quarta-feira, novembro 23, 2011

O relojoeiro chegou às dez e meia.
Lembrava-se do último arranjo, há 15 anos.
Uma suspeita de reprovação por, como confessei, não ter sido limpo nem oleado desde aí.
Levou para consertar.
Um mês, porque, depois de reparado, fica um mínimo de 15 dias em observação.

Ontem, antes de adormecer, li Chestov, sobre Kierkegaard.
Depois, fechei a luz e fiquei a pensar - não por muito tempo - no que Chestov diz sobre a catharsis grega, a purificação oriunda da convicção que tudo nascendo e morrendo, a verdade imutável forçosamente há-de ser procurada para além do que está sob a lei do nascimento e da morte.

Um alegre post-scriptum sobre o relógio, que o relojoeiro veio aqui trazer dia 29 de Dezembro.
Afinado, limpo e a funcionar.
A conta acompanha, infelizmente, as alturas da minha alegria.

segunda-feira, novembro 21, 2011

A delegação soviética que ia discutir o armistício com o exército alemão e austríaco em Brest-Litovsky incluía um camponês arrebanhado na rua - ou perto isso - e que os soviéticos tinham incluído na delegação, presume-se que em representação do campesinato.
Os oficiais das potências centrais não prescindiram de oferecer um banquete aos russos e os oficiais austríacos, ao lado de quem tinham sentado o campónio, perguntando-lhe como se plantam cebolas.
A fonte deste episódio tão elucidativo da boa educação belle époque da aristocracia austríaca foi o o relato que Norman Stone faz na sua da «Primeira Guerra Mundial, história concisa».


domingo, novembro 20, 2011

Do Público
O fim da "Europa"
Vasco Pulido Valente - 20-11-2011


«A Grécia é hoje governada por um burocrata da União Europeia, a Itália é hoje governada por um burocrata da União Europeia. Portugal e a Espanha ainda não são; mas Portugal tem um ministro das Finanças que veio direitinho da União Europeia e está submetido ao escrutínio periódico de uma troika, dois terços da qual vêm da União Europeia. Toda esta gente impõe a retalho ou por grosso a política económica que bem entende e, quando muito, aos parlamentos nacionais, se lhes dão licença, ratificam o que foi decidido sem eles, por formalidade e decência. Mas se por acaso discordam, a punição verbal ou financeira dos seus caridosos patronos depressa os sossega. Fernando Ulrich protestou contra o poder dos funcionários de sétima ordem [*] que por aqui aparecem. Não lhe servirá de nada.

Evidentemente, quem deve fica nas mãos dos credores. Sucede que a União Europeia não é um credor (pelo menos, não é um credor directo) e a sua intervenção passa em princípio por uma ajuda. Ora entre ajuda e tutela há uma enorme diferença, que nem sempre se nota na atitude e no comportamento da troika. Basta pensar que uma frase ambígua de um senhor qualquer dessa superioríssima entidade sobre salários no sector privado espalhou uma onda de pavor por Portugal inteiro. Pior ainda, apesar de um ocasional acesso de retórica a benefício dos metecos do Sul, Angela Merkel recusa tomar as medidas que resolveriam ou abrandariam a crise das dívidas soberanas. Do ponto de vista dela, uma posição compreensível e lógica. Do ponto de vista da Grécia, de Itália e de Portugal, uma catástrofe que os conserva num extraordinário estatuto de menoridade.

Além disto, a sra. Merkel e os seus sócios, levando o sr. Sarkozy pacientemente atrás para propósitos de camuflagem, mandam hoje na União Europeia contra o protocolo e a legalidade. O famoso "clube de democracias" que a UE nos bons tempos gostava de se proclamar (e mesmo esquecendo as semidemocracias da Itália e da Grécia) acabou por se transformar numa espécie de protectorado da Alemanha, a que ela de resto se achava destinada. Na ausência da América e da Inglaterra que durante quase meio século impuseram um certo equilíbrio na "Europa", coisa ignorada e frequentemente detestada, a inclinação para a Alemanha era inevitável. A UE torna este destino mais simples, mas não o criou.»

[*] - Era preciso serem de 1ª linha para exactamente o quê?

sexta-feira, novembro 18, 2011


Proust morreu há 89 anos.
Inútil e quase impertimente chamar a atenção para este documentário, com os testemunhos de quem o conheceu, Celeste Albaret incluída.

quinta-feira, novembro 10, 2011

A propósito de Barbara Pym, dizia Miguel Esteves Cardoso que escreve sobre um mundo que já acabou.
Mas, todos os livros são sobre mundos que já acabaram.
E nós, todos nós, somos também sobre mundos acabados até à consumação neles de todos os nossos séculos.

terça-feira, novembro 08, 2011

délabré, adjectif
Féminin ée.
Sens 1 En mauvais état, qui tombe en ruine. Synonyme vétuste Anglais ruined, (bâtiment) dilapidated

quarta-feira, novembro 02, 2011

Fui à estante buscar o meu Graves para reler na cama, apesar de incómodo de ler deitado.
Refiro-me ao «Os mitos gregos». Nunca os devemos esquecer.

domingo, outubro 30, 2011

Suetónio enumera algumas medidas positivas de Nero: «interditum ne quid in popinis cocti praeter legumina aut holera ueniret, cum antea nullum non obsoni proponeretur». E prossegue: «afflicti suppliciis Christiani, genus hominum superstitionis nouae ac malefica».

