terça-feira, janeiro 10, 2006
domingo, janeiro 08, 2006
A preguiça, uma injustificada falta de tempo, outras desculpas habituais que me dispenso de referir têm impedido que agradeça como deveria as referências a este blog.
Hoje começo a corrigir essa falta, agradecendo ao lida insana as referências amáveis.
Hoje começo a corrigir essa falta, agradecendo ao lida insana as referências amáveis.
Sábado dedicado ao "faça-você-mesmo". O faça consistiu em pendurar um espelho - sim, o espelho é pesado e grande. A coisa meteu meditações sobre buchas, diâmetros de brocas, berbequins ( vêm sem instruções de como fazer e as deles mesmos são totalmente irrelevantes para tudo o que ultrapasse o modo de, em caso de avaria, fazer valer os seus direitos em Glasgow), modos de aplicação da modalidade martelo, e de um modo geral sobre todos os assuntos sobre os quais eu deveria ter pedido conselho, se eu pudesse admitir pedir conselho sobre berbequins e tudo o mais, de um modo geral, na secção de bricolage.
Creio, no entanto, que não cheguei a correr perigo de vida e mantive o equilíbrio em cima do escadote e o sangue frio quando a broca (uma magnífica 6mm em aço-crómio) descreveu um vigoroso movimento oscilatório e, diria mesmo, rebelde. Tudo dominado com prontidão, prossegui, sem sobressaltos e a sede da minha preocupação transferiu-se do manejo em si para considerações de segurança: os camarões italianos que acompanhavam os espelho seriam os adequados? Eis o problema. Eu sei que Itália fez a renascença, mas sobre a fase actual, o fim do post II guerra - sim, continuo a ler - tenho as maiores apreensões. Substituí os camarões por outros, mais fortes, mas agora à noite, têm-me assaltado dúvidas sobre as buchas: italianas, elegantes, serão forçosamente escorregadias?
É que se tudo aquilo desaba, além da humilhação e prejuízo imediatos, acrescem sete anos de azar.
Não posso, porém, acrescentar ao orgulho - legítimo, diga-se (e nada disse sobre o processo de medição para centrar, calculos para o local dos camarões, o que tudo tem que se lhe diga) - mas não posso, dizia, acrescentar ao orgulho da missão cumprida, a completa tranquilidade.
Assim é a natureza humana...
Creio, no entanto, que não cheguei a correr perigo de vida e mantive o equilíbrio em cima do escadote e o sangue frio quando a broca (uma magnífica 6mm em aço-crómio) descreveu um vigoroso movimento oscilatório e, diria mesmo, rebelde. Tudo dominado com prontidão, prossegui, sem sobressaltos e a sede da minha preocupação transferiu-se do manejo em si para considerações de segurança: os camarões italianos que acompanhavam os espelho seriam os adequados? Eis o problema. Eu sei que Itália fez a renascença, mas sobre a fase actual, o fim do post II guerra - sim, continuo a ler - tenho as maiores apreensões. Substituí os camarões por outros, mais fortes, mas agora à noite, têm-me assaltado dúvidas sobre as buchas: italianas, elegantes, serão forçosamente escorregadias?
É que se tudo aquilo desaba, além da humilhação e prejuízo imediatos, acrescem sete anos de azar.
Não posso, porém, acrescentar ao orgulho - legítimo, diga-se (e nada disse sobre o processo de medição para centrar, calculos para o local dos camarões, o que tudo tem que se lhe diga) - mas não posso, dizia, acrescentar ao orgulho da missão cumprida, a completa tranquilidade.
Assim é a natureza humana...
quinta-feira, janeiro 05, 2006
Outra coisa que mudou: dantes ouvia com atenção o Dr. Constâncio. Hoje não tenho paciência para escutar alguém que se atribuiu um ordenado muito superior ao "seu colega" dos USA. Eu sei que ele não é menos competente mas, de um certo modo, é menos credível e a sua voracidade - e de toda aquela gente que o rodeia - parece-me obscena.
Comparado com isto, as desastradas idas do primeiro-ministro para destinos de semi luxo nas férias de Natal, (pagas do seu bolso, aliás), parecem-me apenas o que são: um exemplo de novo-riquismo de mau gosto.
