quarta-feira, setembro 21, 2005
terça-feira, setembro 20, 2005
Sinto-me solícito ("bom dia, bom dia, olá como estão?") e enérgico, venho investigar o meu blog, colo um post, depois duche, preparações matinais, mais bom dia, bom dia, volto ao blog e vejo que foi visitado em pouco tempo, nesse pouco tempo, por uma horda de norte-americanos do Kentucky a NY, com passagem pela Califórnia . Sento-me, atordoado e tento saber o que fiz. Ter-me-ei tornado leitura obrigatória em Grand Forks, North Dakota, ou em Bonita Springs, Florida ou ainda em Scottsdale, Arizona ou... Terei, involuntariamente, e de boa fé, claro, publicado, por uma daquelas terríveis coincidências, códigos secretos do exército norte-americano? Tremo com a conjectura... E o leitor de Macau? E esse? Ah, esse, meus caros, esse sei quem é, o mundo é pequeno. Esboço a primeira explicação plausível - e, também, o que diz muito deste mundo, a mais maçadoramente chã: o google e as palavras mágicas: dylan, hippie. Uhm, assim deve ser. Pena.
Pena? Quem me dera poder já lamentar-me descansadamente! E o leitor de Singapura? E esse, sim, e esse, ao que vem???
Pena? Quem me dera poder já lamentar-me descansadamente! E o leitor de Singapura? E esse, sim, e esse, ao que vem???
Encho o meu ipod novo e depois interrogo-me: Brel, Dylan e Baez, o que diz de mim tal escolha? Sou, afinal, um esquerdista clandestino? Um velho hippie? Lembro-me, então, do postal que me enviaram do seu colégio de freiras, na Suiça, umas queridas amigas minhas que lá tinham ido passar férias, nos inícios dos, temo dizê-lo, anos setenta: ostenta um definitivo "Il est interdit d'interdire". Descanço... não sou eu que estou comuna, são os anos 60 que perduram como um reumatismo juvenil e rebelde.
E, arrumado o assunto, volto às questões importantes e interessantes.
segunda-feira, setembro 19, 2005
Li agora o post da noite. Que acesso de idiotia, enfim... todos temos que nos aturar a nós mesmos e, por vezes, é necessária uma quase infinita paciência para essa tarefa desagradável.
P.S. Semana quente, a próxima, perto dos 30º C, ainda acima. Nos últimos anos têm havido estas calorosas despedidas do Verão, o que se pode fazer? Suportar...
P.S. Semana quente, a próxima, perto dos 30º C, ainda acima. Nos últimos anos têm havido estas calorosas despedidas do Verão, o que se pode fazer? Suportar...
sexta-feira, setembro 16, 2005
Quando vi a enchente fui ver o que a tinha provocado. Descobri, então, a Bomba de Ouro atribuída a um desabafo de ontem. Agradeço - muito - como sempre: confundido e corado. Sim, corado.
Muito obrigado, Charlotte.
Muito obrigado, Charlotte.
quinta-feira, setembro 15, 2005
quarta-feira, setembro 14, 2005
Pouco tempo na escola, poucos cursos superiores (e o pouco tempo mal aproveitado e os cursos idem). Nos números dos organismos internacionais a imagem mais nítida de um país que, no essencial, falhou.
É o país do menino Daniel que com seis ou sete anos guarda gado nas serranias para ajudar os pais - e supõe-se que a ele mesmo -, tem uma vida miserável e cansativa e quando veio a notícia disto ao conhecimento da nação foi uma comoção e levaram-no a ver o mar e ninguém se lembrou de punir os pais - que, coitadinhos, gostavam muito dele, queriam o melhor para ele e por isso o punham a guardar vacas sozinho.
Tenebroso - mas condiz, afinal. Afinal condiz.
É o país do menino Daniel que com seis ou sete anos guarda gado nas serranias para ajudar os pais - e supõe-se que a ele mesmo -, tem uma vida miserável e cansativa e quando veio a notícia disto ao conhecimento da nação foi uma comoção e levaram-no a ver o mar e ninguém se lembrou de punir os pais - que, coitadinhos, gostavam muito dele, queriam o melhor para ele e por isso o punham a guardar vacas sozinho.
Tenebroso - mas condiz, afinal. Afinal condiz.
terça-feira, setembro 13, 2005
28º C! Uhm Insuportável em princípios de Junho, um mau augúrio de insuportáveis calores a vir, agora apenas uma temperatura já fora de época, despedida de Verão, uma surpresa calma, preguiçosa, onde se espera encontrar um perfume de mosto, oiros em fundos de jardins, o lanche que é trazido, a tarde che va e rompe as arestas já frias das horas que chegam no fim.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela
Manuel Maria Barbosa du Bocage
domingo, setembro 11, 2005
Se ao crime se pode ainda nos dias de hoje juntar-se o sacrilégio, o atentado de 11 de Setembro foi-o ao obrigar os nossos sentimentos de indignação e mágoa a conviver com a espectacularidade, a serem através dela, num cenário de excesso e aturdimento, de um cenotáfio do que é essencial.
Quatro anos, já!
Quatro anos, já!
sábado, setembro 10, 2005
Ofereci-me ontem, num momento de injustificada e condenável prodigalidade, uma caneta estupenda e tenho estado a experimentá-la. Escrevo frases soltas, faço cópias, e descobri que há muito, muito tempo não escrevo à mão. A escrita está quase ilegível e os meus músculos, os meus tendões, aquilo que mais fundo em nós, mas já longe, ainda reconhecemos invólucro de modos, de disposições, isso parece ter perdido a intimidade com o mim escrevente que, ia dizer “aqui de cima”, olhava a escrita que “lá em baixo” corria, azulada como um céu.
Isso perdi e não sei se reencontrarei.
Isso perdi e não sei se reencontrarei.
"Por todo o País há interrogatórios judiciais que se arrastam pela madrugada e os funcionários não recebem nada pelas horas extraordinárias..."
Esta preocupação, de carácter laboral é muito estimável, mas o que me interessa, enquanto cidadão, é que não haja, que acabem de uma vez por todas, interrogatórios que se arrastam pela madrugada.
Já aqui falei nisto, mas não me tinha ocorrido que os senhores funcionários também fossem prejudicados por essa tocante brutalidade, nascida do denodo dos senhores magistrados e do nosso louvável código de processo penal - o tal que os funcionários ingleses (? )muito invejaram como dizia já não sei que "operador" judicial.
Esta preocupação, de carácter laboral é muito estimável, mas o que me interessa, enquanto cidadão, é que não haja, que acabem de uma vez por todas, interrogatórios que se arrastam pela madrugada.
