
domingo, maio 20, 2007
Convirá que se leia o artigo e se medite neste triste e repugnante caso que é uma torpeza e um crime.
Convirá que esta infâmia tenha a resposta que merece. Para nosso bem.
Alguns blogs tratam a coisa como se fora um episódio engraçado e minimizam-no. Não é algo de menor: para já, um funcionario publico viu a sua vida afectada por se rir do que é risível e isto sem que, até agora, ninguém haja explicado à autora da graça que estamos em democracia. Quando souber que a Ministra da Educação agiu como lhe competia, pondo fim imediato à situação e punindo a autora do inconcebível acto prepotente também rirei. Até lá...
sábado, maio 19, 2007
sexta-feira, maio 18, 2007
quarta-feira, maio 16, 2007

Apresso-me a passar o award a alguns dos meus blogs pensativos:
Mar Salgado
Almocreve das Petas
João Pereira Coutinho
Pastoral Portuguesa
e, como seria de esperar,
Bomba Inteligente
terça-feira, maio 15, 2007
Muito obrigado pelo award - nunca pensei na minha vida receber um award e, menos ainda, um thinking award, eu que tanto quero conseguir «pensar sem pensamentos» como escrevia o outro.
En passant: são aqueles que querem "simplificar" o divórcio que exigem a complicação e burocratização das uniões de facto.
Não, não são loucos - embora gostem de o parecer.
segunda-feira, maio 14, 2007
Depois destas verificações, deu-me para estar para aqui a magicar quanto ganhará aquela gente que por lá anda e a gente que lá vai. Não é que tenha sido acometido de miserabilismo provinciano. O que eu tenho é medo que haja os habituais cosmopolitismos devoristas, daqueles que dão (e com diferenças de dezenas de milhares de euros a favor dos funcionários portugueses mesmo quando a comparação é com congéneres de países infinitamente mais ricos) ordenados de puro escândalo - facto que, claro está, é considerado de falta de gosto estar sempre a lembrar.
Fiquei a saber destas coisas dos livros pelo Abrupto e pelo Da Literatura. Neste último, verifico - com surpresa - que se atribui aos portugueses a ingenuidade de pensarem que as coisas das letras devem ser pro bono. Ora, se há coisa aqui geralmente bem sabida é de que as letras não somente não são grátis quanto, no geral, são muito bem remuneradas: de folhetim em folhetim se chega a S. Bento escrevia Eça, isto na altura em que naquele convento residia o poder. Mas, já em tempo do autor do Conde de Abranhos, em poemetos, novelas ou crónicas se chegava também às rendosas administrações que asseguravam, para além da mera celebridade, os pingues rendimentos, tal como agora acontece hoje (com grande diversificação de cargos, atentos os descobertos pelo oitocentismo e tal aperfeiçoamento deles que alguns, de tão perfeitamente delineados, chegam quase a parecer úteis, se não mesmo sensata a sua existência).
sábado, maio 12, 2007
quinta-feira, maio 10, 2007
quarta-feira, maio 09, 2007
Fazem, por isso, muito bem os ingleses em enviarem o seus investigadores e detectives.
E boa sorte para a criança desaparecida.
terça-feira, maio 08, 2007
segunda-feira, maio 07, 2007
Mas poderá ter alguma graça ver o filho do aristocrata húngaro fugido para a Alemanha em 1944 para escapar aos exércitos comunistas e, depois, emigrado - não emigrante - em França, perdidos o castelo (queimado pelas tropas soviéticas) e os domínios da família, ver Nicolas Paul Stéphane Sarközy de Nagy-Bocsao no palácio do Eliseu.
Um presidente da república senhor de Nagy-Bocsao... e meio-irmão de um banqueiro de Nova York, essa exclusivissima nova aristocracia, e tudo celebrado com alegria pelos aldeões do senhorio, lá na longínqua Hungria, é um compromisso feliz entre, uhmmm, uma ária campestre de Gluck, um ballet de Lully e uma peça de Cage.
Tem o seu chic.... Tem chic a valer, como diria Salcede. Estes franceses! Do goulash ao panache, acabam sempre por nec mergitur.
sábado, maio 05, 2007
A Liga da Temperança ainda não conseguiu explicar por que motivo proibir o sr. Zé de abrir um bar só para fumadores ( ao lado de dezenas de outros que cumprirão a lei) desprotege os não-fumadores. E como não conseguem explicar, lá vão, entediados, dizendo que isto é uma discussão estúpida. Têm toda a razão: quando assumirem que o que se pretende é acabar com o hábito de fumar, a discussão termina.
Acrescentaria apenas que, parece-me, a finalidade da proibição não se detém no acabar com o hábito de fumar per se - mesmo considerando a existência de um genuíno gosto de proibir nascido das incomodidades tabágicas - mas preenche a necessidade de vexar, vergar e, de um modo geral , ir semeando interditos, ameaças, medos, tudo o que faça temer o uso, o gosto, o vício da liberdade.
