terça-feira, fevereiro 07, 2006

Dá sempre gosto ler VPV mas em especial os posts sobre a questão das caricaturas de Maomé em que são desancados, de uma penada - e feliz - o Dr. Sampaio, e os Prof. Cavaco e Freitas do Amaral.
Não é mau feitio de VPV, eles é que por omissão e acção se puseram a jeito.
Enfim uma notícia, esta da compra da PT pela Sonae.
E terá o mérito de revelar até onde foram os governos na sua arquitectura de protecções. Vamos ver mais nítido.

segunda-feira, fevereiro 06, 2006

Um eterno Janeiro não me assusta senão por me aborrecerem todas as eternidades, mas esta manhã de Fevereiro, este sol, este azul, o ameno que se pressente por detrás da aspereza do vento têm o encanto das coisas confiantemente pressentidas.

domingo, fevereiro 05, 2006

Que fique claro: os energúmenos têm os seus direitos, entre os quais os de exprimirem o que lhes vai lá por dentro. O que tem faltado é a indignação. O desinteresse com que se "deixa andar" é uma face daquela mesma moeda com que se tenta, agora, apaziguar os furores islâmicos.
Oiço as notícias destes desmandos contra os nórdicos (e já contra os franceses) e sinto a falta de qualquer coisa. Ao longo dos dias que já leva este episódio tenho sentido a falta de não sei bem o quê. Percebi agora: das manifestações de protesto. Muito caladas estão as esquerdas, os anti globalistas, os multiculturalistas, os... toda essa gente...
Dos media: "Dezenas de manifestantes em protesto pela publicação das caricaturas do profeta Maomé na imprensa europeia entraram nas embaixadas da Dinamarca e Noruega, saquearam-nas e lançaram-lhes fogo em seguida."
À atenção dos senhores multiculturalistas: gente de outras culturas, nomeadamente das do Próximo Oriente não consideram que todas as culturas se equivalam. Pelo contrário, acham a deles muito superior à nossa, que vêem como decadente e "frouxa".
A gente a ver estas coisas de gente furiosa por uns desenhos de Maomé - e, ia dizer ao modo da cultura europeia intolerante e sem sentido de humor - quando ontem, num intervalo de zapping vi uma Cruz, o símbolo da religião cristã (a tal que não contribuiu para a formação europeia, segundo a defunta constituição europeia), o símbolo do martírio de Cristo, nas mãos de um energúmeno que contava em linguagem de carroceiro, anedotas soezes e alarves no que deve ser o mais abjecto programa da televisão europeia, o ri-te não sei quê, da Sic.
E sabem? Dei por mim a pensar sei lá o quê e em vergonha na cara e sei lá que mais.
Constava do catálogo, preto no branco, que os pés do cadeirão eram quinane. Havia possibilidades de escolhas de outros pés, mas tudo apontava para o quinane. É isso: Queen Anne.

quinta-feira, fevereiro 02, 2006

Li, de manhã, no teletexto da TV5, a notícia de que o director do France Soir, Jacques Lefranc tinha sido despedido por ter permitido a publicação das caricaturas de Maomé.
A razão invocada para pôr o homem na rua foi a de ser necessário dar "um sinal forte de respeito pelas crenças e convicções íntimas de cada indivíduo".
Logo pensei no que aconteceria se os católicos franceses exigissem, com igual falta de "fair play" - e pode existir, em matéria de religião? - igual respeito pelas suas convicções...
A bem-pensância (sic) europeia, que tem alimentado, com a sua benevolência pelo extremismo muçulmano, a possibilidade da existência de situações como esta, que venha agora explicar em que pé estamos. Quanto a mim, já os perdemos (o pé e o tino).
VPV diz mais aqui

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

No 1º de Fevereiro de 1908 foi assassinado El-Rei D. Carlos I e o Princípe Herdeiro, D. Luís Filipe.
O Monarca e a restante Família Real eram alvo de uma campanha de calúnias soezes, difícil de conceber hoje em dia.
À corja caluniadora pertencia gente grada das letras. Alguns penitenciaram-se da sua conduta vergonhosa e pediram, anos depois, desculpas à Rainha, Senhora Dona Amélia que as terá aceitado.
Quem não os desculpou foi o tempo: são hoje geralmente desconhecidos ou ignorados.

terça-feira, janeiro 31, 2006

Ler posts de "vpv", melhor ainda, com o tempo começar a lê-los de viés, a correr, desatentamente, eis um inesperado luxo.

segunda-feira, janeiro 30, 2006

Registo: por esquecimento o aquecimento da casa de jantar não foi ligado e usar os talheres revelou-se uma tarefa de alguma penosidade.

domingo, janeiro 29, 2006

Dei uma passeata curta pelos blogs e num ápice vi-me no meio de discussões azedadas, acusações, recriminações, tudo isto dominado, aqui e ali, por umas indiferenças altaneiras. O quadro é aterrorizador e provocou-me a mesma sensação de confinamento que senti ao ler algumas memórias de há um século atrás.
Parece que aqui também nevou.
O frio continua.

