terça-feira, fevereiro 01, 2011

Mais um aniversário do assassinato d'El-Rei D. Carlos I e de Seu Filho, D. Luís Filipe.
Desse crime, preparatório do golpe de estado republicano, não resultou para Portugal qualquer benesse, porque os Mortos não eram tiranetes de opereta, mas o Chefe de Estado constitucional de uma monarquia parlamentar e Seu Filho.
Passados 103 anos, 100 deles de república, estamos perto da insolvência.

quinta-feira, janeiro 27, 2011

Ainda sobre a questão da adopção da ortografia brasileira (vulgo «acordo ortográfico») tentei encontrar o mail do meu deputado - é verdade, aqui em Portugal usamos pouco a expressão, já que os deputados são, salvo no que diz respeito a ordenados, pouco nossos e muito dos chefes dos partidos. Mas a verdade é que cada um de nós tem um deputado (ou mais de um deputado), que nos representa no Parlamento. Residindo a soberania no povo, é exactamente por serem nossos representantes que os deputados podem exercer funções soberanas, como, por exemplo, legislar.
Ora bem, ao contrário dos deputados britânicos que, todos eles, têm uma página na internet onde se pode encontrar telefones, fax e, claro, as moradas electrónicas, em Portugal serão 20 os deputados que têm página, tendo os outros um ficheiro onde não consta qualquer informação de contacto.
Isto tudo, que prova a pouquidão da nossa democracia, tem alguma graça quando o deputado a contactar, o tal meu deputado, embora se ocupe amiúde a palestar sobre a democracia, nada tem que permita aos seus representados contactarem-no.
Enviei ontem o mail. Vou esperar. Entretanto, pensei em fazer uns testes que, por enquanto mantenho secretos...
Mas de tudo darei aqui conhecimento.

terça-feira, janeiro 25, 2011


Ignorar ostensivamente o sentimento do povo português prova que o falhanço de Portugal não é apenas de modelo económico, mas da própria democracia.
Para além de fantasiosos e provincianos sonhos de grandeza alheia, que impele os políticos portugueses a portarem-se tão vergonhosamente e tão à revelia da vontade popular?
Será que perderam definitivamente a última réstea de decência?
Vidal responde ao questionário de Proust da The AnOther:

Where do you feel the most at home?
In sleep.

Where are you right now?
Close to sleep.

What’s the best advice you’ve been given?
I was not listening.

segunda-feira, janeiro 24, 2011

Este artigo tem um defeito: dá por adquirida a mutilação do nosso português.
Creio que, apesar do nosso pendor para a asneira - que nos trouxe a este lugar triste onde estamos - será possível evitar essa desgraça.
Língua moribunda
Vejo um programa da RTP transmitido em “direto” e sinto um arrepio por altura das vértebras cervicais. Não graças ao programa, de que nem me lembro, mas graças ao “direto”: pois é, o Acordo Ortográfico já contaminou a televisão do Estado. Em breve, ameaça contaminar tudo. E o resultado é ainda pior do que se podia imaginar.
Segundo as sumidades que o conceberam, o Acordo Ortográfico serve, cito, para “aumentar o prestígio da língua portuguesa”. Não sei bem em que consiste o “prestígio” de uma língua. Talvez estes defensores do português não o dominem devidamente e pretendam referir-se à sua importância, influência e disseminação. Se é isso, é fácil. Basta que um, ou preferencialmente mais do que um, dos países “lusófonos” possua uma literatura canónica, universidades invejáveis, centros científicos de primeira linha, tecnologia indispensável e universal, capacidade industrial, pujança comercial, peso político e, se não for maçada, uma cultura popular omnipresente através da música, do cinema e do que calha. Basta, enfim, que um dos países “lusófonos” seja a América. Ou, se formos modestos, a França ou a Espanha.
Na impossibilidade de se alcançar tais ninharias, é garantido que o “prestígio” da língua de Camões e de Jorge Jesus não se obtém mediante brincadeiras imberbes em volta dos “c”, “p” e hífenes. O que se obtém é uma mistela concebida em laboratório, tão desagradável para quem a escreve como para quem a lê. Desagradável e ineficaz.
Daqui em diante, será complicado presumir que um funcionário até agora diligente obedeça ao “diretor”. Ou acreditar nas dioptrias recomendadas pela “ótica”. Ou esperar que as senhoras “deem” o devido valor a uma “joia”. Isto em teoria, claro.
Na prática, os hábitos da contemporaneidade e a tortura infligida durante décadas ao sistema educativo levam a que uma impressionante quantidade de portugueses (e, suponho, de brasileiros, angolanos, etc.) desconheça suficientemente o português pré- -Acordo para conseguir adoptar o português do Acordo. O que se constata por aí, na rua, na imprensa, nos livros, na internet, nas televisões, nas SMS e no Parlamento, em “direto” ou diferido, não é uma língua candidata ao prestígio internacional, mas uma coisa a caminhar para a extinção nacional. Quase um dialecto, que dispensava a acrescida humilhação do “dialeto”.
Alberto Gonçalves, in DN 18 de Janeiro