sexta-feira, maio 04, 2007
quinta-feira, maio 03, 2007
quarta-feira, maio 02, 2007
A situação é esta: as rendas estão condicionadas na negociação ou aumento do seu valor desde a 1ª Guerra Mundial. Foram, depois, congeladas em Lisboa e Porto pelo governo salazarista, no 25 de Abril no país inteiro e só em 1981, timidamente, o governo da Aliança Democrática tentou modificar a situação. Melhorou alguma coisa: de catastrófica passou a péssima. Há meses, um decreto do governo do «engenheiro» Sousa pretendia modificar a situação: a lei cria verdadeiras situações de confisco, como não as imaginaria um qualquer secretário de Estado d'El-Rei D. João V, Rei Absoluto, sem títulos falsos e que não dependia do dinheiro da Europa. De facto, a nova lei é, no seu melhor, um embuste que, a troco de umas parcas actualizações pretende arrancar aos senhorios o dinheiro para obras, dinheiro que as rendas lhes não proporcionam, e enredá-los em processos perigosos que podiam acarretar a perda da propriedade. Os senhorios, que são tão empresários quanto aqueles que o governo gosta de apaparicar na esperança de uma esmola, fizeram as suas contas e não caíram no logro, mesmo sendo patente a inconstitucionalidade de algumas das normas mais descaradamente de ponta e mola. E, por isso, apenas mil e poucos processos de obras e actualização de renda foram solicitados. Seria hilariante se não desse vontade de chorar. Perante este fracasso, o secretario de estado Cabrita, desvaloriza a atitude dos senhorios (temos estadista!).
A leitura da referida lei - até no que meramente se prende com a qualidade literária - e a observaçõo das reacções do governo Sousa - dizem mais sobre o nosso actual subdesenvolvimento (tão sustentado, tão firme e, aliás, tão aplaudido) do que muitas centenas de páginas. É que o pensamento da coisa assenta numa verdade simples: «as casas daqui não podem sair, »eles» daqui não as podem levar, é aguentar e cara alegre» e, inchado com essa pristina certeza, o legislador obrou brutalidades de uma complicação tosca que reflectem uma absoluta - e inútil... - falta de principios quanto de agilidade e engenho.
Ora, soluções rombas não funcionam. Estas não funcionarão, não funcionaram já e a degradação continuará.
Seria de esperar que tivesse saído outra coisa?
Infelizmente, não.
Entretanto, chegará o dia em que os leitores dos jornais aos pequenos-almoços por essa Europa fora, incomodados com as constantes notícias das derrocadas, pressionarão para que alguém escreva, traduza em português e aqui dê recado para que se cumpra, uma daquelas leis com meia dúzia de linhas baseadas no respeito pela propriedade privada, livre inciativa e liberdade contratual que regem estas questões nos países do 1º mundo e nas suas grandes cidades, limpas, cuidadas e sem ruínas.
terça-feira, maio 01, 2007
segunda-feira, abril 30, 2007
É a tese oficial do marximo sobre os regimes - não comunistas - dos anos 30. É interessante, por não explicar absolutamente nada, por ser, na interpretação mais benévola, um subtil convite à preguiça. A uma falsa preguiça, no entanto, já que se torna necessário um violento esforço de contenção de toda e qualquer curiosidade intelectual.
Em contraste, este In praise of Idleness do Conde Russell, de 1932, todo ele convida a pensar muito, a pôr na sua leitura aquele tipo de esforço abençoado com que nos espreguiçamos num dia em que acordamos bem dispostos, de bem connosco e com o mundo.
Leia-se - claro que não traduzo: «In the new creed which controls the government of Russia, while there is much that is very different from the traditional teaching of the West, there are some things that are quite unchanged. The attitude of the governing classes, and especially of those who conduct educational propaganda, on the subject of the dignity of labor, is almost exactly that which the governing classes of the world have always preached to what were called the "honest poor." Industry, sobriety, willingness to work long hours for distant advantages, even submissiveness to authority, all these reappear; moreover authority still represents the will of the Ruler of the Universe, who, however, is now called by a new name, Dialectical Materialism.» (itálicos meus)
sexta-feira, abril 27, 2007
Do artigo intitulado "Uma dúvida séria" do Doutor Pulido Valente, hoje, no Público.
Vou ser honesto: ainda não me recompus e os meu modos sofrem da flacidez moral que acomete quem viu soçobrar, num doloroso ápice, as poucas certezas que, incauto, julgava a salvo de ameaças graves. Hoje, nesta miserável situação, padeço de um mundo que me abandonou: não se pode mais falar, convictamente, da «indiferença hostil da natureza» mas de uma certeira e arbitrária maldade a que são alheios os desígnios altíssimos que, esses, não provocam senão desgraças inanimadas, aquáticas, minerais, onde se podem acolher - e espraiar - os nossos lamentos...
Mas isto, isto é medonho e perturbador! -Refiro-me, claro está, ao terrível episódio da lebre vienense, tão mais de estarrecer quanto nada mais distante da natureza de uma lebre do que não saber conviver com a timidez.
quarta-feira, abril 25, 2007
terça-feira, abril 24, 2007
And the fire - wood glow is bright;
The food has a warm and tempting smell, -
But on the window licks the night.
Pile on the logs... Give me your hands,
Friends! No, - it is not fright...
But hold me... somewhere I heard demands...
And on the window licks the night.
Hart Crane, Fear
segunda-feira, abril 23, 2007
Boris Yeltsin acabou - creia-se de que uma vez para sempre - com o poder soviético
Paz à sua alma.
sexta-feira, abril 20, 2007
Mas vim aqui só para dizer que continua o espectáculo 3º mundista, melhor, pidesco e salazarista, pior, apenas pidesco, dos interrogatórios que se prolongam madrugada dentro. E nós convivemos com isto... E essa gente toda que para aí anda e se julga viajada e arejada e lida e julga opinar new yorker acha tudo muito natural. Há persistências... e nessa gente está, atávico, - como nos pides - o aproveitar a madrugada. Dantes, para ir à horta, ou à leira, ou para a ceifa, agora é para aplicar a justiça em nome do povo, por exemplo. Não lhes passa, por isso, pela cabeça que é pura barbárie este procedimento, proíbido - ou já nem sequer imaginável - em qualquer país civilizado (e praticante).
