domingo, maio 09, 2010

Vivemos uma situação estranha: o estado das coisas é aquele para que nos advertiu a Dra. Manuela Ferreira Leite, as medidas económicas foram as a Dra. Manuela Ferreira Leite preconizou mas, provavelmente impostas de fora e executadas defeituosamente, de contra-vontade, incompletas, imprecisas, e por um governo chefiado por um ignorante inepto num ambiente de saguão moral, não produzirão os mesmos efeitos.
Ah, o sim do BE e PCP às megalomanias público-privadas demonstra quanto a existência daqueles partidos é sinal do nosso atraso.

quinta-feira, maio 06, 2010

Só ontem à noite vi o video da entrevista do Rodrigues.
Que bem que furta o senhor deputado! Que bem que furta!

terça-feira, maio 04, 2010

'The Portuguese will need some money sooner or later, I think it is quite likely,' Gros said at a briefing in Brussels, mentioning 100 billion euros as a ballpark figure.

Portugal's gross external debt - a measure of its vulnerability to default - reached 226 per cent of its gross domestic product (GDP) in the third quarter of 2009, Gros stated.

Greece's was 167 per cent, Spain's 164 per cent, Italy's 121 per cent, while in Hungary it rose to 141 per cent in 2008, the year the country was bailed-out by the European Union and the IMF."
Não ganhámos nada com estes 5 anos de mediocrecracia.

Não havia méritos escondidos em sócrates, silvaspereiras e quejandos. São nulidades, sem nada a dar, não eram nem são talentos desprezados ou espezinhados a precisarem de uma oportunidade para desabrochar: não... Eram meramente medíocres, incultos e nocivos.
Agora que já verificámos isso, talvez conviesse voltar aos melhorzinhos.

domingo, maio 02, 2010

Era no 8 de Dezembro e assim devia ter continuado, dizia-me.
O desagrado pela mudança não passava dum esboço de protesto pelas coisas modificadas sem razão, mas contribuiu para que o dia não tivesse parte destacada na liturgia sentimental cá de casa, ficando uma festa pequena, devoção de aldeia; e agora que já não se celebra, a saudade é a de uma romaria humilde e antiga.
A descoberta de que somos indizíveis e consequente apaziguamento do desejo narrativo ( nas sua facetas didáctica e exemplar e fundadora de legitimidades) - instala-nos nas nossas lembranças com um indizível e calmo prazer.

quarta-feira, abril 28, 2010

Não esperaria grandes resultado da reunião daqueles dois experimentados estadistas em S. Bento.

E era bem que nada esperava. O rendimento de reinserção? Não chega - como era de esperar.
Esta gente - duas mediocridades - parece ser especialista na insuficiência.
Isto é, a única declaração relevante para Portugal será a de Ângela Merkel.
Fica manifesta a total incapacidade, a raiar o criminoso, deste primeiro-ministro.
Esperemos que seja o fim de uma ilusão (quase) inexplicável.

Idem, a actuação de Cavaco, mudo e quedo não se sabe em nome de quê ou de quem.
É mais ou menos isto. Sim, também.

Como em todas as desgraças há uma parte boa: não se vê tanto a gentalha do governo ou as graçolas do engenheiro.

terça-feira, abril 27, 2010

Um dia miserável: a bolsa de Lisboa desceu 5,36% e a dívida da república está a caminho de se tornar junk bond, uma coisa perigosa que as pessoas sensatas evitam.

O Portugal de sócrates em todo o seu esplendor.
Quem diz que vivemos no marasmo, que a monotonia nos perseguia?
Segundo a CNBC e a Bloomberg, somos um país de alto risco.
Allrisc, como diria o desastrado Pinho.

O inverosímil Sousa (primeiro-ministro) ainda há-de proclamar a modernidade do fiado.

segunda-feira, abril 26, 2010

As bolsas estão positivas (algums a valorizarem mais de 1,5%) ou neutras no mundo inteiro.

A de Lisboa, - tal como a de Atenas - desce mais de 3% e o yield dos bonds portugueses sobe 25 pontos. O mesmo para CDS (credit default swaps, que atingiram records absolutos.
Na CNBC ouve-se falar em Greece e Portugal.
Creio que a farsa acabou.

