quarta-feira, abril 26, 2006

Chegam-me notícias do discurso assistencialista do Prof. Cavaco. É como dizia VPV, a classe média não é suicida (e é egoísta, conta com o Estado para a alimentar a ela e às adjacências necessárias para a manter em sossego).

terça-feira, abril 25, 2006

Que calor! Será que se vai manter ou Maio será fresco, como por vezes acontece, quase frio?
Seria bom que não tivéssemos um verão muito quente.
E será desta que me decido a um verão sententrional, aventurando-me até Bergen, ou à Bretanha e Ilhas do Canal, onde quase tenho medo que a minha chegada, de tantas vezes adiada provoque falatório, como temia, em situação semelhante, Lady Bracknell?

segunda-feira, abril 24, 2006

Eu escrevi "este blog acredita"? Este blog sou eu! Por este caminho, qualquer dia estou a dar entrevistas e jogo futebol: "o impensavel quer o bem do club e tem um grande carinho pela massa associativa. O Impensavel não marcou porque não pôde". Os jogadores de futebol é que falam na terceira pessoa, esses e as altezas, reais ou meramente sereníssimas, mas um golpe de estado é perigoso neste tempos de nervosismo.
Enfim...

domingo, abril 23, 2006

Queria ter 10 euros por cada pessoa que falou no acórdão do Supremo - o da palmada - sem o ter lido na íntegra...

Quanto ao mais: este blog acredita numa palmada dada a tempo - e até menos tempestivamente - nas criancinhas, principalmente nas relapsas. E os anjinhos também pensam o mesmo: instados com bons modos meia dúzia de vezes a não estragarem ou a não berrarem, ou a não qualquer outra coisa que estejam a praticar, as mais das vezes prosseguem. Prosseguem com afã e indiferença pelos outros. Pelo contrário, uma palmada bem assente, seca, sintética e enxuta, numa palavra, eloquente - não se diga que não se expõe as criancinhas à acção da retórica - opera maravilhas: param - e se souberem que essa palmada pode ser seguida de outra, nos mesmos moldes, caso haja manifestações sonoras e demais costumeiros artifícios - param convincentemente.

Isto, a propósito disto

sábado, abril 22, 2006

Se o que li tem a menor correspondência com a realidade e o Cardeal Martini afirmou mesmo que a legalização do aborto é um mal menor por fazer diminuir os praticados clandestinos (de facto, para o abortado, tê-lo sido legal ou clandestinamente faz uma diferença substancial...) fica provada a assistência do Espírito Santo nos Conclaves para a eleição papal, principalmente neste último, que não elegeu aquele Senhor Cardeal.
A insofismável grandeza e benefícios do sufrágio popular:

Desde as últimas eleições que Mário Soares tem estado calado.
Os festejos dos 80 anos da Rainha Isabel II, o apoio que lhe demonstram os seus súbditos creio que causam algum mal-estar aos franceses. No outro dia comentava um deles que a popularidade da actual soberana poderia contribuir para a queda da monarquia, já que o actual Príncipe de Gales não é tão - aparentemente e agora - tão popular.

Isto é dito por quem teve de escolher, ainda há bem pouco tempo, entre Chirac e Le Pen e não prognosticou então, o fim da republique française.

sexta-feira, abril 21, 2006

E a Rainha faz anos.
80 merecidos anos.
Muitos parabéns!
Estava a o uvir o "Let it be" e a ler. Passei os olhos pelo monitor, li que Sócrates Fawlty Torres considera o relatório da OCDE "futurologia".
Se ele continuar assim, acabo por gostar dele, talvez me converta e acabe por perceber que "my name is Manuel, call me Manuel."

quinta-feira, abril 20, 2006

Para ler com atenção: At the same time the fiscal deficit remains at an unsustainably high level. To consolidate the budget and regain a higher growth path, a number of structural measures need to be taken. This chapter reviews four challenges: i) putting public finances on a sustainable path; ii) improving the performance of the education system; iii) modernizing the economy by enhancing tertiary education, training and innovation; and iv) creating a more dynamic business environment through structural reforms in product and labour markets.
O resto...
Um amigo emigrante/emigrado apostrofa furiosamente os portugueses porque, num aeroporto de Londres ouve, entre as vozes, o ajuste de uma "bacalhoada com todos". É do pouco que escreve em português no mail que me enviou hoje: talvez por zanga à pátria, é em francês que prognostica a miséria a este povo "qui mange beaucoup et parle trop".
Acho excessiva tal zanga por causa de um bacalhau com todos, se bem que considere que a bulimia nacional, essa atávica verocidade de gente pobre se tem agravado à media que gastamos mais: não deixámos verdadeiramente de ser pobres, a pobreza, ao invés de desaparecer, entumeceu.

quarta-feira, abril 19, 2006

Lembro-me de cá por casa se achar um absurdo o "Abril em Portugal", unanimemente considerado um mês áspero e desagradável. A mim, fazia-me um pouco de confusão tal má vontade. Hoje, instalado na sapiência da meia idade (ai ai), mais, obrigado, agora mesmo, a ir buscar um casaco, dou razão aos protestos familiares.

19 de Abril: vi depois que, pela data, 1506, os acontecimentos do Rossio não podiam ter sido o que apressadamente tinha suposto pelas leituras em viés: o primeiro auto-de-fé.
Não podia ser: ao tempo ainda reinava D. Manuel I, não havia inquisição que chegou por volta de 1540.
Mas deixo o post sem emenda.

