sexta-feira, setembro 21, 2007

Ah, uma Magistrada! Convido à leitura da entrevista da Exma. Senhora Juiza Dra. D. Amália Morgado, extremamente esclarecedora do que é a prática judicial portuguesa, o dia-a-dia dos nossos tribunais.

Transcrevo, em baixo, parte da entrevista - de que soube via Blasfémias.
Convirá perceber que o comportamento desta Juiza é o que resulta, muito limpidamente, da letra da Lei.

«Ainda me lembro da grande polémica que levantei porque me apareceu um processo para eu validar uma transcrição de escutas telefónicas. Eu perguntei onde estão as cassetes para eu ouvir e responderam-me "as cassetes? Estão na Polícia Judiciária, nunca vêm ao tribunal!" Mas como é que valido uma transcrição de escutas, sem ouvir a gravação? Isto foi, na altura, perturbador e levantou grande polémica. Contudo, eu, ao não aceitar essa prática, era severamente criticada e eu sofria grandes pressões.

Já me esquecia: estas declarações - que são uma denúncia de práticas institucionalizas à margem e contra a letra expressa da Lei - constituiriam, em qualquer país avançado - uma monarquia nórdica, por exemplo - motivo para um imenso escândalo, com discussão no Parlamente, pedidos de inquéritos e a sua realização, meditações públicas sobre a questão - que é a do funcionamento substancial da nossa democracia - etc etc.
Porque o mundo é coerente, aqui, seguramente, não haverá nada disso.
Lauren Harris, Clouds, Lake Superior, c. 1923

quinta-feira, setembro 20, 2007

O Senhor Doutor Vasco Pulido Valente é acusado de dizer boutades sobre Aquilino e apodado de direitista pelo Dr. Pedro Mexia. Elucidativo.
Para mim, a boutade, salvo o devido respeito, é o dito do Dr. Mexia.
O que o muito ilustre historiador disse sobre Aquilino é que este era um escritor medíocre. Pode ser uma posição dura, num país onde se vive da falta de arestas - e já com alguma aisance, nos tempos que correm - mas é uma posição entendível e seriamente sustentável e muito a ser meditada, principalmente quando quem a defende é alguém com a estatura intelectual do Doutor Vasco Pulido Valente.

P.S. Ah, o Doutor Pulido Valente não elogiou Clara Pinto Correia. O que fez foi elogiar, creio que a contragosto e confessando a sua imensa surpresa - se ainda me lembro - um livro de CPC, o Adeus Princesa. Um livro que o Doutor Pulido Valente considera um dos melhores romances escritos nos últimos tempos em Portugal.
Madeleine: procurador diz que não foram pedidos mais interrogatórios aos arguidos
O procurador-geral distrital de Évora confirmou hoje que não foram determinados novos interrogatórios aos arguidos do caso do desaparecimento de Madeleine McCann, por não terem sido apurados elementos de prova que os justifiquem.


Isto vem no Público, que é um dos bons jornais portugueses. Não devia vir: não faz sentido. Não pode ser pedido um novo interrogatório aos arguidos pelo simples motivo de que os arguidos apenas podem ser interrogados se quiserem (sic).
(Aliás, que o arguidos ou reús ou acusados sejam interrogados é a excepção, não a regra, em qualquer país civilizado... )

Se, em Portugal, são frequentes os interrogatórios de arguidos isto deve-se, muito simplesmente, ao medo do detido, arguido, inocente ou culpado, ficar preso preventivamente, a menos que fale, que «esclareça as dúvidas»...

Isto, na altura em que estou a ler as alterações ao código de processo penal. Impressionante o modo como se estipulam «novos interrogatórios», «continuações de interrogatórios», etc. Que desorganização e ineficácia, que atraso, que enorme distância dos países do 1º mundo adivinhará - bem - o historiador futuro nestas inovações...

Ah! Foi estipulado um prazo para a duração dos interrogatórios do arguido - os tais que deviam ser excepções e são aqui a regra. Com estas modificações o código português fica ainda bastante atrás, em humanidade, do código de processo da Venezuela - promulgado antes de Chavez, (claro, que antes de Chavez): aí se proíbem os interrogatórios depois das 19 horas, aqui em Portugal ainda permitidos.

É neste ponto que estamos...
(que cansativo isto tudo, este país!)

quarta-feira, setembro 19, 2007

- E a nossa palavrinha para hoje é "forestall"...
-...
- Não é este blog? Não é este blog?
- ...
- Houve uma confusão! Sigam-me, que vou encontrar o nosso blog! Tragam os livros! Bom dia!

terça-feira, setembro 18, 2007

«She wasn't taking money out, she was putting more in.
"They've done a lot for this city, they're part of the city and I think people should show some solidarity,'' said Marshall, 52, a home health-care worker in Newcastle-Upon-Tyne who has her life savings at the bank. "I've been with Northern Rock since I was 17 years old and I've always been very happy with them.'' »

Há quem pense de outro modo:

«"They've been sponsoring footballers to buy fast cars with our money,'' said Heather Irwin, 61, as she waited for the Pilgrim Street branch to open. "Now they are sitting in their big houses while we are standing out in the cold worrying about a few coppers. This is all because of pure greed.''»

Interessante. Julgava este tipo de reacções desaparecido, ou menos mostrável ou dizível. Ou usável. Não é, como deveria ter percebido.
Está aqui.

O Eça detestava Newcastle, foi lá cônsul. Já existia o banco.

segunda-feira, setembro 17, 2007

De passagem pela Sic Notícias ouvi um presidente ou secretário-geral de uma aberração que se chama associação sindical (!!!) dos juízes tachar o Parlamento de insensatez ou coisa semelhante. Pode ter razão, não poderia era dizê-lo - e muito menos naquele tom - revelando ainda muito maior insensatez.
Mas, enfim, estamos em Portugal, é assim mesmo.

domingo, setembro 16, 2007

Grande temporal, com trovoada, vento, chuva e granizo. Pôs-se o céu de um tal breu que, quando a chuva começou a cair, se não via para uma curta distância. Originou-se esta trovoada pelas 3 e 1/4 da tarde e agora, uma hora depois, embora pareça dar sinal de alguma melhoria, ainda chove e troveja. Desdobrou-se em ondas sucessivas de chuva diluviana e grandes relâmpagos que caíram sobre a povoação, com breves momentos de acalmia entre elas. Ignoro se provocou estragos. Mal se restabeleça o fornecimento da electricidade, enviarei estes meus modestos apontamentos.
5 da tarde: clareou já e refrescou o tempo que estava desagradavelmente abafado e opressivo.
Dura ainda a falta de electricidade, o que muito me incomoda, já que faltando esta, falta também a água.
Voltou a energia há 10 minutos.

