quarta-feira, julho 21, 2010

A revisão constitucional et coetera:
Mas já há dinheiro? Os bancos financiam-se sem dificuldade nesse estranho mundo dos adultos?
O ritmo do endividamento já baixou, ou continua a ser de muitos milhões por dia? Já baixou? Não?

terça-feira, julho 20, 2010

Torna-se evidente que a revisão constitucional é essencial para o restabelecimento do crédito e readaptação da economia do país.
A gente nem percebe como Tatcher fez o que fez na Grã-Bretanha sem uma constituição escrita para mudar, pelo menos na Inglaterra.
Mas está tudo, finalmente, muito feliz e o número de representantes da República nas regiões autónomas é, sem dúvida, um assunto à altura da nossa vida intelectual e politica.

sábado, julho 17, 2010

Ouve a gente as propostas (legislaturas de 5 anos) e torna-se evidente a grandeza e profundidade do estadista em época tão conturbada.
Arrebatora ideia, ideia arrojada.
(Estou muito dado a quiasmas)

sexta-feira, julho 16, 2010

Antevêem-se maus tempos para a Europa.

Lá, como cá, a mediocridade, o voluntarismo dos incapazes, a escroquerie, a chantagem, a desonestidade política - levada quase ao gansterismo - não compensam.

Valha-nos essa certeza.

quarta-feira, julho 14, 2010

E perpassando por todas estas coisas desagradáveis que, se não me agitam, me fazem mudar de um lado para o outro do sofá, ainda a crença de que o povo deteria virtudes salvíficas e mezinhas redentoras - e "saberes". Não detém. O que o povo tinha de defeitos e virtudes está agora à vista, para ilustração de todos. Desde há muito tempo que o povo não governava com tão sem entraves. Desde há muito que não estávamos tão perto da desgraça.
Não tem de ser necessariamente assim, mas aqui a agora, foi-o.
Leio o livro de Agatha Christie - com um humor que me faz tão bem quanto uma manhã de praia - e preguiço.
Lá fora, a ameaça de bancarrota, as declarações patetas do 1º-ministro ao FT e a lembrança do 14 de Julho, os tempos da contemporaneidade traçados a genocídios que então começaram para delírio e terror das gentes.

terça-feira, julho 13, 2010

A tradutora do Na Síria traduz «savoir faire» por «astúcia». Tomo isso como um pequeno brinde.

segunda-feira, julho 12, 2010

Ontem adormeci a ler Na Síria, de Agatha Christie. O único que publicou com o nome do seu marido, Sir Max Mallowan.
Um perfeito livro de férias, de férias de outros tempos, com cheiro a maresia, baunilha e bolas de berlim e sem toda esta gente desagradável que pulula agora por todo o lado.

terça-feira, julho 06, 2010

segunda-feira, julho 05, 2010

Telecom, politica, etc: a gente vê esta assembleia de afinidades e lá está, não há que enganar, o velho espírito da União Nacional.

sábado, julho 03, 2010

É, o estado português, depois de tantos anos de governo socialista esqueceu a boa educação e a boçalidade reina.
Tudo o que Paulo Nozolino conta é grotesco, mas é o quotidiano de milhares de pessoas.
Meditação de fim de semana
O que me impressiona não são as asneiras do governo, expectáveis. O que verdadeiramente me acabrunha é esta opção pela agonia lenta.
P.S. Há pouco fui parar a um jornal de província onde li aspeto por aspecto. Percebi que deve ser o "acordo". Como qualquer asneira em Portugal tem o campo livre para alastrar: é o gosto pela miséria grátis e inútil. Como se pode combater isso?

sexta-feira, julho 02, 2010

A lenga-lenga dos problemas, dizia ontem o António Costa.
O desemprego, a privação quotidiana, a fome são uma mera cantilena, um aborrecimento.
Quem dizia que o optimismo era um insulto para os pobres?

quinta-feira, julho 01, 2010

terça-feira, junho 29, 2010

Futebol: poupados ao espectáculo tristíssimo desta gente a conjecturar futuros ridentes.

