O gene lusíada:
Ora esta! Esqueci-me de uma assembleia geral! É um bocado desagradável!
Bem... o que não tem remédio, remediado está!
Logo telefono a lamentar não ter estado, o que é verdade. Se não fora verdade, não seria lusitano o gene.
sexta-feira, março 31, 2006
quinta-feira, março 30, 2006
Para quem vive sob um estado autoritário e abusador ( o português, sim) não deixa de ter algum encanto - abstraindo do sofrimento real das pessoas envolvidas - ver como esta gente (políticos, altos funcionários) fica reduzida à sua enorme insignificância perante a realidade e de como reagem pateticamente.
É a vida a sério, diga-se isso ao Ministro, não aquela em que se propõem desafios de futebol para resolver problemas magnos. Quer propôr um jogo?
E ele lá foi, apressado, fazer não sei o quê.
Como o Coelho de Alice.
É a vida a sério, diga-se isso ao Ministro, não aquela em que se propõem desafios de futebol para resolver problemas magnos. Quer propôr um jogo?
E ele lá foi, apressado, fazer não sei o quê.
Como o Coelho de Alice.
`Must a name mean something?' Alice asked doubtfully.`Of course it must,' Humpty Dumpty said with a short laugh: `my name means the shape I am -- and a good handsome shape it is, too. With a name like yours, you might be any shape, almost.'
Prossigamos com o confessionalismo.
Lembro-me muito bem do Humpty Dumpty e de achar que aquele nome era, de facto, um nome de ovo, um nome dado por causa da forma de ovo e que era preciso ser mesmo uma menina para não perceber isso.
De igual modo, achava verosímil que o destino de alguns ovos - pelo menos em tempos distantes e noutros países - fosse o de se tornarem ovos adultos e não minúsculos pintainhos.
Creio, hoje em dia, que li a Alice muito desacompanhado.
quarta-feira, março 29, 2006
"(...).............Só nas trevas,
Se ilumina a expressão das criaturas,
Como um céu nocturno, Ó lua nova,
O teu perfil de prata que me lembra
O perfil de Virgílio a revelar-se
Na morta escuridão de dois mil anos.
É nas trevas que as almas aparecem.
E a sua face externa, dimanando
Este ar humano a arder em luz divina
Ou toldado de fumo enegrecido:
O relevo mais alto
Dum rosto que se anima, aquele traço
Que melhor o define, aquele modo
De olhar e de falar, aquele riso
Ou de anjo ou de demónio;
Este ar inconfundível e perpétuo
Que trouxemos do ventre maternal.
Fulgura na beleza amanhecente
E conserva acendida, entre as ruínas
Da trágica velhice,
A monótona lâmpada soturna,
Em melancólicos lampejos frios.
E inalterável paira sobre a face
Gelada dos cadáveres.. .
E dela se desprende; e, já liberto,
Em vulto de fantasma,
Fica, por todo o sempre, a divagar
Entre o luar e a noite, o Céu e a Terra."
Teixeira de Pascoaes, "Semelhança" em noite
de lua nova
Se ilumina a expressão das criaturas,
Como um céu nocturno, Ó lua nova,
O teu perfil de prata que me lembra
O perfil de Virgílio a revelar-se
Na morta escuridão de dois mil anos.
É nas trevas que as almas aparecem.
E a sua face externa, dimanando
Este ar humano a arder em luz divina
Ou toldado de fumo enegrecido:
O relevo mais alto
Dum rosto que se anima, aquele traço
Que melhor o define, aquele modo
De olhar e de falar, aquele riso
Ou de anjo ou de demónio;
Este ar inconfundível e perpétuo
Que trouxemos do ventre maternal.
Fulgura na beleza amanhecente
E conserva acendida, entre as ruínas
Da trágica velhice,
A monótona lâmpada soturna,
Em melancólicos lampejos frios.
E inalterável paira sobre a face
Gelada dos cadáveres.. .
E dela se desprende; e, já liberto,
Em vulto de fantasma,
Fica, por todo o sempre, a divagar
Entre o luar e a noite, o Céu e a Terra."
Teixeira de Pascoaes, "Semelhança" em noite
de lua nova
terça-feira, março 28, 2006
Facto curioso
Hoje recebi quatro cartas,uma da Grã-Bretanha que me prevenia de estar a findar a minha assinatura, outra do Brasil com o recibo de uma compra on line e duas de cá, contas correntes. Em que reside a curiosidade? Todas elas estavam cuidadosamente coladas, ferozmente, ciosamente coladas. Deve ser um modo de passar o tempo lá no emprego, fechar as cartas desinteressantes com muita cola.
P.S. A tela do Spilliaert e a de Chirico, são amistosa e arbitrariamente simétricas. Por abritrariamente quero dizer que calhou assim.
Hoje recebi quatro cartas,uma da Grã-Bretanha que me prevenia de estar a findar a minha assinatura, outra do Brasil com o recibo de uma compra on line e duas de cá, contas correntes. Em que reside a curiosidade? Todas elas estavam cuidadosamente coladas, ferozmente, ciosamente coladas. Deve ser um modo de passar o tempo lá no emprego, fechar as cartas desinteressantes com muita cola.
P.S. A tela do Spilliaert e a de Chirico, são amistosa e arbitrariamente simétricas. Por abritrariamente quero dizer que calhou assim.
É num romance da Agustina: há um personagem dos anos vinte que, vestido de flanela branca numa praia do norte de Portugal, se crê, por interposto algibebe, uma personagem de Proust... Lembro-me de ter pasmado. Foi só trinta anos depois, em 1950, diz Vasco Pulido Valente, que o seu célebre Avô apresentou Aquilino Ribeiro - o grande escritor português da altura - à obra de Proust que aquele por completo desconhecia...
Proust em Portugal, nos anos 20?... Proust em Afife ou similares?
Proust em Portugal, nos anos 20?... Proust em Afife ou similares?
segunda-feira, março 27, 2006
Li ontem mais alguma da correspondência de Proust, da colectânea feita a partir da edição de Kolb.
Numa das cartas, a sua Mãe - ou a Mme Strauss - Proust dizia que tinha pegado num jornal e o lera sem se aperceber que era de dois anos antes. É a mesma coisa, dizia, acrescentando que o sucedido fazia-o convencer de que tinha razão sobre o que pensava em relação ao tempo.
Numa das cartas, a sua Mãe - ou a Mme Strauss - Proust dizia que tinha pegado num jornal e o lera sem se aperceber que era de dois anos antes. É a mesma coisa, dizia, acrescentando que o sucedido fazia-o convencer de que tinha razão sobre o que pensava em relação ao tempo.
domingo, março 26, 2006
Je hais les dimanches!
Tous les jours de la semaine
Sont vides et sonnent le creux
Bien pire que la semaine
Y a le dimanche prétentieux
Qui veut paraître rose
Et jouer les généreux
Le dimanche qui s'impose
Comme un jour bienheureux
Je hais les dimanches !
Je hais les dimanches !
Dans la rue y a la foule
Des millions de passants
Cette foule qui coule
D'un air indifférent
Cette foule qui marche
Comme à un enterrement
L'enterrement d'un dimanche
Qui est mort depuis longtemps.
Je hais les dimanches !
Je hais les dimanches !
Tu travailles toute la semaine et le dimanche aussi
C'est peut-être pour ça que je suis de parti-pris
Chéri, si simplement tu étais près de moi
Je serais prête à aimer tout ce que je n'aime pas.
Les dimanches de printemps
Tout flanqués de soleil
Qui effacent en brillant
Les soucis de la veille
Dimanche plein de ciel bleu
Et de rires d'enfants
De promenades d'amoureux
Aux timides serments
Et de fleurs aux branches
Et de fleurs aux branches
Et parmi la cohue
Des gens, qui, sans se presser,
Vont à travers les rues
Nous irions nous glisser
Tous deux, main dans la main
Sans chercher à savoir
Ce qu'il y aura demain
N'ayant pour tout espoir
Que d'autres dimanches
Que d'autres dimanches
Et tous les honnêtes gens
Que l'on dit bien-pensants
Et ceux qui ne le sont pas
Et qui veulent qu'on le croie
Et qui vont à l'église
Parce que c'est la coutume
Qui changent de chemise
Et mettent un beau costume
Ceux qui dorment vingt heures
Car rien ne les en empêche
Ceux qui se lèvent de bonne heure
Pour aller à la pêche
Ceux pour qui c'est le jour
D'aller au cimetière
Et ceux qui font l'amour
Parce qu'ils n'ont rien à faire
Envieraient notre bonheur
Tout comme j'envie le leur
D'avoir des dimanches
De croire aux dimanches
D'aimer les dimanches
Quand je hais les dimanches ...
