quinta-feira, fevereiro 04, 2010

A bolsa de Lisboa continua a cair. A maior queda de todo o mundo. Por uma vez, de novo grandes.
O tempo está cinzento, um dia bonito de tempo de Inverno.
Estou a ler The Moon is a Baloon, de David Niven, a bem disposta autobiografia dele e que aconselho a vários títulos.

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

As acções do Banco Espírito Santo caíram 6,98% na Bolsa, o que constitui, por si, uma crise política.
O que a Comissão Europeia disse sobre a nossa situação: já sabia que era assim, condiz com o que a Dra. Manuela Ferreira Leite tinha dito na campanha eleitoral.
Entretanto, percebendo que o episódio Mário Crespo correu mal, e como a economia não vai melhor (principalmente porque as declarações da Comissão não permitem mentirolas) aparece a proposta de publicação dos rendimentos de todos os portugueses on line - enquanto a transperência estatal recua.
Mas, não percebo é algumas reacções: o socialismo é isto mesmo. Estando já praticamente assegurada pelo governo a parte que diz respeito à miséria, faltava a parte da devassa e controlo da vida de cada um.

terça-feira, fevereiro 02, 2010

Neste triste Caso Mário Crespo ninguém se compadeceu ainda do Maître d'Hotel que vê o seu restaurante invadido por gente sem modos que incomoda os outros clientes.
Os modos de agir para significar aos clientes-problema que são indesejáveis estarão padronizados, mas serão difíceis de pôr em prática num país onde os limiares da decência em uso no 1º mundo foram há muito abandonados.
A minha total solidariedade com o digno profissional e com os restantes clientes envolvidos malgré eux na triste cena.

segunda-feira, fevereiro 01, 2010

O primeiro-ministro afirma que o défice foi um resultado desejado pelo governo.
Considerando que o ministro das finanças se mostrou surpreendido com os números do défice, é de crer que o acaso e o deus-dará desempenham um papel considerável nos resultados obtidos pelas políticas do actual governo.
1º de Fevereiro 1908
Enquanto vivemos as alegrias e os esplendores desta virtuosa república, lembremos que passa hoje mais um aniversário sobre o assassinato d'El-Rei D. Carlos I e do Príncipe Herdeiro, D. Luís Filipe.
ONDE ESTÁ ESTE ARTIGO???
O Fim da Linha
Mário Crespo
Terça-feira dia 26 de Janeiro. Dia de Orçamento. O Primeiro-ministro José Sócrates, o Ministro de Estado Pedro Silva Pereira, o Ministro de Assuntos Parlamentares, Jorge Lacão e um executivo de televisão encontraram-se à hora do almoço no restaurante de um hotel em Lisboa. Fui o epicentro da parte mais colérica de uma conversa claramente ouvida nas mesas em redor. Sem fazerem recato, fui publicamente referenciado como sendo mentalmente débil (“um louco”) a necessitar de (“ir para o manicómio”). Fui descrito como “um profissional impreparado”. Que injustiça. Eu, que dei aulas na Independente. A defunta alma mater de tanto saber em Portugal. Definiram-me como “um problema” que teria que ter “solução”. Houve, no restaurante, quem ficasse incomodado com a conversa e me tivesse feito chegar um registo. É fidedigno. Confirmei-o. Uma das minhas fontes para o aval da legitimidade do episódio comentou (por escrito): “(…) o PM tem qualidades e defeitos, entre os quais se inclui uma certa dificuldade para conviver com o jornalismo livre (…)”. É banal um jornalista cair no desagrado do poder. Há um grau de adversariedade que é essencial para fazer funcionar o sistema de colheita, retrato e análise da informação que circula num Estado. Sem essa dialéctica só há monólogos. Sem esse confronto só há Yes-Men cabeceando em redor de líderes do momento dizendo yes-coisas, seja qual for o absurdo que sejam chamados a validar. Sem contraditório os líderes ficam sem saber quem são, no meio das realidades construídas pelos bajuladores pagos. Isto é mau para qualquer sociedade. Em sociedades saudáveis os contraditórios são tidos em conta. Executivos saudáveis procuram-nos e distanciam-se dos executores acríticos venerandos e obrigados. Nas comunidades insalubres e nas lideranças decadentes os contraditórios são considerados ofensas, ultrajes e produtos de demência. Os críticos passam a ser “um problema” que exige “solução”. Portugal, com José Sócrates, Pedro Silva Pereira, Jorge Lacão e com o executivo de TV que os ouviu sem contraditar, tornou-se numa sociedade insalubre. Em 2010 o Primeiro-ministro já não tem tantos “problemas” nos media como tinha em 2009. O “problema” Manuela Moura Guedes desapareceu. O problema José Eduardo Moniz foi “solucionado”. O Jornal de Sexta da TVI passou a ser um jornal à sexta-feira e deixou de ser “um problema”. Foi-se o “problema” que era o Director do Público. Agora, que o “problema” Marcelo Rebelo de Sousa começou a ser resolvido na RTP, o Primeiro Ministro de Portugal, o Ministro de Estado e o Ministro dos Assuntos Parlamentares que tem a tutela da comunicação social abordam com um experiente executivo de TV, em dia de Orçamento, mais “um problema que tem que ser solucionado”. Eu. Que pervertido sentido de Estado. Que perigosa palhaçada.
Nota: Artigo originalmente redigido para ser publicado hoje (1/2/2010) na imprensa.

