sexta-feira, janeiro 20, 2006
quarta-feira, janeiro 18, 2006
A lua minguante é ainda bastante para aquele gato, lá em baixo no jardim, comemorar Janeiro. Adormeci a ouvir o gato, os gatos. É bom poder protestar apenas porque há um gato, gatos, que miam os seus males de amor lá em baixo no jardim. Se hoje se repetir tenciono pôr lá a aparelhagem do ipod com uns blues que lhes digam pois é, rapazes, amar não é fácil, é preciso saber sofrer em silêncio, num silêncio perfeito como os gestos que usam, esses saltos preguiçosos, lentos, que balbuciam o espaço.
terça-feira, janeiro 17, 2006
O Dr. Souto Moura não foi ao parlamento porque teria umas reuniões. O Dr. Souto Moura é um funcionário, presumo que sindicalizado, e os deputados são os representantes do povo português. O Dr. Souto Moura, porém, sabe que tem total imunidade perpétua - e impunidade, de facto, já que a pusilanimidade reina - como se vê, enquanto os deputados têm apenas uma temporária impunidade funcional e a sua situação depende da boa vontade dos bonzos do partiudo. Outra fosse a lei eleitoral, outros seriam os deputados. E sabendo-se eles fortes do apoio dos seus constituintes, outra seria a sua força e ao sr. procurador geral não lhe passaria pela cabeça adiar o dia de prestar contas aos representates do povo português em nome de umas reuniões.
Enfim...
Enfim...
segunda-feira, janeiro 16, 2006
sexta-feira, janeiro 13, 2006
Pelos vistos, parece que ninguém terá sido obrigado a ouvir os telefonemas, apenas registaram. Enfim... poupou-se uma mão cheia de gente a essa tarefa tediosa.
Parece que não se encontra, todavia, despacho de juiz que autorize tal registo. Minudências.
O facto de haver registos de 80 000 horas de telefonemas entre titulares de altos cargos políticos, ou seja, uma prática digna de qualquer perversa ditadura policial, não parece ser motivo para que seja pedida e demissão do procurador geral.
Também acho, era um aborrecimento.
Parece que não se encontra, todavia, despacho de juiz que autorize tal registo. Minudências.
O facto de haver registos de 80 000 horas de telefonemas entre titulares de altos cargos políticos, ou seja, uma prática digna de qualquer perversa ditadura policial, não parece ser motivo para que seja pedida e demissão do procurador geral.
Também acho, era um aborrecimento.
O procurador geral foi chamado a Belém, parece que os telefones privados do presidente da república e de dezenas de outros titulares de órgãos de soberania teriam sido colocados sobre escuta pelo ministério público. Ia indignar-me quando ouvi o Dr. Cluny, que, creio, é presidente de um sindicato de "magistrados do ministério público" dizer que não, não senhor, que é mentira. O espantoso é que sobre estas questões, não laborais, se peça opinião a sindicalistas e que o presidente do sindicato se considere em condições de dizer que é mentira. Como sabe ele que é mentira?
É uma república de mau vaudeville, esta já trintona 3ª República.
É uma república de mau vaudeville, esta já trintona 3ª República.
quinta-feira, janeiro 12, 2006
O Marquês de Fronteira conta, com deleite, nas suas Memórias e para ilustrar o provincianismo de um seu companheiro de viagem, que este se esquivara em Paris a entrar, com ele Marquês, na mesma carruagem, pois decerto logo se saberia da sua chegada juntos e isso poderia prejudicá-lo aos olhos do governo português. Como se fosse em Lisboa em que a chegada de qualquer é notícia, acrescenta o Marquês. E, de facto, consegue fazer-nos sentir o ridículo da situação e o enorme desconhecimento do mundo que era o de muitos portugueses.
De quando em vez lembro-me deste medo cuidadoso do que se pensaria em Lisboa daquela chegada em tal companhia à capital francesa (hoje melhor seria dizer a Londres ou a Nova York; ou a ambas; ou, além destas, também a Paris) quando me deparo com preocupações que com aquela de há 180 anos partilham o descabido.
Aconteceu agora esta lembrança das Memórias de D. José Trazimundo a propósito de Maria Filomena Mónica.
