sábado, julho 15, 2006

Reúno os destroços e tento pôr-me a caminho daqui.
Digo isto com a tranquilidade de quem sabe não correr o risco de encontrar demasiados compatriotas e a mesa de 4 que tão inopinadamente apareceu promete conversas divertidas.

sexta-feira, julho 14, 2006

Momentos de especial fragilidade: cortei-me num dedo ao tentar retirar a cápsula do blister. Um corte minúsculo e irritante, quase invisível mas que provoca dor ou sensação assemelhada - é mais um ardor encanitante - em contacto com objectos de uso diário: folhas de papel, telecomando da televisão e ar condicionado, telemóvel, etc. Não, não sou herói, sim, sou piegas, não, não tenho vergonha de me portar como uma criança pequena, sim, é do calor, sinto-me miseravelmente.

quarta-feira, julho 12, 2006

Um pequeno esclarecimento: detesto o Verão, melhor, detesto calor. Acima dos 30ºC as minhas meninges, por mais espremidas que sejam, não produzam mais do que um lamento grotesco e bronco. Prevejo, por isso, intermitências neste blog.

terça-feira, julho 11, 2006

A uma cidadã indiana que teve a falta de gosto de pedir a nacionalidade portuguesa (mas isso é lá com ela) foi-lhe esta negada por um acórdão do Tribunal da Relação de Lisboa. O acórdão não poderia decidir de outro modo, face à lei existente.
Deve mudar é a lei de modo que, como lembrou a excêntrica senhora indiana, passe a definir, tal como na legislaçao dos USA - essa nação perversa - quais os conhecimentos necessários sobre cultura, história hábitos, etc., para obter a nacionalidade.
A essa saxónica clareza, prefere o legislador daqui a tradição lusa da discricionariedade autoritária e cultiva-se o vago, para que tudo fique a jeito de se resolver com um jeito e andemos todos bem cientes de quanto devemos estar agradecidos às autoridades.

segunda-feira, julho 10, 2006

Este é um post milenar, é o post 1000.
Nunca esperei chegar aqui, mesmo quando deixei de esperar.

domingo, julho 09, 2006

Motivos náuticos,
continuação.

The Paper Nautilus

For authorities whose hopes
are shaped by mercenaries?
Writers entrapped by
teatime fame and by
commuters' comforts? Not for these
the paper nautilus
constructs her thin glass shell.

Giving her perishable
souvenir of hope, a dull
white outside and smooth-
edged inner surface
glossy as the sea, the watchful
maker of it guards it
day and night; she scarcely

eats until the eggs are hatched.
Buried eight-fold in her eight
arms, for she is in
a sense a devil-
fish, her glass ram'shorn-cradled freight
is hid but is not crushed;
as Hercules, bitten

by a crab loyal to the hydra,
was hindered to succeed,
the intensively
watched eggs coming from
the shell free it when they are freed,--
leaving its wasp-nest flaws
of white on white, and close-

laid Ionic chiton-folds
like the lines in the mane of
a Parthenon horse,
round which the arms had
wound themselves as if they knew love
is the only fortress
strong enough to trust to.

Marianne Moore

segunda-feira, julho 03, 2006

Gofumk íþrótt
ulfs og bági
vígi vanr
vammi firrða
of þat geð,
es ek gerða mér
vísa fjandr
af vélondum.

de 'Sonatorrek'

sábado, julho 01, 2006

Nao vi o jogo (não tenho paciência) mas assisti aos penalties. Emocionante!
Tivera sido com a França, teria abandonado a fleuma e mandado celebrar um Solene Te Deum.

Depois, passados momentos começou a ululância nas ruas, agravada agora com a dos «populares na TV» e é já muito à contre-coeur que escrevo este post-confissão de um momento de euforia.

sexta-feira, junho 30, 2006

quinta-feira, junho 29, 2006

Os meus "favoritos" desorganizaram-se, melhor, organizaram-se alfabeticamente ao invés de cronologicamente, como até agora estavam. Perdi metade do meu mundo e, principalmente, os meus preciosos links finlandeses, que lá estão agora por "assunto" - desconhecido - e que não encontro, por mais que tente *. Idem para os da Frisia (encontrei apenas este que atribuo ao sono da altura).
Apesar de não parecer, estou apaticamente furioso.

* Não, não estavam arrumados nas "pastas próprias" e com o nome do respectivo"assunto" "Links da Finlândia" ou "Alojamento em Tornio"... Estavam "a granel".
Inquietude? Ponha-se-lhe motivos náuticos, muito azul, areia, mar, talvez um farol e logo o tormento se desfaz, a desdita cessa, sossega e se aquieta o bloguista.

"...............................................
- Que queres tu, meu gajeiro,
Que alvíçaras te hei-de dar?
"Capitão, quero a tua alma
Para comigo a levar".
- Renego de ti, demônio,
Que me estavas a atentar!
A minha alma é só de Deus,
O corpo dou eu ao mar.
........................................."

Nau Catrineta

segunda-feira, junho 26, 2006

Confidenciou-me a minha fiel empregada Felisbela que de vez em quando pensava na família Sampaio. Como estariam a senhora, o sr. presidente, os meninos? Isto ainda há poucos dias. Lá a sosseguei, "pas de nouvelles, bonnes nouvelles". Mas hoje, lido o Diário da República pude dar-lhe notícias frescas: a menina Verinha, disse-lhe, já tem emprego, Felisbela, é adjunta do Senhor Ministro da Presidência, desde Abril, vem hoje a nomeação. "Ah - disse ela - ainda bem. No Ministério da Presidência? Aquilo foi pelo paizinho ter sido presidente". E eu: deve ter sido, Felisbela, deve ter sido. E ia acrescentar que lá fora isto seria um escândalo, quando me lembrei que os choques emocionais da Felisbela acabam sempre por se repercutir cruel e vivamente nos meus pobres palato e estômago (nem sempre por esta ordem) e calei-me, que isto, em questões de gamela, não brinco.
Ah, aqui entre nós, o pormenor terno: a nomeaçãozinha foi publicada com efeitos retroactivos. Estou em crer que o Sr. Dr. Sampaio até foi capaz de se ter emocionado com essa atençãozinha, sabe-se lá se até chorou! Se eu, que nem conheço a Verinha, tive vontade de chorar...

sexta-feira, junho 23, 2006

Às onze e meia estava livre e resolvi apanhar um táxi e passar pelo «hiper», antes de voltar. À entrada, depois de pagar - como os americanos, já fora do táxi - ouvi um "pstpst, ó senhor" e lá estavam as duas, bem dispostas e sorridentes. Fingiam-se escandalizadas com o meu overdress - que consistia, afinal, num lenço no bolso do casaco - e para me envergonharem, diziam, tinham tirado fotografias com o telemóvel, para enviarem ao geral dos amigos. Defendi-me mostrando o traje de trabalho, enrolado debaixo do braço. Lá sossegaram... e entre risos perguntamo-nos pelas maleitas, que estão em altura sim, e despedimo-nos com os "apareça" habituais. Já na secção do leite, percebi quão agradável aquele encontro, risonho, amigo. A alquimia da felicidade de que falava o Rimbaud é isto. E se acham "isto" o meu momento "Caras Verão" não me importo. Nada melhor que gente bem humorada. Prontos.
Ouvi o primeiro-ministro falar sobre a situação em Timor e pasmei: sei que não é fácil dizer seja o que seja, dada a gravidade e melindre da situação, mas tantos lugares comuns, tanta vacuídade, tanto Sir Humphrey de terceira categoria não seria possível evitar?