terça-feira, novembro 14, 2006
Precisava de uns chrysanthèmes aqui, uma exposição deles por inaugurar era útil ou, em substituição, a letra do J'arrive do Brel, mais.... je ne sais pas, não me decido e é tarde. Há exposições de chrisanthèmes no Tintin, mas encontrá-las é difícil.
Começa a fazer frio. Fica assim, sem chrysanthèmes - uma palavra complicada, parece de uma dictée - mas os chrisanthèmes também não são flores simples, está uma coisa para a outra.
Vou dormir, fica assim, despojado, monacal, medievo-minimal.
Começa a fazer frio. Fica assim, sem chrysanthèmes - uma palavra complicada, parece de uma dictée - mas os chrisanthèmes também não são flores simples, está uma coisa para a outra.
Vou dormir, fica assim, despojado, monacal, medievo-minimal.
segunda-feira, novembro 13, 2006
quinta-feira, novembro 09, 2006
Não tinha o Misantropo nos meus blogs logo ali à mão de semear.
Esquecimento? Preguiça? Fica o assunto resolvido.
Esquecimento? Preguiça? Fica o assunto resolvido.
quarta-feira, novembro 08, 2006
"Que os liberais acéfalos queiram acabar com a arte e cultura que não se pagam a si e que não tenham necessidade de ópera estatal, de boa música, de bailado, de cinema independente com ajuda pública, ou apoios para as artes visuais, etc, etc"
Eu, que sou conservador (mais, talvez, do que liberal; aliás, o que significa isso em Portugal?) vejo-me em palpos de aranha para saber a que título tenho de subsidiar as idas à opera, a um concerto ou a um bailado, de meia dúzia de senhores e senhoras da classe alta e média-alta, A, AB e B, como se diz agora - de Lisboa (e Porto) que não quer pagar o preço elevado desses espectáculos que nem sequer ou muito raramente saem - e podiam sair? - dessas cidades. Se o ilustre Crítico barafustasse sobre as maleitas do ensino de música, a falta de ensino de música a sério, que me parece ser o que o estado devia fazer e não faz, concordava. Mas subsididar espectáculos? Há um episódio inteligente do "Yes, Minister", a respeito das subvenções estatais à ópera que expõe os problemas muito pertinentes da questão (alguns relacionadas com esta maçada da democracia) num tom que não é totalmente boçal e saloio. Eu, se vivesse em Lisboa, também ia a S. Carlos, claro está - de que fui frequentador há uns anos largos e a preços ultra-subsidiados - mas sou português, o que significa que posso dizer uma coisa e, de imediato, o seu contrário e fazer ainda uma outra "não sim, mas talvez: olhem, afinal sempre vou" que é a formulação de um princípio da lógica nacional (o princípio do terceiro incluído*).
Ah, não percebo é o cinema independente. Independente de quê? Espero que do meu bolso... O melhor cinema que vi foi independente do meu bolso, desde John Ford a Howard Hanks, Lubitsch, a Hitchcock, a... É isso? É essa independência? Mas, além do meu bolso, esses eram, afinal, independentes de quem e de quê?
* Há quem fale a sério (?) em tal princípio, lá fora, em algumas faculdades. Quem quiser pode divertir-se aqui
Eu, que sou conservador (mais, talvez, do que liberal; aliás, o que significa isso em Portugal?) vejo-me em palpos de aranha para saber a que título tenho de subsidiar as idas à opera, a um concerto ou a um bailado, de meia dúzia de senhores e senhoras da classe alta e média-alta, A, AB e B, como se diz agora - de Lisboa (e Porto) que não quer pagar o preço elevado desses espectáculos que nem sequer ou muito raramente saem - e podiam sair? - dessas cidades. Se o ilustre Crítico barafustasse sobre as maleitas do ensino de música, a falta de ensino de música a sério, que me parece ser o que o estado devia fazer e não faz, concordava. Mas subsididar espectáculos? Há um episódio inteligente do "Yes, Minister", a respeito das subvenções estatais à ópera que expõe os problemas muito pertinentes da questão (alguns relacionadas com esta maçada da democracia) num tom que não é totalmente boçal e saloio. Eu, se vivesse em Lisboa, também ia a S. Carlos, claro está - de que fui frequentador há uns anos largos e a preços ultra-subsidiados - mas sou português, o que significa que posso dizer uma coisa e, de imediato, o seu contrário e fazer ainda uma outra "não sim, mas talvez: olhem, afinal sempre vou" que é a formulação de um princípio da lógica nacional (o princípio do terceiro incluído*).