Já aqui falei nisto, mas não me tinha ocorrido que os senhores funcionários também fossem prejudicados por essa tocante brutalidade, nascida do denodo dos senhores magistrados e do nosso louvável código de processo penal - o tal que os funcionários ingleses (? )muito invejaram como dizia já não sei que "operador" judicial.
sexta-feira, setembro 09, 2005
quinta-feira, setembro 08, 2005
A propósito de desenvolvimento, o presidente do tribunal constitucional que ia a 200 km à hora na estrada, foi apanhado, não pagou multa e veio depois com uma desculpa esfarrapada (daquelas que se traduzem numa presunção forte de idiotia para todos os que supostamente a terão de suportar, tomando-a como boa), esse já se demitiu? E se não se demitiu, já alguém lhe segredou ao ouvido que deve fazê-lo? Sim, que mesmo aqui deve fazê-lo? Temo que não.
Portugal desceu mais um lugar na lista dos países desenvolvidos e foi ultrapassado pela Eslovénia. Coincide com as minhas "impressões" e creio que descerá mais.
Ainda não vi comentários "oficiais", (o eng. socrates está para Troia onde foi ver o bota abaixo das torres da torralta) mas é de crer que esteja já alguém a congeminar um decreto - que na religião oficial portuguesa exerce o papel que as preces ocupam nas outras religiões - para que voltemos a conquistar o lugar perdido. O assunto do decreto pode ser qualquer um, desde que se traduza por uma obrigatoriedade modernaça e levemente proto-fascista ou meramente autoritária que é o que está na moda. Obrigação dos fumadores se apresentarem na delegação de saúde da sua área de residência, por exemplo.
Ainda não vi comentários "oficiais", (o eng. socrates está para Troia onde foi ver o bota abaixo das torres da torralta) mas é de crer que esteja já alguém a congeminar um decreto - que na religião oficial portuguesa exerce o papel que as preces ocupam nas outras religiões - para que voltemos a conquistar o lugar perdido. O assunto do decreto pode ser qualquer um, desde que se traduza por uma obrigatoriedade modernaça e levemente proto-fascista ou meramente autoritária que é o que está na moda. Obrigação dos fumadores se apresentarem na delegação de saúde da sua área de residência, por exemplo.
Sempre amável, Lady Charlotte quis notar no seu blog a minha volta de férias provocando a conhecida invasão de senhoras e dandies curiosos. Não deixo de estimar e desta vez mais, já que, ligeiramente tomado de superstição, desejo passar depressa os treze milheiros de visitantes.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Outra vez: locutores de telefonia falavam da Soberana inglesa, da Rainha que teve entre os seus primeiro-ministros Churchill ou Margaret Thatcher como se se tratasse da governante de um país abandalhado, caricato, atrasado e pobretanas. É esta gente, já o observei aqui, que, depois, perde horas a falar, com um ar muito sério, de soares, cavacos e sampaios, os grandes presidentes de santanas, guterres, sócrates e barrosos. Está tudo doido.
terça-feira, setembro 06, 2005
domingo, setembro 04, 2005
sábado, setembro 03, 2005
Estava em frente aos meus olhos, no "Ambiente de trabalho", mas não reparava nele. Era um ficheiro de notebook e o seu título "onde vou" chamou-me a atenção, há pouco. Para onde ia eu? Abri o ficheiro e o que lá constava era isto:
"Red Lion
lucid thought
Responsibility is the life-blood of efficiency
School Board was the only alternative
under a United District School Board
who have been rushed into the big
Band was the outcome of"
Fiquei, por minutos, sem saber do que se tratava.... O começo sugeria-me um tenteio literário "Red lion/lucid thought. Uma ode a Churchill? A minha admiração pelo estadista tem limites e limitações que terminam muito antes da poesia. A 3ª linha pareceu-me certa, mas para que a teria eu escrito em inglês, se fora eu a escrever aquilo? Uhm, aquilo não era meu: não sou burro o suficiente para escrever algo que me poderia ser devolvido com graçolas fáceis e certeiras. A questão da escola atormentou-me ainda mais! E, de súbito lembrei-me: "onde vou" é, afinal, onde ia na leitura do "Grain and Chaff from an English Manor" de Arthur H. Savory que fui lendo, no computador, a Primavera passada. Com as frases no ficheiro depois bastava-me recorrer ao localizar para encontrar o sítio onde interrompera a leitura. Era apenas isso.
Pensei que a nossa papelada, que às nossas gavetas físicas onde é de tradição, um dia mais tarde, alguém, arrumando-as, meditar sobre os recônditos da alma de cada um, se vieram acrescentar hoje estas digitais. - «"Red lion, lucid thought?" O que quereria ele com isto? Enfim, este também é para apagar».
(Este último itálico é mesmo assim.)
"Red Lion
lucid thought
Responsibility is the life-blood of efficiency
School Board was the only alternative
under a United District School Board
who have been rushed into the big
Band was the outcome of"
Fiquei, por minutos, sem saber do que se tratava.... O começo sugeria-me um tenteio literário "Red lion/lucid thought. Uma ode a Churchill? A minha admiração pelo estadista tem limites e limitações que terminam muito antes da poesia. A 3ª linha pareceu-me certa, mas para que a teria eu escrito em inglês, se fora eu a escrever aquilo? Uhm, aquilo não era meu: não sou burro o suficiente para escrever algo que me poderia ser devolvido com graçolas fáceis e certeiras. A questão da escola atormentou-me ainda mais! E, de súbito lembrei-me: "onde vou" é, afinal, onde ia na leitura do "Grain and Chaff from an English Manor" de Arthur H. Savory que fui lendo, no computador, a Primavera passada. Com as frases no ficheiro depois bastava-me recorrer ao localizar para encontrar o sítio onde interrompera a leitura. Era apenas isso.
Pensei que a nossa papelada, que às nossas gavetas físicas onde é de tradição, um dia mais tarde, alguém, arrumando-as, meditar sobre os recônditos da alma de cada um, se vieram acrescentar hoje estas digitais. - «"Red lion, lucid thought?" O que quereria ele com isto? Enfim, este também é para apagar».
(Este último itálico é mesmo assim.)
sexta-feira, setembro 02, 2005
quinta-feira, setembro 01, 2005
segunda-feira, agosto 29, 2005
Voltei ontem. Péssimo humor. Deveria ter respeitado a decisão, tomada o ano passado, de não voltar a passar quase um mês num sítio de que gosto mas que me maça e seca ao terceiro dia em quantidades e qualidades que não imaginava possíveis.
Aprender e remoer esta lição, eis a minha única boa intenção da "rentrée", a minha única ocupação do Setembro que aí vem. De todo ele.