segunda-feira, junho 28, 2010

E deixei de comprar o Expresso.
Ontem, com aquele ar simpático de explicador caro, Marcelo Rebelo de Sousa, referindo-se à queixa apresentada por Manuela Moura Guedes contra Sócrates falava da alguma folga com que os tribunais julgam «estes» casos e lembrava situações entre políticos e entre estes e comentadores. Não lhe ocorreu que aqui não se trata de dois políticos mas de um primeiro-ministro e de uma particular, o que basta para a gente perceber a pouca propriedade das analogias que estabeleceu. E resolvido este assunto partiu para uma apurada análise e resumo sobre o futebol.
Marcelo, sempre jovem, conserva os tiques do menino promissor que terá sido. Recitaria poesia, como o Eusebiozinho?

sexta-feira, junho 25, 2010

A intolerância para com o Cristianismo e o Catolicismo em particular está a atingir níveis perigosos de fanatismo.

quinta-feira, junho 24, 2010

A proposta de lei dos chips foi reprovada, o que é uma boa notícia, independemente do pouco que seja o que for significa, hoje em dia.
Mas, mesmo assim, uma boa notícia num tempo e num lugar onde não têm abundado.
Esquecia-me de responder: claro que valeu a pena: ficámos todos cientes da extrema fragilidade das nossas instituições, de como se desfaz até a aparência mesma de um estado de direito, percebemos que tratar o governo como um inimigo ou, pelo menos, como uma entidade perigosa é um princípio de que se não deve abdicar, por mais que assim nos digam que assim não devesse ser; vimos o funcionamento da corrupção em interstícios da administração que pensávamos - tolamente - a salvo. Apercebemo-nos da pusilanimidade dos políticos, e da indiferença das élites (das mais circunspectas e reservadas, das que podem fazer seguir as suas palavras de actos eficazes para originar mudanças) e isto perante uma desgraça objectiva que se traduziu, para além dos estragos na organização política, no empobrecimento do país.
Serviu ainda para vermos o que somos, afastada que está do poder a geração que se forjou na luta pela democracia, que era ainda uma luta de élites. Sócrates, não: é o cidadão comum, a face vitoriosa do Zé Povinho suplicante.
Valeu a pena? Valeu, como tudo, se aprendemos alguma coisa.
Conviria fazer outra pergunta: isto tudo, a quem aproveitou? A quem aproveita?
Li este artigo, a partir daqui e, mais uma vez, ao lembrar o Caso Buarque penso no estado de absoluta e grotesca imoralidade (ou de insanidade) a que esta gente do governo chegou.
Coisas que me incomodam muitíssimo:

1 - A ideia dos chips nas matrículas;

2 - Achar-se que isso não é importante.


E incomodam por isto.

terça-feira, junho 22, 2010

Tempo de reler «A Ilustre Casa de Ramires»
O problema é que a minha edição, a do Centenário, nunca foi encadernada e os livros mais lidos estão a ficar em mau estado, mas usar uma dessas edições que há para aí, com páginas que têm a dimensão, a disposição e a decoração de um apartamento de arrebalde é uma hipótese lúgubre. Não que o livro desabe nas minhas mãos, mas cada vez que pegar nele serei remetido para a minha negligência, preguiça e outros defeitos que invadem o jardim estreito das minhas virtudes, e ler sob o peso da humilhação não é o melhor dos exercícios.
E a saudade aperta:
«Desde as quatro horas da tarde, no calor e silêncio do Domingo de Junho, o Fidalgo da Torre...»

segunda-feira, junho 21, 2010

Nas zangas que por aí vão - dentro e fora dos blogs - estranho sempre que todos se tratem por tu, se dêem muito bem e tencionem continuar a dar.
Sei que Portugal é pequeno, que os tempos vão de informalidade e que, como dizia o Sérgio, «guerra às ideias, paz aos homens», mas estou em crer que uns pares de estalos e uma inimizade franca, forte e honesta contribuíriam para limpar os ares.

domingo, junho 20, 2010

Tarde consumida em paisagem romântica portuguesa (João Cristino da Silva), num poema de Robert Frost e outras coisas avulsas.
Depois, vi Marcelo Rebelo de Sousa achar mau o alargamento do prazo dos contratos de trabalho. Pensei, mais uma vez, que a vida profissional de um norte-americano bem sucedido seria considerada, apesar disso e segundo os nossos padrões, uma vida em «trabalho precário».
Entre ontem e hoje soube que alguns portugueses estão a tirar os seus filhos dos colégios, isto no país europeu onde se compraram mais carros, leva-me a crer que, sendo parte de uns e de outros os mesmos, mais não fazem do que condizer consigo próprios.