Nota: o banco daquele senhor Espírito Santo que tece muitos elogios ao actual primeiro-ministro desce, nesta altura, mais de 3%.
Nas alturas em que a devastação se torna mais visível, resta esperar que assim seja, que assim seja como diz, Fräulein Weichbrodt.

sexta-feira, abril 23, 2010

Entretanto, por estas coisas (Pres. Ass. Sindical Juízes defende extinção da Ordem dos Advogados) percebe a gente que a democracia é um regime muito pouco entendido em Portugal.
Seria muito difícil traduzir esta situação no Reino Unido - ou em qualquer país do 1º mundo.
Creio que não vale a pena chamar a atenção para o aleijão que é um sindicato de juízes...

quarta-feira, abril 21, 2010

O Passos, que 3 horas em S. Bento. Teria pouco a dizer, porque o que há a dizer se diz em poucas palavras.

terça-feira, abril 20, 2010

A sentença que suspendeu a pena a um pedófilo de 32 anos que violou uma criança de 8 é uma declaração preciosa do estado laico e republicano português quanto aos cuidados que lhe merece a questão.
Quem leia alguns blogs, diria que torcem pela bancarrota.
Torcem pela redenção. Além de, legitimamente, preverem a falência e se preocuparem com quais serão as suas consequências, esperam, afinal, que grande comoção nos obrigue a ver a luz, à semelhança da catástrofe que Eça esperava para Portugal.
Boas intenções.

segunda-feira, abril 19, 2010

A esquerda usa o escândalo sexual como arma desde sempre.
A Rainha Maria Antonieta, no seu julgamento, foi acusada de incesto sobre o seu filho, o Delfim. A Rainha apelou para as a mães que se encontravam na sala e se comoveram com o odioso e o perverso da acusação.
O tiro saiu pela culatra, mas até hoje a esquerda não deixou de o repetir.
Em Portugal, a esquerda jacobina cala-se sobre a Casa Pia e a lei penal é modificada para permitir que o instituto do crime continuado - desenhado para aligeirar alguns crimes contra o património - lhe fosse aplicado.
E é a esta gentalha que se sentem obrigados a responder?

sexta-feira, abril 16, 2010

Seria, talvez, de algum merecimento que alguém explicasse o perigo do éporreismo,pá, do videirismo e de outros nacionais mitos de desenrascanço. O perigo reside, muito precisamente, em não serem eficazes, em serem, pelo contrário, colossais entraves à resolução dos problemas, porque exactamente consistem em métodos de nāo resolução e de ocultamento de incapacidades.
A presente tristíssima situação é fruto da cultura do desenrascanço e o primeiro-ministro é incompetente, bem como o governo. O país, que preguiçosamente acolheu nesta gente o videirismo, tem agora que se desembaraçar de tanto expediente, da falta de escrúpulos e das confusões que a ineptidão gera para resolver depois os outros problemas.
Até lá, vamo-nos ver gregos.

quarta-feira, abril 14, 2010

Um bom post.
Sempre passei ao lado de Benjamin Constant. Tê-lo-ei provavelmente encontrado várias vezes quando frequentava os escritos e vida de Mme. de Stäel e outras gentes daquela altura - este modo palerma de dizer é de outros tempos mas aqui fica - mas não me lembro de ter lido qualquer coisa dele.
Depois, comecei a encontrar, cada vez mais frequentemente, referências e citações e resolvi-me a ler Constant.
Com proveito:

«Je suis trop sceptique pour être incrédule.»
Benjamin Constant


segunda-feira, abril 12, 2010

Ah sim, esta gente dos livros, terrível, maçadora. E não compreendem o que lêem. Obsessões bibliográficas puras, apenas isso, supõe-se: ferros, ex-libris, gramagens. E o Dr. Pacheco, claro outro maçador. É verdade - e, de caminho, ponha-se-lhe na boca o que ele não disse.
E toda a gente no limbo à espera que o a. do blog viesse explicar a todos o divertido que é tudo e as descobertas fantásticas que é preciso fazer e os três palavrões a dizer de permeio.
Assim num repente, um pouco de arrivismo, um pouco de ressaibiamento, outro tanto de pedantismo, vem abrir o mundo a quem não sabe.
Obsessão decorativa que «se não tiver tido uma origem racional exterior que possa ser partilhada por qualquer um, se transforma em simples decoração.» (sic!)
Também terá enxaquecas ao ouvir Beethoven*?
* Para a gente chata das bibliotecas sorrir.
Compulsadas as notícias de fim-de-semana, temos então que, quanto ao salvamento da pátria, se torna necessária uma revisão constitucional; e no que diz respeito à restauração da saúde das nossas finanças, que ficou acordado o empréstimo de 775 milhões à Grécia.
Não é, ainda assim, de excluir que pudesse ter sido pior.

