terça-feira, janeiro 09, 2007
Creio que acontece a todos os passeadores o que sucedeu àquele: de repente, percebeu que não sabia onde estava, nunca tinha estado naquele sítio, que se perdera; sem que desse por isso, desviara-se do caminho; por mais livre que tivesse decidido que iriam ser os seus passos, não era por ali: estranhada a fealdade dos sítios, das casas, cogita que em vão são os dias de quem lá mora (tão longe que estão de tudo) e estuga o passo para voltar.
Que havia anos de já haver sável em Janeiro! Pelo que vi no google, é lá mais para os finais de Fevereiro. Lembro-me de ouvir dizer, todavia. E o que li no google era em rios mais a norte, talvez aqui, mais a sul, chegue mais cedo. Vou ver mais logo se tenho razão e encomendar já para mandar fazer de escabeche, ou daquele outro modo, quase carpaccio, em vinagre - e metia, também, vinho branco? Ou vinho branco e apenas um pouco de vinagre? Depois verei. - Fazia-se cá em casa dos dois modos mas noutros tempos em que não havia esta falta de pessoal, porém, sempre mais habitualmente o de escabeche. Se arranjar um sável decente, bom, mando fazer só de escabeche.
segunda-feira, janeiro 08, 2007
E a primeira alegria maldosa do ano tive-a agora mesmo, por intermédio do Crítico: foi a vaia - parece que monumental - a Saramago no celebérrimo Alla Scala. Alegremente vaiado, diz o Crítico.
Viva a alegria, Bravo! Bis! Bis!
Viva a alegria, Bravo! Bis! Bis!
domingo, janeiro 07, 2007
Da caixa de comentários do Futuro Presente:
«Espero sinceramente que a sua separata da Ética tenha chegado em melhor estado que a minha...
Posted by Je maintiendrai Domingo, Janeiro 07, 2007
A minha, dedicada e enviada pelo autor, chegou em óptimo estado!
Posted by jaime nogueira pinto Domingo, Janeiro 07, 2007 »
As dedicatórias dos autores preservam os livros - ou meras separatas - das brutalidades dos correios, eis uma valiosa lição a retirar do comentário-resposta de JNP àqueloutro, tão solicitamente interesssado, do Je maintiendrai.
Uma fonte de desgostos, estes correios, bem o sei.
«Espero sinceramente que a sua separata da Ética tenha chegado em melhor estado que a minha...
Posted by Je maintiendrai Domingo, Janeiro 07, 2007
A minha, dedicada e enviada pelo autor, chegou em óptimo estado!
Posted by jaime nogueira pinto Domingo, Janeiro 07, 2007 »
As dedicatórias dos autores preservam os livros - ou meras separatas - das brutalidades dos correios, eis uma valiosa lição a retirar do comentário-resposta de JNP àqueloutro, tão solicitamente interesssado, do Je maintiendrai.
Uma fonte de desgostos, estes correios, bem o sei.
Meus caros senhores leitores: aqui e ali, livros obrigatórios, a ler obrigatorimente, até aos menos autoritários a não perder.
Tudo bem intencionado, mas o melhor é fazermos rigorosamente o que nos apetece, como diz Pessoa, que também sabia de livros obrigatórios a ler obrigatoriamente:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
...........................................
Tudo bem intencionado, mas o melhor é fazermos rigorosamente o que nos apetece, como diz Pessoa, que também sabia de livros obrigatórios a ler obrigatoriamente:
Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...
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sábado, janeiro 06, 2007
Há umas coisas que não fazem sentido: o aborto não é sempre um mal? É, todos o dizem, mesmo os partidários do sim: mesmo praticado que seja na melhor clínica, de um acto invasivo e com os riscos inerentes a qualquer acto cirúrgico. E não se gastam, todos os anos, milhões e milhões para encontrar métodos não invasivos que substituam alguns simples exames que representam bem menos perigos para a saúde do que o aborto?... Não percebo! Mesmo para os que crêem que o feto não é ainda vida humana, como é que se pode estar tão interessado em defender o que será sempre um mal, a realização de um acto perigoso e sempre traumático física e psicologicamente... Se me convencessem hoje de que o começo da vida se não dá na concepção, ainda assim eu acharia leviano que se defendesse o recurso ao aborto fora de indicações terapêuticas precisas e indispensáveis para a defesa da saúde das pacientes.