sábado, janeiro 30, 2010

Por aqui, cheguei aqui, a este post sobre a Condessa de Grefulhe.
O extraordinário artefacto para o frio foi inútil, por mais eficaz que termicamente tenha sido: Proust já morrera há muito nesse ano de 1942.

quinta-feira, janeiro 28, 2010

Azul magnificente e frio.

Lá fora (onde a realidade vive) parece que não acreditam muito nas boas intenções governamentais.

quarta-feira, janeiro 27, 2010

Notas ao café, depois de almoço
Tal como havia predito, as agências de rating e os mercados - que, tendo às vezes as suas rêveries, são essencialmente sensatos - reagiram mal ao subterfúgio infantil governamental que dá pelo nome de Orçamento.
Creio que este governo precisará de ser demitido e substituído por outro que tome as medidas necessárias.

Ainda não li as reacções ao Orçamento, mas 1%* parece-me um nada, com «Tudo como dantes. Quartel-Geneneral em Abrantes»

Antevejo más notícias das agências de rating.

Talvez o exterior imponha qualquer coisa.

Não se lobriga sombra de estadista.

A manhã está bonita e fria.

Notas ao café, depois de almoço

Tal como havia predito, as agências de rating e os mercados - que, tendo às vezes as suas rêveries, são essencialmente sensatos - reagiram mal aos subterfúgios infantis acolhidos no dá pelo nome de Orçamento.
Creio que este governo precisará de ser demitido e substituído por outro que tome as medidas necessárias.
*Segundo alguns, fictício.

terça-feira, janeiro 26, 2010

segunda-feira, janeiro 25, 2010

O novo joguinho do iphone : trata-se de fazer de Deus, tentando evitar que os homens construam a torre de Babel. À disposição, o dedo de Deus, que esmaga os homens, e outros atributos da fúria divina: raios, dilúvios, ventos destruidores, chuva de fogo e terramotos.
O jogador ajuda o inimigo, Deus, e ganha quanto mais matar dos seus semelhantes e evitar a construção de Babel.
Um jogo para uma sociedade laica que vê Deus como o adversário, de facto um diabolos, uma adversidade à felicidade humana.
É o nº 1 de vendas em França.
O meu score é de 737 cretinos mortos dos mais diversos modos.
É. Lá, como aqui, é um castigo para a gente ver a Verdade.

sexta-feira, janeiro 22, 2010

Será que é no final de Si Versailles* m'était conté, que Madame de Sévigné, dirigindo-se a Le Grand Turenne, Molière, Madame de Montespan, Fénelon diz com éclat e agudeza que «Louis XIV c'est nous»?
Quando vejo, hoje, esta gente a clamar contra a liberdade, do Soares de Chávez e dos que se calaram com o fim do Jornal de Sexta, à demais gentalha preocupada com a privacidade do primeiro-ministro, que se insurge contra a jurisprudência dos tribunais internacionais em matéria de liberdade de expressão, ou o quase geral silêncio perante a proposta de tribunais especiais para julgar jornalistas, quando penso na impassibilidade quase geral perante ignomínias difíceis de encontrar por esse hemisferio norte, lembro-me do mot de esprit da Marquesa e penso que também todos eles - quase todos nós - podiam exclamar o que só os cegos não querem ver: Salazar fomos nós, somos todos nós - sem ao menos o cepticismo lúcido dele.
Depois de escrever este post li este, soberbo; por qualquer motivo, lembrei-me deste que escrevi.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Assuntos do dia
Escutas:
Ouvi tudo. Valem por bibliotecas. Gostei muito do ouvir Pinto da Costa, parece-me uma pessoa paciente e com humor.
«Passos Coelho»:
A Tóbis já fez melhor. O argumento ressente-se das várias autorias, de vez em quando torna-se inverosímil. A interpretação é muito rígida e empastelada, não flui (como se diz agora).
Às vezes tenho quase pena de não ser de esquerda. Se fosse, podia acreditar na máquina de terramotos de norte-americana. E tudo ficava, de algum modo, mais fácil.