Comparado com isto, as desastradas idas do primeiro-ministro para destinos de semi luxo nas férias de Natal, (pagas do seu bolso, aliás), parecem-me apenas o que são: um exemplo de novo-riquismo de mau gosto.
quarta-feira, janeiro 04, 2006
Os pareceres e relatórios do Tribunal de Contas eram, até agora, e para mim, Zé da Esquina, peças fiáveis para aquilatar da conformidade dos procedimentos da administração com a lei. Adivinhava-se uma cultura de rigor e quase se podia desenhar o perfil dos autores desses relatórios, legalistas, exigentes, honestos, daquela gente a quem o não cumprimento das normas, mesmo justificado por aflições substanciais, deveras aflige.
E eram rigosamente apartidários - ou pareciam-no.
Hoje, o Dr. Oliveira Martins deu uma machada nesse imagem que, creio, eu compartilhava com muitos portugueses.
E eram rigosamente apartidários - ou pareciam-no.
Hoje, o Dr. Oliveira Martins deu uma machada nesse imagem que, creio, eu compartilhava com muitos portugueses.
terça-feira, janeiro 03, 2006
E se eu não estropiasse poemas citando-os mal?
"It seemed always afternoon" e não "where it is always afternoon"
O melhor é ler o poema do Tennyson, que encontram aqui.
"It seemed always afternoon" e não "where it is always afternoon"
O melhor é ler o poema do Tennyson, que encontram aqui.
Levantei-me tarde - encarar a manhã, particularmente estas muito bonitas de Janeiro exige de mim uma disciplina dos sentidos que não está ao meu dispor nesta altura - levantei-me tarde, passei os olhos pelos teletextos com as notícias do dia (a mais interessante é ter cessado em França o estado de emergência. Corrijo: a mais importante é a gente verificar estar um país europeu várias semanas consecutivas em estado de emergência por motivos de ordem pública...) Bem, depois almocei meditando nestas coisas francesas e fui passear, tarde fora. Que beleza de tarde! Lembro-me que Eça parece atribuir à amenidade do clima a nossa incapacidade de perceber o trágico, a nossa opção pelo drama manso. E de facto...
segunda-feira, janeiro 02, 2006
sexta-feira, dezembro 30, 2005
Esta noite, um sem abrigo de 22 anos morreu de frio, em Roma. Não foi um acidente, um acaso. Eis um escândalo (eu queria crer que a extrema miséria era do passado, dos filmes neo-realistas e que na Europa da UE, em Itália, não havia gente a morrer de miséria aos vinte e dois anos, que as redes protectoras - públicas ou privadas -estavam lá.
Não estão.
Não estão.
quinta-feira, dezembro 29, 2005
quarta-feira, dezembro 28, 2005
Já não sei dizer como, ontem o nome de Margaret Thatcher e a questão do cheque inglês da UE cruzaram-se com umas declarações quaisquer de Cavaco sobre um secretário de estado (mais um...) não sei bem para quê e a reacção de Soares a não sei àquele quê e o PS a bradar por golpes de estado e lembrei-me que Thatcher tirou a Grã-Bretanha das mãos dos sindicatos e mudou a face do país que ao tempo em que tomou posse estava mal e hoje está bem (Blair nada mudou de fundamental do que Thatcher fez, lembrava VPV) e que enquanto isso o nosso país na mesma, essencialmente, isto é, mal. E por cá andavam, enquanto Thatcher talhava a nova Inglaterra, Cavacos e Soares, oh luminárias!, que gostam agora de fingir-se diferentes entre si, não o sendo: entre outras coisas, ambos gostam imensamente de um estado grande e gastador que nós, desgraçados, paguemos e ambos fizeram os possíveis para que isso se mantivesse. Isto são os nossos "estadistas".
Eu sei, dá vontade de chorar, dá vontade de morrer, como Herculano tinha ao contemplar a qualidades dos nossos políticos (melhores do que as actuais, todavia).
Eu sei, dá vontade de chorar, dá vontade de morrer, como Herculano tinha ao contemplar a qualidades dos nossos políticos (melhores do que as actuais, todavia).
terça-feira, dezembro 27, 2005
António Alonso é o nome de um juiz civil espanhol. Creio que não será um magistrado, mas o equivalente ao Conservador do Registo Civil. Discordando da nova lei que permite o casamento entre homossexuais, apresentou a sua demissão para não ter de celebrar um, alegando impossibilidade moral.
Não está em causa agora o "casamento" entre homossexuais, mas o mero facto de alguém apresentar a sua demissão por uma questão moral, por uma questão de princípio moral.
É ali ao lado, em Espanha.