O que acharia normal que houvesse por aí era gente a pedir consultas de planeamento familiar e informação para combater ignorâncias, e toda uma panóplia de meios que não existem ou, se existem, são mal usados. Votei não no referendo anterior, como tenciono fazer agora, mas tenho uma ideia vaga que muito do que foi prometido então faltou. Mas a essas reivindicações sensatas do que falta, mesmo à correcção de práticas existentes, parece ganhar, no campo do sim, e até com algum gosto, a insistência num mal - porque é sempre um mal - e tudo isso nos coloca no campo do contra-intuitivo, da estranheza...
Francamente, não percebo. Ou antes, percebo, mas - em grande parte - como uma questão sobrevivente de outros tempos, um exemplo de uma malsã nostalgia, de celebração de uma desnecessária crueza, a que se sobrepõe uma doentia proposta nova de um hedonismo sem história, feito de um momentâneo de antemão sabidamente infértil.
O que acharia normal que houvesse por aí era gente a pedir consultas de planeamento familiar e informação para combater ignorâncias, e toda uma panóplia de meios que não existem ou, se existem, são mal usados. Votei não no referendo anterior, como tenciono fazer agora, mas tenho uma ideia vaga que muito do que foi prometido então faltou. Mas a essas reivindicações sensatas do que falta, mesmo à correcção de práticas existentes, parece ganhar, no campo do sim, e até com algum gosto, a insistência num mal - porque é sempre um mal - e tudo isso nos coloca no campo do contra-intuitivo, da estranheza...
Francamente, não percebo. Ou antes, percebo, mas - em grande parte - como uma questão sobrevivente de outros tempos, um exemplo de uma malsã nostalgia, de celebração de uma desnecessária crueza, a que se sobrepõe uma doentia proposta nova de um hedonismo sem história, feito de um momentâneo de antemão sabidamente infértil.
sexta-feira, janeiro 05, 2007
«Quem se arrisca a enterrar dinheiro num país paralítico, com a Espanha e a "Europa" à porta?» pergunta VPV no Público de hoje.
(Eu, muito modestamente e a pensar nos de cá, já tinha lembrando que há fundos de acções estrangeiras ao dispor de qualquer um... de acções de empresas a salvo das ideias do governo luso e da nossa pequenez em geral)
O achado porém, é o país paralítico. Não que seja de uma originalidade ou comicidades estonteantes, não é sequer uma dita ou apodo muito original, mas proferido agora e aqui, em contraponto aos dislates optimistas e esbracejantes do governo, acerta o alvo com a precisão de um dardo inteligente.
País paralítico, país entrevadinho. Define-nos bem.
(Eu, muito modestamente e a pensar nos de cá, já tinha lembrando que há fundos de acções estrangeiras ao dispor de qualquer um... de acções de empresas a salvo das ideias do governo luso e da nossa pequenez em geral)
O achado porém, é o país paralítico. Não que seja de uma originalidade ou comicidades estonteantes, não é sequer uma dita ou apodo muito original, mas proferido agora e aqui, em contraponto aos dislates optimistas e esbracejantes do governo, acerta o alvo com a precisão de um dardo inteligente.
País paralítico, país entrevadinho. Define-nos bem.
"Uma democracia adulta também o é pela forma". Concordo, mas não ouvi eu, atónito como já disse por aqui, o Dr. Sampaio, ainda em funções ou apenas saído delas, dissertar em entrevista, sobre os méritos e deméritos de diversos chefes de estados estrangeiros nossos amigos que tinha conhecido no exercício das suas funções??? Assim o fez e ainda me lembro que considerava como a mais "profissional" a Rainha da Holanda, superior, por isso, à da Dinamarca e...