quarta-feira, janeiro 20, 2010

terça-feira, janeiro 19, 2010

À parte o ligeiramente ridículo que é uma república laica conceder Grã-Cruzes da Ordem de Cristo, é agradável ver Pedro Santana Lopes condecorado.

E tal como ele, também nós estamos a ter o que merecemos.

segunda-feira, janeiro 18, 2010

Sim, com certeza. Felizmente.
Mas, para além do que imediatamente permitiu o aparecimento desta gente, seria conveniente ver bem como se criou o vácuo que tão avidamente esta gente preencheu.

sábado, janeiro 16, 2010

«Não chegámos por acaso ou de repente a esta situação quase catastrófica. Sem anos de erros sobre erros, de políticas suicidas, de incúria, de corrupção e de cegueira não nos tínhamos metido neste aperto. E, hoje, quando acabou o espaço e o tempo para qualquer espécie de dilação e paliativos, persistimos, com angústia ou sem ela, no oportunismo de sempre.
[...]
Discutir o Orçamento - e, pior ainda, segundo consta, um plano a longo prazo para "solidificar" as finanças públicas - sem uma palavra sobre a administração central e local, sobre a corrupção, sobre a justiça e, principalmente, sobre a eficácia e papel do Estado Providência, é um absurdo. As "vozes do derrotismo" são hoje, infelizmente, a "voz da realidade".»

Vasco Pulido Valente in «Público»



Die Blüte welk, das Leben alt

Original e tradução aqui.

quinta-feira, janeiro 14, 2010

«Lisboa e toda a zona em redor será, provavelmente, a praia de Madrid.»

António Mendonça, o ministro das Obras Públicas português

Retive este "e toda a zona em redor". Achei carinhoso que não quisesse excluir ninguém. Afinal, em Portugal não está tudo ao redor de Lisboa?
E não está mal, como desígnio nacional. Assim haja bolas de Berlim.
O google traz até este blog gente que procura cosmopolitismo.
Aqui, neste cantinho.
É cansativo viver neste país.
O Dr. Rangel aconselha firmeza ao PSD na questão orçamental. É um clássico.
O mesmo Dr. Rangel apoia incondicionalmente a candidatura do Dr. Victor Constâncio ao BCE. É outro clássico (por mim, não apoiaria a candidatura do Dr. Constâncio a nada que não fosse a reforma).
Tinha saudades de algum sol.

quarta-feira, janeiro 13, 2010

A Dra. Manuela Ferreira Leite e mais umas aves agoirentas corroboradas por estrangeiros, inimigos do governo da nação:

A agência de avaliação de risco de crédito Moody’s considera que a economia portuguesa está em risco de enfrentar uma “morte lenta”, à medida que deverá ter de dedicar uma fatia cada vez maior da riqueza que produz para pagar a sua dívida, com os investidores a passarem a exigir juros cada vez maiores para emprestarem dinheiro ao país.
A agência, uma das três tidas como referência nos mercados mundiais, apesar de não terem previsto a derrocada do sistema financeiro americano e britânico, faz esta apreciação também em relação à Grécia, num relatório emitido hoje em Londres e citado pela agência norte-americana Bloomberg.
Este cenário não é tido como inevitável, e a agência considera que Portugal, com uma dívida e défice públicos inferiores, tem uma janela de oportunidade maior do que a da Grécia, mas que “não vai estar aberta indefinidamente”.Este cenário não é tido como inevitável, e a agência considera que Portugal, com uma dívida e défice públicos inferiores, tem uma janela de oportunidade maior do que a da Grécia, mas que “não vai estar aberta indefinidamente”.
A agência chama também a atenção para que ambos Portugal e Grécia têm competitividades económicas estruturalmente baixas, mesmo em períodos de pujança económica, o que se traduziu em défices elevados. Além disso, o facto de terem respectivamente quatro e três milhões de cidadãos fora do país faz aumentar o risco de que em caso de aumento significativo de impostos a retoma dos fluxos de emigração sangre parte substancial do potencial económico, assinala o Diário Económico.
Esta semana, um analista da agência, Anthony Thomas, já tinha dado uma entrevista ao diário britânico “Financial Times” onde dizia que “se Portugal quer evitar uma redução do rating terá que tomar medidas significativas e credíveis para controlar o défice”.
A margem de prémio que os investidores exigem para comprar dívida pública portuguesa em vez de alemã duplicou desde 2008, estando 0,69 pontos percentuais.
A Moody’s já tinha lançado no Outono um alerta (“outlook”) negativo sobre as perspectivas para a sua classificação (“rating”) de Aa2 atribuída ao risco da dívida pública portuguesa. A classificação da Grécia foi cortada de A2 para A1 a 22 de Dezembro.