Como explicar-lhes que não se faz, que não é justo, que não é decente? Como tentar fazer-lhes perceber (gente à esquerda e à direita) que estas práticas decorrem de coisas que eles julgam abominar, decorre, afinal, da inquisição, da tortura, de mil crueldades subliminares, dessa crueldade dura e tão desmentida, que é a nossa?
É um cansaço, isto tudo.
«Acontece que os factos não desaparecem perante as conveniências de uns e o entendimento de outros tantos. Por muito "corajoso" e "determinado" que seja, o primeiro-ministro foi particularmente atingido por um caso que mostrou ao país o que o seu retrato oficial escondia. Por trás da imagem de Estado que ele habilidosamente construiu, durante estes dois anos de Governo, surge, agora, à vista de toda a gente, o Sócrates que ele sempre foi: um político sem espessura, educado nos meandros do aparelho e nos favores do partido, que se notabilizou, a dada altura, pelas qualidades cénicas que revelou. O facilitismo que se detecta no seu percurso académico conjuga-se mal com o "rigor" de que faz gala e com a "determinação" com que enfrenta os "interesses" estabelecidos e os grupos de "privilegiados". Não vale a pena escamotear a realidade. Muito menos alterar critérios noticiosos consoante a opinião política dos jornalistas. O facto (por demonstrar) de este Governo ter um "rumo" e "coragem" para o prosseguir não o exime do escrutínio público, nem pode ser visto como um impedimento à liberdade de informação.»
quinta-feira, abril 19, 2007
Em Portugal, onde, felizmente, e graças ao governo que nos rege, não há esses problemas de sobreaquecimento, a bolsa, pacata, subia.
O milionário Banco de Portugal - aquele que tem administradores (Victor Constâncio, entre eles)que ganham mais, bastante mais, que os seus congéneres norte-americanos - falava ontem em mudar a legislação laboral para que a nossa produtividade melhore. Não auferindo ordenados de escândalo, também já me ocorreu o mesmo e disse-o. Que a imprensa não use, com o mesmo destaque, as minhas opiniões grátis, eis o que diz muito sobre o espírito de esbanjamento e novo-riquismo que desenfreado, campeia, etc., etc., etc.
quarta-feira, abril 18, 2007
Ora vejamos:
Há coisas muitíssimo mais importantes, de facto, e por isso, em qualquer país europeu que, em política, viva acima do, como dizer?, pueril realismo fantástico, o percurso académico - e de vida em geral - de um possível primeiro-ministro é investigado à lupa, a uma forte lente, antes que se apresente a eleições (às vezes, a eleições dentro do seu próprio partido, como é sabido de todos). Se chegar a ser incumbido de qualquer cargo político importante, qualquer discrepância está, há muito, investigada e esclarecida - ou ele ou ela nem pensará, sequer, em candidatar-se (a coisa é de tal modo que, actualmente, o que lá por fora se discute é, como também se sabe, a demasia de tais investigações e o grau de perfeição normalizada e politicamente correcta exigida ao político, mas adiante).
Aqui, porém, nada disso se faz. E no caso, o Sr. Sousa, por motivos que não compreendo, tem ajudado pouco a dissipar, com a prontidão e brevidade que seriam de esperar, as arreliadoras discrepâncias surgidas. Eu não tomaria a coisa como ilegítima curiosidade popular: não havendo aquela modernidade esquadrinhadora lá de fora, aqui tudo tem de ser bem visto depois. E quando em documentos entregues ao Parlamento surgem inexactidões e quando... e quando... - e têm sido tantas as curiosidades - é preciso verificar. E verificar bem, já que é lícito que qualquer um de nós pense, em tese, que quem se preocupa com coisa tão mesquinha e infantil qual seja, por exemplo, a exibição abusiva de um título, não seja a pessoa indicada para ser o primeiro-ministro de um país, ademais em tempos de crise*.
* A questão das qualidades humanas - e o carácter - têm sido tratados com certa ligeireza, denotando, afinal, como impera uma visão tecnocrática da política, como se os problemas que se deparam a um govermante possuam soluções imutáveis, alcançáveis por uma técnica, produzindo, por isso, os resultados desejados seja quem for que tome as medidas necessárias. Pode ser assim, em parte, no que se refere à economia (embora grande parte dos factos económicos seja sempre inesperado, inexplicável ou ambos), mas a política não é economia, é parte da... Ética.
Ah, claro que a universidade já não vai fechar. A situação está resolvida por ali, acreditam. Eu, pelo que ouvi ao Eng. Gago, também acho que sim.
Se a empresa que explora a independente fosse cotada na bolsa - não sei se é, aliás - comprava acções.
Teresa de Sousa, no Público de hoje (itálicos meus).
Nada como um bom choque para arrebitar. A questão é exactamente a de haver indícios de não se ter sujeitado às condições a que as pessoas comuns se sujeitam.... Tudo aconselhava, aliás, a que, uma vez no governo, o Sr. Sousa interrompesse "os estudos". Os colegas de Sousa também enviavam, naquela altura, os trabalhos ao Reitor e tratavam-no - mal o conhecendo - por "Meu Caro"?
