quarta-feira, abril 14, 2010

Um bom post.
Sempre passei ao lado de Benjamin Constant. Tê-lo-ei provavelmente encontrado várias vezes quando frequentava os escritos e vida de Mme. de Stäel e outras gentes daquela altura - este modo palerma de dizer é de outros tempos mas aqui fica - mas não me lembro de ter lido qualquer coisa dele.
Depois, comecei a encontrar, cada vez mais frequentemente, referências e citações e resolvi-me a ler Constant.
Com proveito:

«Je suis trop sceptique pour être incrédule.»
Benjamin Constant


segunda-feira, abril 12, 2010

Ah sim, esta gente dos livros, terrível, maçadora. E não compreendem o que lêem. Obsessões bibliográficas puras, apenas isso, supõe-se: ferros, ex-libris, gramagens. E o Dr. Pacheco, claro outro maçador. É verdade - e, de caminho, ponha-se-lhe na boca o que ele não disse.
E toda a gente no limbo à espera que o a. do blog viesse explicar a todos o divertido que é tudo e as descobertas fantásticas que é preciso fazer e os três palavrões a dizer de permeio.
Assim num repente, um pouco de arrivismo, um pouco de ressaibiamento, outro tanto de pedantismo, vem abrir o mundo a quem não sabe.
Obsessão decorativa que «se não tiver tido uma origem racional exterior que possa ser partilhada por qualquer um, se transforma em simples decoração.» (sic!)
Também terá enxaquecas ao ouvir Beethoven*?
* Para a gente chata das bibliotecas sorrir.
Compulsadas as notícias de fim-de-semana, temos então que, quanto ao salvamento da pátria, se torna necessária uma revisão constitucional; e no que diz respeito à restauração da saúde das nossas finanças, que ficou acordado o empréstimo de 775 milhões à Grécia.
Não é, ainda assim, de excluir que pudesse ter sido pior.

domingo, abril 11, 2010

Uma brigada de polícia, com colete à prova de bala e equipamentos sofisticados, parte com ar determinado, em busca dos ”falsos portugueses“. Monty Python? Não, “Border Police”: a polícia de fronteira britânica atrás de brasileiros com BIs portugueses falsificados.

quarta-feira, abril 07, 2010

Li o «Dedicácias» do Sena.
Muito de tudo aquilo é escrito no Brasil ou nos Estados Unidos.
A claustrofobia e a raiva - seja ela justa ira - de terra pequena e de se ser nela e não só nela grande se podem espalhar pelo mundo sem grande alívio delas ou ganho da orbe.

terça-feira, abril 06, 2010

O Bomba Inteligente atingiu o cabalístico 7º aniversário.
Muitos parabéns - com algum atraso pascal.
Meditação matinal

Um país que vota Sócrates e tem na oposição o Passos não tem sequer o direito de ser desgraçado: há na desgraça um poder salvífico que esta gente não merece.

segunda-feira, abril 05, 2010

Uma ditadura que parece não causar indignação é esta.
Já era altura de alguém pegar nesses canalhas e pô-los fora do país que oprimem, explicando-lhes que o recreio acabou.
Mas parece que quem pensa assim, é um perigoso extremista. Tratando-se de Cuba justificam-se sempre algumas mortes, o seu quê de tortura (a culpa, bem vistas as coisas, até é dos torturados).
Bonito dia de sol.

As notícias do Público sobre os projectos de arquitectura do actual primeiro-ministro mostram que o controlo de qualidade que em cada partido deve existir não funciona em Portugal. Sócrates é uma prova viva e actuante do nosso falhado ”aggiornamento“.
Ontem, Domingo de Páscoa, no telejornal da TVI, logo após a transmissão da Missa, o Sr. Bispo Torgal, afirmava que não há nenhuma campanha contra o Papa Bento XVI.
Claro que não há, porque haveria?