Mais senhor presidente do que isto...
Mais senhor presidente do que isto...
E lá se foi um post... apagado sem glória.
Já agora, o livro do Judt não é do ano passado. Li-o em Novembro ou Dezembro de 2005. É uma bom livro e lembro-me de o ter defendido perante alguém que me lembrava ser um livro feito a partir de outros, um livro em segunda mão, com pouca ou nenhum trabalho de consulta de arquivos. É um facto que o próprio autor reconhece. Já que parece que aqui está toda a gente a lê-lo agora, lembro isso das fontes, embora o livro seja muitíssimo capaz de cumprir a sua missão de traçar as linhas essenciais da Europa dos últimos 60 anos. Mas, sobre Portugal, por exemplo, não lhes parece que faltam uns nomes lá na bibliografia?
Já agora, o livro do Judt não é do ano passado. Li-o em Novembro ou Dezembro de 2005. É uma bom livro e lembro-me de o ter defendido perante alguém que me lembrava ser um livro feito a partir de outros, um livro em segunda mão, com pouca ou nenhum trabalho de consulta de arquivos. É um facto que o próprio autor reconhece. Já que parece que aqui está toda a gente a lê-lo agora, lembro isso das fontes, embora o livro seja muitíssimo capaz de cumprir a sua missão de traçar as linhas essenciais da Europa dos últimos 60 anos. Mas, sobre Portugal, por exemplo, não lhes parece que faltam uns nomes lá na bibliografia?
quinta-feira, janeiro 04, 2007
Coisas tristes:
O Abrupto resolveu elencar as coisas boas, as más e as péssimas, estas últimas com direito a ícone, um cão de fila pop art em posição de ataque, o que tudo me parece de gosto muito duvidoso, mas enfim... Entre as coisas péssimas JPP põe lado a lado a entidade reguladora para a comunicação social, a política comunicacional governativa e... os "truques na blogosfera portuguesa para incrementar visitas e ligações artificialmente" !!!!
Se não fora a dor de garganta - estou melhorzinho mas não ainda bom - ficaria de boca aberta, não o tempo de uma larga tarde de Verão, como Eça, mas por toda esta soalheira tarde de Inverno. Temendo pela minha garganta, por uma questão de saúde, apenas ri. Com gosto. Muito.
O Abrupto resolveu elencar as coisas boas, as más e as péssimas, estas últimas com direito a ícone, um cão de fila pop art em posição de ataque, o que tudo me parece de gosto muito duvidoso, mas enfim... Entre as coisas péssimas JPP põe lado a lado a entidade reguladora para a comunicação social, a política comunicacional governativa e... os "truques na blogosfera portuguesa para incrementar visitas e ligações artificialmente" !!!!
Se não fora a dor de garganta - estou melhorzinho mas não ainda bom - ficaria de boca aberta, não o tempo de uma larga tarde de Verão, como Eça, mas por toda esta soalheira tarde de Inverno. Temendo pela minha garganta, por uma questão de saúde, apenas ri. Com gosto. Muito.
Nos últimos dias do ano passado suscitou grande alvoroço um parecer de uma associação sindical de juizes sobre o crime de maus tratos previsto no artº 152º do Código Penal por nesse parecer constar que tal crime não está previsto actualmente no que aos casais homossexuais diz respeito, nem o deverá estar, em lei a fazer, pelo menos enquanto extensão da protecção dada aos conjûges. Parece-me sensato e pacífico, se é que ainda sei ler.
(O que a mim faz mais confusão, é a existência de um sindicato ou associação sindical de titulares de órgãos de soberania. É, contudo, uma mera associação particular com o mesmo estatuto que teria uma associação de bloguistas no que à actividade legislativa diz respeito e que pertence, em democracia, ao parlamento e não está dependente dos desejos e entendimentos de entidades privadas.)