Charles Aznavour
Tous les jours de la semaine
Sont vides et sonnent le creux
Bien pire que la semaine
Y a le dimanche prétentieux
Qui veut paraître rose
Et jouer les généreux
Le dimanche qui s'impose
Comme un jour bienheureux
Je hais les dimanches !
Je hais les dimanches !
Dans la rue y a la foule
Des millions de passants
Cette foule qui coule
D'un air indifférent
Cette foule qui marche
Comme à un enterrement
L'enterrement d'un dimanche
Qui est mort depuis longtemps.
Je hais les dimanches !
Je hais les dimanches !
Tu travailles toute la semaine et le dimanche aussi
C'est peut-être pour ça que je suis de parti-pris
Chéri, si simplement tu étais près de moi
Je serais prête à aimer tout ce que je n'aime pas.
Les dimanches de printemps
Tout flanqués de soleil
Qui effacent en brillant
Les soucis de la veille
Dimanche plein de ciel bleu
Et de rires d'enfants
De promenades d'amoureux
Aux timides serments
Et de fleurs aux branches
Et de fleurs aux branches
Et parmi la cohue
Des gens, qui, sans se presser,
Vont à travers les rues
Nous irions nous glisser
Tous deux, main dans la main
Sans chercher à savoir
Ce qu'il y aura demain
N'ayant pour tout espoir
Que d'autres dimanches
Que d'autres dimanches
Et tous les honnêtes gens
Que l'on dit bien-pensants
Et ceux qui ne le sont pas
Et qui veulent qu'on le croie
Et qui vont à l'église
Parce que c'est la coutume
Qui changent de chemise
Et mettent un beau costume
Ceux qui dorment vingt heures
Car rien ne les en empêche
Ceux qui se lèvent de bonne heure
Pour aller à la pêche
Ceux pour qui c'est le jour
D'aller au cimetière
Et ceux qui font l'amour
Parce qu'ils n'ont rien à faire
Envieraient notre bonheur
Tout comme j'envie le leur
D'avoir des dimanches
De croire aux dimanches
D'aimer les dimanches
Quand je hais les dimanches ...
Charles Aznavour
sábado, março 25, 2006
sexta-feira, março 24, 2006
Singin' in the Rain
I'm singin' in the rain,
Just singin' in the rain,
What a glorious feeling,
I'm happy again!
I'm laughing at clouds,
So dark, up above,
The sun's in my heart
And I'm ready for love.
Let the stormy clouds chase
Ev'ryone form the place,
Come on with the rain,
I've a smile on my face.
I'll walk down the lane
With a happy refrain,
And singin', just singin'
In the rain.
quinta-feira, março 23, 2006
Voltei de combóio. Santa Apolónia vazia entristece. O combóio, idem.
Antes, a seguir à reunião, tive ainda tempo para alguma quase enfastiada, tristonha dissipação.
Lisboa está desagradável, não há nada para fazer à tarde, a minha geração, creio, ainda não convalesceu do choque provocado pela falta de empregadas e não foi capaz de criar um modus vivendi que reproduzisse, se bem que em termos mais sensatos, concedo, a boa disposição do dia-a-dia de outros tempos, quando as pessoas mais azafamadas tinham tempo para irem lanchar, ou ao cinema ou meramente passar pelo Chiado e dar dois dedos de conversa.
Entretanto, quem sai à tarde, não encontra ninguém, o que é lastimável: calculo que lá estejam todos e todas a serem úteis - ou a pensar que são, os bem intencionados.
Que grande surpresa vão ter...
Antes, a seguir à reunião, tive ainda tempo para alguma quase enfastiada, tristonha dissipação.
Lisboa está desagradável, não há nada para fazer à tarde, a minha geração, creio, ainda não convalesceu do choque provocado pela falta de empregadas e não foi capaz de criar um modus vivendi que reproduzisse, se bem que em termos mais sensatos, concedo, a boa disposição do dia-a-dia de outros tempos, quando as pessoas mais azafamadas tinham tempo para irem lanchar, ou ao cinema ou meramente passar pelo Chiado e dar dois dedos de conversa.
Entretanto, quem sai à tarde, não encontra ninguém, o que é lastimável: calculo que lá estejam todos e todas a serem úteis - ou a pensar que são, os bem intencionados.
Que grande surpresa vão ter...
quarta-feira, março 22, 2006
«...a Justiça, particularmente a Justiça penal, é facilmente "levada ao engano" por arguidos ágeis de imaginação e de escrúpulos e com meios para pagar a advogados que espiolhem o CPP à cata de empecilhos capazes de fazer tropeçar o bicho.»
Isto é uma afirmação de um jornalista, no Jornal de notícias transcrita pela Grande Loja
Ora vejamos: em Portugal, até uma decisão que conta a tenra idade de dois anos, do Tribunal Constitucional, proferida no caso Casa Pia, e em sentido contrário, era considerado lícito e era prática corrente estar o arguido preso sem que se lhe dissesse porquê, podendo tal situação prolongar-se por um ano... Isto era o que se passava até "ontem", aqui onde vivemos sem que os senhores juizes (e os senhores legisladorees e os senhores do governo) se mostrassem incomodados com tal facto.
A decisão do Tribunal Constitucional que acabou com esta ignomínia foi possível porque os advogados recorreram e espiolharam a Constituição "à cata de empecilhos" e lá encontraram o que nenhum juiz até então encontrara: que quem é preso deve saber de que o acusam.
Seria interessante que as senhoras e senhores leitores deste blog se informassem das diferenças entre a o processo penal português e o dos países europeus - podendo-se começar já aqui pela vizinha Espanha - e que tirassem as conclusões devidas das - espantosas, assevero - diferenças.
Isto é uma afirmação de um jornalista, no Jornal de notícias transcrita pela Grande Loja
Ora vejamos: em Portugal, até uma decisão que conta a tenra idade de dois anos, do Tribunal Constitucional, proferida no caso Casa Pia, e em sentido contrário, era considerado lícito e era prática corrente estar o arguido preso sem que se lhe dissesse porquê, podendo tal situação prolongar-se por um ano... Isto era o que se passava até "ontem", aqui onde vivemos sem que os senhores juizes (e os senhores legisladorees e os senhores do governo) se mostrassem incomodados com tal facto.
A decisão do Tribunal Constitucional que acabou com esta ignomínia foi possível porque os advogados recorreram e espiolharam a Constituição "à cata de empecilhos" e lá encontraram o que nenhum juiz até então encontrara: que quem é preso deve saber de que o acusam.
Seria interessante que as senhoras e senhores leitores deste blog se informassem das diferenças entre a o processo penal português e o dos países europeus - podendo-se começar já aqui pela vizinha Espanha - e que tirassem as conclusões devidas das - espantosas, assevero - diferenças.
terça-feira, março 21, 2006
Morreu, neste dia de Primavera, Fernando Gil.
Tinha lido dele, há pouco tempo, a admirável meditação sobre a má fé contida no "Impasses".
Fica aqui um excerto:
"O que é importante aqui, e que tem interesse para o que se segue, é que não se pode identificar a má fé com a mentira pura e simples ou o logro. O vigarista que nos burla não está de má fé: quer simplesmente, profissionalmente, vigarizar-nos, ao passo que a má fé é algo mais profundo, é uma estrutura dotada de uma constância apreciável e com conotações afectivas fortes. Este ponto importa: a má fé é passional. Designa o estado de consciência de um indivíduo, que certamente determina a sua relação com outros indivíduos, mas que, na sua essência é pré-relacional. A expressão "má fé" não descreve uma relação: descreve um estado da consciência. Para o homem de má fé, dada a paixão que o anima, a atitude do outro não pode nunca modificar a sua atitude em relação a ele , enquanto que o vigarista (cuja atitude é impecavelmente não passional) calcula a sua acção em função do nosso cepticismo ou da nossa credulidade."
Já me ocorreu pensar quando oiço ou leio algumas afirmações:" se ao menos fosses apenas vigarista"...
Há uma questão interessante e central na definição da má fé: quem está de má fé, acredita na sua interpretação o que distingue, sempre segundo Fernando Gil, a má fé da ironia ou do cinismo a distinguir daquela, já que: "quanto mais não seja porque os estados de má fé nunca exibem (ou apenas exibem de forma fruste e caricatural) as virtudes da ironia ou se dão ao luxo do cinismo."
Tinha lido dele, há pouco tempo, a admirável meditação sobre a má fé contida no "Impasses".
