Tenho de me deixar de noitadas, sejam elas para os mais benfazejos fins: o certo é que já não tenho vinte anos e a alucinação ronda, de perto, muy loca:
According to media reports coming out of Latin America, President Chavez is considering a proposal that would establish him as the high priest of his own form of evangelical Christianity, convert his cabinet members into bishops of a lower rank, and submit church activities to the civil and military power of his government
Logo, depois de almoço, hora de sensatez e bonomia, venho ver se este post e o resto (links, etc) ainda aqui estão. Se, antes de almoço, não tiver lido ou ouvido referência a isto nos telejornais, nos teletextos e nos blogs e este post - incluídas estas reservas - se mantiver aqui, resta-me pegar no telefone e marcar a consulta.
quarta-feira, janeiro 17, 2007
Enfim, alguém inteligente e sensato: «PGR não tem solução para violação segredo justiça: (...) o Procurador-Geral da República diz que nada pode fazer para acabar com as violações do Segredo de Justiça. (...) Pinto Monteiro, admitiu hoje que "seja qual for a lei", o segredo de Justiça será sempre violado.»
Mas há solução: desde logo acabar com o segredo de justiça, inexistente nas grandes democracias (não confundir com segredo da investigação policial...). Este segredo de justiça que é quase justiça em segredo - e este processo penal - que o pacto está longe de remediar - é um produto de burocratas estatizantes desejosos de uma burocracia estatizante de um tal jaez que deixaria invejoso o mais minucioso funcionário dos Habsburgos - embora a administração austríaca tivesse servido, de facto, para alguma coisa de útil e de bom (evitou guerras e derramamento de sangue) e este segredo para nada sirva.
Mas há solução: desde logo acabar com o segredo de justiça, inexistente nas grandes democracias (não confundir com segredo da investigação policial...). Este segredo de justiça que é quase justiça em segredo - e este processo penal - que o pacto está longe de remediar - é um produto de burocratas estatizantes desejosos de uma burocracia estatizante de um tal jaez que deixaria invejoso o mais minucioso funcionário dos Habsburgos - embora a administração austríaca tivesse servido, de facto, para alguma coisa de útil e de bom (evitou guerras e derramamento de sangue) e este segredo para nada sirva.
terça-feira, janeiro 16, 2007
segunda-feira, janeiro 15, 2007
Que desonestidade, que estupidez é tudo o que rodeia o ridículo concurso dos grandes portugueses! O boçal expediente de não divulgarem o resultado da votação feita, apenas confirma o que toda a gente já sabe: que Salazar ganhou - e muito porque os votantes detestam desonestidades e espertezas saloias. A coisa ganha ainda outra suplementar graça triste: a de ficarmos a saber que os métodos do regime do Prof. Salazar persistem na televisão - e no país... - que o seu regime criou - e que estão longe de morrer.
domingo, janeiro 14, 2007
Sobrevivi aos dois jantares. No ao café do de sexta e a tempo inteiro no de ontem,estava um outro bloguista que, por mais novo, compreendeu que as ditas de cada noite revertiam a meu favor (sim, sou egoísta).
No jantar de sexta ouvi, deliciado, a reprodução de uma conversa com um edil a quem foi explicado, melhor, exigido, que não houvesse alcatroamento ou melhoria de espécie nenhuma nos caminhos de terra até à entrada da quinta. Houve quem explicasse os melhores argumentos a usar contra o gosto pelas benfeitorias dos nossos autarcas e relataram-se casos de sucesso contra algumas arremetidas de boas intenções.
No de ontem - que ainda não agradeci, telefono depois de escrever isto - houve a descrição de uma prova cega de manteigas que terá durado algumas horas.
Com isto, acabei por não ter que gastar as ditas que tinha conseguido encontrar.
No jantar de sexta ouvi, deliciado, a reprodução de uma conversa com um edil a quem foi explicado, melhor, exigido, que não houvesse alcatroamento ou melhoria de espécie nenhuma nos caminhos de terra até à entrada da quinta. Houve quem explicasse os melhores argumentos a usar contra o gosto pelas benfeitorias dos nossos autarcas e relataram-se casos de sucesso contra algumas arremetidas de boas intenções.
No de ontem - que ainda não agradeci, telefono depois de escrever isto - houve a descrição de uma prova cega de manteigas que terá durado algumas horas.
Com isto, acabei por não ter que gastar as ditas que tinha conseguido encontrar.
sexta-feira, janeiro 12, 2007
Entre 1997 e 2005, foram constituídas arguidas 37 mulheres, tendo havido condenação para 17. No entanto, não é possível distinguir quantas dessas mulheres eram grávidas que deram o seu consentimento ao aborto e quantas foram implicadas por participarem na sua prática (médicas, enfermeiras, parteiras). Também não é possível saber quantos casos são relativos à prática de aborto até às dez semanas e após as dez semanas.
