que, infelizmente, é também um crime contra a Cultura Portuguesa.
Não sei se somos estúpidos, mas sei que politicamente não nos recomendamos como democracia e estamos novamente falidos.
Enquanto isto, a assembleia da república, presidida por uma jovem reformada que afirma acreditar «que numa folha A4 se podia mudar a Europa toda», parece ocupada em fazer com que naquela câmara, pouco soberana, adopte uma versão mentecapta de Português, ao arrepio dos pareceres oficiais e que impica a mudança da grafia de milhares de palavras - facto inédito no mundo inteiro.
Os portugueses que não sejam diligentemente estúpidos ver-se-ão, assim, como em país ocupado, forçados à resistência a esta espampanante alarvidade - que, infelizmente, é também um crime contra a Cultura Portuguesa.
quarta-feira, dezembro 21, 2011
terça-feira, dezembro 20, 2011
segunda-feira, dezembro 19, 2011
There are no exact guidelines. There are probably no guidelines at
all. The only thing I can recommend at this stage is a sense of humor,
an ability to see things in their ridiculous and absurd dimensions, to
laugh at others and at ourselves, a sense of irony regarding everything
that calls out for parody in this world. In other words, I can only
recommend perspective and distance. Awareness of all the most dangerous
kinds of vanity, both in others and in ourselves. A good mind. A modest
certainty about the meaning of things. Gratitude for the gift of life
and the courage to take responsibility for it. Vigilance of spirit.
- Address upon receiving the Open Society Prize awarded by Central European University (24 June 1999)
Vaclav Havel, que morreu ontem.
Recomendava perspectiva e distância e vigilância do espírito: o programa que Eça de Queiróz traça n'"A Cidade e as Serras" como condição de civilização.
quarta-feira, dezembro 14, 2011
terça-feira, dezembro 13, 2011
terça-feira, dezembro 06, 2011
O Arq. Gonçalo Ribeiro Telles vai ser homenageado hoje na Gulbenkian.
Gonçalo Ribeiro Telles representa o que temos de melhor entre nós, alguém que conhecendo e amando Portugal, reflecte sobre o seu país com uma sagacidade serena.
E, ao mesmo tempo, Gonçalo Ribeiro Telles representa o que de pior há em nos: a incapacidade de nos determos sobre o que não vem embrulhado na ideologia da época, a preferência pobre pelo fútil, o gosto do vistoso, a dispensa do pensamento próprio.
Portugal seria um melhor país se o Arq. Gonçalo Ribeiro não fosse considerado apenas um senhor amável que diz coisas ecológicas. Gonçalo Ribeiro Teles é um dos raros pensadores da res publica que Portugal teve e tem.
Gonçalo Ribeiro Telles representa o que temos de melhor entre nós, alguém que conhecendo e amando Portugal, reflecte sobre o seu país com uma sagacidade serena.
E, ao mesmo tempo, Gonçalo Ribeiro Telles representa o que de pior há em nos: a incapacidade de nos determos sobre o que não vem embrulhado na ideologia da época, a preferência pobre pelo fútil, o gosto do vistoso, a dispensa do pensamento próprio.
Portugal seria um melhor país se o Arq. Gonçalo Ribeiro não fosse considerado apenas um senhor amável que diz coisas ecológicas. Gonçalo Ribeiro Teles é um dos raros pensadores da res publica que Portugal teve e tem.
domingo, dezembro 04, 2011
Faz hoje 31 anos que morreu Sá Carneiro - e com ele, simbolicamente - toda uma geração de políticos que desde os anos 60, a partir do interior do país e do seu conhecimento íntimo e quotidiano, pensou Portugal enquanto moderna democracia europeia.
Quando hoje lamentamos onde chegámos por via dos erros cometidos (desindustrialização, destruição das pescas e da agricultura, a monstruosa dimensão do estado etc.) percebemos que os seus autores, políticos-funcionários pouco cultos de 2ª linha (Cavacos e quejandos), são o produto da ausência de Sá Carneiro e, por via dela, da renúncia de uma parte da élite portuguesa.
Sá Carneiro marca um tempo raro em Portugal, um tempo em que foi governado pelos melhores de nós.
Quando hoje lamentamos onde chegámos por via dos erros cometidos (desindustrialização, destruição das pescas e da agricultura, a monstruosa dimensão do estado etc.) percebemos que os seus autores, políticos-funcionários pouco cultos de 2ª linha (Cavacos e quejandos), são o produto da ausência de Sá Carneiro e, por via dela, da renúncia de uma parte da élite portuguesa.
Sá Carneiro marca um tempo raro em Portugal, um tempo em que foi governado pelos melhores de nós.
quinta-feira, dezembro 01, 2011
Hino da Restauração
"Portugueses celebremos
O dia da Redenção
Em que valentes guerreiros
Nos deram livre a Nação.
A Fé dos Campos de Ourique
Coragem deu e valor
Aos famosos de Quarenta
Que lutaram com ardor.
P'rá frente! P'rá frente!
Repetir saberemos
As proezas portuguesas.
Ávante! Ávante!
É voz que soará triunfal
Vá ávante mocidade de Portugal!
Vá ávante mocidade de Portugal!"
Vivó 1º de Dezembro!
Viva Portugal!
quarta-feira, novembro 23, 2011
O relojoeiro chegou às dez e meia.
Lembrava-se do último arranjo, há 15 anos.