Fica aqui um excerto:
"O que é importante aqui, e que tem interesse para o que se segue, é que não se pode identificar a má fé com a mentira pura e simples ou o logro. O vigarista que nos burla não está de má fé: quer simplesmente, profissionalmente, vigarizar-nos, ao passo que a má fé é algo mais profundo, é uma estrutura dotada de uma constância apreciável e com conotações afectivas fortes. Este ponto importa: a má fé é passional. Designa o estado de consciência de um indivíduo, que certamente determina a sua relação com outros indivíduos, mas que, na sua essência é pré-relacional. A expressão "má fé" não descreve uma relação: descreve um estado da consciência. Para o homem de má fé, dada a paixão que o anima, a atitude do outro não pode nunca modificar a sua atitude em relação a ele , enquanto que o vigarista (cuja atitude é impecavelmente não passional) calcula a sua acção em função do nosso cepticismo ou da nossa credulidade."
Já me ocorreu pensar quando oiço ou leio algumas afirmações:" se ao menos fosses apenas vigarista"...
Há uma questão interessante e central na definição da má fé: quem está de má fé, acredita na sua interpretação o que distingue, sempre segundo Fernando Gil, a má fé da ironia ou do cinismo a distinguir daquela, já que: "quanto mais não seja porque os estados de má fé nunca exibem (ou apenas exibem de forma fruste e caricatural) as virtudes da ironia ou se dão ao luxo do cinismo."
segunda-feira, março 20, 2006
"Este mundo já acabou" diz o Abrupto a propósito do ocorrido entre um general alemão e o oficial inglês que o aprisiona, em que o segundo acaba, em latim, a estrofe de Horácio que o primeiro, também no original, começara a recitar.
Este mundo de perdidas virtudes, em Portugal (e em muitos outros lados...) nunca começou. Lá fora, entre um inglês e um alemão, não sei se não se poderia repetir: creio que o General inglês Sir Michael Rose que chefiou as forças inrernacionais na Bosnia tem uma formação clássica de Oxford (e também da Sorbonne, onde terá ido desaprender...) e na Alemanha a coisa não está tão má como aqui.
Aqui, até na faculdade de letras seria difícil tal cena.
Este mundo de perdidas virtudes, em Portugal (e em muitos outros lados...) nunca começou. Lá fora, entre um inglês e um alemão, não sei se não se poderia repetir: creio que o General inglês Sir Michael Rose que chefiou as forças inrernacionais na Bosnia tem uma formação clássica de Oxford (e também da Sorbonne, onde terá ido desaprender...) e na Alemanha a coisa não está tão má como aqui.
Aqui, até na faculdade de letras seria difícil tal cena.
domingo, março 19, 2006
Dediquei a tarde aos jornais locais e descobri estragos do laicismo: o jornal da minha paróquia declara-se, no seu estatuto editorial, totalmente independente perante quaisquer forças, sejam elas politícos ou... religiosas. Mais diz que se rege pelo respeito dos direitos dos cidadãos consagrados na Constituição da República.
Pasmei!
Se é independente, não o deve ser. O que se espera de um jornal propriedade de uma paróquia é que seja dependente desta. Quanto aos direitos dos citoyens, já foram estabelecidos há muito, muito antes do jacobinismo e da "nossa Constituição".
Isto não é maldade, ou rebeldia, estes furores de independência: é palermice e insuficiência.
Pasmei!
Se é independente, não o deve ser. O que se espera de um jornal propriedade de uma paróquia é que seja dependente desta. Quanto aos direitos dos citoyens, já foram estabelecidos há muito, muito antes do jacobinismo e da "nossa Constituição".
Isto não é maldade, ou rebeldia, estes furores de independência: é palermice e insuficiência.
sexta-feira, março 17, 2006
Nada como umas desordens em Paris para me levantar o moral.
Tenho andado meditabundo mas quando vi as rapaziadas francesas - a ululância fez-me lembrar os palestinos, esse fétiche da esquerda -, quando vi a ausência de "de Villepin" - essa ausência faz-me lembrar a de dirigentes capitulacionistas que se evolam no pó da catastrófe... - quando, enfim, se torna patente a desgraça a que o Estatismo conduziu o povo francês... parece que, com tudo isso, me sinto mais animado.
Ou, então, foi por ter chovido.
Tenho andado meditabundo mas quando vi as rapaziadas francesas - a ululância fez-me lembrar os palestinos, esse fétiche da esquerda -, quando vi a ausência de "de Villepin" - essa ausência faz-me lembrar a de dirigentes capitulacionistas que se evolam no pó da catastrófe... - quando, enfim, se torna patente a desgraça a que o Estatismo conduziu o povo francês... parece que, com tudo isso, me sinto mais animado.
Ou, então, foi por ter chovido.
Nas jacqueries francesas, herança e persistência de ruralidade, a ululância, a incapacidade de ver no Parlamento (sic) a sede da cidadania e da Lei - as manifestações não têm sequer destino certo, ensaia-se a "recriação" do caos, de um cosmos enragé, a rua, o grito, a desordem - a velha desordem em que o romantismo se comprazia encontrar adubo para criatividades embotadas. Entretanto, na televisão, o dono francês de um quiosque parisiense incendiado pela multidão de energúmenos, declarava, com um ar cansado, querer emigrar. Há anos que não via uma declaração tão terrível de desalento e uma acusação tão acutilante a um modelo de governo, a um modo de ser.
quarta-feira, março 15, 2006
terça-feira, março 14, 2006
Vou ao Bomba, e clico aventureiramente no segundo link (Jorge Asís). Em terreno desconhecido, penso. Não! Logo encontro Mujica Lainez, um autor que gostei muito de ler e que li sem que ninguém - mesmo por recensão ou interposto artigo ou crónica - me tenha recomendado. Vi o livro, numa livraria soturna, em Badajoz, onde tinha ido comprar charutos, e comprei o "Escarabajo".
Hoje, pelo Technorati, vi que o Viagem tinha linkado este blog. Fui ver de que tratava e acabei por o ler todo. Escrito em 1976, apercebemo-nos por ele de um país que esquecemos, o Portugal de há 30 anos, de antes dos fundos comunitários.
O narrador é quintessencialmente português, metido consigo e de falas difíceis malgrado as suas boas intenções. Conta à distância, quase impessoal, mesmo quando se queixa dos seus cansaços e maleitas. A prosa, se não é contemporânea da viagem, conserva uma simplicidade agradável.
O narrador é quintessencialmente português, metido consigo e de falas difíceis malgrado as suas boas intenções. Conta à distância, quase impessoal, mesmo quando se queixa dos seus cansaços e maleitas. A prosa, se não é contemporânea da viagem, conserva uma simplicidade agradável.
segunda-feira, março 13, 2006
Maravilhas do progressoVi e decidi comprar na quarta-feira à noite, foi posto no correio, em Inglaterra, na sexta-feira e hoje chegou cá a casa o livro que encomendei e que daqui e pouco irei ler com alguma gula.
Há desilusões, contudo: a "Padeia", de Jaeger, encomendada na "amazon.uk" em Janeiro não chegou ainda e dizem-me que só lá para fins de Abril: não há royal air mail que me valha!
Acabou o Espectro! E acabou porque, segundo os seus autores, CCS e VPV, não dispunham de "tempo para o fazer como ele deveria ser feito". Assim, como era feito, era o blog mais visitado da "blogosfera" portuguesa!Enfim... eram livres de não darem qualquer explicação. Quiseram dar: impunha-se uma mais convincente e irrespondível ("não nos apetece"; "estamos fartos"; "chega").
Espero que o remorso comece o seu bom trabalho e os transforme de novo em bloguistas compulsivos.
Espero que o remorso comece o seu bom trabalho e os transforme de novo em bloguistas compulsivos.
domingo, março 12, 2006
Agradável este prenúncio de primavera, a tarde já com cores de saloia sadia*.
É só para dizer que o quadro da minha bagagem de volta à monotonia europeia é de Nadine Le Prince, uma pintora que não conhecia - mas que me parece muito ciosa dos seus copyright. Pinta murais em tromp d'oeil e, também, décoration d'intérieur.
* Ainda fui criado na crença "XIX siècle", aqui mantida pelo tardo naturalismo da pintura portuguesa do séc. XX, de que o povo gozava de uma saúde de ferro e que tinha umas cores que só Malhoa, só ele verdadeiramente sabia captar. A crença ainda subsiste já que, ainda há pouco tempo, a filha pequena de uma amiga minha, de saúde de ferro e condizentes boas cores, era apodada, um pouco depreciativamente, de "Maria Papoila" pelo resto da família. A mãe tentava, em vão, convencer-nos de que a criança passava a vida com anginas, mas sem qualquer sucesso.
É só para dizer que o quadro da minha bagagem de volta à monotonia europeia é de Nadine Le Prince, uma pintora que não conhecia - mas que me parece muito ciosa dos seus copyright. Pinta murais em tromp d'oeil e, também, décoration d'intérieur.
