segunda-feira, abril 04, 2005
O artigo de ontem (creio...) de Vasco Pulido Valente, no Público, sobre João Paulo II tem o brilhantismo habitual. Convirá, no entanto, lembrar que, neste caso, não houve reforma senão da memória e o Papa, que nasceu num país com um passado mártir, que viveu pessoalmente a barbárie nazi, primeiro, e, depois, a comunista, sentia o perigo deste tempo cosmético de agora, construído sobre o esquecimento da proximidade da barbárie, isto é, sobre o olvido da natureza humana.
domingo, abril 03, 2005
sábado, abril 02, 2005
Lembro-me, muito vagamente já, da morte de Paulo VI, um Papa que admirava e via sozinho, perto da morte, frágil, numa dolorosa incerteza sobre o destino da Igreja e do mundo. A sua morte, esperada, foi, no entanto, pelo menos para mim, jovem desatento, uma surpresa. E surpresa e choque para todos foi a morte do seu sucessor, João Paulo I.
Admirador de Paulo VI, no que nele me parecia o sofrimento na dúvida e da solidão, no desgosto, no desgosto mesmo pela sorte de amigos próximos como Aldo Moro, admirador de tal Papa, senti como quase "grosseiras" as certezas e convicções de João Paulo II. Mas hoje, ao lamentar a sua falta de saúde, não o faço por meramente me ter habituado ao novo "estilo", por força do hábito adquirido pela longa duração do pontificado, mas pela radicalidade austera das certezas que nos veio lembrar, a nós católicos - e ao mundo - devemos ter e que nos ensinou como a filhos e que esperou de nós como irmãos e iguais, sempre iguais: o acidental da condição humana (a riqueza ou a pobreza, a saúde ou a doença...) em nada nos exime, não é o que nos define: mesmo no extremo limite da sua persistência não somos nunca apenas isso, a nossa responsabilidadade perante Deus e os outros homens mantêm-se intacta - sempre.
Admirador de Paulo VI, no que nele me parecia o sofrimento na dúvida e da solidão, no desgosto, no desgosto mesmo pela sorte de amigos próximos como Aldo Moro, admirador de tal Papa, senti como quase "grosseiras" as certezas e convicções de João Paulo II. Mas hoje, ao lamentar a sua falta de saúde, não o faço por meramente me ter habituado ao novo "estilo", por força do hábito adquirido pela longa duração do pontificado, mas pela radicalidade austera das certezas que nos veio lembrar, a nós católicos - e ao mundo - devemos ter e que nos ensinou como a filhos e que esperou de nós como irmãos e iguais, sempre iguais: o acidental da condição humana (a riqueza ou a pobreza, a saúde ou a doença...) em nada nos exime, não é o que nos define: mesmo no extremo limite da sua persistência não somos nunca apenas isso, a nossa responsabilidadade perante Deus e os outros homens mantêm-se intacta - sempre.
terça-feira, março 29, 2005
Parabéns indesculpavelmente atrasados ao Contra a Corrente por mais um aniversário.
Embora a falta seja indesculpável, não se deixa de enviar, lampeiro, um pedido de desculpas...
Embora a falta seja indesculpável, não se deixa de enviar, lampeiro, um pedido de desculpas...
segunda-feira, março 28, 2005
quarta-feira, março 23, 2005
terça-feira, março 22, 2005
A propósito do "Medo de Existir" de Gil, leia-se Pascoaes "O bom senso nacional conciliou o culto divino e o maléfico. Deus e o Demónio são incompatíveis em toda a parte, excepto em Portugal.(...) Este bom senso deriva do nosso carácter espiritual e sensual. E eis a nossa comédia que se opõe, retemperando-o, ao trágico aspecto da nossa alma, dominada pelo Medo misterioso... Ao Medo, que é também o Demónio, prestamos um culto corruptor. No seu altar fantástico retine o cobre da nossa esmola..."
Linkaram este blog o Berra Boi, o Demonpoet, o Ávido e o Reflections, Reflections. A todos o Impensavel agradece, muito oobrigado.
segunda-feira, março 21, 2005
Folheei o "Portugal hoje, O medo de existir" de José Gil que tinha encomendado há mais de um mês e recebi hoje.
Entre observações sagazes, generalizações do provincianismo de Paris e arredores sobre o provincianismo de Lisboa e arredores (algumas delas, válidas para quaisquer outros arredores, a gente fica a pensar no porquê da sua atribuição a Portugal).
Mas lerei com atenção.
Entre observações sagazes, generalizações do provincianismo de Paris e arredores sobre o provincianismo de Lisboa e arredores (algumas delas, válidas para quaisquer outros arredores, a gente fica a pensar no porquê da sua atribuição a Portugal).