Ah, não percebo é o cinema independente. Independente de quê? Espero que do meu bolso... O melhor cinema que vi foi independente do meu bolso, desde John Ford a Howard Hanks, Lubitsch, a Hitchcock, a... É isso? É essa independência? Mas, além do meu bolso, esses eram, afinal, independentes de quem e de quê?
* Há quem fale a sério (?) em tal princípio, lá fora, em algumas faculdades. Quem quiser pode divertir-se aqui
Profilaxia do génio
O início de Moby Dick do post anterior pode ser usado também, com vantagem e ganho gerais, para evitar o derramamento indiscriminado da palavra "génio" nos blogs. Sempre que nos sintamos na tentação de achar aquele post daquele blog uma coisa genial, aproveitemos aquele litoral refrescante para arejar o discernimento.
O início de Moby Dick do post anterior pode ser usado também, com vantagem e ganho gerais, para evitar o derramamento indiscriminado da palavra "génio" nos blogs. Sempre que nos sintamos na tentação de achar aquele post daquele blog uma coisa genial, aproveitemos aquele litoral refrescante para arejar o discernimento.
terça-feira, novembro 07, 2006
O excesso de chuva substituiu-se aos nevoeiros das noites destes tempos muito quietos de Novembro. São esses, não estes, de temporal, que me fazem lembrar o mais belo começo de livro que já li. Todos os anos, durante aquela altura da vida em que gostamos de notar em nós a persistência dos hábitos, quando nada ainda está perdido por nada estar ainda definitivamente indagado ou resolvido, quando ainda há surpresas a esperar, de nós e dos outros, todos os anos, nos começos de Novembro reparava na lombada, que nesta altura do ano, pela tarde o sol ilumina, e pegava no primeiro volume, onde estes meus dias de agora,os destes cinzentos decénios sem redenção, desciam como uma ameaça sobre o sobrolho de um rapazola decidido a não se deixar abater. E lia, com a calma e lentidão de um pressentimento indesmentível, tal como se eu fora ele e encomendasse a minha alma a um deus paciente e vasto quanto um oceano:
"Call me Ishmael. Some years ago - never mind how long precisely - having little or no money in my purse, and nothing particular to interest me on shore, I thought I would sail about a little and see the watery part of the world. It is a way I have of driving off the spleen and regulating the circulation. Whenever I find myself growing grim about the mouth; whenever it is a damp, drizzly November in my soul; whenever I find myself involuntarily pausing before coffin warehouses, and bringing up the rear of every funeral I meet; and especially whenever my hypos get such an upperhand of me, that it requires a strong moral principle to prevent me from deliberately stepping into the street, and methodically knocking people's hats off - then, I account it high time to get to sea as soon as I can. This is my substitute for pistol and ball. With a philosophical flourish Cato throws himself upon his sword; I quietly take to the ship. There is nothing surprising in this. If they but knew it, almost all men in their degree, some time or other, cherish very nearly the same feelings towards the ocean with me."
Herman Melville, Moby Dick
"Call me Ishmael. Some years ago - never mind how long precisely - having little or no money in my purse, and nothing particular to interest me on shore, I thought I would sail about a little and see the watery part of the world. It is a way I have of driving off the spleen and regulating the circulation. Whenever I find myself growing grim about the mouth; whenever it is a damp, drizzly November in my soul; whenever I find myself involuntarily pausing before coffin warehouses, and bringing up the rear of every funeral I meet; and especially whenever my hypos get such an upperhand of me, that it requires a strong moral principle to prevent me from deliberately stepping into the street, and methodically knocking people's hats off - then, I account it high time to get to sea as soon as I can. This is my substitute for pistol and ball. With a philosophical flourish Cato throws himself upon his sword; I quietly take to the ship. There is nothing surprising in this. If they but knew it, almost all men in their degree, some time or other, cherish very nearly the same feelings towards the ocean with me."