sexta-feira, junho 18, 2010

Gaffes: ensinaram-me que nunca se deve tentar compor as coisas, as emendas são sempre piores. Sigo o conselho e nunca me arrependi.
No entanto, pior do que as gaffes, são as falsas gaffes: geralmente são reflectidas e contêm um aviso sério.
Depois da declaração do socialista Straus-Khan, que pode Portugal esperar?
O público tem uma existência longínqua para os serviços públicos.
Existe, abstractamente, na teleologia da empresa, mas o utente concreto é considerado uma contrariedade que afasta o serviço da prossecução dos seus fins maiores e mediatos (o bem público e outras coisas graves).
E, para os atingir, esses escopos divinos, nos imediatos, o grande esforço deve ser o preenchimento das necessidades internas - ia escrever íntimas - dos serviços.

quinta-feira, junho 17, 2010

Uma alucinação comum consiste em crer que todos aqueles que nos cercam foram substituídos por estranhos. Pais, filhos, amigos, todos eles desapareceram e são agora sósias que ocupam os seus lugares.
Assim me parece ter acontecido em Portugal com o governo e as instituições do meu país, nos últimos anos.
Para dizer a verdade, parece-me que todo o país foi substituído por um outro. E isto não quer dizer que o original fosse um modelo de virtudes. Era mau, mas mais genuíno e, por isso, a seu modo, mais honesto do que este.
Esta noite, acordado até tarde a ler sobre alucinações. Eu e o autor deste blog.
STALINISMO* dos nossos dias.






* Há quem se refira a «fascismo» para descrever situações deste género, mas o comunismo (em todas as suas variantes) e o Photoshop parecem nascidos um para o outro: trata-se, em ambos, de corrigir uma realidade inconveniente.
Não creio que fosse prática do fascismo, porventura mais resignado com as imperfeições.

segunda-feira, junho 14, 2010

A intervenção do Prof. Doutor Ernâni Lopes no Plano Inclinado do dia 12 é do mais importante que foi dito sobre Portugal nos últimos anos.
Conviria que se visse, estudasse e meditasse.

sábado, junho 12, 2010

Chama-se a isto tirar as palavras da boca.

Se os polícias lessem mais literatura fantástica, estariam mais abertos à chateza quotidiana, onde os acidentes de automóvel sobrepujam as fugas e os homicídios.
E se os bombeiros e unidades de salvamento tivessem melhor preparação e culto da minúcia, também não seria desvantajoso.

quinta-feira, junho 10, 2010

O presidente Silva afirmou que o país está numa «situação insustentável».
Mas logo o primeiro-ministro Pinto desmentiu o presidente Silva, limitando-se a considerar que passamos por «uma situação de dificuldade».

Ou o presidente Silva fala com convicção, ou não.

Se sim, e perante um primeiro-ministro que não se apercebe da gravidade da situação nacional, deve, para ser leal ao juramento prestado, tudo fazer para salvar o país, afastando da chefia do governo um incompetente.
E para isso não é preciso rever a constituição. É preciso, apenas, não ser timorato nem medíocre.

Camões em uniforme de serviço no regimento
das glórias nacionais, séc. XIX.

quarta-feira, junho 09, 2010

Sobre as reformas que já teríamos feito (e com um resultadão, como se prova aqui, no Quarta República):
Creio que, no meio da desgraça, terá alguma graça seguir as relações entre Portugal - governo e o seu presidente Silva, incluídos - e a UE.
O que aquela gente lá de fora vai passar até descobrirem que, se por um lado bastaria telefonar e dar a ordem directa, com a respectiva ameçaça, por outro é inútil qualquer outra coisa mais subtil.
A não ser que a desfaçatez e loucura chegue a tanto que tenha de ser uma ordem directa, em voz alta, que deixe o Silva presidente e o seu governo sem pio.

terça-feira, junho 08, 2010

Muito bom !