sábado, janeiro 28, 2006

Ontem, lembrei-me várias vezes de Mozart mas não ouvi Mozart e acabei por não vir aqui "postar" sobre Mozart, nem que fosse um mero retrato dele.`
A omissão acaba por ser, a contrario sensu, uma homenagem à mediocridade. No caso presente, à minha.

quinta-feira, janeiro 26, 2006

O Dr. Sampaio no discurso que proferiu na abertura do ano judicial disse, entre outras coisas, que é «inaceitável que um arguido não seja, desde o primeiro momento, confrontado com os factos de que é acusado,como tem acontecido, à vista de todos, demasiadas vezes»
Muito bem, diz o Impensável, mas porque não alterar de imediato o Código de Processo Penal? O que fez o presidente para que acabasse tal vergonhoso estado de coisas?
Depois, considerando «igualmente inaceitável que lhe não sejam explicitadas as razões efectivas que podem determinar a sua prisão preventiva, para as poder contraditar e sobre elas produzir prova». Aqui há gato escondido com rabo de fora e felpudo. Não compete ao arguido produzir prova... Cabe à acusação. Uhm... E que tal acabar com a prisão preventiva no que ela tem, entre nós, de terceiro mundismo? E, mais uma vez, porque razão esteve calado o Sr. Presidente? Não era de admitir que num país sem tradições de respeito pela dignidade humana, ademais depois de quase 50 anos da ditadura da II república, o código de processo penal, produto de esquerda, fosse interpretado pelos juizes do modo menos favorável para os cidadãos?
Porque não dizer que a prisão preventiva, sem acusação formulada, não existe sequer nas democracias avançadas como é o caso do Reino Unido?
Resolveu falar agora. Podia - e devia - tê-lo feito há muito mais tempo.
Este discurso, por tardio, não lhe faz honra.

quarta-feira, janeiro 25, 2006

Aproveitei a tarde para começar a resolver alguns assuntos desagradáveis. Com surpresa minha, a tarefa em si não demorou nem foi penosa. Tratava-se de começar, apenas.
Já perto das hora de jantar, vi Durão Barroso a debitar palermices sobre a necessidade das nossas "reformas estruturais". Ele finge esquecer-se que tais reformas não foram encetadas por um esquecimento, mas porque exigem sacrifícios à classe média em geral, a que decide eleições e, mais particularmente, àquela parte dela que conta com um lugar à mesa orçamental e dos fundos comunitários. Creio que a coisa só será feita quando, devidamente instruído por quem se fartar de nos pagar este estado de coisas, um qualquer funcionário comunitário pegar pelo bracinho o 1º ministro português da altura (a "coisa" não será para já) e lhe explicar - sem muita subtileza, não vá ele não perceber - o que é necessário fazer. Nessa altura acabarão as discussões estudantis e adolescentes sobre o "nosso rumo", a "nossa posição no mundo", o "nosso destino" que agora alimentam os nossos ócios e começará o tempo rude do 1º emprego.

terça-feira, janeiro 24, 2006

O Procurador-Geral da República disse no Parlamento que o Ministério Públivco poderá conviver com a nova lei-quadro da investigação cirminal. Sem entrar na discussão da bondade da lei conviria que alguém dissesse ao Sr. Procurador-Geral (e aos sindicatos) que, o que mais faltaria seria o Parlamento (ou seja, o Povo Português...) encontrar-se condicionado às opiniões e modos de ver dos senhores funcionários do Ministério Público e seus sindicatos.

segunda-feira, janeiro 23, 2006

Um investigador (de quê?) inglês chegou à conclusão de que hoje é o dia mais deprimente do ano inteiro tendo em conta o tempo decorrido desde o Natal, o recomeço do trabalho, o tempo frio, etc, etc.
Não vejo motivos para duvidar.

domingo, janeiro 22, 2006

Ontem comecei a ler as Memorias da Maria Filomena Mónica que acabei há pouco, já depois de ter ido votar - reservo a minha abstenção monárquica para uma possível 2ª volta. O livro, tendo embora alguns dos defeitos que lhe vi apontados (algumas transcrições dos diários são demasiado longas, por exemplo, e aqui e ali há alguma pose narrativa mais irritante), lê-se bem. Falta sense of humour, talvez, e alguns episódios pitorescos que contentassem o voyeurismo vigente - que não deixa de ter matéria para se alimentar, aliás - mas mesmo como está, lê-se bem, repito, e as reacções exageradas que suscitou parecem-me um pouco provincianas. Dado a autora se ter doutorado numa universidade com prestígio mundial, não será de excluir alguma lusitana inveja como motivadora das indignações mais exaltadas.
Tinha acabado de pousar o livro quando telefonou uma amiga minha em missão de policiamento ortodoxo lembrando-me as malfeitorias a que ficaríamos sujeitos se, com a minhas liberdades poéticas, contribuísse para eleger um mau presidente da república. Desiludida com a minha resposta ("o mal está feito") decidiu que eu fora vítima de más companhias. Ri, desmenti e considerei a opção, das más companhias e minha, muito natural, sendo a dela a desnaturada.

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Céu limpo e puro lá fora e aqui, maçadorias burocráticas a que não se consegue ser imune e me acabrunham, deixar que tudo isso se escoe para segunda-feira e agora sair para a tarde.