Uma suspeita de reprovação por, como confessei, não ter sido limpo nem oleado desde aí.
Levou para consertar.
Um mês, porque, depois de reparado, fica um mínimo de 15 dias em observação.
Ontem, antes de adormecer, li Chestov, sobre Kierkegaard.
Depois, fechei a luz e fiquei a pensar - não por muito tempo - no que Chestov diz sobre a catharsis grega, a purificação oriunda da convicção que tudo nascendo e morrendo, a verdade imutável forçosamente há-de ser procurada para além do que está sob a lei do nascimento e da morte.
Um alegre post-scriptum sobre o relógio, que o relojoeiro veio aqui trazer dia 29 de Dezembro.
Afinado, limpo e a funcionar.
A conta acompanha, infelizmente, as alturas da minha alegria.
Lembrava-se do último arranjo, há 15 anos.
Uma suspeita de reprovação por, como confessei, não ter sido limpo nem oleado desde aí.
Levou para consertar.
Um mês, porque, depois de reparado, fica um mínimo de 15 dias em observação.
Ontem, antes de adormecer, li Chestov, sobre Kierkegaard.
Depois, fechei a luz e fiquei a pensar - não por muito tempo - no que Chestov diz sobre a catharsis grega, a purificação oriunda da convicção que tudo nascendo e morrendo, a verdade imutável forçosamente há-de ser procurada para além do que está sob a lei do nascimento e da morte.
Um alegre post-scriptum sobre o relógio, que o relojoeiro veio aqui trazer dia 29 de Dezembro.
Afinado, limpo e a funcionar.
A conta acompanha, infelizmente, as alturas da minha alegria.
segunda-feira, novembro 21, 2011
A delegação soviética que ia discutir o armistício com o exército alemão e austríaco em Brest-Litovsky incluía um camponês arrebanhado na rua - ou perto isso - e que os soviéticos tinham incluído na delegação, presume-se que em representação do campesinato.
Os oficiais das potências centrais não prescindiram de oferecer um banquete aos russos e os oficiais austríacos, ao lado de quem tinham sentado o campónio, perguntando-lhe como se plantam cebolas.
A fonte deste episódio tão elucidativo da boa educação belle époque da aristocracia austríaca foi o o relato que Norman Stone faz na sua da «Primeira Guerra Mundial, história concisa».
Os oficiais das potências centrais não prescindiram de oferecer um banquete aos russos e os oficiais austríacos, ao lado de quem tinham sentado o campónio, perguntando-lhe como se plantam cebolas.
A fonte deste episódio tão elucidativo da boa educação belle époque da aristocracia austríaca foi o o relato que Norman Stone faz na sua da «Primeira Guerra Mundial, história concisa».
domingo, novembro 20, 2011
Do Público
O fim da "Europa"
Vasco Pulido Valente - 20-11-2011
«A Grécia é hoje governada por um burocrata da União Europeia, a Itália é hoje governada por um burocrata da União Europeia. Portugal e a Espanha ainda não são; mas Portugal tem um ministro das Finanças que veio direitinho da União Europeia e está submetido ao escrutínio periódico de uma troika, dois terços da qual vêm da União Europeia. Toda esta gente impõe a retalho ou por grosso a política económica que bem entende e, quando muito, aos parlamentos nacionais, se lhes dão licença, ratificam o que foi decidido sem eles, por formalidade e decência. Mas se por acaso discordam, a punição verbal ou financeira dos seus caridosos patronos depressa os sossega. Fernando Ulrich protestou contra o poder dos funcionários de sétima ordem [*] que por aqui aparecem. Não lhe servirá de nada.
Evidentemente, quem deve fica nas mãos dos credores. Sucede que a União Europeia não é um credor (pelo menos, não é um credor directo) e a sua intervenção passa em princípio por uma ajuda. Ora entre ajuda e tutela há uma enorme diferença, que nem sempre se nota na atitude e no comportamento da troika. Basta pensar que uma frase ambígua de um senhor qualquer dessa superioríssima entidade sobre salários no sector privado espalhou uma onda de pavor por Portugal inteiro. Pior ainda, apesar de um ocasional acesso de retórica a benefício dos metecos do Sul, Angela Merkel recusa tomar as medidas que resolveriam ou abrandariam a crise das dívidas soberanas. Do ponto de vista dela, uma posição compreensível e lógica. Do ponto de vista da Grécia, de Itália e de Portugal, uma catástrofe que os conserva num extraordinário estatuto de menoridade.
Além disto, a sra. Merkel e os seus sócios, levando o sr. Sarkozy pacientemente atrás para propósitos de camuflagem, mandam hoje na União Europeia contra o protocolo e a legalidade. O famoso "clube de democracias" que a UE nos bons tempos gostava de se proclamar (e mesmo esquecendo as semidemocracias da Itália e da Grécia) acabou por se transformar numa espécie de protectorado da Alemanha, a que ela de resto se achava destinada. Na ausência da América e da Inglaterra que durante quase meio século impuseram um certo equilíbrio na "Europa", coisa ignorada e frequentemente detestada, a inclinação para a Alemanha era inevitável. A UE torna este destino mais simples, mas não o criou.»
[*] - Era preciso serem de 1ª linha para exactamente o quê?
