domingo, julho 29, 2007

Contava-se como verídica, como se quer que estas histórias sejam.
Queixando-se um inglês a outro de um terceiro que não se teria portado como um gentleman, respondeu-lhe o segundo achar natural, por faltarem a essoutro 30 anos de schooling. Perante a admiração do queixoso, elucidou: "10 a ele, 10 ao pai dele e ainda outros 10 ao avô".
Isto a propósito da gritaria alarmante que já hoje ouvi no telejornal sobre os incêncios (chamas, populares, etc.) e que me parece impossível não ter efeitos nefastos neste país de pirómanos. Pouco depois, lamentos por já na terça-feira a temperatura ir descer. Não sei quantos anos de escola lhes falta, mas creio que elas e eles têm naquelas almas densas camadas de alarmismo, alegre má educação campestre e muito poupadas energias sopeirais que, agora e a propósito de tudo, não perdem ocasião de despejar sobre nós.
Teremos que suportar...

sábado, julho 28, 2007

O Abrupto indigna-se com o facto de uma jornalista da RTP ter ido entrevistar o embaixador do Irão disfarçada com um traje de camponesa muçulmana.

A mim também me parece uma leviandade, mas sou mais tolerante: para além das crendices em voga (multiculturalismo, politicamentes correctos, etc.) creio que a jornalista simplesmente se divertiu, reagindo ao mesmíssimo impulso que levava as senhoras da roda da Rainha Maria Antonieta a «fazerem Arcádia» vestidas de pastoras no Petit Trianon: o gosto - tão europeu (e um pouco cansativo...) - pelo diferente.
Então, como agora, celebra-se na nossa cultura o distante, o exótico; por outro lado, helàs, a total permissividade e a traumatizante privação da punição contribuiu para que se instalasse neste insosso Ocidente um tédio terrrífico e bocejante que justamente produz, como antídoto, o gosto por estas bizarrias. Uma qualquer jornalista que não hesitaria em considerar ultrajante o Vaticano sugerir-lhe, timidamente que fosse, uma vestimenta de discreto e neutral bom gosto para entrevistar um Núncio ou um Cardeal, vestirá com volúpia - sim, turva e boa volúpia - um traje de um mundo onde as mulheres são apedrejadas até à morte por actos que no Ocidente são habituais e inofensivos. Ao contrário, nesse eterno Oriente, à transgressão dos interditos não falta o medo, o temor bom e saboroso da consequência.

sexta-feira, julho 27, 2007

Dom João, Infante de Portugal

Não fui alguém. Minha alma estava estreita
Entre tão grandes almas minhas pares,
Inutilmente eleita,
Virgemmente parada;

Porque é do português, pai de amplos mares,
Querer, poder só isto:
O inteiro mar, ou a orla vã desfeita -
O todo, ou o seu nada.

Fernando Pessoa, Mensagem

quinta-feira, julho 26, 2007

Pequenezas, baixezas humanas filhas dos vagares provincianos e outras admirações.

Na classe das pequenezas, um recado para o Dr. Medeiros Ferreira: comemora-se o 24 de Julho de 1833... dia da entrada das tropas liberais em Lisboa. Em 24 de Julho de 1834 já D. Pedro, o Libertador, tinha sido apupado em S. Carlos, já as vendas dos bens nacionais tinham sido feitas pelos métodos sabidos, já...

Quanto ao capítulo mais infeliz das baixezas humanas, tenho que confessar, confuso e ainda não contricto, o gozo que me deu este artiguinho no The Independent sobre o curso de Pinto de Sousa, com factos e sem opiniões, que aquilo é o mundo à séria. A coisa tem tanto mais interesse quanto o The Independent é um daqueles jornais elegantemente trendy lidos por gente sofisticada e moderna como creio que o Sr. Sousa julga ser e pensa que gostaria que os portugueses fossem.

Na admiração, o artigo de Manuel Alegre. Que omissão tenebrosa se não viesse aqui admirar-me e agradecer, pela parte que me toca, a sua atitude.

quarta-feira, julho 25, 2007

Coisas deste mundo:

"We are a modern European country. We voted 59 percent in favor of liberalizing abortion".

Declarações do Sousa Pinto, actual primeiro-ministro, a um jornal inglês (descoberta via Bloguítica).
Coisas de outros mundos:

«And an intrepid postman used his own car to carry out a special delivery of the new Harry Potter book to children in Evesham, Worcestershire. »

Conviria ler isto sobre o caso da perseguição política ao Sr. Dr. Charrua.
Creio ter lido uma declaração sobre e requisição do Dr. Charrua, bem clara quanto ao motivo político da sua cessação (o que poderá, eventualmente, complicar as coisas para a dra. Moreira & Cia) mas basta saber o que é o funcionamento dos tribunais e as peculiaridades do direito administrativo para que se não afigure admissível o refúgio na letra da lei - típico dos estados autoritários, do salazarismo e deste governo.
O remédio das malfeitorias cometidas no caso do Sr. Dr. Charrua por parte do governo socialista do Sr. Sousa, para não ser uma vitória da prepotência, do abuso e de insultuosa indiferença pelas regras do estado de direito, terá que envolver, além da continuação da requisição na DREN ainda, e no mínimo, a demissão da dra. Moreira - não falo já da demissão da minista, que seria quase automática num país do primeiro mundo, mas enfim... se fôssemos um país do primeiro mundo nem o Sousa era primeiro-ministro, nem a Dra. Lurdes ministra, nem a Moreira estaria mais de 24 horas no lugar onde, passados três meses, ainda está.
Mas o nosso atraso não nos obriga, necessariamente, a ficarmos quietos e convirá exigir que a falta de vergonha na cara não se prolongue por muito mais tempo. Mesmo aqui, no país dos figurantes, há limites.

terça-feira, julho 24, 2007

A produção do quotidiano pelo governo socialista:

1 - O inquérito estalinista do Dr. Charrua foi arquivado.
Interessante saber se:
a) O Dr. Charrua volta para o seu lugar na DREN;
b) No caso, esperado, de o Dr. Charrua pedir uma indemnização pelos incómodos sofridos pelo atrevimento, saber ainda de onde sairá o dinheiro para a pagar. Espero que apenas dos bolsos do actual 1º ministro, Pinto de Sousa, da ministra - não me lembro do nome - e da tal Moreira e não dos dinheiros públicos, do nosso dinheiro;
c) A Moreira já devia ter ido para a rua há meses;

2 - Ainda por atrevimentos e dislates: há algo de perverso em mostrar uma escola onde as crianças que supostamente seriam os interessados alunos estão, afinal, a trabalhar, consistindo esse trabalho em fingir que são os interessados alunos de uma escola dotada com tecnologia moderníssima do primeiro mundo.
«Não se pode ser perfeito hoje em dia sem se ser um bocadinho idiota»

Camilo Castelo Branco, in Maria Moisés


segunda-feira, julho 23, 2007

Uhm... pensava ser um caso mais grave,
longe deste resultado sensato.

