quarta-feira, outubro 20, 2010

O governo e parte dos analistas ou gente da imprensa (ainda há pouco, Constança Cunha e Sá) agem como se a preocupação final de Portugal fosse processual: importa saber se o bando do governo encurrala Passos Coelho, etc.

Quem está encurralado, podre, pobre, exangue, é o país, mas isso parece ser uma coisa de somenos.
Creio que se sobrestima o poder do bando e do chefe do bando que se apossou do governo português.
Se o dinheiro secar - como parece que, finalmente, vai secar - e se o fizerem, se desaparecerem, árvore que cai no meio de uma floresta de enganos - farão, realmente, algum som?

terça-feira, outubro 19, 2010

Seguindo o conselho de um mail que recebi hoje (e me prometia a vida eterna e, salvo erro, €5 imediatos se o reencaminhasse) resolvi fazer uma coisa que gosto e vou passear porque o dia está magnífico.

domingo, outubro 17, 2010

«A degradação a que a nossa classe média chegou não se cura com menos de uma catástrofe. O primeiro-ministro, José Sócrates, não é um acaso, é um símbolo: o símbolo da vacuidade, da ambição e do oportunismo que o regime permitiu e protegeu.»

Vasco Pulido Valente, Público

sábado, outubro 16, 2010

E passa hoje mais um aniversário do assassinato da Rainha Maria Antonietta de França pelos revolucionários jacobinos.

Os processos fantoches sempre existiram. Com a revolução francesa foram usados em massa contribuindo para o estabelecimento e normalização de normas de cinismo e hipocrisia estatais.

sexta-feira, outubro 15, 2010

Não duvido de que no momento em que o louco sair, país, adversários e partidários, todos exangues, suspirarão de alívio.
E ficaremos todos, com mais sossego - porque o delírio cansa - à espera. De quê? Da normalidade, da monotonia. Que venham tempos difíceis mas com gente minimamente normal, ou se isso não é possível em Portugal, com os insanes do costume, cordatos e pacatos.

quinta-feira, outubro 14, 2010

a) Sem orçamento, dia 29 Sócrates sai, diz um ministro socialista. É pouco, como garantia, mas tomemos a coisa ao pé da letra.
b) Por outro lado, a proposta orçamental prevê um crescimento de 0,2 a 0,5%, que, contrarirando todas as previsões, se verificaria por causa da bondade das medidas governamentais - genericamente, pelo lado da receita.
Acrescento uma alínea:
c) Os mercados comportam-se racionalmente - coisa em que de um modo confuso o governo parece acreditar.
E uma conclusão:
d) Para sossegar os mercados, a saída deste primeiro-ministro é boa.

Depois, tudo será muito difícil? Sim. Mas temos menos uma dificuldade.
Isto é o que Sócrates quer?
Quero lá saber o que ele quer, desde que saia.

quarta-feira, outubro 13, 2010

Mais do que pressões indesejáveis, com a continuação desta romaria de penitentes, a nação suspensa da decisão de Passos, a fazer dele, de algum modo, se não ainda a redenção, pelo menos o novo mandarim, esta análise pode revelar-se correcta apesar de uma ligeira modificação: se proferida no limite do temporalmente possível, a palavra de Passos pode ser, em si, indiferente. A legitimação já começou e basta que o país perceba que esse último sim ou não é a primeira de uma outra época .
O resgate dos mineiros chilenos: ávido por uma genuína boa notícia - e para quem vive nesta triste terra, ver toda aquela gente, cheia de dignidade, coragem e alegria a celebrar merecidamente uma genuína vitória trata-se de uma visão tão pouco habitual que lavei nela a alma.

segunda-feira, outubro 11, 2010



Há 47 anos morreram os dois, no mesmo dia. A divina providência, em França, de tão instada pelo charme por vezes cede: quando soube da morte da cantora - "Ah, la Piaf est morte" - achou que a devia acompanhar: "Je peux mourir aussi." - e assim foi.