Quanto à substância da coisa: o regime que pune os maus tratos aplica-se não apenas a cônjuges ou a quem viva em união de facto, mas a quem se aproveite de relações de proximidade e intimidade domésticas, propícias ao realçar de um ascendente físico, emocional ou económico sobre outrém, para o maltratar e amargurar, contando depois com circunstâncias de inferioridade da vítima para ficar impune: era habitual que as queixas (já em si representando uma magríssima percentagem da totalidade das agressões) fossem, a maior parte das vezes, retiradas. E, por esse motivo, o legislador transformou tais actos em crimes e crimes públicos: não dependem de queixa para ser instaurado o respectivo processo nem o perdão impede aquele de prosseguir. Aqui, como em tudo, há um inconveniente: o de a vítima perder controlo sobre sua intimidade já que tudo pode começar por um telefonema de um vizinho e, por isso, deve-se interpretar este estatuto de crime público como transitório - mas agora necessário - , num país onde a violência dentro de portas é uma triste e grave realidade.
E os homossexuais? Creio que a sua situação caberá em qualquer preceito que, no futuro, venha a proteger quem partilhe o mesmo tecto, ou viva em economia comum, não curando aqui das questões de técnica jurídica a resolver na altura. Escusado é que essa protecção resulte da imitação de uma realidade histórica heterossexual, que seja obtida através do esvazimento das palavras - no caso, cônjuge.
O importante é, afinal, que ninguém sofra e seja humilhado por actos criminosos de quem abusa da sua posição fazendo que haja quem, em sua casa, não tenha abrigo.
(O que a mim faz mais confusão, é a existência de um sindicato ou associação sindical de titulares de órgãos de soberania. É, contudo, uma mera associação particular com o mesmo estatuto que teria uma associação de bloguistas no que à actividade legislativa diz respeito e que pertence, em democracia, ao parlamento e não está dependente dos desejos e entendimentos de entidades privadas.)
Quanto à substância da coisa: o regime que pune os maus tratos aplica-se não apenas a cônjuges ou a quem viva em união de facto, mas a quem se aproveite de relações de proximidade e intimidade domésticas, propícias ao realçar de um ascendente físico, emocional ou económico sobre outrém, para o maltratar e amargurar, contando depois com circunstâncias de inferioridade da vítima para ficar impune: era habitual que as queixas (já em si representando uma magríssima percentagem da totalidade das agressões) fossem, a maior parte das vezes, retiradas. E, por esse motivo, o legislador transformou tais actos em crimes e crimes públicos: não dependem de queixa para ser instaurado o respectivo processo nem o perdão impede aquele de prosseguir. Aqui, como em tudo, há um inconveniente: o de a vítima perder controlo sobre sua intimidade já que tudo pode começar por um telefonema de um vizinho e, por isso, deve-se interpretar este estatuto de crime público como transitório - mas agora necessário - , num país onde a violência dentro de portas é uma triste e grave realidade.
E os homossexuais? Creio que a sua situação caberá em qualquer preceito que, no futuro, venha a proteger quem partilhe o mesmo tecto, ou viva em economia comum, não curando aqui das questões de técnica jurídica a resolver na altura. Escusado é que essa protecção resulte da imitação de uma realidade histórica heterossexual, que seja obtida através do esvazimento das palavras - no caso, cônjuge.
O importante é, afinal, que ninguém sofra e seja humilhado por actos criminosos de quem abusa da sua posição fazendo que haja quem, em sua casa, não tenha abrigo.
quarta-feira, janeiro 03, 2007
"É estar a gente a vê-los, é estar a gente a vê-los"
É assim, assim é, infelizmente.
E não apenas os aí ditos: faltam os sensatos, pessoas que estimamos, que encontramos nas livrarias, pacatos, bem intencionados, discretos, que podem o que nós podemos, mas que também não querem pagar. E têm, de igual modo, empenhos, para vários hospitais em Paris ou Londres (com viagens e subsídio de estada pagas pela segurança social para um acompanhante) ou para o Hospital de Carrazeda de Ansiães, se necessário for.