segunda-feira, abril 17, 2006

Julgo que não me corre nas veias sangue judeu.
Dos judeus em Portugal sei o que li - pouco - em Herculano e outra tanto em Saraiva e o que quem lê história de Portugal vai encontrando, mas nunca tive grande curiosidade pelo tema, talvez pela minha assumida vocação de evitar assuntos desagradáveis,tais são chacinas e autos-de-fé.
Simpatia, a que qualquer pessoa sente, uma simpatia longínqua e compadecida.
Há uns anos, porém, soube dos judeus de Belmonte e os quatro séculos de persistência espantaram-me - eu que me dedico a ser do contra, mas de desânimo fácil - e comoveram-me. Não o suficiente para, como se diz hoje, me ir documentar - e já tinha lido o essencial - mas para olhar com admiração redobrada as vicissitudes daquela pobre gente tão desgraçada.
Mais ainda, foi essa pobre gente o combustível da Inquisição, instrumento ao serviço do estatismo português e da sua monstruosa capacidade de produção de hipocrisia e criação de realidades "legais" de que tudo é exemplo a conversão forçada dos judeus e o estatuto de cristãos-novos.
Por isso, fiquei feliz quando li na Rua da Judiaria a ideia de lembrar o 19 de Abril de 1506.
Não são pedidos de desculpas, revisionismos, reaberturas de processos ou acusações extemporâneas ... é apenas mera e boa decência, lembrar a morte de portugueses inocentes assassinados pelo estado.
Não vou ao Rossio apenas porque não estou em Lisboa.
Tempinho desagradável, este, de vento frio.
Depois das férias - a Páscoa hoje é, para a grande maioria, um pretexto para férias - aproveito a segunda-feira a meio vapor para pôr alguns assuntos em dia e adiantar outros, de modo que, quando voltar esta gente toda, tenha a possibilidade de me escapar daqui ou meramente das actividades quotidianas e ir habitar os recônditos lugares que construímos - cf., infra, Poema de Vitorino Nemésio.

quinta-feira, abril 13, 2006

terça-feira, abril 11, 2006

Hagiografia introdutória, vulgo prefácio, e depois meia dúzia triste de páginas com uma linhas ralas nelas dependuradas por cordéis velhos de imagens e lêem isto e por isto se cumprimentam.
E Nemésio, isto só para falar de um deles, e Nemésio ninguém lê, ou menos do que o deviam.
Ora aí vai dele:

Concha

A minha casa é concha. Como os bichos
Segreguei-a de mim com paciência:
Fechada de marés, a sonhos e a lixos,
O horto e os muros só areia e ausência.

Minha casa sou eu e os meus caprichos.
O orgulho carregado de inocência
Se às vezes dá uma varanda, vence-a
O sal que os santos esboroou nos nichos.

E telhadosa de vidro, e escadarias
Frágeis, cobertas de hera, oh bronze falso!
Lareira aberta pelo vento, as salas frias.

A minha casa... Mas é outra a história:
Sou eu ao vento e à chuva, aqui descalço,
Sentado numa pedra de memória.
In a fit of spleen (apesar do tempo doce e das férias)

segunda-feira, abril 10, 2006

O governo francês, presidido por Monsieur Villepin, capitulou, desta vez perante alguns adolescentes turbulentos que resolveram divertir-se nas ruas em vez de estarem nas aulas - que, não sei porquê, julgo maçadoras e sensaboronas. Todos os dias os alunos protestavam, trocavam cromos, ficheiros mp3, sms, atiravam algumas pedras à polícia e berravam alguns diminutivos e abreviaturas tão ao gosto gaulês. Alguns alunos do ensino básico também participaram e os seus bibes alegres e coloridos deram uma nota pitoresca aos protestos.
Perante a amplitude e gravidade das "manifs" é uma atitude sábia, esta de Villepin e constitui uma novidade na história de França: até aqui os chefes de governo francês usavam capitular perante o exército alemão. É a primeira vez que o fazem perante os seus próprios adolescentes, numa manifestação de invulgar patriotismo e de respeito pela história de França: "allons enfants de la patrie".

quarta-feira, abril 05, 2006

Nossa Senhora
Das coisas impossíveis que procuramos em vão,
Dos sonhos que vêm ter connosco ao crepúsculo, à janela,
Dos propósitos que nos acariciam
Nos grandes terraços dos hotéis cosmopolitas,
Ao som europeu das músicas e das vozes longe e perto,
E que doem por sabermos que nunca os realizaremos...
Vem, e embala-nos,
Vem e afaga-nos,
Beija-nos silenciosamente na fronte,
Tão levemente na fronte que não saibamos que nos beijam
Senão por uma diferença na alma
E um vago soluço partindo melodiosamente
Do antiquíssimo de nós
Onde têm raiz todas essas árvores de maravilha
Cujos frutos são os sonhos que afagamos e amamos
Porque os sabemos fora de relação com o que há na vida.

(Álvaro de Campos)

Assim seja.

terça-feira, abril 04, 2006

Se a minha preguiça não corroesse, anestésica e ácida, «as questões que por vezes me assaltam» até vestígios toleráveis de princípios, ser-me-ia impossível viver nesta exiguidade bucólica (junto da eira onde as galinhas vêm esgaravatar alimento) e pedir àquela divindade tão contida em sofrer, ladeada de jarrinhas de sempre-vivas, uma paisagem de meia dúzia de coisas plausíveis para onde olhe e ponha esperança.
Com estas conversas todas, resolvi ir à fonte, ao site de Margarida Rebelo Pinto e li algumas sinopses. Os narradores e narradoras estão desanimadotes com a vida e pensam um tudo nada arbitrariamente. Umas delas refere um com "ar de índio que sabe negociar a paz com paciência e alguma manha" e vá-se lá saber onde é que ela, a escritora, viu um índio a negociar daquele ou de outro modo ou, se viu, como podemos nós confirmar a justeza da imagem, não vale... Mas, acima de tudo, fiquei impressionado com a tristeza... que gente triste e desalentada, que soturno, que lua-de-londres! E apressado, aquilo é um corridinho triste.
Muito português de hoje, no entanto, essa tristeza afoita, o ar despachado, olha-depois-apanho-te-na-escala-em-Londres-não-me fujas-acredito-em-ti-acredito-para-Nova-York-sim-ainda-me-faltam-três-prestações, que é como se dizem estas coisas em prosa moderna, não deixa de ser do mais lídimo lamento e queixume lusos.
Não duvido que seja um êxito.

sábado, abril 01, 2006

Era tarde na noite, no recato do lar. A williamine, en liqueur, sobre a mesinha, preparava-me para entender a questão desta primavera, a "questão francesa": não podia, decentemente, continuar a afirmar, aos jantares, que aquilo era uma questão de nostalgia e de falta de Ritalin, uma falha prescritiva dos pediatras franceses. Prometia-me ler o CPE, ver mesmo no dicionário o significado preciso de «embauche», ler os discuros de Villepin, estudar a história da coisa, munido dos prints que fizera quando tive de admitir que estava vilmente de parti pris contra a criançada. E para remédio disso, resolvi avivar a a minha propensão para a neutralidade com sucessivos golinhos da eau-de-vie suiça. No recato do lar, nada havia a temer, e destrinçaria o assunto. E assim continuei, noite adentro, julgo. Julgo, porque não tenho a certeza: lembro-me quando o perigo surgiu, insinuado na pequena notícula de rodapé: lembro-me de encontrar a citação, de lhe abrir a porta, mas a partir daí é-me impossível reconstituir a jornada. Quando acordei, lá estava ela ainda, gasta, suixante-huitardiste, the french theory, lívida, poudrée, sob o aroma de um pomar japonês, zen, de pera williams. Nunca a salvo de Dionisos, como aprendeu Zé Fernandes, quase corri, como ele, para um grande banho lustral de filosofia analítica e sabão anglo-saxónicos.
Convalesço.

