Passei rapidamente, o sono urgia.
Mas parece-me que é um blog e seguir com atenção
Amanhã - logo - vou ver melhor o Fogo Grego.
quinta-feira, fevereiro 19, 2004
terça-feira, fevereiro 17, 2004
À tarde descobri que não tinha selos e fui comprá-los a um daqueles postos de correio automáticos. Este fica logo ali, depois do jardim. Quando virei a esquina, vi o painel dos selos aberto e embrenhado nas parcas entranhas deixadas a descoberto, uma criatura de ar apavorado e infeliz. Perguntei, amável, se iria demorar muito. Ele, que na mão esquerda empunhava uma folhinha A4 com meia dúzia de linhas de instruções, respondeu-me que sim. "Uhm", murmurei eu, com um ar contrariado, "mas é difícil"? Que sim, novamente. Resolvi esperar, sem pressa que estava. Durante cinco minutos olhou aquele papel, que eu fui lendo em olhadelas furtivas. Pareceram-me as instruções pristinas. Eu julgara antes, por um ar que julguei de enfado, que o homenzinho seria um céptico das modernices que, obrigado a conviver, a tratar com elas, exibia o mesmo ar que um marceneiro ateu convicto poria se lhe destinassem como tarefa a amorosa restauração da estátua dos Três Pastorinhos.
Não se tratava disso, porém. O que estava à vista era o que não via há muito, em grau tão elevado de pureza: a velha e simpática burrice, de cara lavada, sem disfarces nem arrebiques, apenas levemente tímida e tristonha.
Comovi-me, desejei bom trabalho, murmurei mesmo algumas coisas sobre "estas coisas que estão sempre avariadas" e pus-me a caminho do correio, imerso na memória das pessoas burras da minha infância, de uma burrice simples e bondosa,um pouco acanhada, e de quem tanto gostei: criadas velhas, um ou outro colega de escola, aquela velha parenta que nunca ouvia bem.
Os selos lá aumentaram outra vez. Não sei onde iremos parar...
Não se tratava disso, porém. O que estava à vista era o que não via há muito, em grau tão elevado de pureza: a velha e simpática burrice, de cara lavada, sem disfarces nem arrebiques, apenas levemente tímida e tristonha.
Comovi-me, desejei bom trabalho, murmurei mesmo algumas coisas sobre "estas coisas que estão sempre avariadas" e pus-me a caminho do correio, imerso na memória das pessoas burras da minha infância, de uma burrice simples e bondosa,um pouco acanhada, e de quem tanto gostei: criadas velhas, um ou outro colega de escola, aquela velha parenta que nunca ouvia bem.
Os selos lá aumentaram outra vez. Não sei onde iremos parar...
segunda-feira, fevereiro 16, 2004
Na sexta-feira passada fiz viagem de Lisboa para aqui. Santa Apolónia deserta, o combóio quase. Li o jornal e, do corredor, espreitei a lezíria.
Depois, nessa noite, já chegado e livre do eu viajante, vi nos mails o convite da Amazon.fr para comprar o último livro do Comte-Sponville "sur le capitalisme". Comprarei, em princípio. Idem, quanto ao "Reading after theory" da Valentine Cunningham. Compras pouco sensatas: ao jantar - pelo menos onde janto - não se fala da moralidade do capitalismo ou de teoria da literatura. Por isso, tenho de comprar umas memórias, ou alguma coisa sobre viagens para os jantares da primavera e do verão. Vi, no outro dia, um livro sobre as do Rei D. Pedro V. Na próxima ida a Lisboa irei investigar se tem algum préstimo para os tempos mortos a meio da entrada, quando o elogio da salada soa a falso e já se disse tudo sobre o sorvete de espinafres.
Depois, nessa noite, já chegado e livre do eu viajante, vi nos mails o convite da Amazon.fr para comprar o último livro do Comte-Sponville "sur le capitalisme". Comprarei, em princípio. Idem, quanto ao "Reading after theory" da Valentine Cunningham. Compras pouco sensatas: ao jantar - pelo menos onde janto - não se fala da moralidade do capitalismo ou de teoria da literatura. Por isso, tenho de comprar umas memórias, ou alguma coisa sobre viagens para os jantares da primavera e do verão. Vi, no outro dia, um livro sobre as do Rei D. Pedro V. Na próxima ida a Lisboa irei investigar se tem algum préstimo para os tempos mortos a meio da entrada, quando o elogio da salada soa a falso e já se disse tudo sobre o sorvete de espinafres.
sábado, fevereiro 14, 2004
O Miniscente, que também já há muito pertence ao rol dos visitados, passou a indicar este "blog" na sua lista.