domingo, janeiro 23, 2011

As eleições presidenciais (opinião oficial do Impensável): óptimas derrotas, vitória menos boa.
Não, não estou acordado, programei o «post» para esta hora.
Eu estou na cama a abster-me.

sábado, janeiro 22, 2011

quinta-feira, janeiro 20, 2011

Votei em todas a eleições desde o dia 25 de Abril de 1975. Em todas : presidenciais, legislativas, locais, referendos.

A disciplicência criminosa com que esta gente, presidentes da república incluídos, tratou matérias como o "acordo" ortográfico, as leis da família e o modo arrogante e anti-democrático como, em geral, se ocupam dos assuntos públicos, com total menosprezo pelos eleitores - fonte única da sua legitimidade - não permite outra atitude.

Já que o não respeitam, RESPEITE-SE a si próprio e fique em casa.
Os dias de Janeiro, frios e solarengos e as noites de um luar muito bonito.

Ontem li Scruton ao fim da tarde e adormeci a ler The memory chalet do Judt.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

Estamos a viver uma tragicomédia rasteira
(e esperemos que o final seja mesmo de comédia, como estipula a forma canónica do género)

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Entretanto, Cavaco Silva fala da política da Família - isto depois de complacentemente - com ténues protestos na alteração da lei do divórcio - ter assistido ao desfazer do direito de família...
I'm the first european first- minister to use a electric car
(citado de memória)
Como é que alguém tão medíocre foi (seja ainda) primeiro ministro? E como é que uma nação inteira continua a sofrer os desvastadores resultados da obstinação tão típica dos estúpidos?

sexta-feira, janeiro 14, 2011

«Ora a abstenção não é ilegítima. É um acto de recusa total do regime que um cidadão está no direito de não legitimar pelo seu voto (mesmo com um voto em branco). E confessemos que um regime que propõe, como alternativa para a Presidência da República, Alegre ou Cavaco merece amplamente uma recusa total. Chegou a altura de não pactuar em nada com a miséria estabelecida da política portuguesa.»
Vasco Pulido Valente
in Público, 14 Janeiro

terça-feira, janeiro 11, 2011

A ceia, ontem, sobre a égide inesperada de Proust.
Os espargos meramente salteados em manteiga da Normandia (1º momento proustiano: no pastiche* dos Goncourt incluído no En recherche sobre os jantares chez Verdurin, os irmãos referem a manteiga da Normandia, de que não esquecem o preço) levaram-me depois à botte d'asperges de Monet e à graça da Duquesa de Guermantes (e estes foram o 2º e 3º e último momentos proustianos).

segunda-feira, janeiro 10, 2011

A morte do cronista trouxe a público a existência de uma pequena multidão de bem sucedidos portugueses em Times Square, Nova Iorque, na passagem de ano.
Na rua, a ver a passagem de ano, tal um grupo de adolescentes, ou um casal dos subúrbios, eis o destino dos labores na terrinha.

sábado, janeiro 08, 2011

Às 5 da madrugada, vendaval e chuva. Às 7, uma trovoada com relâmpagos a caírem a poucas dezenas de metros.
Quando acordei, já a manhã ia alta, o silêncio era bonançoso, ao contrário do de ontem, tristonho.
A vinda do FMI

Será que Angel Merkel vai ter de levantar a voz? Ou será que prefere segredar ao ouvido alguns factos da vida?

quinta-feira, janeiro 06, 2011

O Comendador Belchior nasceu há 178 anos. Só me lembrei agora, depois de ter passado grande parte da noite a ler coisas ímpias.
Bom Dia de Reis - que todos em Portugal, menos a Igreja - mantiveram a 6 de Janeiro.

