quinta-feira, agosto 04, 2005

35º C
Processo de cafrealização quase terminado, estou perto da pensée sauvage
(daqui a pouco devem começar a tornar-se inteligíveis alguns aspectos mais curiosos da vida nacional).

segunda-feira, agosto 01, 2005

Efeméride: as viagens para a praia, anos a fio, neste dia. Quando de combóio, mudança em Alfarelos.
A citação de Emerson no Impensavel faíscou aqui e relembrou-nos aquela magnífica passagem de Bloom.
Eu lembrei-me do Emerson - que por estes lados portugueses se lê pouco -através de uma das cartas de Proust, que era um admirador dele.
Os portugueses estão pessimistas quanto à sua situação económica e outro inquérito revela que julgam justificado esse pessimismo.Creio, de facto, que o keynesianismo da trolha já não enstusiasma ninguém e que as "grandes obras" não apenas não suscitam a adesão ingénua de outros tempos quanto é cada vez maior o número daqueles que, por razões várias, as questionam. Entretanto, neste país deprimido, pessimista e abatido, cheio de desempregados sem esperança, o Primeiro-Ministro resolveu ir passear três semanas para o Quénia.
Leve, leve, muito leve,
Um vento muito leve passa,
E vai-se, sempre muito leve.
E eu não sei o que penso
Nem procuro sabê-lo.

Alberto Caeiro

domingo, julho 31, 2005

Creio que já tinha falado de Churchill e da sua opção de resistir e lutar.
Hoje interrogar-nos-iamos ainda sobre os perigos dessa luta: podia-se lutar contra o nazismo mantendo-se a democracia? A opção pela guerra representava quantas mortes em ataques alemães que uma negociação evitaria? E etc, etc.

O interessante - embora dado habitual - é que os mais preocupados com a democracia e a sua preservação foram, geralmente, partidários activos das ditaduras do leste europeu , defenderam tais regimes e consideravam-nos, até, "avanços" em direcção ao futuro.
E pensam que a gente não tem memória.
O après-dîner acabou, saíram agora, e passei por "aqui" a caminho da cama.
Da leitura de interrogações - e doutas, algumas - sobre o comportamento da polícia londrina fica-me cada vez mais a sensação de que a certeza (agora pacifica - e rectrospectiva) de Churchill sobre a atitude a tomar por alturas da 2ª Guerra Mundial seria hoje uma incerta, rude, primária e atoleimada certeza de gente inculta, conflituosa e bulhenta. Tudo, mas tudo, menos a óbvia única coisa a fazer que hoje nos parece ter sido.
(Não era, no entanto, a "única" coisa a fazer, podiam ter capitulado, ou negociado com os nazis e os seus então aliados comunistas.)

sexta-feira, julho 29, 2005

Quase a bonança: partiram os barulhos, tudo está quase pronto e no silêncio das coisas já feitas.
Mas, "para depois das férias" ficaram algumas pequenas coisas para fazer que, estou quase certo, se transformarão, a seu tempo, em pequeninos entraves desagradáveis.

quinta-feira, julho 28, 2005

Martelos pneumáticos por todo o lado. Serve de consolo o estar fresco e a esperança de que o pior já tenha passado (frase audaz, já que ainda há pouco furaram inadvertidamente um tubo e uma pequena cascata cor de ferrugem escorreu pela parede acabada de pintar).

segunda-feira, julho 25, 2005

Seca extrema e incêndios.
Hoje, o céu está nublado, talvez chova um pouco. Num telejornal, entrevista com a proprietária de um café de praia, sobre os prejuízos cuasados pelo "mau" tempo. Noutro lado, era com optimismo que se prometiam melhorias, isto é, o regresso da seca e da canícula.
Que fazer desta gente apalermada que redige notícias? Que consistência de mau sorvete a daqueles cérebros!
Com gentalha assim não admira que o Dr. Soares seja a novidade da season.
O comissário espanhol Almunia fala da possibilidade de um processo de pobreza acelerada em Portugal. Depois da apreensão inicial, quase se simpatiza com a ideia, tanto mais que a pobreza purificada no crisol da perda faz ainda parte das nossas alquimias salvíficas que, ao contrário do resto do mundo, se não apoiam em felicidades e fins felizes por medo de tudo isso ser uma estafante coisa. A paralisia da miséria ancilosou-nos, moldou-nos o esqueleto à miséria e, por isso, tudo o resto nos dói.