Um dos males do subdesenvolvimento e da iliteracia é o da dificuldade da evidência.
Torna tudo tão cansativo...
terça-feira, abril 17, 2007
segunda-feira, abril 16, 2007
"(...) Melhor ainda: toda a gente que falar ou escrever na rádio, na televisão e na imprensa, sindicalizada ou não, fica sujeita à autoridade dos polícias da Comissão de Carteira. Em última análise, a Comissão de Carteira, como antigamente a de Censura, determinará o que é lícito ler, ouvir e ler num Portugal ao gosto do dr. Santos Silva e do primeiro-ministro."
Doutor Vasco Pulido Valente, na sua coluna do Público
sábado, abril 14, 2007
quinta-feira, abril 12, 2007
Que privilégio para todos nós, que lição ao mundo, que grande lição ao mundo!
Nota para a compreensão do comentário infra: estava aqui escrito previlégio por privilégio, uma calinada por falta de atenção minha e tão mais triste e tão quase inexplicável - passe a imodéstia - quanto ser verdade eu ter o hábito de reler o que escrevo e ser possuidor de uma antiga «4ª classe» exigente e bem feita, com muitos zeros erros em ditados difíceis, costumando, por isso, escandalizar-me com os dislates que vou lendo por aí. O meu único e triste e fraquíssimo consolo é poder atribuir o erro - e o ter passado em claro - ao muito disparate a que se está hoje diariamente exposto e não a um amolecimento cerebral, aos primeiros sintomas de senilidade.
Agradeço a correcção e peço as minhas desculpas aos senhores leitores deste blog, a quem prometo mais atenção nas revisões dos posts.
De um amigo recebi, a propósito, este mail:
«Sobre a entrevista do Eng.... Sócrates desta noite só me resta mais uma vez, á "laia" de reflexão, fazer minhas as palavras de Sophia de Mello Breyner Andresen em carta a Jorge de Sena, de Maio de 1962 :
"Caríssimo Jorge,
[...] O Reino da Estupidez de tão magnifico título,apesar de todas as paginas óptimas que tem, parece-me demasiado cheio de questões que afinal talvez não mereçam ser postas na sua obra. Valerá a pena você gastar tanta inteligência para explicar aos parvos que são parvos? ...... "»
Antes de adormecer, quando já estou com muito sono, consigo ainda dizer-me que podia ler umas linhas. E para essas poucas linhas soltas tenho um montículo de livros na mesa de cabeceira. Um deles é uma recolha da correspondência trocada entre uma senhora inglesa e a sua prima canadiana que, durante a II Guerra e tempos atribulados e escassos que se seguiram, lhe enviava generosas encomendas de pequenas coisas que no Reino Unido estavam racionadas ou não havia ( sabonetes, lenços, passas de uvas, fiambre em lata, alguns produtos instântaneos; e presentes mais substanciais e fantastásticos: perús no Natal, via Royal Air Mail). As cartas são quase apenas o agradecimento bem humorado e sentido dessas encomendas. Acabei por ficar intrigado com a minha fidelidade àquele livro, àquele reler, mesmo que seja, as mais das vezes, de literais meia dúzia de linhas e sabendo que é por mera preguiça que repego ainda uma vez no livro, por lá estar, por ser o mais à mão e o fácil de segurar.
No outro dia, porém, descobri o que realmente e principalmente me seduz: a exiguidade do assunto aliada aos mágicos efeitos da repetição, a matéria prima sobre que se edificou tudo o que é na nossa civilização.
Grande burburinho com um acórdão do Supremo. Bem, a lei (artº 484º do Cód. Civil) não deixa margem para dúvidas quanto à possibilidade da divulgação de um facto (i.e, de algo que aconteceu) poder constituir um ilícito (civil ou criminal). Para que o não seja terão que existir causas que afastem a ilicitude: ou o exercício de um direito ou o cumprimento de um dever. Numa sociedade onde não existe substancial amor pela verdade o Supremo considerou que o direito de expressão deve ceder perante o direito ao bom nome. A questão não é fácil*, embora no caso (futebóis) me pareça de grande generosidade a colocação do bom nome de um club acima do direito de expressão ou do dever de informar.
* Os comentadores - e em parte autores - do Código, Professores Doutores Antunes Varela e Pires de Lima, no seu Código Anotado, T 1, 2ª edição, pg. 421, referem como exemplo de um ilícito que cairia na previsão deste artigo a pessoa que publica no jornal que o Dr. X o não conseguiu curar, o que prejudicaria o bom nome do facultativo (todos podem errar, etc.).
Assim deve ser, de facto, e eu estranhar eis o que diz sobre a minha falta de usos de mundo, condenado a estar para aqui, nestas lonjuras rudes.
quarta-feira, abril 11, 2007
O que este estudo vem mostrar é que os portugueses estão cientes de que a política do betão - o que a Ota, essencialmente, é, não produz crescimento sustentado: os milhões dissipam-se depressa e, gastos, voltamos para onde estamos, para a cauda da Europa, enquanto países ainda há bem pouco tempo mais pobres que nós - e pouco dados à argamassa - se afastam rapidamente para posições mais confortáveis.
Um dos problemas dos políticos portugueses é verem-nos como já não somos, persistindo em tentar comprar os nossos votos através da lantejoula argumentativa, da desmesura e do gigantesco que, crêem, nos ofuscam. Que um aeroporto modesto, com a possibilidade de evoluir consoante o volume de passageiros seja o que, sensatamente, queremos não lhes entra nas cabeças.
terça-feira, abril 10, 2007
in Público de hoje.