quarta-feira, janeiro 05, 2011

Creio que vou quebrar o pacto que há muito fiz comigo próprio: o de que votaria sempre, de que nunca me absteria. E tenho cumprido. Até esta eleição. Em branco seria sempre. Mas iria lá, pôr o voto. Não vale a pena, porém. E não me digam que assim é que «eles fazem o que querem», porque eles já fazem o que querem sem o mínimo pudor.
E sobre Cavaco e os investimentos bancários num banco de que sempre ouvi rumores: quem quer ser presidente da república num país em que o estado é intervencionista não faz negócios daqueles. Não que haja nele qualquer ilegalidade. Não há. Mas a legalidade é um minus que, no caso do cargo presidencial está abaixo do exigível.
Político que quer investir em acções compre-as e venda-as na bolsa.

Entretanto, Alegre viu o seu investimento na lama dar-lhe os respectivos dividendos e pior do que ter violado o estatuto de deputado é aquela prosa de suplemento para novos-ricos assentar-lhe tão bem.

terça-feira, dezembro 28, 2010

Envelhecimentos: para além da caducidade: as velhas desilusões vão-se tornando velhas companhias.
O frio e a falta de gente também não ajudam. Tempo ermo.

domingo, dezembro 26, 2010

Cartas de crianças no Natal dos correios. Numa delas, um rapaz de 8 anos, explicava que já sabia que não ia ter muitos presentes este ano, porque a mãe estava desempregada e o pai, quase sempre no hospital, não recebia. Que, por isso, já lhe haviam dito que não havia dinheiro para prendas. Colou na carta algumas imagens de coisas que gostava de ter e agradecia ao Pai Natal que, se pudesse, lhe desse uma delas: «se puderes dar alguma coisa, agradecia».

Esta contenção e clareza, este bom senso tão próprio dos infelizes - e numa linguagem escorreita, longe do jargão eleito pela burocracia sentimental - é um escândalo de resignação.
Quem apadrinhou, levou a peito contrariar, instilar a dúvida, a suspeição, e não escolheu entre os brinquedos: todas as hipóteses de presente referidas na carta seguiram o seu caminho.
Nada como o nascimento de Cristo para convocar à insensatez.

quarta-feira, dezembro 22, 2010

Schubert - Winterreise, D 911 "Erstarrung" - D F Dieskau



Ich such' im Schnee vergebens
Nach ihrer Tritte Spur,
Wo sie an meinem Arme
Durchstrich die grüne Flur.

Ich will den Boden küssen,
Durchdringen Eis und Schnee
Mit meinen heißen Tränen,
Bis ich die Erde seh'.

Wo find' ich eine Blüte,
Wo find' ich grünes Gras?
Die Blumen sind erstorben,
Der Rasen sieht so blaß.

Soll denn kein Angedenken
Ich nehmen mit von hier?
Wenn meine Schmerzen schweigen,
Wer sagt mir dann von ihr?

Mein Herz ist wie erstorben,
Kalt starrt ihr Bild darin;
Schmilzt je das Herz mir wieder,
Fließt auch ihr Bild dahin!

Wilhelm Müller

segunda-feira, dezembro 13, 2010

quarta-feira, dezembro 08, 2010

Nossa Senhora da Conceição

Os tribunais portugueses suspendem as penas das mães que assassinam os filhos (os violadores também têm ficado com pena suspensa).
Não é surpreendente e condiz com aquilo a que chegámos.

domingo, dezembro 05, 2010

O Caso Wikileaks é lamentável e tem efeitos nefastos na actividade diplomática dos estados.

Mas é preciso que Casos Wikileaks, com o seu rol de efeitos lamentáveis aconteçam de tempos a tempos. É um olhar sobre a manufactura do mundo.