Minutos antes desta instrução do bispo castrense, o Cardeal Solano, ex-secretário de Estado do Vaticano (cargo de ingénuos) expressava a sua solidariedade a S. Santidade.

quinta-feira, abril 01, 2010

QUINTA-FEIRA SANTA

1 Cor. 11,23-26.
Com efeito, eu recebi do Senhor o que também vos transmiti: o Senhor Jesus na noite em que era entregue, tomou pão e, tendo dado graças, partiu-o e disse: «Isto é o meu corpo, que é para vós; fazei isto em memória de mim».
Do mesmo modo, depois da ceia, tomou o cálice e disse: «Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; fazei isto sempre que o beberdes, em memória de
mim.»
Porque, todas as vezes que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, anunciais a morte do Senhor, até que Ele venha.

sábado, março 27, 2010

sexta-feira, março 26, 2010

Foi encontrado o corpo da desgraçada criança, que lutou para se soltar das mãos que o seguravam e se atitou ao rio para se matar.
A letra de Zeca Afonso:
«Minha Mãe quando eu morrer
Ai chore por quem muito amargou
Para então dizer ao mundo
Ai Deus mo deu Ai Deus mo levou.»
Que o tenha Deus.

quinta-feira, março 25, 2010

Atendendo a isto não é demasiado audacioso concluir que, depois das Conferências do Casino houve uma seca prolongada.
Não percebi bem as notícias: devo agradecer à Fitch ter procedido ao downgrade de Portugal? A única pessoa que disse, preto no branco, ser uma má notícia* foi a Dra. Manuela Ferreira Leite que, todos sabemos, tem mais de 35 anos, e não tem o charme e applomb do Incrível Sousa.
* e parece que os mercados e a imprensa internacional, mas essa gente não percebe.

quarta-feira, março 24, 2010

Se fosse um "c" em facto, ou o "c" de acção, diria que era obra do "acordo" ortográfico.
Agora, a queda de um A?...
O incrível primeiro-ministro anda no Norte de África a dizer coisas sobre "puxar o país".
Puxar na direcção de Alcácer-Quibir.
Depois da tragédia da perda do escol da sociedade portuguesa do fim do século XVI, a Alcácer-Quibir plebeia e burlesca desta gente medonha.
De bonne heure

Aquele ”eu é que não pago” tão sopeiral, tão regateiro, tão pátio triste de más cantigas em que nos tornámos, atirado pela
Medeiros faz-me pensar que a deputada tem letras a mais para representar um povo tão pagador.

terça-feira, março 23, 2010

Antes de me deitar, ouvi no Bloomberg alguém, tratado com muita deferência pelos entrevistadores, designar Portugal como um «another high risk small country». A frase metia um „another” porque ele falava da Grécia e do euro.
Não deve ter lido o PEC.

sexta-feira, março 19, 2010

A «Lusa» governamental e pressurosa aderente ao "acordo" ortográfico além do português estropiado que adoptou, não descura a sua calinada intemporal: com ou sem "acordos" e "reformas" Raul escreve-se assim mesmo, sem acentos no u, mas a «Lusa» escreve Raúl.
Pinto Sousa faz-me lembrar os últimos tempos de Salazar, quando este, já depois de operado e diminuído, ainda pensava ser o chefe do governo. Ninguém lhe tinha dito que já não era. Essa omissão, seja qual o motivo, continua a ser nossa vocação.

terça-feira, março 16, 2010

Em defesa de Constança Cunha e Sá, acusada nos últimos tempos, de socretinismo.
Ser, nesta altura, simpatizante do estado de coisas reinante é uma excentricidade equivalente a qualquer. Faz lembrar aqueles artefactos que as senhoras usam para, pelo contraste, mais se notar o charme delas.
Quem não tem as suas pequenas vaidades?
Faz hoje 185 anos que nasceu Camilo, numa casa do Largo do Carmo, em Lisboa.
Continua a ser um dos nossos grandes escritores - isto para falar apenas dos vivos.

segunda-feira, março 15, 2010

Quando é que são as eleições britânicas?
Embora a distância entre o funcionamento das instituições do Reino Unido e as de Portugal seja muito grande, gasto um naco da minha saloiice a alvitrar que um novo governo em Inglaterra se há-de revelar profícuo para a descoberta da verdade material no caso Freeport.
Lembrar aos mais esquecidos que em Inglaterra não há boçalidades de aldeia do jaez do "segredo de justiça".
A Inglaterra é um país decente do primeiro mundo.
Os protestos eram justificados: « Em Lisboa, o inverno 2009/2010 foi o mais chuvoso desde 1870, com 775 milímetros, segundo o IM.»