Faz lembrar a história contada por Gorbatchev sobre o secretário geral do partido comunista e presidente da Alemanha Oriental, Erich Honecker. Quando visitou a defunta Alemanha de Leste, para convencer o regime a fazer reformas, foi-lhe dito por Honecker que, felizmente, a RDA já fizera todas as reformas.
Já de manhã ficara boquiaberto com as palavras do Santos das finanças.
Começo a pôr a hipótese de loucura colectiva.
Uma senhora que é não sei quê da «educação» vem dizer - com ar valente e arrojado - que há violência nas escolas.
Mas é evidente que há violência ans escolas. Se a autoridade legal se retira, instala-se a violência e a lei do mais forte.
O que é que ela esperava?
Eça de Queiroz conta-nos como no Parlamento britânico era amiúde discutida a dimensão da nossa ignorância e estupidez.
Há pouco, enquando via o ar paciente com que se aconselhava a Portugal a efectuar mais algumas reformas, lembrei-me da postura que o professor adopta para com um aluno pouco inteligente: os europeus perceberam que esta gente que dá pelo nome de "governo português" está minimamente convencida que fez mesmo reformas e usam de «compreensão» a condizer com o que eles pensarão ser atraso.
Mas em breve descobrirão o lado cábula (ou louco) e o tom mudará.

segunda-feira, junho 07, 2010

Mais post crise: depois dos britânicos, os alemães hoje. Em Espanha, Aznar já falou na necessidade de acabar com a agonia do país.

Enquanto isso, por cá, o Silva presidente e o Pinto ministro disseram ambos baboseiras, mas salientou-se o Silva, com aquilo das férias cá dentro.
Perante a quantidade de assuntos que ou são postos de lado, ou passam sem mais discussão, devido à crise, conviria ver como foi na Grã-Bretanha durante a II Guerra Mundial: que assuntos discutiam, que assuntos não evitavam.
Fica aqui o convite. Verão o que aquela gente discutia enquanto as bombas caíam sobre Londres - e no Parlamento.
Sempre se dirá, que, entre outras coisas, houve uma moção de censura ao governo de Churchill.

Que diria disto o Silva presidente?
Encontrei aqui o alívio daquela terrível impressão de ter esquecido qualquer coisa.
Assim, embora com atraso, mais uma vez me cabe agradecer aos Estados Unidos, à Grã-bretanha e seus Domínios a liberdade trazida à Europa.

domingo, junho 06, 2010

Mais vozes do mundo que vem aí (desta vez, más notícias, felizmente, que as boas têm sido quase letais):

«O primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou hoje que o seu país conhecerá anos de "sofrimento" para permitir a redução do défice público e o peso "enorme" da dívida.»


sábado, junho 05, 2010

As diferenças que fazem a diferença:

"O tempo deste Governo está terminado e cada dia que passa, sem que os espanhóis possam expressar a sua opinião e apostar numa mudança, é um prolongamento inútil da agonia do país"

Já antes, Aznar apontou a responsabilidade ao abandono dos critérios do Pacto de Estabilidade e Crescimento, possibilitando o déficit

É a primeira voz firme que ouvi de e para uma Europa post crise

terça-feira, junho 01, 2010

segunda-feira, maio 31, 2010

O Presidente alemão demitiu-se por ter dito não sei o quê* sobre o Afeganistão, o que terá gerado alguma polémica.
E, por isso, demitiu-se.
Se aqui alguém sugerisse que o presidente se demitisse por uma questão similar, o que seria de clamores de insensatez, à esquerda e à direita. Seria oportuno? Seria adequado? Seria, oh velho bom senso lusitano, sensato? Judiciosas questões, graves questões que exigem tempo para ser meditadas.
Esta sensatez tem, todavia, um preço: a obrigação de respirarmos o ar do fundo do poço.