sábado, dezembro 04, 2010

Lembro-me de 4 de Dezembro de 1980. Tinha vindo de Lisboa, onde estudava, para passar o fim-de-semana em casa.
Lembro-me da brutalidade na notícia, da consternação e do desgosto pela morte de Sá Carneiro e Amaro da Costa.
Depois de jantar passei pelo sítio de encontro costumeiro da cidade de província. A geração mais velha que o frequentara quando eu era pequeno já não aparecia, mas havia muita gente da geração dos nossos pais. Gente interessante, culta, civilizada, com o gosto de pensar.
Hoje, todos desapareceram sem deixar quem os substituísse. A cidadezinha está semi-desértica, tristonha, soturna, sem vida.
Não posso deixar de pensar que, se Sá Carneiro não tivesse morrido, talvez esta terra - e este país - não fosse o lugar inóspito que é hoje. É que não foi uma maldição que se abateu sobre o interior de Portugal. Esta tristeza é o resultado de escolhas políticas, desde a lei do arrendamento às opções sobre a agricultura.
Quero crer que com Sá Carneiro teria sido diferente: era bem nascido - o que, entre nós evita os defeitos do ressentimento, era culto, não era de Lisboa, tivera uma actividade profissional fora do estado, conhecia o país, em terras e gentes.
Para ele, um Portugal fora do Estado, e um país fora de Lisboa fazia todo o sentido.

quarta-feira, dezembro 01, 2010

O «acordo ortográfico»
Carta a Jaime Gama

Propõe-se este texto, que pode ser copiado e colado aqui
http://www.parlamento.pt/sites/PAR/PA...
Texto:
Exmo. Sr. Dr. Jaime Gama,
Presidente da Assembleia da República


Na edição de 30 de Novembro, o jornal «Sol» noticiava que V. Exia. desejava que o Parlamento começasse a aplicar a partir de 2012 aquilo a que se convencionou chamar «acordo ortográfico».
Estranha-se tal pressa! Quando V. Exia. já exercia o cargo que exerce hoje quando a esse Parlamento foi apresentada uma Petição assinada por mais de 100 000 portugueses demonstrando o seu total desacordo com o que, ao arrepio dos portugueses, se preparava.
Estranha-se ainda tal pressa quando a Comissão Parlamentar de Ética,Sociedade e Cultura recomendou que o plenário devia apreciar a Petição e considerou que o «Acordo Ortográfico enferma de vícios susceptíveis de gerarem a sua patente inconstitucionalidade», para além de considerar que «as preocupações e os alertas dos peticionários devem ser tidos em conta, do ponto de vista técnico e político, a curto e a médio prazo».
Esta recomendação, apesar da sua gravidade, parece não ter ocasionado da parte de V. Exia. qualquer actividade que levasse a uma efectiva discussão nesse Parlamento de tão grave assunto, mais estranha tornando a pressa evidenciada agora por V. Exia. em começar a usar uma
ortografia que centenas de milhares de portugueses clara e expressamente repudiam.
Assim sendo, e num período de tão grave crise nacional, a apressada diligência de V. Exia. corre o risco de se tornar num daqueles actos que fazem com que a democracia portuguesa esteja cada vez mais enfraquecida e que seja cada vez mais fundo o fosso que separa os cidadãos dos
seus representantes.
Venho por isso, como Português, exigir que o «acordo ortográfico» seja discutido com serenidade e sem pressas pelo plenário dessa Assembleia, com a publicidade que o assunto merece.
Com os melhores cumprimentos,
Ate.
a)
Entre mais um aniversário da morte de Fernando Pessoa - que considerou criminoso as alterações da ortografia da Língua Portuguesa - e mais um golpe por via administrativa - através interposta «assembleia da república» e o presidente gama dela.

quinta-feira, novembro 25, 2010

terça-feira, novembro 23, 2010

Um interveniente num desses programas que às vezes vejo, falava no outro dia, na esteira de um artigo do Público, no que se podia chamar um novo fôlego de Sócrates, que a cimeira NATO lhe trouxera. E depois de não sei quantas inanidades, prosseguia até a uma data de eleições auspiciosa para o actual primeiro-ministro que as suas manhas lhe porporcionariam.
Há gente a passar fome por causa de erros deste governo, o país está à beira da bancarrota e precisa de discutir o seu futuro. Mas tudo isso nada é comparado com as armadilhas em que o querido primeiro-ministro fará cair a oposição e que é preciso apreciar devidamente - mesmo que até como futilidade seja muito pouco interessante.
Sim, isto é miséria.