A seguir às medidas de proibição de pratos cozidos nos cabarets, com excepção para algumas hortaliças e caldos de legumes, o martírio dessa gente daninha - sem excepções.

sábado, outubro 29, 2011


Canções de Outono: Les feuilles mortes.
A Patachou e a Piaff eram ouvidas pelas gerações mais velhas e incutido o gosto de as ouvir nos mais pequenos: «Quando forem a Paris...». A Greco, uma existencialista dos «caveaux existencialistas» (sic, era mesmo assim) era menos escutada. Esta versão, de um Outono pouco europeu, não sei se agradaria, mas é a que fica.

quinta-feira, outubro 27, 2011

Ontem foi o primeiro dia da heating season. Usei os aquecimentos e, há pouco, um plaid.
Meditei, ao jantar, sobre o frio que se passava em casas de jantar frigidíssimas de outros tempos, umas das quais conheço bem (ainda hoje não perderam a catadura severa de quem terá, certamente, contribuído para abreviar algumas vidas).

quarta-feira, outubro 26, 2011

Queixavam-se em Viseu os lojistas da rua deserta e triste.
Também aqui, onde vivo impera o ermamento.
Não é sinal do progresso - que Abranhos já elogiava e ainda hoje é usado para calar «velhos do Restelo» - mas de más políticas.
Convenço-me que, por nós mesmos, somos incapazes de sair deste beco frio, enlameado, inóspito. Uma imagem novecentista para um pessimismo que lhe é anterior mas vem até nós (o percurso Burke-Buñuel).

sexta-feira, outubro 21, 2011

A ler Julian Barnes, «The sense of an ending».
A tradução portuguesa será nesse português adulterado e sabujo que este triste estado negociou com os brasileiros, por isso a compra foi na Kindle.
Lê-se o original - que chegou em segundos mágicos - e poupa-se dinheiro em tempos de crise.

segunda-feira, outubro 17, 2011

Enquanto isto (que tem a desgraça da verosimilhaça) continuam os indícios de que o regime - e o regime é, essencialmente, um estado autoritário e clientelar que, sem autocratas visíveis, (Pombal ou Salazar), retoma a sua feição química de colóide de vícios e bulimias em distintos graus de sufragação - entretém-se o país em teses e discussões e tentativas sobre o modo e o modelo de acção para desatar o nó que, sabemos, já não pode ser senão cortado. Falta o espírito resoluto de Górdio - que foi pai de Midas (e sem um nem outro, espera-nos a cantina).

Entretanto, enquanto o país definha, prossegue a bom ritmo a vandalização da Língua Portuguesa. Piores do que os pequenos burocratas iletrados a quem venderam cinco ou seis palermices para que ajudem ao crime, são aqueles intelectuais, escritores, poetas, com obras tão etéreas que se não controem com palavras, e a quem, por isso, a questão não interessa - De minimis non curat praetor.

sábado, outubro 01, 2011

De Vasco Pulido Valente, no Público de ontem

Esta semana toda a gente se ocupou dos primeiros 100 dias do Governo. Contar por 100 dias não dá sorte. A medida, quando apareceu na história, era uma referência ao regresso de Napoleão a França entre a ilha de Elba e a catástrofe final de Waterloo. Napoleão não tinha uma política, não tinha dinheiro e não tinha apoio popular. O Governo Passos Coelho não está tão mal. Tem a "política" da troika, que no fundo não passa de um caderno de encargos com algum sentido, mas muitas vezes sem pertinência, nem conhecimento da realidade (como até Cavaco admitiu); e tem uma vontade misteriosa de exceder o programa da troika, não se sabe em que direcção e de que maneira. Os portugueses, bombardeados diariamente por números que assustam e deprimem, andam por aí como almas penadas.

O que não se viu ainda foi um plano de reforma coerente, claro e compreensível. Não há um plano para a reforma da administração central, não há um plano para a reforma da administração local, não há um plano para a reforma do sector empresarial do Estado, não há um plano para a reforma da Saúde. Não há um plano para nada. Os ministros cortam aqui e cortam ali, extinguem isto e aquilo ou fundem alhos com bugalhos: talvez bem, talvez mal. Infelizmente, essa grande actividade parece uma caçada aos pardais. No meio da confusão não se distingue um objectivo, um método, um propósito. Cada um atira para onde lhe dá na gana ou trata do sarilho do dia. É escusado procurar uma ordem. E o dr. Passos Coelho, com a sua suavidade e simpatia, não se explica e de quando em quando contribui mesmo para aumentar a confusão.

Os ministros, coitados, não ajudam. O ministro das Finanças, com o seu pequeno ar de contabilista melancólico, não chega a ninguém. O ministro da Economia, que escreveu um livro pedante e pueril, anunciando que, se o deixassem, iria rapidamente limpar a casa, desapareceu num mundo que ele não conhece. A sra. ministra da Justiça continua remota e misteriosa. E o sr. ministro Relvas, sem qualquer autoridade que o país reconheça, ocupa quase sozinho o palco, e gesticula e berra, provavelmente sem consequência. Em conjunto, o Governo, entre a súplica e a bravata, entre uma fé espúria no futuro da Pátria e ameaças de tragédia, não convence. Passos Coelho é um homem resoluto à procura do compromisso e da "unidade". E um homem hesitante à procura de firmeza e respeito. É muito capaz de perder pelos dois lados.