* Ainda fui criado na crença "XIX siècle", aqui mantida pelo tardo naturalismo da pintura portuguesa do séc. XX, de que o povo gozava de uma saúde de ferro e que tinha umas cores que só Malhoa, só ele verdadeiramente sabia captar. A crença ainda subsiste já que, ainda há pouco tempo, a filha pequena de uma amiga minha, de saúde de ferro e condizentes boas cores, era apodada, um pouco depreciativamente, de "Maria Papoila" pelo resto da família. A mãe tentava, em vão, convencer-nos de que a criança passava a vida com anginas, mas sem qualquer sucesso.
sábado, março 11, 2006

Nao caio no erro de tentar explicar o inexplicável e se Charlotte persiste em querer ver neste bloguinho longínquas indias, que fazer senão obedecer-lhe e agir em conformidade confessando que assim é, que lá estive, que este blog foi escrito enquanto via as bátegas fortes da monção a fustigar as árvores em frente à casa ou quando me refugiava do calor na sala obscurecida, a olhar para a velha ventoínha do tecto, avariada desde 1935...
Lá estive, de facto. Regresso agora (via Port Said) como se pode verificar pela observação da malle des indes. Trago alguns presentes.
quinta-feira, março 09, 2006
Ouvi há bocado, pela primeira vez, "o Presidente da República, Cavaco Silva" e confesso que senti um calafrio.
Depois, agora mesmo, vi-o: lá estava ele, ufano. Bem, compreende-se que esteja, é normal e humano estar orgulhoso e bem disposto. É como há uns tempos: ficavam assim quando eram feitos regedores, a honra do cargo arredondava-os, impavam e se bem que este não tenha sido feito regedor é presidente, que é, afinal, quase a mesma coisa.
Depois, agora mesmo, vi-o: lá estava ele, ufano. Bem, compreende-se que esteja, é normal e humano estar orgulhoso e bem disposto. É como há uns tempos: ficavam assim quando eram feitos regedores, a honra do cargo arredondava-os, impavam e se bem que este não tenha sido feito regedor é presidente, que é, afinal, quase a mesma coisa.
quarta-feira, março 08, 2006
segunda-feira, março 06, 2006
A propósito de generosidade, também ontem, George Clooney num tom de quem dá lições generosas falava nos "presentes" de Hollywood ao "povo". Sem contestar que houve filmes que fizeram a propaganda de temas importantes, lembro o que Hitchcock disse a Cary Grant numa ocasião em que este se confessou preocupado com uma cena: "Não esteja nervoso, isto é só um divertimento. Se eu quisesse ocupar-me de coisas sérias teria ido para medicina!".
Dizia hoje o primeiro-ministro, a propósito da defunta "constituição europeia" que dela se podia retirar muito, para que se não perdesse o trabalho de gente generosa. Por "gente generosa" o Eng. Sócrates entende uma mão-cheia de políticos pouco escrupulosos e burocratas autoritários que, sem que ninguém lhes houvesse encomendado tal sermão e usando métodos próximo do ditatorial, resolveram dar tal presente à Europa. E Sócrates quer-nos pôr, a nós, no papel de mal-agradecidos (no caso, pobres e...) a quem "fica mal" não aceitar o presente. Felizmente, já Churchill notava que os grandes povos são ingratos.
Mais, nos tempos que correm, em que se a democracia está submetida a um enorme desgaste, têm o dever de o serem.
Mais, nos tempos que correm, em que se a democracia está submetida a um enorme desgaste, têm o dever de o serem.
sábado, março 04, 2006
Miséria
Era já noite cerrada,
Diz o filho: "Oh minha mãe,
Debaixo d'aquella arcada
Passava-se a noite bem!"
A cega, que todo o dia
Tinha levado a andar,
A taes palavras do guia
Sentiu-se reanimar.
Mas saltam dois cães de gado,
Que eram como dois leões:
Tinha-os à porta o morgado
Para o guardar dos ladrões.
Tornam os pobres à estrada,
E aonde haviam de ir dar?
Ao palácio da tapada
Onde el-rei ia caçar.
À ceguinha meia morta
Torna o filho: "Oh minha mãe,
Ali no vão de uma porta
Passava-se a noite bem!"
- Se os cães deixarem... (diz ella,
A triste n'um riso amargo),
Com effeito a sentinela:
- "Quem vem lá?... Passe de largo!"
Então ceguinha e filhinho,
Vendo a sua esperança vã,
Deitaram-se no caminho
Até romper a manhã!...
João de Deus
Era já noite cerrada,
Diz o filho: "Oh minha mãe,
Debaixo d'aquella arcada
Passava-se a noite bem!"
A cega, que todo o dia
Tinha levado a andar,
A taes palavras do guia
Sentiu-se reanimar.
Mas saltam dois cães de gado,
Que eram como dois leões:
Tinha-os à porta o morgado
Para o guardar dos ladrões.
Tornam os pobres à estrada,
E aonde haviam de ir dar?
Ao palácio da tapada
Onde el-rei ia caçar.
À ceguinha meia morta
Torna o filho: "Oh minha mãe,
Ali no vão de uma porta
Passava-se a noite bem!"
- Se os cães deixarem... (diz ella,
A triste n'um riso amargo),
Com effeito a sentinela:
- "Quem vem lá?... Passe de largo!"
Então ceguinha e filhinho,
Vendo a sua esperança vã,
Deitaram-se no caminho
Até romper a manhã!...
João de Deus
quinta-feira, março 02, 2006
O caso do 24 horas - Sabia que quando verdadeiramente incomodasse, não uma ou outra pessoa, mas o estado das coisas - de que tantos dependem -, a liberdade de imprensa por si, ou as suas condições (a protecção das fontes, no caso) seriam postas de lado sem hesitações e na parte que se mostrar necessária ao "bom senso".
terça-feira, fevereiro 28, 2006
Ouvi em dois noticiários Fernando Lopes queixar-se da ministra da cultura: que não deixa, a ministra, de ser muito estimável, mas que de cinema pouco sabe, o cinema não são só imagens, isto é tudo muito paroquial, muito paroquial. Espero que a ministra saiba resistir a esta lamúria - feita num tom de grande deste mundo a quem o abnegado amor à pátria leva a incomodar-se por questões menores - e que não escorregue com algum subsídio da paróquia a favor de tão universal paroquiano - se for esse o caso. Fernando Lopes, a quem não faltarão convites para realizar filmes lá fora, no vasto mundo, que faça o sacrifício - hoje em dia pequeno, dadas a facilidade das viagens e a comodidade das comunicações - e aceite trabalhar lá fora (itália? Suécia? Estados Unidos?). Prometo aplaudir a obra-prima, ir aplaudir o insígne criador em Cannes, Berlim, Veneza, Hollywood, onde o seu talento receberá o prémio merecido. Prometo ver e rever no cinema, comprar o DVD, ler entrevistas, comprar jornais para ler as críticas.
Dinheiro dos meus impostos é que não estou interessado em dar, que há outras obras da paróquia a fazer e enquanto Fernando Lopes tem todo o vasto mundo expectante, nós, paroquianos, não temos outro remédio senão viver aqui, com as obras da paróquia a arrastarem-se por falta de dinheiro.
Dinheiro dos meus impostos é que não estou interessado em dar, que há outras obras da paróquia a fazer e enquanto Fernando Lopes tem todo o vasto mundo expectante, nós, paroquianos, não temos outro remédio senão viver aqui, com as obras da paróquia a arrastarem-se por falta de dinheiro.
segunda-feira, fevereiro 27, 2006
sábado, fevereiro 25, 2006

Durante quase dois meses não consegui pôr imagens no blog. Não foram dois meses seguidos, isto é, não pensava todos os dias e de uma foram consistente "na treta que é não poder enviar imagens para o blog". Pensava apenas de vez em quando, ao modo de um remorso incerto e deixava invadir-me por uma tristeza vaga e conformada que, por isso, não me incomodava demasiado (se tenho de ser português, que seja para estas coisas boas de ser português). Há uns dias disse de mim para mim que precisava resolver "aquela maçada, dá um jeitão, punha lá um desenho e já estava o post feito". Comecei a tentar: ver a firewall, ver a configuração do ftp, ver... delineei o problema, resolvi-o "em tese" (uma desastrosa antecipação que nos tira a força adjuvante da curiosidade) e há pouco lá cheguei a Calecut.
Agora tenciono pôr-me aqui à sombra e viver dos rendimentos do empreendimento.
Lá fora a tempestade espreita (vide pintura, também do Homer, Coming Storm - e à mão de semear).
Mas estou em terra.
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
Leio no Sapo que "Portugal é um dos países da União Europeia onde os cidadãos se revelam mais pessimistas com a vida que têm actualmente, sendo apenas ultrapassados pelos húngaros".