domingo, novembro 21, 2010

Há pouco ia deixando a meio um post sobre viagens no Abrupto - os coleccionadores são repetitivos - que tinha começado a ler por achar absolutamente desinteressante o A Torto e a Direito, que tem gente que costumo ouvir e ler com algum gosto, mas que, na paixão cega da concórdia, ilustrava até à pura insuportabilidade alguns dos nossos defeitos nacionais.
Mas acima disso, todos eles me lembravam que, no limite, apenas eram possíveis, tais como são, por termos cavado com tanto afinco a nossa sepultura. Preferia-os a todos com menos viagens e dinheiro. Não é a apologia da força criadora da necessidade, mas a mera saudade da aurea mediania.

sexta-feira, novembro 19, 2010

Por aqui tomei conhecimento de um texto asqueroso sobre Suu Kyi, uma política que muito admiro. Veio dos lados do Partido Comunista..
E fiquei contente que um ataque tão rasteiro, parolo e nojento viesse daqueles lados.
Seria de esperar outra coisa? Confirma-me a análise e reconforta-me nas escolhas que fiz.

quinta-feira, novembro 18, 2010

Este país é tão cansativo.
A ignorância - e a falta de modos e o pelintrismo - exercem sobre a realidade um efeito teratogénico.
Portugal coberto de quistos, que desejo de pele limpa.

segunda-feira, novembro 15, 2010

Sobre ditas de Amados, Santos, empréstimos e demais vexames que parecem constituir o todo da vida nacional: quando se perde a vergonha...
Vai em itálico, por ser explicação ouvida a terceiros.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Morreu o «Senhor do Adeus», José Manuel Serra.
Acenava-nos doutros tempos, de maior amabilidade e, com afecto e simpatia, fazia-nos compreender como vivemos longe do essencial.
Deus o terá.
Em poucas horas - são onze e meia agora - mais de 8 000 pessoas já passarem pela página de homenagem no Facebook. Um deles escreveu que alguma coisa está mal para uma reacção tão excepcional. Está. Não a comoção de tanta gente perante a morte de alguém que era simpático de uma forma tão tocante e divertida, mas a difusa sensação de quão raro se tornaram as ocasiões que nos unem num mesmo sentimento.

sábado, novembro 06, 2010

Ouvi há pouco - que linda manhã de Verão de S. Martinho! - Passos Coelho clamar pela responsabilização criminal dos autores dos desaires do déficit. É triste que a nossa situação política se tenha tornado numa questão de polícia, mas a sugestão é pertinente.
Ou tudo não passará de uma exaltação à sobremesa?

quinta-feira, novembro 04, 2010

Li algures - um blog fracturante? - que a religiosidade é proporcional à desigualdade: quanto mais crentes, mais desiguais.
Perfeitamente de acordo, quando a divindade é o estado.
E entre nós reina a mais desbragada superstição.
Tal como o autor deste post, os mercados não entendem a aprovação do orçamento como a panaceia dos males lusitanos.
Em Portugal, preponderou um bom senso - porventura bem intencionado - que não é senão a vitória da mediocridade. E isto nem seria, por si só, mau se não tivéssemos abusado tanto da falta de imaginação.

quarta-feira, novembro 03, 2010

Entretanto, o A. deste blog deu-se conta que não havia ainda agradecido ao Prof. Eduardo Catroga e ao Dr. Passos Coelho a manutenção das deduções fiscais e a manutenção de alguns produtos a 6%, o que lhe evitará desembolsar alguns desnecessários euros.


terça-feira, novembro 02, 2010

Jorge de Sena fazia anos.
A Antena 2 faz-nos presente de uma entrevista inédita, de 1972
A ouvir, esta entrevista inédita.

segunda-feira, novembro 01, 2010

Descobertas da idade

Os outros são menos ridículos do que, ao longo de anos, supusemos.

quarta-feira, outubro 27, 2010

O discurso do presidente da república de ontem foi um exemplo de mediocridade e de vaidade, ridículo e embaraçoso para quem tenha mediana sensatez.
Agradeço-me nunca ter votado em tal tolo.

