quinta-feira, junho 17, 2010

Uma alucinação comum consiste em crer que todos aqueles que nos cercam foram substituídos por estranhos. Pais, filhos, amigos, todos eles desapareceram e são agora sósias que ocupam os seus lugares.
Assim me parece ter acontecido em Portugal com o governo e as instituições do meu país, nos últimos anos.
Para dizer a verdade, parece-me que todo o país foi substituído por um outro. E isto não quer dizer que o original fosse um modelo de virtudes. Era mau, mas mais genuíno e, por isso, a seu modo, mais honesto do que este.
Esta noite, acordado até tarde a ler sobre alucinações. Eu e o autor deste blog.
STALINISMO* dos nossos dias.






* Há quem se refira a «fascismo» para descrever situações deste género, mas o comunismo (em todas as suas variantes) e o Photoshop parecem nascidos um para o outro: trata-se, em ambos, de corrigir uma realidade inconveniente.
Não creio que fosse prática do fascismo, porventura mais resignado com as imperfeições.

segunda-feira, junho 14, 2010

A intervenção do Prof. Doutor Ernâni Lopes no Plano Inclinado do dia 12 é do mais importante que foi dito sobre Portugal nos últimos anos.
Conviria que se visse, estudasse e meditasse.

sábado, junho 12, 2010

Chama-se a isto tirar as palavras da boca.

Se os polícias lessem mais literatura fantástica, estariam mais abertos à chateza quotidiana, onde os acidentes de automóvel sobrepujam as fugas e os homicídios.
E se os bombeiros e unidades de salvamento tivessem melhor preparação e culto da minúcia, também não seria desvantajoso.

quinta-feira, junho 10, 2010

O presidente Silva afirmou que o país está numa «situação insustentável».
Mas logo o primeiro-ministro Pinto desmentiu o presidente Silva, limitando-se a considerar que passamos por «uma situação de dificuldade».

Ou o presidente Silva fala com convicção, ou não.

Se sim, e perante um primeiro-ministro que não se apercebe da gravidade da situação nacional, deve, para ser leal ao juramento prestado, tudo fazer para salvar o país, afastando da chefia do governo um incompetente.
E para isso não é preciso rever a constituição. É preciso, apenas, não ser timorato nem medíocre.

Camões em uniforme de serviço no regimento
das glórias nacionais, séc. XIX.

quarta-feira, junho 09, 2010

Sobre as reformas que já teríamos feito (e com um resultadão, como se prova aqui, no Quarta República):
Creio que, no meio da desgraça, terá alguma graça seguir as relações entre Portugal - governo e o seu presidente Silva, incluídos - e a UE.
O que aquela gente lá de fora vai passar até descobrirem que, se por um lado bastaria telefonar e dar a ordem directa, com a respectiva ameçaça, por outro é inútil qualquer outra coisa mais subtil.
A não ser que a desfaçatez e loucura chegue a tanto que tenha de ser uma ordem directa, em voz alta, que deixe o Silva presidente e o seu governo sem pio.

terça-feira, junho 08, 2010

Muito bom !

Faz lembrar a história contada por Gorbatchev sobre o secretário geral do partido comunista e presidente da Alemanha Oriental, Erich Honecker. Quando visitou a defunta Alemanha de Leste, para convencer o regime a fazer reformas, foi-lhe dito por Honecker que, felizmente, a RDA já fizera todas as reformas.
Já de manhã ficara boquiaberto com as palavras do Santos das finanças.
Começo a pôr a hipótese de loucura colectiva.
Uma senhora que é não sei quê da «educação» vem dizer - com ar valente e arrojado - que há violência nas escolas.
Mas é evidente que há violência ans escolas. Se a autoridade legal se retira, instala-se a violência e a lei do mais forte.
O que é que ela esperava?
Eça de Queiroz conta-nos como no Parlamento britânico era amiúde discutida a dimensão da nossa ignorância e estupidez.
Há pouco, enquando via o ar paciente com que se aconselhava a Portugal a efectuar mais algumas reformas, lembrei-me da postura que o professor adopta para com um aluno pouco inteligente: os europeus perceberam que esta gente que dá pelo nome de "governo português" está minimamente convencida que fez mesmo reformas e usam de «compreensão» a condizer com o que eles pensarão ser atraso.
Mas em breve descobrirão o lado cábula (ou louco) e o tom mudará.

segunda-feira, junho 07, 2010

Mais post crise: depois dos britânicos, os alemães hoje. Em Espanha, Aznar já falou na necessidade de acabar com a agonia do país.

Enquanto isso, por cá, o Silva presidente e o Pinto ministro disseram ambos baboseiras, mas salientou-se o Silva, com aquilo das férias cá dentro.
Perante a quantidade de assuntos que ou são postos de lado, ou passam sem mais discussão, devido à crise, conviria ver como foi na Grã-Bretanha durante a II Guerra Mundial: que assuntos discutiam, que assuntos não evitavam.
Fica aqui o convite. Verão o que aquela gente discutia enquanto as bombas caíam sobre Londres - e no Parlamento.
Sempre se dirá, que, entre outras coisas, houve uma moção de censura ao governo de Churchill.

Que diria disto o Silva presidente?
Encontrei aqui o alívio daquela terrível impressão de ter esquecido qualquer coisa.
Assim, embora com atraso, mais uma vez me cabe agradecer aos Estados Unidos, à Grã-bretanha e seus Domínios a liberdade trazida à Europa.

domingo, junho 06, 2010

Mais vozes do mundo que vem aí (desta vez, más notícias, felizmente, que as boas têm sido quase letais):

«O primeiro-ministro britânico, David Cameron, declarou hoje que o seu país conhecerá anos de "sofrimento" para permitir a redução do défice público e o peso "enorme" da dívida.»