Se for preciso ajuda para pagar as passagens, contribuo. Não seja por falta de dinheiro que continuemos neste triste rumo.
Eles que mandem 2 ou 3 reformados, que acho que são bem suficientes para substituirem o governo inteiro.
Se pudesse haver um gerente de hotel suiço, também reformado, isso é que eu ficava muito grato. Podendo ser, já se vê. Não me refiro a um grande hotel. Um gerente de um hotel modesto já punha isto com outra cara. Já tenho pedido!
(Eu não nenhum prazer em ser um protectorado, como nos tempos de Beresford. Mas já que de facto somos, então que não estorvemos com o nosso gosto pelo fracasso as benesses que podemos tirar da situação.)

domingo, outubro 10, 2010

Neste 10.10.10 se declara ser o a. deste blog a favor do chumbo do Orçamento.
Apesar de todos os perigos referidos por gente que respeita. Aliás, por causa desses perigos, em particular, o que se relaciona com a auto-vitimização do 1º ministro. Todos eles, parecem, contudo, não levar em conta que o dinheiro acabou.
Um motivo que encerra em si vários outros para que não sejamos divindades complacentes com a hybris do Pinto de Sousa*.
*A hybris é do Sousa. Não esquecer. Do Sousa. É ele que deve ir peripeteiar.

quinta-feira, outubro 07, 2010



Música barroca e dança barroca, métodos eficazes para a ordenação da monotonia até ao esvaecimento da alma (ou sua evolação).

Mário Vargas Llosa, um grande escritor, credibiliza o Nobel que, não se sabe porquê, há muito se privava de ter entre os seus alguém com a estatura literária de Llosa.

quarta-feira, outubro 06, 2010

No dia em que chegam a Portugal os Reis de Espanha,

Dinásticas linhas de fuga

Sofia, princesa da Grécia e Dinamarca, Rainha de Espanha, filha de

Friederike, Princesa de Hannover, Rainha da Grécia filha de

Viktoria Luise, Princesa da Prússia, filha de

Adelaide, Princesa zu Hohenlohe-Langeburg, filha de

Ernst Christian, Conde zu Hohenlohe-Langenburg, filha de

Amália, Princesa de Solms-Baruth, filha de

Frederico, Conde de Reuss-Köstritz, filho de

Enriqueta Juana Francisca Susana Casado y Huguetan, marquesa de Monteleone, filha de

António Casado y Velano, 3. marquês de Monteleone, filho de

Isidro de Casado de Acebedo, 1. marquês de Monteleone, filho de

María Teresa Martinez del Mazo y Velasquez, filho de

Francisca de Silva Velasquez y Pacheco, filha de

Diego Rodrigues da Silva y Velázquez

segunda-feira, outubro 04, 2010

Indignações tristes estas, mas nunca pensei ver Portugal passar tão sem esperança tão negros dias.
Há uns tempos que não via os Conselhos do Prof. Marcelo e tinha decidido que viria para aqui rir-me e chorar-me de uma análise política, tão momento de donas de casa e pequenitos. Falta um apontamento culinário, breve que fosse, e umas receitas práticas de pastelões para aproveitamento de restos...
Escrevi viria e vim, mas a grande notícia foi a não eleição da candidata Flinstone Dilma, uma antiga terrorista muito admirada e elogiada por Hugo Chávez.
A democracia brasileira está de parabéns.

Pelo que se ficou a saber, certo é apenas que os portugueses pagarão, em 2011 e nos anos seguintes, os erros, a imprevidência e a demagogia acumulada em cinco anos de mau Governo. É por isso que, nestas circunstâncias, falar da coragem do primeiro-ministro e do ministro das Finanças, como alguns têm feito, é um insulto de mau gosto a todos os portugueses que trabalham, pagam os seus impostos e vêem defraudadas as suas expectativas de uma vida melhor. As medidas propostas, sendo inevitáveis, dada a dimensão da dívida e a desconfiança criada pelo Governo junto dos credores internacionais, não tocam no essencial da gordura do aparelho do Estado e nos interesses da oligarquia dirigente. Mas o pior é que estas medidas, pela sua própria natureza, não são sustentáveis no futuro e não é expectável que, com este Governo, se consiga o crescimento sustentado da economia.
De uma entrevista de Henrique Neto ao Público
Realces impensáveis

sábado, outubro 02, 2010

E, principalmente, como é possível ignorar que a Monarquia, apesar da sua decadência e da sua inoperância, fora um regime bem mais livre e legalista do que a grosseira cópia do pior radicalismo francês, que o 5 de Outubro trouxe a Portugal?
Vasco Pulido Valente
Há pouco, na Rádio Renascença, contava-se o golpe republicano num tom reverente e apologético, a roçar o pio.
A república de 1910 foi ferozmente anti-religiosa, atacou a Igreja Católica - que queria erradicar, como ensina aqui VPV - e cometeu crimes contra sacerdotes e crentes.