Aprender e remoer esta lição, eis a minha única boa intenção da "rentrée", a minha única ocupação do Setembro que aí vem. De todo ele.
domingo, agosto 07, 2005
sábado, agosto 06, 2005
Notícias da uma. Emigração para o Reino Unido e Irlanda. Custa-me a crer: nenhum dos dois países tem códigos de trabalho que se comparem com o nosso na defesa dos direitos dos trabalhadores. Será que os emigrantes estão informados? E em Inglaterra, então, vítima das medidas de Thatcher (e que Blair não revogou)?! Alguém os avise!
sexta-feira, agosto 05, 2005
Se me ocorresse mandar certificar-me como produto fumado - o que, todavia, não farei - mereceria sê-lo quanto o merece legitimamente o salmão ou o arenque. Fumado e indignado, numa indignação sem nome, engolfado numa névoa escura e malcheirosa que foi, até há poucas horas, verde seiva e sombra fresca, espero por melhores dias.
Este governo prossegue, afincadamente, a incapacidade e incompetência dos outros no que respeita aos incêndios e bem fez o primeiro-ministro em sair para o Quénia, para gozar férias.
P.S. Acabo de ler que "António Costa classificou de «extrema gravidade» a actual situação dos fogos em Portugal Continental". Registo a afirmação e a atitude dos aindas primeiro-ministro e presidente da república.
Este governo prossegue, afincadamente, a incapacidade e incompetência dos outros no que respeita aos incêndios e bem fez o primeiro-ministro em sair para o Quénia, para gozar férias.
P.S. Acabo de ler que "António Costa classificou de «extrema gravidade» a actual situação dos fogos em Portugal Continental". Registo a afirmação e a atitude dos aindas primeiro-ministro e presidente da república.
De um passeio à beira mar: refém, poderoso Neptuno? Se refém, sofre de um caso severo de síndrome de Estocolmo, já que me parece inseparável e cúmplice dos seus supostos raptores.
De resto, partilho da opinião.
De resto, partilho da opinião.
quinta-feira, agosto 04, 2005
segunda-feira, agosto 01, 2005
A citação de Emerson no Impensavel faíscou aqui e relembrou-nos aquela magnífica passagem de Bloom.
Eu lembrei-me do Emerson - que por estes lados portugueses se lê pouco -através de uma das cartas de Proust, que era um admirador dele.
Eu lembrei-me do Emerson - que por estes lados portugueses se lê pouco -através de uma das cartas de Proust, que era um admirador dele.
Os portugueses estão pessimistas quanto à sua situação económica e outro inquérito revela que julgam justificado esse pessimismo.Creio, de facto, que o keynesianismo da trolha já não enstusiasma ninguém e que as "grandes obras" não apenas não suscitam a adesão ingénua de outros tempos quanto é cada vez maior o número daqueles que, por razões várias, as questionam. Entretanto, neste país deprimido, pessimista e abatido, cheio de desempregados sem esperança, o Primeiro-Ministro resolveu ir passear três semanas para o Quénia.
domingo, julho 31, 2005
Creio que já tinha falado de Churchill e da sua opção de resistir e lutar.
Hoje interrogar-nos-iamos ainda sobre os perigos dessa luta: podia-se lutar contra o nazismo mantendo-se a democracia? A opção pela guerra representava quantas mortes em ataques alemães que uma negociação evitaria? E etc, etc.
O interessante - embora dado habitual - é que os mais preocupados com a democracia e a sua preservação foram, geralmente, partidários activos das ditaduras do leste europeu , defenderam tais regimes e consideravam-nos, até, "avanços" em direcção ao futuro.
E pensam que a gente não tem memória.
Hoje interrogar-nos-iamos ainda sobre os perigos dessa luta: podia-se lutar contra o nazismo mantendo-se a democracia? A opção pela guerra representava quantas mortes em ataques alemães que uma negociação evitaria? E etc, etc.
O interessante - embora dado habitual - é que os mais preocupados com a democracia e a sua preservação foram, geralmente, partidários activos das ditaduras do leste europeu , defenderam tais regimes e consideravam-nos, até, "avanços" em direcção ao futuro.
E pensam que a gente não tem memória.
O après-dîner acabou, saíram agora, e passei por "aqui" a caminho da cama.
Da leitura de interrogações - e doutas, algumas - sobre o comportamento da polícia londrina fica-me cada vez mais a sensação de que a certeza (agora pacifica - e rectrospectiva) de Churchill sobre a atitude a tomar por alturas da 2ª Guerra Mundial seria hoje uma incerta, rude, primária e atoleimada certeza de gente inculta, conflituosa e bulhenta. Tudo, mas tudo, menos a óbvia única coisa a fazer que hoje nos parece ter sido.
(Não era, no entanto, a "única" coisa a fazer, podiam ter capitulado, ou negociado com os nazis e os seus então aliados comunistas.)
Da leitura de interrogações - e doutas, algumas - sobre o comportamento da polícia londrina fica-me cada vez mais a sensação de que a certeza (agora pacifica - e rectrospectiva) de Churchill sobre a atitude a tomar por alturas da 2ª Guerra Mundial seria hoje uma incerta, rude, primária e atoleimada certeza de gente inculta, conflituosa e bulhenta. Tudo, mas tudo, menos a óbvia única coisa a fazer que hoje nos parece ter sido.
(Não era, no entanto, a "única" coisa a fazer, podiam ter capitulado, ou negociado com os nazis e os seus então aliados comunistas.)
sexta-feira, julho 29, 2005
quinta-feira, julho 28, 2005
segunda-feira, julho 25, 2005
Seca extrema e incêndios.
Hoje, o céu está nublado, talvez chova um pouco. Num telejornal, entrevista com a proprietária de um café de praia, sobre os prejuízos cuasados pelo "mau" tempo. Noutro lado, era com optimismo que se prometiam melhorias, isto é, o regresso da seca e da canícula.
Que fazer desta gente apalermada que redige notícias? Que consistência de mau sorvete a daqueles cérebros!
Com gentalha assim não admira que o Dr. Soares seja a novidade da season.
Hoje, o céu está nublado, talvez chova um pouco. Num telejornal, entrevista com a proprietária de um café de praia, sobre os prejuízos cuasados pelo "mau" tempo. Noutro lado, era com optimismo que se prometiam melhorias, isto é, o regresso da seca e da canícula.
Que fazer desta gente apalermada que redige notícias? Que consistência de mau sorvete a daqueles cérebros!
Com gentalha assim não admira que o Dr. Soares seja a novidade da season.
