segunda-feira, setembro 19, 2005
sexta-feira, setembro 16, 2005
Quando vi a enchente fui ver o que a tinha provocado. Descobri, então, a Bomba de Ouro atribuída a um desabafo de ontem. Agradeço - muito - como sempre: confundido e corado. Sim, corado.
Muito obrigado, Charlotte.
Muito obrigado, Charlotte.
quinta-feira, setembro 15, 2005
quarta-feira, setembro 14, 2005
Pouco tempo na escola, poucos cursos superiores (e o pouco tempo mal aproveitado e os cursos idem). Nos números dos organismos internacionais a imagem mais nítida de um país que, no essencial, falhou.
É o país do menino Daniel que com seis ou sete anos guarda gado nas serranias para ajudar os pais - e supõe-se que a ele mesmo -, tem uma vida miserável e cansativa e quando veio a notícia disto ao conhecimento da nação foi uma comoção e levaram-no a ver o mar e ninguém se lembrou de punir os pais - que, coitadinhos, gostavam muito dele, queriam o melhor para ele e por isso o punham a guardar vacas sozinho.
Tenebroso - mas condiz, afinal. Afinal condiz.
É o país do menino Daniel que com seis ou sete anos guarda gado nas serranias para ajudar os pais - e supõe-se que a ele mesmo -, tem uma vida miserável e cansativa e quando veio a notícia disto ao conhecimento da nação foi uma comoção e levaram-no a ver o mar e ninguém se lembrou de punir os pais - que, coitadinhos, gostavam muito dele, queriam o melhor para ele e por isso o punham a guardar vacas sozinho.
Tenebroso - mas condiz, afinal. Afinal condiz.
terça-feira, setembro 13, 2005
28º C! Uhm Insuportável em princípios de Junho, um mau augúrio de insuportáveis calores a vir, agora apenas uma temperatura já fora de época, despedida de Verão, uma surpresa calma, preguiçosa, onde se espera encontrar um perfume de mosto, oiros em fundos de jardins, o lanche que é trazido, a tarde che va e rompe as arestas já frias das horas que chegam no fim.
segunda-feira, setembro 12, 2005
Importuna Razão, não me persigas;
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela
Manuel Maria Barbosa du Bocage
Cesse a ríspida voz que em vão murmura;
Se a lei de Amor, se a força da ternura
Nem domas, nem contrastas, nem mitigas;
Se acusas os mortais, e os não abrigas,
Se (conhecendo o mal) não dás a cura,
Deixa-me apreciar minha loucura,
Importuna Razão, não me persigas.
É teu fim, teu projecto encher de pejo
Esta alma, frágil vítima daquela
Que, injusta e vária, noutros laços vejo.
Queres que fuja de Marília bela,
Que a maldiga, a desdenhe; e o meu desejo
É carpir, delirar, morrer por ela
Manuel Maria Barbosa du Bocage
domingo, setembro 11, 2005
Se ao crime se pode ainda nos dias de hoje juntar-se o sacrilégio, o atentado de 11 de Setembro foi-o ao obrigar os nossos sentimentos de indignação e mágoa a conviver com a espectacularidade, a serem através dela, num cenário de excesso e aturdimento, de um cenotáfio do que é essencial.
Quatro anos, já!
Quatro anos, já!
sábado, setembro 10, 2005
Ofereci-me ontem, num momento de injustificada e condenável prodigalidade, uma caneta estupenda e tenho estado a experimentá-la. Escrevo frases soltas, faço cópias, e descobri que há muito, muito tempo não escrevo à mão. A escrita está quase ilegível e os meus músculos, os meus tendões, aquilo que mais fundo em nós, mas já longe, ainda reconhecemos invólucro de modos, de disposições, isso parece ter perdido a intimidade com o mim escrevente que, ia dizer “aqui de cima”, olhava a escrita que “lá em baixo” corria, azulada como um céu.
Isso perdi e não sei se reencontrarei.
Isso perdi e não sei se reencontrarei.
"Por todo o País há interrogatórios judiciais que se arrastam pela madrugada e os funcionários não recebem nada pelas horas extraordinárias..."
Esta preocupação, de carácter laboral é muito estimável, mas o que me interessa, enquanto cidadão, é que não haja, que acabem de uma vez por todas, interrogatórios que se arrastam pela madrugada.
Já aqui falei nisto, mas não me tinha ocorrido que os senhores funcionários também fossem prejudicados por essa tocante brutalidade, nascida do denodo dos senhores magistrados e do nosso louvável código de processo penal - o tal que os funcionários ingleses (? )muito invejaram como dizia já não sei que "operador" judicial.
Esta preocupação, de carácter laboral é muito estimável, mas o que me interessa, enquanto cidadão, é que não haja, que acabem de uma vez por todas, interrogatórios que se arrastam pela madrugada.
Já aqui falei nisto, mas não me tinha ocorrido que os senhores funcionários também fossem prejudicados por essa tocante brutalidade, nascida do denodo dos senhores magistrados e do nosso louvável código de processo penal - o tal que os funcionários ingleses (? )muito invejaram como dizia já não sei que "operador" judicial.
sexta-feira, setembro 09, 2005
quinta-feira, setembro 08, 2005
A propósito de desenvolvimento, o presidente do tribunal constitucional que ia a 200 km à hora na estrada, foi apanhado, não pagou multa e veio depois com uma desculpa esfarrapada (daquelas que se traduzem numa presunção forte de idiotia para todos os que supostamente a terão de suportar, tomando-a como boa), esse já se demitiu? E se não se demitiu, já alguém lhe segredou ao ouvido que deve fazê-lo? Sim, que mesmo aqui deve fazê-lo? Temo que não.