segunda-feira, outubro 25, 2010

Coisas de que gosto: excêntricos

Retirado quase tudo da Wikipedia em inglês, apresento o 12º Duque de Bedford, "[...] his other pets included a spider whom according to Nancy Mitford's The English Aristocracy, he would regularly feed roast beef and Yorkshire pudding."
Dele escreveu o seu filho, o 13º Duque: «A man who confined himself to the phrases "Indeed", or "So I have been led to believe"»,«the loneliest man I ever knew, incapable of giving or receiving love, utterly self-centred and opinionated. He loved birds, animals, peace, monetary reform, the park and religion».
Itinerário nocturno
Não é exactamente uma insónia, pelo bom motivo de que já poderia ter voltado a adormecer e resolvi aproveitar para ler a última crónica de Miguel Esteves Cardoso, que me escapara à tarde. Não ler Esteves Cardoso é um sinal de péssimo gosto e, em quem, como eu, o admira, um sintoma de desleixo e de perturbação moral que me atormenta.
Ia, por isso, lê-lo, mas impera, no meu iphone, uma desarrumação tal que fui parar a uma troca desgradável de posts sobre graffiti, abuso policial e geral prosápia que remetia para o mais enfadonho que pode existir entre nós, portugueses.
Bocejava desaprovadoramente quando, scrollando, surgiu o nome já quase esquecido da pastoral portuguesa (que, por fracções de segundo associei a uma contrafacção de queijo brie). E sim, havia posts recentes, já de Outubro. O suficiente para me reconciliar com a inteligência lusa.
Agradeço ao A. deles o happy end da minha insónia e dedico-lhe o "coisas de que gosto". O porquê da dedicatória é muito claramente dedutível: isto - lembrou-me que eram os Duques de Bedford os possuidores de algumas telas de Canney-Letty, que pinta no mundo em que Fritz Languid filma.

sexta-feira, outubro 22, 2010

Há bocado, já depois do almoço, estava um ar matinal: pensei-me, sem dificuladades às oito da manhã.
Depois o sol encobriu, e voltou a tarde, inconsistente, cinza claro e algum branco. Para condizer, lembranças de niquelados, vidros foscos e uma receita de molho de salada*
* clara e gema e ovo, sumo de limão, azeite, 1/2 de colher de chá de açucar.

quarta-feira, outubro 20, 2010

O governo e parte dos analistas ou gente da imprensa (ainda há pouco, Constança Cunha e Sá) agem como se a preocupação final de Portugal fosse processual: importa saber se o bando do governo encurrala Passos Coelho, etc.

Quem está encurralado, podre, pobre, exangue, é o país, mas isso parece ser uma coisa de somenos.
Creio que se sobrestima o poder do bando e do chefe do bando que se apossou do governo português.
Se o dinheiro secar - como parece que, finalmente, vai secar - e se o fizerem, se desaparecerem, árvore que cai no meio de uma floresta de enganos - farão, realmente, algum som?

terça-feira, outubro 19, 2010

Seguindo o conselho de um mail que recebi hoje (e me prometia a vida eterna e, salvo erro, €5 imediatos se o reencaminhasse) resolvi fazer uma coisa que gosto e vou passear porque o dia está magnífico.

domingo, outubro 17, 2010

«A degradação a que a nossa classe média chegou não se cura com menos de uma catástrofe. O primeiro-ministro, José Sócrates, não é um acaso, é um símbolo: o símbolo da vacuidade, da ambição e do oportunismo que o regime permitiu e protegeu.»

Vasco Pulido Valente, Público

sábado, outubro 16, 2010

E passa hoje mais um aniversário do assassinato da Rainha Maria Antonietta de França pelos revolucionários jacobinos.

Os processos fantoches sempre existiram. Com a revolução francesa foram usados em massa contribuindo para o estabelecimento e normalização de normas de cinismo e hipocrisia estatais.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Não duvido de que no momento em que o louco sair, país, adversários e partidários, todos exangues, suspirarão de alívio.
E ficaremos todos, com mais sossego - porque o delírio cansa - à espera. De quê? Da normalidade, da monotonia. Que venham tempos difíceis mas com gente minimamente normal, ou se isso não é possível em Portugal, com os insanes do costume, cordatos e pacatos.

quinta-feira, outubro 14, 2010

a) Sem orçamento, dia 29 Sócrates sai, diz um ministro socialista. É pouco, como garantia, mas tomemos a coisa ao pé da letra.
b) Por outro lado, a proposta orçamental prevê um crescimento de 0,2 a 0,5%, que, contrarirando todas as previsões, se verificaria por causa da bondade das medidas governamentais - genericamente, pelo lado da receita.
Acrescento uma alínea:
c) Os mercados comportam-se racionalmente - coisa em que de um modo confuso o governo parece acreditar.
E uma conclusão:
d) Para sossegar os mercados, a saída deste primeiro-ministro é boa.