(Destaques impensáveis).

domingo, setembro 25, 2011

Aqui, a época é de vão de artificialismo vulgar, rasteiro, muito pretensioso.
Tempos perigosos. Ser artificial ou cultivar artificialismos demanda sólida formação intelectual, bom senso, imaginação e pronta disposição para a imolação, qualidades pouco presentes nos promotores e utentes deste hodierno.

quarta-feira, setembro 14, 2011


Vergnügte Ruh, beliebte Seelenlust
(Delightful rest, beloved pleasure of the soul)
Tempos ásperos. Em Portugal, onde era preciso ânimo forte e união (surpreendo-me no uso destes termos e, mais ainda, com o que considero a simplicidade das coisas), o governo, em nome do possidonismo d'aquém e d'além mar não faz melhor do que permitir a continuação de questões fúteis que criam crispações e problemas desnecessários.
Sim trata-se do cretino «acordo ortográfico»
(em que outro sítio do vasto mundo se encontraria questão semelhante?):
nada pior do que este caústico em tempos que não vão para construtivismos e voluntarismos (bem ao contrário!), condenados que estamos empobrecer o que não enriquecemos senão fingindo.

segunda-feira, agosto 29, 2011



Casa de Férias

O tempo está bom, suave. Seria bom que o Setembro pudesse ser como me lembro dele, muito calmo e pacífico, apaziguador.
Preciso - e desejo - paz, serenidade e silêncio.

quinta-feira, julho 28, 2011

Como colocar a questão?

Dir-se-ia que na narrativa da acção do governo começa a sentir-se a falta de um correlativo objectivo para o optimismo popular.

segunda-feira, julho 18, 2011

Se quiser fundar um club de anti-fans, creio que tenho todas as condições para ser sócio honorário.
A propósito do artigo de Miguel Esteves Cardoso de hoje, sobre a decadência da escrita à mão - que o estado de Indiana quer deixar de ensinar! - lembro-me de ter decidido escrever com a minha velha caneta, herdada de meu Pai, alguns posts. Não foi a coisa avante porque entre escrever e digitalizar e publicar ia um trabalho injustificado pelo escrito em si e que, por isso, me fazia correr o risco de passar por pretensão o que que era mera saudade de escrever com tinta permanente.
Pequenas cobardias de que me arrependo. Valha-me que ideia e renúncia, tudo foi do começo deste blog, e quando o comecei era novo e estouvado.

quinta-feira, julho 14, 2011

Le 14 Juillet.
O estado iluminista traduziu-se na instituição do terror de estado e no genocídio.
A metáfora surge da gastronomia: este país (e até a Europa - que digo? O hemisfério norte!) parece que deslaçou, como um molho.

sábado, julho 09, 2011

A classificação da Moody's produziu um estremeção de indignação no País. Já não era sem tempo, um sinal de vida, fosse pelo que fosse. Foi a propósito do downgrade da dívida portuguesa - que me apresso a conceder tenha sido feito com vilíssimas intenções. Pena que a reacção, ao invés de se traduzir em declarações firmes de mudança de vida, se fique pelas vociferações e esbracejares patéticos, a fazer lembrar as eructações patrióticas por alturas do Ultimatum.

A realidade, tal como a descreve um filho de um amigo meu, criança avisada que faz o seu doutoramento lá fora, é esta:

«Imagine a country whose government didn't run a single budget surplus since (at least) 1976; for that matter, suppose the deficit was never below 2% of GDP; in the period 2001-2010, annual growth for this country averaged approx. 0.5% (corresponding to the 158th best performance worldwide); this country is likely to be the only one to be in a recession in 2012 worldwide. Imagine the story is even more complicated than this. Shouldn't rating agencies warn investors about the risks of buying bonds from such a country?»

Alguma dúvida?

quinta-feira, julho 07, 2011

A pátria posta em sossego

O governo, as instâncias, grande parte do país, tudo estava

Naquele engano da alma, ledo e cego,
Que a fortuna não deixa durar muito,

E a Moody's, encarnação disruptiva da inocência (um dos nossos mais escandalosos luxos, a inocência).


A questão, porém, é que a pátria há muito era insolvente.

quarta-feira, julho 06, 2011

Não é muito agradável, mas tinha-me antecipado à Moody's no downgrade.

Ainda não houve uma medida - ou anúncio dela - que permita dizer - ou apenas sentir que "isto mudou".

Da ortografia aos impostos, é bem reconhecível o Estado pletórico do tempo do d'El-Rei, o Senhor D. José I.

Esperemos pela Viradeira.

sexta-feira, julho 01, 2011

AVISO


Entrando hoje o governo na plenitude das suas funções, avisam-se os Senhores Leitores de que este blog passa, como habitualmente, à oposição*.


* talvez um pouco à contre-coeur, desta vez, mas oposição.

sábado, junho 25, 2011

Que fará o a. deste blog, perguntarão os leitores deste blog. Caberia responder e, imodestamente, falar da minha apurada arte de não fazer nada, mas estamos em tempos de sesta.

Sempre direi que leio Saint-Simon, o cronista duque - não o conde socialista primo dele - e abrigo-me do calor.

terça-feira, junho 21, 2011

A má notícia deste governo é, sem dúvida, o secretário Viegas, um comerciante hábil com vastas ligações ao Brasil e il va sans dire, acérrimo defensor da ortografia brasileira em Portugal.
A fragilidade da nossa democracia e a tradição de autoritarismo, tudo ao serviço de manias de grandeza - por interposto país - e oculto místico da «lusofonia» (uma rendosa superstição de estado), a que se há-de acrescentar ainda a agressividade do nacionalismo imperialista brasileiro, tudo prognostica os piores resultados.

domingo, junho 19, 2011

Não digam os vindouros que este blog se calou perante essa coisa antiquíssima e repetitiva que é um novo governo:

Ora, em relação ao Governo Passos-Portas confessa-se esperar alguma ordem nas públicas finanças (lembrei-me agora de Uma Campanha Alegre e dos adjectivos colovados
à inglesa) a cargo de um financeiro não ferozmente estatista; será difícil, já que nunca os houve em Portugal; espera-se ainda que Vancouver vença Viseu e o culto lusitano do Estado na mente e prática do Dr. Álvaro Santos Pereira, digno A. dos Desmitos.

