"Autobiography is only to be trusted when it reveals something disgraceful. A man who gives a good account of himself is probably lying, since any life when viewed from the inside is simply a series of defeats."
George Orwell (a propósito do "The Secret Life of Salvador Dali" por aquele mesmo)
segunda-feira, novembro 28, 2005
sábado, novembro 26, 2005
Ouvia no "Expresso da meia-noite" um senhor defender com unhas e dentes o segredo de justiça, isto a propósito das escutas não irem parar aonde não devem, etc.
Aqueles senhores todos estavam a praticar um jogo muito jogado em Portugal e que consiste em fazer dos outros parvos: a Inglaterra não tem nada que se pareça com segredo de justiça e não é um paraíso de criminosos, bem pelo contrário. Estes senhores são adeptos - como qualquer pessoa - do segredo da e na investigação, mas isso nada tem a ver com segredo de justiça... são coisas diferentes... totalmente diferentes. Enfim...
Por justiça, parece que os senhores juizes querem sentar-se à mesa com o governo e conversar. Os juizes portugueses não leram Tocqueville - não leram mesmo, esse ou outro qualquer grande teórico da democracia - e desconhecem o pensamento anglo-saxónico. Por isso, não entendem que o poder judicial não tem - nem deve ter - poder ou vontade (power or will). Os juizes têm substancialmente razão em muito do que dizem; não podem é querer negociar. Negociar o quê?
O frio e a chuva chegaram.
Aqueles senhores todos estavam a praticar um jogo muito jogado em Portugal e que consiste em fazer dos outros parvos: a Inglaterra não tem nada que se pareça com segredo de justiça e não é um paraíso de criminosos, bem pelo contrário. Estes senhores são adeptos - como qualquer pessoa - do segredo da e na investigação, mas isso nada tem a ver com segredo de justiça... são coisas diferentes... totalmente diferentes. Enfim...
Por justiça, parece que os senhores juizes querem sentar-se à mesa com o governo e conversar. Os juizes portugueses não leram Tocqueville - não leram mesmo, esse ou outro qualquer grande teórico da democracia - e desconhecem o pensamento anglo-saxónico. Por isso, não entendem que o poder judicial não tem - nem deve ter - poder ou vontade (power or will). Os juizes têm substancialmente razão em muito do que dizem; não podem é querer negociar. Negociar o quê?
O frio e a chuva chegaram.
sexta-feira, novembro 25, 2005
Anda toda a gente muito incomodada com a possível passagem por aeroportos europeus de aviões ao serviço de uma agência governamental norte americana, país aliado.Não percebo tal incómodo. Não é usual que aviões norte-americanos sobrevoem a Europa? Não o fizerem em 1942-45? Não o fizeram a caminho de Berlim aquando do bloqueio da cidade pelos comunistas? Parece que o incómodo vem de tais vôos serem ilegais - embora eu não saiba o motivo concreto por que o são. Mas não eram ilegais, por não haver decisão da ONU, os vôos a caminho da Jugoslávia, para que parasse o genocídio do Kosovo, que a imperícia franco-alemã permitira? Francamente não percebo...
quinta-feira, novembro 24, 2005
Afinal não fui só eu que achei as declarações de Freitas do Amaral sobre a Grã-Bretanha muito, muito fora de propósito.
Aliás, achei-as malcriadas, de uma má criação muito portuguesa, que congrega a boçalidade do ruralismo com a secura de lojista de cidade pequena (e tudo isto é uma cidade pequena...).
E estas coisas, vindas de Freitas do Amaral que confessava um dia a sua admiração pela Grã-Bretanha, pelas instituições inglesas que, salvo erro, dizia mesmo que lá gostaria de viver....
E depois isto, esta regateirice de gente do campo, tão longe da fleuma britânica.
Diz-se, porém, nos altos círculos, que no Foreign Office houve quem tremesse. Valha-nos e a ele, isso, essa tremura perturbada.
Aliás, achei-as malcriadas, de uma má criação muito portuguesa, que congrega a boçalidade do ruralismo com a secura de lojista de cidade pequena (e tudo isto é uma cidade pequena...).
E estas coisas, vindas de Freitas do Amaral que confessava um dia a sua admiração pela Grã-Bretanha, pelas instituições inglesas que, salvo erro, dizia mesmo que lá gostaria de viver....
E depois isto, esta regateirice de gente do campo, tão longe da fleuma britânica.
Diz-se, porém, nos altos círculos, que no Foreign Office houve quem tremesse. Valha-nos e a ele, isso, essa tremura perturbada.
Nos últimos tempos, cada vez que vou a Lisboa tenho direito a uma celebridade. Depois de Pacheco e EPC, ontem, no Corte Ingles, restolhou à minha beira, apressada, "não me vejam, não me vejam" a Clara Ferreira Alves. Aparição lesta, o ar decidido, não podia deixar de ser ela mas tudo convidava a que se duvidasse se era mesmo ela. Gostei do efeito e, enquanto palpava disfarçadamente - porque todo eu embasbacava - a consistência da lambswool, senti-me mais perto das grandezas pensantes do mundo e ocorreram-me Proust, Beckett, a round table do Algonquin, toda a Viena de 1900 e alguma Oxford, Paris entre guerras, Bloom e a autora da Bíblia.
Pasmei perante tal sillage.
Pasmei perante tal sillage.
terça-feira, novembro 22, 2005
Dei-me conta de que me encontrava alguns Harold Bloom atrasado. Resolvi ver o que havia traduzido em francês e consultei a fnac.fr e a alapage.com - passe a publicidade. Em ambas, de Bloom, dois ou três livros.
Há alguns decénios atrás, este facto siginficaria que Bloom era um desconhecido. Hoje quer dizer que o a França se encontra isolada, tal como anunciava o Times no seu célebre título. Resta saber de que é feito esse nevoeiro que cobre hoje a França (Paris) e o Canal da Mancha.
