Este blog apoia o Dr. Pedro Santana Lopes como primeiro-ministro de Portugal por duas razões: é a primeira a esperança de uma política mais liberal, isto é, menos ferozmente estatista; a segunda o pensar que, em geral, a vida nacional será mais divertida, menos dormente.
P.S. Andam já para aí, nos canais de televisão, nos jornais, até mesmo em blogs respeitáveis e sérios a clamar por eleições. Calar-me-ia, se as eleiçoes de agora ainda fossem divertidas. Não o sendo, posso dizer o que me vai na alma: que, em situação idêntica, em Inglaterra, não se convocariam eleições, já que o governo terá apoio no parlamento. Se acham que aqui é necessário, em nome da democracia, que haja eleições, pensam, por isso, mal. E não venham com distinções - inexistentes - entre direito constitucional e legitimidade: a legitimidade não é outra, numa democracia, senão a que emana da constituição.
sábado, junho 26, 2004
sexta-feira, junho 25, 2004
Não gosto de futebol, já disse, creio ser portador de um qualquer defeito no gene do gregarismo e padecer de déficit no neurotransmissor que se encarrega das identificações e dos símbolos, mas ontem, Senhores, por via do suspense, reencontrei essas alegrias que vulgarmente me estão vedadas. Creio mesmo que deve ter ocorrido um desregulamento grave já que me lembro de uns murmúrios tímidos, mas convictos, dirigidos a S. António.
Seria injusto não saudar o fair play dos ingleses.
Para eles, estas "frozzen italian flowers" de Quinn, "scanned" no Tate.
Seria injusto não saudar o fair play dos ingleses.
Para eles, estas "frozzen italian flowers" de Quinn, "scanned" no Tate.
quarta-feira, junho 23, 2004
Vantagens da incultura, poder partilhar do optimismo de Vargas Llosa ao invés de soçobrar perante o pessimismo de Steiner expresso na entrevista que o Almocreve transcreve e provocou as reflexões tristes de um marinheiro no exílio. E, julgo eu, injustificadas, tais como as de Steiner, onde descubro mais depressa o francês desgostoso com o colapso do poderoso "star system" da indústria cultural gaulesa do que o cosmopolita (é interessante, aliás, que a propósito do orçamento da Universidade de Harvard, de que há pouco tempo li ser superior ao do conjunto das universidades francesas Steiner - erroneamente, ao que tudo leva a supor - refira o "conjunto das universidades europeias"...)
Eu não sei o que se publica em Vilnius ou em Nápoles mas não tenho motivo para pensar que seja menos bom do que soía e o que Steiner informa sobre Cambridge é deveras animador para qualquer continente de tamanho médio.
Que um francês se sinta triste não me parece totalmente descabido. Que um marxista ou filo-marxista ou adepto dos micro-filo-marxismos-post-qualquer-coisa franceses se sinta triste, idem (afinal, como diz Steiner: "Después de todo, ¡qué hermoso sueño representaba el marxismo!" E prossegue:"Cuando hoy me dicen que ese sueño conducía necesariamente al gulag, respondo que semejante interpretación es demasiado simple, vulgar..." - Pois sim, digo eu, viva a vulgaridade!).
Desatulhe-se a Europa da decadência da França e do marxismo e do "néantismo" franceses e (eu, pelo menos, aqui desta província, assim o sinto) o panorama não é desanimador: uma Europa livre de tiranias e de ditaduras, onde, pela primeira vez em muitos anos, se vive em liberdade. Decadência?
(Ora então em Cambridge estuda-se a teoria do todo... Não sabia... Mesmo sem cafés? Onde é que aquela gente pensa?)
Eu não sei o que se publica em Vilnius ou em Nápoles mas não tenho motivo para pensar que seja menos bom do que soía e o que Steiner informa sobre Cambridge é deveras animador para qualquer continente de tamanho médio.
Que um francês se sinta triste não me parece totalmente descabido. Que um marxista ou filo-marxista ou adepto dos micro-filo-marxismos-post-qualquer-coisa franceses se sinta triste, idem (afinal, como diz Steiner: "Después de todo, ¡qué hermoso sueño representaba el marxismo!" E prossegue:"Cuando hoy me dicen que ese sueño conducía necesariamente al gulag, respondo que semejante interpretación es demasiado simple, vulgar..." - Pois sim, digo eu, viva a vulgaridade!).
Desatulhe-se a Europa da decadência da França e do marxismo e do "néantismo" franceses e (eu, pelo menos, aqui desta província, assim o sinto) o panorama não é desanimador: uma Europa livre de tiranias e de ditaduras, onde, pela primeira vez em muitos anos, se vive em liberdade. Decadência?