sexta-feira, março 12, 2010

A lei frouxa, ou interpretada frouxamente, ou feita já assim, em nome dos sociologismos, tem um corolário necessário: a desprotecção dos mais fracos.

quinta-feira, março 11, 2010

Amuse bouche: Constança Cunha e Sá disse há dias o que eu, que sou pão, pão, queijo, queijo (de preferência num bom restaurante) há muito penso: é a economia. De facto, nada mudou para quem continuou a trabalhar e os subsídios e as redes de solidariedade familiar têm permitido amortecer o efeito do desemprego .
Por isso, apenas agora, à medida que se vai percebendo que chegou a altura da classe média começar a pagar a sua cegueira, começo a esperar mudanças.

Entretanto, gostei de ouvir uma evidência - o que vai sendo raro por aqui: a Dra. Manuela Ferreira Leite falou verdade e tinha razão.
«Números do INE não são simpáticos» diz Teixeira dos Santos.
Pois não, são antipatiquíssimos, é uma teima que os números têm com este governo. Invejas...
Ainda o que nos vale é que não há nenhuma crise política, conforme assevera o Sr. Presidente da República.
Não fora o meu péssimo pessimismo e veria que Portugal vive, afinal de contas, tempos felizes.


Sheherazade, a propósito de coisas sem fim.

terça-feira, março 09, 2010

Nuno Morais Sarmento, abstraindo agora das singularidades políticas que assaca ao chefe de estado, veio colocar a questão onde há muito a suspeitávamos: na higiene.
Portugal tem falta de asseio.
E alguém tinha de nos dizer.

segunda-feira, março 08, 2010

A escola da criança que se atirou ao rio - e ainda quero pensar numa mera fuga - resolveu abrir uma comissão de inquérito. Como o infeliz era martirizado há mais de um ano, podiam começar os comissários pelo seu próprio despedimento, merecido mesmo que não se venha a confirmar a notícia da morte da criança.

sexta-feira, março 05, 2010

Sobre Portugal, lembrar que, tal como dizia Freud dos sonhos, todas as personagens - tudo - somos apenas nós.

Não desalentar.
Clausewitices
Vi, entrecortadamente, parte do frente-a-frente de Rangel e Aguiar Branco. Depois, vi parte do «comentário» ao debate, feito por Ricardo Costa.
Quem ouvir esta gente fica com a impressão que as questões políticas, a economia, o destino de Portugal é, por outros meios, uma mera continuação do campeonato de futebol.

quinta-feira, março 04, 2010

No meio desta desgraça toda, é ser português rir a bom rir com os telefonemas para o Rei de Espanha.

Convido quem por aqui passar que me acompanhe numa boa gargalhada.

quarta-feira, março 03, 2010

Se o que Manuela Moura Guedes diz sobre os telefonemas do Pinto de Sousa ao soberano espanhol é verdade - e nada leva a pensar que o não seja - Don Juan Carlos deve achar bem estranho este país que, enquanto no parlamento nega um voto de pesar pelo assassinato El-Rei D. Carlos I, tio-avô* do Monarca espanhol, tem um primeiro-ministro a solicitar-lhe empenhos para calar notícias incómodas em Portugal...
E daí, talvez não estranhe. Estranhar o quê? É a mesmíssima miséria moral: às claras e a ocultas.
Da inteligência como cold cream capaz de dar algum apaziguamento.