De nada disso se falava, naquela recitação da boa nova maçónica e jacobina.
Assim, com esta gente, de facto é difícil. Talvez mereçam mesmo a Bancarrota Sócrates, o irmão Almeida Santos, a sua pregação sobre a necessidade de sofrimento e as demais alegrias desta república.

quinta-feira, setembro 30, 2010

Os juros da dívida subiram e estão, neste começo de manhã, em 6,66%. É o número da besta, depois do anúncio das «medidas para combater a crise»
Lá fora, é o inferno.

sexta-feira, setembro 24, 2010

Não me deixar apanhar pela querela quotidiana.
Um povo que exibe os tiques de um adolescente mimado filho de pais condescendentes - e pobres - dificilmente admitirá a necessidade da frugalidade.
Os episódios a que assistimos, com mais grito menos grito, são os esperáveis.

quinta-feira, setembro 23, 2010



Les sanglots longs
Des violons
De l'automne
Blessent mon coeur
D'une langueur
Monotone.

Tout suffocant
Et blême, quand
Sonne l'heure,
Je me souviens
Des jours anciens
Et je pleure

Et je m'en vais
Au vent mauvais
Qui m'emporte
Deçà, delà,
Pareil à la
Feuille morte.

Verlaine

quarta-feira, setembro 22, 2010

Este blog completou hoje a primeira idade: comecei-o há 7 anos.
- É muito tempo. Quando releio alguns dos primeiros posts sinto (embora os pudesse ter escrito hoje) que do a. deles já parte é sepulta em mim .
Agora, mais velho e dotado de raciocínio tudo vai ser mais desagradável.
Que a razão me seja leve!

sábado, setembro 18, 2010

«[...]a degradação progressiva e significativa da conjuntura económica e financeira do país».

Não, não são coisas da velha, como a canalha que se apossou do país designava a Dra. Manuela Ferreira Leite. Nem do tonto tremendista Dr. Medina Carreira.

É mesmo um despacho desta tropa fandanga, acossada pela realidade.

sexta-feira, setembro 17, 2010

Com aquele ar de quem não tem muita paciência para aturar habilidades estultas de gente desonesta, a Dra. Manuela Ferreira Leite já havia dito que não havia dinheiro para o TGV nem para as «grandes obras».
Ontem, num noticiário, vi Constança Cunha e Sá - que é sempre agradável ver - explicar como a direita se encarrega de se auto-aniquilar ( o jovem Passos Coelho, que não soube estar sossegado e agora Ribeiro e Castro que pode ensombrar a vitória desse repositório de firmeza conservadora que CCS parece ver em Cavaco). E enquanto a direita se maltrata, a esquerda - que não comete estes erros infantis que divertem Constança, a esquerda adulta, madura, enterra sisudamente o país.

quarta-feira, setembro 15, 2010

segunda-feira, setembro 13, 2010

Ontem, num documentário do Odisseia alguém se indignava por alguns deputados mudarem o seu sentido de voto por pressão dos eleitores - no caso, em matérias relacionadas com o aborto.
A condenação da democracia representativa faz-se hoje abertamente: os eleitores apenas servem para dar uma aparência de legitimidade a quem ocupa o poder.

sábado, setembro 11, 2010

segunda-feira, setembro 06, 2010

sexta-feira, setembro 03, 2010

Em 3 de Setembro de 1792 foi assassinada com extrema e precursora crueldade, a Princesa de Lamballe, uma mulher corajosa que a revolução francesa não podia poupar.
A Princesa recusou-se perante o tribunal revolucionário a renegar o Rei e a Rainha.
Tinha voltado a França, vinda de Inglaterra, onde estivera a pedir auxílio para os monarcas, para continuar ao serviço da Família Real, quando já era evidente o carácter violento do novo poder republicano.

quinta-feira, setembro 02, 2010

Oh, its a long, long time
from May to December,
but the days grow short
when you reach September.

September Song

sexta-feira, agosto 06, 2010

À medida que lia, mais me convencia das semelhanças entre o violador de Telheiras e o estado português. Um violador de repartição que transferiu para a sua actividade mais flagrantemente delituosa a meticulosidade chata dos procedimentos administrativos.
Dúvidas?

