quarta-feira, maio 13, 2009

Essa gente ainda está por aqui? Se não se demitem, demitam-nos.
O Conselho Superior do Ministério Público deliberou a instauração de um inquérito. O inquérito - que recaiu sobre matérias de extrema gravidade - já findou e parece ir dar origem a um processo disciplinar, mas o Procurador Geral da República não o divulga. E não o divulga sequer aos membros do Conselho que deliberaram que se efectuasse!
A evidência, em países sem tradição de democracia, tem as suas dificuldades, mas, no caso, qualquer pesssoa mediana perceberia que tal atitude é um insulto grosseiro à democracia.

sexta-feira, maio 08, 2009

Vasco Pulido Valente falava ontem da crispação e agressividade no discurso político português actual e para ilustar referiu umas declarações de... Pinho? Pinto de Sousa? Santos Silva? Algum dos serventuários menores? Nãoooo! Referiu-se a Manuela Ferreira Leite!
Vasco Pulido Valente, mesmo quando é menos feliz, ensina-nos sempre. Neste particular, elucida-nos sobre o ambiente de Lisboa, a pequenez de Lisboa, os miasmas e os saguões lisboetas que Eça já apontava como causas para o amolecimento cerebral lusitano.

quarta-feira, maio 06, 2009

Ontem fiz compras e descobri um tête d'achard e uns biscoitos de azeite, ambos supimpas.
Também descobri lâmpadas de poupança com um bom tom amarelo, longe do branco-laboratório das lâmpadas fluorescentes que faz mal aos olhos e à alma.
Nos blogs dos 30s, pesar pela morte de Vasco Granja.
Também tenho pena. Já era grande quando o programa apareceu (e os filminhos aborrecidos dos países de leste), mas ia vendo com gosto os de Norman McLaren, do Film Board of Canada. A lembrança não tem a magia das da infância, mas Vasco Granja falava do que verdadeiramente gostava, era muito simpático, e creio que se divertia por toda a gente - as crianças em particular - se exasperarem com as suas um pouco longas apresentações.

terça-feira, maio 05, 2009

Hoje, a propósito disto (clique mesmo), enviei mails a alguns deputados portugueses do Parlamento Europeu. Respondeu, em termos, de louvar, Carlos Coelho. O mail dele, automático, com um texto sobre o assunto, não me sossegou quanto ao fundo do problema, mas quanto à forma como um deputado deve tratar com os seus representados foi exemplar e, até agora, único!
De novo, as boas notícias económicas foram unexpected. A economia é a ciência da surpresa.

segunda-feira, maio 04, 2009

As tristes previsões que a Comissão Europeia tem para Portugal confirmam aquilo que ouvi a Manuela Ferreira Leite. São notícias preocupantes, mas saber que a chefe da oposição vive com os pés assentes na terra, longe do desvairio oficial, é reconfortante.
Vasco Pulido Valente escreve que Sócrates tem ar de primeiro-ministro. Pasmei. O que é um ar de primeiro-ministro? E dado que Sócrates é um mau primeiro-ministro, um muito medíocre primeiro-ministro, onde se vê isso exactamente na cara dele? No nariz? Nas orelhas? Nas olheiras? Na testa? No beiço?
A ler tudo.
Sampaio (Jorge) diz, com um ar aflito, que talvez seja necessária uma coligação que "nos permita sair disto".
Convirá lembrar que isto foi o desejo e a obra do Sr. Sampaio.
Aliás, julgava que isto estava muito bem. Pelo menos, é o que asseguram os colegas de partido do Dr. Sampaio que constituem o governo que ele empossou.

domingo, maio 03, 2009

Para Sempre

Por que Deus permite
que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite,
é tempo sem hora,
luz que não apaga
quando sopra o vento
e chuva desaba,
veludo escondido
na pele enrugada,
água pura, ar puro,
puro pensamento.

Morrer acontece
com o que é breve e passa
sem deixar vestígio.
Mãe, na sua graça,
é eternidade.
Por que Deus se lembra
- mistério profundo -
de tirá-la um dia?
Fosse eu Rei do Mundo,
baixava uma lei:
Mãe não morre nunca,
mãe ficará sempre
junto de seu filho
e ele, velho embora,
será pequenino
feito grão de milho.

Carlos Drummond de Andrade

sábado, maio 02, 2009

Fui hoje a uma missa de acção de graças no colégio onde andei no jardim-infantil. A capela que pensava enorme, de chão rutilante, pareceu-me agora apenas desafogada e o aroma a cera de que me lembrava por todo o lado desapareceu: o chão de mosaico foi coberto por uma alcatifa estranha, cinzento anti-derrapante.
Terá ganho em conforto, para as devoções dos invernos frios, o que perdeu em aprumo e serena dignidade.

quarta-feira, abril 29, 2009

A relação Portugal-Brasil é assimétrica. Em muitas questões, mas refiro-me à da memória do passado colonial: Portugal já não lembra o Brasil enquanto colónia. Depois do 1822, aqui houve as guerras liberais e, depois delas os esforços voltaram-se para a construção de um império africano. Ao contrário, o Brasil não teve outro colonizador. A memória de Portugal - e do poder colonial português - permanece, por vezes distorcida até à total irracionalidade, o que tudo é parte do esforço com que o Brasil se dedica à morte do pai. A questão do «acordo» ortográfico é um episódio nesse difícil processo do Brasil crescer. Outra, menor, mas não menos elucidativa, a tentativa de apropriamento do Cavalo Lusitano, que ficaria sob o controlo do Brasil....
Alguém tem de explicar ao Brasil que esses tiques de filho único não são admissíveis. E explicar aos portugueses que falta de firmeza em relação ao Brasil é tão uma má política quanto má educação: os adolescentes, e o Brasil é-o até nos extremos nacionalistas que aqui e no resto da Europa ou Estados Unidos seriam considerados manifestações intoleráveis de chauvinismo e xenofobia, os adolescentes dizia, principalmente aqueles com mau aproveitamente escolar, toda a gente sabe, gostam de ouvir um não e nada os desilude mais do que um pai complacente.
Portugal parece esquecer-se destas verdades simples.

terça-feira, abril 28, 2009

Pequena nota sobre assuntos domésticos e observações curiosas: o tempo quente em Março e, pior, a arrumação e limpeza de artefactos de Inverno, decisão que patetamente acato, têm-me feito passar algum frio. Bem sei que há a crise e as calamidades - só no México houve gripe e terramoto - mas é irritante acordar quase a tiritar.

segunda-feira, abril 27, 2009

De ouvir dizer: Rui Rio. E para quê? Que diferença faz? Para me fazer compreender: Margaret Tatcher fez toda a diferença na forma e na substância: opôs-se com firmeza ao poder dos sindicatos, não cedeu a chantagens, modificou a economia, modificou um país, mudou a cultura política da Grã-Bretanha. Ora, e Rio é isto que quer fazer? E sabe fazê-lo? Se não - e creio que não deu provas de especiais capacidades - para quê os murmúrios e os punhais? Mais um entremez de aldeia? Cansaço.

domingo, abril 26, 2009

São Nuno Álvares Pereira, São Nuno de Santa Maria, vencedor de Atoleiros, rogai por Portugal e por nós, portugueses!