Espera-se que as boas intenções de Nuno Crato passem disso mesmo. Mais se espera que o nacionalismo brasileiro que nos quer dotar de uma ortografia amputada ad usum das ambições de grandezas brasíllicas não faça demasiados estragos.
Quanto ao que seria mais preciso, lavar a alma e retomar o fôlego, não me parece que seja governo para isso, mas pode sempre haver surpresas.

terça-feira, junho 14, 2011

O «grupo de Bilderberg» que a esquerda e alguma direita quiseram elevar a obscuro e malévolo grupo de estratégia do supra-capital mundial e da nova ordem mundial reuniu-se este ano na Suiça.
Uma das participantes é a nossa Clarita Ferreira Alves, animadora no popular programa «O eixo do mal». Vai também António Nogueira Leite, economista, administrador de uma empresa do grupo Mello e blogger conhecido.
O representante do grupo em Portugal, responsável pelos convites, é Balsemão, golfman, antigo primeiro-ministro e dono do Expresso e da Sic, que foi, ele mesmo, apresentado ao grupo por Medeiros Ferreira, outro tenebroso servo do transcapitalismo.

Que todos tenham tido merecido descanso no revigorante ar das montanhas suiças.

segunda-feira, junho 13, 2011




Santo António de Lisboa

Meu rico Santo António
Santinho do meu coração
Dá-me riqueza e saúde
Muita paz e muito pão

domingo, junho 12, 2011

Escreve Vasco Pulido Valente, depois de muitas aspas - um efeito retórico que não dispensa:

«E voltou também à sua obsessão de infância, o círculo uninominal, a que atribui virtudes miraculosas. Nunca lhe ocorreu que o círculo uninominal iria entregar a Valentim Loureiro e à sua estirpe a escolha e o domínio do Governo, como já entregou as câmaras (tirando Lisboa, o Porto e mais meia-dúzia por aqui e por ali ) e os partidos, sem qualquer excepção.»

O visado é António Barreto

Cabe perguntar o que pode acontecer de pior depois do que tem acontecido, e que fosse admissível na Europa, que não toleraria que fôssemos uma Guiné-Bissau ibérica, apesar dos cuidados legislativos com a demagogia e o povo - sobre o qual Pulido Valente tem uma visão tão pessimista que faz lembrar Maîstre. É que este regime permitiu que um régulo constitucional levasse o país à bancarrota perante a impassibilidade do presidente da república e do presidente da assembleia da república (que se preocupou tanto com a implantação da ortografia brasileira!).

Teria acontecido o mesmo com um parlamento formado no todo ou em parte significativadeputados eleitos por círculos uninominais e não dependentes do chefe? Não sei. Mas com este, produto da actual lei, a demissão dos eleitos foi total.
Experimentar uma lei eleitoral mais perto das existentes nas democracias europeias não será um mal.
O dia 12 de Junho era, da escola primária até ao fim do liceu, o primeiro dia das Férias Grandes.
Depois eram quase 4 - quatro - meses sem nada para fazer, com muito tempo de praia pelo meio.
Não havia ocupação de tempos livres, havia a piscina de manhã, à tarde lia-se, jogava-se cartas brincava-se. Depois de jantar, as primeiras saídas, incipientes, com o limite do regresso a casa que se foi alargando das dez e meia até à meia noite e depois já sem limite mas sem abusos. Férias dentro de férias, a ida para a praia, primeiro três meses depois, já não sei porquê, mas também a pedido, apenas um. Nos meados de Setembro, já se tinha saudades das aulas.
Tempos sábios.

sábado, junho 11, 2011

terça-feira, junho 07, 2011

Vi uma lista de possíveis ministros.
De alguns, têm-me dito amigos comuns com quem falei sobre a possível participação deles no governo que não podiam, por questões de dinheiro, abandonar os cargos bem mais rendosos que ocupam.

sábado, junho 04, 2011

Meditação. Já comprei uma buzina e pus o champagne no frigorífico (Moet & Chandon). Contribui para a dívida externa mas nestas coisas vale a pena seguir Bismarck, que dizia que o patriotismo pára no estômago.

quinta-feira, junho 02, 2011

Que tempo bom! Mas falta nele tudo o que me lembro e o completava aqui na cidadezinha: gente, bulícios preguiçosos, um tom diferente desta desolação de ruas vazias, lojas fechadas, e por todo o lado marcas do possidinismo impante e falta de escrúpulos.

Esperemos melhores dias.

sábado, maio 28, 2011

No meio das inanidades, Silva Lopes, antigo governador do Banco de Portugal, lembra que o Memorando de Entendimento celebrado com o FMI e a UE contém medidas de cortes de despesa inéditas em Portugal e que é, por isso, violento*.