47%How Addicted to Blogging Are You?

Via Bloguítica Ah, já agora, 61 dias é muito tempo. Quando é que se sabe o que se passou sobre o caso do Prof. Charrua? O presidente da república já se esqueceu, ou esqueceram-se do presidente da república - e de nós todos?

domingo, julho 22, 2007

Um percurso limpo e com um bom tempo, no concurso hípico do Vimeiro, transmitido pela 2. Televisão civilizada, hoje.
Uma boa pega - isto para não ser só dizer mal - embora esteja em crer que há, nos dias de hoje, um problema com os segundos ajudas, detecto uma tendência para chegarem para o tarde e o da cabeça que se aguente. O Rui Godinho aguentou-se bem, está agora a dar a volta à praça, merecidamente.

sábado, julho 21, 2007

Vi ontem, creio que num telejornal, partes da sessão parlamentar com o ainda primeiro-ministro Sousa. Tenho o Sousa por um político medíocre que não levará o país a outro lugar senão ao último entre os países da União Europeia, mas não tinha ainda atentado bem na assustadora falta de educação, no tom regateiro - mas sem a graça e a criatividade das regateiras, apenas deselegante e maçador.
Tremendamente maçador.

sexta-feira, julho 20, 2007

Natalia Vodianova
Soube há pouco que a encantadora Vodianova, a Hon. Mrs. Portman, conhecida modelo, e seu marido, o Hon. Justin Portman, esperam o seu 3º filho. A felicidade conjugal - incluídas as alegrias da prole - é uma das últimas e mais recentes redescobertas não parecendo que prejudique a beleza das senhoras, como sustentavam algumas crendices e boatos maldosos do século passado.
Uma boa notícia.

quinta-feira, julho 19, 2007

quarta-feira, julho 18, 2007

Típico deste tempo em segunda mão: a Fnac tem obras sobre Restif de la Bretonne mas não de. Li Restif novo, à volta dos 18 anos, uma edição século XIX com um papel lustroso que me fazia alergia, sentia a pele dos dedos seca e prestes a esgaçar-se, como a seda velha. Já tenho encontrado mais livros com esse papel - ou será uma mistura de papel comum e inócuo, tempo e pó? - que me fazem sempre o mesmo efeito, mas apenas o Nuits de Paris lacerou além da epiderme, da ferida amena, até às ilusões subcutâneas da carne viva, em noites frias e deambulantes*.

* E no romance do Aguéev, já me esquecia. Era novinho, acredita-se em tudo.

terça-feira, julho 17, 2007

Hoje foi um dia monótono.
Gosto de dias monótonos.
Do Público:

Declarações da Comissária Europeia Viviane Reding "puxão de orelhas" ao governo socialista de Portugal:

“Não quero intervir na política nacional, mas nunca interfiram no conteúdo editorial ou códigos de conduta do jornalismo. Esta não é uma questão da Comissão Europeia ou do Parlamento”, afirmou. “A imprensa escrita livre é a base da nossa sociedade democrática e os governos não devem intervir na regulação da imprensa escrita. É uma regra sine qua non”, disse, defendendo que “a auto-regulação e a co-regulação é um sistema que, de facto, funciona”.Viviane Reding anunciou que encomendou um estudo sobre pluralismo e concentração nos media na Europa, e, dirigiu-se directamente ao ministro Augusto Santos Silva, que estava na sala, afirmou que tendo em conta que o Governo está a preparar legislação sobre o assunto, talvez as conclusões desse estudo ajudassem. “Não é dever da Comissão Europeia imiscuir-se na legislação da cada país. Mas é dever da Comissão ajudar os 27 a compreender o que se passa.”

domingo, julho 15, 2007

Do que vi - foi pouco - das eleições em Lisboa, que tristeza me pareceu tudo aquilo, os festejos de vencedores e vencidos, soturnos, cesáreos, tudo muito puído, muito gasto.

Aquela gente trazida para Lisboa, pelos socialistas, a ver a eleição, que magnífico e trágico retrato do falhanço de um país, que desmentido vivo de todas os discursos das modernidades. E como me pareceram e eram, de facto, rurais, também, os dirigentes (vi os socialistas, a uma janela), vestidos como se estivessem num congresso de contínuos.
O capítulo desta semana do curioso folhetim auto-hagiográfico do Dr. José Hermano Saraiva acolhe e publicita, no caso do diplomata de carreira, aristocrata, monárquico e católico Dr. Aristides de Sousa Mendes, a versão das Necessidades, que teria sido contada ao santificando por um Prof. Leite Pinto... Cada um faz a escolha das suas fontes: ou, entre outras, as autoridades do Estado de Israel, pouco dadas a ingenuidades ou atreitas a ceder a crendices (os comboios do volfrâmio selados, etc, versão sem o mínimo suporte documental ou testemunhal de qualquer um dos perto de 30 000 daquele modo supostamente salvos - e isto no país da Círcular 14...) , dizia eu, ou as autoridades Israelitas que homenagearam e homenageiam, após investigação dos factos, o diplomata Dr. Aristides de Sousa Mendes como um dos «gentios justos» que ajudaram os judeus aquando do horror do genocídio, ou a historieta indocumentada que o hagiografado quis tomar como boa.
Entre o rigor de quem teve de verificar quem foi quem no Holocausto dos seus e sentiu a horrível tragédia que dizimou milhares de famílias inteiras, as suas famílias, isto é, as autoridades do Estado de Israel e não sei quem que vivia o remanso de Lisboa, a escolha não me parece difícil.