domingo, julho 24, 2005

Domingo nublado. Choverá? Há dois meses que não cai uma gota de água.
Neura finis patrie a propósito do 24 de Julho e dias seguintes

sábado, julho 23, 2005

Ainda à volta da nova lei do arrendamento.
Cada vez mais será uma lei "fútil", já que grande parte dos actuais inquilinos são pessoas de idade. A gente mais nova foi empurrada para a compra de casa, com recurso a crédito. Políticas de habitação pouco terão a ver com a lei do arrendamento: a política de habitação está nas mãos dos bancos, do mercado e da crua lei das obrigações: quando as prestações deixarem de ser cumpridas, executa-se a hipoteca e... rua.
As famílias portuguesas estão sobreendividadas e os juros estão em mínimos históricos. Ou seja, se agora já há muitas situações de incumprimento dos empréstimos mais haverá quando os juros subirem, como não deixará de acontecer.
Nessa altura, talvez estejam reunidas as condições para que o governo se resolva a defrontar-se com a realidade e pense, então, numa lei do arrendamento a sério.
Ah!, parece que vão tentar obrigar arrendamento compulsivo, ou criar dificuldades a quem não queria gerir os seus bens de acordo com a vontade governamental. É muito desta gente.

Vou voltar para o meu sábado.

sexta-feira, julho 22, 2005

O governo sobrante resolveu dar largas ao kitsch das boas intenções na nova lei do arrendamento preparando-se para prover a todas as precisões dos inquilinos (mesmo as daqueles que têm confortáveis rendimentos e pagam algumas rendas-esmolas de poucas dezenas de euros por apartamentos imensos no centro de Lisboa). Ouvia isto enquanto à minha frente deparava com a notícia de que os leilões dos apartamentos executados pelos bancos aos proprietários por falta de pagamento eram uma boa oportunidade de comprar casa não muito cara. Os antigos donos, se ninguém os acolher, ficam na rua e a lei não os contempla com qualquer boa intenção legislativo-subsidiária. São apenas pobres e sem casa e estarão contemplados na rubrica "desemprego", realidade com que a gente que passa as tardes departamentais a brincar às legislações não sabe lidar.

O governo restante também está muito preocupado com a fuga de capitais. Diga-se, o que a notícia omitia, fuga ilícita de capitais ao fisco. Mas todos nós, nunca é demais dizê-lo, podemos fazer circular os nossos capitais, gordos ou magros sejam eles, através da compra de fundos internacionais, em bancos portugueses ou estrangeiros. Em todo o caso, longe das mãos desta gente (parece-me boa ideia).

quinta-feira, julho 21, 2005

quarta-feira, julho 20, 2005

Não fizeram nada, salvo algum helicóptero que tenham comprado ou outra bugiganga qualquer, não fizeram nada, sequer as medidas fáceis, populistas e populares de pôr o exército a patrulhar matas e pinhais. Nada! Depois é isto, esta tristeza desoladora e árida, esta ardente certidão de incompetência.

E eu, que podia estar nalgum lugar civilizado e fresco estou aqui, sei lá se "a ver". Como "eles" não faço nada. Mas o meu desejo absurdo de sofrer não afecta mais ninguém. É um fraco consolo, bem sei.

terça-feira, julho 19, 2005

O ser este blog oficialmente errático nestes tempos de calor e férias, não quer dizer que seja escasso.
No silêncio da tarde quente* lia as "Novelas do Minho" de Camilo e achei que devia deixar anotado no blog esta leitura, que me quero lembrar dela depois.

* os calores dos Junhos e Julhos dos meus tempos de criança eram silenciosos, calmos, no sossego das janelas semircerradas detinham-se as coisas todas naquelas horas.