O fim da "Europa"
Vasco Pulido Valente - 20-11-2011
«A Grécia é hoje governada por um burocrata da União Europeia, a Itália é hoje governada por um burocrata da União Europeia. Portugal e a Espanha ainda não são; mas Portugal tem um ministro das Finanças que veio direitinho da União Europeia e está submetido ao escrutínio periódico de uma troika, dois terços da qual vêm da União Europeia. Toda esta gente impõe a retalho ou por grosso a política económica que bem entende e, quando muito, aos parlamentos nacionais, se lhes dão licença, ratificam o que foi decidido sem eles, por formalidade e decência. Mas se por acaso discordam, a punição verbal ou financeira dos seus caridosos patronos depressa os sossega. Fernando Ulrich protestou contra o poder dos funcionários de sétima ordem [*] que por aqui aparecem. Não lhe servirá de nada.
Evidentemente, quem deve fica nas mãos dos credores. Sucede que a União Europeia não é um credor (pelo menos, não é um credor directo) e a sua intervenção passa em princípio por uma ajuda. Ora entre ajuda e tutela há uma enorme diferença, que nem sempre se nota na atitude e no comportamento da troika. Basta pensar que uma frase ambígua de um senhor qualquer dessa superioríssima entidade sobre salários no sector privado espalhou uma onda de pavor por Portugal inteiro. Pior ainda, apesar de um ocasional acesso de retórica a benefício dos metecos do Sul, Angela Merkel recusa tomar as medidas que resolveriam ou abrandariam a crise das dívidas soberanas. Do ponto de vista dela, uma posição compreensível e lógica. Do ponto de vista da Grécia, de Itália e de Portugal, uma catástrofe que os conserva num extraordinário estatuto de menoridade.
Além disto, a sra. Merkel e os seus sócios, levando o sr. Sarkozy pacientemente atrás para propósitos de camuflagem, mandam hoje na União Europeia contra o protocolo e a legalidade. O famoso "clube de democracias" que a UE nos bons tempos gostava de se proclamar (e mesmo esquecendo as semidemocracias da Itália e da Grécia) acabou por se transformar numa espécie de protectorado da Alemanha, a que ela de resto se achava destinada. Na ausência da América e da Inglaterra que durante quase meio século impuseram um certo equilíbrio na "Europa", coisa ignorada e frequentemente detestada, a inclinação para a Alemanha era inevitável. A UE torna este destino mais simples, mas não o criou.»
[*] - Era preciso serem de 1ª linha para exactamente o quê?
sexta-feira, novembro 18, 2011
sexta-feira, novembro 11, 2011
quinta-feira, novembro 10, 2011
terça-feira, novembro 08, 2011
quarta-feira, novembro 02, 2011
domingo, outubro 30, 2011
Suetónio enumera algumas medidas positivas de Nero: «interditum ne quid in popinis cocti praeter legumina aut holera ueniret, cum antea nullum non obsoni proponeretur». E prossegue: «afflicti suppliciis Christiani, genus hominum superstitionis nouae ac malefica».
A seguir às medidas de proibição de pratos cozidos nos cabarets, com excepção para algumas hortaliças e caldos de legumes, o martírio dessa gente daninha - sem excepções.
A seguir às medidas de proibição de pratos cozidos nos cabarets, com excepção para algumas hortaliças e caldos de legumes, o martírio dessa gente daninha - sem excepções.
sábado, outubro 29, 2011
Canções de Outono: Les feuilles mortes.
A Patachou e a Piaff eram ouvidas pelas gerações mais velhas e incutido o gosto de as ouvir nos mais pequenos: «Quando forem a Paris...». A Greco, uma existencialista dos «caveaux existencialistas» (sic, era mesmo assim) era menos escutada. Esta versão, de um Outono pouco europeu, não sei se agradaria, mas é a que fica.
quinta-feira, outubro 27, 2011
Ontem foi o primeiro dia da heating season. Usei os aquecimentos e, há pouco, um plaid.
Meditei, ao jantar, sobre o frio que se passava em casas de jantar frigidíssimas de outros tempos, umas das quais conheço bem (ainda hoje não perderam a catadura severa de quem terá, certamente, contribuído para abreviar algumas vidas).
Meditei, ao jantar, sobre o frio que se passava em casas de jantar frigidíssimas de outros tempos, umas das quais conheço bem (ainda hoje não perderam a catadura severa de quem terá, certamente, contribuído para abreviar algumas vidas).
quarta-feira, outubro 26, 2011
Queixavam-se em Viseu os lojistas da rua deserta e triste.
Também aqui, onde vivo impera o ermamento.
Não é sinal do progresso - que Abranhos já elogiava e ainda hoje é usado para calar «velhos do Restelo» - mas de más políticas.
Convenço-me que, por nós mesmos, somos incapazes de sair deste beco frio, enlameado, inóspito. Uma imagem novecentista para um pessimismo que lhe é anterior mas vem até nós (o percurso Burke-Buñuel).
Também aqui, onde vivo impera o ermamento.
Não é sinal do progresso - que Abranhos já elogiava e ainda hoje é usado para calar «velhos do Restelo» - mas de más políticas.
Convenço-me que, por nós mesmos, somos incapazes de sair deste beco frio, enlameado, inóspito. Uma imagem novecentista para um pessimismo que lhe é anterior mas vem até nós (o percurso Burke-Buñuel).
sexta-feira, outubro 21, 2011
segunda-feira, outubro 17, 2011
Enquanto isto (que tem a desgraça da verosimilhaça) continuam os indícios de que o regime - e o regime é, essencialmente, um estado autoritário e clientelar que, sem autocratas visíveis, (Pombal ou Salazar), retoma a sua feição química de colóide de vícios e bulimias em distintos graus de sufragação - entretém-se o país em teses e discussões e tentativas sobre o modo e o modelo de acção para desatar o nó que, sabemos, já não pode ser senão cortado. Falta o espírito resoluto de Górdio - que foi pai de Midas (e sem um nem outro, espera-nos a cantina).
