terça-feira, fevereiro 13, 2007
Tenho uma leitura - que é, quase sempre, uma releitura - para dormir. A destes dias tem sido a «Autobiografia» de Agatha Christie, que li pela primeira vez há uns dois anos. É inteligente, bem-humorada e bem escrita. Ontem, li uma descrição de um grupo de viajantes anglo-católicas e da sua leader e guia, uma temível Miss, pelas ruínas bíblicas de Babilónia. Christie transcreve algumas das espantosas afirmações que aquela profere sobre as pobres senhoras do seu grupo e não há dúvida: aquele modo de falar firme, insuportável, eficiente é o discurso de uma vítima plausível, de alguém que podia, com verosimilhança, ser liquidada por qualquer uma das desgraçada excursionistas, por qualquer daquelas poors things ameaçadas de total exaustão, quanto por uma questão de mera sensatez textual. Mas as velhas senhoras continuaram a viagem sem homicídios, no Iraque de há 70 anos, e não deixamos - eu não deixei - de sentir-me defraudado.
Um bom dia de Inverno, triste, chuvoso.
Ontem, estava a ver o "prós & contras" e, embora discordando do assunto das custas (valendo a minha discordância o pouco que vale, creio que a regra da responsabilidade individual pelas custas apenas é aplicável quando, pela mera existência de diversos requerentes/recorrentes haja a possibilidade, ainda que longínqua, da prolação de decisões diferentes, ou então que uma única decisão os possa afectar de modos diferentes, sendo certo que sempre serão diversas partes - sempre dois ou mais assistentes ou arguidos - o que, aqui no caso, manifestamente, se não verifica) bem, embora discordando, pareceu-me que a ideia que o Senhor Conselheiro Sá Nogueira quis transmitir foi a necessidade de cada um de nós não emitir, sobre questões graves, opiniões grátis, um apelo à seriedade na discussão dos assuntos já que as nossas acções têm - sempre - custos.
Ontem, estava a ver o "prós & contras" e, embora discordando do assunto das custas (valendo a minha discordância o pouco que vale, creio que a regra da responsabilidade individual pelas custas apenas é aplicável quando, pela mera existência de diversos requerentes/recorrentes haja a possibilidade, ainda que longínqua, da prolação de decisões diferentes, ou então que uma única decisão os possa afectar de modos diferentes, sendo certo que sempre serão diversas partes - sempre dois ou mais assistentes ou arguidos - o que, aqui no caso, manifestamente, se não verifica) bem, embora discordando, pareceu-me que a ideia que o Senhor Conselheiro Sá Nogueira quis transmitir foi a necessidade de cada um de nós não emitir, sobre questões graves, opiniões grátis, um apelo à seriedade na discussão dos assuntos já que as nossas acções têm - sempre - custos.
segunda-feira, fevereiro 12, 2007
O Anarcoconservador está zangado com o país. É uma das condições do ser português, esse desânimo, esse desgosto.
Eu estou triste e pessimista, embora já esperasse o que aconteceu, e por questões de higiene não quis ver as reacções aos resultados. Guardo a minha fúria para depois, para quando a vida começar a ser preterida pela morte, para quando mulheres com doenças graves tiverem que esperar mais tempo por um diagnóstico e por uma operação do que uma menina perfeitamente saudável que ficou grávida (porque estava com os copos?) e se dirige ao SNS - que nós pagamos... -para exigir o seu direito a rapidamente matar o seu filho.
Quando isto acontecer... Bem, quando isto acontecer temos que começar a assistir ou ajudar os mais velhos na sua morte, para haver vagas, digo, em nome da inexigibilidade de sofrimento, da dignidade, etc, etc. Marque-se já o referendo, a morte tem sempre pressa.
Eu estou triste e pessimista, embora já esperasse o que aconteceu, e por questões de higiene não quis ver as reacções aos resultados. Guardo a minha fúria para depois, para quando a vida começar a ser preterida pela morte, para quando mulheres com doenças graves tiverem que esperar mais tempo por um diagnóstico e por uma operação do que uma menina perfeitamente saudável que ficou grávida (porque estava com os copos?) e se dirige ao SNS - que nós pagamos... -para exigir o seu direito a rapidamente matar o seu filho.