*Falado sobre as motivações económicas da guerra
Escolaridade média dos portugueses é a segunda pior da OCDE

E por causa disto, milhares e milhares de palavras a mais, gastas em blogs, jornais, televisões.
Palavras que uma melhor educação impediria, por inúteis, redundantes, despropositadas. Nada melhor que uma inteligência treinada para simplificar as coisas.
Seguindo as boas regras da hagiografia, o suposto pedido de Buarque só era atendível mediante um sacrifício, mesmo que pequeno, do santificando. Ei-lo: "Para que tal ocorresse, porém, o primeiro-ministro saiu de um encontro com empresários portugueses no Rio de Janeiro para se encontrar com o cantor".
Ternurento, sublime, santificante!
Assim se percebe o amor que a hierarquia da igreja portuguesa lhe tem dedicado.

sábado, maio 29, 2010

A gente lê isto e, numa muito benigna interpretação das intenções que jazem por detrás do despacho de Mota Amaral, chega à conclusão que para evitar sobressaltos, andamos todos em sobressalto, pela lama.

sexta-feira, maio 28, 2010

Em dois comentários a blogues, espalhei o meu pragmatismo aferido pelos resultados: se estamos no atoleiro moral, político, económico e financeiro não foi por termos deixado de ceder ao «não vale a pena pensar agora nisso» ao «não é oportuno» e demais desculpas de circunstância, na saloia suposiçao que a falta de valores «paga».
A má sina portuguesa tem nomes: a dos deputados de esquerda (PCP, BE e PS) que votaram a favor do TGV.

A responsabilidade pelo sofrimento que essa votação - imobilista, afinal - trará é deles.
E de quem os elegeu.

A não esquecer.
(Ler com um ar sério e definitivo)
Sou leitor assiduo do Sorumbático, um blog interessante e simpático.

Ontem encontrei um post que se indignava com críticas ao Eng. Guterres, o fugitivo.

Tinha de desabafar.

«Quanto ao Eng. Guterres, trata-se, de facto, de pessoa preparadíssima! Preparadíssima. Os efeitos da sua proficiente governação estão à vista e serão duradouros. Duradouuros! Um portento, e rapaz de muito talento. O mundo todos os dias pasma por breves momentos com o talento e a preparação do Sr. Eng. Guterres. Preparadíssimo. Não sei mesmo se "estadista genial" ou, mais caseiramente, "talentaço" não são as expressões que imediatamente deviam ocorrer a quem se dedica ao estudo destas coisas da governação. O actual também é rapaz talentoso e preparado. Vá lá a gente escolher entre os dois! Tão eminentes, tão fora do vulgar! É difícil! É muito difícil. Talentos, forças da natureza! A direita, já se sabe, só crimes. Crimes horrendos.»

quinta-feira, maio 27, 2010

Hoje passou por aqui onde vivo uma qualquer individualidade.
Houve fanfarras e havia polícias - há meses que não via um!
Agradeço o cuidado: assim que me apercebi da coisa, fechei-me no gabinete e guardei a carteira em lugar seguro.

quarta-feira, maio 26, 2010

Sob o choque da descoberta de Katyzinha.

Choque que agravou, até à tremura, quando percebi que a moral Katyzinhana é a do eng: bom é aquilo de que se gosta - e sem grandes divagações sobre -, exista realmente ou trata-se de mera efabulação e mau é o resto.

terça-feira, maio 25, 2010



Um standup de um pouco dotado comediante de subúrbio. A ignorância sobre as coisas do vasto mundo - e o lugar que nele ocupa - fica ilustrada com a história do telefonema de Obama a Zapatero, que ele não crê ser possível.
Agradece-se ao 31 da Armada este momento único de absoluta miséria intelectual e política.

Cumprirá dizer que a culpa principal não é do cómico inepto, mas de quem o pôs lá e lá o conserva. E nem falo de Prorrogação Silva que, na essência, pouco difere deste.

segunda-feira, maio 24, 2010

Aqui se encontra uma possível nova causa fracturante:
Afinal, podendo casar com o que quiserem, na adopção (do que quiserem) haverá estranhos progenitores e adoptados, talvez mesmo coisas, o que, não sendo, afinal, mais improvável do que dois homens ou duas mulheres gerarem entre si uma vida, não deixa de ser estranho, embora com a indiscutível vantagem da adopção de, por exemplo, peças de mobiliário não trazer qualquer perigo para o adoptado.

Interessante verificar que naquela escrita o outro é sempre o objecto de um desejo a satisfazer sem entraves. Não se diz "casem-se", mas "casa-te": é a educação mimada do filho único pequeno-burguês.

sábado, maio 22, 2010

placebo rima com desconcebo
e
abalo rima com Kahlo.