sexta-feira, março 31, 2006

O gene lusíada:
Ora esta! Esqueci-me de uma assembleia geral! É um bocado desagradável!
Bem... o que não tem remédio, remediado está!
Logo telefono a lamentar não ter estado, o que é verdade. Se não fora verdade, não seria lusitano o gene.

quinta-feira, março 30, 2006

Para quem vive sob um estado autoritário e abusador ( o português, sim) não deixa de ter algum encanto - abstraindo do sofrimento real das pessoas envolvidas - ver como esta gente (políticos, altos funcionários) fica reduzida à sua enorme insignificância perante a realidade e de como reagem pateticamente.
É a vida a sério, diga-se isso ao Ministro, não aquela em que se propõem desafios de futebol para resolver problemas magnos. Quer propôr um jogo?
E ele lá foi, apressado, fazer não sei o quê.
Como o Coelho de Alice.
A ilustração de Alice é de Sir John Tenniel que ilustrou a primeira edição dos livros de Carroll.
Li as "Alices" com sete anos, creio.
`Must a name mean something?' Alice asked doubtfully.
`Of course it must,' Humpty Dumpty said with a short laugh: `my name means the shape I am -- and a good handsome shape it is, too. With a name like yours, you might be any shape, almost.'
Prossigamos com o confessionalismo.
Lembro-me muito bem do Humpty Dumpty e de achar que aquele nome era, de facto, um nome de ovo, um nome dado por causa da forma de ovo e que era preciso ser mesmo uma menina para não perceber isso.
De igual modo, achava verosímil que o destino de alguns ovos - pelo menos em tempos distantes e noutros países - fosse o de se tornarem ovos adultos e não minúsculos pintainhos.
Creio, hoje em dia, que li a Alice muito desacompanhado.

quarta-feira, março 29, 2006

"(...).............Só nas trevas,
Se ilumina a expressão das criaturas,
Como um céu nocturno, Ó lua nova,
O teu perfil de prata que me lembra
O perfil de Virgílio a revelar-se
Na morta escuridão de dois mil anos.

É nas trevas que as almas aparecem.
E a sua face externa, dimanando
Este ar humano a arder em luz divina
Ou toldado de fumo enegrecido:
O relevo mais alto
Dum rosto que se anima, aquele traço
Que melhor o define, aquele modo
De olhar e de falar, aquele riso
Ou de anjo ou de demónio;
Este ar inconfundível e perpétuo
Que trouxemos do ventre maternal.
Fulgura na beleza amanhecente
E conserva acendida, entre as ruínas
Da trágica velhice,
A monótona lâmpada soturna,
Em melancólicos lampejos frios.
E inalterável paira sobre a face
Gelada dos cadáveres.. .
E dela se desprende; e, já liberto,
Em vulto de fantasma,
Fica, por todo o sempre, a divagar
Entre o luar e a noite, o Céu e a Terra."

Teixeira de Pascoaes, "Semelhança" em noite
de lua nova
Curiosidade entomológica:
Creio ter visto uma melga.
Em Março?

terça-feira, março 28, 2006

Facto curioso
Hoje recebi quatro cartas,uma da Grã-Bretanha que me prevenia de estar a findar a minha assinatura, outra do Brasil com o recibo de uma compra on line e duas de cá, contas correntes. Em que reside a curiosidade? Todas elas estavam cuidadosamente coladas, ferozmente, ciosamente coladas. Deve ser um modo de passar o tempo lá no emprego, fechar as cartas desinteressantes com muita cola.

P.S. A tela do Spilliaert e a de Chirico, são amistosa e arbitrariamente simétricas. Por abritrariamente quero dizer que calhou assim.

Isto não é uma ilustração para o post anterior. Isto é Nuit de Léon Spilliaert e é um quadro de que gosto muito.
É num romance da Agustina: há um personagem dos anos vinte que, vestido de flanela branca numa praia do norte de Portugal, se crê, por interposto algibebe, uma personagem de Proust... Lembro-me de ter pasmado. Foi só trinta anos depois, em 1950, diz Vasco Pulido Valente, que o seu célebre Avô apresentou Aquilino Ribeiro - o grande escritor português da altura - à obra de Proust que aquele por completo desconhecia...
Proust em Portugal, nos anos 20?... Proust em Afife ou similares?

segunda-feira, março 27, 2006

Li ontem mais alguma da correspondência de Proust, da colectânea feita a partir da edição de Kolb.
Numa das cartas, a sua Mãe - ou a Mme Strauss - Proust dizia que tinha pegado num jornal e o lera sem se aperceber que era de dois anos antes. É a mesma coisa, dizia, acrescentando que o sucedido fazia-o convencer de que tinha razão sobre o que pensava em relação ao tempo.

domingo, março 26, 2006

Je hais les dimanches!

Tous les jours de la semaine
Sont vides et sonnent le creux
Bien pire que la semaine
Y a le dimanche prétentieux
Qui veut paraître rose
Et jouer les généreux
Le dimanche qui s'impose
Comme un jour bienheureux

Je hais les dimanches !
Je hais les dimanches !

Dans la rue y a la foule
Des millions de passants
Cette foule qui coule
D'un air indifférent
Cette foule qui marche
Comme à un enterrement
L'enterrement d'un dimanche
Qui est mort depuis longtemps.

Je hais les dimanches !
Je hais les dimanches !

Tu travailles toute la semaine et le dimanche aussi
C'est peut-être pour ça que je suis de parti-pris
Chéri, si simplement tu étais près de moi
Je serais prête à aimer tout ce que je n'aime pas.

