sábado, agosto 26, 2006

Entre procuras na net, folheares de livros, dissipares de dúvidas sobre se era mesmo frio depois de jantar, alguns espilros esclarecedores e alguns olhares à televisão se passou a noite. Já outonal, ou quase.

sexta-feira, agosto 25, 2006

Voltei, como se volta das deambulações que a mais elementar prudência deveria ter bastado para evitar: alquebrado e sorumbático.

Oiço, com música de Finzi, o

Our birth is but a sleep and a forgetting:
The Soul that rises with us, our life's Star,
Hath had elsewhere its setting,
And cometh from afar:
Not in entire forgetfulness,
And not in utter nakedness,
But trailing clouds of glory do we come
From God, who is our home:
Heaven lies about us in our infancy!
Shades of the prison-house begin to close
Upon the growing Boy,
But He beholds the light, and whence it flows,
He sees it in his joy;
The Youth, who daily farther from the east
Must travel, still is Nature's Priest,
And by the vision splendid
Is on his way attended;
At length the Man perceives it die away,
And fade into the light of common day.

da Intimations of Immortality de Wordsworth

quinta-feira, agosto 24, 2006

Intermezzo II

"Plutão perde estatuto e sistema solar fica com oito planetas
A Assembleia-geral da União Astronómica Internacional (IAU) decidiu esta quinta-feira, em Praga, retirar a Plutão o seu estatuto de planeta, passando assim a oito o número oficial de planetas do sistema solar."

Agora foi Plutão... Para o Impensável, Plutão será sempre um digno e querido planeta, nada menos do que isso.

domingo, agosto 13, 2006

Intermezzo
Da capital do reino aqui foram oito horas calmas. As estações, algumas de duvidosa existência, eram antecedidas por alocuções, embora breves, não severamente lacónicas: poderiam ser aforismos, máximas morais, enunciações de problemas de filosofia política, falas de personagens de Bergman, enunciações ontológicas que as paragens do combóio apenas ilustravam. Acabei o ensaio sobre Fichte, de Berlin, dormitei e vi a paisagem que daria gosto a qualquer amador da natureza: "olha a frágua, olha o rio, olha a ravina, o lago, o penedo, a cascata, olha, olha!"

sábado, agosto 05, 2006


Esperemos, então, pelo Outono ou, sem ambições apressadas, por Setembro.
O vôo sobre os trigais é de 1891, de Harald Slott-Moller
Há bocadinho quis enviar uma sms de parabéns (o telefone não respondia) e não consegui. Percebi depois porquê: estavam todos a combinar tudo, ou quase, os programas desta noite. Resolutamente, estou sem sombra de que fazer senão estar aqui a ver de paisagens longínquas onde lave os neurónios e depois os possa pôr a corar a um sol pálido e incerto, para ganho das cores

sexta-feira, agosto 04, 2006

Uma borboleta gorda e, julgo, com ambições literárias de metáfora, busca um fim em volta do quebra-luz do candeeiro, que transformou numa espécie de poço da morte do avesso; voa atraída pelas luzes com uma ferocidade trepidante e barulhenta. Para ser mais preciso, com a veemência de que só as criaturas das letras são capazes no cumprimento de uma figura de estilo, mesmo da mais gasta. E eu, que pesquisava as minhas férias da net (deviam ter sido programadas há mais de dois meses, declarava um profissional do lazer), ao incómodo de antecipar sofrimentos de caminhadas de hotel em hotel a subornar recepcionistas para conseguir dormida em enxovias caras, tive de acrescentar o de inclinar-me para me proteger de uma colisão trágica com o insecto que me vazasse uma ou as duas, sim, as duas, vistas que esta é época de dramas pequenos e burgueses e todo o cuidado é, como se sabe, pouco.

quarta-feira, agosto 02, 2006

Sonhei, num sono de tarde de estio, passear por chãos cobertos de carumas distantes, atentas e pensativas, diferentes das carumas felizes que Ruben A. - cito de memória - conhecia do Minho. Entre as sagas e as albas.

terça-feira, agosto 01, 2006

Malas abertas, as roupas que eram para ir espalhadas por cabides e costas de cadeiras, outras em cima das camas, papel de seda, azáfamas e agitações - contidamente alegres e tão desnecessárias, afinal - as coisas de praia (toalhas, roupões, chapéus...) as coisas de viagem.
Era assim, e que saudades tão grandes de tudo.

quinta-feira, julho 27, 2006

Diga-se o que se disser
o aportuguesamento do google (google.pt) é desvantajoso inconveniente e irritante.

quarta-feira, julho 26, 2006

O Primeiro Concurso de Verão do Impensasável fez um fiasco agradabilíssimo, já que, publicamente, apenas dois blogues quiseram entrar: um foi o sempre atento, sempre simpático e encantador Bomba Inteligente, o outro o blog amável de JAC.
Ao dois apresenta este blog os gratos cumprimentos mas, lastima-se desoladamente dizê-lo, ambos erraram.
A resposta era: R. Não! Não, a personagem interpretada por Cary Grant não se conduziu (naquele particular) como um gentleman já que nenhum gentleman carrega as suas próprias malas. E não se venha argumentar que não há sempre pessoal diponível. O filme é dos anos 30, havia pessoal. Tratava-se de um sportman dirão; mesmo assim, respondo eu, o transporte de bagagem não é um desporto.