P.S. Sim, ficou mesmo sem emprego. Sim, aconteceu. Sim, aqui nem mortos se demitem. Sim, não há noção do que sejam coisas tais como questões de princípio. Excêntricidade? No lo creo. Em greve? Não, não, isso é cá. Lá demitem-se mesmo por estas coisas. Sim, sim, demissão. Sim? Ah, não, não, não creio que seja uma questão sindical. É mera vergonha na cara, hombredad, dizem; sim , sim, muito atrasada a Espanha. Não, não, o que me espanta é que alguém saiba retirar consequências do choque entre a lei e as suas convicções pessoais e esteja preparado para sofrer por isso, com prejuízo seu. Também concordo, muito excessivo. Sim, é o que eu dizia, o problema é a família, se não fosse a família, as crianças... o problema é a família. Egoísmo? Claro que é egoísmo. Sim? ah, logo vi. Então com certeza tem de seu.
Não está em causa agora o "casamento" entre homossexuais, mas o mero facto de alguém apresentar a sua demissão por uma questão moral, por uma questão de princípio moral.
É ali ao lado, em Espanha.
P.S. Sim, ficou mesmo sem emprego. Sim, aconteceu. Sim, aqui nem mortos se demitem. Sim, não há noção do que sejam coisas tais como questões de princípio. Excêntricidade? No lo creo. Em greve? Não, não, isso é cá. Lá demitem-se mesmo por estas coisas. Sim, sim, demissão. Sim? Ah, não, não, não creio que seja uma questão sindical. É mera vergonha na cara, hombredad, dizem; sim , sim, muito atrasada a Espanha. Não, não, o que me espanta é que alguém saiba retirar consequências do choque entre a lei e as suas convicções pessoais e esteja preparado para sofrer por isso, com prejuízo seu. Também concordo, muito excessivo. Sim, é o que eu dizia, o problema é a família, se não fosse a família, as crianças... o problema é a família. Egoísmo? Claro que é egoísmo. Sim? ah, logo vi. Então com certeza tem de seu.
segunda-feira, dezembro 26, 2005
Hoje é dia de Santo Estevão, primeiro mártir do Cristianismo - da nossa civilização ocidental.
Estevão, enquanto o apedrejavam, implorava a Jesus que não considerasse culpados os seus verdugos e neste gesto de responsabilidade, altruísmo e perdão encontramos alguns dos valores que fizeram a nossa civilização e compreendemos a justeza, a facilidade das palavras de Habermas: «Christianity, and nothing else, is the ultimate foundation of liberty, conscience, human rights, and democracy, the benchmarks of Western civilisation» "in" «A Time of Transition»
Estevão, enquanto o apedrejavam, implorava a Jesus que não considerasse culpados os seus verdugos e neste gesto de responsabilidade, altruísmo e perdão encontramos alguns dos valores que fizeram a nossa civilização e compreendemos a justeza, a facilidade das palavras de Habermas: «Christianity, and nothing else, is the ultimate foundation of liberty, conscience, human rights, and democracy, the benchmarks of Western civilisation» "in" «A Time of Transition»
sábado, dezembro 24, 2005
Em a noite de Natal
Alegram-se os pequenitos;
Pois cabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos
Vão-se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus não lhes deu nada.
-Deu-lhes sim, muitos bonitos.
Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos
Mário Sá-Carneiro
Alegram-se os pequenitos;
Pois cabem que o bom Jesus
Costuma dar-lhes bonitos
Vão-se deitar os lindinhos
Mas nem dormem de contentes
E somente às dez horas
Adormecem inocentes
Perguntam logo à criada
Quando acorde de manhã
Se Jesus não lhes deu nada.
-Deu-lhes sim, muitos bonitos.
Queremo-nos já levantar
Respondem os pequenitos
Mário Sá-Carneiro
sexta-feira, dezembro 23, 2005
"In the afternoon they came unto a land
In which it seemed always afternoon."
Ficam os canditados entre Dickinson e Tennyson, já que manda a honestidade que não os faça desaparecer.
O livro em que vi os versos de Tennyson, tinha-o encomendado há um mês e esperava-o só para Fevereiro. Foi uma boa surpresa e foi a minha leitura de final de tarde.
In which it seemed always afternoon."
Ficam os canditados entre Dickinson e Tennyson, já que manda a honestidade que não os faça desaparecer.
O livro em que vi os versos de Tennyson, tinha-o encomendado há um mês e esperava-o só para Fevereiro. Foi uma boa surpresa e foi a minha leitura de final de tarde.
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