O comissário espanhol Almunia fala da possibilidade de um processo de pobreza acelerada em Portugal. Depois da apreensão inicial, quase se simpatiza com a ideia, tanto mais que a pobreza purificada no crisol da perda faz ainda parte das nossas alquimias salvíficas que, ao contrário do resto do mundo, se não apoiam em felicidades e fins felizes por medo de tudo isso ser uma estafante coisa. A paralisia da miséria ancilosou-nos, moldou-nos o esqueleto à miséria e, por isso, tudo o resto nos dói.
domingo, julho 24, 2005
sábado, julho 23, 2005
Ainda à volta da nova lei do arrendamento.
Cada vez mais será uma lei "fútil", já que grande parte dos actuais inquilinos são pessoas de idade. A gente mais nova foi empurrada para a compra de casa, com recurso a crédito. Políticas de habitação pouco terão a ver com a lei do arrendamento: a política de habitação está nas mãos dos bancos, do mercado e da crua lei das obrigações: quando as prestações deixarem de ser cumpridas, executa-se a hipoteca e... rua.
As famílias portuguesas estão sobreendividadas e os juros estão em mínimos históricos. Ou seja, se agora já há muitas situações de incumprimento dos empréstimos mais haverá quando os juros subirem, como não deixará de acontecer.
Nessa altura, talvez estejam reunidas as condições para que o governo se resolva a defrontar-se com a realidade e pense, então, numa lei do arrendamento a sério.
Ah!, parece que vão tentar obrigar arrendamento compulsivo, ou criar dificuldades a quem não queria gerir os seus bens de acordo com a vontade governamental. É muito desta gente.
Vou voltar para o meu sábado.
Cada vez mais será uma lei "fútil", já que grande parte dos actuais inquilinos são pessoas de idade. A gente mais nova foi empurrada para a compra de casa, com recurso a crédito. Políticas de habitação pouco terão a ver com a lei do arrendamento: a política de habitação está nas mãos dos bancos, do mercado e da crua lei das obrigações: quando as prestações deixarem de ser cumpridas, executa-se a hipoteca e... rua.
As famílias portuguesas estão sobreendividadas e os juros estão em mínimos históricos. Ou seja, se agora já há muitas situações de incumprimento dos empréstimos mais haverá quando os juros subirem, como não deixará de acontecer.
Nessa altura, talvez estejam reunidas as condições para que o governo se resolva a defrontar-se com a realidade e pense, então, numa lei do arrendamento a sério.
Ah!, parece que vão tentar obrigar arrendamento compulsivo, ou criar dificuldades a quem não queria gerir os seus bens de acordo com a vontade governamental. É muito desta gente.
Vou voltar para o meu sábado.
sexta-feira, julho 22, 2005
O governo sobrante resolveu dar largas ao kitsch das boas intenções na nova lei do arrendamento preparando-se para prover a todas as precisões dos inquilinos (mesmo as daqueles que têm confortáveis rendimentos e pagam algumas rendas-esmolas de poucas dezenas de euros por apartamentos imensos no centro de Lisboa). Ouvia isto enquanto à minha frente deparava com a notícia de que os leilões dos apartamentos executados pelos bancos aos proprietários por falta de pagamento eram uma boa oportunidade de comprar casa não muito cara. Os antigos donos, se ninguém os acolher, ficam na rua e a lei não os contempla com qualquer boa intenção legislativo-subsidiária. São apenas pobres e sem casa e estarão contemplados na rubrica "desemprego", realidade com que a gente que passa as tardes departamentais a brincar às legislações não sabe lidar.
O governo restante também está muito preocupado com a fuga de capitais. Diga-se, o que a notícia omitia, fuga ilícita de capitais ao fisco. Mas todos nós, nunca é demais dizê-lo, podemos fazer circular os nossos capitais, gordos ou magros sejam eles, através da compra de fundos internacionais, em bancos portugueses ou estrangeiros. Em todo o caso, longe das mãos desta gente (parece-me boa ideia).
O governo restante também está muito preocupado com a fuga de capitais. Diga-se, o que a notícia omitia, fuga ilícita de capitais ao fisco. Mas todos nós, nunca é demais dizê-lo, podemos fazer circular os nossos capitais, gordos ou magros sejam eles, através da compra de fundos internacionais, em bancos portugueses ou estrangeiros. Em todo o caso, longe das mãos desta gente (parece-me boa ideia).
quinta-feira, julho 21, 2005
quarta-feira, julho 20, 2005
Não fizeram nada, salvo algum helicóptero que tenham comprado ou outra bugiganga qualquer, não fizeram nada, sequer as medidas fáceis, populistas e populares de pôr o exército a patrulhar matas e pinhais. Nada! Depois é isto, esta tristeza desoladora e árida, esta ardente certidão de incompetência.
E eu, que podia estar nalgum lugar civilizado e fresco estou aqui, sei lá se "a ver". Como "eles" não faço nada. Mas o meu desejo absurdo de sofrer não afecta mais ninguém. É um fraco consolo, bem sei.
E eu, que podia estar nalgum lugar civilizado e fresco estou aqui, sei lá se "a ver". Como "eles" não faço nada. Mas o meu desejo absurdo de sofrer não afecta mais ninguém. É um fraco consolo, bem sei.
terça-feira, julho 19, 2005
O ser este blog oficialmente errático nestes tempos de calor e férias, não quer dizer que seja escasso.
No silêncio da tarde quente* lia as "Novelas do Minho" de Camilo e achei que devia deixar anotado no blog esta leitura, que me quero lembrar dela depois.
* os calores dos Junhos e Julhos dos meus tempos de criança eram silenciosos, calmos, no sossego das janelas semircerradas detinham-se as coisas todas naquelas horas.
No silêncio da tarde quente* lia as "Novelas do Minho" de Camilo e achei que devia deixar anotado no blog esta leitura, que me quero lembrar dela depois.
* os calores dos Junhos e Julhos dos meus tempos de criança eram silenciosos, calmos, no sossego das janelas semircerradas detinham-se as coisas todas naquelas horas.
segunda-feira, julho 18, 2005
sábado, julho 16, 2005
Brahma
If the red slayer think he slays,
Or if the slain think he is slain,
They know not well the subtle ways
I keep, and pass, and turn again.
Far or forgot to me is near;
Shadow and sunlight are the same;
The vanished gods to me appear;
And one to me are shame and fame.
They reckon ill who leave me out;
When me they fly, I am the wings;
I am the doubter and the doubt,
And I the hymn the Brahmin sings.
The strong gods pine for my abode,
And pine in vain the sacred Seven;
But thou, meek lover of the good!
Fine me and turn thy back on heaven.