Depois, tudo será muito difícil? Sim. Mas temos menos uma dificuldade.
Isto é o que Sócrates quer?
Quero lá saber o que ele quer, desde que saia.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Mais do que pressões indesejáveis, com a continuação desta romaria de penitentes, a nação suspensa da decisão de Passos, a fazer dele, de algum modo, se não ainda a redenção, pelo menos o novo mandarim, esta análise pode revelar-se correcta apesar de uma ligeira modificação: se proferida no limite do temporalmente possível, a palavra de Passos pode ser, em si, indiferente. A legitimação já começou e basta que o país perceba que esse último sim ou não é a primeira de uma outra época .
O resgate dos mineiros chilenos: ávido por uma genuína boa notícia - e para quem vive nesta triste terra, ver toda aquela gente, cheia de dignidade, coragem e alegria a celebrar merecidamente uma genuína vitória trata-se de uma visão tão pouco habitual que lavei nela a alma.

segunda-feira, outubro 11, 2010



Há 47 anos morreram os dois, no mesmo dia. A divina providência, em França, de tão instada pelo charme por vezes cede: quando soube da morte da cantora - "Ah, la Piaf est morte" - achou que a devia acompanhar: "Je peux mourir aussi." - e assim foi.


Se for preciso ajuda para pagar as passagens, contribuo. Não seja por falta de dinheiro que continuemos neste triste rumo.
Eles que mandem 2 ou 3 reformados, que acho que são bem suficientes para substituirem o governo inteiro.
Se pudesse haver um gerente de hotel suiço, também reformado, isso é que eu ficava muito grato. Podendo ser, já se vê. Não me refiro a um grande hotel. Um gerente de um hotel modesto já punha isto com outra cara. Já tenho pedido!
(Eu não nenhum prazer em ser um protectorado, como nos tempos de Beresford. Mas já que de facto somos, então que não estorvemos com o nosso gosto pelo fracasso as benesses que podemos tirar da situação.)

domingo, outubro 10, 2010

Neste 10.10.10 se declara ser o a. deste blog a favor do chumbo do Orçamento.
Apesar de todos os perigos referidos por gente que respeita. Aliás, por causa desses perigos, em particular, o que se relaciona com a auto-vitimização do 1º ministro. Todos eles, parecem, contudo, não levar em conta que o dinheiro acabou.
Um motivo que encerra em si vários outros para que não sejamos divindades complacentes com a hybris do Pinto de Sousa*.
*A hybris é do Sousa. Não esquecer. Do Sousa. É ele que deve ir peripeteiar.

quinta-feira, outubro 07, 2010



Música barroca e dança barroca, métodos eficazes para a ordenação da monotonia até ao esvaecimento da alma (ou sua evolação).

Mário Vargas Llosa, um grande escritor, credibiliza o Nobel que, não se sabe porquê, há muito se privava de ter entre os seus alguém com a estatura literária de Llosa.

quarta-feira, outubro 06, 2010

No dia em que chegam a Portugal os Reis de Espanha,

Dinásticas linhas de fuga

Sofia, princesa da Grécia e Dinamarca, Rainha de Espanha, filha de

Friederike, Princesa de Hannover, Rainha da Grécia filha de

Viktoria Luise, Princesa da Prússia, filha de

Adelaide, Princesa zu Hohenlohe-Langeburg, filha de

Ernst Christian, Conde zu Hohenlohe-Langenburg, filha de

Amália, Princesa de Solms-Baruth, filha de

Frederico, Conde de Reuss-Köstritz, filho de

Enriqueta Juana Francisca Susana Casado y Huguetan, marquesa de Monteleone, filha de

António Casado y Velano, 3. marquês de Monteleone, filho de

Isidro de Casado de Acebedo, 1. marquês de Monteleone, filho de

María Teresa Martinez del Mazo y Velasquez, filho de

Francisca de Silva Velasquez y Pacheco, filha de

Diego Rodrigues da Silva y Velázquez

segunda-feira, outubro 04, 2010

Indignações tristes estas, mas nunca pensei ver Portugal passar tão sem esperança tão negros dias.
Há uns tempos que não via os Conselhos do Prof. Marcelo e tinha decidido que viria para aqui rir-me e chorar-me de uma análise política, tão momento de donas de casa e pequenitos. Falta um apontamento culinário, breve que fosse, e umas receitas práticas de pastelões para aproveitamento de restos...
Escrevi viria e vim, mas a grande notícia foi a não eleição da candidata Flinstone Dilma, uma antiga terrorista muito admirada e elogiada por Hugo Chávez.
A democracia brasileira está de parabéns.