terça-feira, janeiro 12, 2010

Antes de me deitar vi o twitter e apercebi-me duma discussão sobre aquele programa inconcebível, os Pros e contras. Tinha estado com a televisão fechada a ouvir a Antena2 e a ler. Li cinco horas seguidas, quase sem dar por isso, o que há muito não me acontecia.

segunda-feira, janeiro 11, 2010

Reflexões de pequeno investidor

As acções do BES recuperaram este ano muito menos do que as do BPI.
Uma injustiça que parece favorecer o banco do Dr. Fernando Ulrich, uma pessoa desagradável que tem faltado, por várias vezes, ao respeito devido ao Senhor Primeiro-Ministro e penalizado o banco do Dr. Ricardo Espiríto Santo Salgado, que sabe ver as virtudes dos nossos actuais governantes.
Eis um exemplo dos malefícios do mercado.

domingo, janeiro 10, 2010


Coisas do Domingo à tarde.
Isto é outra daquelas músicas francesas de agora.
A Mélanie Pain é uma daquelas francesas de sempre.

sábado, janeiro 09, 2010



Descobertas de novidades francesas, da nouvelle scène, esta noite.
A gestação em França é de anos, a adolescência começa depois da conclusão do bac. Alguns alternarão mesmo as primeiras incursões no pop com os Haute Études ou a Normale Supérior.

Mas pronto, é assim, eles são assim mesmo.

sexta-feira, janeiro 08, 2010

quinta-feira, janeiro 07, 2010

Após 5 anos, o governo socialista transformou Portugal numa tristonha parada de incongruências que passa por entre filas de desempregados sem esperança.

terça-feira, janeiro 05, 2010

Escreve-se agora que não somos um estado de direito. É claro que não somos um estado de direito (como desde há muitos anos se podia luminosamente perceber). Gostamos de enunciar princípios e ideias, desde que tudo seja gratuito: é-nos estranha a ideia de aceitar as consequências desagradáveis deles; no limite, aceitamos que valham no bom tempo. Ora, agora os tempos vão maus, só faltava a maçada dos princípios para ajudar à perdição da colheita. É a nossa ruralidade de país com pouca terra de boa semeadura, onde hoje, como ontem, há fome.
Sendo assim, a única novidade de vulto é terem ficado esta ordem de coisas, estes fingimentos arrebicados, para inglês ver, mais à vista.
De resto, nada que se não resolva em três parágrafos de surrobeco.
Há alguns protestos? Pois deixá-los haver, pensam eles para com os seus botões.

segunda-feira, janeiro 04, 2010

Há os convictos, mas campeiam os vendidos: dizem que «tem de ser» e na «inevitabilidade» da coisa com a etiqueta do preço dessas atoleimadas certezas ainda dependurada na rutilante sensatez que é suposto ornar quem se ocupa destas coisas grandes que não estão ao nosso alcance.
É muito cansativo viver num país subdesenvolvido e sem dignidade.

domingo, janeiro 03, 2010

sábado, janeiro 02, 2010

quarta-feira, dezembro 23, 2009

SANTO E FELIZ NATAL!


Lucas 2,1-14.
Por aqueles dias, saiu um édito da parte de César Augusto para ser recenseada toda a terra. Este recenseamento foi o primeiro que se fez, sendo Quirino governador da Síria. Todos iam recensear-se, cada qual à sua própria cidade. Também José, deixando a cidade de Nazaré, na Galileia, subiu até à Judeia, à cidade de David, chamada Belém, por ser da casa e linhagem de David, a fim de se recensear com Maria, sua esposa, que se encontrava grávida. E, quando eles ali se encontravam, completaram-se os dias de ela dar à luz e teve o seu filho primogénito, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura, por não haver lugar para eles na hospedaria. Na mesma região encontravam-se uns pastores que pernoitavam nos campos, guardando os seus rebanhos durante a noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes, e a glória do Senhor refulgiu em volta deles; e tiveram muito medo. O anjo disse-lhes: «Não temais, pois anuncio-vos uma grande alegria, que o será para todo o povo: Hoje, na cidade de David, nasceu-vos um Salvador, que é o Messias Senhor. Isto vos servirá de sinal: encontrareis um menino envolto em panos e deitado numa manjedoura.» De repente, juntou-se ao anjo uma multidão do exército celeste, louvando a Deus e dizendo: «Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens do seu agrado.»
Da Bíblia Sagrada

