quinta-feira, março 29, 2007
Ao contrário do que eu tinha julgado aqueles traços não têm uma função meramente estética ou publicitária: indicam características utilitárias daquelas coisas. A iliteracia dos símbolos tem-me salvo grátis do sobrepovoamento de significâncias inutéis - até ontem; ontem, tudo mudou: dvd+rw é mesmo diferente de dvd-rw (sim, o "-" não é um mero traço de separação mas, creio, um sinal de menos e o "+" não é meramente publicitário). Apenas o acaso fizera com que tivesse comprado vários deles sempre adequados. Pasmei e tremi.
terça-feira, março 27, 2007

Uma cena do Dr. House fez-me lembrar de um conto de Daudet, ou Maupassant, mas mais de Daudet e, de repente, lembrei-me da idade que tenho de ter para ver o Dr. House e lembrar-me de contos de Daudet e, confesso, esmoreci: comecei a matutar que preciso de fazer depressa qualquer coisa e desde sexta-feira passada que tento saber o quê. Lembrei-me do labirinto de Hampton Court, de me perder por lá uma tarde soalheira. Uma tarde inteira, levava um livro para ler. «Estive uma tarde inteira perdido no labirinto de Hampton Court, mas não dei o tempo por perdido: tinha levado um livro, aproveitei e li e até hoje tenho usado, em diversas ocasiões e com aproveitamento, os ensinamentos que dele retirei», diria. Seria a minha façanha. Precisaria, no entanto, ter ocasião para a contar, ocasião de tempo e lugar e obtê-la é difícil nestes tempos em que ninguém pára para escutar uma pequena história agradavelmente "daquela vez julguei-me perdido".
segunda-feira, março 26, 2007
O Miniscente publica hoje, amavelmente, a resposta ao questionário que teve a simpatia de me enviar. Agradeço, novamente, grato, o convite que me quis fazer.
41% ? Demasiado... mas esperável resultado - para mim, pelo menos, coff coff, desde que soube que tinham omitido o nome de Salazar da lista exemplificativa: serem tomados por parvos, a não ser que daí venha algum ganho, é coisa que os portugueses detestam. Isso esplica a desmesura. O resto da explicação foi dado já: protesto pelas dificuldades e mediocridade presentes, a história deserta, inóspita, sem heróis - ou pessoas comuns - que é ensinada, a burrice pcp - incrível aquela tirada final de odetismo - tudo coisas que Salazar (que toda a gente sabia, sem margem para qualquer dúvida, que era mesmo doutor e professor) preveria.
Diverti-me.
Diverti-me.
Estou a ver a RTP1. Fala-se sobre a boa perseguição do Marquês de Pombal à alta aristocracia que seria, segundo o Prof. Rosado Fernandes, ignorante. Não era. Ignorante, em termos de hoje, seria parte - mas não tão grande quanto se pensa - da aristocracia provinciana, ou a mediana aristocracia de Lisboa que era a de Pombal.
Ah, já agora, de todos os finalistas, apenas Salazar não era aristocrata. De Sousa Mendes a Camões, do Infante D. Henrique a Fernando Pessoa, todos o eram - e sabiam-no. Sim, Cunhal também era aristocrata, com costela dessa pequena aristocracia de província.
Ah, já agora, de todos os finalistas, apenas Salazar não era aristocrata. De Sousa Mendes a Camões, do Infante D. Henrique a Fernando Pessoa, todos o eram - e sabiam-no. Sim, Cunhal também era aristocrata, com costela dessa pequena aristocracia de província.
O Prof. Marcelo Rebelo de Sousa fingiu não ter entendido que a questão do título académico do Sr. Sócrates não é o título ou a licenciatura em si, mas que o actual primeiro-ministro tenha usado - e permitido que usassem - e desde há muitos anos, algo a que não tinha direito.
E isso não é uma questão de somenos.
E isso não é uma questão de somenos.
sábado, março 24, 2007
Acorda-se no sábado pacato e passados dez minutos é-se exposto à cruel realidade: a irrealidade portuguesa. Na televisão, uns patetas alegres pedem a hora europeia para Portugal, por motivos económicos. A par destes - eu diria, acima destes - há a falange tropical que pensa na praia, no Verão, às oito da noite e não pensa nas crianças e gentes em geral a levantarem-se de noite às oito da manhã no Inverno e a viverem com uma hora que não é a local...
O motivo económico é idiota e a Irlanda - nem falo da Grã-Bretanha - aí está para demonstrar que não é necessário viver desajustado da realidade para ter êxito económico.
A questão, porém, deve ser seguida com cuidado: é uma medida grátis, consagra uma insensatez e é apta para provocar um desnecessário mal-estar, isto é, tem todas as condições para obter adesões entusiásticas e ser transformada em decreto-lei.
Alerta, em nome do princípio da realidade: aprenda-se, ao menos, a viver com a geografia.
O motivo económico é idiota e a Irlanda - nem falo da Grã-Bretanha - aí está para demonstrar que não é necessário viver desajustado da realidade para ter êxito económico.
A questão, porém, deve ser seguida com cuidado: é uma medida grátis, consagra uma insensatez e é apta para provocar um desnecessário mal-estar, isto é, tem todas as condições para obter adesões entusiásticas e ser transformada em decreto-lei.
Alerta, em nome do princípio da realidade: aprenda-se, ao menos, a viver com a geografia.
quinta-feira, março 22, 2007
O meu pasmo de hoje:
Uma juiz alemã não concedeu o imediato divórcio a uma mulher marroquina que vive na Alemanha, espancada pelo marido em território alemão, com o fundamento de que o Corão não condena esses comportamentos (o que é, aliás, falso).
O interessante deste episódio é ser uma ignomínia prismática, de todas as faces - e são muitas - a decisão constitui uma alarvidade.
Uma juiz alemã não concedeu o imediato divórcio a uma mulher marroquina que vive na Alemanha, espancada pelo marido em território alemão, com o fundamento de que o Corão não condena esses comportamentos (o que é, aliás, falso).
O interessante deste episódio é ser uma ignomínia prismática, de todas as faces - e são muitas - a decisão constitui uma alarvidade.
quarta-feira, março 21, 2007
Notas depois do café: na Segunda-Feira vi o Dr. Francisco Balsemão no programa «Prós e Contras». A questão que pôs, a saber, em quê era diferente o serviço da RTP do prestado pelas outras estações televisões não teve resposta - nem podia ter! - Notou o antigo primeiro-ministro : como pode ser diferente se tem publicidade e, por isso, necessidade de manter e satisfazer audiências? E, em vista disto, como educar o povo, o desejo confesso do ministro Santos Siva (se se chama Santos Silva...)? Não "se educa o povo" com futebol nem com programas culturais emitidos de madrugada (e remetendo, v.g., um programa com as características do programa do Dr. Saraiva para a 2).
Do outro lado, todos os outros convidados mostravam, a quem quisesse ver, o que é um país estatista e pouco dado a reflectir sobre o poder do estado e a origem da sua legitimidade ou os seus limites. Todos os opositores do Dr. Francisco Balsemão sabem uma coisa: de facto, não necessitam de usar argumentos, de convencerem: a RTP é um utensílio necessário para o governo - principalmente estes, medíocres, que tanto merecemos - e de que nenhum prescindirá; e eles bem sabem que, por isso, não é, de facto, concebível em Portugal que desapareça ou que mude até se transformar num verdadeiro e efectivo serviço público - como, por exemplo, vejo a TV5 ser. Uma verdadeira discussão sobre o assunto é, por enquanto, inimaginável, neste país que incensa Pombal, um cruel ditador que encheu os bolsos à custa do erário público e que projecta o culto pelo estado no Prof. Salazar, um digno sacerdote do mesmo. Por tudo isto, as queixas do Dr. Balsemão são recebidas com a bonomia que guardamos para as excêntricidades mansas e a existência de outras televisões, tolerada em nome do que se passa lá fora, será sempre tratada, no fundo, como uma perturbação e uma ameaça que todos, do Dr. Morais Sarmento ao ministro socialista, se apressam a tentar reduzir.
No fim de tudo, e como ninguém disse nada de novo - o que não é, aliás, o pior dos defeitos - ficou daquilo o ter-se podido ver alguém civilizado na televisão. Muito agradável, de facto, rever o Dr. Balsemão.
Do outro lado, todos os outros convidados mostravam, a quem quisesse ver, o que é um país estatista e pouco dado a reflectir sobre o poder do estado e a origem da sua legitimidade ou os seus limites. Todos os opositores do Dr. Francisco Balsemão sabem uma coisa: de facto, não necessitam de usar argumentos, de convencerem: a RTP é um utensílio necessário para o governo - principalmente estes, medíocres, que tanto merecemos - e de que nenhum prescindirá; e eles bem sabem que, por isso, não é, de facto, concebível em Portugal que desapareça ou que mude até se transformar num verdadeiro e efectivo serviço público - como, por exemplo, vejo a TV5 ser. Uma verdadeira discussão sobre o assunto é, por enquanto, inimaginável, neste país que incensa Pombal, um cruel ditador que encheu os bolsos à custa do erário público e que projecta o culto pelo estado no Prof. Salazar, um digno sacerdote do mesmo. Por tudo isto, as queixas do Dr. Balsemão são recebidas com a bonomia que guardamos para as excêntricidades mansas e a existência de outras televisões, tolerada em nome do que se passa lá fora, será sempre tratada, no fundo, como uma perturbação e uma ameaça que todos, do Dr. Morais Sarmento ao ministro socialista, se apressam a tentar reduzir.
No fim de tudo, e como ninguém disse nada de novo - o que não é, aliás, o pior dos defeitos - ficou daquilo o ter-se podido ver alguém civilizado na televisão. Muito agradável, de facto, rever o Dr. Balsemão.
A caminho do duche: na "revista da imprensa" da RTP1 chama-se repetidamente a atenção para a inesperadíssima notícia da sucessão dentro da Sonae. Para mim, porém, não foi surpresa: muitas vezes pensei em quem poderia suceder ao Eng. Belmiro e tinha já alvitrado que seria o filho, isto por coisas que eu cá sei - entre as quais avultam as disposições do direito sucessório português.
Já a notícia sobre a votação dos "Grandes Portugueses" na 1ª página do DN (Salazar 22 000 votos à frente de D. Afonso Henriques e de Cunhal), passou em silêncio.
Já a notícia sobre a votação dos "Grandes Portugueses" na 1ª página do DN (Salazar 22 000 votos à frente de D. Afonso Henriques e de Cunhal), passou em silêncio.
Nos alvores do dia: abandonei o castanho, por deprimente.
Tentei alterar a cor, o que consegui em parte, mas do em parte resultou um todo péssimo.
Abriguei-me nestes brancos zen e continuo a ver de templates. Se não encontrar, fica assim, este.
Nota: Encontei esta noite estas palavras (que não via há muito): esquadrinhar e ímpetos.
Tentei alterar a cor, o que consegui em parte, mas do em parte resultou um todo péssimo.
Abriguei-me nestes brancos zen e continuo a ver de templates. Se não encontrar, fica assim, este.
Nota: Encontei esta noite estas palavras (que não via há muito): esquadrinhar e ímpetos.
terça-feira, março 20, 2007
segunda-feira, março 19, 2007
Um dos blogs que, até agora, lia com gosto, o Portugal dos pequeninos, desiludiu-me hoje.
O erro é grave: escreve-se naquele blog que no CDS aquilo foi de "fdp para cima" [pudicas abreviaturas minhas, por causa das senhoras].
Acontece, porém, que não é assim: creio que foi de fdp para baixo.
O erro é grave: escreve-se naquele blog que no CDS aquilo foi de "fdp para cima" [pudicas abreviaturas minhas, por causa das senhoras].
Acontece, porém, que não é assim: creio que foi de fdp para baixo.