Conviria saber, ainda, se alguma dessas 17 cumpriu efectiva pena de prisão.
Mas enfim, o problema não está aí, já que não se trata de de tirar mulheres da cadeia ou de impedir que para lá vão (que desconhecimento da prática dos tribunais, do mundo real, o dessa gente...), mas de permitir que à panóplia dos meios de contracepção se venha juntar o do aborto livre e sem justificações até às 10 semanas e que comunga do consumismo da nossa sociedade, na caso o consumismo de direitos (e a que se junta o culto neo-realista-rocaille e o retro das esquerdas mais modernas).
Conviria saber, ainda, se alguma dessas 17 cumpriu efectiva pena de prisão.
Mas enfim, o problema não está aí, já que não se trata de de tirar mulheres da cadeia ou de impedir que para lá vão (que desconhecimento da prática dos tribunais, do mundo real, o dessa gente...), mas de permitir que à panóplia dos meios de contracepção se venha juntar o do aborto livre e sem justificações até às 10 semanas e que comunga do consumismo da nossa sociedade, na caso o consumismo de direitos (e a que se junta o culto neo-realista-rocaille e o retro das esquerdas mais modernas).
quinta-feira, janeiro 11, 2007
A discussão à volta do aborto, mormente as reinvindicações dos partidários do sim, tem de chocante a exibição de boas - algumas o são - intenções onde elas deixam de contar: na morte. Assemelham-se aos pedidos para que a pena de morte, um escândalo em si, de per se, possa ser mais humana. Ela é sempre humana, a crueldade é humana e se para os cultores da contabilidade do sofrimento há uma diferença, um ganho sobre a guilhotina no ambiente asséptico de uma sala de injecção letal, para mim, incapaz de entender essas pias preocupações e esses ganhos, condenado a ver - verdadeiramente, condenei-me a ver (ao menos que veja isso) - o derramento de sangue na morte mais exangue e lívida, o escândalo mais cruamente se espraia por estes belos dias de Janeiro, bárbaros, atrozes, muito azuis.
quarta-feira, janeiro 10, 2007
Ele há males que vêm por bem, e os meus achaques catarrais já me afastaram de dois jantares. O bem não reside nesse afastamento em si, numa qualquer erupção de ascese; o bem consiste em me dar tempo para refazer o meu repertório de frases para jantar, na verdade gasto já há dois anos.
E hoje, estava eu nas saias de Elvira depois do lanche, quando a propósito de uma frase de Lourenço sobre o exagero de apoplexias em Eça me lembrei que, tal como Paul Johnson afirma que Picasso não sabia pintar mãos, pode a gente dizer que Eça não sabia matar as personagens. Não será um achado mas não fica mal com um daquelas coisas lugubremente gelatinosas e tièdes que em outras épocas seriam agradáveis chauds-froids.
E hoje, estava eu nas saias de Elvira depois do lanche, quando a propósito de uma frase de Lourenço sobre o exagero de apoplexias em Eça me lembrei que, tal como Paul Johnson afirma que Picasso não sabia pintar mãos, pode a gente dizer que Eça não sabia matar as personagens. Não será um achado mas não fica mal com um daquelas coisas lugubremente gelatinosas e tièdes que em outras épocas seriam agradáveis chauds-froids.
terça-feira, janeiro 09, 2007
Creio que acontece a todos os passeadores o que sucedeu àquele: de repente, percebeu que não sabia onde estava, nunca tinha estado naquele sítio, que se perdera; sem que desse por isso, desviara-se do caminho; por mais livre que tivesse decidido que iriam ser os seus passos, não era por ali: estranhada a fealdade dos sítios, das casas, cogita que em vão são os dias de quem lá mora (tão longe que estão de tudo) e estuga o passo para voltar.
Que havia anos de já haver sável em Janeiro! Pelo que vi no google, é lá mais para os finais de Fevereiro. Lembro-me de ouvir dizer, todavia. E o que li no google era em rios mais a norte, talvez aqui, mais a sul, chegue mais cedo. Vou ver mais logo se tenho razão e encomendar já para mandar fazer de escabeche, ou daquele outro modo, quase carpaccio, em vinagre - e metia, também, vinho branco? Ou vinho branco e apenas um pouco de vinagre? Depois verei. - Fazia-se cá em casa dos dois modos mas noutros tempos em que não havia esta falta de pessoal, porém, sempre mais habitualmente o de escabeche. Se arranjar um sável decente, bom, mando fazer só de escabeche.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
E a primeira alegria maldosa do ano tive-a agora mesmo, por intermédio do Crítico: foi a vaia - parece que monumental - a Saramago no celebérrimo Alla Scala. Alegremente vaiado, diz o Crítico.