Entretanto, enquanto o país definha, prossegue a bom ritmo a vandalização da Língua Portuguesa. Piores do que os pequenos burocratas iletrados a quem venderam cinco ou seis palermices para que ajudem ao crime, são aqueles intelectuais, escritores, poetas, com obras tão etéreas que se não controem com palavras, e a quem, por isso, a questão não interessa - De minimis non curat praetor.
Entretanto, enquanto o país definha, prossegue a bom ritmo a vandalização da Língua Portuguesa. Piores do que os pequenos burocratas iletrados a quem venderam cinco ou seis palermices para que ajudem ao crime, são aqueles intelectuais, escritores, poetas, com obras tão etéreas que se não controem com palavras, e a quem, por isso, a questão não interessa - De minimis non curat praetor.
sábado, outubro 01, 2011
De Vasco Pulido Valente, no Público de ontem
Esta semana toda a gente se ocupou dos primeiros 100 dias do Governo. Contar por 100 dias não dá sorte. A medida, quando apareceu na história, era uma referência ao regresso de Napoleão a França entre a ilha de Elba e a catástrofe final de Waterloo. Napoleão não tinha uma política, não tinha dinheiro e não tinha apoio popular. O Governo Passos Coelho não está tão mal. Tem a "política" da troika, que no fundo não passa de um caderno de encargos com algum sentido, mas muitas vezes sem pertinência, nem conhecimento da realidade (como até Cavaco admitiu); e tem uma vontade misteriosa de exceder o programa da troika, não se sabe em que direcção e de que maneira. Os portugueses, bombardeados diariamente por números que assustam e deprimem, andam por aí como almas penadas.
O que não se viu ainda foi um plano de reforma coerente, claro e compreensível. Não há um plano para a reforma da administração central, não há um plano para a reforma da administração local, não há um plano para a reforma do sector empresarial do Estado, não há um plano para a reforma da Saúde. Não há um plano para nada. Os ministros cortam aqui e cortam ali, extinguem isto e aquilo ou fundem alhos com bugalhos: talvez bem, talvez mal. Infelizmente, essa grande actividade parece uma caçada aos pardais. No meio da confusão não se distingue um objectivo, um método, um propósito. Cada um atira para onde lhe dá na gana ou trata do sarilho do dia. É escusado procurar uma ordem. E o dr. Passos Coelho, com a sua suavidade e simpatia, não se explica e de quando em quando contribui mesmo para aumentar a confusão.
Os ministros, coitados, não ajudam. O ministro das Finanças, com o seu pequeno ar de contabilista melancólico, não chega a ninguém. O ministro da Economia, que escreveu um livro pedante e pueril, anunciando que, se o deixassem, iria rapidamente limpar a casa, desapareceu num mundo que ele não conhece. A sra. ministra da Justiça continua remota e misteriosa. E o sr. ministro Relvas, sem qualquer autoridade que o país reconheça, ocupa quase sozinho o palco, e gesticula e berra, provavelmente sem consequência. Em conjunto, o Governo, entre a súplica e a bravata, entre uma fé espúria no futuro da Pátria e ameaças de tragédia, não convence. Passos Coelho é um homem resoluto à procura do compromisso e da "unidade". E um homem hesitante à procura de firmeza e respeito. É muito capaz de perder pelos dois lados.
(Destaques impensáveis).
Esta semana toda a gente se ocupou dos primeiros 100 dias do Governo. Contar por 100 dias não dá sorte. A medida, quando apareceu na história, era uma referência ao regresso de Napoleão a França entre a ilha de Elba e a catástrofe final de Waterloo. Napoleão não tinha uma política, não tinha dinheiro e não tinha apoio popular. O Governo Passos Coelho não está tão mal. Tem a "política" da troika, que no fundo não passa de um caderno de encargos com algum sentido, mas muitas vezes sem pertinência, nem conhecimento da realidade (como até Cavaco admitiu); e tem uma vontade misteriosa de exceder o programa da troika, não se sabe em que direcção e de que maneira. Os portugueses, bombardeados diariamente por números que assustam e deprimem, andam por aí como almas penadas.
O que não se viu ainda foi um plano de reforma coerente, claro e compreensível. Não há um plano para a reforma da administração central, não há um plano para a reforma da administração local, não há um plano para a reforma do sector empresarial do Estado, não há um plano para a reforma da Saúde. Não há um plano para nada. Os ministros cortam aqui e cortam ali, extinguem isto e aquilo ou fundem alhos com bugalhos: talvez bem, talvez mal. Infelizmente, essa grande actividade parece uma caçada aos pardais. No meio da confusão não se distingue um objectivo, um método, um propósito. Cada um atira para onde lhe dá na gana ou trata do sarilho do dia. É escusado procurar uma ordem. E o dr. Passos Coelho, com a sua suavidade e simpatia, não se explica e de quando em quando contribui mesmo para aumentar a confusão.