Les dimanches de printemps
Tout flanqués de soleil
Qui effacent en brillant
Les soucis de la veille
Dimanche plein de ciel bleu
Et de rires d'enfants
De promenades d'amoureux
Aux timides serments

Et de fleurs aux branches
Et de fleurs aux branches

Et parmi la cohue
Des gens, qui, sans se presser,
Vont à travers les rues
Nous irions nous glisser
Tous deux, main dans la main
Sans chercher à savoir
Ce qu'il y aura demain
N'ayant pour tout espoir

Que d'autres dimanches
Que d'autres dimanches

Et tous les honnêtes gens
Que l'on dit bien-pensants
Et ceux qui ne le sont pas
Et qui veulent qu'on le croie
Et qui vont à l'église
Parce que c'est la coutume
Qui changent de chemise
Et mettent un beau costume
Ceux qui dorment vingt heures
Car rien ne les en empêche
Ceux qui se lèvent de bonne heure
Pour aller à la pêche
Ceux pour qui c'est le jour
D'aller au cimetière
Et ceux qui font l'amour
Parce qu'ils n'ont rien à faire
Envieraient notre bonheur
Tout comme j'envie le leur
D'avoir des dimanches
De croire aux dimanches
D'aimer les dimanches
Quand je hais les dimanches ...

Charles Aznavour

sexta-feira, março 24, 2006

Singin' in the Rain
I'm singin' in the rain,
Just singin' in the rain,
What a glorious feeling,
I'm happy again!
I'm laughing at clouds,
So dark, up above,
The sun's in my heart
And I'm ready for love.
Let the stormy clouds chase
Ev'ryone form the place,
Come on with the rain,
I've a smile on my face.
I'll walk down the lane
With a happy refrain,
And singin', just singin'
In the rain.

quinta-feira, março 23, 2006

Voltei de combóio. Santa Apolónia vazia entristece. O combóio, idem.
Antes, a seguir à reunião, tive ainda tempo para alguma quase enfastiada, tristonha dissipação.
Lisboa está desagradável, não há nada para fazer à tarde, a minha geração, creio, ainda não convalesceu do choque provocado pela falta de empregadas e não foi capaz de criar um modus vivendi que reproduzisse, se bem que em termos mais sensatos, concedo, a boa disposição do dia-a-dia de outros tempos, quando as pessoas mais azafamadas tinham tempo para irem lanchar, ou ao cinema ou meramente passar pelo Chiado e dar dois dedos de conversa.
Entretanto, quem sai à tarde, não encontra ninguém, o que é lastimável: calculo que lá estejam todos e todas a serem úteis - ou a pensar que são, os bem intencionados.
Que grande surpresa vão ter...

quarta-feira, março 22, 2006

«...a Justiça, particularmente a Justiça penal, é facilmente "levada ao engano" por arguidos ágeis de imaginação e de escrúpulos e com meios para pagar a advogados que espiolhem o CPP à cata de empecilhos capazes de fazer tropeçar o bicho.»
Isto é uma afirmação de um jornalista, no Jornal de notícias transcrita pela Grande Loja
Ora vejamos: em Portugal, até uma decisão que conta a tenra idade de dois anos, do Tribunal Constitucional, proferida no caso Casa Pia, e em sentido contrário, era considerado lícito e era prática corrente estar o arguido preso sem que se lhe dissesse porquê, podendo tal situação prolongar-se por um ano... Isto era o que se passava até "ontem", aqui onde vivemos sem que os senhores juizes (e os senhores legisladorees e os senhores do governo) se mostrassem incomodados com tal facto.
A decisão do Tribunal Constitucional que acabou com esta ignomínia foi possível porque os advogados recorreram e espiolharam a Constituição "à cata de empecilhos" e lá encontraram o que nenhum juiz até então encontrara: que quem é preso deve saber de que o acusam.
Seria interessante que as senhoras e senhores leitores deste blog se informassem das diferenças entre a o processo penal português e o dos países europeus - podendo-se começar já aqui pela vizinha Espanha - e que tirassem as conclusões devidas das - espantosas, assevero - diferenças.

terça-feira, março 21, 2006

Morreu, neste dia de Primavera, Fernando Gil.
Tinha lido dele, há pouco tempo, a admirável meditação sobre a má fé contida no "Impasses".
Fica aqui um excerto:

"O que é importante aqui, e que tem interesse para o que se segue, é que não se pode identificar a má fé com a mentira pura e simples ou o logro. O vigarista que nos burla não está de má fé: quer simplesmente, profissionalmente, vigarizar-nos, ao passo que a má fé é algo mais profundo, é uma estrutura dotada de uma constância apreciável e com conotações afectivas fortes. Este ponto importa: a má fé é passional. Designa o estado de consciência de um indivíduo, que certamente determina a sua relação com outros indivíduos, mas que, na sua essência é pré-relacional. A expressão "má fé" não descreve uma relação: descreve um estado da consciência. Para o homem de má fé, dada a paixão que o anima, a atitude do outro não pode nunca modificar a sua atitude em relação a ele , enquanto que o vigarista (cuja atitude é impecavelmente não passional) calcula a sua acção em função do nosso cepticismo ou da nossa credulidade."
Já me ocorreu pensar quando oiço ou leio algumas afirmações:" se ao menos fosses apenas vigarista"...
Há uma questão interessante e central na definição da má fé: quem está de má fé, acredita na sua interpretação o que distingue, sempre segundo Fernando Gil, a má fé da ironia ou do cinismo a distinguir daquela, já que: "quanto mais não seja porque os estados de má fé nunca exibem (ou apenas exibem de forma fruste e caricatural) as virtudes da ironia ou se dão ao luxo do cinismo."
Cézanne, Printemps

segunda-feira, março 20, 2006

NTAJ*

Dia razoável, mesmo contando com o bizarro episódio do ovo partido na secadora de roupa.

* nota trivial antes de jantar
"Este mundo já acabou" diz o Abrupto a propósito do ocorrido entre um general alemão e o oficial inglês que o aprisiona, em que o segundo acaba, em latim, a estrofe de Horácio que o primeiro, também no original, começara a recitar.
Este mundo de perdidas virtudes, em Portugal (e em muitos outros lados...) nunca começou. Lá fora, entre um inglês e um alemão, não sei se não se poderia repetir: creio que o General inglês Sir Michael Rose que chefiou as forças inrernacionais na Bosnia tem uma formação clássica de Oxford (e também da Sorbonne, onde terá ido desaprender...) e na Alemanha a coisa não está tão má como aqui.
Aqui, até na faculdade de letras seria difícil tal cena.
3 anos, faz o Contra a Corrente ! Como o tempo passa...
Muitos Parabéns!