Entrei na net e vejo que Zezinha Nogueira Pinto se diz* agredida por um deputado de Viseu, tudo por causa das eleições do CDS. Quero ver logo à noite se já ostenta qualquer sinal, discreto embora, da sua nova condição de mártir da vida democrática (uma écharpe escarlata presa por uma pequeno alfinete com a forma de uma palma em rubis - ou diamantes, para não parecer forçada a alusão - e um ar de doce quanto inconformada indignação tem chic, hão-de convir).
* o diz não é dúvida quanto à sinceridade da senhora queixosa, mas mera precaução para o que a aflição de uma senhora pode engendrar.
* o diz não é dúvida quanto à sinceridade da senhora queixosa, mas mera precaução para o que a aflição de uma senhora pode engendrar.
Mais uma vez se ouve o presidente do sindicato dos procuradores a dizer o que é ou não é admissível que o povo portugês faça...
Se é certo que todos nós partilhamos as apreensões de Vasco Pulido Valente sobre as reformas das polícias, certo é, também, que o importante, nisto de polícias, é saber como se efectiva a responsabilidade dos seus responsáveis. Ora, mais depressa se chama um ministro da Justiça ou do Interior a S. Bento - que digo! - com mais facilidade cai um primeiro-ministro do que se obtém contas de um procurador da república por qualquer dos seus actos. Se o anterior procurador geral até se julgava o titular de um órgão de soberania (!!!!!, sim, sic) e teve o atrevimento de tratar com displicência a Assembleia da República, mandando recado de que não parecia comparecer à chamada dos representantes por ter uma reunião com outros burocratas... prefiro que quem manda nas potícias possa ser retirado do seu cargo com alguma facilidade.
Se é certo que todos nós partilhamos as apreensões de Vasco Pulido Valente sobre as reformas das polícias, certo é, também, que o importante, nisto de polícias, é saber como se efectiva a responsabilidade dos seus responsáveis. Ora, mais depressa se chama um ministro da Justiça ou do Interior a S. Bento - que digo! - com mais facilidade cai um primeiro-ministro do que se obtém contas de um procurador da república por qualquer dos seus actos. Se o anterior procurador geral até se julgava o titular de um órgão de soberania (!!!!!, sim, sic) e teve o atrevimento de tratar com displicência a Assembleia da República, mandando recado de que não parecia comparecer à chamada dos representantes por ter uma reunião com outros burocratas... prefiro que quem manda nas potícias possa ser retirado do seu cargo com alguma facilidade.
sexta-feira, março 16, 2007
Bom senso (e bom gosto):
«Despite legal rulings mandating heavy fines, imprisonment, and even execution, tolerance generally prevailed, probably because intolerance wouldn't have made much difference.»
«Despite legal rulings mandating heavy fines, imprisonment, and even execution, tolerance generally prevailed, probably because intolerance wouldn't have made much difference.»
quinta-feira, março 15, 2007
Não sei se não me estarei a repetir, de um modo mais agudo e estridente, neste caso do Chiado e Baixa, mas eu gostava muito da Baixa e do Chiado. Quem não se lembra dos batidos de morango com creme da Ferrari? Um dos gostos de ir a Lisboa prendia-se com aqueles batidos magníficos que, com alguns bolos da Bénard e as panquecas da Caravela compunham a bataria das coisas boas do ir a Lisboa quando eu era pequeno. Também havia direito a escolher um ou dois livros na Bertrand e espiar - actividade por vezes com sucesso - as lojas de brinquedos. Uma delas, na rua Augusta (ou do Ouro?) era a minha preferida, embora a «Kermesse de Paris», no edifício do Avenida Palace, albergasse uma fábrica de armamento não desprezível...
Mais tarde, descobri-me leitor dos olisipógrafos o que faz com que a gente a gente veja em relevo os sítios sobre que leu, e subir o Chiado e passar pelo local onde foi o Marrare ou reconhecer na Casa Havaneza a que Eça frequentara foi um dos meus primeiros - e últimos - prazeres eruditos.
Todos estes sítios, lojas e ruas estavam cheios de gente, uma multidão ociosa e agradável. Parte dessa multidão era de gente que por um motivo ou outro se conhecia e se cumprimentava.
Hoje é o deserto.
Poderei dizer ainda uma vez que gostava mesmo, mesmo do Chiado?
Mais tarde, descobri-me leitor dos olisipógrafos o que faz com que a gente a gente veja em relevo os sítios sobre que leu, e subir o Chiado e passar pelo local onde foi o Marrare ou reconhecer na Casa Havaneza a que Eça frequentara foi um dos meus primeiros - e últimos - prazeres eruditos.
Todos estes sítios, lojas e ruas estavam cheios de gente, uma multidão ociosa e agradável. Parte dessa multidão era de gente que por um motivo ou outro se conhecia e se cumprimentava.
Hoje é o deserto.
Poderei dizer ainda uma vez que gostava mesmo, mesmo do Chiado?
O Chiado perdeu o ar abandonado de há uns anos atrás, mas está morto, como morta está toda a Baixa. Muito egoisticamente penso no que mais directamente me afecta, a perda da Baixa como ponto de encontro. Não foi só a incrível demora na reconstrução depois do fogo que finou a Baixa. A minha geração, a primeira sem ter empregadas, perdeu o hábito de sair. Quando os filhos cresceram - e já cresceram - a Baixa não voltou aos seus roteiros de tardes e o «sair» não foi reinventado em termos actuais. Pacóvia, bacocamente, faz-se a imitação néscia do estar até tarde no emprego - em vão, dados os nossos índices de produtividade - mas não se tenta imitar o encontro de fim de tarde que anima as grandes capitais europeias onde, realmente se produz - veja-se Madrid ou Londres.
Lisboa está menos civilizada, e aquele travo estranho que se sente no deserto Chiado é o da ausência do savoir vivre, é a vitória da vida de subúrbio, de arrebalde inóspito, e da longínqua lembrança do trabalho rural de sol a sol que -escondido e negado - levaram do interior os migrantes do post-25 de Abril.
Lisboa está menos civilizada, e aquele travo estranho que se sente no deserto Chiado é o da ausência do savoir vivre, é a vitória da vida de subúrbio, de arrebalde inóspito, e da longínqua lembrança do trabalho rural de sol a sol que -escondido e negado - levaram do interior os migrantes do post-25 de Abril.
quarta-feira, março 14, 2007
Os mercados de acções estão num torvelinho, entre outros motivos, pelos medos suscitados pelo atraso no pagamento das hipotecas nos USA, o que poderia levar à falência às empresas financeiras que emprestam sobre esse tipo de garantia. Por sua vez, a existir uma situação mais exposta (bom jargão...) dessas empresas, os bancos acabam por ser afectados, o que já sucedeu com alguns dos bancos suiços. Mas o post não pretende ilustrar a interdependência e a globalização. A propósito de saber se sim ou não o sector dos empréstimos sobre hipoteca necessita de medidas legislativas, os canais noticiosos destas coisas dos dinheiros foram ouvir a opinião de alguns senadores norte-americanos. E a gente fica mesmo com a impressão que o legislativo nos USA é aquilo que o poder legislativo deve ser e que os legisladores participam de modo efectivo dele, que não são os tristes funcionários que são aqui.
Quem, em Portugal, sobre uma questão semelhante iria entrevistar um deputado?
Ninguém, e com a razão de serem os nossos deputados (os representantes eleitos do povo...) funcionários tristes que devem tudo ao chefe do partido, a quem obedecem, e pouco aos eleitores.
A propósito, neste pormenor está um dos erros fatais da nossa democracia (itálicos por diferentes motivos).
Quem, em Portugal, sobre uma questão semelhante iria entrevistar um deputado?
Ninguém, e com a razão de serem os nossos deputados (os representantes eleitos do povo...) funcionários tristes que devem tudo ao chefe do partido, a quem obedecem, e pouco aos eleitores.
A propósito, neste pormenor está um dos erros fatais da nossa democracia (itálicos por diferentes motivos).
terça-feira, março 13, 2007
Num blog para mim quase desconhecido - mas não deve sê-lo para os connaisseurs - um relato de viagem a países longínquos. Cada vez mais saloio desconfiado, quase sempre que por esses blogs leio um roteiro de viagem, ou compêndio de impressões pitorescas e estados de alma viajante, fico com uma de duas sensações : é a primeira a de que o autor do relato não pagou a viagem do seu bolso - o que me é indiferente. A outra, que me incomoda ligeiramente, a de que acabei de contribuir, por interposto imposto, para que alguém se passeie enquanto eu suporto a mesmice do quotidiano.
Momento Judicial
O Ministério Público diz que Fátima Felgueiras recebeu dinheiro de empresários, através de cheques (que estão juntos ao processo). Não cabe aos arguidos o ónus da defesa. Esse ónus cabe à acusação e consiste em fazer a prova do que acusa - neste caso a acusação pública, que tem os recursos do Estado e teve, neste particular caso, anos para investigar. Esse ónus consistirá, aqui, na demonstração que os cheques dos empreiteiros foram creditados na conta da arguida, ou noutra a partir da qual as quantias a que dizem respeito chegaram à posse da arguida. Pelo que posso entender e deduzo do que leio, essa prova não está feita, parece haver elos que, a terem existido, faltam.
Interessante, mas não inesperado.
O Ministério Público diz que Fátima Felgueiras recebeu dinheiro de empresários, através de cheques (que estão juntos ao processo). Não cabe aos arguidos o ónus da defesa. Esse ónus cabe à acusação e consiste em fazer a prova do que acusa - neste caso a acusação pública, que tem os recursos do Estado e teve, neste particular caso, anos para investigar. Esse ónus consistirá, aqui, na demonstração que os cheques dos empreiteiros foram creditados na conta da arguida, ou noutra a partir da qual as quantias a que dizem respeito chegaram à posse da arguida. Pelo que posso entender e deduzo do que leio, essa prova não está feita, parece haver elos que, a terem existido, faltam.
Interessante, mas não inesperado.
Depois da vitamina C (1 gr.):
O Museu de Arte Antiga não tem dinheiro para pagar a água e a luz. Verifiquei, por esta noticiazinha, o pouco que conheço do meu país: pensava não só que essas questões mais comezinhas estavam resolvidas quanto que era apenas por desleixo meu que desconhecia a política de aquisições de obras por parte dos museus nacionais nestes últimos anos.
Que não duvido que haja uma.
O Museu de Arte Antiga não tem dinheiro para pagar a água e a luz. Verifiquei, por esta noticiazinha, o pouco que conheço do meu país: pensava não só que essas questões mais comezinhas estavam resolvidas quanto que era apenas por desleixo meu que desconhecia a política de aquisições de obras por parte dos museus nacionais nestes últimos anos.
Que não duvido que haja uma.
segunda-feira, março 12, 2007
2ª feira...
Entre o artigo certeiro de Vasco Pulido Valente (há por aqui um pleonasmo qualquer) sobre a OPA da Sonae, a absoluta grosseria e extraordinária boçalidade a propósito de Agustina Bessa-Luís (tanta, que falar disso alguém, como eu o faço agora, é ainda, a seu modo, participar no que se denúncia), entre o lembrar-me de ter ficado a meditar, quando li que Portugal tinha estado amordaçado, que o grande segredo é, talvez, que o tenha estado em vão, isto é, desnecessariamente, já que nada tinha para dizer ou fazer, o ver que só agora - mas antes tarde do que nunca! - se vê gente incomodada com o cartão tudo em um, vendido como uma modernidade - que já vi muito gabada! - as policías a despachar com o primeiro-ministro, a situação económica sem melhora sensível, as reformas por fazer, entre tudo isto, estas coisas tão díspares entre si senão o serem relativas à nossa terra, seria difícil encontrar motivo para estar bem disposto se não fora ser o habitual da situação e não estivesse a ler o livro do Job.