Prof. Paulo Tunhas, em "i" - (está escrito em português não estropiado):

«...Ou que nos abstenhamos rigorosamente de atribuir intenções às acções dos outros, algo que é constitutivamente impossível aos seres humanos, ou então que decretemos, por um acto mental violento, que uma parte da informação de que dispomos pura e simplesmente não existe e que a substituamos pela conveniente ficção de uma realidade mais conforme aos nossos desejos. Este último tipo de solução enquadra-se naquilo que a filosofia discutiu sob vários nomes: "mentira interior", "mentira orgânica", ou, mais banalmente, "auto-ilusão". Nas palavras de Simone Weil, trata- -se de uma "submissão a uma sugestão consciente e desejada". Será preciso explicar em detalhe os malefícios desta opção? »
O que se vê em leaders políticos não é uma animação. De todos, Paulo Rangel, embora com defeitos dispensáveis, parece-me o mais capaz de trazer alguma sensatez de volta. Isso me basta.
Conviria, no entanto, isto lembrando-me do debate de ontem, de que vi parte - que não esquecesse que, em Portugal, para ser modicamente sensato é necessária uma imensa energia e firme determinação.
Creio que Paulo Rangel (e muitos outros) não se apercebeu ainda verdadeiramente do estado moral do país.

terça-feira, março 02, 2010

As más e as boas notícias económicas continuam a ser escandalosamente unexpected, como já tinha reparado aqui.

A coisa não é nova e Miss Prim aconselhava com razão a Miss Cardew que saltasse o capítulo sobre a rupia. Hoje em dia as finanças gregas e um pouco as espanholas (como, aliás, sempre se suspeitou) não são leituras para se fazerem de ânimo leve, devendo ser evitadas por adolescentes e ministros das finanças mais sensíveis.
Sinal dos tempos conturbados: só ontem reparei que as árvores da frente (Prunus cerasifera, var. pissardii , sabedoria importada no Dias com árvores) já estão em flor.
É este o espírito! (Não o de 1640 mas o imorredoiro espírito de 1580)
(e isto dito sem graças, que muitos dos que escolheram a União com Espanha - a UE do tempo, afinal - fizeram-no movidos por preocupações semelhantes às que hoje têm, honestamente, muitos)

segunda-feira, março 01, 2010

Parece que há mais de mil prédios em risco de ruína em Lisboa.
Não se percebe porquê: a nossa legislação é sempre tão moderna! A legislação do arrendamento tão única, tão exemplar, tão sem igual por essa Europa... que não se sabe a que atribuir esta miséria.
Não pode o governo decretar que os prédios não se encontram em risco de ruína? Não pode a lei da gravidade ser declarada ilegal pela assembleia da república ou pelo tribunal constitucional, ou pelo presidente da república, ou pelos três juntos?
Essencial apoiar.

sábado, fevereiro 27, 2010

Tornou-se de leitura diária. Fez hoje 5 anos. Parabéns ao Insurgente.
Temporais, frio, cheias, a situação da Madeira; lá fora, terramotos. A crise económica e as finanças gregas. Sobre tudo isto, o eczema em que aqui se transformou o governo.
É demais!
A leitura deste entendimento do Prof. Doutor Pinto de Albuquerque no DN é de enorme importância.
Se o que se seguir na questão TVI não for o que aqui se ensina, será de temer que Portugal deixe de ser sequer um estado de direito formal: a democracia, o estado de direito, serão meros pro formas, formalismos descartáveis consoante os desejos do tiranete da altura.

Leiam-se estes extractos:

«Com efeito, há indícios de factos que subvertem a liberdade de imprensa como pilar do Estado de direito quando se diz, por exemplo, que "O Sócrates perguntou-me se não era melhor correr com o Moniz antes de a PT entrar". Se a conduta indiciada não tiver relevância criminal, então os jornalistas portugueses ficam inteiramente à mercê das "interferências" do poder político, pois ela poderá repetir-se impunemente. Se esta conduta não põe em causa o Estado de direito, então Portugal vive num Estado de direito formal. Se esta conduta é tolerável em Portugal, então a garantia constitucional da liberdade de imprensa é meramente formal.

Aqui chegados, o procurador-geral deve abrir um processo criminal, para investigar toda a matéria de facto que se encontra por esclarecer. Em face de indícios de crime público, o Ministério Público não tem qualquer discricionariedade. Tem de abrir um processo. E a sua anterior decisão de não abertura não tem qualquer força de caso decidido. Se o procurador-geral não abrir um processo criminal, os ofendidos têm ainda um caminho. Devem apresentar queixa sobre os factos indiciados com arguição simultânea da inconstitucionalidade da interpretação do procurador-geral do artigo 262, n.º 2, do CPP, o que obrigará à abertura de um inquérito e à apresentação dos autos a um juiz de instrução. O Estado português não tem apenas uma obrigação substantiva de não violar a liberdade de imprensa, mas tem também uma obrigação processual de investigar qualquer violação da liberdade de imprensa. Se o despacho de arquivamento da notícia do crime for a última palavra do Estado português neste caso, então estão exauridos os meios internos de tutela da liberdade de imprensa e fica o caminho aberto para suscitar a tutela do Tribunal de Estrasburgo.