Há alguns decénios atrás, este facto siginficaria que Bloom era um desconhecido. Hoje quer dizer que o a França se encontra isolada, tal como anunciava o Times no seu célebre título. Resta saber de que é feito esse nevoeiro que cobre hoje a França (Paris) e o Canal da Mancha.
segunda-feira, novembro 21, 2005
domingo, novembro 20, 2005
sexta-feira, novembro 18, 2005
quinta-feira, novembro 17, 2005
Reparei numa nova enchente do Impensavel e vou espreitar o Bomba, já que de há muito que a simpatia charlotteana amiúde provoca invasões neste blog. Mas não, desta vez não era. Acabei por vislumbrar que a corrrente de visitantes se originava d'A Natureza do Mal por um escrúpulo de indicar fontes tão de agradecer quanto, no caso, era dispensável.
Muito obrigado a Luís.
Muito obrigado a Luís.
Uma vez, num autocarro, passei por um sítio de tal modo medonho que perguntei como se chamava, o que era. Era Sapadores, e desde aí, lá ponho a morar as pessoas que a minha ignorância instala nos confins do mundo. Lá morava, até hoje à tarde, Nella Maissa, que ouvia na emissora 2 , mas que nunca soube bem quem era. De lá saiu hoje, de Sapadores, única intérprete de Paul Hindemith no único disco dele encontrável na fnac - mas indisponível. Acabei por conseguir encontrar as "nobilissima visione" e foi a ouvi-las que a noite chegou.
quarta-feira, novembro 16, 2005
Eu sou monárquico, não voto nas presidenciais e não me será difícil manter tal princípio. Pelo contrário, estranho que as pessoas se empenhem seja por Soares, seja por Cavaco, seja por Alegre. Esta estranheza, já muita gente a notou antes de mim e com mais pertinência: a falta de gente, o abandono da coisa pública, a plebeização da 3º república. Fica o Cavaco mais a condizer com a dita, talvez, sem mães a falar inglês, ars poetica, bibliotecas e fundações.
terça-feira, novembro 15, 2005
segunda-feira, novembro 14, 2005
Que injustiça para Nina Simone e que preocupações tão "alliance française"...
O que em Brel é ainda argumento e serenidade apaixonada é em Simone a certeza da pura perda: tudo está decidido, nada há a ganhar senão aquela última declaração de amor, aquela despedida feita de ofertas dilaceradas.
Gosto de ouvir Brel - de quem não gostei durante muito tempo e gosto de ouvir a versão de Simone.
Sobre a pronúncia dos "erres" (e um verbo offrir quase irreconhecível) leia-se, por todos, o que Miguel Esteves Cardoso escreveu sobre Amália a cantar em inglês.
O que em Brel é ainda argumento e serenidade apaixonada é em Simone a certeza da pura perda: tudo está decidido, nada há a ganhar senão aquela última declaração de amor, aquela despedida feita de ofertas dilaceradas.
Gosto de ouvir Brel - de quem não gostei durante muito tempo e gosto de ouvir a versão de Simone.
Sobre a pronúncia dos "erres" (e um verbo offrir quase irreconhecível) leia-se, por todos, o que Miguel Esteves Cardoso escreveu sobre Amália a cantar em inglês.
domingo, novembro 13, 2005
O meu gosto pelo "Ne me quittes pas" de Simone provocou protestos bem humorados aqui.
Sobrevivência de outras épocas, este meu gostar daquela canção, como explicá-lo? E tenho de dizer que, além dos maus "erres", aqueles verbos mal conjugados e cantados também não me incomodam nada? Simone não quer cantar num francês perfeito, mas ser uma americana que canta o "ne me quittes pas". E a súplica está lá, intacta.
Sobrevivência de outras épocas, este meu gostar daquela canção, como explicá-lo? E tenho de dizer que, além dos maus "erres", aqueles verbos mal conjugados e cantados também não me incomodam nada? Simone não quer cantar num francês perfeito, mas ser uma americana que canta o "ne me quittes pas". E a súplica está lá, intacta.
sexta-feira, novembro 11, 2005
A menção ao Impensável, a propósito do "ne me quittes pas" de Simone, no Bomba Inteligente, provocou a habitual invasão das hostes charlottianas num tropel perscrutador e diligente. Já se foram embora mas fica a sugestão de papéis no chão e crianças perdidas que perdura por um tempo e me ocupa.
quinta-feira, novembro 10, 2005
quarta-feira, novembro 09, 2005
My November Guest
My Sorrow, when she’s here with me,
Thinks these dark days of autumn rain
Are beautiful as days can be;
She loves the bare, the withered tree;
She walks the sodden pasture lane.
Her pleasure will not let me stay.
She talks and I am fain to list:
She’s glad the birds are gone away,
She’s glad her simple worsted gray
Is silver now with clinging mist.
The desolate, deserted trees,
The faded earth, the heavy sky,
The beauties she so truly sees,
She thinks I have no eye for these,
And vexes me for reason why.
Not yesterday I learned to know
The love of bare November days
Before the coming of the snow,
But it were vain to tell her so,
And they are better for her praise.
Robert Frost, "A Boy's Will"
My Sorrow, when she’s here with me,
Thinks these dark days of autumn rain
Are beautiful as days can be;
She loves the bare, the withered tree;
She walks the sodden pasture lane.
Her pleasure will not let me stay.
She talks and I am fain to list:
She’s glad the birds are gone away,
She’s glad her simple worsted gray
Is silver now with clinging mist.
The desolate, deserted trees,
The faded earth, the heavy sky,
The beauties she so truly sees,
She thinks I have no eye for these,
And vexes me for reason why.