domingo, março 19, 2006

Dediquei a tarde aos jornais locais e descobri estragos do laicismo: o jornal da minha paróquia declara-se, no seu estatuto editorial, totalmente independente perante quaisquer forças, sejam elas politícos ou... religiosas. Mais diz que se rege pelo respeito dos direitos dos cidadãos consagrados na Constituição da República.
Pasmei!
Se é independente, não o deve ser. O que se espera de um jornal propriedade de uma paróquia é que seja dependente desta. Quanto aos direitos dos citoyens, já foram estabelecidos há muito, muito antes do jacobinismo e da "nossa Constituição".
Isto não é maldade, ou rebeldia, estes furores de independência: é palermice e insuficiência.

sexta-feira, março 17, 2006

Nada como umas desordens em Paris para me levantar o moral.
Tenho andado meditabundo mas quando vi as rapaziadas francesas - a ululância fez-me lembrar os palestinos, esse fétiche da esquerda -, quando vi a ausência de "de Villepin" - essa ausência faz-me lembrar a de dirigentes capitulacionistas que se evolam no pó da catastrófe... - quando, enfim, se torna patente a desgraça a que o Estatismo conduziu o povo francês... parece que, com tudo isso, me sinto mais animado.
Ou, então, foi por ter chovido.
Nas jacqueries francesas, herança e persistência de ruralidade, a ululância, a incapacidade de ver no Parlamento (sic) a sede da cidadania e da Lei - as manifestações não têm sequer destino certo, ensaia-se a "recriação" do caos, de um cosmos enragé, a rua, o grito, a desordem - a velha desordem em que o romantismo se comprazia encontrar adubo para criatividades embotadas. Entretanto, na televisão, o dono francês de um quiosque parisiense incendiado pela multidão de energúmenos, declarava, com um ar cansado, querer emigrar. Há anos que não via uma declaração tão terrível de desalento e uma acusação tão acutilante a um modelo de governo, a um modo de ser.

quarta-feira, março 15, 2006

Berlim, "Bonjour tristesse", Siza Vieira

Com este tempo sorridente, o ar perfumado, a luz, o pipilar e o chilreio dos passarinhos, creio que começou a estação das neuras, das depressões primaveris.

Nos idos de Março.
Na noite Anne Queffelec toca as Gymnopedies de Satie.
Descubro que as árvores que tenho aqui à frente são ameixoeiras.
Descobri no Dias com árvores

terça-feira, março 14, 2006

Vou ao Bomba, e clico aventureiramente no segundo link (Jorge Asís). Em terreno desconhecido, penso. Não! Logo encontro Mujica Lainez, um autor que gostei muito de ler e que li sem que ninguém - mesmo por recensão ou interposto artigo ou crónica - me tenha recomendado. Vi o livro, numa livraria soturna, em Badajoz, onde tinha ido comprar charutos, e comprei o "Escarabajo".
Hoje, pelo Technorati, vi que o Viagem tinha linkado este blog. Fui ver de que tratava e acabei por o ler todo. Escrito em 1976, apercebemo-nos por ele de um país que esquecemos, o Portugal de há 30 anos, de antes dos fundos comunitários.
O narrador é quintessencialmente português, metido consigo e de falas difíceis malgrado as suas boas intenções. Conta à distância, quase impessoal, mesmo quando se queixa dos seus cansaços e maleitas. A prosa, se não é contemporânea da viagem, conserva uma simplicidade agradável.
Ferido pelo pitoresco não morri, mas vacilei: "The butcher's shop have a rustic, rose-embowered veranda, a truly musical-comedy shop"
Isto foi ontem, adormeci a ler coisas destas.

segunda-feira, março 13, 2006

Maravilhas do progresso
Vi e decidi comprar na quarta-feira à noite, foi posto no correio, em Inglaterra, na sexta-feira e hoje chegou cá a casa o livro que encomendei e que daqui e pouco irei ler com alguma gula.
Há desilusões, contudo: a "Padeia", de Jaeger, encomendada na "amazon.uk" em Janeiro não chegou ainda e dizem-me que só lá para fins de Abril: não há royal air mail que me valha!
Acabou o Espectro! E acabou porque, segundo os seus autores, CCS e VPV, não dispunham de "tempo para o fazer como ele deveria ser feito". Assim, como era feito, era o blog mais visitado da "blogosfera" portuguesa!Enfim... eram livres de não darem qualquer explicação. Quiseram dar: impunha-se uma mais convincente e irrespondível ("não nos apetece"; "estamos fartos"; "chega").
Espero que o remorso comece o seu bom trabalho e os transforme de novo em bloguistas compulsivos.

domingo, março 12, 2006

Agradável este prenúncio de primavera, a tarde já com cores de saloia sadia*.
É só para dizer que o quadro da minha bagagem de volta à monotonia europeia é de Nadine Le Prince, uma pintora que não conhecia - mas que me parece muito ciosa dos seus copyright. Pinta murais em tromp d'oeil e, também, décoration d'intérieur.

* Ainda fui criado na crença "XIX siècle", aqui mantida pelo tardo naturalismo da pintura portuguesa do séc. XX, de que o povo gozava de uma saúde de ferro e que tinha umas cores que só Malhoa, só ele verdadeiramente sabia captar. A crença ainda subsiste já que, ainda há pouco tempo, a filha pequena de uma amiga minha, de saúde de ferro e condizentes boas cores, era apodada, um pouco depreciativamente, de "Maria Papoila" pelo resto da família. A mãe tentava, em vão, convencer-nos de que a criança passava a vida com anginas, mas sem qualquer sucesso.

sábado, março 11, 2006


Nao caio no erro de tentar explicar o inexplicável e se Charlotte persiste em querer ver neste bloguinho longínquas indias, que fazer senão obedecer-lhe e agir em conformidade confessando que assim é, que lá estive, que este blog foi escrito enquanto via as bátegas fortes da monção a fustigar as árvores em frente à casa ou quando me refugiava do calor na sala obscurecida, a olhar para a velha ventoínha do tecto, avariada desde 1935...
Lá estive, de facto. Regresso agora (via Port Said) como se pode verificar pela observação da malle des indes. Trago alguns presentes.

quinta-feira, março 09, 2006

Ouvi há bocado, pela primeira vez, "o Presidente da República, Cavaco Silva" e confesso que senti um calafrio.
Depois, agora mesmo, vi-o: lá estava ele, ufano. Bem, compreende-se que esteja, é normal e humano estar orgulhoso e bem disposto. É como há uns tempos: ficavam assim quando eram feitos regedores, a honra do cargo arredondava-os, impavam e se bem que este não tenha sido feito regedor é presidente, que é, afinal, quase a mesma coisa.