Num verso, Dickinson, Plath, Woolf e a dita Kahlo, juntas, lembram uma promoção de feira.

Mas não é, é um sumário civilizacional.

O Pedro Mexia gosta muito.

sexta-feira, maio 21, 2010

Para ajudar a que passe mais despercebido o fragor da derrocada, duas deputadas socialistas andam a propor mudanças nos feriados. E conseguem os seus intentos, porque há gente a discutir a questão (nesta altura!)
Importa saber que o número dos nossos feriados, ao contrário da economia e das finanças ou da lisura govertanmental, se situa na média europeia e o resto, incluído um pateta dia de familia a 26 de Dezembro - quando se desacansa dela! - não passa de mais um esforço de descristinização que começou com a revolução francesa (com calendário, instituição de festividades cívicas e outros perfeitos horrores).
Cansaço.
Para pensar.

quinta-feira, maio 20, 2010

Não tenho uma visão conspirativa do mundo, mas daí a acreditar que não há quem pense o país - mesmo que intermitentemente - e que essa reflexão não tenha depois uma tradução em acções eficazes vai uma distância a não transpor. Desde logo, porque em relação a Portugal há, lá fora, quem possa, abertamente, tomar decisões que nos afectam profundamente.
Não é em vão, penso, que ouvi hoje, num simples dia, na televisão, dizer do primeiro-ministro o que em anos foi calado e consentido.
Sócrates é uma mera sobrevivência conveniente, as questões das obras públicas um exercício e o país está a ser preparado paulatinamente para as medidas severas e necessárias idênticas às tomadas em Espanha ou mesmo na Irlanda.
E espero que isto não seja um caso de uma aspiração tomada pela realidade.

quarta-feira, maio 19, 2010

Depois de o Dr. Fernando Ulrich ter dito isto:

"O dia em que batermos na parede não está muito longe. Talvez por semanas. Lamento, mas o país tem de saber"

...e num dia mau para as bolsas europeias,

em Portugal, o BPI do Dr. Fernando Ulrich fechou a ganhar 10,48%

Por seu lado, o BES do Dr. Ricardo Salgado - que não poupou ao longo dos tempos elogios a Sócrates - caiu 3,07%

Os mercados não são cegos.

terça-feira, maio 18, 2010

Inconvenientes do atraso: numa democracia do 1º mundo tanto Cavaco como Sócrates não ocupariam nunca os cargos que ocupam, o que nos teria poupado muitas maçadas.
Aquela deste triste país ser um exemplo a seguir é pura demência.
Ninguém pede uma junta médica?

segunda-feira, maio 17, 2010

A comunicação: mais um (esperado) momento nulo de uma nulidade - que espero não ver reeleito -, uma desmonstração de falta de princípios ou de coragem para proceder de acordo com eles.
Como sempre, tudo em nome do agora não pode ser que isto está perigoso.
"Isto" está como está por causa de atitudes deste jaez.
Cousas espantosas

O deputado que palmou os gravadores aos jornalistas ainda está em funções.
E há jornalistas que não se recusam a entrevistá-lo!

Enquanto isso, um ministro troca-tintas vai apresentar as meias-tintas a Bruxelas. Sem espanto, o medo de incumprimento por parte de Portugal não pára de aumentar.

O Presidente da Câmara do Porto disse que as manobras do governo para a transferência de verbas de um tgv para uma ponte era "grave, muito grave".
Eu diria mesmo que é excessivamente grave, como dizia o afável ministro da Suécia, o amigo de Carlos da Maia.

(Entretanto, o menos amável Ministro das Finanças sueco, exige quer as nossas continhas e as dos espanhois bem em sítio onde se possam ver. Começo, finalmente, a achar que isto pode ser interessante)
Na RR, ontem, ouvia-se Ferreira do Amaral, Eduardo Catroga e Silva Lopes. Um conforto no desconforto: o de perceber que a conversa é sobre a realidade, que os problemas do país são aqueles e isto concordando-se ou não com teses e interpretações.
É que, Portugal parece uma caricatura, em tons carregados, daquelas ocasiões trágicas em que os governos especularmente não souberam estar à altura da situação.
Não me surpreenderia que o inacreditável anúncio da 3ª travessia do Tejo tivesse em vista coisas bem longe do interesse nacional: esta gente, perdido o pudor, mosta-se como veio ao mundo, sem escrúpulos, ou leve ideia do que tal seja dela.
E o dito presidente da república que tão pateticamente disparatou está calado, sem uma palavra sequer para a necessidade de discutir seriamente os problemas de Portugal.
A uns e ao outro irmana-os a mesma pouquidade.
A todos nós outros, a desgraça.