Entre o artigo certeiro de Vasco Pulido Valente (há por aqui um pleonasmo qualquer) sobre a OPA da Sonae, a absoluta grosseria e extraordinária boçalidade a propósito de Agustina Bessa-Luís (tanta, que falar disso alguém, como eu o faço agora, é ainda, a seu modo, participar no que se denúncia), entre o lembrar-me de ter ficado a meditar, quando li que Portugal tinha estado amordaçado, que o grande segredo é, talvez, que o tenha estado em vão, isto é, desnecessariamente, já que nada tinha para dizer ou fazer, o ver que só agora - mas antes tarde do que nunca! - se vê gente incomodada com o cartão tudo em um, vendido como uma modernidade - que já vi muito gabada! - as policías a despachar com o primeiro-ministro, a situação económica sem melhora sensível, as reformas por fazer, entre tudo isto, estas coisas tão díspares entre si senão o serem relativas à nossa terra, seria difícil encontrar motivo para estar bem disposto se não fora ser o habitual da situação e não estivesse a ler o livro do Job.
7 O Senhor disse-lhe:«Donde vens tu?» Satã respondeu: «Venho de dar uma volta ao mundo e percorrê-lo todo.» 8 O Senhor disse-lhe: «Reparaste no meu servo Job? Não há ninguém como ele na terra: homem íntegro, recto, que teme a Deus e se afasta do mal.» 9 Satã respondeu ao Senhor: «Porventura Job teme a Deus desinteressadamente? 10 Não rodeaste Tu com uma cerca protectora a sua pessoa, a sua casa e todos os seus bens? Abençoaste o trabalho das suas mãos, e os seus rebanhos cobrem toda a região. 11 Mas se estenderes a tua mão e tocares nos seus bens, verás que te amaldiçoará, mesmo na tua frente.» 12 Então, o Senhor disse a Satã: «Pois bem, tudo o que ele possui deixo-o em teu poder, mas não estendas a tua mão contra a sua pessoa.» E Satã saiu da presença do Senhor.
Job, I, 7-12
Job, I, 7-12
domingo, março 11, 2007
De correr mundo as terras e os humanos
como paisagem que ante os olhos passa,
e às vezes percorrer umas e outros
nos breves intervalos entre duas viagens,
uma incerteza deixa que é diversa
da que se aprende no convívio longo:
quem se demora vê, sob as fachadas
ou as perspectivas de alta torre feitas
um gesto em que se mostra uma outra vida,
ou troca frases que desnudam crua
o que de interno ser sob as fachadas vive;
mas quem só passa e mal aos outros toca
com mais que olhares ou fugidias vozes,
mais adivinha o que não é paisagem
mas dia a dia tão diverso dela
ou pelo menos para além ansioso.
Mas, se num caso a vida se conhece
e noutro caso nos conhece a nós,
por ambos aprendemos que do mundo
se vive o que não passa, ou se não vive
o que passando é só terras e gentes -
-o conhecer, porém, não se conhece nunca.
Apenas resta a escolha: como descobrir
essa experiência inútil. Antes, pois,
correr do mundo as terras e os humanos
que consumir-se alguém ao lado deles sempre.
Jorge de Sena
in «Visão Perpétua»
(e transcrita aqui)
SB 3/10/1972
como paisagem que ante os olhos passa,
e às vezes percorrer umas e outros
nos breves intervalos entre duas viagens,
uma incerteza deixa que é diversa
da que se aprende no convívio longo:
quem se demora vê, sob as fachadas
ou as perspectivas de alta torre feitas
um gesto em que se mostra uma outra vida,
ou troca frases que desnudam crua
o que de interno ser sob as fachadas vive;
mas quem só passa e mal aos outros toca
com mais que olhares ou fugidias vozes,
mais adivinha o que não é paisagem
mas dia a dia tão diverso dela
ou pelo menos para além ansioso.
Mas, se num caso a vida se conhece
e noutro caso nos conhece a nós,
por ambos aprendemos que do mundo
se vive o que não passa, ou se não vive
o que passando é só terras e gentes -
-o conhecer, porém, não se conhece nunca.
Apenas resta a escolha: como descobrir
essa experiência inútil. Antes, pois,
correr do mundo as terras e os humanos
que consumir-se alguém ao lado deles sempre.
Jorge de Sena
in «Visão Perpétua»
(e transcrita aqui)
SB 3/10/1972
quinta-feira, março 08, 2007
terça-feira, março 06, 2007
Desculpem, mas ainda não percebi: o caro Blasfémias é salazarista ou liberal? É que, sendo certo que as leis de condicionamento industrial, entre muitas outras medidas próprias de um forte intervencionismo estatal, não são consentâneas com o liberalismo económico - ou político, no sentido clássico e europeu do termo - ou se é uma coisa ou se é outra.
Respostas ao Impensável.
Respostas ao Impensável.
Através do Blasfémias fiquei a saber com mais pormenor sobre a questão* dos títulos académicos e profissionais do primeiro-ministro ora em funções.
Estas gentes do Portugal profundo são uns maçadores, uns muito necessários maçadores que gostam de queimar pestanas para averiguarem de minudências e insignificâncias tão significativas quanto sejam a da justeza e legitimidade do uso de títulos académicos, tarefa dificultada pelos monstros ocultos e obscurantistas que vivem no labirinto burocrático que é hoje o ensino superior...
O autor deste blog tira o chapéu ao Autor do Portugal profundo.
Do exposto resulta: alguma hesitação quanto ao facto do actual primeiro-ministro ser licenciado - dúvida que não é possível existir num país civilizado. Mas a sê-lo - e por essa inquietante «Universidade Independente» - parece que, nos termos das disposições legais em vigor, não pode usar o título de engenheiro, por não estar inscrito na Ordem.
Mas, seja por isto ou por aquilo, fica a questão de saber como tratá-lo. Há sempre a hipótese sr. Sousa, um clássico, mas hoje em dia parece coisa de somenos e pouco moderna. Eu proponho, por me lembrar do Principal Sousa, um dos membros da regência durante a ausência no Brasil de El-Rei D. João VI, essa mesmíssima designação, já que «principal» é muito adequada para um primeiro-ministro: Principal Sousa é prático e parece-me eufónico: "o Principal Sousa ontem tergeversou". Fica muito bem.
* É uma questão. Pelo menos numa democracia a sério, sê-lo-ia. Um título académico representa trabalho e esforço. Ou se tem ou não se tem. Se não se tem, não se usa. Não constitui qualquer desdouro não ser licenciado neste país de doutoral. Em contrapartida, querer ter o que se não tem, que ridículo - e que injusto para quem obteve os seus títulos académicos com esforço, trabalho e sacrifícios.
Estas gentes do Portugal profundo são uns maçadores, uns muito necessários maçadores que gostam de queimar pestanas para averiguarem de minudências e insignificâncias tão significativas quanto sejam a da justeza e legitimidade do uso de títulos académicos, tarefa dificultada pelos monstros ocultos e obscurantistas que vivem no labirinto burocrático que é hoje o ensino superior...
O autor deste blog tira o chapéu ao Autor do Portugal profundo.
Do exposto resulta: alguma hesitação quanto ao facto do actual primeiro-ministro ser licenciado - dúvida que não é possível existir num país civilizado. Mas a sê-lo - e por essa inquietante «Universidade Independente» - parece que, nos termos das disposições legais em vigor, não pode usar o título de engenheiro, por não estar inscrito na Ordem.
Mas, seja por isto ou por aquilo, fica a questão de saber como tratá-lo. Há sempre a hipótese sr. Sousa, um clássico, mas hoje em dia parece coisa de somenos e pouco moderna. Eu proponho, por me lembrar do Principal Sousa, um dos membros da regência durante a ausência no Brasil de El-Rei D. João VI, essa mesmíssima designação, já que «principal» é muito adequada para um primeiro-ministro: Principal Sousa é prático e parece-me eufónico: "o Principal Sousa ontem tergeversou". Fica muito bem.
* É uma questão. Pelo menos numa democracia a sério, sê-lo-ia. Um título académico representa trabalho e esforço. Ou se tem ou não se tem. Se não se tem, não se usa. Não constitui qualquer desdouro não ser licenciado neste país de doutoral. Em contrapartida, querer ter o que se não tem, que ridículo - e que injusto para quem obteve os seus títulos académicos com esforço, trabalho e sacrifícios.
Já é muito tarde, cabeceio de sono, e estou aqui ao frio. Vim apagar a luz e a televisão e fiquei a ver a inesperada paisagem e persisto em ver a paisagem, a minúscula paisagem: embrulhado no plaid a que deitei mão, contemplo a montanha verde e, no sopé, alguns arbustos de formas estranhas. A pequena montanha, perfeiramente triângular, é o sinal que assinala as subidas na bolsa e os arbustos a percentagem, 1,33%. Sim, é a montanha Ni, a hierática montanha por onde passa o pedregoso caminho, a vereda de Dukkha.
segunda-feira, março 05, 2007
De vez em quando lêem-se alusões com o seu quê de depreciativo ao modo de falar mais tradicional. É insinuado que as palavras usadas têm o seu quê de aleatório, como se fossem usadas para aborrecer e ser diferente. O que acontece, porém, é que se limitam a ser as palavras mais simples e correctas.
Agora que temos aí outra onda de falta de gosto podemos imaginar a conversa daqui a 50 anos: - «Pai, o professor e outros os meninos dizem contratualizar, o Pai diz contratar porquê? E o Pai também diz que recebeu a carta em vez de recepcionar! E quando uma coisa acaba, o Pai diz que acabou, não diz que foi descontinuada. Lá na escola já me disseram que o Pai deve ser muito pretensioso. É?»
Agora que temos aí outra onda de falta de gosto podemos imaginar a conversa daqui a 50 anos: - «Pai, o professor e outros os meninos dizem contratualizar, o Pai diz contratar porquê? E o Pai também diz que recebeu a carta em vez de recepcionar! E quando uma coisa acaba, o Pai diz que acabou, não diz que foi descontinuada. Lá na escola já me disseram que o Pai deve ser muito pretensioso. É?»
quinta-feira, março 01, 2007

Aqui, onde quase sempre estou, vou fazer de conta que acabei de chegar a uhmm.... digamos, uma hacienda argentina, perto do mar. Acabei de telefonar, desliguei agora mesmo. Não tenho acesso a notícias, à net, aos blogs, mas está bem, é assim mesmo. Não vou ler o jornal, não vou tomar o gin tonic, não vou ver a paisagem. Fecho os olhos.
"....the innocent sleep,
Sleep that knits up the ravell’d sleave of care,
The death of each day’s life, sore labour’s bath,
Balm of hurt minds, great nature’s second course,
Chief nourisher in life’s feast."
Shakespeare, Macbeth
Não sei onde li, mas é assim: o Marquês de Soveral teve como inesperado companheiro de viagem de Lisboa para Paris um reputado tagarela maçador. Quase ainda no começo do caminho estava já farto da secante conversa. Resolveu propor, então, uma espécie de jogo: «Meu caro, vamos fingir que não nos falamos! Damo-nos bem, não estamos de relações cortadas, vamos só fingir que não nos falamos». Não sei já se, no caso, a ideia - que me parece um achado de génio - foi eficaz, mas eu creio no poder do faz de conta.
quarta-feira, fevereiro 28, 2007
A amarga - e de que modo! - queda da bolsa na China e por toda a parte, o pânico no Japão, a cobardia investidora europeia e norte-americana, a bombástica ameaça persa, a inquietante linha de inflação indiana, tudo isto é de um imenso pitoresco! E, contudo, não o vemos: aconselho o retomar do olhar Gilbert & Sullivan e, de um modo geral, toda a capacidade de espanto e divertido terror que perdemos (em nome de numerosas e incríveis palermices) ao longo do nefasto século XX.
Por quem sois, caros leitores, a ideia de que o proletariado chinês se endivida para investir na bolsa - nem sempre sensatamente - e inflaciona o mercado de acções provocando o medo bom gestor do comité central do partido comunista é qualquer coisa de profundamente divertido que alguém deve musicar rapidamente e pôr em cena (esperemos, confiantes, ainda ter dinheiro para o bilhete...).