quarta-feira, março 08, 2006















Eu gosto da Dorothy Parker. Uma das frases dela: "I'm never going to be famous. My name will never be writ large on the roster of Those Who Do Things. I don't do any thing. Not one single thing. I used to bite my nails, but I don't even do that any more."

segunda-feira, março 06, 2006

A propósito de generosidade, também ontem, George Clooney num tom de quem dá lições generosas falava nos "presentes" de Hollywood ao "povo". Sem contestar que houve filmes que fizeram a propaganda de temas importantes, lembro o que Hitchcock disse a Cary Grant numa ocasião em que este se confessou preocupado com uma cena: "Não esteja nervoso, isto é só um divertimento. Se eu quisesse ocupar-me de coisas sérias teria ido para medicina!".
Dizia hoje o primeiro-ministro, a propósito da defunta "constituição europeia" que dela se podia retirar muito, para que se não perdesse o trabalho de gente generosa. Por "gente generosa" o Eng. Sócrates entende uma mão-cheia de políticos pouco escrupulosos e burocratas autoritários que, sem que ninguém lhes houvesse encomendado tal sermão e usando métodos próximo do ditatorial, resolveram dar tal presente à Europa. E Sócrates quer-nos pôr, a nós, no papel de mal-agradecidos (no caso, pobres e...) a quem "fica mal" não aceitar o presente. Felizmente, já Churchill notava que os grandes povos são ingratos.
Mais, nos tempos que correm, em que se a democracia está submetida a um enorme desgaste, têm o dever de o serem.

sábado, março 04, 2006

Detesto casas estanques, mas as corrente de ar desta casa, hoje, eram pesadas e lamentosas. Encontrei refúgio num canto de cadeirão e ali estive, quase o dia todo, a salvo, mas desanimado.
Resolvi sair agora, é a opção pelo ar livre.
Lembrei-me logo deste poema, ao lê-lo agora. É do "Campo de Flores" de João de Deus, e está no "Livro da Capa Verde": lia-o na infantil e muito me afligia lê-lo.
Miséria

Era já noite cerrada,
Diz o filho: "Oh minha mãe,
Debaixo d'aquella arcada
Passava-se a noite bem!"

A cega, que todo o dia
Tinha levado a andar,
A taes palavras do guia
Sentiu-se reanimar.

Mas saltam dois cães de gado,
Que eram como dois leões:
Tinha-os à porta o morgado
Para o guardar dos ladrões.

Tornam os pobres à estrada,
E aonde haviam de ir dar?
Ao palácio da tapada
Onde el-rei ia caçar.

À ceguinha meia morta
Torna o filho: "Oh minha mãe,
Ali no vão de uma porta
Passava-se a noite bem!"

- Se os cães deixarem... (diz ella,
A triste n'um riso amargo),
Com effeito a sentinela:
- "Quem vem lá?... Passe de largo!"

Então ceguinha e filhinho,
Vendo a sua esperança vã,
Deitaram-se no caminho
Até romper a manhã!...

João de Deus

quinta-feira, março 02, 2006

Ganso

O caso do 24 horas - Sabia que quando verdadeiramente incomodasse, não uma ou outra pessoa, mas o estado das coisas - de que tantos dependem -, a liberdade de imprensa por si, ou as suas condições (a protecção das fontes, no caso) seriam postas de lado sem hesitações e na parte que se mostrar necessária ao "bom senso".

terça-feira, fevereiro 28, 2006

Ouvi em dois noticiários Fernando Lopes queixar-se da ministra da cultura: que não deixa, a ministra, de ser muito estimável, mas que de cinema pouco sabe, o cinema não são só imagens, isto é tudo muito paroquial, muito paroquial. Espero que a ministra saiba resistir a esta lamúria - feita num tom de grande deste mundo a quem o abnegado amor à pátria leva a incomodar-se por questões menores - e que não escorregue com algum subsídio da paróquia a favor de tão universal paroquiano - se for esse o caso. Fernando Lopes, a quem não faltarão convites para realizar filmes lá fora, no vasto mundo, que faça o sacrifício - hoje em dia pequeno, dadas a facilidade das viagens e a comodidade das comunicações - e aceite trabalhar lá fora (itália? Suécia? Estados Unidos?). Prometo aplaudir a obra-prima, ir aplaudir o insígne criador em Cannes, Berlim, Veneza, Hollywood, onde o seu talento receberá o prémio merecido. Prometo ver e rever no cinema, comprar o DVD, ler entrevistas, comprar jornais para ler as críticas.
Dinheiro dos meus impostos é que não estou interessado em dar, que há outras obras da paróquia a fazer e enquanto Fernando Lopes tem todo o vasto mundo expectante, nós, paroquianos, não temos outro remédio senão viver aqui, com as obras da paróquia a arrastarem-se por falta de dinheiro.

segunda-feira, fevereiro 27, 2006

Afinal não veio tempestade: choveu tristemente, no sábado - que foi, por isso, um bom sábado de inverno, frio e chuvoso, dos que se passam em casa entre leituras preguiçosas, chá, zapping e tudo o que se tinha para fazer adiado para sábado que vem.

sábado, fevereiro 25, 2006


Durante quase dois meses não consegui pôr imagens no blog. Não foram dois meses seguidos, isto é, não pensava todos os dias e de uma foram consistente "na treta que é não poder enviar imagens para o blog". Pensava apenas de vez em quando, ao modo de um remorso incerto e deixava invadir-me por uma tristeza vaga e conformada que, por isso, não me incomodava demasiado (se tenho de ser português, que seja para estas coisas boas de ser português). Há uns dias disse de mim para mim que precisava resolver "aquela maçada, dá um jeitão, punha lá um desenho e já estava o post feito". Comecei a tentar: ver a firewall, ver a configuração do ftp, ver... delineei o problema, resolvi-o "em tese" (uma desastrosa antecipação que nos tira a força adjuvante da curiosidade) e há pouco lá cheguei a Calecut.
Agora tenciono pôr-me aqui à sombra e viver dos rendimentos do empreendimento.
Lá fora a tempestade espreita (vide pintura, também do Homer, Coming Storm - e à mão de semear).
Mas estou em terra.

quinta-feira, fevereiro 23, 2006

Leio no Sapo que "Portugal é um dos países da União Europeia onde os cidadãos se revelam mais pessimistas com a vida que têm actualmente, sendo apenas ultrapassados pelos húngaros".