Nota às 2h da noite de dia 17: verifiquei que a "Arte de ser Pai, Cartas de Eça de Queiroz para seus filhos" de Beatriz Berrini, que estava perto de uma janela que se abriu com o vento, ficou ligeiramente danificada. Quando fui fechar a janela não notei.
Vai por esses blogs uma grande incompreensão com a passagem por Portugal do Dalai Lama. Ao contrário de Cavaco - que deve pensar a sério que ser presidente de Portugal é um cargo prestigiado e que convém aumentar-lhe o prestígio não desagradando e vergando-se às imposições da China - ao contrário de Cavaco, dizia, o primeiro-ministro Sousa deve saber - ou, se não sabe, terá quem lho diga - que o Dalai Lama é, mesmo que malgré lui, de um chic de truz na mais exclusiva beatiful people internacional - onde não faltam bem-pensantes da gauche a que, talvez, aspire um dia pertencer. Estou, por isso, em crer que, se não o recebeu, foi por outro motivo: a Chanceler alemã terá querido fazer da estada em Portugal do ilustre viajante o equivalente às pausas para refresco e retempero nas visitas de estado de antanho, pausas que antecediam de vários dias - às vezes de várias semanas! - a entrada oficial, saudada já com a pompa devida e sem a perturbação do cansaço e dos pós dos caminhos. Angela Merkel deve considerar que é chegando à Alemanha que Sua Santidade chega oficial e verdadeiramente à Europa e que era a si, apenas a si, que competia dar as boas-vindas a um viajante tão notável. E terá ordenado nesse sentido, mandando dizer ao Sousa que se abstivesse de incomodar o ilustre viajante: o certo é que Sua Santidade agiu em conformidade com esta interpretação, tratando os portugueses com a bondade e a largueza com que majestades e altezas tratavam noutros tempos o povo e criadagem dos parentes que os acolhiam e os serviam à sua chegada: deu-nos uma esmola de quase 70 000 euros.
Espero que não a gastemos já toda em vinhaça.

sábado, setembro 15, 2007

Li agora no Público: uma ambulância com um doente com sintomas de ataque cardíaco foi parada pela brigada de trânsito que resolveu fazer testes de alcoolémia ao condutor, indagar do porquê das luzes de emergência, etc. O doente morreu pouco depois de ter chegado ao hospital.

Os guardas deviam ir hoje mesmo para o olho da rua e, amanhã, sem demora, ser-lhes instaurado um processo crime. Mas, não só não irão, quanto este tipo de afirmações é catalogada de populista, etc., etc. O que aconteceu é, porém, elucidativo de duas coisas: do pouco que vale a vida humana neste Portugal ainda mentalmente rural - onde, indiferenciadamente, tanto dava que morresse João quanto José, já que cavar ou mondar não exige grandes manifestações de individualidade - e de como os políticos & demais dessa gente não são menos campónios do que os muito resignados campónios que ainda somos (conquanto previdentemente, uma vez que olharam lá para fora e gostaram, se fabriquem situações de isenção destas aflições miseráveis).

Rowlf and Fozzie

sexta-feira, setembro 14, 2007

A substância das coisas, ou a corja em acção: O PÚBLICO revelou hoje que a Ordem dos Médicos recebeu uma queixa de um clínico a quem a comissão de farmácia e terapêutica do seu hospital recusou a prescrição de um medicamento inovador.
Pequenas coisas irritantes e divertidas:

O autor do .............. escreve «dialética». O erro de português é a parte irritante: podia ser evitado escrevendo num programa com corrector e colando no blog - que me dizem muito lido por adolescentes influenciáveis - depois de corrigido.
A parte divertida consiste em um aluno da faculdade - ou já licenciado - ter visto e usado tão pouco a palavra dialéctica, que este termo tão indispensável há uns anos, tenha deixado de ser familiar.

Souvenir d'Été
Contou isto com dramatismo: «Pegámos em meia dúzia de coisas, nas jóias da Luisinha, nome fictício, e saímos dali a correr, nem imaginam...» - acrescentou mais dificuldades do caminho, lamas e precipícios, e foi-se embora, orgulhoso da diligência revelada, do perigo superado. N voltou ao Pimms. Bebeu um pouco mais de number one (the best one), pôs o copo sobre a mesa: «Não sabia que a Luisinha tinha jóias». Rodava, lentamente, com o polegar, um anel que tinha no anelar da mão direita, um dos milhentos anéis de piscina, variações estivais, em pedras semi-preciosas e oiros estranhos, dos a sério. Mão atarefada e preguiçosa: entre o indicador e o médio, apagava-se um cigarro quase reduzido a cinza. Empurrei a aba do chapéu, abri uma brecha por onde espreitei o galracho, e não vi o cinzeiro que está sempre no chão, ao pé de N. «A seca que é se se esqueceram de trazer o cinzeiro. A maldita seca que é!».

quinta-feira, setembro 13, 2007

Mais livros que li.

Guerra e Paz: o que podemos nós modificar neste mundo ou em nós mesmos. O que conta num caso e noutro, verdadeiramente a nossa acção? As questões para que me chamaram a atenção, muito didacticamente. Simpatizei com Kutuzov, temente a Deus, temente da sua sorte.
Por este tempo fiz o quinto ano, o décimo de agora, creio.

quarta-feira, setembro 12, 2007

Parece que as «autoridades portuguesas» - seja lá isso o que for! - não receberão o Dalai Lama. Medo injustificado: quase de certeza que Sua Santidade, o Dalai Lama, sábio e misericordioso, nâo se importaria de ser visto com elas, por muito embaraçosas que tais companhias possam ser.

segunda-feira, setembro 10, 2007

Convirá atentar neste post do Glória Fácil.
O que se irá passar?
Não pode ser outra coisa que não que seja considerada inconstitucional esta alteração vergonhosa ao não menos vergonhoso código do processo penal e lesiva do direito de expressão, conduzindo, mais tarde, a uma das habituais vergonhosas condenações do Estado português nos Tribunal Europeu dos Direitos do Homem.
Estou um pouco farto das saloíces deste(s) governo(s) de saloios.

domingo, setembro 09, 2007

"E só mais uma coisa: enxovalhar os mortos é muito fácil. Pena que não tenham mencionado nenhuma obra de nenhum escritor português vivo. Pode ser que para a próxima corrente."


Cara Charlotte,

Em Portugal não podemos viver da indignação: seria demasiado fatigante e perigoso. Deixarmo-nos levar por ela (e quanto mais justa e límpida e legítima como foi a sua neste assuntinho das correntes mais perigosa a coisa se torna) tolda-nos o raciocínio e faz subir a tensão. Ora vejamos: quem foi o vivo que enxovalhou os mortos se Proust - para só falar desse - viverá ainda tão imenso e vital e eternamente crepuscular quando de todos nós tiver passado a notícia que fomos? E queria que gostassem de Proust? Proust é para ler novo, que o prazer de Proust é muito o relê-lo, como bem dizia Barthes. Mas em novos havia que fazer pela vida e Proust não era rendoso antes de Pedro Tamen. Para quê lê-lo, então, se para mais é imenso e paira, inútil, tão acima do que pode valer seja o que for?
Quer evitar as graçolas e vê-los sérios? Pergunte-lhes sobre os livros -ou autores - que mais lhe renderam.
Quanto rende, hoje em dia, Pessoa? Da casa do dito, a coisa monta a quanto? Em bolsas, quanto se pode retirar dele? Em ajudas de custo e subsídios de refeição para seminários, worksops, apresentações, comunicações, quanto rende por ano? Em elogios feitos a pretexto de, o que se pode lucrar?
Ah, quem brincar, perde o cargo! Está a ver? Que silêncio, que ar sério, que aplicação!