*Poderia dizer, parricida, que o estado sucedeu à divindade, lá no local oposto ao da nossa desconfiança por nós próprios
Na Rádio Renascença ouvi alguém com responsabilidades judiciárias referir-se ao autoritarismo norte-americano, de que Strauss-Kahn seria bem sabedor. Infelizmente, presume-se. O facto de a lei portuguesa permitir ao primeiro-ministro português ser quase penalmente impune já não lhes parecerá ser um autoritarismo que viola flagrantemente o princípio da igualdade perante a lei.

quinta-feira, maio 26, 2011

Apareceu o Presidente da República a dizer que vivemos uma situação séria.
Creio que apenas o vácuo nos bolsos e carteiras demoverá esta gente da sua ingénua fé na omnipotência do Estado - que, parece, substituiu a de Deus nas crença populares.

segunda-feira, maio 23, 2011

Há quem queira pôr no mesmo saco a crise grega, a portuguesa e a irlandesa.
Nada mais grosseiro: a última foi um acidente; as duas primeiras, desígnios.

sábado, maio 21, 2011

«Um dia pedi respeitosamente ao Conde d'Abranhos a explicação da palavra e do fenómeno, e S. Exª, o que raras vezes sucedia, deu uma resposta vaga, tortuosa, reticente:
– É uma coisa que se sente no ar. É um não sei quê... Sente-se que a situação está gasta...
Não me permitiu o respeito que insistisse, mas, no fundo do meu entendimento, guardo um secreto terror por este fenómeno incompreensível! »

Eça de Queiroz, in Conde de Abranhos

terça-feira, maio 17, 2011

A prisão do presidente do FMI vem mostrar a importância da igualdade perante a lei: porque as pessoas são diferentes.
Por aqui, por jornais e blogs, vê-se gente com alguma inteligência defender posições que, em última instância, levariam a que houvesse quem gozasse de total ou quase total impunidade.

E, simétrica a esta incomodidade pela prisão de um homem poderoso e de esquerda, a notícia de que a empregada do hotel está alarmada pelas repercussões da sua queixa. É isso rapariga, olha lá o que foste fazer! Se tivesses sido menos linguaruda... Uma coisa sem importância nenhuma!

Estas vítimas que atrapalham as vidas de criminosos importantes... Não têm noção do transtorno que fazem!


Interessante ver como reage a esquerda & cia, tão puritana quando se trata de Berlusconi ou Wolfwitz, como lembra aqui Helena de Matos.

domingo, maio 15, 2011

Brinde dominical aos senhores leitores do Impensável

«Ne trouvez-vous pas que lorsque beaucoup de temp s'est écoulé depuis qu'on a vu quelqu'un qui sait regarder, il faut agir avec une certaine précaution, tout comme on entre dans la mer... »

Carta da Condessa de Grefulhe a Marcel Proust (que, após muitos anos de silêncio lhe escrevera pedindo informações sobre peculiaridades do uso dos títulos na familia da Condessa, que nascera Princesa de Caraman-Chimay)


«When Fauré began work on the Pavane, he envisaged a purely orchestral work to be played at a series of light summer concerts conducted by Jules Danbe. After Fauré opted to dedicate the work to his patron, Elisabeth, comtesse Greffulhe, he felt compelled to stage a grander affair and thus he added an invisible chorus to accompany the orchestra (with additional allowance for dancers). The choral lyrics were based on some inconsequential verses, à la Verlaine, on the romantic helplessness of man, which had been contributed by the Countess' cousin, Robert de Montesquiou-Fezensac.

The orchestral version was first performed at a Concert Lamoureux under the baton of Charles Lamoureux on November 25, 1888. Three days later, the choral version was premiered at a concert of the Société Nationale de Musique. In 1891, the Countess finally helped Fauré produce the version with both dancers and chorus, in a "choreographic spectacle" designed to grace one of her garden parties in the Bois de Boulogne.»

quinta-feira, maio 12, 2011

Se Sócrates for afastado - creio que isso já foi decidido - será tempo de ver as artimanhas que o partidário trinco usará para torpedear a chamada «troika», que se prepara, ingenuamente, para fazer-nos modernos.
A coisa já começou, como foi reparado por alguns, e os vagidos que se ouviram pela boca do presidente de uma dessas empresas que vivem dos favores estatais (com o mesmo à vontade com que a Madre Paula recebia em Odivelas os de D. João V), será em breve um clamor. Um clamor de sensatez e ponderação: eles coitados, até queriam. Foi a lei, a lei é que não deixou. E lá estarão todos na inauguração da apeadeiro do Poceirão ( encomendado a Ghery) e o facto de acabar ali o comboio para Madrid será mais uma singularidade portuguesa, a que todos se habituarão.

A única possibilidade de isto não acontecer é que a rédea seja bem curta. Ou que haja um número suficiente de portugueses que distinga entre o estado e a Divina Guarda.

terça-feira, maio 10, 2011

«Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que há aqui... »

Aniversário Fernando Pessoa (Álvaro de Campos)

sexta-feira, maio 06, 2011

Sócrates vai perder, por ter acabado o seu tempo (e o seu tempo acabou porque não nos dão dinheiro sem que façamos um mínimo de reformas e essas reformas não são fazíveis - nem mesmo em simulacro - por um governo a que Sócrates pertença, porque se orientam no sentido da libertação da sociedade civil do estado) mas, mesmo assim, é humilhante vermos como estamos tão longe da vida europeia.

Quanto a Sócrates, a questão é discutir como podem falhar tão clamorosamente os mecanismos de controlo que uma democracia deve possuir - disseminados por toda a sociedade - para prevenir os arrivismos.

quinta-feira, maio 05, 2011

quarta-feira, maio 04, 2011

Ontem, o anúncio do que não foi o acordo com o FMI e UE (e qual era a nossa liberdade negocial?) foi um exemplo do que não pode ser um governo numa democracia.
Mota Amaral acertou , por uma vez , ao afirmar que Cavaco Silva devia ter removido o actual primeiro-ministro substituindo-o por alguém que gerisse o país até às eleições.

segunda-feira, maio 02, 2011

A morte de Bin Ladden - parece que posta de lado, desde o início, a hipótese da sua captura - não será chorada: era um homicída cruel e fanático.

Do ponto de vista do direito é que há menos a comemorar: Ossama devia ser julgado - e condenado - por um tribunal.