Afinal é um caso vulgar de abuso que, filho da vaidade ou de outro qualquer malsão motivo, se traduz no uso de títulos que não podiam ser usados, a coberto do hábito de agir na mais absoluta impunidade.
Se fosse lá fora era demitido (aliás, demitia-se de motu proprio) e, depois de um estágio na Betty Ford Clinic (academic title addict) poderia voltar, daqui a uns anos.
Isto, claro, resolve, de vez, a questão de todos os que escreviam coisas como esta: "Cerca de três semanas depois, não vejo razão nenhuma para alterar a minha posição inicial. A comunicação social continua sem encontrar nada -- repito, nada -- que lhe permita inferir sem margem para dúvidas que José Sócrates não «agiu sempre de forma limpa, leal e legal".
Já disse à minha empregada - dado que não tem responsabilidades públicas - para escolher um título académico que lhe agrade. Ela riu-se e disse: «lá está o sr. dr...» Insisti que pensasse bem, mas ela é antiquada - embora da idade do Sousa - e não quer usar coisas a que não tem direito. Eu não desisto, por achar que ela tem cara de licenciada - ou mesmo mestrada - em engenharia doméstica.
segunda-feira, abril 09, 2007
Mas deixei-me abater - foi o Inverno ou a leitura seca do Diário da República, ou qualquer outra das coisas desagradáveis que nos apoquentam - e só hoje, com as declarações do Senhor Ministro da Ciência sobre a exemplaridade do chefe do governo senti a força revigorante de uma boa e saudável gargalhada.
Quanto ao próximo episódio do folhetim do governo da sarjeta: será que o Sr. Sousa irá justificar na entrevista o motivo que o levou a ostentar um título que bem sabia não possuir e, por isso, usar?
Tirando o engenheiro, que não tem justificação possível, senão a vaidade, para quê utilizar uma entrevista para tentar explicar um vulgar título de licenciado - num país onde os há aos milhares? Parece-me algo de imensamente grotesco, mas adiante.
A vanitas do grande estadista - porque é um grande estadista, disso não há dúvidas - permitiu, no entanto, ver a gigantesca nebulosa de lama que amalgama interesses e influências entre chorudos tachos - era o nome, não era? - o negócio das faculdades e outros igualmente ligados aos favores estatais e como toda essa gente que come disso defende raivosamente a gamela com uivos e silêncios, conforme mais lhes convenha.
quarta-feira, abril 04, 2007
Ora vamos lá a ver... aproveitar em que sentido? Obter uma ilegítima vantagem? Não se trata de tal: ninguém persegue o Sr. Sócrates por alguma infelicidade a que tivesse sido alheio. O que está em causa é, face ao publicado (leia-se, por todos, o Portugal Profundo), a existência de dúvidas - legítimas - sobre a licenciatura do actual primeiro-ministro.
Para além disso, e passando às certezas, já há uma, admitida na página oficial do Sócrates: desapareceu o título de engenheiro, que este não podia usar, mas que usou durante anos - e deixou que os outros usassem durante os mesmísimos anos.
O que está em causa é uma questão de carácter: mentiu o Sousa? E porque se enfeitou o Sousa com títulos a que não tem direito? O que diz isto sobre alguém de quem temos que ouvir declarações sobre os assuntos os mais importantes, declarações que podem levar-nos a tomar decisões que atingem as nossas vidas? Não é o uso de um título que se não tem um dos clássicos exemplos de vaidade e da mentirola a que levam as mais ridículas fraquezas e comezinhas misérias humanas ? Quem não se ri perante os falsos doutores & engenheiros, tão sinal , aliás, do nosso subdesenvolvimento?
E isto não é assunto para a oposição? Considerará esta que o carácter dos homens nada tem a ver com os seus actos?
Pois, ao contrário, creio que o actual primeiro-ministro deveria ser obrigado a explicar tudo muito bem explicado. A não ser... a não ser que tudo seja já indiferente. É possível, é bem possível que neste canto obscuro, onde imperam a boçalidade e o grotesco já nada valha a pena.
O Sócrates não é engenheiro e fez-se, até há dias passar por tal? Ele é que sabe e o que temos nós com isso?
terça-feira, abril 03, 2007
Por tudo isto - e corolários que omito por preguiça - quando há uns anos, vi a data, antevi o ror de horas que ia perder, os requerimentos que teria que fazer, mas chamei a atenção da funcionária: "A data da minha licenciatura está incorrecta, não me licenciei em Abril, mas em Outubro", ouvi-me dizer. Ela percebeu, também, o que a esperava e, em pura vertigem moral, balbuciou "se não for um Domingo, Sr. Dr... deixe estar". Aderi, trémulo, à sugestão e ambos nos precipitámos para o minúsculo calendário que ela segurava com as mãozinhas húmidas: a data que figurava como sendo a da minha licenciatura correspondia a um Domingo de Páscoa. Ela desanimou, mas creio que ainda disse que não tinha mal nenhum, que ia ver o que teria dado origem ao erro. Ouvi-me dizer, àquela Eva, com uma voz sumida e lúgubre: não pode ser, tem de ser a data certa!