O corajoso Dr. Aristides Sousa Mendes não salvou apenas judeus, mas pessoas perseguidas pelas mais variadas razões. Entre aquelas a que o Ilustre Português concedeu o visto, encontrava-se Sua Alteza Imperial Real, o Arquiduque Otão de Habsburgo, herdeiro do trono austríaco e que os nazis detestavam. O Arquiduque entregou, também, ao Dr. Sousa Mendes centenas de passaportes de outros austríacos para que fossem visados e assim pudessem fugir dos nazis. Não sei se foi já pedida a Sua Alteza qualquer declaração sobre o assunto, mas teria muito interesse ouvir o que tem a dizer.
O Miniscente faz hoje quatro anos, muitos anos - quase eras - blogosféricos.
O Impensável dá os seus muito parabéns.

sábado, julho 14, 2007

Ah, lembrei-me:

ANTIGA DOR

O subtil, o reflexo, o vago, o indefinido,
Tudo o que o nosso olhar só vê por um momento,
Tudo o que fica na Distância diluído,
Como num coração a voz do sentimento.
Tudo o que vive no lugar onde termina
Um amor, uma luz, uma canção, um grito,
A última onda duma fonte cristalina,
A última nebulosa etérea do Infinito...
Esse país aonde tudo principia
A ser névoa, a ser sombra ou vaga claridade,
Onde a noite se muda em clara luz do dia,
Onde o amor começa a ser uma saudade;
O longínquo lugar aonde o que é real
Principia a ser sonho, esperança, ilusão;
O lugar onde nasce a aurora do Ideal
E aonde a luz começa a ser escuridão...
A última fronteira, o último horizonte,
Onde a Essência aparece e a Forma terminou...
O sítio onde se muda a natureza inteira
Nessa infinita Luz que a mim me deslumbrou!...
O indefinido, a sombra, a nuvem, o apagado,
O limite da luz, o termo dum amor
Tornou o meu olhar saudoso e magoado,
Na minha vida foi minha primeira dor...
Mas hoje, que o segredo oculto da Existência,
Num momento de luz, o soube desvendar,
Depois que pude ver das Cousas a essência
E a sua eterna luz chegou ao meu olhar,
Meu infinito amor é a Alma universal,
Essa nuvem primeira, essa sombra d’outrora...
O Bem que tenho hoje é o meu antigo Mal,
A minha antiga noite é hoje a minha aurora!...

Teixeira de Pascoaes
A frescura da aurora: temperatura 15º C, humidade relativa 88%, uma suspeita de rosa.

sexta-feira, julho 13, 2007

Há pouco vi um pedaço do "Expresso da meia-noite". Uma jornalista afirmava ser possível conciliar a desquilíbrio orçamental com o crescimento, que havia estudos, dizia ela. O Prof. Miguel Beleza, com um ar muito calmo e definitivo, disse não haver tais estudos. A jornalista calou-se, de imediato: estava, ou a mentir conscientemente, ou treslera qualquer coisa, mas a prática de dizer o que vem à cabeça na altura, ou que se julga saber, em nome sei lá de quê, ou a mera aposta na dificuldade de uma imediata refutação, tornou-se tão vulgar que ela nem se deu ao trabalho de se fingir contrariada ou surpreendida. Deve escrever num jornal de «referência» nacional. E sobre economia, aposto.

Eugène Boudin

Por quem é, ainda bem que o post foi útil, tenho nisso o maior gosto.


quinta-feira, julho 12, 2007

Agradável notícia num post bem esgalhado de RMD no 31daArmada.
Dar um arraial de porrada, passe a expressão, há por cá quem o saiba fazer. O que aqui rareia é quem assente uns murros em alguém por se ter portado de um modo que «this is not right!»
Hurrah for John Smeaton of Glasgow!
Tenho hoje um jantar em casa de gente absurdamente friorenta, tão friorenta que tudo se pode transformar numa rude provação.
A minha vontade é telefonar subrepticiamente e subornar o pessoal menor para que ligue já - contrariando ordens que adivinho em sentido contrário - o ar condicionado no máximo.

quarta-feira, julho 11, 2007


David Hamilton, Hommage à Boudin, Cabourg (1987)

Quando eu era um teen gostava muito de Hamilton. Quando uma vez disse isso, responderam-me que ele era «fácil» e, escarninhos, apresentavam como prova - que pretendiam evidente - dessa facilidade, o meu gosto pela obra dele. A mim, as fotografias eram parecidas com algumas telas de Noronha da Costa, mas nunca me atrevi a dizer tal, com medo que me insultassem. Esta ida para a praia lembra-me as minhas idas para a praia, com a empregada, às 9 da manhã. O frio, alguns chuviscos mais veementes ou o nevoeiro cerrado eram considerados muito saudáveis, mesmo tónicos, e o medo deles uma coisa criadal, uma superstição popular. Ainda vou para a mesma praia.

terça-feira, julho 10, 2007

Vive-se, em Portugal entre a mais insana vanglória e o encher da gamela.
É pouco, é triste, é pequeno.

segunda-feira, julho 09, 2007

E se nos lembrássemos disto que o Dr. Vasco Lobo Xavier nos vem lembrar? Se nos lembrássemos de que o PM serve - ou deve servir e não ser servido - que patrão é o povo português, o estado português?
Se nos lembrássemos que é ao povo português que é costume faltar ao respeito, mentir escandalosamente, ignobilmente - em vésperas de eleições, por exemplo - se nos lembrássemos que é ao povo que deviam, que devem, ser prestadas - e com humildade - todas as contas...
A coisa começa a ter um carácter de urgência: vou para a praia habitual - de que deixei de gostar, um desamor incapaz, inoperante, já que acabo por sempre ir para lá - ou vou até, sim, é isso, o projecto habitual, às ilhas do Canal da Mancha. Já devia ter tudo preparado (hotéis marcados, etc.) e ainda não tratei de nada. De absolutamente nada. Muito desagradável.

domingo, julho 08, 2007

Queria, para pôr aqui, uma poesia de O´Neill que sei ele tem, sobre os domingos. São de Lisboa, os dele, mas estes não estão muito diferentes, também hebdomadários e letais.

Acabei por encontrar, mas é um domingo de Inverno, imprestável para ilustrar este, sito nos cumes do tédio solsticial estival.
Ainda pensei: "há umas boas passagens sobre os domingos, lisboetas ou provincianos em Eça", um primo de O'Neill - primo mesmo, não apenas no dolorido sarcasmo - mas pouco usáveis num post.
( No caminho desse domingueiro O'Neill revi a descrição da visita que Hans Christian Andersen fez a um 4º avô do Poeta, que o escritor conhecera em Copenhague. Visita-o na sua casa de Verão, ali para os lados do Aqueduto das Águas Livres.)

Ah, ia fechar o assunto e o computador -sem post - quando reparei que O'Neill tinha uma dupla dose de sangue irlandês, por ser descendente de uns O'Daly que em Lisboa desembarcaram e a quem eu atribuía o terrível sentido de humor e o olhar nostálgico de uma muito querida amiga.
Pequeníssimo mundo este, de Lisboa - como não me canso de me dizer.

sábado, julho 07, 2007

Cara Charlotte,

Apresso-me a responder, mas as coisas, por aqui, andam tristes, muito tristes.

Brunch de hoje:
Torrada com manteiga magra (sic)
Toranja com doce de alperce sem adição de açúcar (sic)
Iogurte açucarado (sic)
Culpa e sofrimento provocados pela ingestão do item anterior
Café.

Ceia desta madrugada:
Uma - e depois outra - daquelas coisas próximas dos iogurtes que tiram a fome - e ajudam alguma coisa, mas exigem muita concentração e firmes propósitos.
Culpa e sofrimento pela segunda. Devia ter sido apenas uma.