sábado, maio 15, 2010

O meu primeiro fim-de-semana passado num protectorado.
Como será?
Para já, o começo da história, o acto fundador:

"[...]o país sofreu a maior humilhação nacional deste último século. O que mostra aonde chegou o país, mas também o que sempre foi a "Europa". Poderia ser de outra maneira? Não parece. Como contar com a mais vaga "solidariedade" ou sequer delicadeza do sr. Sarkozy ou da sra. Merkel, que não nos conhecem ou têm qualquer motivo para gostar de nós? Para quem nos paga (e de certa maneira somos todos pagos) não passamos de um povo inferior e semibárbaro, que gasta prodigamente o dinheiro que não ganhou e que depois vem de mão estendida pedir esmola. Os ricos não respeitam mendigos; de maneira geral, correm com eles. Sobretudo, correm com os mendigos que não percebem, ou fingem que não percebem, o seu lugar no mundo e tentam aldrabar o próximo e viver a crédito."
Vasco Pulido Valente, no Público
Bento XVI aos bispos portugueses:
"Na verdade, os tempos que vivemos exigem um novo vigor missionário dos cristãos chamados a formar um laicado maduro, identificado com a Igreja, solidário com a complexa transformação do mundo. Há necessidade de verdadeiras testemunhas de Jesus Cristo, sobretudo nos meios humanos onde o silêncio da fé é mais amplo e profundo: políticos, intelectuais, profissionais da comunicação que professam e promovem uma proposta mono-cultural com menosprezo pela dimensão religiosa e contemplativa da vida. Em tais âmbitos, não faltam crentes envergonhados que dão as mãos ao secularismo, construtor de barreiras à inspiração cristã. Entretanto, amados Irmãos, aqueles que lá defendem com coragem um pensamento católico vigoroso e fiel ao Magistério continuem a receber o vosso estímulo e palavra esclarecedora para, como leigos, viverem a liberdade cristã."

Com os agradecimentos devidos ao compilador.
Reparo que hoje que a maioria dos meus leitores vem do Bomba Inteligente e do Pastoral Portuguesa.
Creio que vou pôr em cabeçalho: Leitores das melhores proveniências

sexta-feira, maio 14, 2010

Portugal está ávido de quem lhe fale como a um adulto.

Com o regresso a Roma do Santo Padre, voltamos à mediocridade habitual e às ridículas canções de embalar.

quinta-feira, maio 13, 2010

Numa reportagem da SIC esclarecia-se pressurosamente que o fecho das repartições fechadas que causava incómodo aos utentes era por causa do Papa.
Os males de Portugal são culpa de Sua Santidade, de Bruxelas, dos especuladores internacionais, das agências de rating.
Já quanto à incapacidade do governo, às mentirolas e à mediocridade e absoluta incapacidade do primeiro-ministro, devem-se classificar como calamidades naturais de país com azar, sendo, por isso, injusto assacar-lhes quaisquer responsabilidades e, muito menos, culpas.
A noção que tenho é a de que a realidade, tal qual é acaba no Caia. Por aqui vive-se num estado crepuscular de demência grotesca, uma espécie de cruzamento entre os autos populares, a revista do Parque Mayer e o teatro do absurdo.
Basta atentar nas diferenças entre as medidas tomadas em Espanha - e, principalmente, no tom do leader da oposição para se perceberem as diferenças de Coelho (Passos). É ler aqui, via Cachimbo de Magritte
Os esforçados leitores deste blog merecem saber desta pequena verdade: após, por breves instantes, ter saboreado o facto de Manoel Oliveira e eu partilharmos o mesmo “o meu hotel habitual em Lisboa” e porque quem me ia buscar demorava - uma demora apenas compreensível por ceatas fora de horas - tive de me esforçar para não pedir ao realizador de Le Soulier de satin boleia para o CCB...
E não tive qualquer vergonha desta ideia prática que se me afigurou sensata.