Era difícil de fazer? Era. Tinha desvantagens e perigos? Tinha.
Mas, se a morte do terrorista pudesse ser evitada de modo a prendê-lo até ser julgado, assim devia ter sido feito.

sexta-feira, abril 29, 2011

Casamento dos Duques de Cambridge.
É impossível não pensar o quão estamos longe daquela alegria, verdadeira e digna.
Por aqui temos a mentira e a miséria.

quarta-feira, abril 20, 2011

Agradável saber que Sócrates e Cavaco são considerados culpados da bancarrota por quase 90% dos portugueses. Sempre achei ambos muito medíocres e com os tiques de quem é muito pouco culto. Os dois teriam ficado pelo caminho, por um motivo ou outro, em qualquer democracia avançada. Infelizmente, os níveis de exigência em Portugal são baixos e, por isso, entre outras coisas desagradáveis, o FMI é uma visita habitual.

domingo, abril 10, 2011

O espectáculo é o mais triste possível: cá dentro, e perante a total desgraça do País, o governo e o ministro das finanças (?) roçam o comportamento criminoso do absoluto esquecimento dos seus deveres e a miséria parece alegrar o partido do governo, esfusiante, em comício. De lá de fora, vêm sinais de quem não está para aturar as nossas rapaziadas e o presidente da república, serôdiamente soixante-huitardist e a clamar pela imaginação ao poder ouve o que, sendo para ele, se abate sobre todos: advertências desabridas, mas que a gente percebe serem desculpáveis: o que terão já aturado aos políticos portugueses? E o que pensarão de nós, que os mantemos?


Nunca pensei assistir a uma tal degradação do meu País.

quinta-feira, abril 07, 2011

NEVOEIRO

Nem rei nem lei, nem paz nem guerra,
Define com perfil e ser
Este fulgor baço da terra
Que é Portugal a entristecer –
Brilho sem luz e sem arder,
Como o que o fogo - fátuo encerra.

Ninguém sabe que coisa quer,
Ninguém conhece que alma tem,
Nem o que é mal nem o que é bem.
(Que ânsia distante perto chora?)
Tudo é incerto e derradeiro.
Tudo é disperso, nada é inteiro.
Ó Portugal, hoje és nevoeiro...

É a hora!

Valete, Frates

in Mensagem, Fernando Pessoa

segunda-feira, abril 04, 2011

O Oliveira Martins dizia, referindo-se à indústria do antigo regime constava de óperas e devoções. A ópera já acabou, se bem leio. Ficou, de esguelha, a devoção, que nestes dias, a plebe, bovinamente crédula, ignara, de uma mediocridade inveterada, transferiu da Divina Providência para o Santo Estado; e à perfida Albion sucedeu a cruel Merkel no comando das legiões demoníacas dos déficits.

Que canalha!

sábado, abril 02, 2011

Parabéns ao Bomba Inteligente que faz oito anos. Como já tudo parece distante e se perdeu a alegria dos primórdios, o riso dos Aqueus.

quarta-feira, março 30, 2011

Pode não estar provado que o nível educacional influa na economia. Acredito que não esteja, mas aquela diferença entre Portugal e os restantes países europeus, tão visível nos gráficos, se não existisse faria, pelo menos, que nos lamentássemos de outro modo.

terça-feira, março 29, 2011

De Florença de finais do séc. XIX a uma morte num dos aviões que embateu numa torre gémea, no 11 de Setembro. De passagem, uma bibliotecária que, dizia, lá por o ser não precisava de se vestir como tal.

sábado, março 26, 2011

Eh bien..., como escreve hoje Vasco Pulido Valente, «A algazarra que por aí se estabeleceu com a demissão de Sócrates, perde de vista o essencial, como luminosamente demonstrou o dr. Teixeira dos Santos. Cada português se acha no direito a que o Estado lhe pague a escola e a universidade (incluindo, para quem precisa, uma bolsa de estudo); a que o Estado o assista na doença e na "terceira idade"; a que o Estado (em certos casos) lhe dê uma habitação condigna; ou a que o Estado lhe garanta o emprego e o salário e, no funcionalismo público, uma carreira regular e rápida. E isto, na cabeça do cidadão esclarecido, é só uma parte daquilo a que o Estado pelo simples facto de existir se obrigou com ele. Basta abrir um jornal ou ligar a TVI ou a SIC para se perceber que o país não põe o mais vago limite ao que julga o seu património social. Esta civilização em que vivemos - e a palavra é justa - foi criada a seguir à II Guerra, durante 30 anos de uma extraordinária e irrepetível prosperidade, pela esquerda socialista e social democrata (às vezes com o apoio da democracia-cristã e até de alguns partidos conservadores). Do berço à cova (não em Portugal, claro), o Estado tratava da nossa querida vida e resolvia os nossos problemas. Não vale a pena discutir os méritos desta horrível visão. Mas vale com certeza a pena compreender que esse mundo não volta e que os vestígios dele irão desaparecendo lentamente na miséria geral. A Europa já não é uma potência, é um lugar turístico. E o dinheiro acabou. Ninguém sabe o que aí vem, para lá da dívida e do défice, excepto que seguramente não será nada como dantes.» ...acabou.

sexta-feira, março 25, 2011

Sobre Passos, nunca me pareceu que fosse além da mediocridade vigente: muito estado, ppp's, amizades com maçonaria, banhos-maria etc. É mais educado do que Sócrates, o que é bom e tem um adjunto, o Relvas, que podia ser ministro do actual governo, o que é mau. De tudo isto fica, apesar de tudo, a vantagem de alguém menos irritante e menos 1.5 a 1.9 pontos na escala lusitana da folie des grandeurs (mas Relvas queria um "aeroporto já" para a grande companhia de bandeira, etc... Mas, o que lá está é um ganster. Se sair, faça-se o balanço: alguém cordato como 1º ministro. Já não é mau. Para as tais reformas, necessárias desde 1871, desde 1915, desde 1945, 1975, 1984, e de 1992 até ao presente não vejo ninguém.

quinta-feira, março 24, 2011

quarta-feira, março 23, 2011


Elizabeth Taylor
27 Fevereiro, 1932 – 23 de Março 2011
Entre as duas datas, uma vida cheia de génio, beleza e amor
Um daqueles dias em que tomamos resoluções.
Saí e vi, num canteiro à porta de uma casa, um arbusto de um branco muito luminoso e alegre.

sábado, março 19, 2011

Tenho a impressão que há por aí uma profusão pouco habitual de cês atrás de tês.