Not yesterday I learned to know
The love of bare November days
Before the coming of the snow,
But it were vain to tell her so,
And they are better for her praise.
Robert Frost, "A Boy's Will"
segunda-feira, novembro 07, 2005
sexta-feira, novembro 04, 2005
Paris, uma ilusão decrépita rodeada por uma realidade que comunga do sórdido, como bem descreve Clara Ferreira Alves, e da ardência da fricção - passe o trocadilho - com as comunidades estrangeiras que não são já as aristocracia de sangue e das artes e letras mundais, mas gente comum. A França provinciana, xenófoba e, por isso, perigosa, aí está ela...
Por outro lado, há dias, os jornais alemães perguntavam se se viveria numa casa de loucos. A casa de loucos era, pasme-se, a Alemanha.
Perante isto, espero que os USA não tenham mudado a sua política externa e continuem a salvar a Europa, das suas sangrentas idiossincrasias de grande continente civilizado. Estou-me a referir à próxima, à que pode aí vir por um destes decénios.
Por outro lado, há dias, os jornais alemães perguntavam se se viveria numa casa de loucos. A casa de loucos era, pasme-se, a Alemanha.
Perante isto, espero que os USA não tenham mudado a sua política externa e continuem a salvar a Europa, das suas sangrentas idiossincrasias de grande continente civilizado. Estou-me a referir à próxima, à que pode aí vir por um destes decénios.
terça-feira, novembro 01, 2005
segunda-feira, outubro 31, 2005
Eça, queixando-se da falta de gente com quem conversar no seu exílio na província inglesa, refere um dos seus poucos interlocutores, um médico, que considerava não viver em Londres um caso de cobardia moral.
Há pouco abri a correspondência de uma circunspecta lista de discussão onde se falava de problemas nacionais e, tomado por um sentimento intenso de puro asco a "isto tudo", pensei que tinha de sair daqui agora.
Vivo aqui por inércia e cobardia, nestes arrebaldes de Tunis.
Há pouco abri a correspondência de uma circunspecta lista de discussão onde se falava de problemas nacionais e, tomado por um sentimento intenso de puro asco a "isto tudo", pensei que tinha de sair daqui agora.
Vivo aqui por inércia e cobardia, nestes arrebaldes de Tunis.
sábado, outubro 29, 2005
sexta-feira, outubro 28, 2005
Ontem (foi ontem?) vi na televisão uma notícia sobre os gastos do Rei de Espanha e do Presidente português. Este último recebe mais dinheiro do que Don Juan Carlos I. Já tinha registado na lista de anomalias lusas, ao lado do extravagante ordenado de Constâncio, superior ao de Greenspan, o presidente da Reserva Federal norte-Americana, quando me apercebi que o locutor continuava a falar do facto e entrava em comparações de estilos de vida entre o Rei de Espanha e os presidentes portugueses; falava-se, até, dos preços dos vestidos das Infantas de Espanha! Mas a que propósito? Será comparável a vida do soberano de um grande país europeu ao do presidente de uma republiqueta pobre e atrasada?
Haja noção do ridículo!
Haja noção do ridículo!
quinta-feira, outubro 27, 2005
E veio a chuva. Tinha saudades destes dias, aquosos e translúcidos.
Lembro-me de uma interjeição, entre o queixosa e o entusiasta espantada: "ai, o que chove meu Deus! Ai que Deus a dá", muito do agrado das empregadas. Pergunto-me agora se não seria também um discreto protesto, embora creia que o gosto de sair sobrelevasse aos inconveninentes de uma molha.
Lembro-me de uma interjeição, entre o queixosa e o entusiasta espantada: "ai, o que chove meu Deus! Ai que Deus a dá", muito do agrado das empregadas. Pergunto-me agora se não seria também um discreto protesto, embora creia que o gosto de sair sobrelevasse aos inconveninentes de uma molha.
quarta-feira, outubro 26, 2005
Ainda convalescente do artigo do Prof. Medina Carreira na Grande Loja enfrento este quase suão que prenuncia tempestade.
O artigo é para ler, estudar e digerir com muito cuidado.
O artigo é para ler, estudar e digerir com muito cuidado.
terça-feira, outubro 25, 2005
Conspirei, cometi indignidades, humilhei-me, mas hoje à tarde o Canalizador cá estava, à hora exacta em que havia predito a sua aparição.
Excedendo-me em lisonjas e bajulações creio ter conseguido que volte daqui a mês e meio. E não menos, que não queria prometer para não faltar. Elogiei a gestão da agenda e, quase de rastos, uriah heepando, acompanhei-o à porta, pedindo desculpa por ir telefonando, a lembrar (embora sabendo que não é preciso, lembrar, bem sei que não é).
Excedendo-me em lisonjas e bajulações creio ter conseguido que volte daqui a mês e meio. E não menos, que não queria prometer para não faltar. Elogiei a gestão da agenda e, quase de rastos, uriah heepando, acompanhei-o à porta, pedindo desculpa por ir telefonando, a lembrar (embora sabendo que não é preciso, lembrar, bem sei que não é).
segunda-feira, outubro 24, 2005
sexta-feira, outubro 21, 2005
Quando as andorinhas partiam...
Boca talhada em milagrosas linhas,
A luz aumenta com o seu falar.
Esta manhã, um bando de andorinhas
Ia-se embora, atravessava o mar.
Chegou-lhes às alturas, pela aragem,
Um adeus suave que ela lhes dissera,
- E suspenderam todas a viagem,
Julgando que voltara a Primavera...
É dele, do Augusto Gil e aglomera vários temas candentes: ela, o Outono e a gripe das aves.
Boca talhada em milagrosas linhas,
A luz aumenta com o seu falar.
Esta manhã, um bando de andorinhas
Ia-se embora, atravessava o mar.