Mas lerei com atenção.
sábado, março 19, 2005
Algumas gotas de chuva e o artigo de VPV sobre a direita em Portugal. É, de facto, difícil ser conservador. E - isto é um supôr - volvendo ao século XIX parlamentar, não creio que lá haja nada de particularmente inspirador.
sexta-feira, março 18, 2005
A empregada telefonou há bocado a dizer que amanhã (hoje, sexta) não pode vir, que está com gripe, "que não se tem de pé". A voz pareceu-me deliberadamente débil, estudada para desencorajar qualquer tentativa entusiastica de a animar - "não nos devemos deixar ir a baixo por nadas. E até amanhã há-de melhorar! Cá a espero, não venha é tão cedo". Pode ser que sim, que esteja de facto engripada, mas não ponho de lado a possibilidade de uma ida ao noroeste brasileiro. De um modo ou outro, amanhã, roupa da cama para mudar. Uma seca!
quinta-feira, março 17, 2005
Ontem, uns senhores muito irritados a propósito das declarações do Doutor Victor Constâncio sobre as Scuts (acho que se escreve assim). Não percebo a irritação: ele é socialista e socialista é a maioria tão abundantemente eleita. E os socialistas sobem impostos. Esperavam outra coisa?
Por socialistas: o Dr. Mário Soares recebeu uma delegação do Herri Batasuma, o braço legal da ETA, organização terrorista. Houve protestos do partido popular europeu que, entre outras coisas, achou o acto pouco digno de um ex-presidente. Mas o Dr. Soares, quando era presidente , não resolveu visitar um foragido da justiça italiana, o ex-primeiro-ministro socialista Craxi, a meio de uma viagem oficial e usando para isso um avião ao serviço do estado português? As pessoas esquecem...
Por socialistas: o Dr. Mário Soares recebeu uma delegação do Herri Batasuma, o braço legal da ETA, organização terrorista. Houve protestos do partido popular europeu que, entre outras coisas, achou o acto pouco digno de um ex-presidente. Mas o Dr. Soares, quando era presidente , não resolveu visitar um foragido da justiça italiana, o ex-primeiro-ministro socialista Craxi, a meio de uma viagem oficial e usando para isso um avião ao serviço do estado português? As pessoas esquecem...
Apenas a mim tudo parece estar proíbido, mesmo o prazer triste de ler maus livros: confessei aqui ter passado os olhos pelo "Código Da Vinci" e logo o Vaticano, que até aqui tinha estado calado, achou ser chegada a altura de desaconselhar a leitura por o livro ser um "château de mésonges" li a notícia - poderia dizer, a admoestação - em francês. Percebi, de imediato, que a crítica me era dirigida e, escusada por tardia, apenas para me fazer sentir mal. Contrito, prometo não ler outros em iguais circunstâncias.
A reacção paterna do Vaticano se bem que algo assustadora, confirmou o que há tempos eu suspeitava: que tinha leitores - pelo menos um - na Cúria.
Muito agradeço, e sempre direi, Eminência, que "château de mésonges" é por demais majestoso para a obra a questão: pardieiro de vulgaridades seria mais adequado.
P.S.Para ralhos futuros lembro a Vª Eminência o uso do meu e-mail. Que não se alvoroce o mundo pelos meus pecadilhos, pelas minhas leviandades.
A reacção paterna do Vaticano se bem que algo assustadora, confirmou o que há tempos eu suspeitava: que tinha leitores - pelo menos um - na Cúria.
Muito agradeço, e sempre direi, Eminência, que "château de mésonges" é por demais majestoso para a obra a questão: pardieiro de vulgaridades seria mais adequado.
P.S.Para ralhos futuros lembro a Vª Eminência o uso do meu e-mail. Que não se alvoroce o mundo pelos meus pecadilhos, pelas minhas leviandades.
quarta-feira, março 16, 2005
De um bilhete de Proust e Paulo Morand:
"Tudo quanto posso dizer-lhe é que amanhã, sábado, irei provavelmente levantar-me, ou então depois de amanhã, domingo. Se eu me levantar amanhã, sábado, mandar-lhe-ei dizer que não poderei certamente levantar-me no domingo. Se amanhã, sábado, eu não me levantar (o que não quer dizer que não venha a fazê-lo, com certeza no domingo) ignoro se estarei em condições de me levantar no domingo..."
"Tudo quanto posso dizer-lhe é que amanhã, sábado, irei provavelmente levantar-me, ou então depois de amanhã, domingo. Se eu me levantar amanhã, sábado, mandar-lhe-ei dizer que não poderei certamente levantar-me no domingo. Se amanhã, sábado, eu não me levantar (o que não quer dizer que não venha a fazê-lo, com certeza no domingo) ignoro se estarei em condições de me levantar no domingo..."
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