Os meus humildes cumprimentos
Impensado

P.S. A que élites se referia?
Claro que há menos gente a gostar de literatura em Portugal do que geralmente se pensa. Alguns entusiasmos sobre autores e obras são isso mesmo: entusiasmo e os rituais de partilha de novidades, nada mais. Falariam com o mesmo empenho de uma nova espécie de cebolas - o que não seria mau, aliás.
Mais livros.
Foi engano de quem fez os lotes: o 10º volume ficou separado dos outros 11. A primeira parte da letra «V» faltava e, quando indaguei sobre isso, foi-me contado o que digo agora: que tinha sido tentada a troca com o primo a quem coubera esse volume. Sem resultado. A compra, idem: que também estava ele comprador dos 11 que lhe faltavam. Eram primos direitos e ambos com bom sentido de humor. Tudo ficou como estava - e está. Eu herdei, depois, com todo o mérito, de meu Pai, os volumes que lhe couberam do Portugal Antigo e Moderno: Diccionário Geográphico, Estatístico, Chorográphico, Heráldico, Archeológico, Histórico, Biográphico & Etymológico de Todas as Cidades, Villas e Freguesias de Portugal e Grande Número de Aldeias(...) de Pinho Leal e que tinham pertencido a um tio-bisavô. Foram minha leitura diária durante anos. Ainda o leio por vezes: 2 ou 3 páginas, antes de dormir, como se cumprisse um receituário há muito prescrito e de eficácia comprovada na agitação melancólica e outros distúbrios nevróticos: é um livro que custou anos de trabalho ao seu autor, imprescindível, erudito e divertido e contribuiu para me tornar, desde tenra idade, um maçador incomodativo, sempre, a propósito e a despropósito, com um pormenor erudito sobre a configuração das ruas de Lamego ou becos esquecidos de aldeolas distantes na ponta da língua. Creio que houve tempos, durante a adolescência, em que estive proíbido de citar Pinho Leal. As etimologias disparatadas encantavam-me e sabia algumas e suas refutações. Algumas começavam com um delicioso «É peta!». As vociferações contra os liberais também são imperdíveis e o artigo dedicado ao Mindelo prova com suficiência que ao sítio exacto onde desembarcaram as tropas liberais cabia o nome de Praia dos Ladrões, e não o de Mindelo, situado mais a norte (ou seria a sul?)...


-§-
Facto digno de nota: conheço 5 pessoas todas com o seu aniversário na data de hoje, dia 9 de Setembro! Uma observação que Pinho Leal poderia ter feito.

sexta-feira, setembro 07, 2007

Ainda não apanhei bem os tiques e modas da linguagem de agora, como se vê no post anterior, o das 5 da manhã, mas tenciono conseguir. Os problemas maiores vêm do tom casual confessional em uso, difícil de apanhar por quem sofre dos escrúpulos da confissão.

É interessante ver o caso da criança inglesa desaparecida pelos olhos dos canais ingleses. Ao contrário do nosso nacionalismo saloio, concordo no essencial com as críticas feitas ao que se tem pssado. O código de processo penal, emanado das esquerdas - mas aceite pelas direitas - reúne à pior tradição autoritária e violenta do estado português, sempre saudoso da inquisição, algumas perversidades oriundas das bandas dos amanhãs que cantariam e que se casam bem entre si (isto para não falar das faltas de método, de meios, etc, próprios de um país pobrete e atrasado).
Do lado britânico, bem... é um grande país do 1º mundo e é o país da Magna Carta e do rule of law, da Scotland Yard, dos laboratórios a que a maravilhosa polícia portuguesa tem de recorrer e... bem, não é estranho que não percebam as canhestras bizantinices de aldeia que imperam por aqui.
-Insónia? - perguntarão.
-Sim, insónia! - A vivacidade da resposta, o tom ligeiro, quase alegre, não iluda o leitor: há «sofrimento», uma angst porosa, no tom untold que torna o silêncio irónico a necessária negação de si mesmo, uma confissão profunda e real do ser enquanto topos de recolha e confirmação do previsível a que irremediavelmente nos condena o telling, a língua no dente que doi, a velha tentação do lamento.

quinta-feira, setembro 06, 2007

Mais livros.

Depois dos livros de contos, vieram os de aventuras: primeiro, Enid Blyton, Dumas depois. Tanto e tantos que sabia de cor os reis de França, e por via de outras leituras de petit histoire as eras da revolução francesa: chegava a Luis XVI, o bondoso Luís XVI, o Rei assassinado, e continuava pelos Estados Gerais até ao Directório, ao Consulado, ao Império, à Monarquia restaurada... A coisa acabava depois da Comuna, com a 3ª República (estas habilidades com a história alheia auguravam-me uma vida desinteressante, o que se tem verificado).
Desta época ainda, dois livros por recomendação materna, o primeiro com o objectivo piedoso e declarado de me ensinar a dar valor às pequenas coisas quotidianas com que nos esquecemos de encantar ("Atribulações de um chinês na China"); o segundo, também de Verne, a "Viagem à volta do mundo em 80 dias" meramente por ser divertido, embora pense agora que se destinava, talvez, a combater Blyton, uma novidade que não seria muito apreciada: Jules Verne era o bom e são caminho a partir dos 10 ou 11 anos.

A seguir a Dumas, lido durante anos, Balzac por volta dos 14, segundo julgo. Dele li o que pude e li muito e por muito tempo, muito para além do necessário para despachar, ao desafio e alegremente, os autores que era preciso conhecer: de "Eugene Grandet" - várias vezes relida ao longo da vida - aos "Insurrectos da Bretanha" (há anos que não me lembrava deste título!), dezenas e dezenas de títulos da Comédie Humaine. O grande Honoré foi a minha primeira admiração literária: admirava-lhe o poder criativo e as dívidas, os desgostos amorosos, o roupão, a máscara mortuária e o busto de Rodin e, em geral, o sofrimento imposto ao seu génio pela vulgaridade ignara.
Acompanhando esta festividade cívica dedicada ao Francesismo, continuava a ler Blyton e livros de aventuras ingleses, onde os franceses constavam como inimigos e eram sempre ruidosamente batidos. Por entre os três mosqueteiros e restante celebração da glória gaulesa, o mero afundamento de uma chata francesa por Horatio Hornblower tinha um sabor a blasfémia, agradável e terrível. Por essa altura a minha lealdade dividia-se, atormentada, entre Calais e as falésias brancas de Dover.

quarta-feira, setembro 05, 2007

O meu segundo livro, lido e relido durante anos, foi uma recolha de contos tradiconais infantis da autoria de Maria Amália Vaz de Carvalho: "Contos a nossos filhos", creio. Desapareceu - julgo que o emprestei - e tenho tentado, ao longo dos anos, encontrar um exemplar.
Muito maravilhoso português e europeu, mouras encantadas e fadas nórdicas.

terça-feira, setembro 04, 2007

Sphinx
(Raríssima representação da não menos rara Esfinge Ingénua, também dita «boa rapariga». Esta esfinge nada perguntava que todos não soubessem já)
Livros da minha vida? (Creio que é apenas assim, uma pergunta tímida) Com atraso, o primeiro: O Livro da Capa Verde de João de Deus. Textos de trabalho, cópias e, com gosto, algumas das primeiras leituras. O meu primeiro livro a sério, no fim do jardim-infantil, depois de ter aprendido a ler na Cartilha Maternal.
Digo os outros noutro post.

segunda-feira, setembro 03, 2007

Setembro quente: 30ºC hoje.
De um modo confrangedoramente apático entrego-me a uma tristonha inércia.

sexta-feira, agosto 31, 2007

Voltei há dois ou três dias mas creio que com este tempo vou para a praia outra vez ou a ares para o Minho.
Deixo, por isso, para mais tarde o regresso ao Impensavel e aos meus deveres de blogger.

terça-feira, agosto 21, 2007

Fiquei a tarde no hotel a ler a correspondência entre Sophia de Mello Breyner e Jorge de Sena, o que faz com que veja as actualidades como encardidas coisas descendentes daquelas outras que já então os afligiam e entre si ingenuamente esperavam que sem geração fossem.
Pobres grandes poetas maiores!
Experiência de novo horário arruinada pela ventania que, dizem, vai continuar. Desânimo. Por mim estou pronto para antecipar a partida e voltar para casa.