O Impensavel agradece, obrigado, e promete em breve* reparar a injustiça da omissão do Miniscente na sua lista.
* é que, "acrescentar a lista" pode revelar-se uma tarefa desmoralizante para o autor deste blog. Entenda-se o "em breve" à luz destes factos.
O Impensavel agradece, obrigado, e promete em breve* reparar a injustiça da omissão do Miniscente na sua lista.
* é que, "acrescentar a lista" pode revelar-se uma tarefa desmoralizante para o autor deste blog. Entenda-se o "em breve" à luz destes factos.
quarta-feira, fevereiro 11, 2004
Envelhecer talvez seja, também, isto: perceber que fazemos parte deste soluto de sol e azul - ou do vago cinza dos dias chuvosos - aceitar com gosto que somos uma partícula em suspensão; e libertarmo-nos da natureza saturada e indissolúvel da juventude, da solidez do precipitado.
É um estoicismo de segunda mão, bem o sei, mas o dia está bonito, quero estar ao sol.
É um estoicismo de segunda mão, bem o sei, mas o dia está bonito, quero estar ao sol.
sábado, fevereiro 07, 2004
Hoje, quando abri o computador, fui recebido por uma mensagem de erro grave. O windows superou a situação mas o "informático" a quem telefonei a bradar por auxílio pôs um ar grave e circunspecto.
Além de, na semana que vem, ter de estar longe do pc por um ou dois dias, há esta novidade.
Por isso, se o Impensado for muito intermitente nos próximos dias, peço à minha meia dúzia de leitores que compreenda que não é minha a culpa pelo tremeluzir do blog.
Além de, na semana que vem, ter de estar longe do pc por um ou dois dias, há esta novidade.
Por isso, se o Impensado for muito intermitente nos próximos dias, peço à minha meia dúzia de leitores que compreenda que não é minha a culpa pelo tremeluzir do blog.
sexta-feira, fevereiro 06, 2004
"Aproveitar o bom tempo" escrevi há pouco. É mais complicado do que parece, exige disposição, tempo, esforço. Um passeata pelo jardim a horas de expediente transforma-me em criado grave da culpa, num seu mero acompanhante: "devia era estar a trabalhar" ou "não fiquei de enviar um fax ao outro?". É nisto que consiste - para quem não é uma alma superior - aproveitar o bom tempo: sentir-se culpado, acabrunhar-se a gente por estar de grenha à brisa cálida. Quem acaba por gozar o passeio e o bom tempo é a culpa, "herself", não a gente. Eu acabo prostrado, no sofá, à noite, aflito pelo que não fiz. E tudo isto por causa de um céu Alma Tadema, quase kitsch, de três magras florinhas no relvado mal aparado e de um ar morno e mole, dolente.
O bom tempo, aquele de que eu sempre gostei é o do Inverno, estático e cinzento azulado, ou azul mas muito frio. A gente espreita do gabinete, ouve rugir o vento nordeste, aumenta o aquecimento e continua a trabalhar. E se não fazemos nada, não temos culpa, é do frio, a electricidade está fraca, o aquecimento uma miséria, "tenho a impressão que estou com febre, vou mas é beber um chá quente". Totalmente indolor.
Este entusiamo deste ano por esta proto-primavera, pfff... estou é com um acesso grave de mau gosto, alguma forma rara de de febre-dos-fenos.
O bom tempo, aquele de que eu sempre gostei é o do Inverno, estático e cinzento azulado, ou azul mas muito frio. A gente espreita do gabinete, ouve rugir o vento nordeste, aumenta o aquecimento e continua a trabalhar. E se não fazemos nada, não temos culpa, é do frio, a electricidade está fraca, o aquecimento uma miséria, "tenho a impressão que estou com febre, vou mas é beber um chá quente". Totalmente indolor.