terça-feira, julho 25, 2006

segunda-feira, julho 24, 2006


O Impensável lança esta semana o seu Primeiro Concurso de Verão, para desfastio e refresco dos seus leitores. Até às 23 horas de 3ª feira poderão as senhores e senhores frequentadores deste blog dissertar, num máximo de 3 linhas razoáveis, enviadas para o mail do Impensavel, sobre a seguinte questão que aqui se deixa: foi o comportamento de C. K. Dexter Haven, personagem interpretada por Cary Grant no Philadelphia Story, o de um «gentleman»?
Publicar-se-ão as justificações mais veementes - e promete-se um julgamento imparcial.

domingo, julho 23, 2006

Na madrugada de Domingo, antes de o sol nascer, das profundezas do meu ipod, inesperado, o"SLEEP is supposed to be" de Emily Dickinson, cantado pela Dawn Upshaw, aqui. Pode-se ouvir - preciso: faixa 17 para quem esteja apressado.


SLEEP is supposed to be,
By souls of sanity,
The shutting of the eye.

Sleep is the station grand
Down which on either hand
The hosts of witness stand!

Morn is supposed to be,
By people of degree,
The breaking of the day.

Morning has not occurred!
That shall aurora be
East of eternity;

One with the banner gay,
One in the red array,—
That is the break of day.

sexta-feira, julho 21, 2006

Ouff ... finalmente uma novidade digna desse nome e agradável!
Um post sobre a autonomia do MP suscitou um outro, amável, do Grande Loja do Queijo Limiano (GLQL) a quem agradeço, sensibilizado, a atenção prestada ao que escrevi.
Passo a esclarecer alguns pontos:
1 - Quando me refiro ao governo actual não me refiro a um qualquer governo em concreto, mas, no fundo, aos governos das democracias modernas. Não me refiro a este governo, com que,como é bom de ver, não simpatizo.
2 - Não digo que o MP vê nos políticos uma gente sinistra, mas sim que alguns defensores da autonomia do MP parecem ver, ou partem do pressuposto que são, aqui e lá fora;
3- Sou monárquico: não digo e seria impensável dizer que a legitimidade democrática se esgota no acto eleitoral, muito pelo contrário. Mas deve passar por muitos actos eleitorais;
4- Sobre figuras tristes recentes, parece-me que existiram de todos os lados... O actual Código de Processo Penal, considero-o uma ignomínia e como disse o Dr. Pires de Lima, próprio do Burkina Faso (pobre Burkikna Faso, era o Burkina Faso?). É, no entanto, um elucidatico monumento ao que ainda somos.
5 - A minha principal preocupação enquanto Zé da Esquina, mais do que geometrias de divisão de poderes (no Reino Unido o chefe do Judicial é membro do Governo e do Parlamento...) é saber a quem pedir contas. E não sei. E prestar contas - e pedi-las - e recebê-las são obrigações, são deveres que nada há que os possa ou deva elidir em democracia.

quinta-feira, julho 20, 2006

Passei por ali um pouco por acaso e li cheio de interesse, ora concordando, ora discordando (o que são os exageros de Eça? Camilo viu mais "verdade"? E Júlio Diniz - a quem Eça classificou como paisagista notável - também? - Creio que não. E o Ramalhete tem pouca vida? Claro que tem pouca vida, tinha de ter pouca vida! E...
Que agradável seria continuar a conversa!
A propósito de leituras no GLQL, onde é feita a exaltação da autonomia do Ministério Público em nome da eficácia, convirá lembrar que o "poder político" - nome pelo qual é moda designar entre nós o executivo, o governo - não é já o governo absolutista ou de uma ditadura, mas o governo legítimo de uma democracia, que responde perante a assembleia da república onde estão os representantes do povo português, por este eleitos, em eleições não contestadas por ninguém. No entanto, os membros do governo e os deputados parecem ser, para alguns dos defensores dessas autonomias, uma gente sinistra com queda para a actividade delituosa e com a ambição suprema de "pressionarem" o MP. Ao invés, o Ministério Público (que tem um sindicato), vítima desses assédios é constituído, parece, todo ele por canduras e dedicações abnegadas...Ora, a verdade é que qualquer ministro que ponha pé em ramo verde, hoje dia em dia em Portugal - sim em Portugal - é rápida e facilmente deposto, pelo que se não lobrigam os motivos dos medos dos defensores da autonomia do MP (que, em democracia é, afinal, repete-se, autonomia em relação a quê??? Ao Governo legítimo do País? À Assembleia da República?).
Em inglaterra, pátria da democracia como se passam as coisas? O M.P e as polícias dependem do governo, do Lord Chancellor que, of course, responde perante o Parlamento onde se sentam os representantes do povo britânico. Dediquem-se os meus leitores a documentarem-se. Dou pistas: não há autonomias do jaez da existente aqui...