«É que, após o interrogatório e antes de abandonar o local, o suspeito exigia-lhes as respectivas carteiras, sacos ou mochilas, que revistava minuciosamente, incluindo todos os documentos.
Também os telemóveis eram detalhadamente vistoriados e lidas as mensagens.»
e «o agora acusado apropriava-se também e em regra do dinheiro das vítimas. Começava por as mandar esvaziar os bolsos e as carteiras ou sacos, exigindo-lhes que lhe entregassem o dinheiro.»

Não seria surpreendente que tivesse avisado alguma das vítimas de que tinha o BI caducado ou a morada desactualizada.

E que a Justiça lhe levasse tal à conta de atenuante.

quarta-feira, agosto 04, 2010

Em Portugal há muito que não há dilemas morais (e, por isso, políticos, que é uma disciplina da moral), desde logo porque tudo aqui é e, também, com modorra e sem pasmo, o seu contrário.
Assim, grande parte das grandes questões da cultura do mundo - e as oriundas da tradição racional do ocidente, em particular - são entre nós coisas supérfluas e incompreensíveis.

terça-feira, agosto 03, 2010

Soía trazerem estes primeiros dias de Agosto o que agora falta: inícios entusiasmados e brisas.

segunda-feira, agosto 02, 2010

A Bloomberg transmite a notícia do aumento em 4% acima do previsto da despesa pública portuguesa. Classificou-a de painful.
Mas, por cá, parece que não, que não é coisa grave.

quarta-feira, julho 21, 2010

Assim penso, também.
A permanência de Sócrates no poder é a tradução da total incapacidade de inovação da sociedade portuguesa - ao contrário do que dizem os mitos da tão propaladada inventiva pátria.
A revisão constitucional et coetera:
Mas já há dinheiro? Os bancos financiam-se sem dificuldade nesse estranho mundo dos adultos?
O ritmo do endividamento já baixou, ou continua a ser de muitos milhões por dia? Já baixou? Não?

terça-feira, julho 20, 2010

Torna-se evidente que a revisão constitucional é essencial para o restabelecimento do crédito e readaptação da economia do país.
A gente nem percebe como Tatcher fez o que fez na Grã-Bretanha sem uma constituição escrita para mudar, pelo menos na Inglaterra.
Mas está tudo, finalmente, muito feliz e o número de representantes da República nas regiões autónomas é, sem dúvida, um assunto à altura da nossa vida intelectual e politica.

sábado, julho 17, 2010

Ouve a gente as propostas (legislaturas de 5 anos) e torna-se evidente a grandeza e profundidade do estadista em época tão conturbada.
Arrebatora ideia, ideia arrojada.
(Estou muito dado a quiasmas)

sexta-feira, julho 16, 2010

Antevêem-se maus tempos para a Europa.

Lá, como cá, a mediocridade, o voluntarismo dos incapazes, a escroquerie, a chantagem, a desonestidade política - levada quase ao gansterismo - não compensam.

Valha-nos essa certeza.

quarta-feira, julho 14, 2010

E perpassando por todas estas coisas desagradáveis que, se não me agitam, me fazem mudar de um lado para o outro do sofá, ainda a crença de que o povo deteria virtudes salvíficas e mezinhas redentoras - e "saberes". Não detém. O que o povo tinha de defeitos e virtudes está agora à vista, para ilustração de todos. Desde há muito tempo que o povo não governava com tão sem entraves. Desde há muito que não estávamos tão perto da desgraça.
Não tem de ser necessariamente assim, mas aqui a agora, foi-o.
Leio o livro de Agatha Christie - com um humor que me faz tão bem quanto uma manhã de praia - e preguiço.
Lá fora, a ameaça de bancarrota, as declarações patetas do 1º-ministro ao FT e a lembrança do 14 de Julho, os tempos da contemporaneidade traçados a genocídios que então começaram para delírio e terror das gentes.

terça-feira, julho 13, 2010

A tradutora do Na Síria traduz «savoir faire» por «astúcia». Tomo isso como um pequeno brinde.

segunda-feira, julho 12, 2010

Ontem adormeci a ler Na Síria, de Agatha Christie. O único que publicou com o nome do seu marido, Sir Max Mallowan.
Um perfeito livro de férias, de férias de outros tempos, com cheiro a maresia, baunilha e bolas de berlim e sem toda esta gente desagradável que pulula agora por todo o lado.

