terça-feira, maio 16, 2006
Boa Ideia
Fazer as malas e partir para a Escandinávia; por lá ficar, à fresca, até fins de Setembro.

Não, não tenho ainda (em nome de quê nos tuteiam?) mas gosto desta. But is it art? Não sei, mas é a minha terra, Lisboa, e gosto daqueles telhados.
segunda-feira, maio 15, 2006
"[....] na verdade, nada me surpreendeu mais que o modo livre e desembaraçado como os rurais portugueses mantêm uma conversa, e a pureza da língua em que exprimem as suas ideias, se bem que poucos saibam ler ou escrever - ao passo que os camponeses de Inglaterra, cuja educação é, de um modo geral, muito superior são grosseiros e obtusos na conversa, por vezes a raiar a brutalidade, e absurdamente ingramáticos na linguagem - embora a língua inglesa seja, em globo, de estrutura mais simples que a portuguesa."
"George Borrow em Portugal" (1835), Livros Horizonte, Lisboa, 2006
"George Borrow em Portugal" (1835), Livros Horizonte, Lisboa, 2006
sexta-feira, maio 12, 2006
Fui a ares, estes dias, para S. Sebastião da Pedreira, termo da cidade de Lisboa. De lá regressei hoje, cansado de tanto sobressaltado sossego. Aqui, onde ele é natural e perfeito (cheio de sons pitorescos) não tem graça nem chiste o cantar do galo que lá me encantava. Estou quase Calisto, e, anjo fora, não se me dava de cair, também, um pouco.
segunda-feira, maio 08, 2006
Tentei encontrar o meu exemplar dos Buddenbrook e a tarefa revelou-se surpreendentemente fácil. A data da compra, muitos anos atrás, em Maio. Aguentei o golpe, lembrei-me de que era um adolescente muito adolescente na altura e, benigno e sensato, felicitei-me com sinceridade por Thomas Bunddenbrook e Tony (e Sesemi) fazerem parte das minhas amizades há tanto tempo e desde tão cedo.
Neste finale, as senhoras da família interrogam-se sobre o seu destino e sobre se algum dia se reencontrarão com os seus mortos queridos.
" -Havemos de reencontrá-los - disse Friederike, há horas em que essa ideia não consola, valha-me Deus! Horas em que se duvida da justiça, da bondade... de tudo. A vida - sabem ? - quebra muita coisa em nós e destrói muitas crenças... Um reencontro... Oxalá seja verdade...
Nesse momento, porém, Sesemi Weichbrodt levantou-se junto da mesa tão alto quanto pôde. Pôs-se nas pontas dos pés; esticou o pescoço; deu palmadinhas na tábua. A toca tremia-lhe na cabeça.
-É verdade! - disse ela com todo o vigor de que dispunha, fitando as demais com olhares de desafio.
Erguia-se ali, vencedora da boa luta que, toda a vida travara contra as dúvidas da sua razão professoral, corcunda, minúscula e trémula de convicção, pequena profetiza vingadora e entusiasta."
Thomas Mann, Os Buddenbrook ed. «Livros do Brasil»
Neste finale, as senhoras da família interrogam-se sobre o seu destino e sobre se algum dia se reencontrarão com os seus mortos queridos.
" -Havemos de reencontrá-los - disse Friederike, há horas em que essa ideia não consola, valha-me Deus! Horas em que se duvida da justiça, da bondade... de tudo. A vida - sabem ? - quebra muita coisa em nós e destrói muitas crenças... Um reencontro... Oxalá seja verdade...
Nesse momento, porém, Sesemi Weichbrodt levantou-se junto da mesa tão alto quanto pôde. Pôs-se nas pontas dos pés; esticou o pescoço; deu palmadinhas na tábua. A toca tremia-lhe na cabeça.
-É verdade! - disse ela com todo o vigor de que dispunha, fitando as demais com olhares de desafio.
Erguia-se ali, vencedora da boa luta que, toda a vida travara contra as dúvidas da sua razão professoral, corcunda, minúscula e trémula de convicção, pequena profetiza vingadora e entusiasta."
Thomas Mann, Os Buddenbrook ed. «Livros do Brasil»
domingo, maio 07, 2006
sábado, maio 06, 2006
sexta-feira, maio 05, 2006
Recebi hoje a "Queirosiana" da Fundação Eça de Queiroz e Associação de Amigos de Eça.
Leio, com interesse, "Untaming the screw: Sex, Sewers and Obscenity in A Cidade e as Serras" de Kathryn Bishop-Sánchez (a coisa não é o que parece).
Entretanto, pelo mail, um pedido da Amazon.us para classificar o desempenho da vendedora do disco que comprei, uma longínqua firma do Oregon. Dei 5, excelente: demorou pouco e chegou tudo como deve ser. Que mais podia querer?