Jantar de ontem:
Metade de um queijo fresco médio magro (sic) com orégãos.
Bife grelhado com salada de alface, muita salada de alface.
1 pera - que polvilhei com chocolate dietético (sic)
Culpa e sofrimento pelo acto de polvilhar a estaferma da pera.
Café

Almoço de ontem:
Sopa de legumes
Pescada cozida em papel de alumínio, 1 cenoura pequena e uma batata pequena.
Azeite CARM Praemium, passe a publicidade
1/2 maçã e 1/2 pera
Olhei para as flores da mesa e pensei que agora está muito na moda em alguns meios comer flores (raw food, creio)
Culpa e sofrimento pelo pensamento anterior. Pobres margaridas brancas.
Café

Jantar de anteontem:
Sopa de legumes
Salada de tomate com mozzarella e manjericão.
Uma sobremesa infecta (in-fec-ta) de soja com um sabor terroso (e que comprei num momento de loucura)
Reparei que havia flores novas na mesa, umas margaridas brancas com ar apetitoso. Estranhei que «apetitoso» tenha sido o termo que me ocorreu.
Fraises au Canderel
Culpa e sofrimento por saudades de fraises à la crème fraîche.
Café


Passar a quem? Uhm, há sempre gente agradável no Corta-fitas e no 31daArmada. E o Masson, que jantará? E a autora do Inacessível? O Anarcoconservador é um gourmet, diga-nos lá desses jantares.
Brunch em país pobre

Do "Público" de hoje:

«Pouco depois de saírem do ministério e da câmara, quatro assessores de António Costa e dez de Sá Fernandes foram integrados nos grupos parlamentares do PS e do BE. Ainda ninguém os viu na AR, mas alguns têm feito campanha em Lisboa. O Tribunal Constitucional considerou, antes destas eleições, que não se pode "receber ou aceitar quaisquer contribuições que se traduzam no pagamento, por terceiros, de despesas que aproveitem à campanha»

Este gosto pelas migalhas - de boa e alheia côdea, embora - o fazer pela vidinha que tudo isto é - e é como tem sido sempre - transmite-me alguma tranquilidade nesta época de mudanças.
Fonte Fria

sexta-feira, julho 06, 2007

É isto, isto que me amofina e invejo, estas grandes questões, para mim imperceptíveis, incompreensíveis, mas que sei, por ler, serem a marca do génio dos grandes Estadistas. Confesso: sinto-me pequeno, muito pequeno, perante a vastidão daqueles cérebros privilegiados, estremeço de vertigem pela altura adivinhada daquelas coisas graves! Sintra, Lisboa? Ou Lisboa, Sintra? Oh, ver como se digladiam aqueles dois gigantes, que lição sublime para o homem comum e mesquinho ver as obras valerosas que da lei da morte vão libertando!
Sintra ou Lisboa? Magna questão! Quase seria de a sujeitar a referendo, se ao vulgo coubesse pronunciar-se onde os próprios Génios se detêm e hesitam.
Calor.... a menina do tempo de já não sei que emissora rejubilava com os 30º C. Se estivessem 40º's C é de crer que a informação metereológica atingissse o hardporno.

quinta-feira, julho 05, 2007

A secretária Pignatelli devia ir hoje mesmo para a rua, mas já não há quem dê tal ordem, nem por princípio, ou por respeito, nem, ao menos, por medo.
Mas o povo, ou o público também não é grande coisa, condiz com o país, um pequeno e pobre país com um PIB per capita ligeiramenrte inferior ao de Malta e onde, ao contrário daquela ilha, não se tem, afinal, a liberdade em grande conta.
Interessante o "Quadratura do Círculo" transmitido ontem: Pacheco Pereira, falando sobre os últimos e bizarros acontecimentos atribuiu a Jorge Coelho a posição que, inteligentemente, seria - e será - a do socialista: correndo, afinal, o essencial bem, porquê este clima de crispação desnecessário por «faits-divers» e que, no limite, pode vir a comprometer tudo, ou quase tudo? Dir-se-ia não haver uma razão.
Mas antes, Pacheco Pereira tinha já situado, com argúcia, a origem deste pus no furúnculo do ferido amor-próprio do Sr. Pinto de Sousa aquando da questão do diploma. Foi esse episódio que segundo Pacheco originou, ou precipitou, estes tão lamentáveis de agora.
Afinal, os enunciados sinceros ou hipócritas, bem ou mal intencionados, fazíveis ou totalmente megalómanos e absurdos que pretendem, no discurso oficial, serem os dos grandes desígnios nacionais - e mesmo planetários, como lembrava há dias um colega do Sr. Sousa - podem vir a sofrer, se não sofrem já, com as questões pequeninas da alma humana, um nariz de Cleópatra mental, um desses acasos - ou causas - da história, tortuosos, obscuros e ilustrativos da imperfeição dos homens que eram antigamente apontados por parentas idosas que sabiam a história de França na ponta da língua.

quarta-feira, julho 04, 2007

Pretendia uma expressão que traduzisse o supérfluo de considerações sobre assuntos de somenos e ia escrever "considerações sobre um soluço" quando me apercebi que um soluço - se bem que démodé, mesmo enquanto mera manifestação fisiológica, ainda é - ou pode ser - uma coisa grande e poderosa. Fiquei sem post.
Ah, sim, outra obra louvável dos Bourbons - ramo francês -, o 4 de Julho norte-americano. Isso, a par com a nomeação de Goya como retratista dos Bourbons - ramo espanhol - basta para justificar uma família inteira.
Estou a esta hora, estremunhado e aborrecido, a ver um programa da Martha Stewart de há 7 meses atrás ? Estou.
Fui em busca do link, para pôr aqui, a ilustrar, e encontrei receitas patrióticas: vi uma tarte com as cores da bandeira norte-americana, uma «american flag tart». Deixo o link aqui, no aqui.
A que horas é o Jay Leno?

terça-feira, julho 03, 2007

Estes posts, de há uns meses a esta parte, são um agregado de indignações bem intencionadas e, de algum modo, espontâneas, que ficariam bem em quadras populares mas que num blog o transformam numa coisa sumamente desagradável.

segunda-feira, julho 02, 2007

Os doentes oncológicos esperam, em média, 3 meses por uma necessária intervenção cirúrgica, sendo certo que um dia pode significar a diferença entre a vida e a morte.
A notícia releva do mais autêntico terror.
Enquanto isto, uma menina de, digamos, 19 anos, perfeitamente saudável, quer ter (tem?) o direito de, grátis e num prazo mínimo, sem incómodos ou perguntas, abortar por causa daquele esquecimento ou azar, uma maçada que quer resolver já, consumindo para tal, num país onde há um preocupante défice demográfico, meios humanos e técnicos escassos . Não virá longe o dia em que alguma doente oncológica se veja na necessidade de fingir querer abortar para salvar a sua vida.