Pessimismo injustificado! Por exemplo: ainda há pouco saiu uma lei de arrendamento nova que tem uma fórmula muita avançada - embora complexa - para que o senhorio saiba a renda exacta que pode pedir ao inquilino, seja ele pessoa ou sociedade. Consta que, dos Estados Unidos ao Japão - onde a coisa é deixada ao critério do dono da casa e do inquilino - o mundo nos olha com espanto e inveja.
Pessimistas? Tsc, tsc... já é má vontade!

quarta-feira, fevereiro 22, 2006

O que a Comissão Europeia disse foi que as medidas adoptadas pelo governo português são insuficientes e que é preciso fazer mais cortes na despesa etomar mais medidas restritivas da despesa, mormente para o ano. Acontece, porém, que grande parte dessa despesa se destina por vias mais ou menos directas a manter uma grande parte da classe média a viver como tem vivido até aqui - e não quer deixar de viver: acima das suas possibilidades.
A coisa vai doer. Ou antes, não vai: aposto que o governo não vai atacar os problemas essenciais.

terça-feira, fevereiro 21, 2006

Li algures que o furor condecoratório do presidente laico e socialista Dr. Sampaio obrigou a firma que fabrica as grão-cruzes a admitir pessoal eventual.
Perante isto, não pude deixar de pensar que os laicistas querem retirar as cruzes das escolas para as usarem ao peito.

segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Muito obrigado, Charlotte.
Porém, fiquei sem post para hoje. É que eu ia mandar dizer
que Não tô
Não tô... não vou

E agora?
Se fizer bom tempo...

P.S. Todos os dias? Não vale intimidar!

sábado, fevereiro 18, 2006

"Aí... piorou
Nem tô... nem vou
..........................................
Se fizer bom tempo amanhã
Eu vou "

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

Se fizer bom tempo amanhã
Eu vou
Mas se por exemplo chover
Não vou
Diga a Maricotinha que eu
Mandei dizer que eu
Não tô
Não tô... não vou
Se fizer bom tempo amanhã
Eu vou
Mas se por exemplo chover
Não vou
Uma chuvinha, redinha, cotinha
Aí... piorou
Nem tô... nem vou
Se fizer bom tempo...

Dorival Caymmi

quinta-feira, fevereiro 16, 2006

Li esta no Abrupto: «A blogosfera é um lugar de fronteira, o Wild West, onde impera a "lei da selva" e o darwinismo social. Não é um local aprazível para os espíritos amáveis» e pasmei. Achava eu que os blogs eram o resultado uma actividade maioritariamente de adolescentes, donas de casa e alguns desocupados - ou ocupados - compulsivos palradores, como é o meu caso. E creio que assim é um pouco por esse vasto mundo fora. Em Portugal, todavia, a "blogosfera" é, parece, e segundo JPP, um assunto sério. De facto, temos de conceder: em Portugal, tudo oscila entre a pura farsa e o peso das coisas densas e pesadas (somos macambúzios, tememos o riso e temos a gravidade da gente pobre que espera a esmola)e logo essa característica propiciaria que a blogosfera portuguesa fosse um local pouco amável. E mais agrava tal clima de "cousa grave" a presença na blogosfera lusitana de tanta gente do mundo da política, do jornalismo, da cultura, até VPV meu maître à penser! Creio que isto será inédito e não sei a que atribuí-lo senão ao hábito português de cada um ter como profissão uma actividade de que não gosta e que opinar e criticar é a verdadeira vocação nacional - mas pouco exercida nos locais de trabalho: isso faz dos blogs sítios incríveis onde se "desabafa" e se "diz tudo" ("eu disse-lhe tudo" como os aspirantes a adúlteros de outrora)
E que se desabafem de modo caótico coisas sérias, é coisa que não pode agradar a JPP, ser disciplinado que não quer tanto desabafo e estado de alma a estorvar as linhas com que, do alto do abrupto delineia o futuro de Portugal e nos alerta para os perigos presentes. Compreende-se.
Mas, afinal, é esse palrar das gentes comuns grave além de maçador para as grandes almas? Excepto duas ou três pessoas que podem dizer o que pensam veramente em qualquer jornal e as vertem também nos seus blogs, o que se grita nos outros não passa, creio, o tom das controvérsias dos clubes literários das aldeias inglesas...

Tinha acabado de escrever isto e vi a troca de amabilidades entre o Abrupto e o Queijo Limiano, acusado de boateiro. Uhm. estou inclinado a dar razão ao último.

quarta-feira, fevereiro 15, 2006

De vez em quando passeio pelos blogs e lembro-me, nessa viagem que inicio por este meu, daquele gastrónomo que dizia haver mil e tal receitas de bacalhau que se podiam resumir a três.
Mas persisto, sem emenda.
Um dos meus heróis de pré-adolescente foi o General Gordon, que mal distinguia de uma personagem de Jules Verne. Hoje, a existência em demasia de consciências - dispensáveis, afinal, como afirmava Lord Bertrand Russell - tornariam Gordon e o seu sacrifício discutíveis,longe do "a uma só voz". Em nome de quê se pode - ou deve - prescindir do paternalismo que permitiu a quase unanimidade dos sentimentos de pesar pela morte do General?
A minha visita diária à Bomba trouxe-me Mae West. Parti em busca de.
Num outro qualquer sítio leio que West era uma "femme fatale". Nada mais errado. De Mae West seria de esperar risco, desafio e alguns maus conselhos, não o perigo sinistro das ciladas que matam.
Um deles, dos maus conselhos: «between two evils, I always pick the one I never tried before»

terça-feira, fevereiro 14, 2006

Em dois dias deparei com duas asneiras. A primeira delas num texto publicitário destinado à classe média em que se escrevia "ascenção" por ascensão: a segunda consistiu em vários "intervimos" por interviemos num documentário com qualidade e que merecia mais atenção.
A questão que subjaz é a do nosso atraso.
Adormeço no cadeirão, profundamente, como um mineiro esgotado pela profundidade e sonho negrumes baços ou coisas enredadas e rígidas como as não produzia a indústria pesada búlgara nos idos de 50. Depois, por esta hora, desperto. Vou ler um bocado do "Portugal Contemporâneo" que encontrei há bocado naquela rima de livros ao pé da mesa de cabeceira que tantos engulhos provoca na empregada.