Pessimismo injustificado! Por exemplo: ainda há pouco saiu uma lei de arrendamento nova que tem uma fórmula muita avançada - embora complexa - para que o senhorio saiba a renda exacta que pode pedir ao inquilino, seja ele pessoa ou sociedade. Consta que, dos Estados Unidos ao Japão - onde a coisa é deixada ao critério do dono da casa e do inquilino - o mundo nos olha com espanto e inveja.
Pessimistas? Tsc, tsc... já é má vontade!
Pessimismo injustificado! Por exemplo: ainda há pouco saiu uma lei de arrendamento nova que tem uma fórmula muita avançada - embora complexa - para que o senhorio saiba a renda exacta que pode pedir ao inquilino, seja ele pessoa ou sociedade. Consta que, dos Estados Unidos ao Japão - onde a coisa é deixada ao critério do dono da casa e do inquilino - o mundo nos olha com espanto e inveja.
Pessimistas? Tsc, tsc... já é má vontade!
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
O que a Comissão Europeia disse foi que as medidas adoptadas pelo governo português são insuficientes e que é preciso fazer mais cortes na despesa etomar mais medidas restritivas da despesa, mormente para o ano. Acontece, porém, que grande parte dessa despesa se destina por vias mais ou menos directas a manter uma grande parte da classe média a viver como tem vivido até aqui - e não quer deixar de viver: acima das suas possibilidades.
A coisa vai doer. Ou antes, não vai: aposto que o governo não vai atacar os problemas essenciais.
A coisa vai doer. Ou antes, não vai: aposto que o governo não vai atacar os problemas essenciais.
terça-feira, fevereiro 21, 2006
segunda-feira, fevereiro 20, 2006
Muito obrigado, Charlotte.
Porém, fiquei sem post para hoje. É que eu ia mandar dizer
que Não tô
Não tô... não vou
E agora?
Se fizer bom tempo...
P.S. Todos os dias? Não vale intimidar!
Porém, fiquei sem post para hoje. É que eu ia mandar dizer
que Não tô
Não tô... não vou
E agora?
Se fizer bom tempo...
P.S. Todos os dias? Não vale intimidar!
sábado, fevereiro 18, 2006
sexta-feira, fevereiro 17, 2006
quinta-feira, fevereiro 16, 2006
Li esta no Abrupto: «A blogosfera é um lugar de fronteira, o Wild West, onde impera a "lei da selva" e o darwinismo social. Não é um local aprazível para os espíritos amáveis» e pasmei. Achava eu que os blogs eram o resultado uma actividade maioritariamente de adolescentes, donas de casa e alguns desocupados - ou ocupados - compulsivos palradores, como é o meu caso. E creio que assim é um pouco por esse vasto mundo fora. Em Portugal, todavia, a "blogosfera" é, parece, e segundo JPP, um assunto sério. De facto, temos de conceder: em Portugal, tudo oscila entre a pura farsa e o peso das coisas densas e pesadas (somos macambúzios, tememos o riso e temos a gravidade da gente pobre que espera a esmola)e logo essa característica propiciaria que a blogosfera portuguesa fosse um local pouco amável. E mais agrava tal clima de "cousa grave" a presença na blogosfera lusitana de tanta gente do mundo da política, do jornalismo, da cultura, até VPV meu maître à penser! Creio que isto será inédito e não sei a que atribuí-lo senão ao hábito português de cada um ter como profissão uma actividade de que não gosta e que opinar e criticar é a verdadeira vocação nacional - mas pouco exercida nos locais de trabalho: isso faz dos blogs sítios incríveis onde se "desabafa" e se "diz tudo" ("eu disse-lhe tudo" como os aspirantes a adúlteros de outrora)
E que se desabafem de modo caótico coisas sérias, é coisa que não pode agradar a JPP, ser disciplinado que não quer tanto desabafo e estado de alma a estorvar as linhas com que, do alto do abrupto delineia o futuro de Portugal e nos alerta para os perigos presentes. Compreende-se.
Mas, afinal, é esse palrar das gentes comuns grave além de maçador para as grandes almas? Excepto duas ou três pessoas que podem dizer o que pensam veramente em qualquer jornal e as vertem também nos seus blogs, o que se grita nos outros não passa, creio, o tom das controvérsias dos clubes literários das aldeias inglesas...
Tinha acabado de escrever isto e vi a troca de amabilidades entre o Abrupto e o Queijo Limiano, acusado de boateiro. Uhm. estou inclinado a dar razão ao último.
E que se desabafem de modo caótico coisas sérias, é coisa que não pode agradar a JPP, ser disciplinado que não quer tanto desabafo e estado de alma a estorvar as linhas com que, do alto do abrupto delineia o futuro de Portugal e nos alerta para os perigos presentes. Compreende-se.
Mas, afinal, é esse palrar das gentes comuns grave além de maçador para as grandes almas? Excepto duas ou três pessoas que podem dizer o que pensam veramente em qualquer jornal e as vertem também nos seus blogs, o que se grita nos outros não passa, creio, o tom das controvérsias dos clubes literários das aldeias inglesas...
Tinha acabado de escrever isto e vi a troca de amabilidades entre o Abrupto e o Queijo Limiano, acusado de boateiro. Uhm. estou inclinado a dar razão ao último.
quarta-feira, fevereiro 15, 2006
Um dos meus heróis de pré-adolescente foi o General Gordon, que mal distinguia de uma personagem de Jules Verne. Hoje, a existência em demasia de consciências - dispensáveis, afinal, como afirmava Lord Bertrand Russell - tornariam Gordon e o seu sacrifício discutíveis,longe do "a uma só voz". Em nome de quê se pode - ou deve - prescindir do paternalismo que permitiu a quase unanimidade dos sentimentos de pesar pela morte do General?
A minha visita diária à Bomba trouxe-me Mae West. Parti em busca de.
Num outro qualquer sítio leio que West era uma "femme fatale". Nada mais errado. De Mae West seria de esperar risco, desafio e alguns maus conselhos, não o perigo sinistro das ciladas que matam.
Um deles, dos maus conselhos: «between two evils, I always pick the one I never tried before»
Num outro qualquer sítio leio que West era uma "femme fatale". Nada mais errado. De Mae West seria de esperar risco, desafio e alguns maus conselhos, não o perigo sinistro das ciladas que matam.
Um deles, dos maus conselhos: «between two evils, I always pick the one I never tried before»
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Em dois dias deparei com duas asneiras. A primeira delas num texto publicitário destinado à classe média em que se escrevia "ascenção" por ascensão: a segunda consistiu em vários "intervimos" por interviemos num documentário com qualidade e que merecia mais atenção.
A questão que subjaz é a do nosso atraso.
A questão que subjaz é a do nosso atraso.
Adormeço no cadeirão, profundamente, como um mineiro esgotado pela profundidade e sonho negrumes baços ou coisas enredadas e rígidas como as não produzia a indústria pesada búlgara nos idos de 50. Depois, por esta hora, desperto. Vou ler um bocado do "Portugal Contemporâneo" que encontrei há bocado naquela rima de livros ao pé da mesa de cabeceira que tantos engulhos provoca na empregada.
segunda-feira, fevereiro 13, 2006
Dizem-me que a poligamia está legalizada na Holanda. Não sendo de crer que sejam feitas discriminações em termos de orientações sexuais, temos que Hans pode ser casado com Thomas e Cokkie que, por sua vez, pode ter uma união lesbienne com Femke ao mesmo tempo que também é mulher de Ernst que, entre as suas 4 mulheres e três "maridos" conta Hilda, mulher, também, de...
Enfim, uma família feliz!
P.S. É de crer que venha a seguir, na agenda política, a legalização do incesto, esse tabú da sociedade capitalista e do ocidente decrépito. Acho que, ao menos neste ponto, poderá haver alguma justiça: os activistas poderão deixar de encontrar escapatória na lei e poderão ser obrigados a casar com as suas irmazinhas e vice-versa. Para não falar das mãezinhas e dos paizinhos deles. Ah, sim, justiça, enfim!
Enfim, uma família feliz!
P.S. É de crer que venha a seguir, na agenda política, a legalização do incesto, esse tabú da sociedade capitalista e do ocidente decrépito. Acho que, ao menos neste ponto, poderá haver alguma justiça: os activistas poderão deixar de encontrar escapatória na lei e poderão ser obrigados a casar com as suas irmazinhas e vice-versa. Para não falar das mãezinhas e dos paizinhos deles. Ah, sim, justiça, enfim!
sexta-feira, fevereiro 10, 2006
Que fazer àqueles empregados e meninas de loja que, com ar pesaroso ou prazenteiro, conforme os feitios, nos dizem que aquilo por que perguntámos já não existe por ter sido "descontinuado"?