Por quem sois, caros leitores, a ideia de que o proletariado chinês se endivida para investir na bolsa - nem sempre sensatamente - e inflaciona o mercado de acções provocando o medo bom gestor do comité central do partido comunista é qualquer coisa de profundamente divertido que alguém deve musicar rapidamente e pôr em cena (esperemos, confiantes, ainda ter dinheiro para o bilhete...).
terça-feira, fevereiro 27, 2007
segunda-feira, fevereiro 26, 2007
Dia muito bonito e bem cheiroso. Chegaram mais livros pelo correio. Um deles, a «Arte de Ser Pai», uma recolha das cartas de Eça a seus filhos. Creio que ficará lido hoje. Este Eça da correspondência familiar foi de onde resultou o Eça novo de Maria Filomena Mónica, desatulhado de muitos acrescentos abusivos de épocas posteriores - como bem notou Vasco Pulido Valente.
O livro, uma edição com já alguns anos, é prefaciado, comentado, anotado, por Beatriz Berrini, uma ilustre ecióloga brasileira.
O livro, uma edição com já alguns anos, é prefaciado, comentado, anotado, por Beatriz Berrini, uma ilustre ecióloga brasileira.
domingo, fevereiro 25, 2007
O meu passeio higiénico acabou por desembocar na Travessa "Limpeza lar" de um hiper, onde gosto de observar a revolução dos descartavéis. Desde há alguns meses, porém, que não há novidades e creio que, mesmo numa época tão estimulante, dificilmente se reproduzirá tão cedo a novidade magnífica que foi o espanador descartável.
Além dos descartáveis, encontrei as crianças e os pais, detectáveis pelos urros e uivos que soltavam. Sim, Miss Pearls, nós não gostamos muito uns dos outros e, creio, pelo que me foi dado ouvir - principalmente ouvir - esse desamor começa em casa. Mães, mães e pais e bebés bem dispostos, deixe-se isso lá para fora, para as viagens, que os de cá preferem os hipers aos jardins e insultam-se entre si com vigor. E não estão mal por lá, desde que longe dos produtos de limpeza, onde gosto de meditar, sossegado.
Além dos descartáveis, encontrei as crianças e os pais, detectáveis pelos urros e uivos que soltavam. Sim, Miss Pearls, nós não gostamos muito uns dos outros e, creio, pelo que me foi dado ouvir - principalmente ouvir - esse desamor começa em casa. Mães, mães e pais e bebés bem dispostos, deixe-se isso lá para fora, para as viagens, que os de cá preferem os hipers aos jardins e insultam-se entre si com vigor. E não estão mal por lá, desde que longe dos produtos de limpeza, onde gosto de meditar, sossegado.
O dia acabou por não ser péssimo, salvo as nódoas de café no tapete e o ter escrito pronúncio em vez de prenúncio... Bem sei que estava ainda debilitado e que é mais um lapso do que um erro, mas o certo é que passou na revisão e apenas dei pela coisa por, ao reler o texto, me lembrar subitamente de sedas moirées e sussuros de trattative, coisas que, sem escândalo, apenas se reúnem num núncio papal...
Fiquei em casa: li umas crónicas de Tinop e dei uma volta pelos blogs.
Fiquei em casa: li umas crónicas de Tinop e dei uma volta pelos blogs.
sábado, fevereiro 24, 2007
Acordei bem disposto. Se o acordar pode ser prenúncio do dia, quão erroneamente acordei...
Vejamos: ainda agradavelmente sonolento fui arranjar um café, que trouxe para sala e pus na mesa, em frente ao cadeirão. Senti o toque na manga do roupão. E depois, em câmera lenta, assisti ao déluge! O café parecia ter fortes ímpetos distributivos: depois de se derramar sobre o meu roupão atingiu o sofá, tapetes, outra mesa e, nela, toda a papelada que eu deixara cobardemente acumular dentro da taça que está ao meio. Salpicou livros: Berlin e Mann e, menos severamente, a Expiação do Ian McEwan. O pano da camilha - artefacto provinciano onde os provincianos vivem provincianamente no Inverno - é, claro está, branco sujo - e o café não o melhorou. Numa primeira reacção, depois da catástrofe, admirei o que pode fazer um cafezinho contido num xícara tão pequena (cheguei a pôr mesmo a hipótese de haver um fundo falso...): toda a sala me pareceu salpicada. Hesitei entre sentar-me e chorar - chorar longamente - ou ir buscar "coisas" para limpar aquilo. A lembrança de que o cadeirão - que mandei forrar o ano passado - tinha sido fumigado com um produto anti-nódoa e que havia algures um manual a consultar aquietou-me e deu-me ânimo: nada mais interessante do que um manual e um pouco de labor hermenêutico para nos dar a sensação de que a ordem vai regressar e que os nossos piores medos não têm razão de ser. Encontrei o manual - sintético, 1 folha - e parti para a cozinha, já mais animado, em busca de uma tijela que teria de encher de água rigorosamente morna e espuma de detergente (interroguei-me se da loiça se da roupa, mas parece que é indiferente, é mera espuma e gostei deste pormenor simpático)
Muitos vexames depois: creio que debelei a coisa. Descobri, entretanto, que o forro do cadeirão está puído nos braços, pior, apenas num braço! Atendendo à quantia verdadeiramente escandalosa que tive de desembolsar pelo tecido é um escândalo - não vale a pena consultar os preços das etiquetas: um bem elaborado código impede qualquer cálculo certeiro sobre o valor final: há alturas, tem que se ter atenção às larguras e há ajustes, acertos (que variam segundo o padrão do tecido...) e creio que ainda outras armadilhas. A coisa atinge alegremente somas alucinantes e quando dizemos que "nem pensar!" somos conduzidos para outro catálogo onde vemos um tecido muito mais barato, de que sensatamente gostamos, e tudo acaba por ficar mais caro, um pouco mais de 100 ou 200 euros do que aquele, caríssimo, que tínhamos visto primeiro e puseramos logo de parte. Foi a largura, foram os acertos?... Bem, mas este sofá foi forrado há tão pouco tempo, como pode estar puído, por pouco que seja??? Protestarei por telefone (ir à loja é uma péssima solução que nos mete em despesas inesperadas - acreditem).
Depois destas atribulações corri para o duche e resolvi experimentar, à saída, a minha colónia nova, reconfortantemente inglesa, usá-la terapeuticamente, como calmante e revigorante. Erro: de imediato fui imerso num intenso e apavorante cheiro a tintura de iodo e obturaçao dentária dos finais dos anos 60 do século passado que me trouxe à memória o meu problema com a minha dentista (em suma: ando a monte, fugitivo dos cuidados dentários) que não posso adiar mais: terei de me entregar em breve às selvajarias da estomatologia. Este pensamento tem-me envenenado o sábado, e não tenho sequer o meu sofá - ainda está molhado - para nele sofrer.
Se me acontece mais alguma coisa desagradável hoje creio que amuarei por todo um mês.
Vejamos: ainda agradavelmente sonolento fui arranjar um café, que trouxe para sala e pus na mesa, em frente ao cadeirão. Senti o toque na manga do roupão. E depois, em câmera lenta, assisti ao déluge! O café parecia ter fortes ímpetos distributivos: depois de se derramar sobre o meu roupão atingiu o sofá, tapetes, outra mesa e, nela, toda a papelada que eu deixara cobardemente acumular dentro da taça que está ao meio. Salpicou livros: Berlin e Mann e, menos severamente, a Expiação do Ian McEwan. O pano da camilha - artefacto provinciano onde os provincianos vivem provincianamente no Inverno - é, claro está, branco sujo - e o café não o melhorou. Numa primeira reacção, depois da catástrofe, admirei o que pode fazer um cafezinho contido num xícara tão pequena (cheguei a pôr mesmo a hipótese de haver um fundo falso...): toda a sala me pareceu salpicada. Hesitei entre sentar-me e chorar - chorar longamente - ou ir buscar "coisas" para limpar aquilo. A lembrança de que o cadeirão - que mandei forrar o ano passado - tinha sido fumigado com um produto anti-nódoa e que havia algures um manual a consultar aquietou-me e deu-me ânimo: nada mais interessante do que um manual e um pouco de labor hermenêutico para nos dar a sensação de que a ordem vai regressar e que os nossos piores medos não têm razão de ser. Encontrei o manual - sintético, 1 folha - e parti para a cozinha, já mais animado, em busca de uma tijela que teria de encher de água rigorosamente morna e espuma de detergente (interroguei-me se da loiça se da roupa, mas parece que é indiferente, é mera espuma e gostei deste pormenor simpático)
Muitos vexames depois: creio que debelei a coisa. Descobri, entretanto, que o forro do cadeirão está puído nos braços, pior, apenas num braço! Atendendo à quantia verdadeiramente escandalosa que tive de desembolsar pelo tecido é um escândalo - não vale a pena consultar os preços das etiquetas: um bem elaborado código impede qualquer cálculo certeiro sobre o valor final: há alturas, tem que se ter atenção às larguras e há ajustes, acertos (que variam segundo o padrão do tecido...) e creio que ainda outras armadilhas. A coisa atinge alegremente somas alucinantes e quando dizemos que "nem pensar!" somos conduzidos para outro catálogo onde vemos um tecido muito mais barato, de que sensatamente gostamos, e tudo acaba por ficar mais caro, um pouco mais de 100 ou 200 euros do que aquele, caríssimo, que tínhamos visto primeiro e puseramos logo de parte. Foi a largura, foram os acertos?... Bem, mas este sofá foi forrado há tão pouco tempo, como pode estar puído, por pouco que seja??? Protestarei por telefone (ir à loja é uma péssima solução que nos mete em despesas inesperadas - acreditem).
Depois destas atribulações corri para o duche e resolvi experimentar, à saída, a minha colónia nova, reconfortantemente inglesa, usá-la terapeuticamente, como calmante e revigorante. Erro: de imediato fui imerso num intenso e apavorante cheiro a tintura de iodo e obturaçao dentária dos finais dos anos 60 do século passado que me trouxe à memória o meu problema com a minha dentista (em suma: ando a monte, fugitivo dos cuidados dentários) que não posso adiar mais: terei de me entregar em breve às selvajarias da estomatologia. Este pensamento tem-me envenenado o sábado, e não tenho sequer o meu sofá - ainda está molhado - para nele sofrer.
Se me acontece mais alguma coisa desagradável hoje creio que amuarei por todo um mês.
sexta-feira, fevereiro 23, 2007
Miss Pearls em Madrid também reparou nas crianças a passear nos carrinhos com as mães ou os pais, que não vejo em Portugal sei lá há que tempos - falta de que já me queixei, nuns desses posts aí para trás.
E se fosse só isso... ainda hoje à tarde tinha pensado que em Portugal, nestes tempos, reina a rispidez, a estridência árida, a falta de modos tão mais majestática e desabrida quanto alicerçada numa genuína falta de afecto e cogitei sombriamente em como tudo isso se tem tornado invisível para nós, para mim, pelo menos: é preciso sair daqui para me dar conta do horror disto, da antipatia e da falta de amabilidade indígenas, desta gente zangada e taciturna que somos - ou parece-me a mim que que somos.
Regressar da alegria aristocrática de Espanha a esta sisudez grosseira é uma tarefa muito difícil, de grande rudeza e proponho mesmo que a lei passe a contemplar uma período de aclimatação para os torna-viagem.
Cara Miss Pearls, bom período de adaptação e atenção às nódoas negras.
E se fosse só isso... ainda hoje à tarde tinha pensado que em Portugal, nestes tempos, reina a rispidez, a estridência árida, a falta de modos tão mais majestática e desabrida quanto alicerçada numa genuína falta de afecto e cogitei sombriamente em como tudo isso se tem tornado invisível para nós, para mim, pelo menos: é preciso sair daqui para me dar conta do horror disto, da antipatia e da falta de amabilidade indígenas, desta gente zangada e taciturna que somos - ou parece-me a mim que que somos.