Chegou-lhes às alturas, pela aragem,
Um adeus suave que ela lhes dissera,
- E suspenderam todas a viagem,
Julgando que voltara a Primavera...
É dele, do Augusto Gil e aglomera vários temas candentes: ela, o Outono e a gripe das aves.
quarta-feira, outubro 19, 2005
Li a notícia de que Cristiano Ronaldo fora detido sob suspeitas de violação e que está a ser interrogado pela Scotland Yard.
O jornalista que redigiu a notícia deve estar habituado à prática portuguesa e ao louvado código de processo penal já que, e convém esclarecer as coisas, em Inglaterra ninguém pode ser detido para interrogatórios. Quando a polícia detém alguém DEVE apresentar a acusação no espaço de poucas horas - longe do espaço de um ano que pode atingir em Portugal...
A polícia inglesa, o ministério público da Grã-Bretanha antes de acusar não pode fazer nada que não tenha o consentimento dos visados.
Por outro lado o juiz que ordena a caução de um acusado nada sabe do caso, ao contrário daqui. O Juíz (pôr letra grande, que a merece) apenas se preocupa em assegurar que aquele súbdito (pois é, não são cidadãos...) compareça na audiência de julgamento.
Perante leis tão estranhas, o Impensável - que espera que o jogador esteja inocente - o Impensável, dizia, pede ao Senhor Presidente da República para protestar energicamente junto da soberana daquele país com leis tão estranhas.
O jornalista que redigiu a notícia deve estar habituado à prática portuguesa e ao louvado código de processo penal já que, e convém esclarecer as coisas, em Inglaterra ninguém pode ser detido para interrogatórios. Quando a polícia detém alguém DEVE apresentar a acusação no espaço de poucas horas - longe do espaço de um ano que pode atingir em Portugal...
A polícia inglesa, o ministério público da Grã-Bretanha antes de acusar não pode fazer nada que não tenha o consentimento dos visados.
Por outro lado o juiz que ordena a caução de um acusado nada sabe do caso, ao contrário daqui. O Juíz (pôr letra grande, que a merece) apenas se preocupa em assegurar que aquele súbdito (pois é, não são cidadãos...) compareça na audiência de julgamento.
Perante leis tão estranhas, o Impensável - que espera que o jogador esteja inocente - o Impensável, dizia, pede ao Senhor Presidente da República para protestar energicamente junto da soberana daquele país com leis tão estranhas.
terça-feira, outubro 18, 2005
segunda-feira, outubro 17, 2005
Tenho passado o dia a ouvir disfarçadamente este. Com um arabesque de Débussy de permeio e uma olhadela pelos orientes de Delacroix sinto-me meditativo e árabe.
sexta-feira, outubro 14, 2005
Não tenho a menor simpatia por Chavez e, por outro lado, tenho motivos para crer que o piloto português estará inocente e, por isso, muito lamento a sua situação.
Dito isto, não assiste a Portugal (nem aos portugueses) qualquer legitimidade para protestos. O código de processo penal venezuelano, produto de um governo conservador é muito mais humano e moderno que o nosso, deixa esta miséria, de que todavia tanta gente se orgulha, a anos-luz em questões de decência.
Quanto aos portugueses manifestantes, bem sei que são amigos do pobre piloto. Mas, em Portugal, ele poderia estar ainda preso sem sequer ter tido ainda conhecimento do motivo - como, durante anos entenderam os tribunais portugueses e os prazos para a prisão preventiva são, no nosso querido país, muitíssimo maiores do que lá.
Os jornalistas e comentadores das televisões pôem um ar indignado pela demora, como se não fossem os mesmo que, em casos recentes nacionais, vieram pregar a necessidade de esperar pelo andamento da justiça e de não interferir, etc., e de serenidade e de...
O embaixador da Venezuela, ao pôr os pontos nos "is" fê-lo em termos cordatos. Podia ter-se permitido ser bem mais vexatório para Portugal. Lembrar aquele diplomata duas que venezulanas estiveram um ano presas preventivamente em Portugal e vieram a ser depois inocentadas - creio que sem direito a qualquer indemnização, é de toda a justiça (não sei se os meus queridos leitores percebem que uma coisa dessas constituiria me qualquer país da europa europeu civilizada um incrível e intolerável escândalo. Aliás, tal situação nem seria possível ou sequer concebível).
Por tudo isto, calemo-nos, moderemos a nossa indignação de país atrasado, onde se coexiste serenamente com uma brutalidade e rudeza atávicas, e lembremo-nos de escrever ao nosso deputado para que o nosso vergonhoso código burocrata-comuna-estatista seja revogado.
Sem muito delonga.
Dito isto, não assiste a Portugal (nem aos portugueses) qualquer legitimidade para protestos. O código de processo penal venezuelano, produto de um governo conservador é muito mais humano e moderno que o nosso, deixa esta miséria, de que todavia tanta gente se orgulha, a anos-luz em questões de decência.
Quanto aos portugueses manifestantes, bem sei que são amigos do pobre piloto. Mas, em Portugal, ele poderia estar ainda preso sem sequer ter tido ainda conhecimento do motivo - como, durante anos entenderam os tribunais portugueses e os prazos para a prisão preventiva são, no nosso querido país, muitíssimo maiores do que lá.
Os jornalistas e comentadores das televisões pôem um ar indignado pela demora, como se não fossem os mesmo que, em casos recentes nacionais, vieram pregar a necessidade de esperar pelo andamento da justiça e de não interferir, etc., e de serenidade e de...