segunda-feira, agosto 20, 2007

Aqui nesta areia onde me acoito durante a canícula não se vai para a praia antes das três da tarde. Não era assim quando eu era pequeno - como tenho dito, embora talvez sem a suficiência que o assunto merece: nessa altura, às nove e meia da manhã já as criadas nos levavam através da frígida bruma. Depois, quando a minha geração cresceu, casou e começou a ter filhos, tudo nesta precisa ordem, as coisas tinham mudado, com dramático destaque para a questão do pessoal doméstico, quase desaparecido. Estremunhados, insones e firmes em não abdicarem do direito aos jantares e idas às discotecas, os pais protestavam: a revolução estalou nas hostes e proclamou-se ser uma selvajaria irem as crianças tão cedo para as areias gélidas e sofreram com isso as manhãs alguma coisa no seu até então inabalável prestígio. O bom tempo à tarde, nestes últimos vinte anos, também ajudou e criou-se, a pouco e pouco, o hábito de não ir a correr para a praia, de tal modo que quem calcorreasse a beira-mar antes das três seria olhado de soslaio, se houvesse quem olhasse. A manhã - aqui o espaço de tempo entre as onze e meia e as duas e um quarto - passou a ser ocupada em encontros preguiçosos de leituras de jornais e pequenas reuniões informais «cá em cima» antes e, para os madrugadores, depois do «brunch» onde se contam casos curiosos e se trocam notícias de outros areais. Em suma, «faz-se, fazia-se tempo» para ir para a praia.
Este ano, porém, a nortada, durante anos ausente, voltou - e com ela um frio de bater o dente: começaram a notar-se alguns olhares cobiçosos à praia serena, azul, calma e ao meio-dia ainda deserta. Não sei - nestas coisas nunca se sabe - de onde partiu o ânimo para a revolta, mas hoje, entre os refugiados na piscina, falava-se já, abertamente e sem temores, em ir cedinho, que as manhãs, tinha dito não sei quem que tinha lá ido (talvez uma daquelas mães com filhos ainda pequenos que lá vão vigiar as babby-sitters) que as manhãs estavam de apetite, a praia óptima, bem ao invés das ventanias furiosas da tarde (as horas de sono em falta serão, segundo algumas sugestões, colmatadas por uma sesta. Tudo isto é novo e bem extraordinário!)
E por isso, meus Caros Leitores, interrompo as minhas férias de Impensavel para lhes dizer que hoje à noite irei pôr o despertador, sendo, por isso, bem posssível que amanhã, às onze e meia, meio-dia, já esteja na praia, coisa que, creio, não me acontece há alguns decénios.

quinta-feira, agosto 09, 2007

Este é o post nº 1501.

Eu, que andava de olho nos posts para ver quando chegava aos 1500 para comemorar, deixei passar. Felizmente, gastei-o em parabéns.

quarta-feira, agosto 08, 2007

Já 3 da manhã, mas é que compreendi finalmente uma coisa que ando a ler e por isso fiquei aqui a compreender a noite toda, até agora.
Entretanto, antes de fechar tudo e ir dormir dei-me conta que Miss Pearl faz anos. Quis pôr colchas nas janelas, a festejar, mas depois de ver essas Castelo Branco decidi-me ficar pelas intenções virtuais, embora bordadas a seda e sem reserva central. Sem qualquer reserva.
Muitos parabéns!

terça-feira, agosto 07, 2007

Bom tempo - vento fresco - continua.

Assisto - a propósito do caso da criança inglesa - ao patrioteirismo que a III República fabricou (a que se juntam outros, mais antigos, já tratados por Eça, e que o establishment de agora amorosamente requentou). Alguns dos discursos produzidos a bem da nação são boas e divertidas peças de non-sense campónio: as evidentes falhas da polícia portuguesa em termos de método, organização e meios (a sua excelência é um mito que transitou, com êxito, do anterior regime) parecem ser invencões dos tablóides ingleses acusados de tenebrosos intentos em relação ao nosso abençoado torrãozinho...

quinta-feira, agosto 02, 2007

Orientação jurisprudêncial

Sendo parente, pessoa amiga, ou das nossas relações, ou das da nossa família, o autor presumível de dislate, simples má decisão ou erro, anteponha-se ou posponha-se ao comentário do sucedido a seguinte ou equivalente expressão: «imagino o que lhe terá custado, pressão do ministro. Que maçada!» (ou se o nosso amigo for o ministro, do 1º ministro, se este, por sua vez, não for pessoa amiga; sendo-o, usa-se como agente a gente do partido). Se se tornar líquido que a decisão em causa foi desse parente, pessoa amiga, ou das nossas relações, deve a expressão manifestar a inequívoca certeza de que «há elementos que não conhecemos e que o terão obrigado a agir naquele sentido». Sendo certo que o erro é, sem equívoco, da pessoa amiga ou das nossas relações e que esta insensatamente o reivindica, guarde-se silêncio. Perguntados se não éramos parentes, amigos, ou das relações de autor de desconchavo apreciável, explicar que nos demos sempre mais com o irmão, irmã ou primos.
«Aqui, onde ainda pontifica impante, bárbaro e obscurantista, o culto do deus estado, que partilha o altar das devoções pagãs lusitanas com o sebastianismo ignaro, há-de haver quem, movido pela piedade e amor da verdade, esclareça o público dos desvairios a que levam a superstição e o culto estatais. O país já é, ou será em breve, o mais pobre da Europa e a sua capital, a infortunada Lisboa, uma das mais tristes cidades europeias, onde quasi arruinadas, se prestam a aluir as já raras memórias da formosura antiga; vítima de práticas e superstições que à Razão repugnam, vê agora alevantar-se ante si outra desgraça, esse quinto que a crendice mal orientada lhe quer impor, por não saber atalhar-lhe o mal que a tolhe e que comunga da mesma substância deste remédio beato e tolo que se lhe quer agora dar.»

Produzidos pelas luzes e, mais tarde, pelo insulso positivismo, os panfletos para iluminação do público e libertação das crendices ressurgem em Portugal no início do Séc. XXI. Este refere-se a um expediente, de facto um imposto, que obrigaria os construtores civis a venderem a preço político 20% do que construam na baixa lisboeta.

quarta-feira, agosto 01, 2007

A casa está sossegada, bem longe da agitação - completamente injustificada, aliás - das partidas para a praia de outros tempos.
Em homenagem a esse bulício antigo, já desusado, quase esquecido, fui inspeccionar o estado dos artefactos estivais.

terça-feira, julho 31, 2007

Creio que o post do Causa pretende suscitar o sorriso elegante e frio das gentes do bom-tom intelectual. A história podia ser mais curta mas o que interessa no caso é não ser inverosímil, impossível e que a lei tal como está - ou se prepara(va) para estar - constitui um perigo grande e real num país de invejosos, justiceiros rancorosos do vizinho do lado, a isto acrescendo um estado autoritaríssimo, abusador, pouco dado a diálogos e que, por muitos e maus anos, vai ter uma necessidade grande de dinheiro, do nosso dinheiro, do qual nos tenciona desapossar.
A questão nem é, veramente, saber como a história acaba, mas que não estejamos a assistir - e passivamente - ao seu começo.
Está mais fresco hoje, mais suportável.

domingo, julho 29, 2007

Contava-se como verídica, como se quer que estas histórias sejam.
Queixando-se um inglês a outro de um terceiro que não se teria portado como um gentleman, respondeu-lhe o segundo achar natural, por faltarem a essoutro 30 anos de schooling. Perante a admiração do queixoso, elucidou: "10 a ele, 10 ao pai dele e ainda outros 10 ao avô".
Isto a propósito da gritaria alarmante que já hoje ouvi no telejornal sobre os incêncios (chamas, populares, etc.) e que me parece impossível não ter efeitos nefastos neste país de pirómanos. Pouco depois, lamentos por já na terça-feira a temperatura ir descer. Não sei quantos anos de escola lhes falta, mas creio que elas e eles têm naquelas almas densas camadas de alarmismo, alegre má educação campestre e muito poupadas energias sopeirais que, agora e a propósito de tudo, não perdem ocasião de despejar sobre nós.
Teremos que suportar...

sábado, julho 28, 2007

O Abrupto indigna-se com o facto de uma jornalista da RTP ter ido entrevistar o embaixador do Irão disfarçada com um traje de camponesa muçulmana.