Esta análise é estritamente jurídica, como foram todas as que tenho feito sobre este assunto. Não faço imputações de segundas intenções aos magistrados envolvidos. Aliás, repudio terminantemente quaisquer extrapolações que ponham em causa a lisura de procedimentos e a idoneidade profissional de todos os magistrados envolvidos. Porque defendo e confio na independência dos tribunais e na autonomia do Ministério Público. »

Realces do blog.
Chegado a casa, abri a televisão e ao sabor do comando fui ter a um programa que percebi chamar-se «Conversas com elas». Uma senhora loira fala de Eduardo Prado Coelho, do chico-espertismo português, e de Sócrates, do filósofo. E diz "haviam livros".

sexta-feira, fevereiro 26, 2010

“I can't explain myself, I'm afraid, because I'm not myself, you see”

Lewis Carroll
Creio que, mesmo depois de uma mudança de governo para outro mais decente, os estragos provocados por esta gente demorarão anos a ser reparados - se o forem. Os optimistas verão talvez uma oportunidade nesse processo. Eu vejo apenas um caminho difícil, sem qualquer garantia de que venhamos a ficar melhor - por mais inconcebível que isso nos possa parecer.

quarta-feira, fevereiro 24, 2010

Morreu, aos 42 anos, Orlando Zapata Tamayo, prisioneiro de consciência do regime de Cuba.
Era pouco conhecido e tem sido pouco lastimada a sua morte. A causa imediata foi a greve de fome. A verdadeira, mediata, a atitude criminosa dos assassinos comunistas cubanos.
Tamayo, um operário, não terá filmes de Hollywood a comemorá-lo, nem suscitará repúdios bem-pensantes do criminoso regime responsável pela sua desgraça. Nada, ou muito pouco se fará, passados alguns dias. Mas a sua dignidade inteira, pura, incorrupta, reduzirá permamentemente à dimensão da triste farsa as declarações e os silêncios dos seus carrascos, da corja que oprime e extorque o povo cubano.
Orlando Zapata Tamayo não é uma vítima convenable.
Para sabermos mais sobre nós: Pordata
Muitos aplausos para a Fundação Francisco Manuel dos Santos e António Barreto - que, no mundo dos blogs, é o autor do Jacarandá.

segunda-feira, fevereiro 22, 2010

Pergunta não retórica sobre uma entrevista desinteressante e quase amadora na parte da economia: a questão do endividamento externo foi abordada? A que atribui o primeiro-ministro a desconfiança dos investidores internacionais sobre as finanças e a economia portuguesa? A uma campanha negra?
Chuva, granizo, trovoada e ventania.

domingo, fevereiro 21, 2010

Se algums das consequências dos invernos rigorosos são tristes e aflitivas situações como agora a da Madeira, não é menos verdade que estava já um pouco farto dos invernos sem frio e sem chuva - e que a seu modo contribuiam para a ligeireza naciona. Ao menos, a metereologia não obedece a campanhas eleitorais e serve para nos lembrar dos tremendos erros que se cometem em nome do tudo está bem.

sábado, fevereiro 20, 2010

Portugal na ergoesfera*

*Ao redor do buraco negro, tenha ele rotação ou não, existe uma superfície imaginária chamada de horizonte dos acontecimentos, que delimita a região de não regresso [...] a ergosfera. Trata-se de uma região distorcida, exterior ao horizonte dos acontecimentos, em que tudo o que nela entrar é "forçado" a girar no sentido da rotação do buraco negro, porém não é uma zona de não regresso. A ergosfera é exteriormente delimitada pelo chamado "limite estático".
Uma pergunta que me tem atormentado: Is the theatrical scandal dead?

sexta-feira, fevereiro 19, 2010

Depois daquela do quase pornográfico, esta. Começo a gostar do Penedos: «Pronto, faz-te de novas que o nome vai-te aparecer, só que o apoiante espontâneo e fervoroso primeiro deve querer assinar o contrato, não é?»
Isto é de quem se tornou céptico a ler Camilo.



