Dediquei a tarde aos jornais locais e descobri estragos do laicismo: o jornal da minha paróquia declara-se, no seu estatuto editorial, totalmente independente perante quaisquer forças, sejam elas politícos ou... religiosas. Mais diz que se rege pelo respeito dos direitos dos cidadãos consagrados na Constituição da República.
Pasmei!
Se é independente, não o deve ser. O que se espera de um jornal propriedade de uma paróquia é que seja dependente desta. Quanto aos direitos dos citoyens, já foram estabelecidos há muito, muito antes do jacobinismo e da "nossa Constituição".
Isto não é maldade, ou rebeldia, estes furores de independência: é palermice e insuficiência.
domingo, março 19, 2006
sexta-feira, março 17, 2006
Nada como umas desordens em Paris para me levantar o moral.
Tenho andado meditabundo mas quando vi as rapaziadas francesas - a ululância fez-me lembrar os palestinos, esse fétiche da esquerda -, quando vi a ausência de "de Villepin" - essa ausência faz-me lembrar a de dirigentes capitulacionistas que se evolam no pó da catastrófe... - quando, enfim, se torna patente a desgraça a que o Estatismo conduziu o povo francês... parece que, com tudo isso, me sinto mais animado.
Ou, então, foi por ter chovido.
Tenho andado meditabundo mas quando vi as rapaziadas francesas - a ululância fez-me lembrar os palestinos, esse fétiche da esquerda -, quando vi a ausência de "de Villepin" - essa ausência faz-me lembrar a de dirigentes capitulacionistas que se evolam no pó da catastrófe... - quando, enfim, se torna patente a desgraça a que o Estatismo conduziu o povo francês... parece que, com tudo isso, me sinto mais animado.
Ou, então, foi por ter chovido.
Nas jacqueries francesas, herança e persistência de ruralidade, a ululância, a incapacidade de ver no Parlamento (sic) a sede da cidadania e da Lei - as manifestações não têm sequer destino certo, ensaia-se a "recriação" do caos, de um cosmos enragé, a rua, o grito, a desordem - a velha desordem em que o romantismo se comprazia encontrar adubo para criatividades embotadas. Entretanto, na televisão, o dono francês de um quiosque parisiense incendiado pela multidão de energúmenos, declarava, com um ar cansado, querer emigrar. Há anos que não via uma declaração tão terrível de desalento e uma acusação tão acutilante a um modelo de governo, a um modo de ser.
quarta-feira, março 15, 2006
terça-feira, março 14, 2006
Vou ao Bomba, e clico aventureiramente no segundo link (Jorge Asís). Em terreno desconhecido, penso. Não! Logo encontro Mujica Lainez, um autor que gostei muito de ler e que li sem que ninguém - mesmo por recensão ou interposto artigo ou crónica - me tenha recomendado. Vi o livro, numa livraria soturna, em Badajoz, onde tinha ido comprar charutos, e comprei o "Escarabajo".
Hoje, pelo Technorati, vi que o Viagem tinha linkado este blog. Fui ver de que tratava e acabei por o ler todo. Escrito em 1976, apercebemo-nos por ele de um país que esquecemos, o Portugal de há 30 anos, de antes dos fundos comunitários.
O narrador é quintessencialmente português, metido consigo e de falas difíceis malgrado as suas boas intenções. Conta à distância, quase impessoal, mesmo quando se queixa dos seus cansaços e maleitas. A prosa, se não é contemporânea da viagem, conserva uma simplicidade agradável.
O narrador é quintessencialmente português, metido consigo e de falas difíceis malgrado as suas boas intenções. Conta à distância, quase impessoal, mesmo quando se queixa dos seus cansaços e maleitas. A prosa, se não é contemporânea da viagem, conserva uma simplicidade agradável.
segunda-feira, março 13, 2006
Maravilhas do progressoVi e decidi comprar na quarta-feira à noite, foi posto no correio, em Inglaterra, na sexta-feira e hoje chegou cá a casa o livro que encomendei e que daqui e pouco irei ler com alguma gula.
Há desilusões, contudo: a "Padeia", de Jaeger, encomendada na "amazon.uk" em Janeiro não chegou ainda e dizem-me que só lá para fins de Abril: não há royal air mail que me valha!
Acabou o Espectro! E acabou porque, segundo os seus autores, CCS e VPV, não dispunham de "tempo para o fazer como ele deveria ser feito". Assim, como era feito, era o blog mais visitado da "blogosfera" portuguesa!Enfim... eram livres de não darem qualquer explicação. Quiseram dar: impunha-se uma mais convincente e irrespondível ("não nos apetece"; "estamos fartos"; "chega").
Espero que o remorso comece o seu bom trabalho e os transforme de novo em bloguistas compulsivos.
