quinta-feira, setembro 08, 2005

Portugal desceu mais um lugar na lista dos países desenvolvidos e foi ultrapassado pela Eslovénia. Coincide com as minhas "impressões" e creio que descerá mais.
Ainda não vi comentários "oficiais", (o eng. socrates está para Troia onde foi ver o bota abaixo das torres da torralta) mas é de crer que esteja já alguém a congeminar um decreto - que na religião oficial portuguesa exerce o papel que as preces ocupam nas outras religiões - para que voltemos a conquistar o lugar perdido. O assunto do decreto pode ser qualquer um, desde que se traduza por uma obrigatoriedade modernaça e levemente proto-fascista ou meramente autoritária que é o que está na moda. Obrigação dos fumadores se apresentarem na delegação de saúde da sua área de residência, por exemplo.
Sempre amável, Lady Charlotte quis notar no seu blog a minha volta de férias provocando a conhecida invasão de senhoras e dandies curiosos. Não deixo de estimar e desta vez mais, já que, ligeiramente tomado de superstição, desejo passar depressa os treze milheiros de visitantes.

quarta-feira, setembro 07, 2005

Outra vez: locutores de telefonia falavam da Soberana inglesa, da Rainha que teve entre os seus primeiro-ministros Churchill ou Margaret Thatcher como se se tratasse da governante de um país abandalhado, caricato, atrasado e pobretanas. É esta gente, já o observei aqui, que, depois, perde horas a falar, com um ar muito sério, de soares, cavacos e sampaios, os grandes presidentes de santanas, guterres, sócrates e barrosos. Está tudo doido.

terça-feira, setembro 06, 2005

A luz de Setembro, depois da estridência da do pino do Verão - um fulgor a pique que fere os olhos - regressa, amena, suave, o Um murmúrio de luz de Pascoaes.

domingo, setembro 04, 2005

Hoje, o Sol pôs-se antes das oito. Tinha-se levantado já depois das sete. Voltam os dias sensatos.

sábado, setembro 03, 2005

Estava em frente aos meus olhos, no "Ambiente de trabalho", mas não reparava nele. Era um ficheiro de notebook e o seu título "onde vou" chamou-me a atenção, há pouco. Para onde ia eu? Abri o ficheiro e o que lá constava era isto:
"Red Lion
lucid thought
Responsibility is the life-blood of efficiency
School Board was the only alternative
under a United District School Board
who have been rushed into the big
Band was the outcome of"
Fiquei, por minutos, sem saber do que se tratava.... O começo sugeria-me um tenteio literário "Red lion/lucid thought. Uma ode a Churchill? A minha admiração pelo estadista tem limites e limitações que terminam muito antes da poesia. A 3ª linha pareceu-me certa, mas para que a teria eu escrito em inglês, se fora eu a escrever aquilo? Uhm, aquilo não era meu: não sou burro o suficiente para escrever algo que me poderia ser devolvido com graçolas fáceis e certeiras. A questão da escola atormentou-me ainda mais! E, de súbito lembrei-me: "onde vou" é, afinal, onde ia na leitura do "Grain and Chaff from an English Manor" de Arthur H. Savory que fui lendo, no computador, a Primavera passada. Com as frases no ficheiro depois bastava-me recorrer ao localizar para encontrar o sítio onde interrompera a leitura. Era apenas isso.
Pensei que a nossa papelada, que às nossas gavetas físicas onde é de tradição, um dia mais tarde, alguém, arrumando-as, meditar sobre os recônditos da alma de cada um, se vieram acrescentar hoje estas digitais. - «"Red lion, lucid thought?" O que quereria ele com isto? Enfim, este também é para apagar».

(Este último itálico é mesmo assim.)

sexta-feira, setembro 02, 2005

Exercício de desonestidade intelectual delirante e de péssimo gosto, ao modo dos usados pela esquerda: "A incapacidade e ineficiência - se as houve - da cidade de Nova Orleáns e a culture française. Relação necessária?"

quinta-feira, setembro 01, 2005

Li a notícia da candidatura de Kenneth Clarke à liderança do Partido Conservador em Inglaterra e não pude deixar de meditar sobre o facto simples de poder vir a influenciar mais a minha vida - e a nossa - a eleição de Clarke do que aquela outra de Mário Soares, agora tentada.
Ainda a desfazer malas e em arrumações mentais.

segunda-feira, agosto 29, 2005

Voltei ontem. Péssimo humor. Deveria ter respeitado a decisão, tomada o ano passado, de não voltar a passar quase um mês num sítio de que gosto mas que me maça e seca ao terceiro dia em quantidades e qualidades que não imaginava possíveis.
Aprender e remoer esta lição, eis a minha única boa intenção da "rentrée", a minha única ocupação do Setembro que aí vem. De todo ele.

domingo, agosto 07, 2005


Regates, Monet.

Logo esperam-me as actividades das vésperas das idas: fazer malas, ter tudo pronto, a vontade de ir acondicionada em papel de seda e metida numa velha gentlemen's hat box, para usar amanhã, segunda-feira.

sábado, agosto 06, 2005

Notícias da uma. Emigração para o Reino Unido e Irlanda. Custa-me a crer: nenhum dos dois países tem códigos de trabalho que se comparem com o nosso na defesa dos direitos dos trabalhadores. Será que os emigrantes estão informados? E em Inglaterra, então, vítima das medidas de Thatcher (e que Blair não revogou)?! Alguém os avise!

sexta-feira, agosto 05, 2005

Se me ocorresse mandar certificar-me como produto fumado - o que, todavia, não farei - mereceria sê-lo quanto o merece legitimamente o salmão ou o arenque. Fumado e indignado, numa indignação sem nome, engolfado numa névoa escura e malcheirosa que foi, até há poucas horas, verde seiva e sombra fresca, espero por melhores dias.

Este governo prossegue, afincadamente, a incapacidade e incompetência dos outros no que respeita aos incêndios e bem fez o primeiro-ministro em sair para o Quénia, para gozar férias.

P.S. Acabo de ler que "António Costa classificou de «extrema gravidade» a actual situação dos fogos em Portugal Continental". Registo a afirmação e a atitude dos aindas primeiro-ministro e presidente da república.
De um passeio à beira mar: refém, poderoso Neptuno? Se refém, sofre de um caso severo de síndrome de Estocolmo, já que me parece inseparável e cúmplice dos seus supostos raptores.
De resto, partilho da opinião.

quinta-feira, agosto 04, 2005

35º C
Processo de cafrealização quase terminado, estou perto da pensée sauvage
(daqui a pouco devem começar a tornar-se inteligíveis alguns aspectos mais curiosos da vida nacional).

segunda-feira, agosto 01, 2005

Efeméride: as viagens para a praia, anos a fio, neste dia. Quando de combóio, mudança em Alfarelos.
A citação de Emerson no Impensavel faíscou aqui e relembrou-nos aquela magnífica passagem de Bloom.
Eu lembrei-me do Emerson - que por estes lados portugueses se lê pouco -através de uma das cartas de Proust, que era um admirador dele.
Os portugueses estão pessimistas quanto à sua situação económica e outro inquérito revela que julgam justificado esse pessimismo.Creio, de facto, que o keynesianismo da trolha já não enstusiasma ninguém e que as "grandes obras" não apenas não suscitam a adesão ingénua de outros tempos quanto é cada vez maior o número daqueles que, por razões várias, as questionam. Entretanto, neste país deprimido, pessimista e abatido, cheio de desempregados sem esperança, o Primeiro-Ministro resolveu ir passear três semanas para o Quénia.
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

Alberto Caeiro