Alguns e algumas acrescentam a isto um ar de leve desprezo que nos põe ao lado das coisas "so last year" que se apressaram a deitar fora. "Descontinuado" seria, ao que suponho, um miserável anglicismo, ou mais veramente, um cretinismo correcto, mas, suponho, o termo encerra, também, um eufemismo de mau gosto: não se diz que acabou, que já não há, e supõe-se a mera pausa ao invés do definitivo. O medo e o desconforto da morte é tamanho que a "cosmética pompa fúnebre" chegou aos objectos.
Alguns e algumas acrescentam a isto um ar de leve desprezo que nos põe ao lado das coisas "so last year" que se apressaram a deitar fora. "Descontinuado" seria, ao que suponho, um miserável anglicismo, ou mais veramente, um cretinismo correcto, mas, suponho, o termo encerra, também, um eufemismo de mau gosto: não se diz que acabou, que já não há, e supõe-se a mera pausa ao invés do definitivo. O medo e o desconforto da morte é tamanho que a "cosmética pompa fúnebre" chegou aos objectos.
Guardo uma reserva de princípio, de método, perante o que se lê no Globo e no blog citado. Mas a ser verdade o que diz o bloguista Sandmonkey podemos todos rir - e chorar - pela ingenuidade e cobardias ocidentais.
terça-feira, fevereiro 07, 2006
segunda-feira, fevereiro 06, 2006
domingo, fevereiro 05, 2006
Oiço as notícias destes desmandos contra os nórdicos (e já contra os franceses) e sinto a falta de qualquer coisa. Ao longo dos dias que já leva este episódio tenho sentido a falta de não sei bem o quê. Percebi agora: das manifestações de protesto. Muito caladas estão as esquerdas, os anti globalistas, os multiculturalistas, os... toda essa gente...
Dos media: "Dezenas de manifestantes em protesto pela publicação das caricaturas do profeta Maomé na imprensa europeia entraram nas embaixadas da Dinamarca e Noruega, saquearam-nas e lançaram-lhes fogo em seguida."
À atenção dos senhores multiculturalistas: gente de outras culturas, nomeadamente das do Próximo Oriente não consideram que todas as culturas se equivalam. Pelo contrário, acham a deles muito superior à nossa, que vêem como decadente e "frouxa".
A gente a ver estas coisas de gente furiosa por uns desenhos de Maomé - e, ia dizer ao modo da cultura europeia intolerante e sem sentido de humor - quando ontem, num intervalo de zapping vi uma Cruz, o símbolo da religião cristã (a tal que não contribuiu para a formação europeia, segundo a defunta constituição europeia), o símbolo do martírio de Cristo, nas mãos de um energúmeno que contava em linguagem de carroceiro, anedotas soezes e alarves no que deve ser o mais abjecto programa da televisão europeia, o ri-te não sei quê, da Sic.
E sabem? Dei por mim a pensar sei lá o quê e em vergonha na cara e sei lá que mais.
À atenção dos senhores multiculturalistas: gente de outras culturas, nomeadamente das do Próximo Oriente não consideram que todas as culturas se equivalam. Pelo contrário, acham a deles muito superior à nossa, que vêem como decadente e "frouxa".
A gente a ver estas coisas de gente furiosa por uns desenhos de Maomé - e, ia dizer ao modo da cultura europeia intolerante e sem sentido de humor - quando ontem, num intervalo de zapping vi uma Cruz, o símbolo da religião cristã (a tal que não contribuiu para a formação europeia, segundo a defunta constituição europeia), o símbolo do martírio de Cristo, nas mãos de um energúmeno que contava em linguagem de carroceiro, anedotas soezes e alarves no que deve ser o mais abjecto programa da televisão europeia, o ri-te não sei quê, da Sic.
E sabem? Dei por mim a pensar sei lá o quê e em vergonha na cara e sei lá que mais.
quinta-feira, fevereiro 02, 2006
Li, de manhã, no teletexto da TV5, a notícia de que o director do France Soir, Jacques Lefranc tinha sido despedido por ter permitido a publicação das caricaturas de Maomé.
A razão invocada para pôr o homem na rua foi a de ser necessário dar "um sinal forte de respeito pelas crenças e convicções íntimas de cada indivíduo".
Logo pensei no que aconteceria se os católicos franceses exigissem, com igual falta de "fair play" - e pode existir, em matéria de religião? - igual respeito pelas suas convicções...
A bem-pensância (sic) europeia, que tem alimentado, com a sua benevolência pelo extremismo muçulmano, a possibilidade da existência de situações como esta, que venha agora explicar em que pé estamos. Quanto a mim, já os perdemos (o pé e o tino).
VPV diz mais aqui
A razão invocada para pôr o homem na rua foi a de ser necessário dar "um sinal forte de respeito pelas crenças e convicções íntimas de cada indivíduo".
Logo pensei no que aconteceria se os católicos franceses exigissem, com igual falta de "fair play" - e pode existir, em matéria de religião? - igual respeito pelas suas convicções...
A bem-pensância (sic) europeia, que tem alimentado, com a sua benevolência pelo extremismo muçulmano, a possibilidade da existência de situações como esta, que venha agora explicar em que pé estamos. Quanto a mim, já os perdemos (o pé e o tino).
VPV diz mais aqui
quarta-feira, fevereiro 01, 2006
No 1º de Fevereiro de 1908 foi assassinado El-Rei D. Carlos I e o Princípe Herdeiro, D. Luís Filipe.
O Monarca e a restante Família Real eram alvo de uma campanha de calúnias soezes, difícil de conceber hoje em dia.
À corja caluniadora pertencia gente grada das letras. Alguns penitenciaram-se da sua conduta vergonhosa e pediram, anos depois, desculpas à Rainha, Senhora Dona Amélia que as terá aceitado.
Quem não os desculpou foi o tempo: são hoje geralmente desconhecidos ou ignorados.
O Monarca e a restante Família Real eram alvo de uma campanha de calúnias soezes, difícil de conceber hoje em dia.
À corja caluniadora pertencia gente grada das letras. Alguns penitenciaram-se da sua conduta vergonhosa e pediram, anos depois, desculpas à Rainha, Senhora Dona Amélia que as terá aceitado.
Quem não os desculpou foi o tempo: são hoje geralmente desconhecidos ou ignorados.
terça-feira, janeiro 31, 2006
Ler posts de "vpv", melhor ainda, com o tempo começar a lê-los de viés, a correr, desatentamente, eis um inesperado luxo.
segunda-feira, janeiro 30, 2006
domingo, janeiro 29, 2006
Dei uma passeata curta pelos blogs e num ápice vi-me no meio de discussões azedadas, acusações, recriminações, tudo isto dominado, aqui e ali, por umas indiferenças altaneiras. O quadro é aterrorizador e provocou-me a mesma sensação de confinamento que senti ao ler algumas memórias de há um século atrás.
sábado, janeiro 28, 2006
quinta-feira, janeiro 26, 2006
O Dr. Sampaio no discurso que proferiu na abertura do ano judicial disse, entre outras coisas, que é «inaceitável que um arguido não seja, desde o primeiro momento, confrontado com os factos de que é acusado,como tem acontecido, à vista de todos, demasiadas vezes»
Muito bem, diz o Impensável, mas porque não alterar de imediato o Código de Processo Penal? O que fez o presidente para que acabasse tal vergonhoso estado de coisas?
Depois, considerando «igualmente inaceitável que lhe não sejam explicitadas as razões efectivas que podem determinar a sua prisão preventiva, para as poder contraditar e sobre elas produzir prova». Aqui há gato escondido com rabo de fora e felpudo. Não compete ao arguido produzir prova... Cabe à acusação. Uhm... E que tal acabar com a prisão preventiva no que ela tem, entre nós, de terceiro mundismo? E, mais uma vez, porque razão esteve calado o Sr. Presidente? Não era de admitir que num país sem tradições de respeito pela dignidade humana, ademais depois de quase 50 anos da ditadura da II república, o código de processo penal, produto de esquerda, fosse interpretado pelos juizes do modo menos favorável para os cidadãos?
Porque não dizer que a prisão preventiva, sem acusação formulada, não existe sequer nas democracias avançadas como é o caso do Reino Unido?
Resolveu falar agora. Podia - e devia - tê-lo feito há muito mais tempo.
Este discurso, por tardio, não lhe faz honra.
Muito bem, diz o Impensável, mas porque não alterar de imediato o Código de Processo Penal? O que fez o presidente para que acabasse tal vergonhoso estado de coisas?
Depois, considerando «igualmente inaceitável que lhe não sejam explicitadas as razões efectivas que podem determinar a sua prisão preventiva, para as poder contraditar e sobre elas produzir prova». Aqui há gato escondido com rabo de fora e felpudo. Não compete ao arguido produzir prova... Cabe à acusação. Uhm... E que tal acabar com a prisão preventiva no que ela tem, entre nós, de terceiro mundismo? E, mais uma vez, porque razão esteve calado o Sr. Presidente? Não era de admitir que num país sem tradições de respeito pela dignidade humana, ademais depois de quase 50 anos da ditadura da II república, o código de processo penal, produto de esquerda, fosse interpretado pelos juizes do modo menos favorável para os cidadãos?