segunda-feira, dezembro 21, 2009

Um bom discurso da Dra. Manuela Ferreira Leite, hoje.

«Estamos a assistir ao desmoronamento total das instituições e ao seu descrédito», disse, referindo-se à conduta do primeiro-ministro e PS.

Não sei se é por ser conservador, se por mero asco ao politicamente correcto, mas tenho tido muito frio.

domingo, dezembro 20, 2009

A grosseria, a boçalidade do PS dá a Portugal um tom de taberna.
Ao menos que in vino veritas.
E por veritas, a vida que havia além do défice e que o medíocre Sampaio nos prometia era esta. Não é uma vida agradável.

quinta-feira, dezembro 17, 2009

Pequeno tremor de terra, há minutos.

Tão ténue aqui, que fui ao site do Instituto de Meteorologia confirmar.

quarta-feira, dezembro 16, 2009

Revel's analysis helps to make sense of the latest version of the totalitarian temptation, this time the temptation of radical Islam (though "Last Exit to Utopia" does not explicitly broach the subject). Strange as it may seem, today's Western "progressives," whose domestic political fixations include gay marriage and abortion rights, nonetheless frequently find themselves making common cause with Muslim fanatics for whom such things are anathema.

This seemingly strange affiliation has partly to do with a shared loathing, among radical leftists and radical Islamists, of the U.S. and Israel. But as Revel astutely notes, the deeper bond is what he calls the "excommunication of modernity," a mark of the left going back to the primitivist and anti-civilizational musings of Jean-Jacques Rousseau. The Islamists understand this commonality as well: Among the doctrinal sources cited by Osama bin Laden, one finds not only the Quran but also the works of Noam Chomsky.

Anyone who thinks the totalitarian temptation lies buried in Lenin's mausoleum would do well to read this book, a fitting literary capstone in the career of one of France's true immortals
Tenho atribuído à minha idade o achar que esta moda das t-shirts e blusas no Inverno é uma insanidade.
Vejo, com alegria, que não.

segunda-feira, dezembro 14, 2009

Hoje a Igreja celebra hoje S. João da Cruz, reformador e doutor da Igreja e que escrevia assim:

Llama de amor viva

¡Oh llama de amor viva
que tiernamente hieres
de mi alma en el más profundo centro!
Pues ya no eres esquiva
acaba ya si quieres,
¡rompe la tela de este dulce encuentro!

¡Oh cauterio süave!
¡Oh regalada llaga!
¡Oh mano blanda! ¡Oh toque delicado
que a vida eterna sabe
y toda deuda paga!
Matando, muerte en vida has trocado.

¡Oh lámparas de fuego
en cuyos resplandores
las profundas cavernas del sentido,
que estaba oscuro y ciego,
con estraños primores
color y luz dan junto a su querido!

¡Cuán manso y amoroso
recuerdas en mi seno
donde secretamente solo moras,
y en tu aspirar sabroso
de bien y gloria lleno,
cuán delicadamente me enamoras!

domingo, dezembro 13, 2009

Vivemos, em Portugal, sob a ditadura da mais grosseira imbecilidade.
Sair daqui, não sei como será.

sexta-feira, dezembro 11, 2009

Ontem ouvi o Pinto de Sousa declarar muito contente que a UE estaria na linha da frente em questões climáticas. Com o casamento gay, também alguém falava em estar na linha da frente ou quase. O mesmo Sousa considerava o aborto um progresso que trouxe Portugal para o séc. XXI. Idem, na questão dos carrinhos eléctricos, sem se dar conta essa que pulsão crista da onda é um índice seguro de atraso e a compulsão saloia e nova-rica de estar ao corrente uma velha maldição de parvenus.
Ri com o ar do meu post anterior, tão pergunta final à mesa de café e que é mera tristeza com a nossa incapacidade de resposta aos problemas, de como é tudo continua tão pesado, tão grave, tão hirto e desajeitado. A agilidade nacional esgotou-se - ou poupa-se - para passar a fronteira, a salto se necessário.

quinta-feira, dezembro 10, 2009

Novas da Irlanda: os funcionários públicos vão ter reduções de 10% nos seus ordenados.