Os ministros, coitados, não ajudam. O ministro das Finanças, com o seu pequeno ar de contabilista melancólico, não chega a ninguém. O ministro da Economia, que escreveu um livro pedante e pueril, anunciando que, se o deixassem, iria rapidamente limpar a casa, desapareceu num mundo que ele não conhece. A sra. ministra da Justiça continua remota e misteriosa. E o sr. ministro Relvas, sem qualquer autoridade que o país reconheça, ocupa quase sozinho o palco, e gesticula e berra, provavelmente sem consequência. Em conjunto, o Governo, entre a súplica e a bravata, entre uma fé espúria no futuro da Pátria e ameaças de tragédia, não convence. Passos Coelho é um homem resoluto à procura do compromisso e da "unidade". E um homem hesitante à procura de firmeza e respeito. É muito capaz de perder pelos dois lados.
(Destaques impensáveis).
domingo, setembro 25, 2011
Aqui, a época é de vão de artificialismo vulgar, rasteiro, muito pretensioso.
Tempos perigosos. Ser artificial ou cultivar artificialismos demanda sólida formação intelectual, bom senso, imaginação e pronta disposição para a imolação, qualidades pouco presentes nos promotores e utentes deste hodierno.
Tempos perigosos. Ser artificial ou cultivar artificialismos demanda sólida formação intelectual, bom senso, imaginação e pronta disposição para a imolação, qualidades pouco presentes nos promotores e utentes deste hodierno.
quarta-feira, setembro 14, 2011
Tempos ásperos. Em Portugal, onde era preciso ânimo forte e união (surpreendo-me no uso destes termos e, mais ainda, com o que considero a simplicidade das coisas), o governo, em nome do possidonismo d'aquém e d'além mar não faz melhor do que permitir a continuação de questões fúteis que criam crispações e problemas desnecessários.
Sim trata-se do cretino «acordo ortográfico»
(em que outro sítio do vasto mundo se encontraria questão semelhante?):
nada pior do que este caústico em tempos que não vão para construtivismos e voluntarismos (bem ao contrário!), condenados que estamos empobrecer o que não enriquecemos senão fingindo.
Sim trata-se do cretino «acordo ortográfico»
(em que outro sítio do vasto mundo se encontraria questão semelhante?):
nada pior do que este caústico em tempos que não vão para construtivismos e voluntarismos (bem ao contrário!), condenados que estamos empobrecer o que não enriquecemos senão fingindo.
quinta-feira, setembro 01, 2011
segunda-feira, agosto 29, 2011
quinta-feira, julho 28, 2011
segunda-feira, julho 18, 2011
A propósito do artigo de Miguel Esteves Cardoso de hoje, sobre a decadência da escrita à mão - que o estado de Indiana quer deixar de ensinar! - lembro-me de ter decidido escrever com a minha velha caneta, herdada de meu Pai, alguns posts. Não foi a coisa avante porque entre escrever e digitalizar e publicar ia um trabalho injustificado pelo escrito em si e que, por isso, me fazia correr o risco de passar por pretensão o que que era mera saudade de escrever com tinta permanente.
Pequenas cobardias de que me arrependo. Valha-me que ideia e renúncia, tudo foi do começo deste blog, e quando o comecei era novo e estouvado.
Pequenas cobardias de que me arrependo. Valha-me que ideia e renúncia, tudo foi do começo deste blog, e quando o comecei era novo e estouvado.
quinta-feira, julho 14, 2011
sábado, julho 09, 2011
A classificação da Moody's produziu um estremeção de indignação no País. Já não era sem tempo, um sinal de vida, fosse pelo que fosse. Foi a propósito do downgrade da dívida portuguesa - que me apresso a conceder tenha sido feito com vilíssimas intenções. Pena que a reacção, ao invés de se traduzir em declarações firmes de mudança de vida, se fique pelas vociferações e esbracejares patéticos, a fazer lembrar as eructações patrióticas por alturas do Ultimatum.
A realidade, tal como a descreve um filho de um amigo meu, criança avisada que faz o seu doutoramento lá fora, é esta:
«Imagine a country whose government didn't run a single budget surplus since (at least) 1976; for that matter, suppose the deficit was never below 2% of GDP; in the period 2001-2010, annual growth for this country averaged approx. 0.5% (corresponding to the 158th best performance worldwide); this country is likely to be the only one to be in a recession in 2012 worldwide. Imagine the story is even more complicated than this. Shouldn't rating agencies warn investors about the risks of buying bonds from such a country?»
Alguma dúvida?
Alguma dúvida?
quinta-feira, julho 07, 2011
A pátria posta em sossego
O governo, as instâncias, grande parte do país, tudo estava
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
E a Moody's, encarnação disruptiva da inocência (um dos nossos mais escandalosos luxos, a inocência).
O governo, as instâncias, grande parte do país, tudo estava
Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,
E a Moody's, encarnação disruptiva da inocência (um dos nossos mais escandalosos luxos, a inocência).
A questão, porém, é que a pátria há muito era insolvente.
quarta-feira, julho 06, 2011
Não é muito agradável, mas tinha-me antecipado à Moody's no downgrade.
Ainda não houve uma medida - ou anúncio dela - que permita dizer - ou apenas sentir que "isto mudou".
Da ortografia aos impostos, é bem reconhecível o Estado pletórico do tempo do d'El-Rei, o Senhor D. José I.
Esperemos pela Viradeira.
Ainda não houve uma medida - ou anúncio dela - que permita dizer - ou apenas sentir que "isto mudou".