E são esses, os que têm as mesmas sensatas prioridades que nós temos, são esses, afinal, que complicam tudo.
É assim, assim é, infelizmente.
E não apenas os aí ditos: faltam os sensatos, pessoas que estimamos, que encontramos nas livrarias, pacatos, bem intencionados, discretos, que podem o que nós podemos, mas que também não querem pagar. E têm, de igual modo, empenhos, para vários hospitais em Paris ou Londres (com viagens e subsídio de estada pagas pela segurança social para um acompanhante) ou para o Hospital de Carrazeda de Ansiães, se necessário for.
E são esses, os que têm as mesmas sensatas prioridades que nós temos, são esses, afinal, que complicam tudo.
Estes dias lindos e eu fechado em casa, transformado num iníquo vaso de secreções... Azar.
As constipações e gripes não eram sequer totalmente desagradáveis quando era pequeno, constituíam um bom momento de estudo sobre nós, propiciava os primeiros olhares sobre as entranhas e o nosso mal-estar e os interditos salvíficos geravam mudanças estranhas, o surgir de uma topologia própria: as salas, a casa de jantar adquiriam a natureza e o exotismo de longínquas paragens inacessíveis. Da cozinha e da copa, outro continente, vinham ecos de palavras de uma língua desaprendida e estranha que recaía sobre actos incompreensíveis.
Alguns rituais compensavam-nos dessa distância: o almoço e o jantar na cama, a empregada preferida que vinha contar histórias logo que pudesse, os livros que eram postos na mesinha de cabeceira para nos distraírmos e demais paleolíticas coisas.
Hoje tudo isso é quase já inconcebível.
As constipações e gripes não eram sequer totalmente desagradáveis quando era pequeno, constituíam um bom momento de estudo sobre nós, propiciava os primeiros olhares sobre as entranhas e o nosso mal-estar e os interditos salvíficos geravam mudanças estranhas, o surgir de uma topologia própria: as salas, a casa de jantar adquiriam a natureza e o exotismo de longínquas paragens inacessíveis. Da cozinha e da copa, outro continente, vinham ecos de palavras de uma língua desaprendida e estranha que recaía sobre actos incompreensíveis.
Alguns rituais compensavam-nos dessa distância: o almoço e o jantar na cama, a empregada preferida que vinha contar histórias logo que pudesse, os livros que eram postos na mesinha de cabeceira para nos distraírmos e demais paleolíticas coisas.
Hoje tudo isso é quase já inconcebível.
Um filme que vi em 2006: o Secrets & Lies. O que eu gostei deste filme! É uma elegante alegoria neo-clássica sobre liberdade enquanto questão de óptica, de ajuste da distância de leitura dos trompe d'oeil pouco deleitosos que aparecem lá ao fim das nossas histórias, da nossa história, onde se acumula a sujidade e a patine de pequenas e ternas mentiras - e em que acabamos por nos rever - e das supresas quando olhamos tudo de um outro local -em nós, de outro local em nós. Com humour. Não é de 2006? Eu sei, mas revi em 2006, quero lá saber se não é de 2006.
terça-feira, janeiro 02, 2007
Constipação horrenda, com tosses, alguns arrepios e espilros de uma violência devastadora! Não pude ir ao jantar de Ano Bom - que tanto prezo! - e tive que avisar que não podia ir a um outro, amanhã, em Lisboa. Um espilro assustador e sincero e a minha voz rouquejante convenceram, creio, a anfitriã da minha vera indisponibilidade e sincera pena por não ir já que, desde Wilde, os honestos resfriados, mesmo os mais terríveis - como é o caso - têm uma péssima fama de apressados e desajeitados pretextos: "Jack: Very well, then. My poor brother Ernest is carried off suddenly in Paris, by a severe chill. That gets rid of him."
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