De quando em vez lembro-me deste medo cuidadoso do que se pensaria em Lisboa daquela chegada em tal companhia à capital francesa (hoje melhor seria dizer a Londres ou a Nova York; ou a ambas; ou, além destas, também a Paris) quando me deparo com preocupações que com aquela de há 180 anos partilham o descabido.
Aconteceu agora esta lembrança das Memórias de D. José Trazimundo a propósito de Maria Filomena Mónica.
quarta-feira, janeiro 11, 2006
Um blog da Constança Cunha e Sá! Enfim, nem tudo é mau, CCS faz parte das minhas devoções nacionais - devoções de céptico sejam elas - e, também, das mais pessoais: gosto da CCS, tem dégagé e bom ar, coisas que não são, não são, repito, tão encontráveis quanto se possa pensar.
Passa para os meus links e para os meus hábitos de leituras de blogs.
Passa para os meus links e para os meus hábitos de leituras de blogs.
É o que me acontece com o Prof. Cavaco, acho dele isto que Churchill achava já não sei de quem. Há defeitos, vícios estimáveis e qualidades insuportáveis ou perto disso, é verdade.
Há bocado vi as reacções às declarações de Santana Lopes (eu gosto daquele ar de alma sensível, de estóico desengano que ele, Santana, faz; não sendo nada convincente é, por isso, um bom motivo para se ficar divertido, adivinhar quem se comove e comparar com o outro ar, o do Sócrates que se especializou no "tem de ser, tem de ser" dos grandes destinos) e dei por mim a pensar: eu tenho muitos defeitos e poucas qualidades e todos à uma pouco estimáveis, mas o que fiz, apesar disso, para merecer aquela gente televisão dentro?
Volto para Judt e para este começo de constipação a que me dedico quase profissionalmente, desde há dois dias.
Há bocado vi as reacções às declarações de Santana Lopes (eu gosto daquele ar de alma sensível, de estóico desengano que ele, Santana, faz; não sendo nada convincente é, por isso, um bom motivo para se ficar divertido, adivinhar quem se comove e comparar com o outro ar, o do Sócrates que se especializou no "tem de ser, tem de ser" dos grandes destinos) e dei por mim a pensar: eu tenho muitos defeitos e poucas qualidades e todos à uma pouco estimáveis, mas o que fiz, apesar disso, para merecer aquela gente televisão dentro?
Volto para Judt e para este começo de constipação a que me dedico quase profissionalmente, desde há dois dias.
terça-feira, janeiro 10, 2006
domingo, janeiro 08, 2006
A preguiça, uma injustificada falta de tempo, outras desculpas habituais que me dispenso de referir têm impedido que agradeça como deveria as referências a este blog.
Hoje começo a corrigir essa falta, agradecendo ao lida insana as referências amáveis.
Hoje começo a corrigir essa falta, agradecendo ao lida insana as referências amáveis.
Sábado dedicado ao "faça-você-mesmo". O faça consistiu em pendurar um espelho - sim, o espelho é pesado e grande. A coisa meteu meditações sobre buchas, diâmetros de brocas, berbequins ( vêm sem instruções de como fazer e as deles mesmos são totalmente irrelevantes para tudo o que ultrapasse o modo de, em caso de avaria, fazer valer os seus direitos em Glasgow), modos de aplicação da modalidade martelo, e de um modo geral sobre todos os assuntos sobre os quais eu deveria ter pedido conselho, se eu pudesse admitir pedir conselho sobre berbequins e tudo o mais, de um modo geral, na secção de bricolage.
Creio, no entanto, que não cheguei a correr perigo de vida e mantive o equilíbrio em cima do escadote e o sangue frio quando a broca (uma magnífica 6mm em aço-crómio) descreveu um vigoroso movimento oscilatório e, diria mesmo, rebelde. Tudo dominado com prontidão, prossegui, sem sobressaltos e a sede da minha preocupação transferiu-se do manejo em si para considerações de segurança: os camarões italianos que acompanhavam os espelho seriam os adequados? Eis o problema. Eu sei que Itália fez a renascença, mas sobre a fase actual, o fim do post II guerra - sim, continuo a ler - tenho as maiores apreensões. Substituí os camarões por outros, mais fortes, mas agora à noite, têm-me assaltado dúvidas sobre as buchas: italianas, elegantes, serão forçosamente escorregadias?
É que se tudo aquilo desaba, além da humilhação e prejuízo imediatos, acrescem sete anos de azar.