Ralph Waldo Emerson
If the red slayer think he slays,
Or if the slain think he is slain,
They know not well the subtle ways
I keep, and pass, and turn again.
Far or forgot to me is near;
Shadow and sunlight are the same;
The vanished gods to me appear;
And one to me are shame and fame.
They reckon ill who leave me out;
When me they fly, I am the wings;
I am the doubter and the doubt,
And I the hymn the Brahmin sings.
The strong gods pine for my abode,
And pine in vain the sacred Seven;
But thou, meek lover of the good!
Fine me and turn thy back on heaven.
Ralph Waldo Emerson
quarta-feira, julho 13, 2005
O Instituto da Inteligência diz, segundo o que ouvi num telejornal, que o jeito para a matematica depende de factores cognitivos e de personalidade que são geneticamente determinados. Será. Conviria que se soubesse se os resultados do antigo 5º ano do liceu eram semelhantes aos do actual 9º ano. É que, ou eram e caso resolvido, os portugueses são burros, ou não eram e, nesse caso querem fazer de nós estúpidos.
Em afirmações deste jaez o que me parece existir é uma ligeireza terceiro-mundista e um abuso da nossa paciência muito condenáveis.
P.S. Ponho de lado a hipótese de uma mutação genética.
Em afirmações deste jaez o que me parece existir é uma ligeireza terceiro-mundista e um abuso da nossa paciência muito condenáveis.
P.S. Ponho de lado a hipótese de uma mutação genética.
terça-feira, julho 12, 2005
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
70% das criancinhas chumbam a matemática
segunda-feira, julho 11, 2005
Desde as oito da manhã que vivo entre betume, massa, ladrilhos. Nas dúvidas, chamam-me para ir decidir. As decisões têm custos mas, como me lembrou o empreiteiro, "não há gosto sem desgosto" e o que é preciso é o "sr. dr. olhar e gostar" que depois se farão "os ajustes" - de preço, claro está. Atordoado pelo barulho, calor e obras, convenho, tristonho. Tal qual o país.
domingo, julho 10, 2005
Eis um sítio que há anos congemino visitar, por me parecer muito agradável para umas férias. Por pura inércia e preguiça tenho adiado essa visita e uma possivel alteração dos meus hábitos de férias (outra vez aquela praia délabré pela falta de gosto e ganância onde me aborreço até à vertigem barbitúrica).
Caloraça impossível, lá fora. O ar condicionado torna o dia suportável, mas espero que a temperatura baixe, que este ano seja normal, que acabe esta enfiada de verões excepcionalmente quentes.
Os britânicos comemoram o 60º aniversário do fim da II Guerra Mundial. Parece-me que, aqueles, ao menos aqueles, continuam vigilantes e com pouca vontade de soçobrar perante as dificuldades ou os esquecimentos ingénuos e catastróficos de que falava ontem Vasco Pulido Valente.
Os britânicos comemoram o 60º aniversário do fim da II Guerra Mundial. Parece-me que, aqueles, ao menos aqueles, continuam vigilantes e com pouca vontade de soçobrar perante as dificuldades ou os esquecimentos ingénuos e catastróficos de que falava ontem Vasco Pulido Valente.
sexta-feira, julho 08, 2005
Hoje, uma "calma resoluta" - Spectator - reinava em Londres.
O contraste com o tom ofegante e histérico e quase desapontado da repórter portuguesa era confrangedor. O lugar daqueles "jornalistas" não é em Londres, é entre a gritaria da populaça, as correrias ao acaso e os palavrões das "forças da ordem" que se ouvem em qualquer reportagem de desgraças nacionais, nos incêncios que ninguém consegue parar ou em crimes diversos.
É isto tipo de coisas que me maça: a Al-Qaeda consegue vexar-me em minha casa.
O contraste com o tom ofegante e histérico e quase desapontado da repórter portuguesa era confrangedor. O lugar daqueles "jornalistas" não é em Londres, é entre a gritaria da populaça, as correrias ao acaso e os palavrões das "forças da ordem" que se ouvem em qualquer reportagem de desgraças nacionais, nos incêncios que ninguém consegue parar ou em crimes diversos.
É isto tipo de coisas que me maça: a Al-Qaeda consegue vexar-me em minha casa.
quinta-feira, julho 07, 2005
Os atentados de hoje em Londres não fazem caducar a pergunta feita no Spectator e que aqui se trancreveu ontem. A preocupação que a motiva, a da liberdade, faz parte dos grandes valores da Europa que se tornaram universais e as acções cobardes desta manhã em nada modificarão tal.
Espero que os responsáveis sejam julgados e o facto de que terão um julgamento justo, com latos meio de defesa, é a resposta serena e esmagadora que a Grã-Bretanha e a democracia darão a todos fanáticos.
Espero que os responsáveis sejam julgados e o facto de que terão um julgamento justo, com latos meio de defesa, é a resposta serena e esmagadora que a Grã-Bretanha e a democracia darão a todos fanáticos.
quarta-feira, julho 06, 2005
As perguntas que em Portugal não se põem, nunca se puseram e que desespero algum dia se venham a pôr e se pense sobre elas:
"And then, as the mother of all considerations, there is this: why should someone in this free country, and who is not apparently committing a crime, be forced to prove his or her identity? Too many forget that ID cards would alter the whole balance of the largely unwritten (and largely unwriteable) contract between the individual and the state."
Peter Oborne, The Spectator
Creio que em Portugal se pode ser presidente da republica ou juiz do supremo ou deputado ou... sem ter sido jamais atormentado por esta e outras perguntinhas pequenas.
"And then, as the mother of all considerations, there is this: why should someone in this free country, and who is not apparently committing a crime, be forced to prove his or her identity? Too many forget that ID cards would alter the whole balance of the largely unwritten (and largely unwriteable) contract between the individual and the state."
Peter Oborne, The Spectator
Creio que em Portugal se pode ser presidente da republica ou juiz do supremo ou deputado ou... sem ter sido jamais atormentado por esta e outras perguntinhas pequenas.
Entre Londres e Paris não havia hesitação possível, hurrah por Londres, a cosmopolita, a tolerante Londres, a sensata Londres, a heróica Londres, a elegante e alegre Londres.
Em Paris a decepção foi grande. - Animem-se rapazes! Ó, pst, era mais uma rodada de lacan com gelo para aqueles senhores, pago eu, em nome dos velhos tempos.
Em Paris a decepção foi grande. - Animem-se rapazes! Ó, pst, era mais uma rodada de lacan com gelo para aqueles senhores, pago eu, em nome dos velhos tempos.
Que sono a esta hora, quase humilhante para um noctívago!