terça-feira, julho 06, 2010

segunda-feira, julho 05, 2010

Telecom, politica, etc: a gente vê esta assembleia de afinidades e lá está, não há que enganar, o velho espírito da União Nacional.

sábado, julho 03, 2010

É, o estado português, depois de tantos anos de governo socialista esqueceu a boa educação e a boçalidade reina.
Tudo o que Paulo Nozolino conta é grotesco, mas é o quotidiano de milhares de pessoas.
Meditação de fim de semana
O que me impressiona não são as asneiras do governo, expectáveis. O que verdadeiramente me acabrunha é esta opção pela agonia lenta.
P.S. Há pouco fui parar a um jornal de província onde li aspeto por aspecto. Percebi que deve ser o "acordo". Como qualquer asneira em Portugal tem o campo livre para alastrar: é o gosto pela miséria grátis e inútil. Como se pode combater isso?

sexta-feira, julho 02, 2010

A lenga-lenga dos problemas, dizia ontem o António Costa.
O desemprego, a privação quotidiana, a fome são uma mera cantilena, um aborrecimento.
Quem dizia que o optimismo era um insulto para os pobres?

quinta-feira, julho 01, 2010

terça-feira, junho 29, 2010

Futebol: poupados ao espectáculo tristíssimo desta gente a conjecturar futuros ridentes.

segunda-feira, junho 28, 2010

E deixei de comprar o Expresso.
Ontem, com aquele ar simpático de explicador caro, Marcelo Rebelo de Sousa, referindo-se à queixa apresentada por Manuela Moura Guedes contra Sócrates falava da alguma folga com que os tribunais julgam «estes» casos e lembrava situações entre políticos e entre estes e comentadores. Não lhe ocorreu que aqui não se trata de dois políticos mas de um primeiro-ministro e de uma particular, o que basta para a gente perceber a pouca propriedade das analogias que estabeleceu. E resolvido este assunto partiu para uma apurada análise e resumo sobre o futebol.
Marcelo, sempre jovem, conserva os tiques do menino promissor que terá sido. Recitaria poesia, como o Eusebiozinho?

sexta-feira, junho 25, 2010

A intolerância para com o Cristianismo e o Catolicismo em particular está a atingir níveis perigosos de fanatismo.

quinta-feira, junho 24, 2010

A proposta de lei dos chips foi reprovada, o que é uma boa notícia, independemente do pouco que seja o que for significa, hoje em dia.
Mas, mesmo assim, uma boa notícia num tempo e num lugar onde não têm abundado.
Esquecia-me de responder: claro que valeu a pena: ficámos todos cientes da extrema fragilidade das nossas instituições, de como se desfaz até a aparência mesma de um estado de direito, percebemos que tratar o governo como um inimigo ou, pelo menos, como uma entidade perigosa é um princípio de que se não deve abdicar, por mais que assim nos digam que assim não devesse ser; vimos o funcionamento da corrupção em interstícios da administração que pensávamos - tolamente - a salvo. Apercebemo-nos da pusilanimidade dos políticos, e da indiferença das élites (das mais circunspectas e reservadas, das que podem fazer seguir as suas palavras de actos eficazes para originar mudanças) e isto perante uma desgraça objectiva que se traduziu, para além dos estragos na organização política, no empobrecimento do país.
Serviu ainda para vermos o que somos, afastada que está do poder a geração que se forjou na luta pela democracia, que era ainda uma luta de élites. Sócrates, não: é o cidadão comum, a face vitoriosa do Zé Povinho suplicante.
Valeu a pena? Valeu, como tudo, se aprendemos alguma coisa.
Conviria fazer outra pergunta: isto tudo, a quem aproveitou? A quem aproveita?
Li este artigo, a partir daqui e, mais uma vez, ao lembrar o Caso Buarque penso no estado de absoluta e grotesca imoralidade (ou de insanidade) a que esta gente do governo chegou.
Coisas que me incomodam muitíssimo:

1 - A ideia dos chips nas matrículas;

2 - Achar-se que isso não é importante.