Da ortografia aos impostos, é bem reconhecível o Estado pletórico do tempo do d'El-Rei, o Senhor D. José I.
Esperemos pela Viradeira.
sexta-feira, julho 01, 2011
sábado, junho 25, 2011
terça-feira, junho 21, 2011
A má notícia deste governo é, sem dúvida, o secretário Viegas, um comerciante hábil com vastas ligações ao Brasil e il va sans dire, acérrimo defensor da ortografia brasileira em Portugal.
A fragilidade da nossa democracia e a tradição de autoritarismo, tudo ao serviço de manias de grandeza - por interposto país - e oculto místico da «lusofonia» (uma rendosa superstição de estado), a que se há-de acrescentar ainda a agressividade do nacionalismo imperialista brasileiro, tudo prognostica os piores resultados.
A fragilidade da nossa democracia e a tradição de autoritarismo, tudo ao serviço de manias de grandeza - por interposto país - e oculto místico da «lusofonia» (uma rendosa superstição de estado), a que se há-de acrescentar ainda a agressividade do nacionalismo imperialista brasileiro, tudo prognostica os piores resultados.
domingo, junho 19, 2011
Não digam os vindouros que este blog se calou perante essa coisa antiquíssima e repetitiva que é um novo governo:
Ora, em relação ao Governo Passos-Portas confessa-se esperar alguma ordem nas públicas finanças (lembrei-me agora de Uma Campanha Alegre e dos adjectivos colovados
à inglesa) a cargo de um financeiro não ferozmente estatista; será difícil, já que nunca os houve em Portugal; espera-se ainda que Vancouver vença Viseu e o culto lusitano do Estado na mente e prática do Dr. Álvaro Santos Pereira, digno A. dos Desmitos.
à inglesa) a cargo de um financeiro não ferozmente estatista; será difícil, já que nunca os houve em Portugal; espera-se ainda que Vancouver vença Viseu e o culto lusitano do Estado na mente e prática do Dr. Álvaro Santos Pereira, digno A. dos Desmitos.
Espera-se que as boas intenções de Nuno Crato passem disso mesmo. Mais se espera que o nacionalismo brasileiro que nos quer dotar de uma ortografia amputada ad usum das ambições de grandezas brasíllicas não faça demasiados estragos.
Quanto ao que seria mais preciso, lavar a alma e retomar o fôlego, não me parece que seja governo para isso, mas pode sempre haver surpresas.
Quanto ao que seria mais preciso, lavar a alma e retomar o fôlego, não me parece que seja governo para isso, mas pode sempre haver surpresas.
terça-feira, junho 14, 2011
O «grupo de Bilderberg» que a esquerda e alguma direita quiseram elevar a obscuro e malévolo grupo de estratégia do supra-capital mundial e da nova ordem mundial reuniu-se este ano na Suiça.
Uma das participantes é a nossa Clarita Ferreira Alves, animadora no popular programa «O eixo do mal». Vai também António Nogueira Leite, economista, administrador de uma empresa do grupo Mello e blogger conhecido.
O representante do grupo em Portugal, responsável pelos convites, é Balsemão, golfman, antigo primeiro-ministro e dono do Expresso e da Sic, que foi, ele mesmo, apresentado ao grupo por Medeiros Ferreira, outro tenebroso servo do transcapitalismo.
Que todos tenham tido merecido descanso no revigorante ar das montanhas suiças.
Uma das participantes é a nossa Clarita Ferreira Alves, animadora no popular programa «O eixo do mal». Vai também António Nogueira Leite, economista, administrador de uma empresa do grupo Mello e blogger conhecido.
O representante do grupo em Portugal, responsável pelos convites, é Balsemão, golfman, antigo primeiro-ministro e dono do Expresso e da Sic, que foi, ele mesmo, apresentado ao grupo por Medeiros Ferreira, outro tenebroso servo do transcapitalismo.
Que todos tenham tido merecido descanso no revigorante ar das montanhas suiças.
segunda-feira, junho 13, 2011
domingo, junho 12, 2011
Escreve Vasco Pulido Valente, depois de muitas aspas - um efeito retórico que não dispensa:
«E voltou também à sua obsessão de infância, o círculo uninominal, a que atribui virtudes miraculosas. Nunca lhe ocorreu que o círculo uninominal iria entregar a Valentim Loureiro e à sua estirpe a escolha e o domínio do Governo, como já entregou as câmaras (tirando Lisboa, o Porto e mais meia-dúzia por aqui e por ali ) e os partidos, sem qualquer excepção.»
O visado é António Barreto
Cabe perguntar o que pode acontecer de pior depois do que tem acontecido, e que fosse admissível na Europa, que não toleraria que fôssemos uma Guiné-Bissau ibérica, apesar dos cuidados legislativos com a demagogia e o povo - sobre o qual Pulido Valente tem uma visão tão pessimista que faz lembrar Maîstre. É que este regime permitiu que um régulo constitucional levasse o país à bancarrota perante a impassibilidade do presidente da república e do presidente da assembleia da república (que se preocupou tanto com a implantação da ortografia brasileira!).
Teria acontecido o mesmo com um parlamento formado no todo ou em parte significativadeputados eleitos por círculos uninominais e não dependentes do chefe? Não sei. Mas com este, produto da actual lei, a demissão dos eleitos foi total.
Experimentar uma lei eleitoral mais perto das existentes nas democracias europeias não será um mal.