domingo, abril 11, 2010

Uma brigada de polícia, com colete à prova de bala e equipamentos sofisticados, parte com ar determinado, em busca dos ”falsos portugueses“. Monty Python? Não, “Border Police”: a polícia de fronteira britânica atrás de brasileiros com BIs portugueses falsificados.

quarta-feira, abril 07, 2010

Li o «Dedicácias» do Sena.
Muito de tudo aquilo é escrito no Brasil ou nos Estados Unidos.
A claustrofobia e a raiva - seja ela justa ira - de terra pequena e de se ser nela e não só nela grande se podem espalhar pelo mundo sem grande alívio delas ou ganho da orbe.

terça-feira, abril 06, 2010

O Bomba Inteligente atingiu o cabalístico 7º aniversário.
Muitos parabéns - com algum atraso pascal.
Meditação matinal

Um país que vota Sócrates e tem na oposição o Passos não tem sequer o direito de ser desgraçado: há na desgraça um poder salvífico que esta gente não merece.

segunda-feira, abril 05, 2010

Uma ditadura que parece não causar indignação é esta.
Já era altura de alguém pegar nesses canalhas e pô-los fora do país que oprimem, explicando-lhes que o recreio acabou.
Mas parece que quem pensa assim, é um perigoso extremista. Tratando-se de Cuba justificam-se sempre algumas mortes, o seu quê de tortura (a culpa, bem vistas as coisas, até é dos torturados).
Bonito dia de sol.

As notícias do Público sobre os projectos de arquitectura do actual primeiro-ministro mostram que o controlo de qualidade que em cada partido deve existir não funciona em Portugal. Sócrates é uma prova viva e actuante do nosso falhado ”aggiornamento“.
Ontem, Domingo de Páscoa, no telejornal da TVI, logo após a transmissão da Missa, o Sr. Bispo Torgal, afirmava que não há nenhuma campanha contra o Papa Bento XVI.
Claro que não há, porque haveria?

Minutos antes desta instrução do bispo castrense, o Cardeal Solano, ex-secretário de Estado do Vaticano (cargo de ingénuos) expressava a sua solidariedade a S. Santidade.

quinta-feira, abril 01, 2010

QUINTA-FEIRA SANTA

1 Cor. 11,23-26.
Com efeito, eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus na noite em que era entregue, tomou pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim».
Do mesmo modo, depois da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto sempre que o beberdes, em memória de
mim.»
Porque, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.

sábado, março 27, 2010

sexta-feira, março 26, 2010

Foi encontrado o corpo da desgraçada criança, que lutou para se soltar das mãos que o seguravam e se atitou ao rio para se matar.
A letra de Zeca Afonso:
«Minha Mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou.»
Que o tenha Deus.

quinta-feira, março 25, 2010

Atendendo a isto não é demasiado audacioso concluir que, depois das Conferências do Casino houve uma seca prolongada.
Não percebi bem as notícias: devo agradecer à Fitch ter procedido ao downgrade de Portugal? A única pessoa que disse, preto no branco, ser uma má notícia* foi a Dra. Manuela Ferreira Leite que, todos sabemos, tem mais de 35 anos, e não tem o charme e applomb do Incrível Sousa.
* e parece que os mercados e a imprensa internacional, mas essa gente não percebe.

quarta-feira, março 24, 2010

Se fosse um "c" em facto, ou o "c" de acção, diria que era obra do "acordo" ortográfico.
Agora, a queda de um A?...
O incrível primeiro-ministro anda no Norte de África a dizer coisas sobre "puxar o país".
Puxar na direcção de Alcácer-Quibir.
Depois da tragédia da perda do escol da sociedade portuguesa do fim do século XVI, a Alcácer-Quibir plebeia e burlesca desta gente medonha.
De bonne heure