Marguerite Yourcenar interroga-se (em O Tempo, esse grande escultor) sobre como seria o falar do dia-a-dia de outros tempos, o que não chega à literatura, nem quando esta o procura transcrever. Tenta encontrá-lo nas actas das sessões de tortura sofridas por Campanella e outros, incluídas no processo daquele. As palavras que lemos hoje, proferidas sob a dor, levam a crer que os translatos são fiéis - talvez involuntariamente - e a partir delas podemos conjecturar o tom e as palavras do que seriam as conversas quotidianas.
Daqui a anos, os vindouros saberão como falavam entre si na intimidade os próximos do poder político de Portugal, e que palavras da rotina da ignomínia.
Ao contrário dos torturados na sua agonia, a linguagem que usam é profundamente reles e ofensiva.
Que se saiba, ao menos, que esta gente desprezível morreu pela boca. Cada hora que esse tal Prestrelo continua no cargo que ocupa, é uma afronta intolerável ao povo português.
Tempos de crise.
Há quem os ache interessantes.
Podem ser.
Aqui, em Portugal, e agora, as crises são enfadonhas e cansativas.

quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Concordo com o que se escreve aqui, salvo no que ao destino do primeiro-ministro diz respeito: Sócrates, sem o poder do estado não existe. E não tendo presente desejável e muito menos um futuro ridente (que a sua boa estrela providenciaria) a oferecer ao bom povo, no momento em que deixar S. Bento será devolvido ao nada de onde veio - e o seu destino será apenas esse nada.
E é isso que ele (e quem o cerca) sabe muito bem.

A única novidade virá da imensa gente que se perguntará como e porquê não viu mais cedo a vacuidade do «animal feroz». E deles, novos conversos quanto dos velhos crentes na medíocridade de Sócrates, se soltará um imenso suspiro de alívio.

quarta-feira, fevereiro 17, 2010

Quarta-feira de Cinzas

Memento, homo, quod pulvis es, et in pulverem reverteris.
Pareceu-me ouvir há pouco José Manuel Fernandes dizer que houve ameaças aos jornalistas do Público. "Tenha cuidado", teria dito José Sócrates, por diversas vezes. Mas devo ter ouvido mal. Em qualquer país que não seja tenazmente reles, quem ficaria em apuros seria o polítiquete que se atrevesse a dizer uma coisa dessas.
Não, ouvi mal, de certeza.

sábado, fevereiro 13, 2010

Sexta-feira de Carnaval

A arte da entrevista, no i (jornal que usa o português estropiado, que, por isso, não leio e onde fui parar inadvertidamente)
Está convencido da razão de Sócrates?
- Absolutamente convencido. [De que outro modo poderia responder o advogado - sem incorrer imediatamente e desde logo em responsabilidade disciplinar? E o jornalista que vai entrevistar um advogado não tem obrigação de saber isso e não fazer perguntas demasiado palermas?]

[...]
Aliás vejo com mágoa que tantas personalidades neste país estejam tão preocupadas com o direito à liberdade de expressão ou pensamento. (sic)
Que também é um direito inscrito na Constituição
- Sim, mas dizia, é uma coisa que me faz rir porque ninguém está preocupado com o valor da honra, do bom nome, da reputação, dos valores individuais – que são da maior importância. O que é mais importante? Pôr em causa isso é pormo-nos numa situação de brutal fragilidade perante filhos, netos, comunidade onde vivo, é uma situação de vergonha.

Daniel Proença de Carvalho, advogado do dito.