A coisa acabou por não ser muito terrífica: algumas idas e vindas entre a Faculdade e a Reitoria (da Clássica, da Clássica...) e percebia-se o erro, fácil de explicar ao ver o Livro de Termos: um Out, de Outubro, escrito em arabesco saca-rolhas, fora tomado por um 4 estilizado, o que antecipava em alguns meses a licenciatura. De resto, tudo em ordem. A nova certidão de curso só estaria pronta daí a um mês e, para não atrasar o andamento do processo na Ordem, usei a que já tinha, mas advertindo, por escrito, do erro. Esqueci-me, no entanto, do canudo e quando o fui ver - era preciso "ir ver" antes de levar o selo - quando o fui ver às catacumbas da Reitoria lá estava o erro, com honras de pergaminho. Tive que ir pedir uma nova certidão e levar lá, e não sei se preencher mais papelada e porque me esqueci de o ir lá ver, dar a última e definitiva, necessária olhadela, nisto se passaram 6 ou 7 anos, creio (já agora, vi-o numa gaveta, cá em casa, no século passado; vou aproveitar esta Páscoa para o rever).
Quando contei algumas vezes estas história de burocracia (os passos que mais gosto são a sugestão da funcionária, a desilusão de ambos perante o Domingo de Páscoa e a necessidade de "ir ver" o canudo), quando contei isto e os meus escrúpulos pequenos tive a surpresa de ouvir de gente que pensaria longe de tais preocupações um "mas fez bem". Eu sei: há erros que devem ser corrigidos, por haver incertezas que não se podem manter. Por nós e pelos outros.
Que o Senhor Sócrates não o saiba eis o que me admira.
Quanto a mim, quero saber tudo, tintim por tintim.
segunda-feira, abril 02, 2007
Como as cadeiras arrumadas
Quando os amigos partiram.
Meus degraus ainda têm a passada do adeus,
Lá quando uma palavra cria tudo,
E o resto, fechada a porta,
É posto nas mãos de Deus.
Então, à minha janela,
Tudo repousa e larga o aro dos conjuntos,
Tudo vem, com um gesto secreto e confiado,
Pedir-me o molde e o amor do isolamento,
Como se um desconhecido
Passasse e pedisse lume
E eu, sem reparar, lho estendesse:
Quando quisesse conhecê-lo,
Só a minha brasa ao longe,
Na noite que se faz pelo peso dos rios
E vive de fogo dado.
Assim nocturno, sou
O suporte de quem não tem para consciência,
Que é como não ter para pão:
As coisas cegas
Prendem-se a mim,
Ao meu olhar, que é único na noite
Pelo seu grande alcance de humildade,
E fico cheio delas,
Como estes sítios ermos, junto de uma cidade,
Cemitérios de tudo, lugares para cães e bidons velhos;
Fico cheio da pobreza e do sinal das coisas,
Como um retrato de gente pobre é pobre e gauche
(Vale a recordação),
Mas sinto-me, ao mesmo tempo, seco e cheio de tacto
Como se fosse o seu bordão.
Vitorino Nemésio in «Eu, Comovido a Oeste»

(Devo confessar-lhe que sou um indiferente incompetente, não consigo deixar de ter um interesse de atento e extremoso pai possidónio pelo destino das minhas intenções, acções e omissões, quero que elas estejam bem na vida e, se não caio na mais total e babosa abjecção paternal, é tudo por conta de um indesejado desleixo de sentimentos que, por temporadas, me vai amparando).
Mas, nunca por nunca seria convidado de Petrónio.
domingo, abril 01, 2007
quinta-feira, março 29, 2007
terça-feira, março 27, 2007

Uma cena do Dr. House fez-me lembrar de um conto de Daudet, ou Maupassant, mas mais de Daudet e, de repente, lembrei-me da idade que tenho de ter para ver o Dr. House e lembrar-me de contos de Daudet e, confesso, esmoreci: comecei a matutar que preciso de fazer depressa qualquer coisa e desde sexta-feira passada que tento saber o quê. Lembrei-me do labirinto de Hampton Court, de me perder por lá uma tarde soalheira. Uma tarde inteira, levava um livro para ler. «Estive uma tarde inteira perdido no labirinto de Hampton Court, mas não dei o tempo por perdido: tinha levado um livro, aproveitei e li e até hoje tenho usado, em diversas ocasiões e com aproveitamento, os ensinamentos que dele retirei», diria. Seria a minha façanha. Precisaria, no entanto, ter ocasião para a contar, ocasião de tempo e lugar e obtê-la é difícil nestes tempos em que ninguém pára para escutar uma pequena história agradavelmente "daquela vez julguei-me perdido".
segunda-feira, março 26, 2007
Diverti-me.
Ah, já agora, de todos os finalistas, apenas Salazar não era aristocrata. De Sousa Mendes a Camões, do Infante D. Henrique a Fernando Pessoa, todos o eram - e sabiam-no. Sim, Cunhal também era aristocrata, com costela dessa pequena aristocracia de província.
E isso não é uma questão de somenos.
sábado, março 24, 2007
O motivo económico é idiota e a Irlanda - nem falo da Grã-Bretanha - aí está para demonstrar que não é necessário viver desajustado da realidade para ter êxito económico.
A questão, porém, deve ser seguida com cuidado: é uma medida grátis, consagra uma insensatez e é apta para provocar um desnecessário mal-estar, isto é, tem todas as condições para obter adesões entusiásticas e ser transformada em decreto-lei.