Quando isto acontecer... Bem, quando isto acontecer temos que começar a assistir ou ajudar os mais velhos na sua morte, para haver vagas, digo, em nome da inexigibilidade de sofrimento, da dignidade, etc, etc. Marque-se já o referendo, a morte tem sempre pressa.
Eu sabia. As rapariguinhas - as de há pouco, ainda teens, ou nos verdes vintes - tinham o ar de quem se ia vingar da vida desagradável, dos tédios do shopping, impondo aqui as coisas lá de fora, as que julgam ser-lhes destinadas. Por outro lado, a interpretação restritíssima da lei e a doce omissão, por parte dos sucessivos governos, de regulamentação sobre a matéria, levou para o sim parte da classe média, que se sentia tutelada e menorizada pela letra e, sobretudo, pela prática dos preceitos legais.
O que estava mal - e estava e não podia continuar como era - podia (e devia) ter sido modificado de outro modo. Como é hábito entre nós, o bom-senso não imperou - como não tinha imperado antes, entre os conservadores - onde me incluo - que quiseram a imobilidade impossível (e supérflua), mesmo que bem intencionada - e,por tudo isto, foi o gosto pelos lances dramáticos, sempre falhos de sensatez, os possidonismos da moda green-gauche, da esquerda-Lisnave-souvenir e a agenda oportunista de um governo medíocre o que ditou o ritmo e a amplitude da mudança.
Não digam é que esta vitória é a entrada no séc. XXI: há 100 anos, já Portugal não condenava ninguém à morte há mais de 50... - fossem quais fossem os veros motivos da abolição, esta estava feita. Em França, na Grã-Bretanha, na Alemanha a pena de morte manteve-se até há vergonhosamente pouco tempo. Nesse capítulo não temos que importar "modernidade" seja de onde for.
O que estava mal - e estava e não podia continuar como era - podia (e devia) ter sido modificado de outro modo. Como é hábito entre nós, o bom-senso não imperou - como não tinha imperado antes, entre os conservadores - onde me incluo - que quiseram a imobilidade impossível (e supérflua), mesmo que bem intencionada - e,por tudo isto, foi o gosto pelos lances dramáticos, sempre falhos de sensatez, os possidonismos da moda green-gauche, da esquerda-Lisnave-souvenir e a agenda oportunista de um governo medíocre o que ditou o ritmo e a amplitude da mudança.
Não digam é que esta vitória é a entrada no séc. XXI: há 100 anos, já Portugal não condenava ninguém à morte há mais de 50... - fossem quais fossem os veros motivos da abolição, esta estava feita. Em França, na Grã-Bretanha, na Alemanha a pena de morte manteve-se até há vergonhosamente pouco tempo. Nesse capítulo não temos que importar "modernidade" seja de onde for.
domingo, fevereiro 11, 2007
sexta-feira, fevereiro 09, 2007
JPP vem alertar e prevenir as massas - sempre, sempre, ignorantes, sempre a precisarem de esclarecimentos, de quem as ilumine, de quem lhes aclare o sentido de um texto, de quem, em suma, lhes indique o caminho - sobre o artigo do «Avante!» do longínquo ano de 1937.
Lê-se nesse artigo - conforme texto no Office Lounge, via Insurgente que "o aborto é um acto inteiramente anormal e perigoso".
Não vejo, contudo, no resto do artigo - onde se escancara a porta ao relativismo - qualquer argumento no sentido de relativizar a afirmação sobre a anormalidade do aborto mas, apenas, a admissão de causas sociais e económicas que excluiriam a sua ilicitude.
Isto é, nada há que afaste ou diminua o aborto como acto anormal - sem aspas, que se trata de afirmação do «Avante!», onde o que é normal tinha - tem - necessariamente, o sentido da história.
Medite-se sem simplicidades.
Lê-se nesse artigo - conforme texto no Office Lounge, via Insurgente que "o aborto é um acto inteiramente anormal e perigoso".
Não vejo, contudo, no resto do artigo - onde se escancara a porta ao relativismo - qualquer argumento no sentido de relativizar a afirmação sobre a anormalidade do aborto mas, apenas, a admissão de causas sociais e económicas que excluiriam a sua ilicitude.
Isto é, nada há que afaste ou diminua o aborto como acto anormal - sem aspas, que se trata de afirmação do «Avante!», onde o que é normal tinha - tem - necessariamente, o sentido da história.