Haverá algum site de apoio aos traumatizados familiares de Nixon, ou familiares de políticos em geral? A graça desta parte da entrevista consiste em considerar que o estatuto de um político se rege, nestas questões, pelos mesmos princípios aplicáveis aos particulares que se ocupam meramente a cultiver son jardin. O uso de tais argumentos, de gargalhada em qualquer país do primeiro mundo - ao qual não pertencemos -, serve para aferir do nosso atraso. O jornalista não percebe a diferença?
Em pouco tempo li escrito "atual" e "projeto".

Agradecia que pensassem bem - mas bem - a que propósito iríamos começar a escrever de tal modo; porquê afastarmo-nos do actuel/actual/aktuell que é como se escreve «actual» também em francês, inglês e alemão - as línguas em que é pensado e veiculado 98,9% do que é relevante a nível mundial em qualquer ramo do saber -, para adoptar a grafia do Brasil, um país analfabeto que, mesmo sem consoantes duplas, não deixa de continuar a cair nos resultados do Pisa, em matérias como leitura e matemática (ocupa os penúltimos lugares, atrás de países africanos muito menos ricos).
Que, ainda por cima, alguém tenha o topete e a falta de vergonha de vir crismar como "evolução" esta saloiice que seria considerada um coisa de doidos em qualquer país culto é algo que diz o que somos mais cruamente do que as agências de rating.
Infelizmente, quero crer que esta paixão pela lorpa «novidade» é a mesmo que nos leva a acarinhas as mais descabeladas mentirolas sobre a nossa realidade, quase que estabelecendo um padrão de comportamento psicótico, uma opção pelo delírio.
Se há alguma coisa que quase me fascina nesta gente que é ser o exacto contrário do que devia ser numa altura de crise.
Queríamos um guia seguro que nos levasse por caminho firme e somos obrigados a fazer jornada com uma quadrilha de má catadura; e é de coração apertado e mão no bolso que lá vamos andando, desalentados, sem saber se chegaremos ao destino, sempre em sobressalto, aturdidos por mil peripécias, à espera que apareça gente, algum socorro.

quinta-feira, fevereiro 11, 2010

Atrasado para a manifestação...
13, 30 é uma hora péssima para quem não vive em Lisboa.

quarta-feira, fevereiro 10, 2010

Que fazer, quando centenas de anos de subdesenvolvimento e desmazelo desabam sobre nós?
Cansativo, tudo isto.

terça-feira, fevereiro 09, 2010

Qualquer despacho judicial que se ocupe de indícios de actividade passível de integrar um crime contra o estado de direito por parte de um primeiro-ministro deve ser, não apenas público, mas difusamente publicitado, salvo se da publicação possa resultar dano para a investigação - o que não é o caso.
Qualquer outra interpretação e qualquer outra prática não é compatível com o estado de direito tal como existe nas nações civilizadas.

domingo, fevereiro 07, 2010

Agora mesmo na televisão, a sensatez de Marcelo Rebelo de Sousa.
Ah, sim, não é conveniente agora. Olha lá o estrangeiro.
Pois é. Nunca é. Pena que o resultado de tanto respeito pelas conveniências e de tanta sensatez seja esta miséria vil, mesquinha, catitinha.
Alguns, menos preocupados com as conveniências, vão fazendo os seus negócios.
Em paz, a salvo, certos do sossego.
Para não alarmar os mercados.
Só um louco não perceberia que tem de ser assim.
Se não tívessemos cuidado até podíamos acabar no 1º mundo.
E depois, hein?
Desvantagens de não ter votado em Cavaco:

Não poder dizer que nunca mais voto Cavaco.

O Presidente da República, que fala de inversões de rumo na economia, não percebe que precisamos de outra alma, que o país não pode viver nesta crispação, dividido, a sofrer um primeiro-ministro que grande parte execra e questiona a idoneidade moral para exercer o cargo. Não é este o perfil de um leader para os tempos difíceis e Cavaco parece não perceber isso...
O tempo do destino - ananké e agnórise.
Escreve Vasco Pulido Valente:

«A única hipótese plausível é a de que o primeiro-ministro vive doentiamente no mundo imaginário da propaganda. Ou melhor, de que, para ele, a propaganda substituiu a vida: Sócrates já não partilha ou nunca partilhou connosco, cidadãos comuns, a mesma percepção de Portugal »
Sim, uma evidência. Ele e uma parte da classe média que vive dos subsídios e favores da ilusão.
Mas o que verdadeiramente me assusta é perceber que alguém assim se prepara para continuar no cargo.