A mim também me parece uma leviandade, mas sou mais tolerante: para além das crendices em voga (multiculturalismo, politicamentes correctos, etc.) creio que a jornalista simplesmente se divertiu, reagindo ao mesmíssimo impulso que levava as senhoras da roda da Rainha Maria Antonieta a «fazerem Arcádia» vestidas de pastoras no Petit Trianon: o gosto - tão europeu (e um pouco cansativo...) - pelo diferente.
Então, como agora, celebra-se na nossa cultura o distante, o exótico; por outro lado, helàs, a total permissividade e a traumatizante privação da punição contribuiu para que se instalasse neste insosso Ocidente um tédio terrrífico e bocejante que justamente produz, como antídoto, o gosto por estas bizarrias. Uma qualquer jornalista que não hesitaria em considerar ultrajante o Vaticano sugerir-lhe, timidamente que fosse, uma vestimenta de discreto e neutral bom gosto para entrevistar um Núncio ou um Cardeal, vestirá com volúpia - sim, turva e boa volúpia - um traje de um mundo onde as mulheres são apedrejadas até à morte por actos que no Ocidente são habituais e inofensivos. Ao contrário, nesse eterno Oriente, à transgressão dos interditos não falta o medo, o temor bom e saboroso da consequência.

sexta-feira, julho 27, 2007

Dom João, Infante de Portugal

Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemmente parada;

Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita -
O todo, ou o seu nada.

Fernando Pessoa, Mensagem

quinta-feira, julho 26, 2007

Pequenezas, baixezas humanas filhas dos vagares provincianos e outras admirações.

Na classe das pequenezas, um recado para o Dr. Medeiros Ferreira: comemora-se o 24 de Julho de 1833... dia da entrada das tropas liberais em Lisboa. Em 24 de Julho de 1834 já D. Pedro, o Libertador, tinha sido apupado em S. Carlos, já as vendas dos bens nacionais tinham sido feitas pelos métodos sabidos, já...

Quanto ao capítulo mais infeliz das baixezas humanas, tenho que confessar, confuso e ainda não contricto, o gozo que me deu este artiguinho no The Independent sobre o curso de Pinto de Sousa, com factos e sem opiniões, que aquilo é o mundo à séria. A coisa tem tanto mais interesse quanto o The Independent é um daqueles jornais elegantemente trendy lidos por gente sofisticada e moderna como creio que o Sr. Sousa julga ser e pensa que gostaria que os portugueses fossem.

Na admiração, o artigo de Manuel Alegre. Que omissão tenebrosa se não viesse aqui admirar-me e agradecer, pela parte que me toca, a sua atitude.

quarta-feira, julho 25, 2007

Coisas deste mundo:

"We are a modern European country. We voted 59 percent in favor of liberalizing abortion".

Declarações do Sousa Pinto, actual primeiro-ministro, a um jornal inglês (descoberta via Bloguítica).
Coisas de outros mundos:

«And an intrepid postman used his own car to carry out a special delivery of the new Harry Potter book to children in Evesham, Worcestershire. »

Conviria ler isto sobre o caso da perseguição política ao Sr. Dr. Charrua.
Creio ter lido uma declaração sobre e requisição do Dr. Charrua, bem clara quanto ao motivo político da sua cessação (o que poderá, eventualmente, complicar as coisas para a dra. Moreira & Cia) mas basta saber o que é o funcionamento dos tribunais e as peculiaridades do direito administrativo para que se não afigure admissível o refúgio na letra da lei - típico dos estados autoritários, do salazarismo e deste governo.
O remédio das malfeitorias cometidas no caso do Sr. Dr. Charrua por parte do governo socialista do Sr. Sousa, para não ser uma vitória da prepotência, do abuso e de insultuosa indiferença pelas regras do estado de direito, terá que envolver, além da continuação da requisição na DREN ainda, e no mínimo, a demissão da dra. Moreira - não falo já da demissão da minista, que seria quase automática num país do primeiro mundo, mas enfim... se fôssemos um país do primeiro mundo nem o Sousa era primeiro-ministro, nem a Dra. Lurdes ministra, nem a Moreira estaria mais de 24 horas no lugar onde, passados três meses, ainda está.
Mas o nosso atraso não nos obriga, necessariamente, a ficarmos quietos e convirá exigir que a falta de vergonha na cara não se prolongue por muito mais tempo. Mesmo aqui, no país dos figurantes, há limites.

terça-feira, julho 24, 2007

A produção do quotidiano pelo governo socialista:

1 - O inquérito estalinista do Dr. Charrua foi arquivado.
Interessante saber se:
a) O Dr. Charrua volta para o seu lugar na DREN;
b) No caso, esperado, de o Dr. Charrua pedir uma indemnização pelos incómodos sofridos pelo atrevimento, saber ainda de onde sairá o dinheiro para a pagar. Espero que apenas dos bolsos do actual 1º ministro, Pinto de Sousa, da ministra - não me lembro do nome - e da tal Moreira e não dos dinheiros públicos, do nosso dinheiro;
c) A Moreira já devia ter ido para a rua há meses;

2 - Ainda por atrevimentos e dislates: há algo de perverso em mostrar uma escola onde as crianças que supostamente seriam os interessados alunos estão, afinal, a trabalhar, consistindo esse trabalho em fingir que são os interessados alunos de uma escola dotada com tecnologia moderníssima do primeiro mundo.
«Não se pode ser perfeito hoje em dia sem se ser um bocadinho idiota»

Camilo Castelo Branco, in Maria Moisés


segunda-feira, julho 23, 2007

Uhm... pensava ser um caso mais grave,
longe deste resultado sensato.

47%How Addicted to Blogging Are You?

Via Bloguítica Ah, já agora, 61 dias é muito tempo. Quando é que se sabe o que se passou sobre o caso do Prof. Charrua? O presidente da república já se esqueceu, ou esqueceram-se do presidente da república - e de nós todos?

domingo, julho 22, 2007

Um percurso limpo e com um bom tempo, no concurso hípico do Vimeiro, transmitido pela 2. Televisão civilizada, hoje.
Uma boa pega - isto para não ser só dizer mal - embora esteja em crer que há, nos dias de hoje, um problema com os segundos ajudas, detecto uma tendência para chegarem para o tarde e o da cabeça que se aguente. O Rui Godinho aguentou-se bem, está agora a dar a volta à praça, merecidamente.

sábado, julho 21, 2007

Vi ontem, creio que num telejornal, partes da sessão parlamentar com o ainda primeiro-ministro Sousa. Tenho o Sousa por um político medíocre que não levará o país a outro lugar senão ao último entre os países da União Europeia, mas não tinha ainda atentado bem na assustadora falta de educação, no tom regateiro - mas sem a graça e a criatividade das regateiras, apenas deselegante e maçador.
Tremendamente maçador.

sexta-feira, julho 20, 2007

Natalia Vodianova
Soube há pouco que a encantadora Vodianova, a Hon. Mrs. Portman, conhecida modelo, e seu marido, o Hon. Justin Portman, esperam o seu 3º filho. A felicidade conjugal - incluídas as alegrias da prole - é uma das últimas e mais recentes redescobertas não parecendo que prejudique a beleza das senhoras, como sustentavam algumas crendices e boatos maldosos do século passado.
Uma boa notícia.

quinta-feira, julho 19, 2007

quarta-feira, julho 18, 2007

Típico deste tempo em segunda mão: a Fnac tem obras sobre Restif de la Bretonne mas não de. Li Restif novo, à volta dos 18 anos, uma edição século XIX com um papel lustroso que me fazia alergia, sentia a pele dos dedos seca e prestes a esgaçar-se, como a seda velha. Já tenho encontrado mais livros com esse papel - ou será uma mistura de papel comum e inócuo, tempo e pó? - que me fazem sempre o mesmo efeito, mas apenas o Nuits de Paris lacerou além da epiderme, da ferida amena, até às ilusões subcutâneas da carne viva, em noites frias e deambulantes*.