E por cá?

terça-feira, dezembro 08, 2009

segunda-feira, dezembro 07, 2009

A política gosta de procurar na ciência a legitimação das suas propostas. Restos do séc. XIX. De vários aspectos do séc. XIX - e XX. E a ciência não se faz rogada em o fazer.
A coisa já provocou centenas de milhares de mortos, mas há sempre quem esteja pronto a repetir a experiência, principalmente quando tal significa mais estado, lucros a empresas correctas e um modo expedito de impor soluções que os populações não aceitariam se não fossem apresentadas como decretos infalíveis do altíssimo.
Há 68 anos, Pearl Harbor.

(Estas datas começam a parecer muito distantes. Talvez para compensar esse esmaecer tento aproximar os acontecimentos, pergunto-me como teria sido a reacção em Portugal, à hora do jantar - o ataque começou eram aqui seis da tarde: choque, indignação e a percepção que o curso da guerra mudara nesse dia.)

sábado, dezembro 05, 2009

A propósito do aquecimento global,
«You can't teach an old dogma new tricks»
como lembrava Dorothy Parker.

sexta-feira, dezembro 04, 2009

«Tenha juízinho»
O tom rufia chegou à tribuna de S. Bento.
Para condizer com a pelintrice.

quinta-feira, dezembro 03, 2009

O gosto de, ao ler isto enrouquecer aos berros de Eu bem dizia, eu bem dizia!, é obnubilado pelo facto cruel de não ser posssível isentar os prudentes que previram esta situação triste das consequências do que aí vem.
(Ah, parece-me evidente que o aumento de impostos - a acontecer - deve acarretar a demissão do primeiro-ministro).

quarta-feira, dezembro 02, 2009

Vi esta vitória da AD (o único projecto político a que aderi de alma e coração) como algo de natural, o desejo de aggiornamento do país, ou pelo menos de uma parte importante da classe média (de uma classe média antiga, sofisticada, educada o suficiente para sentir e meditar o nosso atraso, com a consciência que o problema nacional era político e não resolúvel por ímpetos tecnocráticos, fossem eles os mais bem intencionados) e que conduziria atrás de si o resto de Portugal. Pensei que nos iríamos aproximar da média europeia no funcionamento das instituições políticas e civis. E que o mesmo se passaria com a situaçao económica.
Com Camarate - a 4 de Dezembro de 1980 - percebi que tudo seria mais difícil - embora estivesse longe de supor quanto. Não esperava do PS, sozinho ou em coligação, senão a manutenção do status quo e apercebi-me cedo que os governos de Cavaco Silva (com as palermices do português novo - e do sucesso), não iriam tratar do essencial, que era - e é - a dimensão e o lugar do estado na vida portuguesa.
Quanto a isso, a única novidade é que o estado evoluiu de mero obstáculo a activo corruptor.

segunda-feira, novembro 30, 2009

Sou um adepto ferveroso do boicote, enquanto forma de protesto: pode ser eficaz e tem a vantagem acrescida de exigir de nós um minimum, se não de sacrifício, de disposição para arcar com consequências que, mesmo que consistam numa mera incomodidade, sempre lembram que não há convenientes sem inconvenientes, uma verdade simples que em Portugal não é uma verdade evidente.
Tudo isto para dizer que deixei de ler o Público - como, antes, já tinha deixado de ler o DN, ouvir a TSF, ver os telejornais da TVI ou ver o Eixo do Mal.
Deixei, por isso, de ter acesso às crónicas de Vasco Pulido Valente, uma maçada importante.
No entanto, sei que irei encontrar as mais importantes.
E a de ontem é do melhor que tenho lido nos últimos tempo, com o aliciante especial de constituir puro e simples bom senso.

sábado, novembro 28, 2009

«Com este Estado, talvez o Dr. Salazar não tivesse precisado de PIDE e de censura. Há trinta anos que andamos a fingir que pode haver direito e pluralismo onde quem fala corre o risco de ser castigado e onde para fazer negócios é preciso pôr dinheiro em envelopes. A democracia portuguesa vive com uma víbora sobre o peito. Só não nos morde se estivermos muito quietinhos e formos bem comportados. É assim que queremos viver, quietinhos e bem comportados?»