Regressar da alegria aristocrática de Espanha a esta sisudez grosseira é uma tarefa muito difícil, de grande rudeza e proponho mesmo que a lei passe a contemplar uma período de aclimatação para os torna-viagem.
Cara Miss Pearls, bom período de adaptação e atenção às nódoas negras.
Este país rescende a pobreza!
Agora é muito elogiada a probidade de Salazar, por ele não ter enriquecido... Ora, Salazar teve - e, em abundância, o que quis e verdadeiramente - lhe - interessava : poder ( e é esta a parte que, pobretes, percebemos mal).
E teve-o, teve todo o poder que quis, grande parte do tempo à revelia e, depois, contra o país ou grande parte dele.
De modo pouco probo (as eleições como na livre Inglaterra, e coisas semelhantes)
Não compreendo, aliás, que os defensores mais engenhosos de Salazar venham com esta questão de ele não ter amealhado uns tostões... Vejamos: Salazar, creio, nem sequer admitiria que o bom ou apenas regular exercício do seu cargo de presidente do conselho pudesse tê-lo enriquecido.
E a exercê-lo de modo reprovável, não havia polícia, tribunais, a legalidade?
Agora é muito elogiada a probidade de Salazar, por ele não ter enriquecido... Ora, Salazar teve - e, em abundância, o que quis e verdadeiramente - lhe - interessava : poder ( e é esta a parte que, pobretes, percebemos mal).
E teve-o, teve todo o poder que quis, grande parte do tempo à revelia e, depois, contra o país ou grande parte dele.
De modo pouco probo (as eleições como na livre Inglaterra, e coisas semelhantes)
Não compreendo, aliás, que os defensores mais engenhosos de Salazar venham com esta questão de ele não ter amealhado uns tostões... Vejamos: Salazar, creio, nem sequer admitiria que o bom ou apenas regular exercício do seu cargo de presidente do conselho pudesse tê-lo enriquecido.
E a exercê-lo de modo reprovável, não havia polícia, tribunais, a legalidade?
quinta-feira, fevereiro 22, 2007
O post de ontem tem alguma semelhança com uma montra de loja de artigos religiosos, com aquela grande Vanitas, sub-género da natureza morta tão apreciado no barroco, mas era Quarta-Feira de Cinzas, início da Quaresma.
Precisava ir a Lisboa. Vou acabar por ficar por aqui, quase de certeza, na companhia desagradável da minha sinusite, em fase aguda. Impossível fazer outra coisa senão esperar a acalmia das minhas pobres mucosas e que não seja preciso pensar a sério, seja no que for: estou reduzido a uma parte ínfima do crânio: na maior parte dele - onde geralmente gosto de estar quando raciocino - pastam rebanhos vastos de micróbios.
Precisava ir a Lisboa. Vou acabar por ficar por aqui, quase de certeza, na companhia desagradável da minha sinusite, em fase aguda. Impossível fazer outra coisa senão esperar a acalmia das minhas pobres mucosas e que não seja preciso pensar a sério, seja no que for: estou reduzido a uma parte ínfima do crânio: na maior parte dele - onde geralmente gosto de estar quando raciocino - pastam rebanhos vastos de micróbios.
terça-feira, fevereiro 20, 2007
Aqui e ali, nos blogs, publicidade a uma biografia de O'Neill. A minha provecta idade coloca-me naquele já reduzido grupo de gente ridícula que ainda acha a publicidade seguro indício da falta de qualidade do produto anunciado e difícilmente aceita que seja realmente, indiscutivelmente bom como e quanto afiançam; por isso, já decidi não comprar o livro, pelo menos nos próximos tempos.
A única coisa que me poderia demover deste intento seria o perceber que é ridículo apenas querer o que é realmente bom, os valores seguros mas, com o fim do tempo do entrudo, não fazer uso das verdades mais subtis parece-me uma boa renúncia quaresmal.
A única coisa que me poderia demover deste intento seria o perceber que é ridículo apenas querer o que é realmente bom, os valores seguros mas, com o fim do tempo do entrudo, não fazer uso das verdades mais subtis parece-me uma boa renúncia quaresmal.
sexta-feira, fevereiro 16, 2007
quinta-feira, fevereiro 15, 2007
Your Ladyship,
Reconhecidamente, agradeço a avassaladora simpatia: o «problema» não era a poesia de O'Neill, mas os micro-segundos em que, lido aquele título, o tal, eu e mais alguns desgraçados, desatenta e angustiadamente, criam que o Bomba, que o Bomba pudesse, horroresco referens! estar prestes a uhm, coff, coff, a desaparecer , mudando - brrrr - para sempre as nossas vidas, para pior, para muito pior.
Com o que,
I have the honour to be
Milady,
Your most humble, obedient servant
Impensado
Reconhecidamente, agradeço a avassaladora simpatia: o «problema» não era a poesia de O'Neill, mas os micro-segundos em que, lido aquele título, o tal, eu e mais alguns desgraçados, desatenta e angustiadamente, criam que o Bomba, que o Bomba pudesse, horroresco referens! estar prestes a uhm, coff, coff, a desaparecer , mudando - brrrr - para sempre as nossas vidas, para pior, para muito pior.
Com o que,
I have the honour to be
Milady,
Your most humble, obedient servant
Impensado
quarta-feira, fevereiro 14, 2007
Cara Charlotte,
Saberá quanto estimo lê-la e quanto o seu blog se tornou parte dos meus rituais diários. Saberá, ainda, que detesto mudanças, consistam elas em piorias ou melhorias, começos ou fins, tanto de males quanto de bens. Convenha em que todos temos acções menos felizes, que provocam, mesmo à nossa revelia, mal-estar aos outros. Enfim, e indo directa e cruamente ao assunto: aquele título «fim de missão» tem de acabar! Esqueço-me sempre da justificação que já deu a outros desgraçados por ele apavorados, mas é um sobressalto escusado, diria mesmo, uma peripécia - no sentido grego do termo - que subverte a minha felicidade, feita de uma frágil inércia, sempre que deparo com tal título numa das minhas visitas diárias ao Bomba.
Ficaria muito feliz - e creio que falo em nome de muitos - se pudesse mudar o nome.
Antecipadamente grato e muito agradecido,
Leitor assíduo,
Impensado
Saberá quanto estimo lê-la e quanto o seu blog se tornou parte dos meus rituais diários. Saberá, ainda, que detesto mudanças, consistam elas em piorias ou melhorias, começos ou fins, tanto de males quanto de bens. Convenha em que todos temos acções menos felizes, que provocam, mesmo à nossa revelia, mal-estar aos outros. Enfim, e indo directa e cruamente ao assunto: aquele título «fim de missão» tem de acabar! Esqueço-me sempre da justificação que já deu a outros desgraçados por ele apavorados, mas é um sobressalto escusado, diria mesmo, uma peripécia - no sentido grego do termo - que subverte a minha felicidade, feita de uma frágil inércia, sempre que deparo com tal título numa das minhas visitas diárias ao Bomba.
Ficaria muito feliz - e creio que falo em nome de muitos - se pudesse mudar o nome.
Antecipadamente grato e muito agradecido,
Leitor assíduo,
Impensado
Já agora.... e eu, onde ouvi falar do Dunne pela primeira vez? Num ensaio sobre Borges? Numa coisa do Eliot? E onde li o que tenho a impressão que li dele? Uma coisa sei: não foi nestes tempos de facilidade googliana: foi noutros, em que se precisava telefonar (começava logo por nunca vir nada na enciclopédia, dizia-se mal da enciclopédia, era a única consolação), sair de casa, ir a casa de amigos, depois de alguns nãos, palpites, lembrarmo-nos de quem, com certeza, tinha ou sabia de quem tivesse ou soubesse... Uma vez, lembro-me (seja-me permitida esta nota de pitoresco septuagenário), que depois dum ror de tempo a correr Ceca e Meca e olivais de Santarém por um livro de que precisava absolutamente, ter-me sentado num sofá em casa de uma amiga de quem ia, creio, despedir-me para sempre, vencido - e dignamente pronto a morrer de desânimo - quando olhei em frente, para a estante, e lá, lá onde eu nunca supusera que pudesse existir tal (era uma coisa de direito), ver a obra que procurava. E vinha isto... ah sim sobre as facilidades de agora. Ninguém imagina como era, ninguém.
Se não viesse aqui agora, logo, quando acordasse, esquecia-me: a Agatha Christie leu o Dunne, o J. W., leu, pelo menos, «An Experiment with Time». Não estou a ver um livro dela onde use as teorias de Dunne, mas o certo é que tem uma boa organização dos tempos e alguns alibis apenas parecem sólidos porque os enquadramos - nós, leitores - em sequências que, de facto, não existem.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Tenho uma leitura - que é, quase sempre, uma releitura - para dormir. A destes dias tem sido a «Autobiografia» de Agatha Christie, que li pela primeira vez há uns dois anos. É inteligente, bem-humorada e bem escrita. Ontem, li uma descrição de um grupo de viajantes anglo-católicas e da sua leader e guia, uma temível Miss, pelas ruínas bíblicas de Babilónia. Christie transcreve algumas das espantosas afirmações que aquela profere sobre as pobres senhoras do seu grupo e não há dúvida: aquele modo de falar firme, insuportável, eficiente é o discurso de uma vítima plausível, de alguém que podia, com verosimilhança, ser liquidada por qualquer uma das desgraçada excursionistas, por qualquer daquelas poors things ameaçadas de total exaustão, quanto por uma questão de mera sensatez textual. Mas as velhas senhoras continuaram a viagem sem homicídios, no Iraque de há 70 anos, e não deixamos - eu não deixei - de sentir-me defraudado.
Um bom dia de Inverno, triste, chuvoso.
Ontem, estava a ver o "prós & contras" e, embora discordando do assunto das custas (valendo a minha discordância o pouco que vale, creio que a regra da responsabilidade individual pelas custas apenas é aplicável quando, pela mera existência de diversos requerentes/recorrentes haja a possibilidade, ainda que longínqua, da prolação de decisões diferentes, ou então que uma única decisão os possa afectar de modos diferentes, sendo certo que sempre serão diversas partes - sempre dois ou mais assistentes ou arguidos - o que, aqui no caso, manifestamente, se não verifica) bem, embora discordando, pareceu-me que a ideia que o Senhor Conselheiro Sá Nogueira quis transmitir foi a necessidade de cada um de nós não emitir, sobre questões graves, opiniões grátis, um apelo à seriedade na discussão dos assuntos já que as nossas acções têm - sempre - custos.
Ontem, estava a ver o "prós & contras" e, embora discordando do assunto das custas (valendo a minha discordância o pouco que vale, creio que a regra da responsabilidade individual pelas custas apenas é aplicável quando, pela mera existência de diversos requerentes/recorrentes haja a possibilidade, ainda que longínqua, da prolação de decisões diferentes, ou então que uma única decisão os possa afectar de modos diferentes, sendo certo que sempre serão diversas partes - sempre dois ou mais assistentes ou arguidos - o que, aqui no caso, manifestamente, se não verifica) bem, embora discordando, pareceu-me que a ideia que o Senhor Conselheiro Sá Nogueira quis transmitir foi a necessidade de cada um de nós não emitir, sobre questões graves, opiniões grátis, um apelo à seriedade na discussão dos assuntos já que as nossas acções têm - sempre - custos.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O Anarcoconservador está zangado com o país. É uma das condições do ser português, esse desânimo, esse desgosto.