O embaixador da Venezuela, ao pôr os pontos nos "is" fê-lo em termos cordatos. Podia ter-se permitido ser bem mais vexatório para Portugal. Lembrar aquele diplomata duas que venezulanas estiveram um ano presas preventivamente em Portugal e vieram a ser depois inocentadas - creio que sem direito a qualquer indemnização, é de toda a justiça (não sei se os meus queridos leitores percebem que uma coisa dessas constituiria me qualquer país da europa europeu civilizada um incrível e intolerável escândalo. Aliás, tal situação nem seria possível ou sequer concebível).
Por tudo isto, calemo-nos, moderemos a nossa indignação de país atrasado, onde se coexiste serenamente com uma brutalidade e rudeza atávicas, e lembremo-nos de escrever ao nosso deputado para que o nosso vergonhoso código burocrata-comuna-estatista seja revogado.
Sem muito delonga.
quinta-feira, outubro 13, 2005
terça-feira, outubro 11, 2005
segunda-feira, outubro 10, 2005
Ontem, num sonho, uma grande damme perguntava a um seu convidado pelo destino de um amigo comum e, com ironia e algum desdém, adiantava julgá-lo "no caminho frugal da pobreza" (sic!!!), por culpa dele pressuposta. Quando acordei, eu que no sonho era um espectador desinteressado da conversa, pasmei do pedantismo do dito, da petulância, da falta de gosto e tanto que, depois do almoço pensei telefonar à autora inocente a defender o amigo ausente...
Mas era só um sonho! - ri com a minha distracção até me lembrar do velho dito de Freud: "num sonho somos todos os personagens".
Fiquei de péssimo humor todo o dia.
Mas era só um sonho! - ri com a minha distracção até me lembrar do velho dito de Freud: "num sonho somos todos os personagens".
Fiquei de péssimo humor todo o dia.
terça-feira, outubro 04, 2005
segunda-feira, outubro 03, 2005
sábado, outubro 01, 2005
quinta-feira, setembro 29, 2005
quarta-feira, setembro 28, 2005
De notável o estar mais fresco em Marrocos, às portas do Sahara, de que aqui, neste assombrado país.
O site que contém estas lastimáveis revelações é este.
O site que contém estas lastimáveis revelações é este.
terça-feira, setembro 27, 2005
segunda-feira, setembro 26, 2005
domingo, setembro 25, 2005
O autor deste blog é monárquico e, por isso, as eleições para a presidência da república não lhe dizem respeito. Deve, no entanto, confessar que ouvirá, lerá e reflectirá sobre o pensamento e acção dos candidatos como se fora votar nas eleições destinadas a tal cargo. Em suma, não tenciona perder pitada.
sábado, setembro 24, 2005
No Queijo Limiano, a propósito de Fátima Felgueiras contam-se coisas tenebrosas. Podem ser verdade. O que interessa ao Impensavel, porém, não são esses segredos de estado & polichinelo com muito dinheiro para excitar as imaginações ainda de país genuinamente pobre, mas o facto de que o código de processo penal pacificamente vigente é uma selvática aberração - o que não parece incomodar ninguém.
sexta-feira, setembro 23, 2005
Continuo a ler reacções indignadas ao despacho da Juíza no caso Fátima Felgueiras. Gente com alguma responsabilidade acha normal que haja pessoas à espera de serem julgadadas privadas da sua liberdade por períodos que podem atingir anos. Essa mesma gente tem obrigação de saber - e, se não souber, de se informar - que tal alarvidade na Europa apenas acontece em Portugal ou em algum dos países de leste que ainda não tenha revisto a legislação em vigor ao tempo das ditaduras comunistas.
Essa gente não se interroga sobre o porquê da desumanidade da lei portuguesa ou parece concordar com ela.
Essa gente não se interroga sobre o porquê da desumanidade da lei portuguesa ou parece concordar com ela.
Estão as gentes muito preocupadas com o facto de Fátima Felgueiras estar em liberdade a aguardar julgamento. É o normal em qualquer democracia avançada - naquelas em que os prazos de anos do nosso código de processso penal são, para actos idênticos, de dias ou de horas.
Convirá meditar estas coisas simples.
Convirá meditar estas coisas simples.
Sem sono, de olhos bem abertos, agradeço, muito grato, os parabéns amáveis e bem dispostos de Charlotte do Bomba Inteligente e do Anarcoconservador.
quinta-feira, setembro 22, 2005
quarta-feira, setembro 21, 2005
terça-feira, setembro 20, 2005
Sinto-me solícito ("bom dia, bom dia, olá como estão?") e enérgico, venho investigar o meu blog, colo um post, depois duche, preparações matinais, mais bom dia, bom dia, volto ao blog e vejo que foi visitado em pouco tempo, nesse pouco tempo, por uma horda de norte-americanos do Kentucky a NY, com passagem pela Califórnia . Sento-me, atordoado e tento saber o que fiz. Ter-me-ei tornado leitura obrigatória em Grand Forks, North Dakota, ou em Bonita Springs, Florida ou ainda em Scottsdale, Arizona ou... Terei, involuntariamente, e de boa fé, claro, publicado, por uma daquelas terríveis coincidências, códigos secretos do exército norte-americano? Tremo com a conjectura... E o leitor de Macau? E esse? Ah, esse, meus caros, esse sei quem é, o mundo é pequeno. Esboço a primeira explicação plausível - e, também, o que diz muito deste mundo, a mais maçadoramente chã: o google e as palavras mágicas: dylan, hippie. Uhm, assim deve ser. Pena.
Pena? Quem me dera poder já lamentar-me descansadamente! E o leitor de Singapura? E esse, sim, e esse, ao que vem???
Pena? Quem me dera poder já lamentar-me descansadamente! E o leitor de Singapura? E esse, sim, e esse, ao que vem???