E incomodam por isto.

terça-feira, junho 22, 2010

Tempo de reler «A Ilustre Casa de Ramires»
O problema é que a minha edição, a do Centenário, nunca foi encadernada e os livros mais lidos estão a ficar em mau estado, mas usar uma dessas edições que há para aí, com páginas que têm a dimensão, a disposição e a decoração de um apartamento de arrebalde é uma hipótese lúgubre. Não que o livro desabe nas minhas mãos, mas cada vez que pegar nele serei remetido para a minha negligência, preguiça e outros defeitos que invadem o jardim estreito das minhas virtudes, e ler sob o peso da humilhação não é o melhor dos exercícios.
E a saudade aperta:
«Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do Domingo de Junho, o Fidalgo da Torre...»

segunda-feira, junho 21, 2010

Nas zangas que por aí vão - dentro e fora dos blogs - estranho sempre que todos se tratem por tu, se dêem muito bem e tencionem continuar a dar.
Sei que Portugal é pequeno, que os tempos vão de informalidade e que, como dizia o Sérgio, «guerra às ideias, paz aos homens», mas estou em crer que uns pares de estalos e uma inimizade franca, forte e honesta contribuíriam para limpar os ares.

domingo, junho 20, 2010

Tarde consumida em paisagem romântica portuguesa (João Cristino da Silva), num poema de Robert Frost e outras coisas avulsas.
Depois, vi Marcelo Rebelo de Sousa achar mau o alargamento do prazo dos contratos de trabalho. Pensei, mais uma vez, que a vida profissional de um norte-americano bem sucedido seria considerada, apesar disso e segundo os nossos padrões, uma vida em «trabalho precário».
Entre ontem e hoje soube que alguns portugueses estão a tirar os seus filhos dos colégios, isto no país europeu onde se compraram mais carros, leva-me a crer que, sendo parte de uns e de outros os mesmos, mais não fazem do que condizer consigo próprios.

sexta-feira, junho 18, 2010

Gaffes: ensinaram-me que nunca se deve tentar compor as coisas, as emendas são sempre piores. Sigo o conselho e nunca me arrependi.
No entanto, pior do que as gaffes, são as falsas gaffes: geralmente são reflectidas e contêm um aviso sério.
Depois da declaração do socialista Straus-Khan, que pode Portugal esperar?
O público tem uma existência longínqua para os serviços públicos.
Existe, abstractamente, na teleologia da empresa, mas o utente concreto é considerado uma contrariedade que afasta o serviço da prossecução dos seus fins maiores e mediatos (o bem público e outras coisas graves).
E, para os atingir, esses escopos divinos, nos imediatos, o grande esforço deve ser o preenchimento das necessidades internas - ia escrever íntimas - dos serviços.

quinta-feira, junho 17, 2010

Uma alucinação comum consiste em crer que todos aqueles que nos cercam foram substituídos por estranhos. Pais, filhos, amigos, todos eles desapareceram e são agora sósias que ocupam os seus lugares.
Assim me parece ter acontecido em Portugal com o governo e as instituições do meu país, nos últimos anos.
Para dizer a verdade, parece-me que todo o país foi substituído por um outro. E isto não quer dizer que o original fosse um modelo de virtudes. Era mau, mas mais genuíno e, por isso, a seu modo, mais honesto do que este.
Esta noite, acordado até tarde a ler sobre alucinações. Eu e o autor deste blog.
STALINISMO* dos nossos dias.






* Há quem se refira a «fascismo» para descrever situações deste género, mas o comunismo (em todas as suas variantes) e o Photoshop parecem nascidos um para o outro: trata-se, em ambos, de corrigir uma realidade inconveniente.
Não creio que fosse prática do fascismo, porventura mais resignado com as imperfeições.

segunda-feira, junho 14, 2010

A intervenção do Prof. Doutor Ernâni Lopes no Plano Inclinado do dia 12 é do mais importante que foi dito sobre Portugal nos últimos anos.
Conviria que se visse, estudasse e meditasse.

sábado, junho 12, 2010

Chama-se a isto tirar as palavras da boca.

Se os polícias lessem mais literatura fantástica, estariam mais abertos à chateza quotidiana, onde os acidentes de automóvel sobrepujam as fugas e os homicídios.
E se os bombeiros e unidades de salvamento tivessem melhor preparação e culto da minúcia, também não seria desvantajoso.

quinta-feira, junho 10, 2010

O presidente Silva afirmou que o país está numa «situação insustentável».
Mas logo o primeiro-ministro Pinto desmentiu o presidente Silva, limitando-se a considerar que passamos por «uma situação de dificuldade».