Medite-se sem simplicidades.
Protestos em bairros sociais do Porto
Moradores contra aumentos das rendas
Não admira... Portugal deve ser o único país - arrisco escrever do mundo - em que as rendas sociais sobem bastante mais do que as da habitação normal. Um inquilino de um apartamento dos anos 40 da Rua Castilho - daqueles com 14 divisões - e que o tenha herdado antes de 80 - tem um aumento de 3% contra os 10% ou 20% - mas que podem ser 150% ou 200% - da habitação social... (e o valor da renda em si também tem enormíssimas probabilidades de ser inferior à renda de um apartamento num bairro social do Porto).
O interessante é pensar bem nos motivos que favorecem estas nossas originalidades. Estão relacionados com o subdesenvolvimento, está bem, está bem, mas pensem bem, reflictam. É ainda mais do que isso.
Moradores contra aumentos das rendas
Não admira... Portugal deve ser o único país - arrisco escrever do mundo - em que as rendas sociais sobem bastante mais do que as da habitação normal. Um inquilino de um apartamento dos anos 40 da Rua Castilho - daqueles com 14 divisões - e que o tenha herdado antes de 80 - tem um aumento de 3% contra os 10% ou 20% - mas que podem ser 150% ou 200% - da habitação social... (e o valor da renda em si também tem enormíssimas probabilidades de ser inferior à renda de um apartamento num bairro social do Porto).
O interessante é pensar bem nos motivos que favorecem estas nossas originalidades. Estão relacionados com o subdesenvolvimento, está bem, está bem, mas pensem bem, reflictam. É ainda mais do que isso.
quinta-feira, fevereiro 08, 2007
Sobre os novos humoristas: lia tanto encómio que resolvi ver. E pasmei: os momentos mais felizes contêm-se, em qualidade de texto e representação, no expectável de uma récita de finalistas do 11º ano de qualquer* escola secundária que decalcasse - desleixadamente - alguma britcom.
E era sobre aquilo que se escrevia, se pronunciava a palavra génio?
Houve tempo que Portugal era um país de província. Creio que se tornou num país de arrebalde, pior, de subúrbio, um pais póvoa-de-santa-iria**.
Mas estará tudo doido?
Ou terei eu tido uma congestão e ninguém me disse nada?
* ou de uma das melhorzinhas
** com todo o respeito pelos habitantes da laboriosa povoação, etc.
E era sobre aquilo que se escrevia, se pronunciava a palavra génio?
Houve tempo que Portugal era um país de província. Creio que se tornou num país de arrebalde, pior, de subúrbio, um pais póvoa-de-santa-iria**.
Mas estará tudo doido?
Ou terei eu tido uma congestão e ninguém me disse nada?
* ou de uma das melhorzinhas
** com todo o respeito pelos habitantes da laboriosa povoação, etc.
quarta-feira, fevereiro 07, 2007
(Creio que, em Portugal, depois da questão do aborto acabará por vir à tona a da "legislação" sobre a adopção de crianças por homossexuais.
Creio que não é necessária qualquer legislação ou permissão ou proibição: o que norteia a questão é o superior interesse da criança - e não o dos adoptantes - e parece-me pacífico que ter uma mãe e um pai, que poder chamar mãe a uma mãe e pai a um pai, está mais perto do superior interesse da criança do que qualquer outra situação. E há milhares de casais nessa situação à espera de poderem adoptar uma criança.)
Creio que não é necessária qualquer legislação ou permissão ou proibição: o que norteia a questão é o superior interesse da criança - e não o dos adoptantes - e parece-me pacífico que ter uma mãe e um pai, que poder chamar mãe a uma mãe e pai a um pai, está mais perto do superior interesse da criança do que qualquer outra situação. E há milhares de casais nessa situação à espera de poderem adoptar uma criança.)
O Conselho Superior de Magistratura abriu um inquérito ao Juiz Desembargador Dr. Rui Rangel por este ter considerado a decisão aplicada no caso de Torrres Novas "cega brutalmente injusta e desproporcional", violando assim, eventualmente, o dever de reserva.
Bem... cega, a justiça deve ser... Mas quanto ao resto, se tivesse afirmado ser a decisão brutalmente justa e proporcionadíssima também seria alvo de um inquérito disciplinar? É que o dever de reserva seria sempre violado, dissesse o que dissesse. E tantos outros magistrados se pronunciaram sobre o caso...