Encho o meu ipod novo e depois interrogo-me: Brel, Dylan e Baez, o que diz de mim tal escolha? Sou, afinal, um esquerdista clandestino? Um velho hippie? Lembro-me, então, do postal que me enviaram do seu colégio de freiras, na Suiça, umas queridas amigas minhas que lá tinham ido passar férias, nos inícios dos, temo dizê-lo, anos setenta: ostenta um definitivo "Il est interdit d'interdire". Descanço... não sou eu que estou comuna, são os anos 60 que perduram como um reumatismo juvenil e rebelde.
E, arrumado o assunto, volto às questões importantes e interessantes.
segunda-feira, setembro 19, 2005
Li agora o post da noite. Que acesso de idiotia, enfim... todos temos que nos aturar a nós mesmos e, por vezes, é necessária uma quase infinita paciência para essa tarefa desagradável.
P.S. Semana quente, a próxima, perto dos 30º C, ainda acima. Nos últimos anos têm havido estas calorosas despedidas do Verão, o que se pode fazer? Suportar...
P.S. Semana quente, a próxima, perto dos 30º C, ainda acima. Nos últimos anos têm havido estas calorosas despedidas do Verão, o que se pode fazer? Suportar...
sexta-feira, setembro 16, 2005
Quando vi a enchente fui ver o que a tinha provocado. Descobri, então, a Bomba de Ouro atribuída a um desabafo de ontem. Agradeço - muito - como sempre: confundido e corado. Sim, corado.
Muito obrigado, Charlotte.
Muito obrigado, Charlotte.
quinta-feira, setembro 15, 2005
quarta-feira, setembro 14, 2005
Pouco tempo na escola, poucos cursos superiores (e o pouco tempo mal aproveitado e os cursos idem). Nos números dos organismos internacionais a imagem mais nítida de um país que, no essencial, falhou.
É o país do menino Daniel que com seis ou sete anos guarda gado nas serranias para ajudar os pais - e supõe-se que a ele mesmo -, tem uma vida miserável e cansativa e quando veio a notícia disto ao conhecimento da nação foi uma comoção e levaram-no a ver o mar e ninguém se lembrou de punir os pais - que, coitadinhos, gostavam muito dele, queriam o melhor para ele e por isso o punham a guardar vacas sozinho.
Tenebroso - mas condiz, afinal. Afinal condiz.
É o país do menino Daniel que com seis ou sete anos guarda gado nas serranias para ajudar os pais - e supõe-se que a ele mesmo -, tem uma vida miserável e cansativa e quando veio a notícia disto ao conhecimento da nação foi uma comoção e levaram-no a ver o mar e ninguém se lembrou de punir os pais - que, coitadinhos, gostavam muito dele, queriam o melhor para ele e por isso o punham a guardar vacas sozinho.
Tenebroso - mas condiz, afinal. Afinal condiz.
terça-feira, setembro 13, 2005
28º C! Uhm Insuportável em princípios de Junho, um mau augúrio de insuportáveis calores a vir, agora apenas uma temperatura já fora de época, despedida de Verão, uma surpresa calma, preguiçosa, onde se espera encontrar um perfume de mosto, oiros em fundos de jardins, o lanche que é trazido, a tarde che va e rompe as arestas já frias das horas que chegam no fim.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela
Manuel Maria Barbosa du Bocage
domingo, setembro 11, 2005
Se ao crime se pode ainda nos dias de hoje juntar-se o sacrilégio, o atentado de 11 de Setembro foi-o ao obrigar os nossos sentimentos de indignação e mágoa a conviver com a espectacularidade, a serem através dela, num cenário de excesso e aturdimento, de um cenotáfio do que é essencial.
Quatro anos, já!
Quatro anos, já!
sábado, setembro 10, 2005
Ofereci-me ontem, num momento de injustificada e condenável prodigalidade, uma caneta estupenda e tenho estado a experimentá-la. Escrevo frases soltas, faço cópias, e descobri que há muito, muito tempo não escrevo à mão. A escrita está quase ilegível e os meus músculos, os meus tendões, aquilo que mais fundo em nós, mas já longe, ainda reconhecemos invólucro de modos, de disposições, isso parece ter perdido a intimidade com o mim escrevente que, ia dizer “aqui de cima”, olhava a escrita que “lá em baixo” corria, azulada como um céu.
Isso perdi e não sei se reencontrarei.
Isso perdi e não sei se reencontrarei.
"Por todo o País há interrogatórios judiciais que se arrastam pela madrugada e os funcionários não recebem nada pelas horas extraordinárias..."
Esta preocupação, de carácter laboral é muito estimável, mas o que me interessa, enquanto cidadão, é que não haja, que acabem de uma vez por todas, interrogatórios que se arrastam pela madrugada.
Já aqui falei nisto, mas não me tinha ocorrido que os senhores funcionários também fossem prejudicados por essa tocante brutalidade, nascida do denodo dos senhores magistrados e do nosso louvável código de processo penal - o tal que os funcionários ingleses (? )muito invejaram como dizia já não sei que "operador" judicial.
Esta preocupação, de carácter laboral é muito estimável, mas o que me interessa, enquanto cidadão, é que não haja, que acabem de uma vez por todas, interrogatórios que se arrastam pela madrugada.
Já aqui falei nisto, mas não me tinha ocorrido que os senhores funcionários também fossem prejudicados por essa tocante brutalidade, nascida do denodo dos senhores magistrados e do nosso louvável código de processo penal - o tal que os funcionários ingleses (? )muito invejaram como dizia já não sei que "operador" judicial.
sexta-feira, setembro 09, 2005
quinta-feira, setembro 08, 2005
A propósito de desenvolvimento, o presidente do tribunal constitucional que ia a 200 km à hora na estrada, foi apanhado, não pagou multa e veio depois com uma desculpa esfarrapada (daquelas que se traduzem numa presunção forte de idiotia para todos os que supostamente a terão de suportar, tomando-a como boa), esse já se demitiu? E se não se demitiu, já alguém lhe segredou ao ouvido que deve fazê-lo? Sim, que mesmo aqui deve fazê-lo? Temo que não.