sexta-feira, fevereiro 05, 2010

Será que alguém pensa que esta gente (Sócrates e Cia.) saiam pelo seu próprio pé do poder?
Ao contrário dos seus opositores e dos «comentadores» eles sabem como funciona o país.
O mercado da dívida dará a Portugal a calamidade salvadora em que pensava Eça quando escreveu a Catástrofe? É de crer que não. O poder salvífico da miséria tem sido grandemente exagerado e pode pouco ao pé do metal imediato e sonante. E mesmo em tempo de dificuldades há sempre um fundo de gaveta explorável.

quinta-feira, fevereiro 04, 2010

Quem diz que a literatura portuguesa - tão reduzida que anda ao recontar de estados de alma à solta e namoricos em andares da EPUL - me havia de dar um bom momento?
Sim, foi ontem, quando o nosso primeiro-ministro tratou por Como é que tu te chamas ? Jorge? o José Luís Peixoto que é um escritor e poeta conhecido, de reputação firmada e que de que eu não li senão dois ou três poemas, devido ao meu péssimo gosto em questões literárias.
O escritor e poeta, que participava num encontro entre o primeiro-ministro e alguns jovens, para um balanço comemorativo dos 100 dias deste governo, quando entrevistado sobre o ocorrido, manifestou na breve e contida declaração, proferida sem «tempestades de medo nos lábios» e «sem gritos desesperados sob conversas», algum descoroçoamento pelo facto do primeiro-ministro parecer não o conhecer de parte nenhuma.
O episódio, com o que tem de lamentável, não deixa de ser sinal dos tempos: há dois ou três anos, o jovem Peixoto talvez se tivesse limitado a um alegre "gosto que me chamem Jorge" e o primeiro-ministro afirmado que confundira o jovem escritor e poeta com a ressurreição de Sena, o Jorge.
A bolsa de Lisboa continua a cair. A maior queda de todo o mundo. Por uma vez, de novo grandes.
O tempo está cinzento, um dia bonito de tempo de Inverno.
Estou a ler The Moon is a Baloon, de David Niven, a bem disposta autobiografia dele e que aconselho a vários títulos.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

As acções do Banco Espírito Santo caíram 6,98% na Bolsa, o que constitui, por si, uma crise política.
O que a Comissão Europeia disse sobre a nossa situação: já sabia que era assim, condiz com o que a Dra. Manuela Ferreira Leite tinha dito na campanha eleitoral.
Entretanto, percebendo que o episódio Mário Crespo correu mal, e como a economia não vai melhor (principalmente porque as declarações da Comissão não permitem mentirolas) aparece a proposta de publicação dos rendimentos de todos os portugueses on line - enquanto a transperência estatal recua.
Mas, não percebo é algumas reacções: o socialismo é isto mesmo. Estando já praticamente assegurada pelo governo a parte que diz respeito à miséria, faltava a parte da devassa e controlo da vida de cada um.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Neste triste Caso Mário Crespo ninguém se compadeceu ainda do Maître d'Hotel que vê o seu restaurante invadido por gente sem modos que incomoda os outros clientes.
Os modos de agir para significar aos clientes-problema que são indesejáveis estarão padronizados, mas serão difíceis de pôr em prática num país onde os limiares da decência em uso no 1º mundo foram há muito abandonados.
A minha total solidariedade com o digno profissional e com os restantes clientes envolvidos malgré eux na triste cena.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

O primeiro-ministro afirma que o défice foi um resultado desejado pelo governo.
Considerando que o ministro das finanças se mostrou surpreendido com os números do défice, é de crer que o acaso e o deus-dará desempenham um papel considerável nos resultados obtidos pelas políticas do actual governo.
1º de Fevereiro 1908
Enquanto vivemos as alegrias e os esplendores desta virtuosa república, lembremos que passa hoje mais um aniversário sobre o assassinato d'El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Herdeiro, D. Luís Filipe.
ONDE ESTÁ ESTE ARTIGO???
O Fim da Linha
Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.