quarta-feira, maio 12, 2010

À saída CCB, depois de encontrar muita gente, um café numa pastelaria perto. A dona explicava que tinha visto o Papa como daqui praí, porque S. Santidade tinha mandado parar o carro e saído - ela sublinhou este saído - para cumprimentar abençoar umas crianças de um colégio que ali o tinham ido ver passar.
Para além da surpresa pela proximidade súbita e inesperada com um grande do mundo, senti a afeição verdadeira por este, tão afável para com os pequeninos, tal como ela teria ouvido dizer, em pequena, que fazia o Outro.
Manoel de Oliveira no CCB, ágil e sensato, lembra a raiz cristã de Portugal e da Europa.
Quando ajoelhou e beijou a mão a Bento XVI as muitas palmas recrudesceram (o mesmo se passou quando Pedro Mexia beijou o anel do Pontifice).

O Papa falou depois, não se ouvia muito bem, e só aqui, já chegado a casa, apreciei a dimensão do apelo papal: "Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza" o que exclui o culto d'"o «presente» como fonte inspiradora do sentido da vida".
Posted by Picasa
Fui um dos não merecedores que tiveram o seu lugar na plateia do CCB.
As fotografias - tentei 3 vezes - ficavam com este clarão.
Por fim, compreendi.
A caminho do encontro com o Santo Padre, encontro Manoel de Oliveira no hall do hotel.

segunda-feira, maio 10, 2010

Uma floresta clássica tal como as pintavam nos pratos ingleses do século XIX, uma família de deuses da classe média, um incompreendido poema de Emily Dickinson, uma espiga da Quinta-feira de Ascensão que aí vem.
Não é pedir muito para lembrança do tempo que em mim passa.

domingo, maio 09, 2010

Vivemos uma situação estranha: o estado das coisas é aquele para que nos advertiu a Dra. Manuela Ferreira Leite, as medidas económicas foram as a Dra. Manuela Ferreira Leite preconizou mas, provavelmente impostas de fora e executadas defeituosamente, de contra-vontade, incompletas, imprecisas, e por um governo chefiado por um ignorante inepto num ambiente de saguão moral, não produzirão os mesmos efeitos.
Ah, o sim do BE e PCP às megalomanias público-privadas demonstra quanto a existência daqueles partidos é sinal do nosso atraso.

quinta-feira, maio 06, 2010

Só ontem à noite vi o video da entrevista do Rodrigues.
Que bem que furta o senhor deputado! Que bem que furta!

terça-feira, maio 04, 2010

'The Portuguese will need some money sooner or later, I think it is quite likely,' Gros said at a briefing in Brussels, mentioning 100 billion euros as a ballpark figure.

Portugal's gross external debt - a measure of its vulnerability to default - reached 226 per cent of its gross domestic product (GDP) in the third quarter of 2009, Gros stated.

Greece's was 167 per cent, Spain's 164 per cent, Italy's 121 per cent, while in Hungary it rose to 141 per cent in 2008, the year the country was bailed-out by the European Union and the IMF."
Não ganhámos nada com estes 5 anos de mediocrecracia.

Não havia méritos escondidos em sócrates, silvaspereiras e quejandos. São nulidades, sem nada a dar, não eram nem são talentos desprezados ou espezinhados a precisarem de uma oportunidade para desabrochar: não... Eram meramente medíocres, incultos e nocivos.
Agora que já verificámos isso, talvez conviesse voltar aos melhorzinhos.

domingo, maio 02, 2010

Era no 8 de Dezembro e assim devia ter continuado, dizia-me.
O desagrado pela mudança não passava dum esboço de protesto pelas coisas modificadas sem razão, mas contribuiu para que o dia não tivesse parte destacada na liturgia sentimental cá de casa, ficando uma festa pequena, devoção de aldeia; e agora que já não se celebra, a saudade é a de uma romaria humilde e antiga.
A descoberta de que somos indizíveis e consequente apaziguamento do desejo narrativo ( nas sua facetas didáctica e exemplar e fundadora de legitimidades) - instala-nos nas nossas lembranças com um indizível e calmo prazer.