Aquele ”eu é que não pago” tão sopeiral, tão regateiro, tão pátio triste de más cantigas em que nos tornámos, atirado pela
Medeiros faz-me pensar que a deputada tem letras a mais para representar um povo tão pagador.

terça-feira, março 23, 2010

Antes de me deitar, ouvi no Bloomberg alguém, tratado com muita deferência pelos entrevistadores, designar Portugal como um «another high risk small country». A frase metia um „another” porque ele falava da Grécia e do euro.
Não deve ter lido o PEC.

sexta-feira, março 19, 2010

A «Lusa» governamental e pressurosa aderente ao "acordo" ortográfico além do português estropiado que adoptou, não descura a sua calinada intemporal: com ou sem "acordos" e "reformas" Raul escreve-se assim mesmo, sem acentos no u, mas a «Lusa» escreve Raúl.
Pinto Sousa faz-me lembrar os últimos tempos de Salazar, quando este, já depois de operado e diminuído, ainda pensava ser o chefe do governo. Ninguém lhe tinha dito que já não era. Essa omissão, seja qual o motivo, continua a ser nossa vocação.

terça-feira, março 16, 2010

Em defesa de Constança Cunha e Sá, acusada nos últimos tempos, de socretinismo.
Ser, nesta altura, simpatizante do estado de coisas reinante é uma excentricidade equivalente a qualquer. Faz lembrar aqueles artefactos que as senhoras usam para, pelo contraste, mais se notar o charme delas.
Quem não tem as suas pequenas vaidades?
Faz hoje 185 anos que nasceu Camilo, numa casa do Largo do Carmo, em Lisboa.
Continua a ser um dos nossos grandes escritores - isto para falar apenas dos vivos.

segunda-feira, março 15, 2010

Quando é que são as eleições britânicas?
Embora a distância entre o funcionamento das instituições do Reino Unido e as de Portugal seja muito grande, gasto um naco da minha saloiice a alvitrar que um novo governo em Inglaterra se há-de revelar profícuo para a descoberta da verdade material no caso Freeport.
Lembrar aos mais esquecidos que em Inglaterra não há boçalidades de aldeia do jaez do "segredo de justiça".
A Inglaterra é um país decente do primeiro mundo.
Os protestos eram justificados: « Em Lisboa, o inverno 2009/2010 foi o mais chuvoso desde 1870, com 775 milímetros, segundo o IM.»

sexta-feira, março 12, 2010

A lei frouxa, ou interpretada frouxamente, ou feita já assim, em nome dos sociologismos, tem um corolário necessário: a desprotecção dos mais fracos.

quinta-feira, março 11, 2010

Amuse bouche: Constança Cunha e Sá disse há dias o que eu, que sou pão, pão, queijo, queijo (de preferência num bom restaurante) há muito penso: é a economia. De facto, nada mudou para quem continuou a trabalhar e os subsídios e as redes de solidariedade familiar têm permitido amortecer o efeito do desemprego .
Por isso, apenas agora, à medida que se vai percebendo que chegou a altura da classe média começar a pagar a sua cegueira, começo a esperar mudanças.

Entretanto, gostei de ouvir uma evidência - o que vai sendo raro por aqui: a Dra. Manuela Ferreira Leite falou verdade e tinha razão.
«Números do INE não são simpáticos» diz Teixeira dos Santos.
Pois não, são antipatiquíssimos, é uma teima que os números têm com este governo. Invejas...
Ainda o que nos vale é que não há nenhuma crise política, conforme assevera o Sr. Presidente da República.
Não fora o meu péssimo pessimismo e veria que Portugal vive, afinal de contas, tempos felizes.


Sheherazade, a propósito de coisas sem fim.

terça-feira, março 09, 2010

Nuno Morais Sarmento, abstraindo agora das singularidades políticas que assaca ao chefe de estado, veio colocar a questão onde há muito a suspeitávamos: na higiene.
Portugal tem falta de asseio.
E alguém tinha de nos dizer.

segunda-feira, março 08, 2010

A escola da criança que se atirou ao rio - e ainda quero pensar numa mera fuga - resolveu abrir uma comissão de inquérito. Como o infeliz era martirizado há mais de um ano, podiam começar os comissários pelo seu próprio despedimento, merecido mesmo que não se venha a confirmar a notícia da morte da criança.

sexta-feira, março 05, 2010

Sobre Portugal, lembrar que, tal como dizia Freud dos sonhos, todas as personagens - tudo - somos apenas nós.