Eu estou triste e pessimista, embora já esperasse o que aconteceu, e por questões de higiene não quis ver as reacções aos resultados. Guardo a minha fúria para depois, para quando a vida começar a ser preterida pela morte, para quando mulheres com doenças graves tiverem que esperar mais tempo por um diagnóstico e por uma operação do que uma menina perfeitamente saudável que ficou grávida (porque estava com os copos?) e se dirige ao SNS - que nós pagamos... -para exigir o seu direito a rapidamente matar o seu filho.
Quando isto acontecer... Bem, quando isto acontecer temos que começar a assistir ou ajudar os mais velhos na sua morte, para haver vagas, digo, em nome da inexigibilidade de sofrimento, da dignidade, etc, etc. Marque-se já o referendo, a morte tem sempre pressa.
Eu estou triste e pessimista, embora já esperasse o que aconteceu, e por questões de higiene não quis ver as reacções aos resultados. Guardo a minha fúria para depois, para quando a vida começar a ser preterida pela morte, para quando mulheres com doenças graves tiverem que esperar mais tempo por um diagnóstico e por uma operação do que uma menina perfeitamente saudável que ficou grávida (porque estava com os copos?) e se dirige ao SNS - que nós pagamos... -para exigir o seu direito a rapidamente matar o seu filho.
Quando isto acontecer... Bem, quando isto acontecer temos que começar a assistir ou ajudar os mais velhos na sua morte, para haver vagas, digo, em nome da inexigibilidade de sofrimento, da dignidade, etc, etc. Marque-se já o referendo, a morte tem sempre pressa.
Eu sabia. As rapariguinhas - as de há pouco, ainda teens, ou nos verdes vintes - tinham o ar de quem se ia vingar da vida desagradável, dos tédios do shopping, impondo aqui as coisas lá de fora, as que julgam ser-lhes destinadas. Por outro lado, a interpretação restritíssima da lei e a doce omissão, por parte dos sucessivos governos, de regulamentação sobre a matéria, levou para o sim parte da classe média, que se sentia tutelada e menorizada pela letra e, sobretudo, pela prática dos preceitos legais.
O que estava mal - e estava e não podia continuar como era - podia (e devia) ter sido modificado de outro modo. Como é hábito entre nós, o bom-senso não imperou - como não tinha imperado antes, entre os conservadores - onde me incluo - que quiseram a imobilidade impossível (e supérflua), mesmo que bem intencionada - e,por tudo isto, foi o gosto pelos lances dramáticos, sempre falhos de sensatez, os possidonismos da moda green-gauche, da esquerda-Lisnave-souvenir e a agenda oportunista de um governo medíocre o que ditou o ritmo e a amplitude da mudança.
Não digam é que esta vitória é a entrada no séc. XXI: há 100 anos, já Portugal não condenava ninguém à morte há mais de 50... - fossem quais fossem os veros motivos da abolição, esta estava feita. Em França, na Grã-Bretanha, na Alemanha a pena de morte manteve-se até há vergonhosamente pouco tempo. Nesse capítulo não temos que importar "modernidade" seja de onde for.
O que estava mal - e estava e não podia continuar como era - podia (e devia) ter sido modificado de outro modo. Como é hábito entre nós, o bom-senso não imperou - como não tinha imperado antes, entre os conservadores - onde me incluo - que quiseram a imobilidade impossível (e supérflua), mesmo que bem intencionada - e,por tudo isto, foi o gosto pelos lances dramáticos, sempre falhos de sensatez, os possidonismos da moda green-gauche, da esquerda-Lisnave-souvenir e a agenda oportunista de um governo medíocre o que ditou o ritmo e a amplitude da mudança.
Não digam é que esta vitória é a entrada no séc. XXI: há 100 anos, já Portugal não condenava ninguém à morte há mais de 50... - fossem quais fossem os veros motivos da abolição, esta estava feita. Em França, na Grã-Bretanha, na Alemanha a pena de morte manteve-se até há vergonhosamente pouco tempo. Nesse capítulo não temos que importar "modernidade" seja de onde for.
domingo, fevereiro 11, 2007
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
JPP vem alertar e prevenir as massas - sempre, sempre, ignorantes, sempre a precisarem de esclarecimentos, de quem as ilumine, de quem lhes aclare o sentido de um texto, de quem, em suma, lhes indique o caminho - sobre o artigo do «Avante!» do longínquo ano de 1937.
Lê-se nesse artigo - conforme texto no Office Lounge, via Insurgente que "o aborto é um acto inteiramente anormal e perigoso".
Não vejo, contudo, no resto do artigo - onde se escancara a porta ao relativismo - qualquer argumento no sentido de relativizar a afirmação sobre a anormalidade do aborto mas, apenas, a admissão de causas sociais e económicas que excluiriam a sua ilicitude.
Isto é, nada há que afaste ou diminua o aborto como acto anormal - sem aspas, que se trata de afirmação do «Avante!», onde o que é normal tinha - tem - necessariamente, o sentido da história.
Medite-se sem simplicidades.
Lê-se nesse artigo - conforme texto no Office Lounge, via Insurgente que "o aborto é um acto inteiramente anormal e perigoso".
Não vejo, contudo, no resto do artigo - onde se escancara a porta ao relativismo - qualquer argumento no sentido de relativizar a afirmação sobre a anormalidade do aborto mas, apenas, a admissão de causas sociais e económicas que excluiriam a sua ilicitude.
Isto é, nada há que afaste ou diminua o aborto como acto anormal - sem aspas, que se trata de afirmação do «Avante!», onde o que é normal tinha - tem - necessariamente, o sentido da história.
Medite-se sem simplicidades.
Protestos em bairros sociais do Porto
Moradores contra aumentos das rendas
Não admira... Portugal deve ser o único país - arrisco escrever do mundo - em que as rendas sociais sobem bastante mais do que as da habitação normal. Um inquilino de um apartamento dos anos 40 da Rua Castilho - daqueles com 14 divisões - e que o tenha herdado antes de 80 - tem um aumento de 3% contra os 10% ou 20% - mas que podem ser 150% ou 200% - da habitação social... (e o valor da renda em si também tem enormíssimas probabilidades de ser inferior à renda de um apartamento num bairro social do Porto).
O interessante é pensar bem nos motivos que favorecem estas nossas originalidades. Estão relacionados com o subdesenvolvimento, está bem, está bem, mas pensem bem, reflictam. É ainda mais do que isso.
Moradores contra aumentos das rendas
Não admira... Portugal deve ser o único país - arrisco escrever do mundo - em que as rendas sociais sobem bastante mais do que as da habitação normal. Um inquilino de um apartamento dos anos 40 da Rua Castilho - daqueles com 14 divisões - e que o tenha herdado antes de 80 - tem um aumento de 3% contra os 10% ou 20% - mas que podem ser 150% ou 200% - da habitação social... (e o valor da renda em si também tem enormíssimas probabilidades de ser inferior à renda de um apartamento num bairro social do Porto).
O interessante é pensar bem nos motivos que favorecem estas nossas originalidades. Estão relacionados com o subdesenvolvimento, está bem, está bem, mas pensem bem, reflictam. É ainda mais do que isso.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Sobre os novos humoristas: lia tanto encómio que resolvi ver. E pasmei: os momentos mais felizes contêm-se, em qualidade de texto e representação, no expectável de uma récita de finalistas do 11º ano de qualquer* escola secundária que decalcasse - desleixadamente - alguma britcom.
E era sobre aquilo que se escrevia, se pronunciava a palavra génio?
Houve tempo que Portugal era um país de província. Creio que se tornou num país de arrebalde, pior, de subúrbio, um pais póvoa-de-santa-iria**.
Mas estará tudo doido?
Ou terei eu tido uma congestão e ninguém me disse nada?
* ou de uma das melhorzinhas
** com todo o respeito pelos habitantes da laboriosa povoação, etc.
E era sobre aquilo que se escrevia, se pronunciava a palavra génio?
Houve tempo que Portugal era um país de província. Creio que se tornou num país de arrebalde, pior, de subúrbio, um pais póvoa-de-santa-iria**.
Mas estará tudo doido?
Ou terei eu tido uma congestão e ninguém me disse nada?
* ou de uma das melhorzinhas
** com todo o respeito pelos habitantes da laboriosa povoação, etc.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
(Creio que, em Portugal, depois da questão do aborto acabará por vir à tona a da "legislação" sobre a adopção de crianças por homossexuais.
Creio que não é necessária qualquer legislação ou permissão ou proibição: o que norteia a questão é o superior interesse da criança - e não o dos adoptantes - e parece-me pacífico que ter uma mãe e um pai, que poder chamar mãe a uma mãe e pai a um pai, está mais perto do superior interesse da criança do que qualquer outra situação. E há milhares de casais nessa situação à espera de poderem adoptar uma criança.)
Creio que não é necessária qualquer legislação ou permissão ou proibição: o que norteia a questão é o superior interesse da criança - e não o dos adoptantes - e parece-me pacífico que ter uma mãe e um pai, que poder chamar mãe a uma mãe e pai a um pai, está mais perto do superior interesse da criança do que qualquer outra situação. E há milhares de casais nessa situação à espera de poderem adoptar uma criança.)
O Conselho Superior de Magistratura abriu um inquérito ao Juiz Desembargador Dr. Rui Rangel por este ter considerado a decisão aplicada no caso de Torrres Novas "cega brutalmente injusta e desproporcional", violando assim, eventualmente, o dever de reserva.
Bem... cega, a justiça deve ser... Mas quanto ao resto, se tivesse afirmado ser a decisão brutalmente justa e proporcionadíssima também seria alvo de um inquérito disciplinar? É que o dever de reserva seria sempre violado, dissesse o que dissesse. E tantos outros magistrados se pronunciaram sobre o caso...
Bem... cega, a justiça deve ser... Mas quanto ao resto, se tivesse afirmado ser a decisão brutalmente justa e proporcionadíssima também seria alvo de um inquérito disciplinar? É que o dever de reserva seria sempre violado, dissesse o que dissesse. E tantos outros magistrados se pronunciaram sobre o caso...
Antes de adormecer - ainda há pouco! - tinha passado por aqui e aqui (Dupond & Dupont?) e agora acordo estremunhado a) sem saber se Mme. de Grignan era, também, jansenista, o que não deixa de me aborrecer por não saber onde pus as Cartas; b) contente com a justeza da observação de Nancy Mitford numa carta a Waugh sobre a tristeza do narrador em Brideshead que, julgo, me dá razão quando penso que o livro está às avessas; c) a perguntar-me se será o chocolate quente que me provoca estes pesadelos com os jardins de Sissinghurst (que tomo por um roman à clé que adormeço a ler).
Tenho de substituir o chocolate por chá de tília. Ou hibernar, se hibernar for actividade isenta de maus sonhos.
Tenho de substituir o chocolate por chá de tília. Ou hibernar, se hibernar for actividade isenta de maus sonhos.
Chega-me notícia que o Dr. Constâncio se sente de facto incomodado com o valor tão elevado do seu ordenado. Ainda bem. E como ninguém é obrigado a receber o que não quer, falta apenas agir em conformidade. Poderá, por exemplo, ganhar apenas o que ganha o seu colega norte-americano.
Estou em crer, aliás, que já terá tratado do assunto e que apenas por modéstia não publicitou que o fez.
Estou em crer, aliás, que já terá tratado do assunto e que apenas por modéstia não publicitou que o fez.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Para os mercados accionistas e financeiros do mundo inteiro, a notícia relevante do dia económico será o discurso de Ben Bernanke, de onde poderão sair algumas indicações sobre a evolução das taxas de juro do dólar.
Quem é Ben Bernanke? É o director do FED, o equivalente norte-americano de um banco central. Do Banco de Portugal, por exemplo. Às mais óbvias diferenças - não nos esqueçamos que hoje grande parte das atribuições do Banco de Portugal passaram para o Banco Central Europeu - acresce uma outra que já disse uma vez neste blog, por ter sido uma notícia que verdadeiramente me chocou e emparveceu: Ben Bernanke tem um ordenado inferior (em termos absolutos e relativos) ao Dr. Constâncio.