«E voltou também à sua obsessão de infância, o círculo uninominal, a que atribui virtudes miraculosas. Nunca lhe ocorreu que o círculo uninominal iria entregar a Valentim Loureiro e à sua estirpe a escolha e o domínio do Governo, como já entregou as câmaras (tirando Lisboa, o Porto e mais meia-dúzia por aqui e por ali ) e os partidos, sem qualquer excepção.»
O visado é António Barreto
Cabe perguntar o que pode acontecer de pior depois do que tem acontecido, e que fosse admissível na Europa, que não toleraria que fôssemos uma Guiné-Bissau ibérica, apesar dos cuidados legislativos com a demagogia e o povo - sobre o qual Pulido Valente tem uma visão tão pessimista que faz lembrar Maîstre. É que este regime permitiu que um régulo constitucional levasse o país à bancarrota perante a impassibilidade do presidente da república e do presidente da assembleia da república (que se preocupou tanto com a implantação da ortografia brasileira!).
Teria acontecido o mesmo com um parlamento formado no todo ou em parte significativadeputados eleitos por círculos uninominais e não dependentes do chefe? Não sei. Mas com este, produto da actual lei, a demissão dos eleitos foi total.
Experimentar uma lei eleitoral mais perto das existentes nas democracias europeias não será um mal.
O dia 12 de Junho era, da escola primária até ao fim do liceu, o primeiro dia das Férias Grandes.
Depois eram quase 4 - quatro - meses sem nada para fazer, com muito tempo de praia pelo meio.
Não havia ocupação de tempos livres, havia a piscina de manhã, à tarde lia-se, jogava-se cartas brincava-se. Depois de jantar, as primeiras saídas, incipientes, com o limite do regresso a casa que se foi alargando das dez e meia até à meia noite e depois já sem limite mas sem abusos. Férias dentro de férias, a ida para a praia, primeiro três meses depois, já não sei porquê, mas também a pedido, apenas um. Nos meados de Setembro, já se tinha saudades das aulas.
Tempos sábios.
Depois eram quase 4 - quatro - meses sem nada para fazer, com muito tempo de praia pelo meio.
Não havia ocupação de tempos livres, havia a piscina de manhã, à tarde lia-se, jogava-se cartas brincava-se. Depois de jantar, as primeiras saídas, incipientes, com o limite do regresso a casa que se foi alargando das dez e meia até à meia noite e depois já sem limite mas sem abusos. Férias dentro de férias, a ida para a praia, primeiro três meses depois, já não sei porquê, mas também a pedido, apenas um. Nos meados de Setembro, já se tinha saudades das aulas.
Tempos sábios.
terça-feira, junho 07, 2011
segunda-feira, junho 06, 2011
sábado, junho 04, 2011
quinta-feira, junho 02, 2011
sábado, maio 28, 2011
No meio das inanidades, Silva Lopes, antigo governador do Banco de Portugal, lembra que o Memorando de Entendimento celebrado com o FMI e a UE contém medidas de cortes de despesa inéditas em Portugal e que é, por isso, violento*.
*Poderia dizer, parricida, que o estado sucedeu à divindade, lá no local oposto ao da nossa desconfiança por nós próprios
Na Rádio Renascença ouvi alguém com responsabilidades judiciárias referir-se ao autoritarismo norte-americano, de que Strauss-Kahn seria bem sabedor. Infelizmente, presume-se. O facto de a lei portuguesa permitir ao primeiro-ministro português ser quase penalmente impune já não lhes parecerá ser um autoritarismo que viola flagrantemente o princípio da igualdade perante a lei.
quinta-feira, maio 26, 2011
segunda-feira, maio 23, 2011
sábado, maio 21, 2011
«Um dia pedi respeitosamente ao Conde d'Abranhos a explicação da palavra e do fenómeno, e S. Exª, o que raras vezes sucedia, deu uma resposta vaga, tortuosa, reticente:
– É uma coisa que se sente no ar. É um não sei quê... Sente-se que a situação está gasta...
Não me permitiu o respeito que insistisse, mas, no fundo do meu entendimento, guardo um secreto terror por este fenómeno incompreensível! »
– É uma coisa que se sente no ar. É um não sei quê... Sente-se que a situação está gasta...
Não me permitiu o respeito que insistisse, mas, no fundo do meu entendimento, guardo um secreto terror por este fenómeno incompreensível! »
Eça de Queiroz, in Conde de Abranhos
terça-feira, maio 17, 2011
A prisão do presidente do FMI vem mostrar a importância da igualdade perante a lei: porque as pessoas são diferentes.
Por aqui, por jornais e blogs, vê-se gente com alguma inteligência defender posições que, em última instância, levariam a que houvesse quem gozasse de total ou quase total impunidade.
E, simétrica a esta incomodidade pela prisão de um homem poderoso e de esquerda, a notícia de que a empregada do hotel está alarmada pelas repercussões da sua queixa. É isso rapariga, olha lá o que foste fazer! Se tivesses sido menos linguaruda... Uma coisa sem importância nenhuma!
Por aqui, por jornais e blogs, vê-se gente com alguma inteligência defender posições que, em última instância, levariam a que houvesse quem gozasse de total ou quase total impunidade.
E, simétrica a esta incomodidade pela prisão de um homem poderoso e de esquerda, a notícia de que a empregada do hotel está alarmada pelas repercussões da sua queixa. É isso rapariga, olha lá o que foste fazer! Se tivesses sido menos linguaruda... Uma coisa sem importância nenhuma!