Não desalentar.
Clausewitices
Vi, entrecortadamente, parte do frente-a-frente de Rangel e Aguiar Branco. Depois, vi parte do «comentário» ao debate, feito por Ricardo Costa.
Quem ouvir esta gente fica com a impressão que as questões políticas, a economia, o destino de Portugal é, por outros meios, uma mera continuação do campeonato de futebol.

quinta-feira, março 04, 2010

No meio desta desgraça toda, é ser português rir a bom rir com os telefonemas para o Rei de Espanha.

Convido quem por aqui passar que me acompanhe numa boa gargalhada.

quarta-feira, março 03, 2010

Se o que Manuela Moura Guedes diz sobre os telefonemas do Pinto de Sousa ao soberano espanhol é verdade - e nada leva a pensar que o não seja - Don Juan Carlos deve achar bem estranho este país que, enquanto no parlamento nega um voto de pesar pelo assassinato El-Rei D. Carlos I, tio-avô* do Monarca espanhol, tem um primeiro-ministro a solicitar-lhe empenhos para calar notícias incómodas em Portugal...
E daí, talvez não estranhe. Estranhar o quê? É a mesmíssima miséria moral: às claras e a ocultas.
Da inteligência como cold cream capaz de dar algum apaziguamento.

Prof. Paulo Tunhas, em "i" - (está escrito em português não estropiado):

«...Ou que nos abstenhamos rigorosamente de atribuir intenções às acções dos outros, algo que é constitutivamente impossível aos seres humanos, ou então que decretemos, por um acto mental violento, que uma parte da informação de que dispomos pura e simplesmente não existe e que a substituamos pela conveniente ficção de uma realidade mais conforme aos nossos desejos. Este último tipo de solução enquadra-se naquilo que a filosofia discutiu sob vários nomes: "mentira interior", "mentira orgânica", ou, mais banalmente, "auto-ilusão". Nas palavras de Simone Weil, trata- -se de uma "submissão a uma sugestão consciente e desejada". Será preciso explicar em detalhe os malefícios desta opção? »
O que se vê em leaders políticos não é uma animação. De todos, Paulo Rangel, embora com defeitos dispensáveis, parece-me o mais capaz de trazer alguma sensatez de volta. Isso me basta.
Conviria, no entanto, isto lembrando-me do debate de ontem, de que vi parte - que não esquecesse que, em Portugal, para ser modicamente sensato é necessária uma imensa energia e firme determinação.
Creio que Paulo Rangel (e muitos outros) não se apercebeu ainda verdadeiramente do estado moral do país.

terça-feira, março 02, 2010

As más e as boas notícias económicas continuam a ser escandalosamente unexpected, como já tinha reparado aqui.

A coisa não é nova e Miss Prim aconselhava com razão a Miss Cardew que saltasse o capítulo sobre a rupia. Hoje em dia as finanças gregas e um pouco as espanholas (como, aliás, sempre se suspeitou) não são leituras para se fazerem de ânimo leve, devendo ser evitadas por adolescentes e ministros das finanças mais sensíveis.
Sinal dos tempos conturbados: só ontem reparei que as árvores da frente (Prunus cerasifera, var. pissardii , sabedoria importada no Dias com árvores) já estão em flor.
É este o espírito! (Não o de 1640 mas o imorredoiro espírito de 1580)
(e isto dito sem graças, que muitos dos que escolheram a União com Espanha - a UE do tempo, afinal - fizeram-no movidos por preocupações semelhantes às que hoje têm, honestamente, muitos)

segunda-feira, março 01, 2010

Parece que há mais de mil prédios em risco de ruína em Lisboa.
Não se percebe porquê: a nossa legislação é sempre tão moderna! A legislação do arrendamento tão única, tão exemplar, tão sem igual por essa Europa... que não se sabe a que atribuir esta miséria.
Não pode o governo decretar que os prédios não se encontram em risco de ruína? Não pode a lei da gravidade ser declarada ilegal pela assembleia da república ou pelo tribunal constitucional, ou pelo presidente da república, ou pelos três juntos?
Essencial apoiar.