Isto não é uma denúncia populista, é notar a absoluta falta de escrúpulos - e a absoluta impunidade - com que o erário público português é assaltado para alimento deste devorismo. É notar, também, o que é espírito de serviço público nos Estados Unidos e aqui, e isso já é um problema maior, não um fait divers a alimentar indignações popularuchas. Espírito de serviço público e de controlo. Pelo que pude apurar, foram os próprios administradores do Banco de Portugal que se atribuíram tais ordenados. Ao invés, nos Estados Unidos os ordenados de grande parte dos alto funcionários são fixados pelo Congresso e não duvido que aqui se terá que caminhar para uma solução idêntica.
Entretanto, eu gostava de ouvir uma resposta. Não haverá ninguém que pergunte, pausadamente, educadamente, ao Dr. Constâncio se ele não tem vergonha do que ganha, se não sente pejo, se não se sente mal?
Quem é Ben Bernanke? É o director do FED, o equivalente norte-americano de um banco central. Do Banco de Portugal, por exemplo. Às mais óbvias diferenças - não nos esqueçamos que hoje grande parte das atribuições do Banco de Portugal passaram para o Banco Central Europeu - acresce uma outra que já disse uma vez neste blog, por ter sido uma notícia que verdadeiramente me chocou e emparveceu: Ben Bernanke tem um ordenado inferior (em termos absolutos e relativos) ao Dr. Constâncio.
Isto não é uma denúncia populista, é notar a absoluta falta de escrúpulos - e a absoluta impunidade - com que o erário público português é assaltado para alimento deste devorismo. É notar, também, o que é espírito de serviço público nos Estados Unidos e aqui, e isso já é um problema maior, não um fait divers a alimentar indignações popularuchas. Espírito de serviço público e de controlo. Pelo que pude apurar, foram os próprios administradores do Banco de Portugal que se atribuíram tais ordenados. Ao invés, nos Estados Unidos os ordenados de grande parte dos alto funcionários são fixados pelo Congresso e não duvido que aqui se terá que caminhar para uma solução idêntica.
Entretanto, eu gostava de ouvir uma resposta. Não haverá ninguém que pergunte, pausadamente, educadamente, ao Dr. Constâncio se ele não tem vergonha do que ganha, se não sente pejo, se não se sente mal?
Tamino:
Zu Hülfe! zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Zu Hülfe! Zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Der listigen Schlange zum Opfer erkoren,
Barmherzigige Götter!
Schon nahet sie sich,
Schon nahet sie sich,
Ach, rettet mich, ach! rettet, rettet, schützet mich!
Ach schützet, schützet, rettet, rettet mich!
Rettet, schützet mich!
Die Zauberflöte
Zu Hülfe! zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Zu Hülfe! Zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Der listigen Schlange zum Opfer erkoren,
Barmherzigige Götter!
Schon nahet sie sich,
Schon nahet sie sich,
Ach, rettet mich, ach! rettet, rettet, schützet mich!
Ach schützet, schützet, rettet, rettet mich!
Rettet, schützet mich!
Die Zauberflöte
sábado, fevereiro 03, 2007
Por aqui, subdesenvolvimento e ignorância:
A política criminal nada tem a ver com a ética? A politica latu sensu nada tem a ver com a ética? A política é uma disciplina da ética!
Entretanto, na verde Suiça,
O Tribunal Federal da Suíça abriu a possibilidade de pessoas com graves doenças mentais serem ajudadas por médicos a porem termo à vida, conquanto tenha indeferido, em concreto, o pedido que deu origem à sentença.
Aqui e lá, a cultura da morte. Lembro-me de achar exagerado o termo quando o ouvi pela primeira vez dito por João Paulo II. Creio que apenas agora começo a perceber bem toda a extensão do problema, o perigo de que, enquanto civilização, abdiquemos a vida: tal como Jacinto, palpamos a caveira e respondemos ao tédio com o macabro - nem sequer já o macabro que dança - e exige de nós o conhecimento dos passos (ou do jogo) - mas outro, de imitação, que já não interroga, nada pede, que cultua uma morte de onde estaremos, afinal, ausentes, passivos, a morte manipulada, a morte bem-estar, a morte-spa.
A política criminal nada tem a ver com a ética? A politica latu sensu nada tem a ver com a ética? A política é uma disciplina da ética!
Entretanto, na verde Suiça,
O Tribunal Federal da Suíça abriu a possibilidade de pessoas com graves doenças mentais serem ajudadas por médicos a porem termo à vida, conquanto tenha indeferido, em concreto, o pedido que deu origem à sentença.
Aqui e lá, a cultura da morte. Lembro-me de achar exagerado o termo quando o ouvi pela primeira vez dito por João Paulo II. Creio que apenas agora começo a perceber bem toda a extensão do problema, o perigo de que, enquanto civilização, abdiquemos a vida: tal como Jacinto, palpamos a caveira e respondemos ao tédio com o macabro - nem sequer já o macabro que dança - e exige de nós o conhecimento dos passos (ou do jogo) - mas outro, de imitação, que já não interroga, nada pede, que cultua uma morte de onde estaremos, afinal, ausentes, passivos, a morte manipulada, a morte bem-estar, a morte-spa.
A pretexto do referendo, uma imensa boçalidade impregna muitos blogs.
Gosto de uma boa bulha mas esta falta de modos - e de tolerância e de respeito e de... - está a passar os limites do suportável.
Voto no Não - fica dito mais uma vez - mas, dado que não tenho nada a dizer que por outros não seja mais bem dito, creio que não será um egoísmo se me dedicar a outros assuntos.
Gosto de uma boa bulha mas esta falta de modos - e de tolerância e de respeito e de... - está a passar os limites do suportável.
Voto no Não - fica dito mais uma vez - mas, dado que não tenho nada a dizer que por outros não seja mais bem dito, creio que não será um egoísmo se me dedicar a outros assuntos.
sexta-feira, fevereiro 02, 2007
Charlotte transcreve o artigo de Vasco Pulido Valente sobre o referendo do aborto.
Poderia ser, e com poucos mutatis mutandis, um artigo sobre um referendo da pena de morte.
E eu votaria, de igual modo, não.
No Da literatura transcreve-se outro artigo, este de Ana Cristina Leonardo que, por sua vez transcreve um texto de um filósofo português, Pedro Madeira: «[...] é, de qualquer modo, falso que, se um ser tem potencialmente um direito, então tem, efectivamente, esse direito. Enquanto cidadão português, sou potencialmente presidente da República; o presidente da República é o Comandante Supremo das Forças Armadas; no entanto, daí não se segue que eu seja agora o Comandante Supremo das Forças Armadas»
Sim, mas... depende da natureza do direito. Aquele de que se fala no texto -a eleição -, desde logo exige o assentimento e colaboração de terceiros (assentimento e colaboração que, se não forem dados, não coarctam qualquer direito).
Já outros há que não dependem senão do decurso do tempo: a maioridade, por exemplo - e o direito regula os direitos do menor enquanto tal e os do menor enquanto futuro maior (regras para administrar o seu património, direito a saber como foram administrados bens que haja adquirido - por via de heranças, por exemplo).
Há direitos concedidos enquanto ainda se não é, para quando se for...
O direito conhece o tempo e as transformações que sofremos nele.
Sobre potencialidades.*
* Modifiquei este post, para correcção de vários lapsos e ideias (menos ideias do que lapsos)...
Poderia ser, e com poucos mutatis mutandis, um artigo sobre um referendo da pena de morte.
E eu votaria, de igual modo, não.
No Da literatura transcreve-se outro artigo, este de Ana Cristina Leonardo que, por sua vez transcreve um texto de um filósofo português, Pedro Madeira: «[...] é, de qualquer modo, falso que, se um ser tem potencialmente um direito, então tem, efectivamente, esse direito. Enquanto cidadão português, sou potencialmente presidente da República; o presidente da República é o Comandante Supremo das Forças Armadas; no entanto, daí não se segue que eu seja agora o Comandante Supremo das Forças Armadas»
Sim, mas... depende da natureza do direito. Aquele de que se fala no texto -a eleição -, desde logo exige o assentimento e colaboração de terceiros (assentimento e colaboração que, se não forem dados, não coarctam qualquer direito).
Já outros há que não dependem senão do decurso do tempo: a maioridade, por exemplo - e o direito regula os direitos do menor enquanto tal e os do menor enquanto futuro maior (regras para administrar o seu património, direito a saber como foram administrados bens que haja adquirido - por via de heranças, por exemplo).
Há direitos concedidos enquanto ainda se não é, para quando se for...
O direito conhece o tempo e as transformações que sofremos nele.
Sobre potencialidades.*
* Modifiquei este post, para correcção de vários lapsos e ideias (menos ideias do que lapsos)...
No Blog do Não
Para além das banalidades:
«Mais: o “autonomismo” tem-se reflectido também na compreensão
da vida intra-uterina: sendo desejada a gravidez, fala-se de bebé; caso
contrário, recusa-se a expressão e, no limite e nos primeiros tempos, diz-se que
não passa de um agregado de células. Como se a objectividade do estatuto,
ainda que conflitual na esfera pública, pudesse depender da pura subjectividade.
Estamos, pois, numa “sociedade de vivência(s)”[...], em que o horizonte tradicional
de procura de fundamentantes razões é abandonado, numa “idade de
incerteza”» , pg. 14
e ainda (op. cit., loc. cit):
Como assinala Francesco D’Agostino [...], não raro assiste-se a uma
“redução” de uma questão ética a psicológica, tratando o aborto em termos de
uma “dinâmica auto-referencial” e não numa “dinâmica relacional”[...]. Esta última,
verdadeiramente, capta o essencial do problema: a existência de um outro,
ou seja, do filho, cuja vida se deve respeitar. O eixo é, pois, o da relacionalidade [...]
e o da alteridade, devendo recusar-se o poder fáustico e o império da
vontade, advogados pelo “autonomismo”.
Prof. João Loureiro, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
Para além das banalidades:
«Mais: o “autonomismo” tem-se reflectido também na compreensão
da vida intra-uterina: sendo desejada a gravidez, fala-se de bebé; caso
contrário, recusa-se a expressão e, no limite e nos primeiros tempos, diz-se que
não passa de um agregado de células. Como se a objectividade do estatuto,
ainda que conflitual na esfera pública, pudesse depender da pura subjectividade.
Estamos, pois, numa “sociedade de vivência(s)”[...], em que o horizonte tradicional
de procura de fundamentantes razões é abandonado, numa “idade de
incerteza”» , pg. 14
e ainda (op. cit., loc. cit):
Como assinala Francesco D’Agostino [...], não raro assiste-se a uma
“redução” de uma questão ética a psicológica, tratando o aborto em termos de
uma “dinâmica auto-referencial” e não numa “dinâmica relacional”[...]. Esta última,
verdadeiramente, capta o essencial do problema: a existência de um outro,
ou seja, do filho, cuja vida se deve respeitar. O eixo é, pois, o da relacionalidade [...]
e o da alteridade, devendo recusar-se o poder fáustico e o império da
vontade, advogados pelo “autonomismo”.
Prof. João Loureiro, da Faculdade de Direito da Universidade de Coimbra
Ontem, o acólito lembrou os fiéis, principalmente as fiéis, que hoje era dia de Nossa Senhora das Candeias. A origem desta festa é uma procissão pagã, romana, em honra de Ceres chorosa pelo sequestro de Proserpina, com vestais e matronas compadecidas e archotes.
Encontrei no google ditados metereológicos:
- Se a Senhora das Candeias rir, está o inverno para vir.
- Se a Senhora das Candeias chora, está o inverno fora.
- Se a Senhora das Candeias ri e chora, está o inverno meio dentro e meio fora.
Aqui está bom tempo, a invernia vem aí.
Encontrei no google ditados metereológicos:
- Se a Senhora das Candeias rir, está o inverno para vir.