Portugal desceu mais um lugar na lista dos países desenvolvidos e foi ultrapassado pela Eslovénia. Coincide com as minhas "impressões" e creio que descerá mais.
Ainda não vi comentários "oficiais", (o eng. socrates está para Troia onde foi ver o bota abaixo das torres da torralta) mas é de crer que esteja já alguém a congeminar um decreto - que na religião oficial portuguesa exerce o papel que as preces ocupam nas outras religiões - para que voltemos a conquistar o lugar perdido. O assunto do decreto pode ser qualquer um, desde que se traduza por uma obrigatoriedade modernaça e levemente proto-fascista ou meramente autoritária que é o que está na moda. Obrigação dos fumadores se apresentarem na delegação de saúde da sua área de residência, por exemplo.
Ainda não vi comentários "oficiais", (o eng. socrates está para Troia onde foi ver o bota abaixo das torres da torralta) mas é de crer que esteja já alguém a congeminar um decreto - que na religião oficial portuguesa exerce o papel que as preces ocupam nas outras religiões - para que voltemos a conquistar o lugar perdido. O assunto do decreto pode ser qualquer um, desde que se traduza por uma obrigatoriedade modernaça e levemente proto-fascista ou meramente autoritária que é o que está na moda. Obrigação dos fumadores se apresentarem na delegação de saúde da sua área de residência, por exemplo.
Sempre amável, Lady Charlotte quis notar no seu blog a minha volta de férias provocando a conhecida invasão de senhoras e dandies curiosos. Não deixo de estimar e desta vez mais, já que, ligeiramente tomado de superstição, desejo passar depressa os treze milheiros de visitantes.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Outra vez: locutores de telefonia falavam da Soberana inglesa, da Rainha que teve entre os seus primeiro-ministros Churchill ou Margaret Thatcher como se se tratasse da governante de um país abandalhado, caricato, atrasado e pobretanas. É esta gente, já o observei aqui, que, depois, perde horas a falar, com um ar muito sério, de soares, cavacos e sampaios, os grandes presidentes de santanas, guterres, sócrates e barrosos. Está tudo doido.
terça-feira, setembro 06, 2005
domingo, setembro 04, 2005
sábado, setembro 03, 2005
Estava em frente aos meus olhos, no "Ambiente de trabalho", mas não reparava nele. Era um ficheiro de notebook e o seu título "onde vou" chamou-me a atenção, há pouco. Para onde ia eu? Abri o ficheiro e o que lá constava era isto:
"Red Lion
lucid thought
Responsibility is the life-blood of efficiency
School Board was the only alternative
under a United District School Board
who have been rushed into the big
Band was the outcome of"
Fiquei, por minutos, sem saber do que se tratava.... O começo sugeria-me um tenteio literário "Red lion/lucid thought. Uma ode a Churchill? A minha admiração pelo estadista tem limites e limitações que terminam muito antes da poesia. A 3ª linha pareceu-me certa, mas para que a teria eu escrito em inglês, se fora eu a escrever aquilo? Uhm, aquilo não era meu: não sou burro o suficiente para escrever algo que me poderia ser devolvido com graçolas fáceis e certeiras. A questão da escola atormentou-me ainda mais! E, de súbito lembrei-me: "onde vou" é, afinal, onde ia na leitura do "Grain and Chaff from an English Manor" de Arthur H. Savory que fui lendo, no computador, a Primavera passada. Com as frases no ficheiro depois bastava-me recorrer ao localizar para encontrar o sítio onde interrompera a leitura. Era apenas isso.
Pensei que a nossa papelada, que às nossas gavetas físicas onde é de tradição, um dia mais tarde, alguém, arrumando-as, meditar sobre os recônditos da alma de cada um, se vieram acrescentar hoje estas digitais. - «"Red lion, lucid thought?" O que quereria ele com isto? Enfim, este também é para apagar».
(Este último itálico é mesmo assim.)
"Red Lion
lucid thought
Responsibility is the life-blood of efficiency
School Board was the only alternative
under a United District School Board
who have been rushed into the big
Band was the outcome of"
Fiquei, por minutos, sem saber do que se tratava.... O começo sugeria-me um tenteio literário "Red lion/lucid thought. Uma ode a Churchill? A minha admiração pelo estadista tem limites e limitações que terminam muito antes da poesia. A 3ª linha pareceu-me certa, mas para que a teria eu escrito em inglês, se fora eu a escrever aquilo? Uhm, aquilo não era meu: não sou burro o suficiente para escrever algo que me poderia ser devolvido com graçolas fáceis e certeiras. A questão da escola atormentou-me ainda mais! E, de súbito lembrei-me: "onde vou" é, afinal, onde ia na leitura do "Grain and Chaff from an English Manor" de Arthur H. Savory que fui lendo, no computador, a Primavera passada. Com as frases no ficheiro depois bastava-me recorrer ao localizar para encontrar o sítio onde interrompera a leitura. Era apenas isso.
Pensei que a nossa papelada, que às nossas gavetas físicas onde é de tradição, um dia mais tarde, alguém, arrumando-as, meditar sobre os recônditos da alma de cada um, se vieram acrescentar hoje estas digitais. - «"Red lion, lucid thought?" O que quereria ele com isto? Enfim, este também é para apagar».
(Este último itálico é mesmo assim.)
sexta-feira, setembro 02, 2005
quinta-feira, setembro 01, 2005
segunda-feira, agosto 29, 2005
Voltei ontem. Péssimo humor. Deveria ter respeitado a decisão, tomada o ano passado, de não voltar a passar quase um mês num sítio de que gosto mas que me maça e seca ao terceiro dia em quantidades e qualidades que não imaginava possíveis.