Bem... cega, a justiça deve ser... Mas quanto ao resto, se tivesse afirmado ser a decisão brutalmente justa e proporcionadíssima também seria alvo de um inquérito disciplinar? É que o dever de reserva seria sempre violado, dissesse o que dissesse. E tantos outros magistrados se pronunciaram sobre o caso...
Antes de adormecer - ainda há pouco! - tinha passado por aqui e aqui (Dupond & Dupont?) e agora acordo estremunhado a) sem saber se Mme. de Grignan era, também, jansenista, o que não deixa de me aborrecer por não saber onde pus as Cartas; b) contente com a justeza da observação de Nancy Mitford numa carta a Waugh sobre a tristeza do narrador em Brideshead que, julgo, me dá razão quando penso que o livro está às avessas; c) a perguntar-me se será o chocolate quente que me provoca estes pesadelos com os jardins de Sissinghurst (que tomo por um roman à clé que adormeço a ler).
Tenho de substituir o chocolate por chá de tília. Ou hibernar, se hibernar for actividade isenta de maus sonhos.
Tenho de substituir o chocolate por chá de tília. Ou hibernar, se hibernar for actividade isenta de maus sonhos.
Chega-me notícia que o Dr. Constâncio se sente de facto incomodado com o valor tão elevado do seu ordenado. Ainda bem. E como ninguém é obrigado a receber o que não quer, falta apenas agir em conformidade. Poderá, por exemplo, ganhar apenas o que ganha o seu colega norte-americano.
Estou em crer, aliás, que já terá tratado do assunto e que apenas por modéstia não publicitou que o fez.
Estou em crer, aliás, que já terá tratado do assunto e que apenas por modéstia não publicitou que o fez.
terça-feira, fevereiro 06, 2007
Para os mercados accionistas e financeiros do mundo inteiro, a notícia relevante do dia económico será o discurso de Ben Bernanke, de onde poderão sair algumas indicações sobre a evolução das taxas de juro do dólar.
Quem é Ben Bernanke? É o director do FED, o equivalente norte-americano de um banco central. Do Banco de Portugal, por exemplo. Às mais óbvias diferenças - não nos esqueçamos que hoje grande parte das atribuições do Banco de Portugal passaram para o Banco Central Europeu - acresce uma outra que já disse uma vez neste blog, por ter sido uma notícia que verdadeiramente me chocou e emparveceu: Ben Bernanke tem um ordenado inferior (em termos absolutos e relativos) ao Dr. Constâncio.
Isto não é uma denúncia populista, é notar a absoluta falta de escrúpulos - e a absoluta impunidade - com que o erário público português é assaltado para alimento deste devorismo. É notar, também, o que é espírito de serviço público nos Estados Unidos e aqui, e isso já é um problema maior, não um fait divers a alimentar indignações popularuchas. Espírito de serviço público e de controlo. Pelo que pude apurar, foram os próprios administradores do Banco de Portugal que se atribuíram tais ordenados. Ao invés, nos Estados Unidos os ordenados de grande parte dos alto funcionários são fixados pelo Congresso e não duvido que aqui se terá que caminhar para uma solução idêntica.
Entretanto, eu gostava de ouvir uma resposta. Não haverá ninguém que pergunte, pausadamente, educadamente, ao Dr. Constâncio se ele não tem vergonha do que ganha, se não sente pejo, se não se sente mal?
Quem é Ben Bernanke? É o director do FED, o equivalente norte-americano de um banco central. Do Banco de Portugal, por exemplo. Às mais óbvias diferenças - não nos esqueçamos que hoje grande parte das atribuições do Banco de Portugal passaram para o Banco Central Europeu - acresce uma outra que já disse uma vez neste blog, por ter sido uma notícia que verdadeiramente me chocou e emparveceu: Ben Bernanke tem um ordenado inferior (em termos absolutos e relativos) ao Dr. Constâncio.