Viva a alegria, Bravo! Bis! Bis!
Viva a alegria, Bravo! Bis! Bis!
domingo, janeiro 07, 2007
Da caixa de comentários do Futuro Presente:
«Espero sinceramente que a sua separata da Ética tenha chegado em melhor estado que a minha...
Posted by Je maintiendrai Domingo, Janeiro 07, 2007
A minha, dedicada e enviada pelo autor, chegou em óptimo estado!
Posted by jaime nogueira pinto Domingo, Janeiro 07, 2007 »
As dedicatórias dos autores preservam os livros - ou meras separatas - das brutalidades dos correios, eis uma valiosa lição a retirar do comentário-resposta de JNP àqueloutro, tão solicitamente interesssado, do Je maintiendrai.
Uma fonte de desgostos, estes correios, bem o sei.
«Espero sinceramente que a sua separata da Ética tenha chegado em melhor estado que a minha...
Posted by Je maintiendrai Domingo, Janeiro 07, 2007
A minha, dedicada e enviada pelo autor, chegou em óptimo estado!
Posted by jaime nogueira pinto Domingo, Janeiro 07, 2007 »
As dedicatórias dos autores preservam os livros - ou meras separatas - das brutalidades dos correios, eis uma valiosa lição a retirar do comentário-resposta de JNP àqueloutro, tão solicitamente interesssado, do Je maintiendrai.
Uma fonte de desgostos, estes correios, bem o sei.
Meus caros senhores leitores: aqui e ali, livros obrigatórios, a ler obrigatorimente, até aos menos autoritários a não perder.
Tudo bem intencionado, mas o melhor é fazermos rigorosamente o que nos apetece, como diz Pessoa, que também sabia de livros obrigatórios a ler obrigatoriamente:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
...........................................
Tudo bem intencionado, mas o melhor é fazermos rigorosamente o que nos apetece, como diz Pessoa, que também sabia de livros obrigatórios a ler obrigatoriamente:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
...........................................
sábado, janeiro 06, 2007
Há umas coisas que não fazem sentido: o aborto não é sempre um mal? É, todos o dizem, mesmo os partidários do sim: mesmo praticado que seja na melhor clínica, de um acto invasivo e com os riscos inerentes a qualquer acto cirúrgico. E não se gastam, todos os anos, milhões e milhões para encontrar métodos não invasivos que substituam alguns simples exames que representam bem menos perigos para a saúde do que o aborto?... Não percebo! Mesmo para os que crêem que o feto não é ainda vida humana, como é que se pode estar tão interessado em defender o que será sempre um mal, a realização de um acto perigoso e sempre traumático física e psicologicamente... Se me convencessem hoje de que o começo da vida se não dá na concepção, ainda assim eu acharia leviano que se defendesse o recurso ao aborto fora de indicações terapêuticas precisas e indispensáveis para a defesa da saúde das pacientes.
O que acharia normal que houvesse por aí era gente a pedir consultas de planeamento familiar e informação para combater ignorâncias, e toda uma panóplia de meios que não existem ou, se existem, são mal usados. Votei não no referendo anterior, como tenciono fazer agora, mas tenho uma ideia vaga que muito do que foi prometido então faltou. Mas a essas reivindicações sensatas do que falta, mesmo à correcção de práticas existentes, parece ganhar, no campo do sim, e até com algum gosto, a insistência num mal - porque é sempre um mal - e tudo isso nos coloca no campo do contra-intuitivo, da estranheza...
Francamente, não percebo. Ou antes, percebo, mas - em grande parte - como uma questão sobrevivente de outros tempos, um exemplo de uma malsã nostalgia, de celebração de uma desnecessária crueza, a que se sobrepõe uma doentia proposta nova de um hedonismo sem história, feito de um momentâneo de antemão sabidamente infértil.
O que acharia normal que houvesse por aí era gente a pedir consultas de planeamento familiar e informação para combater ignorâncias, e toda uma panóplia de meios que não existem ou, se existem, são mal usados. Votei não no referendo anterior, como tenciono fazer agora, mas tenho uma ideia vaga que muito do que foi prometido então faltou. Mas a essas reivindicações sensatas do que falta, mesmo à correcção de práticas existentes, parece ganhar, no campo do sim, e até com algum gosto, a insistência num mal - porque é sempre um mal - e tudo isso nos coloca no campo do contra-intuitivo, da estranheza...
Francamente, não percebo. Ou antes, percebo, mas - em grande parte - como uma questão sobrevivente de outros tempos, um exemplo de uma malsã nostalgia, de celebração de uma desnecessária crueza, a que se sobrepõe uma doentia proposta nova de um hedonismo sem história, feito de um momentâneo de antemão sabidamente infértil.
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