Entretanto, num serviço público, passaria a ser aberta a correspondência dirigida aos funcionários (via 31daArmada que, muito bem, cita a legislação penal aplicável a tais desmandos). O PSD fala de autoritarismo. Vontade de complicar: como se vê, é um mero crime. Um crime de pulhas, mas um mero crime. O autoritarismo é outra coisa.

Ah! Li recentemente umas coisas muito indignadas pelo facto da CIA, durante a Guerra Fria, ter aberto alguma correspondência. A coisa era, como aqui, ilegal e criminosa e era feita às escondidas. Por cá, nem sequer existe a noção de que tais actos são baixezas e fazem-se, às claras. Espero as mesmas indignações além, claro, da esperada acção do Ministério Público, em conformidade com a notícia-confissão do crime publicada.

Enfim, duas notícias com um denominador comum: a absoluta falta de vergonha e de decência: que gentalha, que abjecta escumalha!

domingo, julho 01, 2007

No Corta-fitas, parabéns a Mario Soares por isto.
É bondade do Corta-fitas: não há, no que Soares disse, a enunciação de nenhum dos princípios por que se devem reger os estados democráticas, mas casuísticas considerações estreitamente utilitárias se não mera esperteza saloia: "São coisas desagradáveis porque fazem mossa no Governo e são fáceis de contestar. [...]"
Na volta pelos blogs encontro no «Da literatura» um post estranho, este, em que é esquecida a diferença entre empresas ou organizaçoes privadas, pertença de particulares, onde decorreriam as brejeirices e a função pública e instalações públicas, organização e propriedade com fins públicos que todos nós pagamos através dos impostos, e não são propriedade privada de ministros, ou directores-gerais ou seja quem for...
Assim se pensa em Portugal, comparando-se o incomparável.

sábado, junho 30, 2007

Assim vai o mundo: tendo-me dito uma menina do meu tempo - não a via há eras! - que, por uma sua filha, era avó há dez dias, lhe dei os parabéns mas me faleceu a coragem e não fiz as perguntas costumeiras sobre casamentos, entre elas quem o seu genro fosse, no medo que o não houvesse.
Agora, regressado a casa, fui ali ao Sapo ver. Lá estão o casamento - local e data - e o genro, a minha pusilanimidade foi em vão (creio, no entanto, que percebeu os motivos da minha contenção e que não deixou de a apreciar, adepta que sempre foi de dificuldades).
Coisas de que gosto: de luar. Da lua cheia que ilumina os campos e do luar doméstico, entrado pela janela e que ilumina salas, quartos.

quinta-feira, junho 28, 2007

Aquela do Alberto Acácio Martins, das questões planetárias além de soez é de um atrevimento inaudito de ignorante: nós, portugueses, sabemos muito bem o que são as questões planetárias pela simples e boa razão de termos sido nós que as inventámos: Afonso de Albuquerque queria, para resolver um problema português, desviar o curso do Nilo o que era, convenha-se, planetário em suficiência para assustar - como assustou - os Martins do tempo.
O problema não é a falta de paciência e discernimento do povo português para se pronunciar sobre os problemas do mundo - que ajudou a moldar - mas outro, bem mais infeliz: o da distância - galáctica - que separa Afonso de Albuquerque - que se ocupava de problemas portugueses - do sr. Sousa, actual primeiro-ministro e colegas que sonha «resolver os problemas planetários»
Depois da queda, a expulsão, ao instituir a distância - e nela o universo humano - instilou a necessidade da viagem, reconstituição dos passos - e não há outros, ainda hoje, senão esses - no abismo transposto então.

segunda-feira, junho 25, 2007

Quase inacreditável a quantidade de «Brunos» entre os autores de blogs. Sem ser velho, velho, sou do tempo em que Bruno só - ou quase só - o Sampaio, um republicano de há 100 anos.
O Pinto de Sousa quer-nos calados para não prejudicar a presidência europeia de Portugal (e dele...) O inglês técnico não lhe deve chegar para saber que, durante os piores dias da II Guerra Mundial, na Grã-Bretanha então sozinha e assolada pela barbárie nazi-comunista (as bombas que caíam em Londres contavam com matéria-prima soviética para as tornar mais letais), nunca deixou de haver discussão política acesa e que Churchill teve mesmo de enfrentar, no Parlamento, uma moção de censura.
Enfim...
Aturar esta gente e os argumentos criadais é cansativo, repito.
A Loja das Meias vai fechar. A Baixa - exceptue-se, em parte, o Chiado - está decrépita: houve mudanças de hábitos e aparecimento de outros sítios, com certeza, mas tais mudanças ocorreram em todo o mundo e das capitais europeias apenas a Baixa de Lisboa desertificou tão lugubremente.
Não se pode deixar de apontar como uma das principais causas desse triste destino a inacreditável lei do arrendamento, única no mundo também no que diz respeito à parte comercial.
Depois das saloias boas intenções em «proteger a actividade comercial» aí está a realidade.

sábado, junho 23, 2007

Em resumo, J lamentou que as pessoas conhecidas fossem muito pouco cultas. Assenti que algumas o eram, mas cá para mim pensei que bem queria lá eu saber se leram este ou aquele se não tiverem manières de table e que me sinto muito feliz por se poder conversar longa e pausadamente - ou com algum entusiasmo - sobre alguns assuntos tidos como fúteis, tais a falta de representantes em Portugal de algumas coisas quase indispensáveis, desde ideias, humour, vestimentas, a colónias usáveis.

quinta-feira, junho 21, 2007

Começo de Verão. Que não seja tórrido, sufocante e inclemente, que seja um bom e sensato verão atlântico.

quarta-feira, junho 20, 2007

Parece, segundo notícia do Expresso, que o Sr. Sousa, primeiro-ministro actualmente em exercício, terá apresentado queixa contra o Sr. Dr. António Balbino Caldeira na questão do título de engenheiro que o outro gosta tanto de ostentar.

Esperemos que o Sr. Dr. Balbino Caldeira deixe os tribunais cabalmente esclarecidos quanto à justeza do que escreveu e saia severamente punida a atoleimada e fantasiosa vaidade.
Entretanto, é de não perder a leitura do post de hoje, 20 de Junho no Portugal Profundo. Leitura que deve ser demorada, meditada, para termos noção de como se pode ser enxovalhado neste Portugal do séc. XXI.

terça-feira, junho 19, 2007

«Mário Lino diz que opção 'Portela + 1' não é viável»
Pergunto-me como o sabe ele.... terá mandado estudar a questão ou é um mero palpite?
Enfim...
E tudo isto é tãooooooo cansativo.