* E no romance do Aguéev, já me esquecia. Era novinho, acredita-se em tudo.

terça-feira, julho 17, 2007

Hoje foi um dia monótono.
Gosto de dias monótonos.
Do Público:

Declarações da Comissária Europeia Viviane Reding "puxão de orelhas" ao governo socialista de Portugal:

“Não quero intervir na política nacional, mas nunca interfiram no conteúdo editorial ou códigos de conduta do jornalismo. Esta não é uma questão da Comissão Europeia ou do Parlamento”, afirmou. “A imprensa escrita livre é a base da nossa sociedade democrática e os governos não devem intervir na regulação da imprensa escrita. É uma regra sine qua non”, disse, defendendo que “a auto-regulação e a co-regulação é um sistema que, de facto, funciona”.Viviane Reding anunciou que encomendou um estudo sobre pluralismo e concentração nos media na Europa, e, dirigiu-se directamente ao ministro Augusto Santos Silva, que estava na sala, afirmou que tendo em conta que o Governo está a preparar legislação sobre o assunto, talvez as conclusões desse estudo ajudassem. “Não é dever da Comissão Europeia imiscuir-se na legislação da cada país. Mas é dever da Comissão ajudar os 27 a compreender o que se passa.”

domingo, julho 15, 2007

Do que vi - foi pouco - das eleições em Lisboa, que tristeza me pareceu tudo aquilo, os festejos de vencedores e vencidos, soturnos, cesáreos, tudo muito puído, muito gasto.

Aquela gente trazida para Lisboa, pelos socialistas, a ver a eleição, que magnífico e trágico retrato do falhanço de um país, que desmentido vivo de todas os discursos das modernidades. E como me pareceram e eram, de facto, rurais, também, os dirigentes (vi os socialistas, a uma janela), vestidos como se estivessem num congresso de contínuos.
O capítulo desta semana do curioso folhetim auto-hagiográfico do Dr. José Hermano Saraiva acolhe e publicita, no caso do diplomata de carreira, aristocrata, monárquico e católico Dr. Aristides de Sousa Mendes, a versão das Necessidades, que teria sido contada ao santificando por um Prof. Leite Pinto... Cada um faz a escolha das suas fontes: ou, entre outras, as autoridades do Estado de Israel, pouco dadas a ingenuidades ou atreitas a ceder a crendices (os comboios do volfrâmio selados, etc, versão sem o mínimo suporte documental ou testemunhal de qualquer um dos perto de 30 000 daquele modo supostamente salvos - e isto no país da Círcular 14...) , dizia eu, ou as autoridades Israelitas que homenagearam e homenageiam, após investigação dos factos, o diplomata Dr. Aristides de Sousa Mendes como um dos «gentios justos» que ajudaram os judeus aquando do horror do genocídio, ou a historieta indocumentada que o hagiografado quis tomar como boa.
Entre o rigor de quem teve de verificar quem foi quem no Holocausto dos seus e sentiu a horrível tragédia que dizimou milhares de famílias inteiras, as suas famílias, isto é, as autoridades do Estado de Israel e não sei quem que vivia o remanso de Lisboa, a escolha não me parece difícil.

O corajoso Dr. Aristides Sousa Mendes não salvou apenas judeus, mas pessoas perseguidas pelas mais variadas razões. Entre aquelas a que o Ilustre Português concedeu o visto, encontrava-se Sua Alteza Imperial Real, o Arquiduque Otão de Habsburgo, herdeiro do trono austríaco e que os nazis detestavam. O Arquiduque entregou, também, ao Dr. Sousa Mendes centenas de passaportes de outros austríacos para que fossem visados e assim pudessem fugir dos nazis. Não sei se foi já pedida a Sua Alteza qualquer declaração sobre o assunto, mas teria muito interesse ouvir o que tem a dizer.
O Miniscente faz hoje quatro anos, muitos anos - quase eras - blogosféricos.
O Impensável dá os seus muito parabéns.

sábado, julho 14, 2007

Ah, lembrei-me:

ANTIGA DOR

O subtil, o reflexo, o vago, o indefinido,
Tudo o que o nosso olhar só vê por um momento,
Tudo o que fica na Distância diluído,
Como num coração a voz do sentimento.
Tudo o que vive no lugar onde termina
Um amor, uma luz, uma canção, um grito,
A última onda duma fonte cristalina,
A última nebulosa etérea do Infinito...
Esse país aonde tudo principia
A ser névoa, a ser sombra ou vaga claridade,
Onde a noite se muda em clara luz do dia,
Onde o amor começa a ser uma saudade;
O longínquo lugar aonde o que é real
Principia a ser sonho, esperança, ilusão;
O lugar onde nasce a aurora do Ideal
E aonde a luz começa a ser escuridão...
A última fronteira, o último horizonte,
Onde a Essência aparece e a Forma terminou...
O sítio onde se muda a natureza inteira
Nessa infinita Luz que a mim me deslumbrou!...
O indefinido, a sombra, a nuvem, o apagado,
O limite da luz, o termo dum amor
Tornou o meu olhar saudoso e magoado,
Na minha vida foi minha primeira dor...
Mas hoje, que o segredo oculto da Existência,
Num momento de luz, o soube desvendar,
Depois que pude ver das Cousas a essência
E a sua eterna luz chegou ao meu olhar,
Meu infinito amor é a Alma universal,
Essa nuvem primeira, essa sombra d’outrora...
O Bem que tenho hoje é o meu antigo Mal,
A minha antiga noite é hoje a minha aurora!...

Teixeira de Pascoaes
A frescura da aurora: temperatura 15º C, humidade relativa 88%, uma suspeita de rosa.

sexta-feira, julho 13, 2007

Há pouco vi um pedaço do "Expresso da meia-noite". Uma jornalista afirmava ser possível conciliar a desquilíbrio orçamental com o crescimento, que havia estudos, dizia ela. O Prof. Miguel Beleza, com um ar muito calmo e definitivo, disse não haver tais estudos. A jornalista calou-se, de imediato: estava, ou a mentir conscientemente, ou treslera qualquer coisa, mas a prática de dizer o que vem à cabeça na altura, ou que se julga saber, em nome sei lá de quê, ou a mera aposta na dificuldade de uma imediata refutação, tornou-se tão vulgar que ela nem se deu ao trabalho de se fingir contrariada ou surpreendida. Deve escrever num jornal de «referência» nacional. E sobre economia, aposto.