Porque não dizer que a prisão preventiva, sem acusação formulada, não existe sequer nas democracias avançadas como é o caso do Reino Unido?
Resolveu falar agora. Podia - e devia - tê-lo feito há muito mais tempo.
Este discurso, por tardio, não lhe faz honra.
quarta-feira, janeiro 25, 2006
Aproveitei a tarde para começar a resolver alguns assuntos desagradáveis. Com surpresa minha, a tarefa em si não demorou nem foi penosa. Tratava-se de começar, apenas.
Já perto das hora de jantar, vi Durão Barroso a debitar palermices sobre a necessidade das nossas "reformas estruturais". Ele finge esquecer-se que tais reformas não foram encetadas por um esquecimento, mas porque exigem sacrifícios à classe média em geral, a que decide eleições e, mais particularmente, àquela parte dela que conta com um lugar à mesa orçamental e dos fundos comunitários. Creio que a coisa só será feita quando, devidamente instruído por quem se fartar de nos pagar este estado de coisas, um qualquer funcionário comunitário pegar pelo bracinho o 1º ministro português da altura (a "coisa" não será para já) e lhe explicar - sem muita subtileza, não vá ele não perceber - o que é necessário fazer. Nessa altura acabarão as discussões estudantis e adolescentes sobre o "nosso rumo", a "nossa posição no mundo", o "nosso destino" que agora alimentam os nossos ócios e começará o tempo rude do 1º emprego.
Já perto das hora de jantar, vi Durão Barroso a debitar palermices sobre a necessidade das nossas "reformas estruturais". Ele finge esquecer-se que tais reformas não foram encetadas por um esquecimento, mas porque exigem sacrifícios à classe média em geral, a que decide eleições e, mais particularmente, àquela parte dela que conta com um lugar à mesa orçamental e dos fundos comunitários. Creio que a coisa só será feita quando, devidamente instruído por quem se fartar de nos pagar este estado de coisas, um qualquer funcionário comunitário pegar pelo bracinho o 1º ministro português da altura (a "coisa" não será para já) e lhe explicar - sem muita subtileza, não vá ele não perceber - o que é necessário fazer. Nessa altura acabarão as discussões estudantis e adolescentes sobre o "nosso rumo", a "nossa posição no mundo", o "nosso destino" que agora alimentam os nossos ócios e começará o tempo rude do 1º emprego.
terça-feira, janeiro 24, 2006
O Procurador-Geral da República disse no Parlamento que o Ministério Públivco poderá conviver com a nova lei-quadro da investigação cirminal. Sem entrar na discussão da bondade da lei conviria que alguém dissesse ao Sr. Procurador-Geral (e aos sindicatos) que, o que mais faltaria seria o Parlamento (ou seja, o Povo Português...) encontrar-se condicionado às opiniões e modos de ver dos senhores funcionários do Ministério Público e seus sindicatos.
segunda-feira, janeiro 23, 2006
domingo, janeiro 22, 2006
Ontem comecei a ler as Memorias da Maria Filomena Mónica que acabei há pouco, já depois de ter ido votar - reservo a minha abstenção monárquica para uma possível 2ª volta. O livro, tendo embora alguns dos defeitos que lhe vi apontados (algumas transcrições dos diários são demasiado longas, por exemplo, e aqui e ali há alguma pose narrativa mais irritante), lê-se bem. Falta sense of humour, talvez, e alguns episódios pitorescos que contentassem o voyeurismo vigente - que não deixa de ter matéria para se alimentar, aliás - mas mesmo como está, lê-se bem, repito, e as reacções exageradas que suscitou parecem-me um pouco provincianas. Dado a autora se ter doutorado numa universidade com prestígio mundial, não será de excluir alguma lusitana inveja como motivadora das indignações mais exaltadas.
Tinha acabado de pousar o livro quando telefonou uma amiga minha em missão de policiamento ortodoxo lembrando-me as malfeitorias a que ficaríamos sujeitos se, com a minhas liberdades poéticas, contribuísse para eleger um mau presidente da república. Desiludida com a minha resposta ("o mal está feito") decidiu que eu fora vítima de más companhias. Ri, desmenti e considerei a opção, das más companhias e minha, muito natural, sendo a dela a desnaturada.
Tinha acabado de pousar o livro quando telefonou uma amiga minha em missão de policiamento ortodoxo lembrando-me as malfeitorias a que ficaríamos sujeitos se, com a minhas liberdades poéticas, contribuísse para eleger um mau presidente da república. Desiludida com a minha resposta ("o mal está feito") decidiu que eu fora vítima de más companhias. Ri, desmenti e considerei a opção, das más companhias e minha, muito natural, sendo a dela a desnaturada.
sexta-feira, janeiro 20, 2006
quarta-feira, janeiro 18, 2006
A lua minguante é ainda bastante para aquele gato, lá em baixo no jardim, comemorar Janeiro. Adormeci a ouvir o gato, os gatos. É bom poder protestar apenas porque há um gato, gatos, que miam os seus males de amor lá em baixo no jardim. Se hoje se repetir tenciono pôr lá a aparelhagem do ipod com uns blues que lhes digam pois é, rapazes, amar não é fácil, é preciso saber sofrer em silêncio, num silêncio perfeito como os gestos que usam, esses saltos preguiçosos, lentos, que balbuciam o espaço.
terça-feira, janeiro 17, 2006
O Dr. Souto Moura não foi ao parlamento porque teria umas reuniões. O Dr. Souto Moura é um funcionário, presumo que sindicalizado, e os deputados são os representantes do povo português. O Dr. Souto Moura, porém, sabe que tem total imunidade perpétua - e impunidade, de facto, já que a pusilanimidade reina - como se vê, enquanto os deputados têm apenas uma temporária impunidade funcional e a sua situação depende da boa vontade dos bonzos do partiudo. Outra fosse a lei eleitoral, outros seriam os deputados. E sabendo-se eles fortes do apoio dos seus constituintes, outra seria a sua força e ao sr. procurador geral não lhe passaria pela cabeça adiar o dia de prestar contas aos representates do povo português em nome de umas reuniões.
Enfim...
Enfim...
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Pelos vistos, parece que ninguém terá sido obrigado a ouvir os telefonemas, apenas registaram. Enfim... poupou-se uma mão cheia de gente a essa tarefa tediosa.
Parece que não se encontra, todavia, despacho de juiz que autorize tal registo. Minudências.
O facto de haver registos de 80 000 horas de telefonemas entre titulares de altos cargos políticos, ou seja, uma prática digna de qualquer perversa ditadura policial, não parece ser motivo para que seja pedida e demissão do procurador geral.
Também acho, era um aborrecimento.
Parece que não se encontra, todavia, despacho de juiz que autorize tal registo. Minudências.
O facto de haver registos de 80 000 horas de telefonemas entre titulares de altos cargos políticos, ou seja, uma prática digna de qualquer perversa ditadura policial, não parece ser motivo para que seja pedida e demissão do procurador geral.
Também acho, era um aborrecimento.
O procurador geral foi chamado a Belém, parece que os telefones privados do presidente da república e de dezenas de outros titulares de órgãos de soberania teriam sido colocados sobre escuta pelo ministério público. Ia indignar-me quando ouvi o Dr. Cluny, que, creio, é presidente de um sindicato de "magistrados do ministério público" dizer que não, não senhor, que é mentira. O espantoso é que sobre estas questões, não laborais, se peça opinião a sindicalistas e que o presidente do sindicato se considere em condições de dizer que é mentira. Como sabe ele que é mentira?
É uma república de mau vaudeville, esta já trintona 3ª República.
É uma república de mau vaudeville, esta já trintona 3ª República.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
O Marquês de Fronteira conta, com deleite, nas suas Memórias e para ilustrar o provincianismo de um seu companheiro de viagem, que este se esquivara em Paris a entrar, com ele Marquês, na mesma carruagem, pois decerto logo se saberia da sua chegada juntos e isso poderia prejudicá-lo aos olhos do governo português. Como se fosse em Lisboa em que a chegada de qualquer é notícia, acrescenta o Marquês. E, de facto, consegue fazer-nos sentir o ridículo da situação e o enorme desconhecimento do mundo que era o de muitos portugueses.
De quando em vez lembro-me deste medo cuidadoso do que se pensaria em Lisboa daquela chegada em tal companhia à capital francesa (hoje melhor seria dizer a Londres ou a Nova York; ou a ambas; ou, além destas, também a Paris) quando me deparo com preocupações que com aquela de há 180 anos partilham o descabido.