É o efeito do «acordo ortográfico», um papel assinado entre dois países com índices de analfabetismo vergonhosos - e mesmo escandalosos atentas prosápias e ambições em que se esgotam... A verdade é que Portugal está atrás da Venezuela - do Chile e da Argentina nem vale a pena falar... - do Uruguai, de Chipre, e a vinte lugares - pois é - da vizinha Espanha e o Brasil ainda muito atrás de Portugal (atrás da Bolívia, entre muitos outos)! E são estes dados, que esquecemos tanto, que nos fazem perceber com alguma nitidez porque somos o que somos e celebramos «acordos» destes, provincianos e tolos.

Estes «cês» são em legítima defesa, pobre de nós.

terça-feira, março 15, 2011

Estive a fazer a lista dos livros preferidos no perfil do Facebook. Apercebi-me que alguns deles se tornaram meus preferidos por não os ter lido nunca.

segunda-feira, março 14, 2011

Tive uma sensação de insulto, de ultraje, quando ouvi o anúncio congelamento das pensões mais baixas, algumas de duzentos e poucos euros.
Não pode ser, poupem noutro lados. Não podem ser condenados a uma vida ainda mais difícil - e com que antecedência - os mais frágeis e indefesos portugueses.
Esta gentalha é abjecta!

domingo, março 13, 2011

«Sócrates enunciou ainda uma série de medidas tomadas ao longo dos últimos seis anos, desde que é primeiro-ministro, e que classificou como "política de modernidade" e de "defesa dos jovens", tais como “a lei mais justa na interrupção voluntária da gravidez”, “a lei da paridade, para que mais mulheres tenham acesso à vida política”, a iniciativa legislativa no campo do divórcio litigioso ou “a lei que permite em Portugal o casamento entre pessoas do mesmo sexo”.

“É assim que se constrói uma política de modernidade e uma política para o futuro”»

do «Público»

E o problema é que deve pensar sinceramente que sim.
Sempre o achei, além de muito ignorante, limitado intelectualmente.
Que o país o tenha eleito e reeleito, eis o drama.

sábado, março 12, 2011

Madrugada. Bolsas em baixa, situação política medonha, os idos de Março, de que nos devemos acautelar todos.

Visita fora de horas à Amazon.co.uk que tem free delivery para Portugal. Comprei um Warburg, um ensaio do Hazlitt, outro do Empson e mais umas coisas, mas a minha wish lista está cheia com os livros de £ 45 and above e que considero não serem urgentes, sendo certo que nenhum dos que comprei hoje o eram.

Fui verificar umas coisas n'A Cidade e as Serras e, por aí lembrei-me de Galliffet e do Festin de Babette, bom para esta meditar sobre a Graça de Deus, nesta época de Quaresma. O medo de Babette por Galiffet, que a leva a sair de Paris, a exilar-se, a viver a rude vida de renúncia, é absurdo, mas Babette, que aceita o que lhe é dado, é o contrário de um ser desesperado.
Postt relido, em busca de gralhas e vejo como pode induzir em erro e a levar que tomem o a. do blog por um leitor dedicado. A verdade é que a leitura é pouca, desde há muito tempo, e gastos tempos infinitos em pasmatório internético.
Escolho as 11:39 como hora de saída do post.

quinta-feira, março 10, 2011

Cavaco não seria, talvez, um político de 1ª linha num país com uma democracia sólida, mas o discurso de ontem bastou para mostrar quão obsoleto é este governo.

sexta-feira, março 04, 2011

Da crónica que Vasco Pulido Valente dirige, no Público, a Mário Soares

«E de que no dia 12 de Março ela irá tranquilamente à Avenida da Liberdade, não para pedir a ressurreição de um tiranete qualquer, mas para protestar contra a maneira como o PS e o PSD governaram Portugal em plena impunidade durante quase quarenta anos. Com os resultados que se vêem.

Seu incondicional admirador, V.P.V.»

A palavra chave é «impunidade», conseguida e mantida através de leis eleitorais que têm como fito retirar ao povo, quanto possa, o controlo sobre os seus representes.

quinta-feira, março 03, 2011

O país, o mundo, têm outras preocupações, mas nunca será demais lembrar que as torradas, mesmo fininhas, devem ser sempre moles no meio.

segunda-feira, fevereiro 28, 2011

Em ocasião menos dramática do que a actual, Guerra Junqueiro clamava pelo assassinato do monarca.

domingo, fevereiro 27, 2011

Uma nota (pg. 35) no «Primeira Guerra Mundial» de Norman Stone deixou-me boquiaberto. Versa sobre Riezler, que presidiu à comissão criada pela presidência norte-americana para aquilatar da moralidade do uso da bomba atómica - que votou favoravelmente.