De qualquer modo é apenas para explicar que me lembrei de Ruskin por ser ele um dos destinatários de Proust, que foi tradutor dele em francês. Nunca consegui obter essa tradução e, por isso, as minhas leituras de Ruskin são lacunares. E faz-me muita falta ler Ruskin a sério, por causa de umas "coisas" do Eça.
Será que tomo um cafezinho fraco?
De qualquer modo é apenas para explicar que me lembrei de Ruskin por ser ele um dos destinatários de Proust, que foi tradutor dele em francês. Nunca consegui obter essa tradução e, por isso, as minhas leituras de Ruskin são lacunares. E faz-me muita falta ler Ruskin a sério, por causa de umas "coisas" do Eça.
Será que tomo um cafezinho fraco?
terça-feira, julho 05, 2005

John Ruskin, A Courtyard at Abbeyville
Diz Ruskin desta sua fotografia : "in 1858 (by my own setting of the camera), in the courtyard of one of the prettiest yet remaining fragments of fifteenth-century domestic buildings in Abbeyville. The natural vine leaves consent in grace and glow with the life of the old wood carving; and thought the modern white procelain image ill replaces the revoluition-deposed Madonna, and only pedestals of saints, and canopies, are left on the propping beams of the gateway - and though the casque, and cooper's tools, and gardener's spade and ladder are little in accord in what was once stately in the gate and graceful in the winding stair - the declining shadows of the past mingle with the hardship of the present day in no unkindly sadness; and the little angle of courtyard, if tenderly painted in the depression of its fate, has enough still to occupy as much of our best thought as maybe modestly claimed for his picture by any master not of the highest order."
segunda-feira, julho 04, 2005
Tempo magnífico (23ºC, vento noroeste). O FTSE sobe, o euro desce, boas notícias. Ao invés, as economias da França e da Alemanha não "descolam", o desemprego continua, o que, como dizia alguém, não se deverá a qualquer desregulamentação...
Tenho muitas saudades do mar, não da praia ou de "ir de férias" mas do mar em si, da água glauca. Água glauca, assim mesmo.
Ontem estive a ver fotografias. Actividade muito de evitar nesta crise de meia idade. Que seres eram aqueles que me antecederam? Como me tornei seu sucessor se não consigo engendrar qualquer plausível solução de continuidade -ou sequer de contiguidade?
Tenho muitas saudades do mar, não da praia ou de "ir de férias" mas do mar em si, da água glauca. Água glauca, assim mesmo.
Ontem estive a ver fotografias. Actividade muito de evitar nesta crise de meia idade. Que seres eram aqueles que me antecederam? Como me tornei seu sucessor se não consigo engendrar qualquer plausível solução de continuidade -ou sequer de contiguidade?
sábado, julho 02, 2005
Noutros tempos por esta altura já a casa estava fechada, os movéis cobertos de panos brancos tudo pronto para suportar as grandes calmas do Verão e eu na praia entregue à construção de castelos de areia, consumo de sorvetes na Cassata, ali na esplanada, idas ao jardim e corridas de triciclo nas matinées infantis.O regresso aqui era só para fins de Setembro poucos dias antes da escola começar e quando já se ansiava por aulas (sic).
sexta-feira, julho 01, 2005
Creio que não me estou a esquecer de nenhuma regra de boa educação (nem das numerosas excepções aos princípios gerais) e que o dono da casa que venha à porta receber uma visita lhe deve dar a precedência na entrada.
É o que não faz Blair com Barroso: Blair vem à porta recebê-lo, cumprimenta-o para as câmaras dos fotógrafos e volta a entrar, deixando na rua um triste e embaraçado Barroso.
Eu não simpatizo por aí além com Blair (embora seja o menos mau que há por essa Europa), mas rio com gosto da cara de Barroso (a situação não é inédita).
Claro está que Barroso, tratado abaixo de cão, deveria simplesmente manter-se na rua e não entrar sem que o seu anfitrião caísse em si, voltasse a sair, e lhe desse a precedência devida na entrada do 10, Downing Street. Eu sei que isto é um "minus" mas é revelador sobre ambos.
É o que não faz Blair com Barroso: Blair vem à porta recebê-lo, cumprimenta-o para as câmaras dos fotógrafos e volta a entrar, deixando na rua um triste e embaraçado Barroso.
Eu não simpatizo por aí além com Blair (embora seja o menos mau que há por essa Europa), mas rio com gosto da cara de Barroso (a situação não é inédita).
Claro está que Barroso, tratado abaixo de cão, deveria simplesmente manter-se na rua e não entrar sem que o seu anfitrião caísse em si, voltasse a sair, e lhe desse a precedência devida na entrada do 10, Downing Street. Eu sei que isto é um "minus" mas é revelador sobre ambos.
quinta-feira, junho 30, 2005
Estava-me a lembrar, a propósito do deficit, que já houve quem, no passado, se tivesse preocupado com o assunto. Em Agosto de 1867 criou-se uma comissão para "melhorar as condições economicas do paiz e extinguir ou atenuar o deficit do orçamento do Estado". Deve estar lá tudo, nas actas, é só ir ler.
quarta-feira, junho 29, 2005
A lei do BI passou no Parlamento na Grã-Bretanha, por escassa margem (votos contra dos conservadores e, honra lhes seja feita, de muitos tabalhistas). Mas, infelizmente, passou.
Enquanto em nome de preocupações securitárias aprovava o BI, Albion iniciava as comemorações dos 200 anos da vitória na Batalha de Trafalgar (21 de Outubro de 1805) que, entre outras, teve como consequência impedir a França de se tornar numa grande potência mundial.
O maior navio que participa nas comemorações é, todavia, francês: a grandiloquência da impotência.
Enquanto em nome de preocupações securitárias aprovava o BI, Albion iniciava as comemorações dos 200 anos da vitória na Batalha de Trafalgar (21 de Outubro de 1805) que, entre outras, teve como consequência impedir a França de se tornar numa grande potência mundial.
O maior navio que participa nas comemorações é, todavia, francês: a grandiloquência da impotência.
Intraduzível é a discussão que se trava na Grã-Bretanha sobre o bilhete de identidade - documento que por lá não existe (ocorre pensar como viverão...) e o governo de Blair quer introduzir. Dizem os que se opõem à proposta que o BI constitui uma intolerável intromissão do governo, do estado, na privacidade de cada um. Como se traduz isto para português, para Portugal?
terça-feira, junho 28, 2005
Sand Dunes
Sea waves are green and wet,
But up from where they die,
Rise others vaster yet,And those are brown and dry.
They are the sea made land
To come at the fisher town,
And bury in solid sand
The men she could not drown.