Pelo que se ficou a saber, certo é apenas que os portugueses pagarão, em 2011 e nos anos seguintes, os erros, a imprevidência e a demagogia acumulada em cinco anos de mau Governo. É por isso que, nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expectativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.
De uma entrevista de Henrique Neto ao Público
Realces impensáveis

sábado, outubro 02, 2010

E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o 5 de Outubro trouxe a Portugal?
Vasco Pulido Valente
Há pouco, na Rádio Renascença, contava-se o golpe republicano num tom reverente e apologético, a roçar o pio.
A república de 1910 foi ferozmente anti-religiosa, atacou a Igreja Católica - que queria erradicar, como ensina aqui VPV - e cometeu crimes contra sacerdotes e crentes.

De nada disso se falava, naquela recitação da boa nova maçónica e jacobina.
Assim, com esta gente, de facto é difícil. Talvez mereçam mesmo a Bancarrota Sócrates, o irmão Almeida Santos, a sua pregação sobre a necessidade de sofrimento e as demais alegrias desta república.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Os juros da dívida subiram e estão, neste começo de manhã, em 6,66%. É o número da besta, depois do anúncio das «medidas para combater a crise»
Lá fora, é o inferno.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Não me deixar apanhar pela querela quotidiana.
Um povo que exibe os tiques de um adolescente mimado filho de pais condescendentes - e pobres - dificilmente admitirá a necessidade da frugalidade.
Os episódios a que assistimos, com mais grito menos grito, são os esperáveis.

quinta-feira, setembro 23, 2010



Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Verlaine

quarta-feira, setembro 22, 2010

Este blog completou hoje a primeira idade: comecei-o há 7 anos.
- É muito tempo. Quando releio alguns dos primeiros posts sinto (embora os pudesse ter escrito hoje) que do a. deles já parte é sepulta em mim .
Agora, mais velho e dotado de raciocínio tudo vai ser mais desagradável.
Que a razão me seja leve!

sábado, setembro 18, 2010

«[...]a degradação progressiva e significativa da conjuntura económica e financeira do país».

Não, não são coisas da velha, como a canalha que se apossou do país designava a Dra. Manuela Ferreira Leite. Nem do tonto tremendista Dr. Medina Carreira.

É mesmo um despacho desta tropa fandanga, acossada pela realidade.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Com aquele ar de quem não tem muita paciência para aturar habilidades estultas de gente desonesta, a Dra. Manuela Ferreira Leite já havia dito que não havia dinheiro para o TGV nem para as «grandes obras».
Ontem, num noticiário, vi Constança Cunha e Sá - que é sempre agradável ver - explicar como a direita se encarrega de se auto-aniquilar ( o jovem Passos Coelho, que não soube estar sossegado e agora Ribeiro e Castro que pode ensombrar a vitória desse repositório de firmeza conservadora que CCS parece ver em Cavaco). E enquanto a direita se maltrata, a esquerda - que não comete estes erros infantis que divertem Constança, a esquerda adulta, madura, enterra sisudamente o país.

quarta-feira, setembro 15, 2010

segunda-feira, setembro 13, 2010

Ontem, num documentário do Odisseia alguém se indignava por alguns deputados mudarem o seu sentido de voto por pressão dos eleitores - no caso, em matérias relacionadas com o aborto.
A condenação da democracia representativa faz-se hoje abertamente: os eleitores apenas servem para dar uma aparência de legitimidade a quem ocupa o poder.

sábado, setembro 11, 2010

segunda-feira, setembro 06, 2010

sexta-feira, setembro 03, 2010

Em 3 de Setembro de 1792 foi assassinada com extrema e precursora crueldade, a Princesa de Lamballe, uma mulher corajosa que a revolução francesa não podia poupar.
A Princesa recusou-se perante o tribunal revolucionário a renegar o Rei e a Rainha.
Tinha voltado a França, vinda de Inglaterra, onde estivera a pedir auxílio para os monarcas, para continuar ao serviço da Família Real, quando já era evidente o carácter violento do novo poder republicano.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Oh, its a long, long time
from May to December,
but the days grow short
when you reach September.

September Song