Alerta, em nome do princípio da realidade: aprenda-se, ao menos, a viver com a geografia.
quinta-feira, março 22, 2007
Uma juiz alemã não concedeu o imediato divórcio a uma mulher marroquina que vive na Alemanha, espancada pelo marido em território alemão, com o fundamento de que o Corão não condena esses comportamentos (o que é, aliás, falso).
O interessante deste episódio é ser uma ignomínia prismática, de todas as faces - e são muitas - a decisão constitui uma alarvidade.
quarta-feira, março 21, 2007
Do outro lado, todos os outros convidados mostravam, a quem quisesse ver, o que é um país estatista e pouco dado a reflectir sobre o poder do estado e a origem da sua legitimidade ou os seus limites. Todos os opositores do Dr. Francisco Balsemão sabem uma coisa: de facto, não necessitam de usar argumentos, de convencerem: a RTP é um utensílio necessário para o governo - principalmente estes, medíocres, que tanto merecemos - e de que nenhum prescindirá; e eles bem sabem que, por isso, não é, de facto, concebível em Portugal que desapareça ou que mude até se transformar num verdadeiro e efectivo serviço público - como, por exemplo, vejo a TV5 ser. Uma verdadeira discussão sobre o assunto é, por enquanto, inimaginável, neste país que incensa Pombal, um cruel ditador que encheu os bolsos à custa do erário público e que projecta o culto pelo estado no Prof. Salazar, um digno sacerdote do mesmo. Por tudo isto, as queixas do Dr. Balsemão são recebidas com a bonomia que guardamos para as excêntricidades mansas e a existência de outras televisões, tolerada em nome do que se passa lá fora, será sempre tratada, no fundo, como uma perturbação e uma ameaça que todos, do Dr. Morais Sarmento ao ministro socialista, se apressam a tentar reduzir.
No fim de tudo, e como ninguém disse nada de novo - o que não é, aliás, o pior dos defeitos - ficou daquilo o ter-se podido ver alguém civilizado na televisão. Muito agradável, de facto, rever o Dr. Balsemão.
Já a notícia sobre a votação dos "Grandes Portugueses" na 1ª página do DN (Salazar 22 000 votos à frente de D. Afonso Henriques e de Cunhal), passou em silêncio.
Tentei alterar a cor, o que consegui em parte, mas do em parte resultou um todo péssimo.
Abriguei-me nestes brancos zen e continuo a ver de templates. Se não encontrar, fica assim, este.
Nota: Encontei esta noite estas palavras (que não via há muito): esquadrinhar e ímpetos.
terça-feira, março 20, 2007
segunda-feira, março 19, 2007
O erro é grave: escreve-se naquele blog que no CDS aquilo foi de "fdp para cima" [pudicas abreviaturas minhas, por causa das senhoras].
Acontece, porém, que não é assim: creio que foi de fdp para baixo.
* o diz não é dúvida quanto à sinceridade da senhora queixosa, mas mera precaução para o que a aflição de uma senhora pode engendrar.
Se é certo que todos nós partilhamos as apreensões de Vasco Pulido Valente sobre as reformas das polícias, certo é, também, que o importante, nisto de polícias, é saber como se efectiva a responsabilidade dos seus responsáveis. Ora, mais depressa se chama um ministro da Justiça ou do Interior a S. Bento - que digo! - com mais facilidade cai um primeiro-ministro do que se obtém contas de um procurador da república por qualquer dos seus actos. Se o anterior procurador geral até se julgava o titular de um órgão de soberania (!!!!!, sim, sic) e teve o atrevimento de tratar com displicência a Assembleia da República, mandando recado de que não parecia comparecer à chamada dos representantes por ter uma reunião com outros burocratas... prefiro que quem manda nas potícias possa ser retirado do seu cargo com alguma facilidade.
sexta-feira, março 16, 2007
«Despite legal rulings mandating heavy fines, imprisonment, and even execution, tolerance generally prevailed, probably because intolerance wouldn't have made much difference.»
quinta-feira, março 15, 2007
Mais tarde, descobri-me leitor dos olisipógrafos o que faz com que a gente a gente veja em relevo os sítios sobre que leu, e subir o Chiado e passar pelo local onde foi o Marrare ou reconhecer na Casa Havaneza a que Eça frequentara foi um dos meus primeiros - e últimos - prazeres eruditos.
Todos estes sítios, lojas e ruas estavam cheios de gente, uma multidão ociosa e agradável. Parte dessa multidão era de gente que por um motivo ou outro se conhecia e se cumprimentava.
Hoje é o deserto.
Poderei dizer ainda uma vez que gostava mesmo, mesmo do Chiado?
Lisboa está menos civilizada, e aquele travo estranho que se sente no deserto Chiado é o da ausência do savoir vivre, é a vitória da vida de subúrbio, de arrebalde inóspito, e da longínqua lembrança do trabalho rural de sol a sol que -escondido e negado - levaram do interior os migrantes do post-25 de Abril.
quarta-feira, março 14, 2007
Quem, em Portugal, sobre uma questão semelhante iria entrevistar um deputado?
Ninguém, e com a razão de serem os nossos deputados (os representantes eleitos do povo...) funcionários tristes que devem tudo ao chefe do partido, a quem obedecem, e pouco aos eleitores.