She may know cove and cape,
But she does not know mankind
If by any change of shape,
She hopes to cut off mind.
Men left her a ship to sink:
They can leave her a hut as well;
And be but more free to think
For the one more cast-off shell.
Robert Frost
Sea waves are green and wet,
But up from where they die,
Rise others vaster yet,And those are brown and dry.
They are the sea made land
To come at the fisher town,
And bury in solid sand
The men she could not drown.
She may know cove and cape,
But she does not know mankind
If by any change of shape,
She hopes to cut off mind.
Men left her a ship to sink:
They can leave her a hut as well;
And be but more free to think
For the one more cast-off shell.
Robert Frost
segunda-feira, junho 27, 2005
sexta-feira, junho 24, 2005
Por conselho daqui fui parar aqui que, creio, não conhecia (parabéns, a propósito). E lá, encontrei excertos de Beckford o que me fez lembrar do meu exemplar, desaparecido há eras. Por isso, o apelo fica aqui: a quem souber onde está o meu exemplar do "Diário" do Beckford: agradeço que comova o possuidor no sentido de mo devolver (que frase!).
quinta-feira, junho 23, 2005
O Anarconservador estranha que o Bach não refresque: não, caro JAC, não refresca nem é levinho, ou "cool". Nem de almas plácidas é refrigério, antes desassossega e inquieta intentos de beatitudes: a nostalgia da morte dizia Cioran ouvir em Bach.
Para calor desusado e legítimo alívio dele tente por aqui, embora o caminho não seja isento de escolhos.
Para calor desusado e legítimo alívio dele tente por aqui, embora o caminho não seja isento de escolhos.
quarta-feira, junho 22, 2005
terça-feira, junho 21, 2005
segunda-feira, junho 20, 2005
A verdade é esta: não está um calor sufocante e terrível, mas já está suficientemente quente para continuar aqui a ouvir falar de coisas secantes, rodeado de rotina gasta e baça.
O melhor é estar já em férias, erigir em gesso uma presença discreta, meio-sorriso solícito para não ofender ninguém, nenhuns dos que gostam ou precisam destes tempos, mas não estar já aqui a sério.
O melhor é estar já em férias, erigir em gesso uma presença discreta, meio-sorriso solícito para não ofender ninguém, nenhuns dos que gostam ou precisam destes tempos, mas não estar já aqui a sério.
domingo, junho 19, 2005
Requerimento
Exmo. Senhor Embaixador do Paquistão em Portugal
Impensado, cidadão da república portuguesa, tendo necessidade de, na próxima terça-feira, dia 21 de Junho, passar, pelas 16 horas, nas imediações do Martim Moniz, solicita a V. Exia. o informe se corre risco e, em caso afirmativo, lhe forneça o respectivo salvo-conduto.
Exmo. Senhor Embaixador do Paquistão em Portugal
Impensado, cidadão da república portuguesa, tendo necessidade de, na próxima terça-feira, dia 21 de Junho, passar, pelas 16 horas, nas imediações do Martim Moniz, solicita a V. Exia. o informe se corre risco e, em caso afirmativo, lhe forneça o respectivo salvo-conduto.
Li há pouco, no Expresso, que funcionários de Belém terão contactado o Embaixador de Cabo Verde em Portugal para saberem se o Dr. Sampaio correria risco na sua visita à Cova da Moura.
Ou a notícia é desmentida, ou não. Não o sendo, deve haver demissões de funcionários do Palácio de Belém, ou, tendo o presidente em funções tido conhecimento de tais diligências e nelas consentido, deve o Dr. Sampaio pedir a sua demissão e desculpas formais ao país.
A mim, a coisa parece-me simples e linear.
Ou a notícia é desmentida, ou não. Não o sendo, deve haver demissões de funcionários do Palácio de Belém, ou, tendo o presidente em funções tido conhecimento de tais diligências e nelas consentido, deve o Dr. Sampaio pedir a sua demissão e desculpas formais ao país.
A mim, a coisa parece-me simples e linear.
sexta-feira, junho 17, 2005
Daqui a algumas - poucas - horas entram casa dentro os pedreiros para abrirem os roços da instalação eléctrica necessária para suportar todas as loucuras a que aquiesci num momento de delírio, visão beatífica e esbanjamento. Pior de que tudo, tendo sido o acesso de prodigalidade temperado depois por grande cópia de pequenos arrependimentos, ficarei com os inconvenientes das meias medidas e, para sempre, afastado pela pequenez sensata de carácter, do luxo sóbrio, espesso e suave de que, por um momento, me julguei merecedor. Restarão bugigangas e escombros a atravancar-me todos os dias as manhãs.
quinta-feira, junho 16, 2005
quarta-feira, junho 15, 2005
E já agora (está mais quente, hoje, e mais seco), já agora um exemplo da célebre perfídia britânica: "What we can say objectively, however, is that the eurozone is now trailing far behind Britain and the US in terms of growth, and has roughly double our level of unemployment. If the best that can be claimed is that without the single currency the Continent would have been even deeper in the mire, that is not much of a commendation."
O Reino Unido não quer aumentar a sua contribuição para o orçamento europeu dando como razão que grande parte da despesa da UE advém dos subsídios concedidos à agricultura francesa. É verdade. Pensei no porquê disso e a resposta leva-nos à última revolução relevante dos últimos 10 000 anos, a revolução indústrial, que se deu em Inglaterra e daí foi exportada com maior ou menor êxito para o continente europeu. Em 1970, apenas 2,7% (+-) da população do Reino Unido se ocupava na agricultura enquanto em 1969, Pompidou falava da necessidade de modernizar e industrializar uma França que era, em muitas regiões e áreas, ainda rural. A diferença ter-se-à atenuado, mas mantêm-se. Creio que muito do que é a "filosofia francesa", as "denúncias" da sociedade moderna, enquanto geradora de "perversidades" de "simulacros de realidade" tem ainda alguma coisa do medo, da desconfiança camponesa por um mundo novo.
terça-feira, junho 14, 2005
O céu esteve escuro, pensei que chovia, mas foi breu de pouca dura. Ficou o cinza e o fresco, mas a seco. Tenho saudades de chuva e por ter encontrado um responso a Santa Bárbara coligido por Jaime Cortesão, lembrei-me das trovoadas que por esta altura atroavam montes e charnecas. Mais saudades.
Fica o responso.
"Santa Bárbara se alevantou,
Se vestiu e se calçou,
Suas santas mãos lavou,
E o caminho do Céu andou.
Lá no meio do caminho
A Jesus Cristo encontrou:
— Para onde vais, Bárbara?
— Eu não vou nem quero ir,
Mas ao Céu quero subir.