Não posso, porém, acrescentar ao orgulho - legítimo, diga-se (e nada disse sobre o processo de medição para centrar, calculos para o local dos camarões, o que tudo tem que se lhe diga) - mas não posso, dizia, acrescentar ao orgulho da missão cumprida, a completa tranquilidade.
Assim é a natureza humana...
Creio, no entanto, que não cheguei a correr perigo de vida e mantive o equilíbrio em cima do escadote e o sangue frio quando a broca (uma magnífica 6mm em aço-crómio) descreveu um vigoroso movimento oscilatório e, diria mesmo, rebelde. Tudo dominado com prontidão, prossegui, sem sobressaltos e a sede da minha preocupação transferiu-se do manejo em si para considerações de segurança: os camarões italianos que acompanhavam os espelho seriam os adequados? Eis o problema. Eu sei que Itália fez a renascença, mas sobre a fase actual, o fim do post II guerra - sim, continuo a ler - tenho as maiores apreensões. Substituí os camarões por outros, mais fortes, mas agora à noite, têm-me assaltado dúvidas sobre as buchas: italianas, elegantes, serão forçosamente escorregadias?
É que se tudo aquilo desaba, além da humilhação e prejuízo imediatos, acrescem sete anos de azar.
Não posso, porém, acrescentar ao orgulho - legítimo, diga-se (e nada disse sobre o processo de medição para centrar, calculos para o local dos camarões, o que tudo tem que se lhe diga) - mas não posso, dizia, acrescentar ao orgulho da missão cumprida, a completa tranquilidade.
Assim é a natureza humana...
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Outra coisa que mudou: dantes ouvia com atenção o Dr. Constâncio. Hoje não tenho paciência para escutar alguém que se atribuiu um ordenado muito superior ao "seu colega" dos USA. Eu sei que ele não é menos competente mas, de um certo modo, é menos credível e a sua voracidade - e de toda aquela gente que o rodeia - parece-me obscena.
Comparado com isto, as desastradas idas do primeiro-ministro para destinos de semi luxo nas férias de Natal, (pagas do seu bolso, aliás), parecem-me apenas o que são: um exemplo de novo-riquismo de mau gosto.
Comparado com isto, as desastradas idas do primeiro-ministro para destinos de semi luxo nas férias de Natal, (pagas do seu bolso, aliás), parecem-me apenas o que são: um exemplo de novo-riquismo de mau gosto.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Os pareceres e relatórios do Tribunal de Contas eram, até agora, e para mim, Zé da Esquina, peças fiáveis para aquilatar da conformidade dos procedimentos da administração com a lei. Adivinhava-se uma cultura de rigor e quase se podia desenhar o perfil dos autores desses relatórios, legalistas, exigentes, honestos, daquela gente a quem o não cumprimento das normas, mesmo justificado por aflições substanciais, deveras aflige.
E eram rigosamente apartidários - ou pareciam-no.
Hoje, o Dr. Oliveira Martins deu uma machada nesse imagem que, creio, eu compartilhava com muitos portugueses.
E eram rigosamente apartidários - ou pareciam-no.
Hoje, o Dr. Oliveira Martins deu uma machada nesse imagem que, creio, eu compartilhava com muitos portugueses.
terça-feira, janeiro 03, 2006
E se eu não estropiasse poemas citando-os mal?
"It seemed always afternoon" e não "where it is always afternoon"
O melhor é ler o poema do Tennyson, que encontram aqui.
"It seemed always afternoon" e não "where it is always afternoon"
O melhor é ler o poema do Tennyson, que encontram aqui.
Levantei-me tarde - encarar a manhã, particularmente estas muito bonitas de Janeiro exige de mim uma disciplina dos sentidos que não está ao meu dispor nesta altura - levantei-me tarde, passei os olhos pelos teletextos com as notícias do dia (a mais interessante é ter cessado em França o estado de emergência. Corrijo: a mais importante é a gente verificar estar um país europeu várias semanas consecutivas em estado de emergência por motivos de ordem pública...) Bem, depois almocei meditando nestas coisas francesas e fui passear, tarde fora. Que beleza de tarde! Lembro-me que Eça parece atribuir à amenidade do clima a nossa incapacidade de perceber o trágico, a nossa opção pelo drama manso. E de facto...
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