Portugal desceu mais um lugar na lista dos países desenvolvidos e foi ultrapassado pela Eslovénia. Coincide com as minhas "impressões" e creio que descerá mais.
Ainda não vi comentários "oficiais", (o eng. socrates está para Troia onde foi ver o bota abaixo das torres da torralta) mas é de crer que esteja já alguém a congeminar um decreto - que na religião oficial portuguesa exerce o papel que as preces ocupam nas outras religiões - para que voltemos a conquistar o lugar perdido. O assunto do decreto pode ser qualquer um, desde que se traduza por uma obrigatoriedade modernaça e levemente proto-fascista ou meramente autoritária que é o que está na moda. Obrigação dos fumadores se apresentarem na delegação de saúde da sua área de residência, por exemplo.
Ainda não vi comentários "oficiais", (o eng. socrates está para Troia onde foi ver o bota abaixo das torres da torralta) mas é de crer que esteja já alguém a congeminar um decreto - que na religião oficial portuguesa exerce o papel que as preces ocupam nas outras religiões - para que voltemos a conquistar o lugar perdido. O assunto do decreto pode ser qualquer um, desde que se traduza por uma obrigatoriedade modernaça e levemente proto-fascista ou meramente autoritária que é o que está na moda. Obrigação dos fumadores se apresentarem na delegação de saúde da sua área de residência, por exemplo.
Sempre amável, Lady Charlotte quis notar no seu blog a minha volta de férias provocando a conhecida invasão de senhoras e dandies curiosos. Não deixo de estimar e desta vez mais, já que, ligeiramente tomado de superstição, desejo passar depressa os treze milheiros de visitantes.
quarta-feira, setembro 07, 2005
Outra vez: locutores de telefonia falavam da Soberana inglesa, da Rainha que teve entre os seus primeiro-ministros Churchill ou Margaret Thatcher como se se tratasse da governante de um país abandalhado, caricato, atrasado e pobretanas. É esta gente, já o observei aqui, que, depois, perde horas a falar, com um ar muito sério, de soares, cavacos e sampaios, os grandes presidentes de santanas, guterres, sócrates e barrosos. Está tudo doido.
terça-feira, setembro 06, 2005
domingo, setembro 04, 2005
sábado, setembro 03, 2005
Estava em frente aos meus olhos, no "Ambiente de trabalho", mas não reparava nele. Era um ficheiro de notebook e o seu título "onde vou" chamou-me a atenção, há pouco. Para onde ia eu? Abri o ficheiro e o que lá constava era isto:
"Red Lion
lucid thought
Responsibility is the life-blood of efficiency
School Board was the only alternative
under a United District School Board
who have been rushed into the big
Band was the outcome of"
Fiquei, por minutos, sem saber do que se tratava.... O começo sugeria-me um tenteio literário "Red lion/lucid thought. Uma ode a Churchill? A minha admiração pelo estadista tem limites e limitações que terminam muito antes da poesia. A 3ª linha pareceu-me certa, mas para que a teria eu escrito em inglês, se fora eu a escrever aquilo? Uhm, aquilo não era meu: não sou burro o suficiente para escrever algo que me poderia ser devolvido com graçolas fáceis e certeiras. A questão da escola atormentou-me ainda mais! E, de súbito lembrei-me: "onde vou" é, afinal, onde ia na leitura do "Grain and Chaff from an English Manor" de Arthur H. Savory que fui lendo, no computador, a Primavera passada. Com as frases no ficheiro depois bastava-me recorrer ao localizar para encontrar o sítio onde interrompera a leitura. Era apenas isso.
Pensei que a nossa papelada, que às nossas gavetas físicas onde é de tradição, um dia mais tarde, alguém, arrumando-as, meditar sobre os recônditos da alma de cada um, se vieram acrescentar hoje estas digitais. - «"Red lion, lucid thought?" O que quereria ele com isto? Enfim, este também é para apagar».
(Este último itálico é mesmo assim.)
"Red Lion
lucid thought
Responsibility is the life-blood of efficiency
School Board was the only alternative
under a United District School Board
who have been rushed into the big
Band was the outcome of"
Fiquei, por minutos, sem saber do que se tratava.... O começo sugeria-me um tenteio literário "Red lion/lucid thought. Uma ode a Churchill? A minha admiração pelo estadista tem limites e limitações que terminam muito antes da poesia. A 3ª linha pareceu-me certa, mas para que a teria eu escrito em inglês, se fora eu a escrever aquilo? Uhm, aquilo não era meu: não sou burro o suficiente para escrever algo que me poderia ser devolvido com graçolas fáceis e certeiras. A questão da escola atormentou-me ainda mais! E, de súbito lembrei-me: "onde vou" é, afinal, onde ia na leitura do "Grain and Chaff from an English Manor" de Arthur H. Savory que fui lendo, no computador, a Primavera passada. Com as frases no ficheiro depois bastava-me recorrer ao localizar para encontrar o sítio onde interrompera a leitura. Era apenas isso.
Pensei que a nossa papelada, que às nossas gavetas físicas onde é de tradição, um dia mais tarde, alguém, arrumando-as, meditar sobre os recônditos da alma de cada um, se vieram acrescentar hoje estas digitais. - «"Red lion, lucid thought?" O que quereria ele com isto? Enfim, este também é para apagar».
(Este último itálico é mesmo assim.)
sexta-feira, setembro 02, 2005
quinta-feira, setembro 01, 2005
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