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Penso na cor do mar pelo começo desta tarde, na baía, na barca que a ela aporta e o que naquela chegada teria de ser diferente, por ser a primeira.
Dizem-me que a poligamia está legalizada na Holanda. Não sendo de crer que sejam feitas discriminações em termos de orientações sexuais, temos que Hans pode ser casado com Thomas e Cokkie que, por sua vez, pode ter uma união lesbienne com Femke ao mesmo tempo que também é mulher de Ernst que, entre as suas 4 mulheres e três "maridos" conta Hilda, mulher, também, de...
Enfim, uma família feliz!

P.S. É de crer que venha a seguir, na agenda política, a legalização do incesto, esse tabú da sociedade capitalista e do ocidente decrépito. Acho que, ao menos neste ponto, poderá haver alguma justiça: os activistas poderão deixar de encontrar escapatória na lei e poderão ser obrigados a casar com as suas irmazinhas e vice-versa. Para não falar das mãezinhas e dos paizinhos deles. Ah, sim, justiça, enfim!

sexta-feira, fevereiro 10, 2006

Que fazer àqueles empregados e meninas de loja que, com ar pesaroso ou prazenteiro, conforme os feitios, nos dizem que aquilo por que perguntámos já não existe por ter sido "descontinuado"?
Alguns e algumas acrescentam a isto um ar de leve desprezo que nos põe ao lado das coisas "so last year" que se apressaram a deitar fora. "Descontinuado" seria, ao que suponho, um miserável anglicismo, ou mais veramente, um cretinismo correcto, mas, suponho, o termo encerra, também, um eufemismo de mau gosto: não se diz que acabou, que já não há, e supõe-se a mera pausa ao invés do definitivo. O medo e o desconforto da morte é tamanho que a "cosmética pompa fúnebre" chegou aos objectos.
Guardo uma reserva de princípio, de método, perante o que se lê no Globo e no blog citado. Mas a ser verdade o que diz o bloguista Sandmonkey podemos todos rir - e chorar - pela ingenuidade e cobardias ocidentais.

terça-feira, fevereiro 07, 2006

Dá sempre gosto ler VPV mas em especial os posts sobre a questão das caricaturas de Maomé em que são desancados, de uma penada - e feliz - o Dr. Sampaio, e os Prof. Cavaco e Freitas do Amaral.
Não é mau feitio de VPV, eles é que por omissão e acção se puseram a jeito.
Enfim uma notícia, esta da compra da PT pela Sonae.
E terá o mérito de revelar até onde foram os governos na sua arquitectura de protecções. Vamos ver mais nítido.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Um eterno Janeiro não me assusta senão por me aborrecerem todas as eternidades, mas esta manhã de Fevereiro, este sol, este azul, o ameno que se pressente por detrás da aspereza do vento têm o encanto das coisas confiantemente pressentidas.

domingo, fevereiro 05, 2006

Que fique claro: os energúmenos têm os seus direitos, entre os quais os de exprimirem o que lhes vai lá por dentro. O que tem faltado é a indignação. O desinteresse com que se "deixa andar" é uma face daquela mesma moeda com que se tenta, agora, apaziguar os furores islâmicos.
Oiço as notícias destes desmandos contra os nórdicos (e já contra os franceses) e sinto a falta de qualquer coisa. Ao longo dos dias que já leva este episódio tenho sentido a falta de não sei bem o quê. Percebi agora: das manifestações de protesto. Muito caladas estão as esquerdas, os anti globalistas, os multiculturalistas, os... toda essa gente...
Dos media: "Dezenas de manifestantes em protesto pela publicação das caricaturas do profeta Maomé na imprensa europeia entraram nas embaixadas da Dinamarca e Noruega, saquearam-nas e lançaram-lhes fogo em seguida."
À atenção dos senhores multiculturalistas: gente de outras culturas, nomeadamente das do Próximo Oriente não consideram que todas as culturas se equivalam. Pelo contrário, acham a deles muito superior à nossa, que vêem como decadente e "frouxa".
A gente a ver estas coisas de gente furiosa por uns desenhos de Maomé - e, ia dizer ao modo da cultura europeia intolerante e sem sentido de humor - quando ontem, num intervalo de zapping vi uma Cruz, o símbolo da religião cristã (a tal que não contribuiu para a formação europeia, segundo a defunta constituição europeia), o símbolo do martírio de Cristo, nas mãos de um energúmeno que contava em linguagem de carroceiro, anedotas soezes e alarves no que deve ser o mais abjecto programa da televisão europeia, o ri-te não sei quê, da Sic.
E sabem? Dei por mim a pensar sei lá o quê e em vergonha na cara e sei lá que mais.
Constava do catálogo, preto no branco, que os pés do cadeirão eram quinane. Havia possibilidades de escolhas de outros pés, mas tudo apontava para o quinane. É isso: Queen Anne.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Li, de manhã, no teletexto da TV5, a notícia de que o director do France Soir, Jacques Lefranc tinha sido despedido por ter permitido a publicação das caricaturas de Maomé.
A razão invocada para pôr o homem na rua foi a de ser necessário dar "um sinal forte de respeito pelas crenças e convicções íntimas de cada indivíduo".
Logo pensei no que aconteceria se os católicos franceses exigissem, com igual falta de "fair play" - e pode existir, em matéria de religião? - igual respeito pelas suas convicções...
A bem-pensância (sic) europeia, que tem alimentado, com a sua benevolência pelo extremismo muçulmano, a possibilidade da existência de situações como esta, que venha agora explicar em que pé estamos. Quanto a mim, já os perdemos (o pé e o tino).
VPV diz mais aqui

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

No 1º de Fevereiro de 1908 foi assassinado El-Rei D. Carlos I e o Princípe Herdeiro, D. Luís Filipe.
O Monarca e a restante Família Real eram alvo de uma campanha de calúnias soezes, difícil de conceber hoje em dia.
À corja caluniadora pertencia gente grada das letras. Alguns penitenciaram-se da sua conduta vergonhosa e pediram, anos depois, desculpas à Rainha, Senhora Dona Amélia que as terá aceitado.
Quem não os desculpou foi o tempo: são hoje geralmente desconhecidos ou ignorados.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Ler posts de "vpv", melhor ainda, com o tempo começar a lê-los de viés, a correr, desatentamente, eis um inesperado luxo.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Registo: por esquecimento o aquecimento da casa de jantar não foi ligado e usar os talheres revelou-se uma tarefa de alguma penosidade.