Eugène Boudin

Por quem é, ainda bem que o post foi útil, tenho nisso o maior gosto.


quinta-feira, julho 12, 2007

Agradável notícia num post bem esgalhado de RMD no 31daArmada.
Dar um arraial de porrada, passe a expressão, há por cá quem o saiba fazer. O que aqui rareia é quem assente uns murros em alguém por se ter portado de um modo que «this is not right!»
Hurrah for John Smeaton of Glasgow!
Tenho hoje um jantar em casa de gente absurdamente friorenta, tão friorenta que tudo se pode transformar numa rude provação.
A minha vontade é telefonar subrepticiamente e subornar o pessoal menor para que ligue já - contrariando ordens que adivinho em sentido contrário - o ar condicionado no máximo.

quarta-feira, julho 11, 2007


David Hamilton, Hommage à Boudin, Cabourg (1987)

Quando eu era um teen gostava muito de Hamilton. Quando uma vez disse isso, responderam-me que ele era «fácil» e, escarninhos, apresentavam como prova - que pretendiam evidente - dessa facilidade, o meu gosto pela obra dele. A mim, as fotografias eram parecidas com algumas telas de Noronha da Costa, mas nunca me atrevi a dizer tal, com medo que me insultassem. Esta ida para a praia lembra-me as minhas idas para a praia, com a empregada, às 9 da manhã. O frio, alguns chuviscos mais veementes ou o nevoeiro cerrado eram considerados muito saudáveis, mesmo tónicos, e o medo deles uma coisa criadal, uma superstição popular. Ainda vou para a mesma praia.

terça-feira, julho 10, 2007

Vive-se, em Portugal entre a mais insana vanglória e o encher da gamela.
É pouco, é triste, é pequeno.

segunda-feira, julho 09, 2007

E se nos lembrássemos disto que o Dr. Vasco Lobo Xavier nos vem lembrar? Se nos lembrássemos de que o PM serve - ou deve servir e não ser servido - que patrão é o povo português, o estado português?
Se nos lembrássemos que é ao povo português que é costume faltar ao respeito, mentir escandalosamente, ignobilmente - em vésperas de eleições, por exemplo - se nos lembrássemos que é ao povo que deviam, que devem, ser prestadas - e com humildade - todas as contas...
A coisa começa a ter um carácter de urgência: vou para a praia habitual - de que deixei de gostar, um desamor incapaz, inoperante, já que acabo por sempre ir para lá - ou vou até, sim, é isso, o projecto habitual, às ilhas do Canal da Mancha. Já devia ter tudo preparado (hotéis marcados, etc.) e ainda não tratei de nada. De absolutamente nada. Muito desagradável.

domingo, julho 08, 2007

Queria, para pôr aqui, uma poesia de O´Neill que sei ele tem, sobre os domingos. São de Lisboa, os dele, mas estes não estão muito diferentes, também hebdomadários e letais.

Acabei por encontrar, mas é um domingo de Inverno, imprestável para ilustrar este, sito nos cumes do tédio solsticial estival.
Ainda pensei: "há umas boas passagens sobre os domingos, lisboetas ou provincianos em Eça", um primo de O'Neill - primo mesmo, não apenas no dolorido sarcasmo - mas pouco usáveis num post.
( No caminho desse domingueiro O'Neill revi a descrição da visita que Hans Christian Andersen fez a um 4º avô do Poeta, que o escritor conhecera em Copenhague. Visita-o na sua casa de Verão, ali para os lados do Aqueduto das Águas Livres.)

Ah, ia fechar o assunto e o computador -sem post - quando reparei que O'Neill tinha uma dupla dose de sangue irlandês, por ser descendente de uns O'Daly que em Lisboa desembarcaram e a quem eu atribuía o terrível sentido de humor e o olhar nostálgico de uma muito querida amiga.
Pequeníssimo mundo este, de Lisboa - como não me canso de me dizer.

sábado, julho 07, 2007

Cara Charlotte,

Apresso-me a responder, mas as coisas, por aqui, andam tristes, muito tristes.

Brunch de hoje:
Torrada com manteiga magra (sic)
Toranja com doce de alperce sem adição de açúcar (sic)
Iogurte açucarado (sic)
Culpa e sofrimento provocados pela ingestão do item anterior
Café.

Ceia desta madrugada:
Uma - e depois outra - daquelas coisas próximas dos iogurtes que tiram a fome - e ajudam alguma coisa, mas exigem muita concentração e firmes propósitos.
Culpa e sofrimento pela segunda. Devia ter sido apenas uma.

Jantar de ontem:
Metade de um queijo fresco médio magro (sic) com orégãos.
Bife grelhado com salada de alface, muita salada de alface.
1 pera - que polvilhei com chocolate dietético (sic)
Culpa e sofrimento pelo acto de polvilhar a estaferma da pera.
Café

Almoço de ontem:
Sopa de legumes
Pescada cozida em papel de alumínio, 1 cenoura pequena e uma batata pequena.
Azeite CARM Praemium, passe a publicidade
1/2 maçã e 1/2 pera
Olhei para as flores da mesa e pensei que agora está muito na moda em alguns meios comer flores (raw food, creio)
Culpa e sofrimento pelo pensamento anterior. Pobres margaridas brancas.
Café

Jantar de anteontem:
Sopa de legumes
Salada de tomate com mozzarella e manjericão.
Uma sobremesa infecta (in-fec-ta) de soja com um sabor terroso (e que comprei num momento de loucura)
Reparei que havia flores novas na mesa, umas margaridas brancas com ar apetitoso. Estranhei que «apetitoso» tenha sido o termo que me ocorreu.
Fraises au Canderel
Culpa e sofrimento por saudades de fraises à la crème fraîche.
Café


Passar a quem? Uhm, há sempre gente agradável no Corta-fitas e no 31daArmada. E o Masson, que jantará? E a autora do Inacessível? O Anarcoconservador é um gourmet, diga-nos lá desses jantares.
Brunch em país pobre

Do "Público" de hoje:

«Pouco depois de saírem do ministério e da câmara, quatro assessores de António Costa e dez de Sá Fernandes foram integrados nos grupos parlamentares do PS e do BE. Ainda ninguém os viu na AR, mas alguns têm feito campanha em Lisboa. O Tribunal Constitucional considerou, antes destas eleições, que não se pode "receber ou aceitar quaisquer contribuições que se traduzam no pagamento, por terceiros, de despesas que aproveitem à campanha»

Este gosto pelas migalhas - de boa e alheia côdea, embora - o fazer pela vidinha que tudo isto é - e é como tem sido sempre - transmite-me alguma tranquilidade nesta época de mudanças.
Fonte Fria

sexta-feira, julho 06, 2007

É isto, isto que me amofina e invejo, estas grandes questões, para mim imperceptíveis, incompreensíveis, mas que sei, por ler, serem a marca do génio dos grandes Estadistas. Confesso: sinto-me pequeno, muito pequeno, perante a vastidão daqueles cérebros privilegiados, estremeço de vertigem pela altura adivinhada daquelas coisas graves! Sintra, Lisboa? Ou Lisboa, Sintra? Oh, ver como se digladiam aqueles dois gigantes, que lição sublime para o homem comum e mesquinho ver as obras valerosas que da lei da morte vão libertando!
Sintra ou Lisboa? Magna questão! Quase seria de a sujeitar a referendo, se ao vulgo coubesse pronunciar-se onde os próprios Génios se detêm e hesitam.
Calor.... a menina do tempo de já não sei que emissora rejubilava com os 30º C. Se estivessem 40º's C é de crer que a informação metereológica atingissse o hardporno.

quinta-feira, julho 05, 2007

A secretária Pignatelli devia ir hoje mesmo para a rua, mas já não há quem dê tal ordem, nem por princípio, ou por respeito, nem, ao menos, por medo.
Mas o povo, ou o público também não é grande coisa, condiz com o país, um pequeno e pobre país com um PIB per capita ligeiramenrte inferior ao de Malta e onde, ao contrário daquela ilha, não se tem, afinal, a liberdade em grande conta.
Interessante o "Quadratura do Círculo" transmitido ontem: Pacheco Pereira, falando sobre os últimos e bizarros acontecimentos atribuiu a Jorge Coelho a posição que, inteligentemente, seria - e será - a do socialista: correndo, afinal, o essencial bem, porquê este clima de crispação desnecessário por «faits-divers» e que, no limite, pode vir a comprometer tudo, ou quase tudo? Dir-se-ia não haver uma razão.
Mas antes, Pacheco Pereira tinha já situado, com argúcia, a origem deste pus no furúnculo do ferido amor-próprio do Sr. Pinto de Sousa aquando da questão do diploma. Foi esse episódio que segundo Pacheco originou, ou precipitou, estes tão lamentáveis de agora.
Afinal, os enunciados sinceros ou hipócritas, bem ou mal intencionados, fazíveis ou totalmente megalómanos e absurdos que pretendem, no discurso oficial, serem os dos grandes desígnios nacionais - e mesmo planetários, como lembrava há dias um colega do Sr. Sousa - podem vir a sofrer, se não sofrem já, com as questões pequeninas da alma humana, um nariz de Cleópatra mental, um desses acasos - ou causas - da história, tortuosos, obscuros e ilustrativos da imperfeição dos homens que eram antigamente apontados por parentas idosas que sabiam a história de França na ponta da língua.