- Se a Senhora das Candeias chora, está o inverno fora.
- Se a Senhora das Candeias ri e chora, está o inverno meio dentro e meio fora.
Aqui está bom tempo, a invernia vem aí.
Colóquios em obras
- Era preciso aqui uma coisa, assim aquilo lá de baixo já passava e depois era só pôr aqui um igual, mas isso já se arranjava com aquele que ali está, se não fosse aquilo.
- Uma coisa dessas, mas sem ser de metal por causa daquilo. O que estava ainda era a que tinha vindo?
- Acho que sim.
- Só se aproveitasse uma daquelas ali, como aquela para aqui, era só desbastá-la e era capaz de já passar.
- E ali não faz falta?
- Aguenta-se bem.
- É pena é já não haver com os tais três e meio.
- Deve haver, haver deve haver. Há aquelas, iguais às das lá de cima mas têm aquelas coisas de lado, não entram, senão adaptava-se aqui.
- Aposto que na América há.
- O pior é o nome. Como é que eles chamam a isto lá?
- Não sei, mas explicava.
- E na Rua da Prata?
- Talvez, mas não acredito. Isto era ver se na América ainda fabricam, mesmo que já não sejam bem bem iguais.
- Era preciso aqui uma coisa, assim aquilo lá de baixo já passava e depois era só pôr aqui um igual, mas isso já se arranjava com aquele que ali está, se não fosse aquilo.
- Uma coisa dessas, mas sem ser de metal por causa daquilo. O que estava ainda era a que tinha vindo?
- Acho que sim.
- Só se aproveitasse uma daquelas ali, como aquela para aqui, era só desbastá-la e era capaz de já passar.
- E ali não faz falta?
- Aguenta-se bem.
- É pena é já não haver com os tais três e meio.
- Deve haver, haver deve haver. Há aquelas, iguais às das lá de cima mas têm aquelas coisas de lado, não entram, senão adaptava-se aqui.
- Aposto que na América há.
- O pior é o nome. Como é que eles chamam a isto lá?
- Não sei, mas explicava.
- E na Rua da Prata?
- Talvez, mas não acredito. Isto era ver se na América ainda fabricam, mesmo que já não sejam bem bem iguais.
quinta-feira, fevereiro 01, 2007
1º de Fevereiro de 1908
São já 99 os anos que passam sobre o assassinato d'El-Rei Dom Carlos I e do Príncipe Dom Luís Filipe.
É um dia de luto para os monárquicos portugueses e deveria ser, ao menos, de meditação para todos os outros: foi em nome de uma ilusão absurda, criminosamente cultivada, que caíram, sacrificados, El-Rei e o Príncipe Real. O sangue desse crime continua, hoje ainda, sobre nós e os frutos dessa ignomínia são esta vil, apagada tristeza que, sem grandeza, não é trágica; que nem sequer é ridícula: é este apagado não ser.
São já 99 os anos que passam sobre o assassinato d'El-Rei Dom Carlos I e do Príncipe Dom Luís Filipe.
É um dia de luto para os monárquicos portugueses e deveria ser, ao menos, de meditação para todos os outros: foi em nome de uma ilusão absurda, criminosamente cultivada, que caíram, sacrificados, El-Rei e o Príncipe Real. O sangue desse crime continua, hoje ainda, sobre nós e os frutos dessa ignomínia são esta vil, apagada tristeza que, sem grandeza, não é trágica; que nem sequer é ridícula: é este apagado não ser.
quarta-feira, janeiro 31, 2007
Parece-me que há um erro no que diz, um grande erro: não seríamos todos nós, cidadãos comuns, quem estaria sujeito à inversão do ónus da prova, mas quem, e apenas quem, exercesse cargos públicos. Será um dos ossos do ofício da coisa pública, como já acontece no Reino Unido, a pátria do rule of the law que invoca para rejeitar a proposta. Referiu-se a esse regime britânico o Prof. Marcelo Rebelo de Sousa - que não esqueceu que, a apontar no mesmo sentido, existe já uma directiva comunitária.
Coisas enternecedoras - e todas elas vindas de Paris!
Os RG, Renseignements Généraux, os serviços de informações gerais (as alegrias que a república francesa me dá são infindáveis!) teriam recebido ordens para investigar o património imobiliário de Madame Royal, a candidata socialista ao trono do Eliseu. Teriam sido as informações destes amáveis serviços que forçaram a candidata socialista a declarar que sim, que pagava imposto sobre a fortuna (é coisa que nunca deixa de me espantar, a aptidão dos socialistas para fazerem fortuna e, acima de tudo, o conservarem-na com tanto empenho e eficácia).
A outra notícia que veio da repúblique da Gália foi a do uso de testes de ADN em alguns suspeitos habituais para determinar quem, há dias, tinha roubado a lambretta do filho do ministro de la république, Sarkozy. Uma diligência que faz ternura, de facto: é a fraternité aplicada ao rebento ministerial, com algum esquecimento da égalité, já que parece nunca ter sido usado método tão científico para detectar os autores dos outros milhares de roubos de duas rodas. A notícia não especificava se os acusados tinham ficado em liberté.
Os RG, Renseignements Généraux, os serviços de informações gerais (as alegrias que a república francesa me dá são infindáveis!) teriam recebido ordens para investigar o património imobiliário de Madame Royal, a candidata socialista ao trono do Eliseu. Teriam sido as informações destes amáveis serviços que forçaram a candidata socialista a declarar que sim, que pagava imposto sobre a fortuna (é coisa que nunca deixa de me espantar, a aptidão dos socialistas para fazerem fortuna e, acima de tudo, o conservarem-na com tanto empenho e eficácia).
A outra notícia que veio da repúblique da Gália foi a do uso de testes de ADN em alguns suspeitos habituais para determinar quem, há dias, tinha roubado a lambretta do filho do ministro de la république, Sarkozy. Uma diligência que faz ternura, de facto: é a fraternité aplicada ao rebento ministerial, com algum esquecimento da égalité, já que parece nunca ter sido usado método tão científico para detectar os autores dos outros milhares de roubos de duas rodas. A notícia não especificava se os acusados tinham ficado em liberté.
terça-feira, janeiro 30, 2007
segunda-feira, janeiro 29, 2007

Depois de saber tudo sobre Masson, descobri ontem que Miss Pearls era bibliotecária. Percebi o porquê de um blog aparentemente tão - uhm, como dizer? - sensato e recatado, emanar uma carga erótica tão... tão intensa, tão Cancioneiro Geral, uma licenciosidade delicada e perturbantemente gótico-manuelina. Fiquei a saber, mas ainda não me recompus verdadeiramente.
Em labirintos e arabescos repousava de alguns rectos intentos a que, por falta de engenho, não alcancei furtar-me, quando vi que aqui se publicava o nome do autor deste blog. Fui numa carreira ao google ver quem era. Lá estava: MARTINS, JOSÉ - Nasceu em meados do século passado [séc. XIX], em Patos, segundo informa Átila Almeida.
Tal como supusera, mais coisa menos coisa.
Curiosidade satisfeita, volto para onde estava.
Tal como supusera, mais coisa menos coisa.
Curiosidade satisfeita, volto para onde estava.
quarta-feira, janeiro 24, 2007
terça-feira, janeiro 23, 2007
Esta minha assiduidade aqui, no blog, radica, creio, no medo de existir que, segundo José Gil, compartilho com os demais portugueses: não quero que o meu algum cansaço do Impensável se inscreva, fique registado pela omissão, e obrigo-me a escrever ainda mais um post.
Vou ter de combater esta compulsão timorata.
Vou ter de combater esta compulsão timorata.
segunda-feira, janeiro 22, 2007
O que mais gostei hoje nos blogs:
"(...) alguém que tão abnegadamente se eregeu em ombudsman blogosférico da imprensa (...)"
Eregeu é um achado. Significará, creio, erigir perto ou nas costas do mar Egeu, ou, fig: erigir argumentos, argumentar com os métodos dos sofistas das proximidades do Egeu.
P.S. Mesquinho? Seja, mas tenho para mim que o eregeu não é lapso.
"(...) alguém que tão abnegadamente se eregeu em ombudsman blogosférico da imprensa (...)"
Eregeu é um achado. Significará, creio, erigir perto ou nas costas do mar Egeu, ou, fig: erigir argumentos, argumentar com os métodos dos sofistas das proximidades do Egeu.
P.S. Mesquinho? Seja, mas tenho para mim que o eregeu não é lapso.
domingo, janeiro 21, 2007
Cheguei há 10 minutos do depois de jantar em casa de amigos. Noite muito divertida, estive com gente que não via há muito e que gostei de rever.
O poema em que tinha pensado para hoje era o Neutral Tones do Thomas Hardy, apenas por falar de dias de inverno. Gosto muito da terrífica terceira estrofe.
NEUTRAL TONES
We stood by a pond that winter day,
And the sun was white, as though chidden of God,
And a few leaves lay on the starving sod,
-They had fallen from an ash, and were gray.
Your eyes on me were as eyes that rove
Over tedious riddles solved years ago;
And some words played between us to and fro -
On which lost the more by our love.
The smile on your mouth was the deadest thing
Alive enough to have strength to die;
And a grin of bitterness swept thereby
Like an ominous bird a-wing….
Since then, keen lessons that love deceives,
And wrings with wrong, have shaped to me
Your face, and the God-curst sun, and a tree,
And a pond edged with grayish leaves.
O poema em que tinha pensado para hoje era o Neutral Tones do Thomas Hardy, apenas por falar de dias de inverno. Gosto muito da terrífica terceira estrofe.
NEUTRAL TONES
We stood by a pond that winter day,
And the sun was white, as though chidden of God,
And a few leaves lay on the starving sod,
-They had fallen from an ash, and were gray.
Your eyes on me were as eyes that rove
Over tedious riddles solved years ago;
And some words played between us to and fro -
On which lost the more by our love.
The smile on your mouth was the deadest thing
Alive enough to have strength to die;
And a grin of bitterness swept thereby
Like an ominous bird a-wing….
Since then, keen lessons that love deceives,
And wrings with wrong, have shaped to me
Your face, and the God-curst sun, and a tree,
And a pond edged with grayish leaves.
sábado, janeiro 20, 2007
A Associação Sindical [sic] de Juízes Portugueses elaborou, a propósito do caso de Torres Novas, um comunicado tão inexplicável quanto ela própria.
Chamou-me nele a atenção esta frase, logo no início - não, não é sobre o problema da "legitimação" embora seja suculento - mas refiro-me ao esclarecimento sobre a admissibilidade de critica:
« Numa sociedade democrática e plural, tendo em conta que a transparência e a crítica são valores inerentes à legitimação democrática dos tribunais, é admissível que as decisões judiciais sejam sujeitas ao escrutínio dos cidadãos, assumindo aí a comunicação social uma função importante. »
É só para dizer que numa democracia não é apenas admissível o escrutínio, pelos cidadãos, das decisões judicias mas absolutamente imprescindível.
Afinal, não são eles o Povo em nome do qual se administra Justiça?
Ou o Povo será, meramente, a entidade patronal?
Chamou-me nele a atenção esta frase, logo no início - não, não é sobre o problema da "legitimação" embora seja suculento - mas refiro-me ao esclarecimento sobre a admissibilidade de critica:
« Numa sociedade democrática e plural, tendo em conta que a transparência e a crítica são valores inerentes à legitimação democrática dos tribunais, é admissível que as decisões judiciais sejam sujeitas ao escrutínio dos cidadãos, assumindo aí a comunicação social uma função importante. »
É só para dizer que numa democracia não é apenas admissível o escrutínio, pelos cidadãos, das decisões judicias mas absolutamente imprescindível.
Afinal, não são eles o Povo em nome do qual se administra Justiça?
Ou o Povo será, meramente, a entidade patronal?
Subscrever:
Mensagens (Atom)