Ontem estive a ler um pouco do Costigan "Retratos de Portugal" que só conhecia em segunda mão, por citações. Nada animador, nada animador - como, aliás, já sabia.
O único consolo que tiro desta literatura de viagens em Portugal - para saber mais e a sério sobre o assunto, leia-se Castelo-Branco Chaves - dizia eu que o único consolo que tirava destas leituras é a confirmação do que há muito tempo penso, que optámos por não viver no mundo, que dele nos apartámos sem pena há longo tempo e que as nossas mudanças não são tanto de regimes ou de governos quanto de géneros literários ou de autores. Agora, por exemplo, vivemos num burlesco sem génio, sem fôlego.

segunda-feira, junho 18, 2007

Entretanto, ainda o assunto aeroporto. JPP diz: «Se foi o Primeiro-ministro Sócrates "que pediu à CIP para avançar com estudo de alternativa à Ota", como disse o presidente da CIP sem desmentido governamental, por que razão andou ele próprio e o ministro Mário Lino a mentir-nos de há quatro meses para cá? Mentira é a palavra certa, mais má fé, mais dolo, tudo palavras certas para descrever o que aconteceu (e se calhar continua a acontecer agora mesmo) : o engano deliberado dos portugueses, a manipulação de todos nós.»

E mais:

«Sabem o que cada vez mais isto me parece, a sensação com que já fiquei depois da história do "diploma"? É que é tudo muito parecido com o estilo das "jotas", uma indiferença face à honestidade e à verdade, uma política feita de trapalhices e trapacices, um vale tudo para manter o poder, ganhar uns pontinhos, esmagar um adversário, um autoritarismo com os fracos e subserviência para com os fortes, um parecer mais que ser. A todo o custo. »

Também acho...
Passei o fim-de-semana longe de blogs e informação em geral e só agora me apercebo que é já uma divulgada verdade o Senhor Dr. António Balbino Caldeira ter sido mesmo incomodado como arguido por causa da complexa licenciatura do primeiro-ministro em exercício.

Coisas de país pobre e sem princípios, bem sei, mas às vezes esquece-se a gente onde vive.
Liberdade: the real thing e as compradas na loja dos trezentos

Acabo de ler o Portugal Profundo e, por ele, saber que o seu autor foi constituído arguido (!!!!!!) no assunto "dossier Sócrates". Tal dossier, nunca é demais (re)lembrar está relacionado com o Sr. Sousa, actual primeiro-ministro, que usou em "sites" oficiais e deixou que figurasse no Diário da República um título - o de engenheiro - a que, claramente e inequivocamente não tem qualquer direito; e que, sobre a licenciatura em si - um assunto sem história ou controvérsia para milhares de licenciados portugueses - não conseguiu produzir - salvo erro - dois documentos que condissessem na atestação dos termos da mesma (o certificado existente na Câmara Municipal da Covilhã, igualmente diferente de quaisquer outros, não deveria, por si só, ter desencadeado um inquérito?)

Que o autor deste blog se lembre, todas as afirmações a propósito desse assunto contidas no Portugal Profundo foram feitas com sólidos suportes documentais e elaboradas a partir deles - como tenho visto pouco neste país.

Por isso, estranho - e ainda ponho a hipóteses de se tratar de alguma brincadeira de mau gosto - que o autor do blog Portugal profundo tenha sido constituído arguido!

Enquanto isto, enquanto há, neste país, gente que é incomodada pela inconveniência de dizer verdades pouco abonatórias para a vaidade e prosápia dos Sousas destes pobres mundos, noutros países, na Grã-Bretanha, por exemplo, saem, ano após ano, sem que os seus autores sejam acusados de qualquer crime, livros onde se afirma, entre outras coisas espantosas, que a actual Soberana britânica teve affaires extra-matrimoniais mais se acrescentando que os seus filhos mais novos, Duque de York e Conde de Wessex não o são de seu Marido, o Principe Consorte (o que, no Reino Unido, teria até repercussões constitucionais na ordem da sucessão ao Trono Britânico!...
Lá, porém, no pasa nada e os sites e os livros continuam... é a liberdade a sério, the real thing e, claro, a consciência tranquila dos alvos de tais dislates, uma força tão imensa quanto calmante.
Aqui, é a liberdade de pechisbeque - a condizer com o resto.
Haverá, nesta lamentável episódio do aeroporto de Lisboa, uma virtude: a de ilustrar que o bom povo português, durante anos entusiasta do keynesianismo do betão, percebeu (finalmente!!!) as limitações daquela política e o efémero dos seus resultados.
Alguns dos grandes empresários portugueses têm medo de serem prejudicados pelo goveno por causa de opiniões e acções perfeitamente legítimas e, pelo seu lado, o governo socialista parece não estranhar tal medo! Pouco se poderá dizer de pior deste lameiro onde viemos parar e a principal preocupação dos portugueses será - ou devia ser - descobrir como sair dele.

Por lameiro, é interesssante verificar o medo ou ódio do governo e um pouco do regime - que apenas formalmente ainda é uma democracia , à diferença de opiniões. Ora, se faz favor de verificarem os senhores leitores por si próprios.

sábado, junho 16, 2007

E, de novo, o Doutor Vasco Pulido Valente, no «Público» de hoje, sábado:

«O medo move a CIP como o último empregado do último serviço do mais miserável ministério. O santo medo do patrão que faz de Portugal este país pacífico e ordeiro que o mundo admira.»

sexta-feira, junho 15, 2007

Doutor Vasco Pulido Valente, no «Público» de hoje:

«Porque ou este adiamento é de facto uma pura e aviltante manobra do Governo, que exibe sem vergonha o seu desprezo pelos portugueses, como pretendem os maledicentes; ou o episódio demonstra a total incapacidade do país para se governar a si próprio. Seja como for, o triste caso do "novo aeroporto de Lisboa" revela um Portugal irresponsável e mesquinho, que não merece respeito ou inspira esperança. »

Itálicos deste acabrunhado leitor.

quinta-feira, junho 14, 2007

"No talho da sua rua, se alguém insultar o patrão o que lhe acontece?"
frase da autoria da tal dren.
"Insultar o patrão"!...
Ontem, dia 13, tudo funcionou aqui a meio gás por ser feriado em Lisboa. Houve correio, todavia, e chegou a última encomenda que fiz na Amazon, de modo que estive, à tarde, a ler o «Fathers and Sons» do Alexander Waugh. Os Waugh são uma autêntica guilda de escritores e literatos -em pouco mais de 100 anos publicaram perto de 180 livros... - e o livro, que conta parte das suas histórias, podia bem chamar-se Waugh, Waugh, Waugh, Waugh & Waugh, Literary Inc.
O pai de Evelyn era ridicule e possidoneco, o que me faz pensar que, filho de um pai assim, não terá sido descabida a observação de sua primeira sogra, Lady Burghclere, quando explicou ao autor de Brideshead, seu breve genro, que ele não era, como de boa-fé até então se julgara, um gentleman - situação maçadora que persiste em alguns dos seus narradores.