A propósito, neste pormenor está um dos erros fatais da nossa democracia (itálicos por diferentes motivos).
terça-feira, março 13, 2007
O Ministério Público diz que Fátima Felgueiras recebeu dinheiro de empresários, através de cheques (que estão juntos ao processo). Não cabe aos arguidos o ónus da defesa. Esse ónus cabe à acusação e consiste em fazer a prova do que acusa - neste caso a acusação pública, que tem os recursos do Estado e teve, neste particular caso, anos para investigar. Esse ónus consistirá, aqui, na demonstração que os cheques dos empreiteiros foram creditados na conta da arguida, ou noutra a partir da qual as quantias a que dizem respeito chegaram à posse da arguida. Pelo que posso entender e deduzo do que leio, essa prova não está feita, parece haver elos que, a terem existido, faltam.
Interessante, mas não inesperado.
O Museu de Arte Antiga não tem dinheiro para pagar a água e a luz. Verifiquei, por esta noticiazinha, o pouco que conheço do meu país: pensava não só que essas questões mais comezinhas estavam resolvidas quanto que era apenas por desleixo meu que desconhecia a política de aquisições de obras por parte dos museus nacionais nestes últimos anos.
Que não duvido que haja uma.
segunda-feira, março 12, 2007
Entre o artigo certeiro de Vasco Pulido Valente (há por aqui um pleonasmo qualquer) sobre a OPA da Sonae, a absoluta grosseria e extraordinária boçalidade a propósito de Agustina Bessa-Luís (tanta, que falar disso alguém, como eu o faço agora, é ainda, a seu modo, participar no que se denúncia), entre o lembrar-me de ter ficado a meditar, quando li que Portugal tinha estado amordaçado, que o grande segredo é, talvez, que o tenha estado em vão, isto é, desnecessariamente, já que nada tinha para dizer ou fazer, o ver que só agora - mas antes tarde do que nunca! - se vê gente incomodada com o cartão tudo em um, vendido como uma modernidade - que já vi muito gabada! - as policías a despachar com o primeiro-ministro, a situação económica sem melhora sensível, as reformas por fazer, entre tudo isto, estas coisas tão díspares entre si senão o serem relativas à nossa terra, seria difícil encontrar motivo para estar bem disposto se não fora ser o habitual da situação e não estivesse a ler o livro do Job.
Job, I, 7-12
domingo, março 11, 2007
como paisagem que ante os olhos passa,
e às vezes percorrer umas e outros
nos breves intervalos entre duas viagens,
uma incerteza deixa que é diversa
da que se aprende no convívio longo:
quem se demora vê, sob as fachadas
ou as perspectivas de alta torre feitas
um gesto em que se mostra uma outra vida,
ou troca frases que desnudam crua
o que de interno ser sob as fachadas vive;
mas quem só passa e mal aos outros toca
com mais que olhares ou fugidias vozes,
mais adivinha o que não é paisagem
mas dia a dia tão diverso dela
ou pelo menos para além ansioso.
Mas, se num caso a vida se conhece
e noutro caso nos conhece a nós,
por ambos aprendemos que do mundo
se vive o que não passa, ou se não vive
o que passando é só terras e gentes -
-o conhecer, porém, não se conhece nunca.
Apenas resta a escolha: como descobrir
essa experiência inútil. Antes, pois,
correr do mundo as terras e os humanos
que consumir-se alguém ao lado deles sempre.
Jorge de Sena
in «Visão Perpétua»
(e transcrita aqui)
SB 3/10/1972
quinta-feira, março 08, 2007
terça-feira, março 06, 2007
Respostas ao Impensável.
Estas gentes do Portugal profundo são uns maçadores, uns muito necessários maçadores que gostam de queimar pestanas para averiguarem de minudências e insignificâncias tão significativas quanto sejam a da justeza e legitimidade do uso de títulos académicos, tarefa dificultada pelos monstros ocultos e obscurantistas que vivem no labirinto burocrático que é hoje o ensino superior...
O autor deste blog tira o chapéu ao Autor do Portugal profundo.
Do exposto resulta: alguma hesitação quanto ao facto do actual primeiro-ministro ser licenciado - dúvida que não é possível existir num país civilizado. Mas a sê-lo - e por essa inquietante «Universidade Independente» - parece que, nos termos das disposições legais em vigor, não pode usar o título de engenheiro, por não estar inscrito na Ordem.
Mas, seja por isto ou por aquilo, fica a questão de saber como tratá-lo. Há sempre a hipótese sr. Sousa, um clássico, mas hoje em dia parece coisa de somenos e pouco moderna. Eu proponho, por me lembrar do Principal Sousa, um dos membros da regência durante a ausência no Brasil de El-Rei D. João VI, essa mesmíssima designação, já que «principal» é muito adequada para um primeiro-ministro: Principal Sousa é prático e parece-me eufónico: "o Principal Sousa ontem tergeversou". Fica muito bem.
* É uma questão. Pelo menos numa democracia a sério, sê-lo-ia. Um título académico representa trabalho e esforço. Ou se tem ou não se tem. Se não se tem, não se usa. Não constitui qualquer desdouro não ser licenciado neste país de doutoral. Em contrapartida, querer ter o que se não tem, que ridículo - e que injusto para quem obteve os seus títulos académicos com esforço, trabalho e sacrifícios.
segunda-feira, março 05, 2007
Agora que temos aí outra onda de falta de gosto podemos imaginar a conversa daqui a 50 anos: - «Pai, o professor e outros os meninos dizem contratualizar, o Pai diz contratar porquê? E o Pai também diz que recebeu a carta em vez de recepcionar! E quando uma coisa acaba, o Pai diz que acabou, não diz que foi descontinuada. Lá na escola já me disseram que o Pai deve ser muito pretensioso. É?»