Rui Ramos, CM (via ABC do PPM)
O estatismo português - e VPV julga-nos mais estatistas do que os franceses - continuou depois do 25 de Abril a ser um desígnio nacional. É o estado-mãe, que alimenta e o estado-pai, que castiga.
Quando castiga mais do que alimenta - e não estou sequer convencido que estejamos nessa fase - há murmúrios ligeiros contra o divino.
Reparo que não reli uma linha que fosse de Moby Dick este Novembro. Idem para o Monte dos Vendavais, que também gostei, durante anos, de reler no regresso do frio. Sinto-me vagamente desagradado com estes desleixos, interpreto-os como sinais certos da morte de outro daqueles que somos ao longo do tempo.
Este ano, acabo o mês preocupado e ocupado - além da história do Rui Ramos - apenas com o Dubai e a exposição do HSBC, temor pouco insólito, que guarda de outros tempos um sempre estranhado mas persistente gosto pela sobriedade (que fez de mim, durante muito tempo, um leitor de um só livro).
Pouco sei ainda deste parvenu que veste um velho hábito.

quinta-feira, novembro 26, 2009

A meio de considerações em francês, muito francesas, muito smart-doutas sobre a violência na revolução francesa, o cerveau malade de Robespierre.
Eis-nos chegados ao ensaio de aeroporto.
Já a ideia, que perpassava e repassava, de ser a cultura europeia intrinsecamente perversa (um continuum, das perseguições aos albigenses a Auschwitz), era servida com o requinte e elevados padrões de desonestidade habituais da boa cuisine française que se dedica às idées.

quarta-feira, novembro 25, 2009

E também faz hoje anos que tive a experiência única de estar sob recolher obrigatório. Não foi desagradável: não tencionava sair. E o fim do projecto comunista (que, entre nós, era sublinhado por visitas constantes de grupos folklóricos de escusas repúblicas da ex-URSS) foi uma feliz coisa.
Antes de mais: faz hoje 164 anos que nasceu Eça de Queiroz.

terça-feira, novembro 24, 2009

segunda-feira, novembro 23, 2009

Em Novembro, duas mortes. A de Kennedy, da minha infância, a de Proust, uma morte da minha idade adulta.
Não me esqueci de nenhuma delas e andei até à procura do espargo de Manet (para pôr aqui a ilustrar um post que não escrevi). Não do molho que Swann sugere ao Duque de Guermantes que compre (um molho inteiro pareceu-me excesso de diligência, coisa de clube de leitura dos confins da Manitoba) mas aquele que o pintor deu ao comprador do molho. Este.

sábado, novembro 21, 2009

Para d. Para K; e também para Fr. - lembrar imprevistas descobertas

A alegria de exclamar, «mas é isso, é exactamente isso!», também já a julgava prescrita por não uso. Mas não: quando encontrei aqui isto de de Ayn Rand: «A civilização é o progresso em direcção a um sociedade de privacidade. Toda a existência do selvagem é pública, governada pelas leis da sua tribo. A civilização é o processo de libertação do homem relativamente aos homens- em itálico o âmago da coisa - relembrei como difusamente sempre pensara que os actos públicos dos soberanos eram, mais que impositivas e ameaçadoras encenações de poder, uma dádiva paternal, a renúncia dessa intimidade (por muito apenas moderna que possa ser a militância consequente nela) - que eles poderiam ter e não tinham - com especial destaque para os monarcas portugueses, com um péssimo serviço de mesa que sofriam em público - e para a ambição desmedida do viver recolhido que Mme. De Maintenon - que vinda das ruas onde mendigou publicamente - impôs em Versailles (ainda que sob o disfarce de excesso barroco).

sexta-feira, novembro 20, 2009

Sobre processos, verdades formais, & outras coisas atinentes à justiça:

Al Capone foi um comerciante de móveis de Chicago que teve um problema com o fisco.

Tudo o mais que se diga não tem o menor suporte legal (não foi condenado por qualquer outro delito por qualquer sentença transitada em julgado).

quinta-feira, novembro 19, 2009

Outro orçamento rectificativo, desemprego nos dois dígitos, tudo aquilo que a oposição, Dra. Manuela Ferreira Leite e Paulo Portas, tinha previsto e avisado há muito.
Um governo pouco sério e medíocre, este que os portugueses quiseram escolher.
O déficit previsto atingiu oficialmente 8%.
A realidade tem uma vida obscura e espinhosa em Portugal - agravada com o actual governo.

quarta-feira, novembro 18, 2009

Chegou hoje a História de Portugal coordenada pelo Rui Ramos. Estou a folhear.