Vou arramar aquela trovoada
Que lá anda armada.
Arrama-a bem arramada
Lá pra serra do Marão,
No alto serro maninho,
Onde não há vinho nem pão,
Nem bafo de menino,
Nem berrar de cordeirinho:
Só há uma serpente
Com vinte e cinco filhas,
Que lhes dá água de trovão
E leite de maldição. Amém!"
Fica o responso.
"Santa Bárbara se alevantou,
Se vestiu e se calçou,
Suas santas mãos lavou,
E o caminho do Céu andou.
Lá no meio do caminho
A Jesus Cristo encontrou:
— Para onde vais, Bárbara?
— Eu não vou nem quero ir,
Mas ao Céu quero subir.
Vou arramar aquela trovoada
Que lá anda armada.
Arrama-a bem arramada
Lá pra serra do Marão,
No alto serro maninho,
Onde não há vinho nem pão,
Nem bafo de menino,
Nem berrar de cordeirinho:
Só há uma serpente
Com vinte e cinco filhas,
Que lhes dá água de trovão
E leite de maldição. Amém!"
sábado, junho 11, 2005
Não devem os republicanos e gauchistes limitarem-se a lutar pela completa laicização da nossa república apenas em relação a actos exteriores de culto das igrejas reconhecidas. Há escaninhos, comissuras, fendas do comportamento humano e dos actos dos poderes públicos onde o fenómeno religioso se acoita ou pode acoitar. A boa fé, por exemplo, a bona fides dos romanos, que por aí anda nos códigos civis, tem origem religiosa. Há que lutar pela sua completa erradicação do direito vigente (e da prática do estado): como muito bem dizia esse grande estadista, António Guterres, numa frase que é já património da cultural mundial "a moral repúblicana é a lei" e esta não pode ser permeável ao mundo obscuro e primevo das religiões. Vamos lá a lutar por esse nobre objectivo (a não ser... a não ser que isso já esteja feito, que a luta seja já inútil).
Parece que o Dr. Sampaio também acumula o salário de presidente da república com a pensãozinha da Ordem dos Advogados. Eu, que defendo que deveria estar sempre salvaguardada, por uma questão de decência e prestígio do país, a situação financeira dos antigos presidentes e primeiros-ministros -não fossemos encontrar um deles a vender a Cais - acho que não ficaria nada mal aos presidentes da república prescidirem de outros proventos de origem profissional enquanto exercessem aquele cargo. Mas tenho de compreender que somos pobres - e cada vez mais - e o dinheirito dá jeito, a vida está cara, e nunca se sabe o futuro, que essa é que é essa, e cautelas e caldos de galinha...
Vi há pouco uma reportagem do Trooping the Colour a cerimónia com que se comemora o aniversário dos soberanos britânicos e relembrei os dois ou três minutos que vi do 10 de Junho mas que chegaram para me aperceber do ar pífio daquilo tudo, desde o local das "cerimonias" à organização e às gentes. Corei de vergonha da comparação com a cerimónia britânica, confesso. Já Eça falava do ar lúgubre das festas republicanas francesas. Não conheceu ele as da república portuguesa*....
* Seria interessante ver qual seria a opinião de Eça sobre a república portuguesa... Mas Eça morreu 10 anos antes da proclamação daquela e a única relação entre Eça e a república é "oblíqua": sobre pretexto dos filhos de Eça não serem afectos ao regime, foi retirada a pensão concedida pelo Parlamento do tempo da monarquia à viúva do Escritor, Dona Emília de Castro. Uma medida republicana e muito a condizer com a natureza do regime de 1910.
* Seria interessante ver qual seria a opinião de Eça sobre a república portuguesa... Mas Eça morreu 10 anos antes da proclamação daquela e a única relação entre Eça e a república é "oblíqua": sobre pretexto dos filhos de Eça não serem afectos ao regime, foi retirada a pensão concedida pelo Parlamento do tempo da monarquia à viúva do Escritor, Dona Emília de Castro. Uma medida republicana e muito a condizer com a natureza do regime de 1910.
Lido na homepage do sapo: "Meios não são suficientes para resolver tumultos em Carcavelos" Título enganador! Qual tumultos, qual quê: não se trata de agitação política ou de protesto! São roubos e agressões físicas perpetrados por hordas organizadas de rapazio delinquente sobre os frequentadores da praia, às portas de Lisboa. A técnica foi importada do Rio de Janeiro onde é praticada amiúde e tem nome próprio: arrastão. Enquanto isto, o Senhor Presidente da Republica laica distribuía comendas de antigas ordens religiosas feudais aos cidadãos de sucesso.
Nestes podia incluir os tumultuantes, que começam, desde tenra idade, a revelar forte sentido organizativo, capacidade de acção e a firme determinação tão raros entre nós.
Está mais fresca, hoje, a noite. Agradável.
Nestes podia incluir os tumultuantes, que começam, desde tenra idade, a revelar forte sentido organizativo, capacidade de acção e a firme determinação tão raros entre nós.
Está mais fresca, hoje, a noite. Agradável.
sexta-feira, junho 10, 2005
Tanto de meu estado me acho incerto,
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Nua hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar ua hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís de Camões, no seu dia.
Que em vivo ardor tremendo estou de frio;
Sem causa, juntamente choro e rio;
O mundo todo abarco e nada aperto.
É tudo quanto sinto um desconcerto;
Da alma um fogo me sai, da vista um rio;
Agora espero, agora desconfio,
Agora desvario, agora acerto.
Estando em terra, chego ao Céu voando;
Nua hora acho mil anos, e é de jeito
Que em mil anos não posso achar ua hora.
Se me pergunta alguém porque assim ando,
Respondo que não sei; porém suspeito
Que só porque vos vi, minha Senhora.
Luís de Camões, no seu dia.
quinta-feira, junho 09, 2005
Prossegue a invasão, barulheira, poeirada, e a vozearia, uma vozearia sussurada que respeitos atávicos inspiram.
Terei o limiar de tolerância muito baixo, já que dou graças veementes e sinceras por amanhã ser feriado e, podendo os trabalho serem interrompidos sem dano, do que já me assegurei, informei o empreiteiro que agora, só na quarta-feira que vem. Até lá, conto restabelecer-me.
Ficarei por aqui a apreciar o silêncio, se Deus quiser.
Terei o limiar de tolerância muito baixo, já que dou graças veementes e sinceras por amanhã ser feriado e, podendo os trabalho serem interrompidos sem dano, do que já me assegurei, informei o empreiteiro que agora, só na quarta-feira que vem. Até lá, conto restabelecer-me.
Ficarei por aqui a apreciar o silêncio, se Deus quiser.
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