Espero que o remorso comece o seu bom trabalho e os transforme de novo em bloguistas compulsivos.
domingo, março 12, 2006
Agradável este prenúncio de primavera, a tarde já com cores de saloia sadia*.
É só para dizer que o quadro da minha bagagem de volta à monotonia europeia é de Nadine Le Prince, uma pintora que não conhecia - mas que me parece muito ciosa dos seus copyright. Pinta murais em tromp d'oeil e, também, décoration d'intérieur.
* Ainda fui criado na crença "XIX siècle", aqui mantida pelo tardo naturalismo da pintura portuguesa do séc. XX, de que o povo gozava de uma saúde de ferro e que tinha umas cores que só Malhoa, só ele verdadeiramente sabia captar. A crença ainda subsiste já que, ainda há pouco tempo, a filha pequena de uma amiga minha, de saúde de ferro e condizentes boas cores, era apodada, um pouco depreciativamente, de "Maria Papoila" pelo resto da família. A mãe tentava, em vão, convencer-nos de que a criança passava a vida com anginas, mas sem qualquer sucesso.
É só para dizer que o quadro da minha bagagem de volta à monotonia europeia é de Nadine Le Prince, uma pintora que não conhecia - mas que me parece muito ciosa dos seus copyright. Pinta murais em tromp d'oeil e, também, décoration d'intérieur.
* Ainda fui criado na crença "XIX siècle", aqui mantida pelo tardo naturalismo da pintura portuguesa do séc. XX, de que o povo gozava de uma saúde de ferro e que tinha umas cores que só Malhoa, só ele verdadeiramente sabia captar. A crença ainda subsiste já que, ainda há pouco tempo, a filha pequena de uma amiga minha, de saúde de ferro e condizentes boas cores, era apodada, um pouco depreciativamente, de "Maria Papoila" pelo resto da família. A mãe tentava, em vão, convencer-nos de que a criança passava a vida com anginas, mas sem qualquer sucesso.
sábado, março 11, 2006

Nao caio no erro de tentar explicar o inexplicável e se Charlotte persiste em querer ver neste bloguinho longínquas indias, que fazer senão obedecer-lhe e agir em conformidade confessando que assim é, que lá estive, que este blog foi escrito enquanto via as bátegas fortes da monção a fustigar as árvores em frente à casa ou quando me refugiava do calor na sala obscurecida, a olhar para a velha ventoínha do tecto, avariada desde 1935...
Lá estive, de facto. Regresso agora (via Port Said) como se pode verificar pela observação da malle des indes. Trago alguns presentes.
quinta-feira, março 09, 2006
Ouvi há bocado, pela primeira vez, "o Presidente da República, Cavaco Silva" e confesso que senti um calafrio.
Depois, agora mesmo, vi-o: lá estava ele, ufano. Bem, compreende-se que esteja, é normal e humano estar orgulhoso e bem disposto. É como há uns tempos: ficavam assim quando eram feitos regedores, a honra do cargo arredondava-os, impavam e se bem que este não tenha sido feito regedor é presidente, que é, afinal, quase a mesma coisa.
Depois, agora mesmo, vi-o: lá estava ele, ufano. Bem, compreende-se que esteja, é normal e humano estar orgulhoso e bem disposto. É como há uns tempos: ficavam assim quando eram feitos regedores, a honra do cargo arredondava-os, impavam e se bem que este não tenha sido feito regedor é presidente, que é, afinal, quase a mesma coisa.
quarta-feira, março 08, 2006
segunda-feira, março 06, 2006
A propósito de generosidade, também ontem, George Clooney num tom de quem dá lições generosas falava nos "presentes" de Hollywood ao "povo". Sem contestar que houve filmes que fizeram a propaganda de temas importantes, lembro o que Hitchcock disse a Cary Grant numa ocasião em que este se confessou preocupado com uma cena: "Não esteja nervoso, isto é só um divertimento. Se eu quisesse ocupar-me de coisas sérias teria ido para medicina!".
Dizia hoje o primeiro-ministro, a propósito da defunta "constituição europeia" que dela se podia retirar muito, para que se não perdesse o trabalho de gente generosa. Por "gente generosa" o Eng. Sócrates entende uma mão-cheia de políticos pouco escrupulosos e burocratas autoritários que, sem que ninguém lhes houvesse encomendado tal sermão e usando métodos próximo do ditatorial, resolveram dar tal presente à Europa. E Sócrates quer-nos pôr, a nós, no papel de mal-agradecidos (no caso, pobres e...) a quem "fica mal" não aceitar o presente. Felizmente, já Churchill notava que os grandes povos são ingratos.
Mais, nos tempos que correm, em que se a democracia está submetida a um enorme desgaste, têm o dever de o serem.
Mais, nos tempos que correm, em que se a democracia está submetida a um enorme desgaste, têm o dever de o serem.
sábado, março 04, 2006
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