Herman Melville, Moby Dick
segunda-feira, novembro 06, 2006
O Impensável, coitado, tem sobrevido nem sei como... e no Verão passado tinha quase decidido, pouco antes de chegar a Kristiansand, acabar com ele, cruenta decisão, postas as coisas assim, mas de puro bom senso escandinavo; infelizmente, no afã de aproveitar todo o tempo de paragem na reposição do teor de nicotina indispensável à manutenção dos feixes nervosos do pacato autor destas linhas, esqueci. E esquecida a decisão, continuei-o. Mas está baço e anquilosado (não aparece clara a relação entre o relato desta vontade enxantemática de acabar com o Impensável e o que se seguirá, e que vem a ser um agradecimento que queria o seu quê dúbio - se o sono me não condenasse à clareza - mas ela, a relaçao, lá há-de estar e a acharei). É tardíssimo e isto mete links, continuo: no outro dia fui ver os blogs e neste teciam-se elogios ao Pastoral Portuguesa e fui ver. E era bom, bem escrito (quanto a mim, demasiado bem escrito, a prosa é preciso, por vezes, que empape bem em conjunções e orações subordinadas para que ganhe texturas, poeiras, grânulos que sirvam de alimento às aves). Dizia? Ah, e vi a história de Alistair Crump e, à minha frente o que tinha? Um mail que imprimira dez minutos antes, de um amigo meu que nasceu, já se sabe, em Edimburgo! Nem na província de há 35 anos atrás, dizem, se aterrorizavam assim os incréus com tal correnteza de coincidências! O blog, dito isto, pu-lo na minha lista dos mais à mão.
Ontem - ou anteontem. E reparei ontem que este blog estava mencionado no Pastoral com o sacro e herético nome, de Ámen Pélvis. Com o tempo chuvoso, as comissuras espásticas da humidade, poupei o sorriso. Mas agradeço.
Ontem - ou anteontem. E reparei ontem que este blog estava mencionado no Pastoral com o sacro e herético nome, de Ámen Pélvis. Com o tempo chuvoso, as comissuras espásticas da humidade, poupei o sorriso. Mas agradeço.
domingo, novembro 05, 2006
sexta-feira, novembro 03, 2006
Soube agora que fechou a Havaneza, a minha tão amada Livraria Casa Havaneza da Figueira da Foz!
Que tristeza!
Que tristeza!
A Havaneza era um dos poucos sítios decentes deste país: assim vai acabando o que era bom e digno. Fica o que esta gentalha medonha sustenta e os lugares com a calma e aristocrática dignidade da Havaneza, feitos de tempo e memória, estão condenados.
Que tristeza, que amargura!
Que tristeza, que amargura!
quinta-feira, novembro 02, 2006
Estou a ler "A queda de Roma e o Fim da Civilização" do Ward-Perkins e pensei neste novo mercado aberto pelos diversos revisionismos: o de nos sossegar sobre a justeza das nossas certezas de juventude: sim, a queda do Império Romano foi mesmo violenta, terrível, sim foi mesmo o fim da civilização, tal qual a Europa conhecia. Sim, como me tinham dito quando eu tinha não sei quantos poucos anos.
Serviço Público:
Veio alguém aqui parar, via google - não a hoje, mas a Outubro de há 3 anos, por causa e busca das queijadas de Pereira.
Ora vejamos, se veio em demanda da receita que pensa ser a original por julgar que é saudosismo o não lhe saberem agora ao que lhe sabiam em criança (se foi criança num decénio decente do século passado), tenho a solução: há uns tempos, depois da vendedora perceber que estava perante um guloso da velha guarda que objectava a todos os «que eram assim mesmo, sempre foram», e lhes opunha um não inexplicado mas veemente, veio a solução honesta e, creio, saudosa: «é o leite». Sim, ela acabou por confessar que o leite usado na feitura das queijadas de Pereira era dantes bom leite de ovelha e hoje é industrial e de vaca. E dessas antigas de que me lembro, já ninguém faz. «E é dessas que o senhor se lembra, é por isso; o resto é tudo como era». Pois é, o resto é igual.
Veio alguém aqui parar, via google - não a hoje, mas a Outubro de há 3 anos, por causa e busca das queijadas de Pereira.
Ora vejamos, se veio em demanda da receita que pensa ser a original por julgar que é saudosismo o não lhe saberem agora ao que lhe sabiam em criança (se foi criança num decénio decente do século passado), tenho a solução: há uns tempos, depois da vendedora perceber que estava perante um guloso da velha guarda que objectava a todos os «que eram assim mesmo, sempre foram», e lhes opunha um não inexplicado mas veemente, veio a solução honesta e, creio, saudosa: «é o leite». Sim, ela acabou por confessar que o leite usado na feitura das queijadas de Pereira era dantes bom leite de ovelha e hoje é industrial e de vaca. E dessas antigas de que me lembro, já ninguém faz. «E é dessas que o senhor se lembra, é por isso; o resto é tudo como era». Pois é, o resto é igual.
quarta-feira, novembro 01, 2006
Assunto resolvido.