terça-feira, junho 12, 2007

Posição (oficial) deste blog sobre a questão do aeroporto: fui ao Google ver bem, bem, onde fica Alcochete e achei o sítio bom, mas mantenham a Portela, tão da nossa tradição quanto a digna Santa Apolónia.
Inutilidades: acordar bem-disposto (se para verificar que a esta hora já o contentamento todo se erodiu. Antes começar o dia com aquele péssimo humor asténico que nos faz ruir, silenciosamente, ainda de roupão, sobre o sofá mais próximo e esperar de barba por fazer e num abjecto jejum que o mundo nos caia em cima ou, pelo menos, que sejamos atingidos por pequenas avalanchas de infelicidade - que, a seu modo, não deixam de ser reconfortantes).

segunda-feira, junho 11, 2007

Ah, este dia 11 de Junho era, noutros tempos, o do fim das aulas; começavam, à tarde depois das aulas, as férias grandes!
(Que só acabavam em Outubro)
Saudades!
Fui ao Portugal dos pequeninos e lá estava a petição. Fui ver. Sim, já tinha assinado. Resolvi dar uma vista de olhos. De amigos meus, pouquíssima gente! Os nomes meus conhecidos estão lá, mas são quase sempre dos filhos deles, gente que, às vezes, só vi no dia do baptizado (e a alegria de saber que cresceram sãozinhos é a única recompensa para a falta dos nomes dos pais - a alguns dos quais tinha enviado o link da petição...).
Mas faltam, a gente da minha idade não está lá. Já enviei mails a protestar pelo amolecimento cerebral que, suspeito, não é o verdadeiro culpado - inclino-me mais para a preguiça e o mero não querer ser desagradável para e com quem quer que seja. Eu sei, eu sei, não ser desagradável, nunca.
Mas um regicida em Santa Engrácia?

domingo, junho 10, 2007

Camões na praia (Pedrouços? Algés?) em meados do século XIX com um grupo de ninfas suas conhecidas (é possível reconhecer Europa e Calypso. Mais afastada, à esquerda: Eurinomia?)

sábado, junho 09, 2007

A ler e reler: o artigo do Doutor Vasco Pulido Valente, hoje, no Público.

Uma amostra, com todas as devidas vénias:

«Queridos leitores do PÚBLICO,
Um bando de
facciosos, para não dizer de loucos,
resolveu agora convencer o país de que o nosso querido primeiro-ministro se inclina excessivamente para o autoritarismo e já criou por aí um clima pouco democrático. Nada mais falso e aberrante. Se o sr. primeiro-ministro decidiu, por exemplo, transferir para si próprio a tutela directa dos serviços de segurança (SIS, SIRP e SIED) e das polícias, não foi para aumentar o seu poder. De maneira nenhuma, foi por meras razões de "funcionalidade"; uma medida patriótica, destinada exclusivamente a garantir a segurança do cidadão e a poupar dinheiro ao contribuinte. Se a canzoada, que não pára de ladrar às pernas de um tão patriótico benemérito, não percebeu esta evidência, tanto pior para ela.»
Agradeço, muito obrigado e grato, ao Réprobo - que leio sempre com muito gosto - o ter-se lembrado, por antinomia, do Impensavel, no que a pensativos blogs toca.

quinta-feira, junho 07, 2007

Antídoto para canículas e outras agruras: do Tamil - veTTi, sem valor + veru, sem uso, inútil; Vetiveria zizanioides; Vétiver.

quarta-feira, junho 06, 2007

6 de Junho 1944 - 6 de Junho 2007

Desembarque das tropas aliadas Norte-americanas e Britânicas na Normandia

Não esquecer!

segunda-feira, junho 04, 2007

A.J. (antes do jantar): esta da suspensão do mandato quando alguém eleito é constituído arguido é a prova de que alguns dos mais elementares princípios do estado de direito - o da presunção da inocência é um deles - ainda não foram digeridos aqui (aliás, o Código de processo Penal atropela-o, artigo sim artigo não sem que ninguém se escandalize).
Tenho escrito pouco aqui: a questão é que pus o portátil num daqueles guéridons pequenos ao lado do cadeirão e não dá muito jeito escrever debruçado.

Leio "Uma vida com Karol" de Stalinao Dziwisk. Num tempo em que a mediocridade da triste e esmagadora maioria dos leaders mundiais é tão acabrunhante que alívio ler sobre um grande homem!

sexta-feira, junho 01, 2007

Claes Oldenburg, Spoonbridge and Cherry, 1985-1988

Em Junho, de novo!
(Exclamação previsível. Veja-se aqui, aqui e aqui)

quinta-feira, maio 31, 2007

O Arrastão - que já visitei duas ou mesmo três vezes (!) este semestre - insurge-se contra um (in)concebível programa de televisão holandês. Fá-lo com uma frase de efeito digna de suscitar a inveja do defunto Sr. Conde de Abranhos (sim, essa mesma, a do coração).
O show em si é, além de chocante, popularucho (com concorrência de donatários) mas creio que há equivalentes em formato «Canal Arte» para gente arejada, requintada, sofisticada, culta, sensibilíssima, moderníssima, produzidos na Holanda ou em qualquer outro local também moderníssimo, com muito laicismo, muito aborto e muita eutanásia.
Mas, não era expectável? Não é a situação descrita uma decorrência da cultura da morte que o Papa João Paulo II denunciou?

quarta-feira, maio 30, 2007

A greve geral não me incomodou: houve pão, correio, o habitual. Já o tempo está desagradável.