Ou o presidente Silva fala com convicção, ou não.

Se sim, e perante um primeiro-ministro que não se apercebe da gravidade da situação nacional, deve, para ser leal ao juramento prestado, tudo fazer para salvar o país, afastando da chefia do governo um incompetente.
E para isso não é preciso rever a constituição. É preciso, apenas, não ser timorato nem medíocre.

Camões em uniforme de serviço no regimento
das glórias nacionais, séc. XIX.

quarta-feira, junho 09, 2010

Sobre as reformas que já teríamos feito (e com um resultadão, como se prova aqui, no Quarta República):
Creio que, no meio da desgraça, terá alguma graça seguir as relações entre Portugal - governo e o seu presidente Silva, incluídos - e a UE.
O que aquela gente lá de fora vai passar até descobrirem que, se por um lado bastaria telefonar e dar a ordem directa, com a respectiva ameçaça, por outro é inútil qualquer outra coisa mais subtil.
A não ser que a desfaçatez e loucura chegue a tanto que tenha de ser uma ordem directa, em voz alta, que deixe o Silva presidente e o seu governo sem pio.

terça-feira, junho 08, 2010

Muito bom !

Faz lembrar a história contada por Gorbatchev sobre o secretário geral do partido comunista e presidente da Alemanha Oriental, Erich Honecker. Quando visitou a defunta Alemanha de Leste, para convencer o regime a fazer reformas, foi-lhe dito por Honecker que, felizmente, a RDA já fizera todas as reformas.
Já de manhã ficara boquiaberto com as palavras do Santos das finanças.
Começo a pôr a hipótese de loucura colectiva.
Uma senhora que é não sei quê da «educação» vem dizer - com ar valente e arrojado - que há violência nas escolas.
Mas é evidente que há violência ans escolas. Se a autoridade legal se retira, instala-se a violência e a lei do mais forte.
O que é que ela esperava?
Eça de Queiroz conta-nos como no Parlamento britânico era amiúde discutida a dimensão da nossa ignorância e estupidez.
Há pouco, enquando via o ar paciente com que se aconselhava a Portugal a efectuar mais algumas reformas, lembrei-me da postura que o professor adopta para com um aluno pouco inteligente: os europeus perceberam que esta gente que dá pelo nome de "governo português" está minimamente convencida que fez mesmo reformas e usam de «compreensão» a condizer com o que eles pensarão ser atraso.
Mas em breve descobrirão o lado cábula (ou louco) e o tom mudará.

segunda-feira, junho 07, 2010

Mais post crise: depois dos britânicos, os alemães hoje. Em Espanha, Aznar já falou na necessidade de acabar com a agonia do país.

Enquanto isso, por cá, o Silva presidente e o Pinto ministro disseram ambos baboseiras, mas salientou-se o Silva, com aquilo das férias cá dentro.
Perante a quantidade de assuntos que ou são postos de lado, ou passam sem mais discussão, devido à crise, conviria ver como foi na Grã-Bretanha durante a II Guerra Mundial: que assuntos discutiam, que assuntos não evitavam.
Fica aqui o convite. Verão o que aquela gente discutia enquanto as bombas caíam sobre Londres - e no Parlamento.
Sempre se dirá, que, entre outras coisas, houve uma moção de censura ao governo de Churchill.

Que diria disto o Silva presidente?
Encontrei aqui o alívio daquela terrível impressão de ter esquecido qualquer coisa.
Assim, embora com atraso, mais uma vez me cabe agradecer aos Estados Unidos, à Grã-bretanha e seus Domínios a liberdade trazida à Europa.

domingo, junho 06, 2010

Mais vozes do mundo que vem aí (desta vez, más notícias, felizmente, que as boas têm sido quase letais):

«O primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou hoje que o seu país conhecerá anos de "sofrimento" para permitir a redução do défice público e o peso "enorme" da dívida.»


sábado, junho 05, 2010

As diferenças que fazem a diferença:

"O tempo deste Governo está terminado e cada dia que passa, sem que os espanhóis possam expressar a sua opinião e apostar numa mudança, é um prolongamento inútil da agonia do país"

Já antes, Aznar apontou a responsabilidade ao abandono dos critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento, possibilitando o déficit

É a primeira voz firme que ouvi de e para uma Europa post crise

terça-feira, junho 01, 2010