Isto não é uma denúncia populista, é notar a absoluta falta de escrúpulos - e a absoluta impunidade - com que o erário público português é assaltado para alimento deste devorismo. É notar, também, o que é espírito de serviço público nos Estados Unidos e aqui, e isso já é um problema maior, não um fait divers a alimentar indignações popularuchas. Espírito de serviço público e de controlo. Pelo que pude apurar, foram os próprios administradores do Banco de Portugal que se atribuíram tais ordenados. Ao invés, nos Estados Unidos os ordenados de grande parte dos alto funcionários são fixados pelo Congresso e não duvido que aqui se terá que caminhar para uma solução idêntica.
Entretanto, eu gostava de ouvir uma resposta. Não haverá ninguém que pergunte, pausadamente, educadamente, ao Dr. Constâncio se ele não tem vergonha do que ganha, se não sente pejo, se não se sente mal?
Tamino:
Zu Hülfe! zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Zu Hülfe! Zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Der listigen Schlange zum Opfer erkoren,
Barmherzigige Götter!
Schon nahet sie sich,
Schon nahet sie sich,
Ach, rettet mich, ach! rettet, rettet, schützet mich!
Ach schützet, schützet, rettet, rettet mich!
Rettet, schützet mich!
Die Zauberflöte
Zu Hülfe! zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Zu Hülfe! Zu Hülfe!
Sonst bin ich verloren!
Der listigen Schlange zum Opfer erkoren,
Barmherzigige Götter!
Schon nahet sie sich,
Schon nahet sie sich,
Ach, rettet mich, ach! rettet, rettet, schützet mich!
Ach schützet, schützet, rettet, rettet mich!
Rettet, schützet mich!
Die Zauberflöte
sábado, fevereiro 03, 2007
Por aqui, subdesenvolvimento e ignorância:
A política criminal nada tem a ver com a ética? A politica latu sensu nada tem a ver com a ética? A política é uma disciplina da ética!
Entretanto, na verde Suiça,
O Tribunal Federal da Suíça abriu a possibilidade de pessoas com graves doenças mentais serem ajudadas por médicos a porem termo à vida, conquanto tenha indeferido, em concreto, o pedido que deu origem à sentença.
Aqui e lá, a cultura da morte. Lembro-me de achar exagerado o termo quando o ouvi pela primeira vez dito por João Paulo II. Creio que apenas agora começo a perceber bem toda a extensão do problema, o perigo de que, enquanto civilização, abdiquemos a vida: tal como Jacinto, palpamos a caveira e respondemos ao tédio com o macabro - nem sequer já o macabro que dança - e exige de nós o conhecimento dos passos (ou do jogo) - mas outro, de imitação, que já não interroga, nada pede, que cultua uma morte de onde estaremos, afinal, ausentes, passivos, a morte manipulada, a morte bem-estar, a morte-spa.
A política criminal nada tem a ver com a ética? A politica latu sensu nada tem a ver com a ética? A política é uma disciplina da ética!
Entretanto, na verde Suiça,
O Tribunal Federal da Suíça abriu a possibilidade de pessoas com graves doenças mentais serem ajudadas por médicos a porem termo à vida, conquanto tenha indeferido, em concreto, o pedido que deu origem à sentença.
Aqui e lá, a cultura da morte. Lembro-me de achar exagerado o termo quando o ouvi pela primeira vez dito por João Paulo II. Creio que apenas agora começo a perceber bem toda a extensão do problema, o perigo de que, enquanto civilização, abdiquemos a vida: tal como Jacinto, palpamos a caveira e respondemos ao tédio com o macabro - nem sequer já o macabro que dança - e exige de nós o conhecimento dos passos (ou do jogo) - mas outro, de imitação, que já não interroga, nada pede, que cultua uma morte de onde estaremos, afinal, ausentes, passivos, a morte manipulada, a morte bem-estar, a morte-spa.
A pretexto do referendo, uma imensa boçalidade impregna muitos blogs.
Gosto de uma boa bulha mas esta falta de modos - e de tolerância e de respeito e de... - está a passar os limites do suportável.
Voto no Não - fica dito mais uma vez - mas, dado que não tenho nada a dizer que por outros não seja mais bem dito, creio que não será um egoísmo se me dedicar a outros assuntos.
Gosto de uma boa bulha mas esta falta de modos - e de tolerância e de respeito e de... - está a passar os limites do suportável.
Voto no Não - fica dito mais uma vez - mas, dado que não tenho nada a dizer que por outros não seja mais bem dito, creio que não será um egoísmo se me dedicar a outros assuntos.
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