Enquanto isto, os pobres venezuelanos ficaram sem o principal canal de televisão. A argumentação para tal facto ainda é jurídica (o decurso do prazo da concessão). Estou, calmamente, à espera do primeiro acto que nem a mais servil e torpe interpretação da lei permita classificar como legal e se possa começar a falar de ditadura.
Será então muito interessante ver quem defende Chavez. Haverá quem, não duvido; alguns deles pertencerão àquela falange que afirma, quando são lembrados do terror soviético - e já perante a impossibilidade de o desmentirem -, que aquilo não era o verdadeiro socialismo. Convirá confrontá-los, depois, com o regime ditatorial chavista em construção e indagar se é desta vez que estamos perante o produto original e autêntico.

terça-feira, maio 29, 2007

O Almocreve fez anos, 4. Acabrunhado pelos acontecimentos, não dei fé. Ficam aqui, agora, os muitos parabéns.
Bem sei que elogio em boca própria é vituperio, mas devo dizer que me espanta o aborrecido e baço que está este meu blog: um convite ao bocejo, ao velho e fiel bocejo de província, bom, manso, dormitado com vagar em escritórios de tremidos e torcidos.

segunda-feira, maio 28, 2007

Por momentos pensei que o feriado de hoje em Inglaterra fosse o do dia do Venerável Beda - um dos Santos da minha devoção e que sei ter o seu dia por esta altura - mas é o de Segunda-Feira de Pentecostes, dia que cá não é tão comemorado quanto nos restantes países europeus, pelos menos nos mais a norte. Aqui, em Portugal o dia passa sem se dar por ele e apenas nos Açores, onde a devoção do Espírito Santo é grande, é feriado nalgumas ilhas. Não percebo esta indiferença, porque é que é assim no continente e uma volta breve pela net não me elucidou sobre o assunto.
Não queria estar a dizer asneiras - mais do que as costumadas - e a ser injusto, mas parece-me que em Portugal se percebe mal o Espírito Santo e o nosso Deus verdadeiro é, como já dizia não sei quem, o Menino Jesus nas palhinhas, o do nosso Natal, doce, terno e salvo do frio pelos bafos da vaca e do burrinho e dos nossos ingénuos protestos pelo desconcerto do mundo, nascidos da nossa pena d'Ele, pena comovida, devota, verdadeira e sincera - até há pouco tempo, pelo menos. Mas, mesmo em alturas de mais atentas devoções, com os dias maiores e os calores esquecemos - e esquecíamos - um pouco o Menino Jesus (já para não falar de Deus-Pai...) e nem Santo António, S. João e S.Pedro nos salvam do paganismo solsticial.

quinta-feira, maio 24, 2007

Desopilantes, as vociferações - tão sentidas e eruditas - do Capitão Haddock!
Vou manter o quadradinho visível, faz-me bem ao fígado.

terça-feira, maio 22, 2007

Deparei com uma breve carta aberta ao actual primeiro-ministro subscrita por Francisco José Viegas*. Ainda não me recompus.... É uma carta que, se bem que não timorata constitui, toda ela, um apelo sentimental ao Sousa, a propósito do escandaloso e intolerável caso do professor afastado por ter gozado com os estudos do dito. Eu, no desconhecimento das subtilezas ora em uso em Lisboa, pensei, por momentos, que a missiva fosse um exercício de ironia, dado o tom suplicante - inexplicável numa democracia - onde não faltam apelos aos presumidos ou conhecidos bons fígados e benigna disposição do ofendido Sousa, nos termos em que noutros tempos se imprecava, prostrado, à Real Clemência que mais dispusesse um coração já de si disposto a perdoar, etc., etc.: era o formulário dos condenados, dos perseguidos, dos injustiçados o que faz - fazia, para mim - da breve carta um pastiche das súplicas dos desgraçados de outrora e, por isso, toda ela uma dura condenação do episódio. Preparava-me para me rir a contento quando, depois de um releitura, julguei perceber tratar-se de um pedido a sério!

Ora vejamos: o Sousa usou títulos académicos que não possuía e a que bem sabia não ter qualquer direito - e teve a desfaçatez de os usar no diário da república e no "site" do governo. Até hoje, que seja do meu conhecimento, não pediu desculpa por essa mentira - que lhe valeria sérias consequências num qualquer país do 1º mundo e que aqui meramente o constituiu - embora com uma intensidade que há muito se não via - em alvo de chacota geral, da mofa desta gente que, pobre e farta de tristezas (e sem os empregos que o Sousa lhe prometeu), gosta de se rir destes ridículos, filhos de tão lorpas toleimas.

Mas, por isso, não podemos ser nós que, por interposta carta* (já que as cartas abertas, por mais pessoais e singulares que sejam, sempre se constituem um efeito plural, congregador e representativo) lhe peçamos, seja o que for. O que é necessário é bem diverso: é que a verdadeira vítima deste lamentável episódio - o professor - use os tribunais para exigir que quem teve o atrevimento de fazer o que fez e todos os que, por acção e omissão em tal convieram e continuam a convir sofram as consequências. Todas. E como não se pode pôr de lado a atribuição de alguma indemnizaçao, arbitrada pelos nossos tribunais - ou pelos europeus - aproveito já para suplicar ao professor prejudicado - o único destinatário possível em matéria de pedidos de desculpas - para ser magnânimo: que não esqueça que tudo sai, afinal, dos nossos bolsos: por isso peço, não exija uma indemnização grande!

*É certo, porém, que FJV tem todo o direito de dirigir a quem quiser as cartas que entender e redigi-las nos moldes que deseje.

segunda-feira, maio 21, 2007

Relembro de tempos a tempos os meses terríveis que Jorge de Sena passou depois de vir aqui pela primeira vez depois do 25 de Abril - aqui, onde ninguém dos milhares de bem intencionados libertos pela revolução se lembrara de lhe oferecer um lugar que lhe permitisse o regresso... Depois dessa viagem, Sena esteve doente, de cama, exangue, doente de puro desgosto. Creio que tinha visto ainda mais claramente do que soía ver: creio que nos viu, que nos viu já sem as roupagens de mártires da ditadura, já à luz do dia da liberdade, que viu quem verdadeiramente éramos - e o que nos aprestávamos para ser - e que era isto que hoje somos.

domingo, maio 20, 2007


Ou, se não uma limonada, que o tempo mudou, um plaid para preguiçar num sofá a salvo das agruras repentinas de Maio?
Se quiser resistir a estas molezas de cashmira e se sentir fadado a fazer alguma coisa de útil, veja o que se passa aqui, no Voluntariado Nova Geração.
O Domingo, pelo menos por aqui, está desagradável. Não vasculhei a televisão, mas não creio que esteja irresistível. Livros novos? Há sempre alguns, por isso não sei a que atribuir este silêncio que vai pelos blogs sobre aquilo a que o Doutor Vasco Pulido Valente designa - e bem - por crime político. Refiro-me ao caso do professor a quem foi levantado um processo disciplinar por ter gozado com a licenciatura do Sousa.
Convirá que se leia o artigo e se medite neste triste e repugnante caso que é uma torpeza e um crime.
Convirá que esta infâmia tenha a resposta que merece. Para nosso bem.

Alguns blogs tratam a coisa como se fora um episódio engraçado e minimizam-no. Não é algo de menor: para já, um funcionario publico viu a sua vida afectada por se rir do que é risível e isto sem que, até agora, ninguém haja explicado à autora da graça que estamos em democracia. Quando souber que a Ministra da Educação agiu como lhe competia, pondo fim imediato à situação e punindo a autora do inconcebível acto prepotente também rirei. Até lá...