(Ora então em Cambridge estuda-se a teoria do todo... Não sabia... Mesmo sem cafés? Onde é que aquela gente pensa?)
segunda-feira, junho 21, 2004
domingo, junho 20, 2004
sábado, junho 19, 2004
"A menos que se tenha muito dinheiro não vale a pena ser uma pessoa encantadora" avisa Oscar Wilde, mas daqui não se segue que, pobres, estejamos condenados à antipatia militante. Wilde apenas convida os mais pobres a serem "práticos e prosaicos". Não era uma maldição ontem e, hoje, a vitória das classes médias tornou aquelas qualidades quase conciliáveis: pode-se ser prático, prosaico e encantador, já que o "charme" - ou alguns elementos dele - se tornou um produto da classe média. Mas, tal como aqueles produtos mais acessíveis dos grandes joalheiros, o que se usa por aí não é "the real thing".
quinta-feira, junho 17, 2004
"Refletir"
Não sei se é pela leitura do português d'outre mer. O certo é que dou, hoje em dia, erros de palmatória que, há algum tempo, consideraria impensáveis. Preocupado, confidenciei o medo de uma Alzheimer a pessoa proba, douta e de rigorosa ortografia. Fiquei siderado com a resposta: "também a mim, também a mim acontece" e atribuiu a proprensão para o dislate às telenovelas, à legendagem, aos jornais, todos eles de tal modo repletos de calinadas que é difícil evitar a má influência.
Seja. Mas não deixa de ser humilhante, para qualquer pessoa que concluiu a antiga qurta classe na escola primária, aluno de zero erros a ditado, esta conspurcação ortográfica. Lembro-me de uma vez ter escrito "gaz" por gás. Quando vi marcado o erro, protestei, mantive que se escrevia com "z". Era com "s". Mas a origem do erro era nobilíssima: era a grafia que tinha visto nas velhas edições de Eça. Explicado o erro, não deixei de ser admoestado e aconselharam-me cuidado com as grafias antigas.
E, agora, escrevo "refletido" e só dou conta da asneira um dia depois...
Não sei se é pela leitura do português d'outre mer. O certo é que dou, hoje em dia, erros de palmatória que, há algum tempo, consideraria impensáveis. Preocupado, confidenciei o medo de uma Alzheimer a pessoa proba, douta e de rigorosa ortografia. Fiquei siderado com a resposta: "também a mim, também a mim acontece" e atribuiu a proprensão para o dislate às telenovelas, à legendagem, aos jornais, todos eles de tal modo repletos de calinadas que é difícil evitar a má influência.
Seja. Mas não deixa de ser humilhante, para qualquer pessoa que concluiu a antiga qurta classe na escola primária, aluno de zero erros a ditado, esta conspurcação ortográfica. Lembro-me de uma vez ter escrito "gaz" por gás. Quando vi marcado o erro, protestei, mantive que se escrevia com "z". Era com "s". Mas a origem do erro era nobilíssima: era a grafia que tinha visto nas velhas edições de Eça. Explicado o erro, não deixei de ser admoestado e aconselharam-me cuidado com as grafias antigas.
E, agora, escrevo "refletido" e só dou conta da asneira um dia depois...
quarta-feira, junho 16, 2004
O deputado Paulo Pedroso afirmou: «Apenas peço uma coisa ao sistema de justiça, que este sofrimento tenha algum sentido e se reflicta numa melhoria para o futuro de modo a que outras pessoas não passem pelo mesmo»
Conviria que o senhor deputado também reflectisse e propusesse, como pode e deve, a reforma urgente do código de processo penal.
Conviria que o senhor deputado também reflectisse e propusesse, como pode e deve, a reforma urgente do código de processo penal.
Num hospital de província o adolescente aborrecido contempla os 4 ou 5 dias que ainda tem de lá permanecer. Alguém sugere que veja televisão. Há uma televisão no serviço, doada aos doentes pela Liga de Amigos do Hospital. A televisão, porém, está no gabinete das enfermeiras, que objectam à sua utilização por um doente, que precisam dela, dizem. Acabam por contemporizar, se for por pouco tempo.
O fundo do poço.
O fundo do poço.
Referia-me um expatriado, apanhado em pleno pecado de visita ao torrão pátrio, que não se lembrava já da enorme quantidade de palavrões audível aqui em qualquer local público.
"Mesmo em NY?" - perguntei eu. Que nem mesmo em NY, ou Los Angeles.
Foi isto no Domingo à tarde, zumbia o calor e o tédio. Deu-me para pasmar mas nem o pasmo me aliviou das inclemências da estiagem e de ter de as sofrer aqui, no fundo do poço da civilidade mundial. Rai's partam a caloraça.
"Mesmo em NY?" - perguntei eu. Que nem mesmo em NY, ou Los Angeles.
Foi isto no Domingo à tarde, zumbia o calor e o tédio. Deu-me para pasmar mas nem o pasmo me aliviou das inclemências da estiagem e de ter de as sofrer aqui, no fundo do poço da civilidade mundial. Rai's partam a caloraça.
domingo, junho 13, 2004
Declaração de princípio, meio e fim
Não gosto de futebol, nunca gostei, creio que nunca virei a gostar e muito menos fingirei que gosto.
Não gosto.
Julgo o actual campeonato em Portugal, nos moldes em que foi organizado, uma aberração de uma prodigiosa ( e pródiga) insensatez.