sábado, fevereiro 27, 2010

Tornou-se de leitura diária. Fez hoje 5 anos. Parabéns ao Insurgente.
Temporais, frio, cheias, a situação da Madeira; lá fora, terramotos. A crise económica e as finanças gregas. Sobre tudo isto, o eczema em que aqui se transformou o governo.
É demais!
A leitura deste entendimento do Prof. Doutor Pinto de Albuquerque no DN é de enorme importância.
Se o que se seguir na questão TVI não for o que aqui se ensina, será de temer que Portugal deixe de ser sequer um estado de direito formal: a democracia, o estado de direito, serão meros pro formas, formalismos descartáveis consoante os desejos do tiranete da altura.

Leiam-se estes extractos:

«Com efeito, há indícios de factos que subvertem a liberdade de imprensa como pilar do Estado de direito quando se diz, por exemplo, que "O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes de a PT entrar". Se a conduta indiciada não tiver relevância criminal, então os jornalistas portugueses ficam inteiramente à mercê das "interferências" do poder político, pois ela poderá repetir-se impunemente. Se esta conduta não põe em causa o Estado de direito, então Portugal vive num Estado de direito formal. Se esta conduta é tolerável em Portugal, então a garantia constitucional da liberdade de imprensa é meramente formal.

Aqui chegados, o procurador-geral deve abrir um processo criminal, para investigar toda a matéria de facto que se encontra por esclarecer. Em face de indícios de crime público, o Ministério Público não tem qualquer discricionariedade. Tem de abrir um processo. E a sua anterior decisão de não abertura não tem qualquer força de caso decidido. Se o procurador-geral não abrir um processo criminal, os ofendidos têm ainda um caminho. Devem apresentar queixa sobre os factos indiciados com arguição simultânea da inconstitucionalidade da interpretação do procurador-geral do artigo 262, n.º 2, do CPP, o que obrigará à abertura de um inquérito e à apresentação dos autos a um juiz de instrução. O Estado português não tem apenas uma obrigação substantiva de não violar a liberdade de imprensa, mas tem também uma obrigação processual de investigar qualquer violação da liberdade de imprensa. Se o despacho de arquivamento da notícia do crime for a última palavra do Estado português neste caso, então estão exauridos os meios internos de tutela da liberdade de imprensa e fica o caminho aberto para suscitar a tutela do Tribunal de Estrasburgo.

Esta análise é estritamente jurídica, como foram todas as que tenho feito sobre este assunto. Não faço imputações de segundas intenções aos magistrados envolvidos. Aliás, repudio terminantemente quaisquer extrapolações que ponham em causa a lisura de procedimentos e a idoneidade profissional de todos os magistrados envolvidos. Porque defendo e confio na independência dos tribunais e na autonomia do Ministério Público. »

Realces do blog.
Chegado a casa, abri a televisão e ao sabor do comando fui ter a um programa que percebi chamar-se «Conversas com elas». Uma senhora loira fala de Eduardo Prado Coelho, do chico-espertismo português, e de Sócrates, do filósofo. E diz "haviam livros".

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

“I can't explain myself, I'm afraid, because I'm not myself, you see”

Lewis Carroll
Creio que, mesmo depois de uma mudança de governo para outro mais decente, os estragos provocados por esta gente demorarão anos a ser reparados - se o forem. Os optimistas verão talvez uma oportunidade nesse processo. Eu vejo apenas um caminho difícil, sem qualquer garantia de que venhamos a ficar melhor - por mais inconcebível que isso nos possa parecer.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Morreu, aos 42 anos, Orlando Zapata Tamayo, prisioneiro de consciência do regime de Cuba.
Era pouco conhecido e tem sido pouco lastimada a sua morte. A causa imediata foi a greve de fome. A verdadeira, mediata, a atitude criminosa dos assassinos comunistas cubanos.
Tamayo, um operário, não terá filmes de Hollywood a comemorá-lo, nem suscitará repúdios bem-pensantes do criminoso regime responsável pela sua desgraça. Nada, ou muito pouco se fará, passados alguns dias. Mas a sua dignidade inteira, pura, incorrupta, reduzirá permamentemente à dimensão da triste farsa as declarações e os silêncios dos seus carrascos, da corja que oprime e extorque o povo cubano.
Orlando Zapata Tamayo não é uma vítima convenable.
Para sabermos mais sobre nós: Pordata
Muitos aplausos para a Fundação Francisco Manuel dos Santos e António Barreto - que, no mundo dos blogs, é o autor do Jacarandá.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Pergunta não retórica sobre uma entrevista desinteressante e quase amadora na parte da economia: a questão do endividamento externo foi abordada? A que atribui o primeiro-ministro a desconfiança dos investidores internacionais sobre as finanças e a economia portuguesa? A uma campanha negra?
Chuva, granizo, trovoada e ventania.