Acontece que Riezler tinha um passado que não o recomendava: fora, em 1915, o secretário do Chanceler Alemão Bethmann-Hollweg e nessa função promoveu a chegada de Lenine à Rússia; social -democrata e depois convertido ao marxismo, foi professor da Escola de Frankfurt e já nos USA ainda arranjou tempo para evitar que Karl Popper fosse professor na Universidade de Chicago.


Merece uma barraquinha com o nome na festa do Avante, mas creio que o BE e o PS poderiam também, sem desdouro, render-lhe homenagem.

quinta-feira, fevereiro 24, 2011

Ontem, o destaque foi para o uso de uma arma paralisadora num preso que se recusava a limpar a cela e vivia na maior imundice. No vídeo, feito, ao que parece, pelos próprios guardas para “se salvaguardarem” assiste-se a um esbanjamento ridículo (com um grupo de intervenção!) ede meios com uso de um método doloroso para lidar com uma situação que devia estar identificada - e padronizado o meio de a fazer cessar. É que, como resultaria claro para qualquer mediano telespectador (sic) a situação era do foro psiquiátrico. Em qualquer país do 1° mundo dois enfermeiros e um calmante (não necessariamente por esta rodem) teriam resolvido a questão.
A questão não é a actuação da polícia, mas a não actuação dos serviços médico-psiquiátricos a quem devia ter chegado, há muito, a notícia das perturbações do preso e a actuação destes em conformidade, desde logo com a remoção do preso para um hospital psiquiátrico. Se os há.
A responsabilidade - até criminal - pelo barbarismo está mais acima.
As minhas viagens:

Comecei a noite n' A Cidade e as Serras e acabei no soneto 94 de Shakespeare.
Os passos intermédios do trajecto ficam comigo.

terça-feira, fevereiro 22, 2011

Um amigo perguntou-me pelo último livro de Gonçalo M. Tavares. Não tinha ouvido falar sequer dessa Viagem À Ìndia e resolvi investigar.

Da obra se diz que «O novo livro de Gonçalo M. Tavares editado pela Caminho vai marcar a literatura portuguesa, ocorrendo desde o seu lançamento um AVI (Antes de «Uma Viagem à Índia») e um DVI (Depois de «Uma Viagem à Índia»).[...]»
Não tinha dado fé, mas ao ritmo a que em Portugal aparecem obras-primas que dividem a nossa literatura entre antes e depois delas, quem me poderá assacar desleixo?

domingo, fevereiro 20, 2011

Estes meus Domingos de agora são duplamente deprimentes: por serem Domingos e por já o não serem.
E notazinha dominical e de atenção à realidade: o jaez dos lamentos da geração mais bem preparada prova a) que somos um país atrasado. E b) que esta geração perdeu a noção disso. O que c) é grave porque foi da consciência crítica e na reflexão sobre esse atraso em relação à restante Europa que se edificou o melhorzinho que tivemos nos últimos séculos.

sexta-feira, fevereiro 18, 2011

De um mail a um amigo a dar notícia de duas leituras que - como se tornou hábito - me recomendara na net

Comecei ontem a ler o ensaio [David Hume and the Conservative Tradition], que estou a achar muito interessante (mais do que o* dos tories anarcas, embora também bom e que ainda não acabei de ler).
Acho que já lhe dei há muito o encargo de me apontar leituras o que acabará por fazer de mim fará uma espécie de pupilo seu eheheh.
Fora isso, a minha principal actividade tem sido preguiça.
O inverno está rigoroso, com chuva e frio, bom para ficar em casa.
Leio Kiekegaard.
* e de onde consta: «Tory anarchism isn’t really an idea at all, just a intuition, but it’s meant to hint that tradition and authority are different from state power, and being right-wing doesn’t have to mean — and shouldn’t mean — being pious and meddlesome. It’s liberalism that’s damn near synonymous with the worst kind of piety and meddling.»

quinta-feira, fevereiro 17, 2011

Até agora nunca tinha posto em causa a lisura do processo eleitoral.
Com estas eleições parece que essa tranquilidade deixou de ter razão de ser.
Leia-se aqui.
Mais um degrau que se desce.

terça-feira, fevereiro 08, 2011

Em campanha (internética) contra o (des)acordo ortográfico.
É um compêndio dos nossos defeitos e de alguns dos brasileiros.
Os partidários portugueses do (des)acordo, embora de costas quentes pela penúria cultural governamental, rede de cumplicidades poderosa tecida de vaidades, cátedras, lisonjas e o tudo que é permitido pela entranhada falta de respeito por todos nós, não dispensam, ainda assim, o golpe baixo. Por seu lado, os brasileiros, com a atitude do caseiro enriquecido que compra o solar do antigo senhor, não conseguem disfarçar os primeiros olhares de proprietário, que acrescentam ao antigo ressaibo.
A má fé da transacção é evidente e os filhos do antigo dono começam a perceber que o negócio - ainda sem escritura em forma, mas já minutado, é mau.
É este o estado da coisa.
(Esta metáfora do pai nobre e dos filhos, que aqui são calaceiros bem intencionados, é usada para descrever o estado português e os portugueses há, pelo menos, 150 anos. Não há português que lhe não seja afeiçoado. Acrescentei o Brasil como caseiro enriquecido, o que equivalerá a assacar-lhe toda a maldade do mundo, ou pelo menos, parte dela).

terça-feira, fevereiro 01, 2011

Mais um aniversário do assassinato d'El-Rei D. Carlos I e de Seu Filho, D. Luís Filipe.
Desse crime, preparatório do golpe de estado republicano, não resultou para Portugal qualquer benesse, porque os Mortos não eram tiranetes de opereta, mas o Chefe de Estado constitucional de uma monarquia parlamentar e Seu Filho.
Passados 103 anos, 100 deles de república, estamos perto da insolvência.