Aprender e remoer esta lição, eis a minha única boa intenção da "rentrée", a minha única ocupação do Setembro que aí vem. De todo ele.
Aprender e remoer esta lição, eis a minha única boa intenção da "rentrée", a minha única ocupação do Setembro que aí vem. De todo ele.
domingo, agosto 07, 2005
sábado, agosto 06, 2005
Notícias da uma. Emigração para o Reino Unido e Irlanda. Custa-me a crer: nenhum dos dois países tem códigos de trabalho que se comparem com o nosso na defesa dos direitos dos trabalhadores. Será que os emigrantes estão informados? E em Inglaterra, então, vítima das medidas de Thatcher (e que Blair não revogou)?! Alguém os avise!
sexta-feira, agosto 05, 2005
Se me ocorresse mandar certificar-me como produto fumado - o que, todavia, não farei - mereceria sê-lo quanto o merece legitimamente o salmão ou o arenque. Fumado e indignado, numa indignação sem nome, engolfado numa névoa escura e malcheirosa que foi, até há poucas horas, verde seiva e sombra fresca, espero por melhores dias.
Este governo prossegue, afincadamente, a incapacidade e incompetência dos outros no que respeita aos incêndios e bem fez o primeiro-ministro em sair para o Quénia, para gozar férias.
P.S. Acabo de ler que "António Costa classificou de «extrema gravidade» a actual situação dos fogos em Portugal Continental". Registo a afirmação e a atitude dos aindas primeiro-ministro e presidente da república.
Este governo prossegue, afincadamente, a incapacidade e incompetência dos outros no que respeita aos incêndios e bem fez o primeiro-ministro em sair para o Quénia, para gozar férias.
P.S. Acabo de ler que "António Costa classificou de «extrema gravidade» a actual situação dos fogos em Portugal Continental". Registo a afirmação e a atitude dos aindas primeiro-ministro e presidente da república.
De um passeio à beira mar: refém, poderoso Neptuno? Se refém, sofre de um caso severo de síndrome de Estocolmo, já que me parece inseparável e cúmplice dos seus supostos raptores.
De resto, partilho da opinião.
De resto, partilho da opinião.
quinta-feira, agosto 04, 2005
segunda-feira, agosto 01, 2005
A citação de Emerson no Impensavel faíscou aqui e relembrou-nos aquela magnífica passagem de Bloom.
Eu lembrei-me do Emerson - que por estes lados portugueses se lê pouco -através de uma das cartas de Proust, que era um admirador dele.
Eu lembrei-me do Emerson - que por estes lados portugueses se lê pouco -através de uma das cartas de Proust, que era um admirador dele.
Os portugueses estão pessimistas quanto à sua situação económica e outro inquérito revela que julgam justificado esse pessimismo.Creio, de facto, que o keynesianismo da trolha já não enstusiasma ninguém e que as "grandes obras" não apenas não suscitam a adesão ingénua de outros tempos quanto é cada vez maior o número daqueles que, por razões várias, as questionam. Entretanto, neste país deprimido, pessimista e abatido, cheio de desempregados sem esperança, o Primeiro-Ministro resolveu ir passear três semanas para o Quénia.
domingo, julho 31, 2005
Creio que já tinha falado de Churchill e da sua opção de resistir e lutar.
Hoje interrogar-nos-iamos ainda sobre os perigos dessa luta: podia-se lutar contra o nazismo mantendo-se a democracia? A opção pela guerra representava quantas mortes em ataques alemães que uma negociação evitaria? E etc, etc.
O interessante - embora dado habitual - é que os mais preocupados com a democracia e a sua preservação foram, geralmente, partidários activos das ditaduras do leste europeu , defenderam tais regimes e consideravam-nos, até, "avanços" em direcção ao futuro.
E pensam que a gente não tem memória.
Hoje interrogar-nos-iamos ainda sobre os perigos dessa luta: podia-se lutar contra o nazismo mantendo-se a democracia? A opção pela guerra representava quantas mortes em ataques alemães que uma negociação evitaria? E etc, etc.
O interessante - embora dado habitual - é que os mais preocupados com a democracia e a sua preservação foram, geralmente, partidários activos das ditaduras do leste europeu , defenderam tais regimes e consideravam-nos, até, "avanços" em direcção ao futuro.
E pensam que a gente não tem memória.
O après-dîner acabou, saíram agora, e passei por "aqui" a caminho da cama.
Da leitura de interrogações - e doutas, algumas - sobre o comportamento da polícia londrina fica-me cada vez mais a sensação de que a certeza (agora pacifica - e rectrospectiva) de Churchill sobre a atitude a tomar por alturas da 2ª Guerra Mundial seria hoje uma incerta, rude, primária e atoleimada certeza de gente inculta, conflituosa e bulhenta. Tudo, mas tudo, menos a óbvia única coisa a fazer que hoje nos parece ter sido.
(Não era, no entanto, a "única" coisa a fazer, podiam ter capitulado, ou negociado com os nazis e os seus então aliados comunistas.)
Da leitura de interrogações - e doutas, algumas - sobre o comportamento da polícia londrina fica-me cada vez mais a sensação de que a certeza (agora pacifica - e rectrospectiva) de Churchill sobre a atitude a tomar por alturas da 2ª Guerra Mundial seria hoje uma incerta, rude, primária e atoleimada certeza de gente inculta, conflituosa e bulhenta. Tudo, mas tudo, menos a óbvia única coisa a fazer que hoje nos parece ter sido.
(Não era, no entanto, a "única" coisa a fazer, podiam ter capitulado, ou negociado com os nazis e os seus então aliados comunistas.)
sexta-feira, julho 29, 2005
quinta-feira, julho 28, 2005
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