Que a equipe da federação portuguesa de futebol perca ou ganhe é-me indiferente, ou quase indiferente: quando perde há menos barulho, menos ululância sebastianista, e eu gosto de sossego. Acabo por preferir, por esse motivo, que não ganhe.
Tempos houve, de maior ingenuidade minha, em que, fiado no poder da humilhação, teria esperança que as derrotas levassem a um arrepiar de caminho, à recuperação de juízo.
Agora, apenas quero paz e sossego.
Não gosto de futebol, nunca gostei, creio que nunca virei a gostar e muito menos fingirei que gosto.
Não gosto.
Julgo o actual campeonato em Portugal, nos moldes em que foi organizado, uma aberração de uma prodigiosa ( e pródiga) insensatez.
Que a equipe da federação portuguesa de futebol perca ou ganhe é-me indiferente, ou quase indiferente: quando perde há menos barulho, menos ululância sebastianista, e eu gosto de sossego. Acabo por preferir, por esse motivo, que não ganhe.
Tempos houve, de maior ingenuidade minha, em que, fiado no poder da humilhação, teria esperança que as derrotas levassem a um arrepiar de caminho, à recuperação de juízo.
Agora, apenas quero paz e sossego.
Dia de Santo António de Lisboa
Santo e Doutor da Igreja
Responso
Se milagres desejais
Recorrei a Santo António
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais
Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram
Digam-no aqueles que o viram
E digam-no os paduanos
Recupera-se o perdido...
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são
Recupera-se o perdido...
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo
Recupera-se o perdido...
Rogai por nós, Santo António
Podíamos pedir a Santo António que nos encontrasse o juízo, mas creio que até para o Taumaturgo seria tarefa difícil.
Santo e Doutor da Igreja
Responso
Se milagres desejais
Recorrei a Santo António
Vereis fugir o demónio
E as tentações infernais
Recupera-se o perdido
Rompe-se a dura prisão
E no auge do furacão
Cede o mar embravecido
Todos os males humanos
Se moderam, se retiram
Digam-no aqueles que o viram
E digam-no os paduanos
Recupera-se o perdido...
Pela sua intercessão
Foge a peste, o erro, a morte
O fraco torna-se forte
E torna-se o enfermo são
Recupera-se o perdido...
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo
Recupera-se o perdido...
Rogai por nós, Santo António
Podíamos pedir a Santo António que nos encontrasse o juízo, mas creio que até para o Taumaturgo seria tarefa difícil.
sexta-feira, junho 11, 2004
quinta-feira, junho 10, 2004
Camões dirige-se aos seus contemporâneos
Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.
Jorge de Sena
Podereis roubar-me tudo:
as ideias, as palavras, as imagens,
e também as metáforas, os temas, os motivos,
os símbolos, e a primazia
nas dores sofridas de uma língua nova,
no entendimento de outros, na coragem
de combater, julgar, de penetrar
em recessos de amor para que sois castrados.
E podereis depois não me citar,
suprimir-me, ignorar-me, aclamar até
outros ladrões mais felizes.
Não importa nada: que o castigo
será terrível. Não só quando
vossos netos não souberem já quem sois
terão de me saber melhor ainda
do que fingis que não sabeis,
como tudo, tudo o que laboriosamente pilhais,
reverterá para o meu nome. E mesmo será meu,
tido por meu, contado como meu,
até mesmo aquele pouco e miserável
que, só por vós, sem roubo, haveríeis feito.
Nada tereis, mas nada: nem os ossos,
que um vosso esqueleto há-de ser buscado,
para passar por meu. E para outros ladrões,
iguais a vós, de joelhos, porem flores no túmulo.
Jorge de Sena
domingo, junho 06, 2004
O presidente de França declarou-a, nas cerimónias do Dia D, "éternelle et combatante"
Fica-se a saber que o laicismo republicano crê na vida eterna. Crendices laicas...
Quanto ao "combatante", não deixei de me deliciar: se a republique française não tivesse capitulado, sem combate e sem honra, perante as tropas alemãs, talvez o "dia D" nunca tivesse sido necessário.
Fica-se a saber que o laicismo republicano crê na vida eterna. Crendices laicas...
Quanto ao "combatante", não deixei de me deliciar: se a republique française não tivesse capitulado, sem combate e sem honra, perante as tropas alemãs, talvez o "dia D" nunca tivesse sido necessário.
sábado, junho 05, 2004
Durante semanas acumulei em cima de uma cadeira livros, muita correspondência e papelada anónima que fui prometendo a mim mesmo arrumar. Ontem, tudo desabou. Há agora, no chão, um monte de papelada (em parte oculta por um sofá). Tempos atrás seria este o sinal para começar, de imediato, a metódica arrumação de tudo. Desta vez, porém, o pequeno montículo eriçado de caos impresso lá continua. Devo ter ultrapassado uma qualquer barreira moral, perdido que foi, sem me aperceber, um último escrúpulo. Que abismo invoco?
Subscrever:
Mensagens (Atom)