«Chegarem-me livros pelo correio» é um prazer que se mantém intacto. Um dos poucos.

terça-feira, novembro 17, 2009

Adriano Moreira usa o termo estado exíguo para designar um estado incapaz de satisfazer as suas atribuições.
É um termo infeliz. Um estado pode ser exíguo, no sentido de diminuto, e ser muito eficaz. Pense-se na Confederação Suiça.
O termo seria mais estado-gangrena, já que estão na moda as metáforas com origem na patalogia.
Gangrena parece-me muito acertado. Segundo o Priberam, gangrena é : 1. Med. Extinção da acção vital em parte determinada, seguida de decomposição e apodrecimento.
2. Fig. Corrupção moral.
3. Doutrinas perniciosas.
4. Doença das árvores que lhes destrói a casca e a madeira.
gangrena dos ossos: necrose.

segunda-feira, novembro 16, 2009

Enquanto isto (as emanações pútridas do lameiro em que isto se tornou), os USA preparam-se para deixar cair o pacto sobre o clima. O interessante é que, quando Obama toma medidas que não agradam aos fiéis do politicamente correcto, transforma-se no impessoal e quase incógnito "Presidente dos EUA".
Encontrei a palavra num post do Abupto e era dela que tinha andado à procura para tentar definir a situação que vivemos aqui: subserviência. A subserviência, lembremos, é qualidade de quem se presta servilmente às vontades de outrem.

domingo, novembro 15, 2009

Indícios da prática de um crime de atentado ao estado de direito, numa conversa entre o Sousa e o Vara?
Certamente, erro dos auditores, que não perceberam que os escutados especulariam sobre problemas do Rechtsaat, muito provavelmente, a influência dos conceitos expensidos no Die deutsche Polizeiwissenschaft nach den Grundsätzen des Rechtsstaates por Mohls no Naturrrecht und Deutsches Recht de Gierek. Pouco habituados a discussões deste jaez e à questões hipotéticas, tomaram a discussão filosófica e histórica por coisas reais de agora...
Assim se armam as confusões!
Lia-se Le ballet royal, Versailles.
Os habitantes de Versailles foram massacrados: assassinados o Rei e a Rainha, massacrados impiedosamente, apenas por serem quem eram, muitos dos que seriam os naturais espectadores do ballet - o genocídio abre a história contemporânea -, a que vem este royal possidónio?

quinta-feira, novembro 12, 2009

quarta-feira, novembro 11, 2009

segunda-feira, novembro 09, 2009


O muro de Berlin: importante contributo do pensamento da esquerda e dos governos progressistas para a história do mundo.
Era um regime moderno, relativista, ateu, sem crucifixos nas paredes das aulas.
Infelizmente, caiu há 20 anos, às mãos da populaça ignara.

quinta-feira, novembro 05, 2009

Ao que Strauss disse, da gente a mais, de um mundo que não reconhece, acrescentaria a estranheza da luz a mais e a proximidade a mais. As trevas escapam-nos, com elas se vai o indistinto que nos retempera; e quase tudo e quase todos estão demasiado próximos, participam da tortura da instantaneidade.

quarta-feira, novembro 04, 2009

terça-feira, novembro 03, 2009

8% de déficit orçamental?????!!!!!
Quem diria! - aquela campanha analfabeta e pateta para acabar com os pontos de exclamação não era inocente.
8% e a subir?!?!?!?!?!
Tsc... tsc...
Coisas que ajudam bastante em momentos de desânimo: redescobrir, com a pobre Hilda, a pintura de Canney-Letty.
Parece que a caloraça acabou e já posso ler.
O primeiro livro da minha reading season*? After Virtue, A Study in moral Theory do Alasdair MacIntyre, uma pequena homenagem à devassidão triunfante (pelo menos, entre nós, portugueses).
* Porque escrevo reading season? Lembrei-me Eça sobre as season em Inglaterra, lembrei-me do artigo dele e gosto de seasons, um modo agradável de organizar a monotonia.

domingo, novembro 01, 2009

"É a golpadazeca do ordinareco que faz umas jogadas, umas burlas, umas corrupções, umas porcarias, umas porcarias, condenando o país"
Ernâni Lopes sobre o estado em que estamos
O artigo de Vasco Pulido Valente no Público de ontem, «A carreira de um corrupto» é, poucas horas depois de publicado, um texto de referência para a história da falência da 3ª república portuguesa.