Antes de voltar à Queirosiana, um pequeno lamento: como é irritante esta necessidade provinciana do up to date e como é ainda mais irritante percebermos que o último escândalo artístico de que demos fé já cresceu tanto que frequenta a academia... (descoberta ao ler "But is it art?", de Cynthia Freeland, comprado por erro, mas que se revelou divertido). O escândalo que referi era o de Hirst, do "The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living" que, queira-se ou não, é já do longínquo ano de 1991!
Leio, com interesse, "Untaming the screw: Sex, Sewers and Obscenity in A Cidade e as Serras" de Kathryn Bishop-Sánchez (a coisa não é o que parece).
Entretanto, pelo mail, um pedido da Amazon.us para classificar o desempenho da vendedora do disco que comprei, uma longínqua firma do Oregon. Dei 5, excelente: demorou pouco e chegou tudo como deve ser. Que mais podia querer?
Antes de voltar à Queirosiana, um pequeno lamento: como é irritante esta necessidade provinciana do up to date e como é ainda mais irritante percebermos que o último escândalo artístico de que demos fé já cresceu tanto que frequenta a academia... (descoberta ao ler "But is it art?", de Cynthia Freeland, comprado por erro, mas que se revelou divertido). O escândalo que referi era o de Hirst, do "The Physical Impossibility of Death in the Mind of Someone Living" que, queira-se ou não, é já do longínquo ano de 1991!
quinta-feira, maio 04, 2006
quarta-feira, maio 03, 2006
Morreu a semana passada o autor destes versos:
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
Guilherme de Brito
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com a minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
É no espelho que eu vejo a minha mágoa
É minha dor e os meus olhos rasos d'água
Eu na tua vida já fui uma flor
Hoje sou espinho em seu amor
Tire o seu sorriso do caminho
Que eu quero passar com minha dor
Hoje pra você eu sou espinho
Espinho não machuca a flor
Eu só errei quando juntei minh'alma à sua
O sol não pode viver perto da lua
Guilherme de Brito
terça-feira, maio 02, 2006
segunda-feira, maio 01, 2006
domingo, abril 30, 2006
Bem sei que fiquei de falar do Alves & Cia. mas não agora.
Em frente à casa o jardim deserto. Ninguém, nem vivalma!
Do jardim, pela janela aberta da sala, chega um aroma de florinhas do campo e de rosas trepadeiras. Tenho de disciplinar aquele pobre jardim, se quero conservar nele alguma coisa, mas jardins são metáforas subtis de difícil apreensão. De qualquer modo, este ano já não faço nada...
Em frente à casa o jardim deserto. Ninguém, nem vivalma!
Do jardim, pela janela aberta da sala, chega um aroma de florinhas do campo e de rosas trepadeiras. Tenho de disciplinar aquele pobre jardim, se quero conservar nele alguma coisa, mas jardins são metáforas subtis de difícil apreensão. De qualquer modo, este ano já não faço nada...
sábado, abril 29, 2006
Por uma questão de feitio ou de afinidade, gosto de obras menores. Gostei do Sua Alteza Real de Mann que lembrei agora mesmo, a propósito de bons propósitos de dias positivos e outras boas intenções e do "Alves & Cia" do Eça. Lembro-me de um velho amigo de família me ter dito, ia eu pelo meus dezasseis tenros anos, que gostava de todo o Eça mas não do Alves, que era o livro sujo do escritor. Eu, que lera o Padre Amaro e o Primo Basilio, pasmei o melhor que pude e prometi-me disfarçadamente a leitura do livro. O que fiz...
Mas digo depois como foi e o que achei, mais logo.
Mas digo depois como foi e o que achei, mais logo.
sexta-feira, abril 28, 2006
Foi num jantar de correspondentes estrangeiros em Lisboa. Disseram eles que o destaque do futebol na vida portuguesa é único em toda a Europa; que, em Inglaterra, nem sequer há um jornal desportivo; que seria impensável que as eleições para a presidência de um clube fossem notícias de abertura de telejornais.... que, em suma, todo o circo à volta da bola é, afinal, marca de um bom e sólido subdesenvolvimento.
Também me queria a mim parecer que sim.
Também me queria a mim parecer que sim.
quinta-feira, abril 27, 2006
quarta-feira, abril 26, 2006
27º C em Abril! Como pode este país progredir - ou pensar a gente coisas positivas e sérias - com estas temperaturas de Casa Grande & Senzala, esta brisa mole de índicas lonjuras, estas pausas de aguada?
O meu antídoto pessoal para este estado de coisas é uma colónia britânica, de citrus e revigorantes manhãs frias que nos enche de energia de tão bom jaez que, não nos fazendo cirandar de um lado para o outro, em correrias, a fazer coisas sem sentido, nos provê, todavia, de uma curiosidade simpática pelas pessoas diligentes que passam por nós a caminho das suas ocupações.
O meu antídoto pessoal para este estado de coisas é uma colónia britânica, de citrus e revigorantes manhãs frias que nos enche de energia de tão bom jaez que, não nos fazendo cirandar de um lado para o outro, em correrias, a fazer coisas sem sentido, nos provê, todavia, de uma curiosidade simpática pelas pessoas diligentes que passam por nós a caminho das suas ocupações.
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