quarta-feira, julho 04, 2007

Pretendia uma expressão que traduzisse o supérfluo de considerações sobre assuntos de somenos e ia escrever "considerações sobre um soluço" quando me apercebi que um soluço - se bem que démodé, mesmo enquanto mera manifestação fisiológica, ainda é - ou pode ser - uma coisa grande e poderosa. Fiquei sem post.
Ah, sim, outra obra louvável dos Bourbons - ramo francês -, o 4 de Julho norte-americano. Isso, a par com a nomeação de Goya como retratista dos Bourbons - ramo espanhol - basta para justificar uma família inteira.
Estou a esta hora, estremunhado e aborrecido, a ver um programa da Martha Stewart de há 7 meses atrás ? Estou.
Fui em busca do link, para pôr aqui, a ilustrar, e encontrei receitas patrióticas: vi uma tarte com as cores da bandeira norte-americana, uma «american flag tart». Deixo o link aqui, no aqui.
A que horas é o Jay Leno?

terça-feira, julho 03, 2007

Estes posts, de há uns meses a esta parte, são um agregado de indignações bem intencionadas e, de algum modo, espontâneas, que ficariam bem em quadras populares mas que num blog o transformam numa coisa sumamente desagradável.

segunda-feira, julho 02, 2007

Os doentes oncológicos esperam, em média, 3 meses por uma necessária intervenção cirúrgica, sendo certo que um dia pode significar a diferença entre a vida e a morte.
A notícia releva do mais autêntico terror.
Enquanto isto, uma menina de, digamos, 19 anos, perfeitamente saudável, quer ter (tem?) o direito de, grátis e num prazo mínimo, sem incómodos ou perguntas, abortar por causa daquele esquecimento ou azar, uma maçada que quer resolver já, consumindo para tal, num país onde há um preocupante défice demográfico, meios humanos e técnicos escassos . Não virá longe o dia em que alguma doente oncológica se veja na necessidade de fingir querer abortar para salvar a sua vida.

Entretanto, num serviço público, passaria a ser aberta a correspondência dirigida aos funcionários (via 31daArmada que, muito bem, cita a legislação penal aplicável a tais desmandos). O PSD fala de autoritarismo. Vontade de complicar: como se vê, é um mero crime. Um crime de pulhas, mas um mero crime. O autoritarismo é outra coisa.

Ah! Li recentemente umas coisas muito indignadas pelo facto da CIA, durante a Guerra Fria, ter aberto alguma correspondência. A coisa era, como aqui, ilegal e criminosa e era feita às escondidas. Por cá, nem sequer existe a noção de que tais actos são baixezas e fazem-se, às claras. Espero as mesmas indignações além, claro, da esperada acção do Ministério Público, em conformidade com a notícia-confissão do crime publicada.

Enfim, duas notícias com um denominador comum: a absoluta falta de vergonha e de decência: que gentalha, que abjecta escumalha!

domingo, julho 01, 2007

No Corta-fitas, parabéns a Mario Soares por isto.
É bondade do Corta-fitas: não há, no que Soares disse, a enunciação de nenhum dos princípios por que se devem reger os estados democráticas, mas casuísticas considerações estreitamente utilitárias se não mera esperteza saloia: "São coisas desagradáveis porque fazem mossa no Governo e são fáceis de contestar. [...]"
Na volta pelos blogs encontro no «Da literatura» um post estranho, este, em que é esquecida a diferença entre empresas ou organizaçoes privadas, pertença de particulares, onde decorreriam as brejeirices e a função pública e instalações públicas, organização e propriedade com fins públicos que todos nós pagamos através dos impostos, e não são propriedade privada de ministros, ou directores-gerais ou seja quem for...
Assim se pensa em Portugal, comparando-se o incomparável.

sábado, junho 30, 2007

Assim vai o mundo: tendo-me dito uma menina do meu tempo - não a via há eras! - que, por uma sua filha, era avó há dez dias, lhe dei os parabéns mas me faleceu a coragem e não fiz as perguntas costumeiras sobre casamentos, entre elas quem o seu genro fosse, no medo que o não houvesse.
Agora, regressado a casa, fui ali ao Sapo ver. Lá estão o casamento - local e data - e o genro, a minha pusilanimidade foi em vão (creio, no entanto, que percebeu os motivos da minha contenção e que não deixou de a apreciar, adepta que sempre foi de dificuldades).
Coisas de que gosto: de luar. Da lua cheia que ilumina os campos e do luar doméstico, entrado pela janela e que ilumina salas, quartos.

quinta-feira, junho 28, 2007

Aquela do Alberto Acácio Martins, das questões planetárias além de soez é de um atrevimento inaudito de ignorante: nós, portugueses, sabemos muito bem o que são as questões planetárias pela simples e boa razão de termos sido nós que as inventámos: Afonso de Albuquerque queria, para resolver um problema português, desviar o curso do Nilo o que era, convenha-se, planetário em suficiência para assustar - como assustou - os Martins do tempo.
O problema não é a falta de paciência e discernimento do povo português para se pronunciar sobre os problemas do mundo - que ajudou a moldar - mas outro, bem mais infeliz: o da distância - galáctica - que separa Afonso de Albuquerque - que se ocupava de problemas portugueses - do sr. Sousa, actual primeiro-ministro e colegas que sonha «resolver os problemas planetários»
Depois da queda, a expulsão, ao instituir a distância - e nela o universo humano - instilou a necessidade da viagem, reconstituição dos passos - e não há outros, ainda hoje, senão esses - no abismo transposto então.

segunda-feira, junho 25, 2007

Quase inacreditável a quantidade de «Brunos» entre os autores de blogs. Sem ser velho, velho, sou do tempo em que Bruno só - ou quase só - o Sampaio, um republicano de há 100 anos.
O Pinto de Sousa quer-nos calados para não prejudicar a presidência europeia de Portugal (e dele...) O inglês técnico não lhe deve chegar para saber que, durante os piores dias da II Guerra Mundial, na Grã-Bretanha então sozinha e assolada pela barbárie nazi-comunista (as bombas que caíam em Londres contavam com matéria-prima soviética para as tornar mais letais), nunca deixou de haver discussão política acesa e que Churchill teve mesmo de enfrentar, no Parlamento, uma moção de censura.
Enfim...
Aturar esta gente e os argumentos criadais é cansativo, repito.
A Loja das Meias vai fechar. A Baixa - exceptue-se, em parte, o Chiado - está decrépita: houve mudanças de hábitos e aparecimento de outros sítios, com certeza, mas tais mudanças ocorreram em todo o mundo e das capitais europeias apenas a Baixa de Lisboa desertificou tão lugubremente.
Não se pode deixar de apontar como uma das principais causas desse triste destino a inacreditável lei do arrendamento, única no mundo também no que diz respeito à parte comercial.
Depois das saloias boas intenções em «proteger a actividade comercial» aí está a realidade.