domingo, fevereiro 21, 2010

Se algums das consequências dos invernos rigorosos são tristes e aflitivas situações como agora a da Madeira, não é menos verdade que estava já um pouco farto dos invernos sem frio e sem chuva - e que a seu modo contribuiam para a ligeireza naciona. Ao menos, a metereologia não obedece a campanhas eleitorais e serve para nos lembrar dos tremendos erros que se cometem em nome do tudo está bem.

sábado, fevereiro 20, 2010

Portugal na ergoesfera*

*Ao redor do buraco negro, tenha ele rotação ou não, existe uma superfície imaginária chamada de horizonte dos acontecimentos, que delimita a região de não regresso [...] a ergosfera. Trata-se de uma região distorcida, exterior ao horizonte dos acontecimentos, em que tudo o que nela entrar é "forçado" a girar no sentido da rotação do buraco negro, porém não é uma zona de não regresso. A ergosfera é exteriormente delimitada pelo chamado "limite estático".
Uma pergunta que me tem atormentado: Is the theatrical scandal dead?

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Depois daquela do quase pornográfico, esta. Começo a gostar do Penedos: «Pronto, faz-te de novas que o nome vai-te aparecer, só que o apoiante espontâneo e fervoroso primeiro deve querer assinar o contrato, não é?»
Isto é de quem se tornou céptico a ler Camilo.



Marguerite Yourcenar interroga-se (em O Tempo, esse grande escultor) sobre como seria o falar do dia-a-dia de outros tempos, o que não chega à literatura, nem quando esta o procura transcrever. Tenta encontrá-lo nas actas das sessões de tortura sofridas por Campanella e outros, incluídas no processo daquele. As palavras que lemos hoje, proferidas sob a dor, levam a crer que os translatos são fiéis - talvez involuntariamente - e a partir delas podemos conjecturar o tom e as palavras do que seriam as conversas quotidianas.
Daqui a anos, os vindouros saberão como falavam entre si na intimidade os próximos do poder político de Portugal, e que palavras da rotina da ignomínia.
Ao contrário dos torturados na sua agonia, a linguagem que usam é profundamente reles e ofensiva.
Que se saiba, ao menos, que esta gente desprezível morreu pela boca. Cada hora que esse tal Prestrelo continua no cargo que ocupa, é uma afronta intolerável ao povo português.
Tempos de crise.
Há quem os ache interessantes.
Podem ser.
Aqui, em Portugal, e agora, as crises são enfadonhas e cansativas.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Concordo com o que se escreve aqui, salvo no que ao destino do primeiro-ministro diz respeito: Sócrates, sem o poder do estado não existe. E não tendo presente desejável e muito menos um futuro ridente (que a sua boa estrela providenciaria) a oferecer ao bom povo, no momento em que deixar S. Bento será devolvido ao nada de onde veio - e o seu destino será apenas esse nada.
E é isso que ele (e quem o cerca) sabe muito bem.

A única novidade virá da imensa gente que se perguntará como e porquê não viu mais cedo a vacuidade do «animal feroz». E deles, novos conversos quanto dos velhos crentes na medíocridade de Sócrates, se soltará um imenso suspiro de alívio.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Quarta-feira de Cinzas

Memento, homo, quod pulvis es, et in pulverem reverteris.
Pareceu-me ouvir há pouco José Manuel Fernandes dizer que houve ameaças aos jornalistas do Público. "Tenha cuidado", teria dito José Sócrates, por diversas vezes. Mas devo ter ouvido mal. Em qualquer país que não seja tenazmente reles, quem ficaria em apuros seria o polítiquete que se atrevesse a dizer uma coisa dessas.
Não, ouvi mal, de certeza.