Aconteceu agora esta lembrança das Memórias de D. José Trazimundo a propósito de Maria Filomena Mónica.
De quando em vez lembro-me deste medo cuidadoso do que se pensaria em Lisboa daquela chegada em tal companhia à capital francesa (hoje melhor seria dizer a Londres ou a Nova York; ou a ambas; ou, além destas, também a Paris) quando me deparo com preocupações que com aquela de há 180 anos partilham o descabido.
Aconteceu agora esta lembrança das Memórias de D. José Trazimundo a propósito de Maria Filomena Mónica.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Um blog da Constança Cunha e Sá! Enfim, nem tudo é mau, CCS faz parte das minhas devoções nacionais - devoções de céptico sejam elas - e, também, das mais pessoais: gosto da CCS, tem dégagé e bom ar, coisas que não são, não são, repito, tão encontráveis quanto se possa pensar.
Passa para os meus links e para os meus hábitos de leituras de blogs.
Passa para os meus links e para os meus hábitos de leituras de blogs.
É o que me acontece com o Prof. Cavaco, acho dele isto que Churchill achava já não sei de quem. Há defeitos, vícios estimáveis e qualidades insuportáveis ou perto disso, é verdade.
Há bocado vi as reacções às declarações de Santana Lopes (eu gosto daquele ar de alma sensível, de estóico desengano que ele, Santana, faz; não sendo nada convincente é, por isso, um bom motivo para se ficar divertido, adivinhar quem se comove e comparar com o outro ar, o do Sócrates que se especializou no "tem de ser, tem de ser" dos grandes destinos) e dei por mim a pensar: eu tenho muitos defeitos e poucas qualidades e todos à uma pouco estimáveis, mas o que fiz, apesar disso, para merecer aquela gente televisão dentro?
Volto para Judt e para este começo de constipação a que me dedico quase profissionalmente, desde há dois dias.
Há bocado vi as reacções às declarações de Santana Lopes (eu gosto daquele ar de alma sensível, de estóico desengano que ele, Santana, faz; não sendo nada convincente é, por isso, um bom motivo para se ficar divertido, adivinhar quem se comove e comparar com o outro ar, o do Sócrates que se especializou no "tem de ser, tem de ser" dos grandes destinos) e dei por mim a pensar: eu tenho muitos defeitos e poucas qualidades e todos à uma pouco estimáveis, mas o que fiz, apesar disso, para merecer aquela gente televisão dentro?
Volto para Judt e para este começo de constipação a que me dedico quase profissionalmente, desde há dois dias.
terça-feira, janeiro 10, 2006
domingo, janeiro 08, 2006
A preguiça, uma injustificada falta de tempo, outras desculpas habituais que me dispenso de referir têm impedido que agradeça como deveria as referências a este blog.
Hoje começo a corrigir essa falta, agradecendo ao lida insana as referências amáveis.
Hoje começo a corrigir essa falta, agradecendo ao lida insana as referências amáveis.
Sábado dedicado ao "faça-você-mesmo". O faça consistiu em pendurar um espelho - sim, o espelho é pesado e grande. A coisa meteu meditações sobre buchas, diâmetros de brocas, berbequins ( vêm sem instruções de como fazer e as deles mesmos são totalmente irrelevantes para tudo o que ultrapasse o modo de, em caso de avaria, fazer valer os seus direitos em Glasgow), modos de aplicação da modalidade martelo, e de um modo geral sobre todos os assuntos sobre os quais eu deveria ter pedido conselho, se eu pudesse admitir pedir conselho sobre berbequins e tudo o mais, de um modo geral, na secção de bricolage.
Creio, no entanto, que não cheguei a correr perigo de vida e mantive o equilíbrio em cima do escadote e o sangue frio quando a broca (uma magnífica 6mm em aço-crómio) descreveu um vigoroso movimento oscilatório e, diria mesmo, rebelde. Tudo dominado com prontidão, prossegui, sem sobressaltos e a sede da minha preocupação transferiu-se do manejo em si para considerações de segurança: os camarões italianos que acompanhavam os espelho seriam os adequados? Eis o problema. Eu sei que Itália fez a renascença, mas sobre a fase actual, o fim do post II guerra - sim, continuo a ler - tenho as maiores apreensões. Substituí os camarões por outros, mais fortes, mas agora à noite, têm-me assaltado dúvidas sobre as buchas: italianas, elegantes, serão forçosamente escorregadias?
É que se tudo aquilo desaba, além da humilhação e prejuízo imediatos, acrescem sete anos de azar.
Não posso, porém, acrescentar ao orgulho - legítimo, diga-se (e nada disse sobre o processo de medição para centrar, calculos para o local dos camarões, o que tudo tem que se lhe diga) - mas não posso, dizia, acrescentar ao orgulho da missão cumprida, a completa tranquilidade.
Assim é a natureza humana...
Creio, no entanto, que não cheguei a correr perigo de vida e mantive o equilíbrio em cima do escadote e o sangue frio quando a broca (uma magnífica 6mm em aço-crómio) descreveu um vigoroso movimento oscilatório e, diria mesmo, rebelde. Tudo dominado com prontidão, prossegui, sem sobressaltos e a sede da minha preocupação transferiu-se do manejo em si para considerações de segurança: os camarões italianos que acompanhavam os espelho seriam os adequados? Eis o problema. Eu sei que Itália fez a renascença, mas sobre a fase actual, o fim do post II guerra - sim, continuo a ler - tenho as maiores apreensões. Substituí os camarões por outros, mais fortes, mas agora à noite, têm-me assaltado dúvidas sobre as buchas: italianas, elegantes, serão forçosamente escorregadias?
É que se tudo aquilo desaba, além da humilhação e prejuízo imediatos, acrescem sete anos de azar.
Não posso, porém, acrescentar ao orgulho - legítimo, diga-se (e nada disse sobre o processo de medição para centrar, calculos para o local dos camarões, o que tudo tem que se lhe diga) - mas não posso, dizia, acrescentar ao orgulho da missão cumprida, a completa tranquilidade.
Assim é a natureza humana...
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Outra coisa que mudou: dantes ouvia com atenção o Dr. Constâncio. Hoje não tenho paciência para escutar alguém que se atribuiu um ordenado muito superior ao "seu colega" dos USA. Eu sei que ele não é menos competente mas, de um certo modo, é menos credível e a sua voracidade - e de toda aquela gente que o rodeia - parece-me obscena.
Comparado com isto, as desastradas idas do primeiro-ministro para destinos de semi luxo nas férias de Natal, (pagas do seu bolso, aliás), parecem-me apenas o que são: um exemplo de novo-riquismo de mau gosto.
Comparado com isto, as desastradas idas do primeiro-ministro para destinos de semi luxo nas férias de Natal, (pagas do seu bolso, aliás), parecem-me apenas o que são: um exemplo de novo-riquismo de mau gosto.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Os pareceres e relatórios do Tribunal de Contas eram, até agora, e para mim, Zé da Esquina, peças fiáveis para aquilatar da conformidade dos procedimentos da administração com a lei. Adivinhava-se uma cultura de rigor e quase se podia desenhar o perfil dos autores desses relatórios, legalistas, exigentes, honestos, daquela gente a quem o não cumprimento das normas, mesmo justificado por aflições substanciais, deveras aflige.
E eram rigosamente apartidários - ou pareciam-no.
Hoje, o Dr. Oliveira Martins deu uma machada nesse imagem que, creio, eu compartilhava com muitos portugueses.
E eram rigosamente apartidários - ou pareciam-no.
Hoje, o Dr. Oliveira Martins deu uma machada nesse imagem que, creio, eu compartilhava com muitos portugueses.
terça-feira, janeiro 03, 2006
E se eu não estropiasse poemas citando-os mal?
"It seemed always afternoon" e não "where it is always afternoon"
O melhor é ler o poema do Tennyson, que encontram aqui.
"It seemed always afternoon" e não "where it is always afternoon"
O melhor é ler o poema do Tennyson, que encontram aqui.
Levantei-me tarde - encarar a manhã, particularmente estas muito bonitas de Janeiro exige de mim uma disciplina dos sentidos que não está ao meu dispor nesta altura - levantei-me tarde, passei os olhos pelos teletextos com as notícias do dia (a mais interessante é ter cessado em França o estado de emergência. Corrijo: a mais importante é a gente verificar estar um país europeu várias semanas consecutivas em estado de emergência por motivos de ordem pública...) Bem, depois almocei meditando nestas coisas francesas e fui passear, tarde fora. Que beleza de tarde! Lembro-me que Eça parece atribuir à amenidade do clima a nossa incapacidade de perceber o trágico, a nossa opção pelo drama manso. E de facto...
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