Acabei por ser acordado, antes da hora a que tencionava levantar-me, pelas criancinhas que pediam os bolinhos. O meu amor às tradições vacilou.
O almoço foi agradável, conhecia toda a gente da minha mesa, a falta de novidade foi compensada pelo tom mais íntimo. Discutiram-se dietas e experiências com dietistas, dos mais conhecidos aos de vão de escada. Ouvi atentamente e alvitrei animadamente segundas opiniões aos casos mais renitentes mas, de vez em quando, o sono aparecia.
Espero que o próximo almoço seja um jantar.
Acabei por ser acordado, antes da hora a que tencionava levantar-me, pelas criancinhas que pediam os bolinhos. O meu amor às tradições vacilou.
O almoço foi agradável, conhecia toda a gente da minha mesa, a falta de novidade foi compensada pelo tom mais íntimo. Discutiram-se dietas e experiências com dietistas, dos mais conhecidos aos de vão de escada. Ouvi atentamente e alvitrei animadamente segundas opiniões aos casos mais renitentes mas, de vez em quando, o sono aparecia.
Espero que o próximo almoço seja um jantar.
segunda-feira, outubro 30, 2006
Magníficos, estes dias do verão de S. Martinho!
Tentei ilustrar com um canvas, mas este tempo, no mundo anglo-saxónico, o indian summer, parece ser domínio do kitsch bem intencionado. Ora, o verão de S. Martinho e estes dias violentamente tentadores de se deixar tudo e pormo-nos a caminho não podem ser domados a golpes de pincéis mergulhados nos amarelos, ocres, encarnados e fulvas sentimentais coisas afins.
Tentei ilustrar com um canvas, mas este tempo, no mundo anglo-saxónico, o indian summer, parece ser domínio do kitsch bem intencionado. Ora, o verão de S. Martinho e estes dias violentamente tentadores de se deixar tudo e pormo-nos a caminho não podem ser domados a golpes de pincéis mergulhados nos amarelos, ocres, encarnados e fulvas sentimentais coisas afins.
domingo, outubro 29, 2006
Passeava pelos blogs quando me apercebi que esta domingueirice não é diferente da passeata pelos centros comerciais, impressão tão mais incómoda quanto alguns blogs se tornaram autênticos centros comerciais, no afã de ampliar e diversificar a oferta. Alguns outros, mais pacatos, não deixam de exibir, por estas horas tristes de domingo uma imagem solitária de montra de loja de província. O que une tudo é o ar comercial (eu não nutro pelo comércio o ódio ou o desprezo que erroneamente se costumam apelidar aristocráticos; o comércio possibilita a minha vida tal como a concebo) mas confesso que gostaria de ver alguns mais egoístas, menos preocupados com a clientela. Creio que já sofri a tentação e pensei em avivar os meus leitores - cada vez menos e mais ingratos - com algumas promoções de outono e tinha até matutado num lema «Já sabe, o post elegante é no impensavél, o blog que nunca pensou» mas prefiro continuar assim, sem abrir filiais, sem tentar expandir o negócio ou fazer campanhas publicitárias. Por teimosia e preguiça e uma inabilidade natural e tocante para fazer qualquer coisa interessante na qual, seguindo os conselhos de Wilde quanto à ignorância, não tenciono mexer.
sábado, outubro 28, 2006
sexta-feira, outubro 27, 2006
Do aborto ao abrupto
Do aborto já disse aqui considerar que a vida humana é inviolável e que começa com a concepção.