Estas vítimas que atrapalham as vidas de criminosos importantes... Não têm noção do transtorno que fazem!
Interessante ver como reage a esquerda & cia, tão puritana quando se trata de Berlusconi ou Wolfwitz, como lembra aqui Helena de Matos.
domingo, maio 15, 2011
Brinde dominical aos senhores leitores do Impensável
«Ne trouvez-vous pas que lorsque beaucoup de temp s'est écoulé depuis qu'on a vu quelqu'un qui sait regarder, il faut agir avec une certaine précaution, tout comme on entre dans la mer... »
Carta da Condessa de Grefulhe a Marcel Proust (que, após muitos anos de silêncio lhe escrevera pedindo informações sobre peculiaridades do uso dos títulos na familia da Condessa, que nascera Princesa de Caraman-Chimay)
«Ne trouvez-vous pas que lorsque beaucoup de temp s'est écoulé depuis qu'on a vu quelqu'un qui sait regarder, il faut agir avec une certaine précaution, tout comme on entre dans la mer... »
Carta da Condessa de Grefulhe a Marcel Proust (que, após muitos anos de silêncio lhe escrevera pedindo informações sobre peculiaridades do uso dos títulos na familia da Condessa, que nascera Princesa de Caraman-Chimay)
«When Fauré began work on the Pavane, he envisaged a purely orchestral work to be played at a series of light summer concerts conducted by Jules Danbe. After Fauré opted to dedicate the work to his patron, Elisabeth, comtesse Greffulhe, he felt compelled to stage a grander affair and thus he added an invisible chorus to accompany the orchestra (with additional allowance for dancers). The choral lyrics were based on some inconsequential verses, à la Verlaine, on the romantic helplessness of man, which had been contributed by the Countess' cousin, Robert de Montesquiou-Fezensac.
The orchestral version was first performed at a Concert Lamoureux under the baton of Charles Lamoureux on November 25, 1888. Three days later, the choral version was premiered at a concert of the Société Nationale de Musique. In 1891, the Countess finally helped Fauré produce the version with both dancers and chorus, in a "choreographic spectacle" designed to grace one of her garden parties in the Bois de Boulogne.»
quinta-feira, maio 12, 2011
Se Sócrates for afastado - creio que isso já foi decidido - será tempo de ver as artimanhas que o partidário trinco usará para torpedear a chamada «troika», que se prepara, ingenuamente, para fazer-nos modernos.
A coisa já começou, como foi reparado por alguns, e os vagidos que se ouviram pela boca do presidente de uma dessas empresas que vivem dos favores estatais (com o mesmo à vontade com que a Madre Paula recebia em Odivelas os de D. João V), será em breve um clamor. Um clamor de sensatez e ponderação: eles coitados, até queriam. Foi a lei, a lei é que não deixou. E lá estarão todos na inauguração da apeadeiro do Poceirão ( encomendado a Ghery) e o facto de acabar ali o comboio para Madrid será mais uma singularidade portuguesa, a que todos se habituarão.
A única possibilidade de isto não acontecer é que a rédea seja bem curta. Ou que haja um número suficiente de portugueses que distinga entre o estado e a Divina Guarda.
A coisa já começou, como foi reparado por alguns, e os vagidos que se ouviram pela boca do presidente de uma dessas empresas que vivem dos favores estatais (com o mesmo à vontade com que a Madre Paula recebia em Odivelas os de D. João V), será em breve um clamor. Um clamor de sensatez e ponderação: eles coitados, até queriam. Foi a lei, a lei é que não deixou. E lá estarão todos na inauguração da apeadeiro do Poceirão ( encomendado a Ghery) e o facto de acabar ali o comboio para Madrid será mais uma singularidade portuguesa, a que todos se habituarão.
A única possibilidade de isto não acontecer é que a rédea seja bem curta. Ou que haja um número suficiente de portugueses que distinga entre o estado e a Divina Guarda.
terça-feira, maio 10, 2011
sexta-feira, maio 06, 2011
Sócrates vai perder, por ter acabado o seu tempo (e o seu tempo acabou porque não nos dão dinheiro sem que façamos um mínimo de reformas e essas reformas não são fazíveis - nem mesmo em simulacro - por um governo a que Sócrates pertença, porque se orientam no sentido da libertação da sociedade civil do estado) mas, mesmo assim, é humilhante vermos como estamos tão longe da vida europeia.
Quanto a Sócrates, a questão é discutir como podem falhar tão clamorosamente os mecanismos de controlo que uma democracia deve possuir - disseminados por toda a sociedade - para prevenir os arrivismos.
Quanto a Sócrates, a questão é discutir como podem falhar tão clamorosamente os mecanismos de controlo que uma democracia deve possuir - disseminados por toda a sociedade - para prevenir os arrivismos.
quinta-feira, maio 05, 2011
quarta-feira, maio 04, 2011
Ontem, o anúncio do que não foi o acordo com o FMI e UE (e qual era a nossa liberdade negocial?) foi um exemplo do que não pode ser um governo numa democracia.
Mota Amaral acertou , por uma vez , ao afirmar que Cavaco Silva devia ter removido o actual primeiro-ministro substituindo-o por alguém que gerisse o país até às eleições.
Mota Amaral acertou , por uma vez , ao afirmar que Cavaco Silva devia ter removido o actual primeiro-ministro substituindo-o por alguém que gerisse o país até às eleições.
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