Mais terei dito, se a memória não falha, que da discussão logo ressalta que o aborto é visto, afinal, como aquilo que os seus defensores negam que deva ser: um método de contracepção. Num tempo em que há uma panóplia de métodos para evitar a gravidez, é o prémio da desresponsabilização e da mais leviana licença. Mais terei dito que tendo em consideração o leque de métodos para evitar uma gravidez indesejada, a discussão sobre o aborto pertence ao puro excesso onde hoje em dia se inscreve o rocaille hedonista reinante. Mas, já que concomitante a este cultivo luxuoso de direitos há, mais ou menos sincero, o das boas intenções, o aborto está condenado pelo mero avanço da consciência da sua ilicitude que, nestas questões do termo inicial da vida humana se situava, ainda há pouco mais de um século, nas primeiras semanas, senão meses, depois do nascimento do pimpolho: nesses tempos, era o infanticídio o alvo das apaixonadas controvérsias que hoje se repetem a propósito do aborto... - o mero avanço da medicina se encarregará de fazer com que a todos pareça hediondo que se faça a um feto de algumas semanas o que essas almas sensíveis pró-aborto considerariam um inqualificável crime quando feito, hoje em dia, a um recém-nascido, independente de todas "as condições socio- eocnómicas e culturais envolventes"
O cão de guardo do Abrupto provoca em mim os piores sentimentos que um cão de guarda pode provocar a um passeante descuidado. Desta vez insurgia-se contra uma notícia do Expresso sobre o "casal Sócrates". A notícia em si, era tudo o que JPP diz dela. O que já não é despicienda, todavia, é a questão das vidas privadas da figuras públicas. E até pela pequenina questão da despesa: imaginemos um primeiro-ministro com dez relações amorosas (reparar na discreta alusão multiculturalista). Nos tempos que correm, de ameaças terroristas, as senhoras - ou os senhoras, se o cargo fosse exercido por uma senhora devassa (reparar no discreto sexismo, aqui) - teriam de ser protegidos. E todo esse alforge de amores seria motivo de preocupação e despesa (pública) para os serviços secretos, como o foi, por exemplo a bastarda de Mitterrand, com direito a segurança e que os franceses pagaram durante anos, sem saberem, através dos seus impostos. Se alguém quer ter uma vida privada inviolável nao se candidate a cargos públicos. Sobre o artiguinho, neste caso e naquela ocasião e sob aquele pretexto, já se deixou escrito acima.
Do aborto já disse aqui considerar que a vida humana é inviolável e que começa com a concepção.
Mais terei dito, se a memória não falha, que da discussão logo ressalta que o aborto é visto, afinal, como aquilo que os seus defensores negam que deva ser: um método de contracepção. Num tempo em que há uma panóplia de métodos para evitar a gravidez, é o prémio da desresponsabilização e da mais leviana licença. Mais terei dito que tendo em consideração o leque de métodos para evitar uma gravidez indesejada, a discussão sobre o aborto pertence ao puro excesso onde hoje em dia se inscreve o rocaille hedonista reinante. Mas, já que concomitante a este cultivo luxuoso de direitos há, mais ou menos sincero, o das boas intenções, o aborto está condenado pelo mero avanço da consciência da sua ilicitude que, nestas questões do termo inicial da vida humana se situava, ainda há pouco mais de um século, nas primeiras semanas, senão meses, depois do nascimento do pimpolho: nesses tempos, era o infanticídio o alvo das apaixonadas controvérsias que hoje se repetem a propósito do aborto... - o mero avanço da medicina se encarregará de fazer com que a todos pareça hediondo que se faça a um feto de algumas semanas o que essas almas sensíveis pró-aborto considerariam um inqualificável crime quando feito, hoje em dia, a um recém-nascido, independente de todas "as condições socio- eocnómicas e culturais envolventes"
O cão de guardo do Abrupto provoca em mim os piores sentimentos que um cão de guarda pode provocar a um passeante descuidado. Desta vez insurgia-se contra uma notícia do Expresso sobre o "casal Sócrates". A notícia em si, era tudo o que JPP diz dela. O que já não é despicienda, todavia, é a questão das vidas privadas da figuras públicas. E até pela pequenina questão da despesa: imaginemos um primeiro-ministro com dez relações amorosas (reparar na discreta alusão multiculturalista). Nos tempos que correm, de ameaças terroristas, as senhoras - ou os senhoras, se o cargo fosse exercido por uma senhora devassa (reparar no discreto sexismo, aqui) - teriam de ser protegidos. E todo esse alforge de amores seria motivo de preocupação e despesa (pública) para os serviços secretos, como o foi, por exemplo a bastarda de Mitterrand, com direito a segurança e que os franceses pagaram durante anos, sem saberem, através dos seus impostos. Se alguém quer ter uma vida privada inviolável nao se candidate a cargos públicos. Sobre o artiguinho, neste caso e naquela ocasião e sob aquele pretexto, já se deixou escrito acima.
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