Este entusiamo deste ano por esta proto-primavera, pfff... estou é com um acesso grave de mau gosto, alguma forma rara de de febre-dos-fenos.
quinta-feira, fevereiro 05, 2004
O Rua da Judiaria "linkou" o Impensavel, que agradece.
Tenho perguntas a pôr, curiosidades a satisfazer, mas que pedem outro estado de espírito que não esta espécie de vacuidade, de amolecimento cerebral a que me reduz o tempo ameno.
Tenho perguntas a pôr, curiosidades a satisfazer, mas que pedem outro estado de espírito que não esta espécie de vacuidade, de amolecimento cerebral a que me reduz o tempo ameno.
terça-feira, fevereiro 03, 2004
segunda-feira, fevereiro 02, 2004
Ontem, 1º de Fevereiro, passaram 96 anos sobre o assassínio do Rei D. Carlos I e de seu Filho, o Príncipe D. Luís Filipe.
O assassinato não foi um acto isolado de um louco. Havia quem, por entre a "élite" intelectual republicana pensasse tratar-se de um acto necesssário e o homicídio do Monarca era pedido e instigado de forma quase aberta na imprensa.
O assassínio do Rei e do Príncipe Herdeiro abriu as portas à república, dois anos depois, e que deu o que de todos está à vista.
O Sobreiro, pastel sobre cartão, 1905, El-Rei D. Carlos I
O assassinato não foi um acto isolado de um louco. Havia quem, por entre a "élite" intelectual republicana pensasse tratar-se de um acto necesssário e o homicídio do Monarca era pedido e instigado de forma quase aberta na imprensa.
O assassínio do Rei e do Príncipe Herdeiro abriu as portas à república, dois anos depois, e que deu o que de todos está à vista.
O Sobreiro, pastel sobre cartão, 1905, El-Rei D. Carlos I
Sexta-Feira, desci até ao Rato, daí ao Príncipe Real e continuei pela D. Pedro V até ao Chiado. Espreitei antiquários e alfarrabistas, uma loja que noutros tempos se chamaria de "utilidades", ignorei as livrarias, mesmo a Sá da Costa e lanchei numa esplanada nas adjacências do Rossio. Depois, de táxi até Santa Apolónia. Comprei o bilhete e apanhei um combóio, mas acabei por sair na "Gare do Oriente" (que gostaria se chamasse antes Estação Oriental ou Estação do Oriente, se é essa rebuscada construção ocidental que com tal nome se quis homenagear). Na Bertrand do "Vasco da Gama" vi os livros. Comprei um policial que comecei a ler na viagem e ainda não acabei. E não acabarei esta noite: tenho sono e à terceira ou quarta página adormecerei.
P.S. Os alfarrabistas estavam desertos. E as livrarias. Na Vista Alegre mais gente, alguns estrangeiros.
P.S. Os alfarrabistas estavam desertos. E as livrarias. Na Vista Alegre mais gente, alguns estrangeiros.
sábado, janeiro 31, 2004
quinta-feira, janeiro 29, 2004
O Bomba Inteligente linkou o Impensavel nos seus blogs.
O Impensavel, velho frequentador do Bomba Inteligente, agradece, honrado, a "linkagem" que o faz sentir-se mais "em casa".
O Impensavel, velho frequentador do Bomba Inteligente, agradece, honrado, a "linkagem" que o faz sentir-se mais "em casa".
sábado, janeiro 24, 2004
A endorreia não é uma doença venérea.
A endorreia é um abuso, não de prazeres, mas de gerúndios - se bem que o prazer, mesmo o mais momentâneo, seja, em si, uma espécie de gerúndio, uma perífrase bem sucedida (que se não veja aqui uma adesão ao ideário barroco, ou ao "rocaille minimal" tão em voga).
Voltemos ao abuso do gerúndio. Refiro-me a frases destas, transcritas do magnífico "Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa" de Magnus Bergstrom e Neves Reis - "«os jornalistas vêm-se ocupando, ultimamente, de assuntos económicos» ou «os cientistas vêm meditando problemas transcendentes»". Acrescentam os autores: "Estas locuções absolutamente condenáveis - a minha edição é já antiga - ofendem a índole da nossa língua. Para as tornar correctas, basta escrevê-las: - Os jornalistas têm-se ocupado (...) de assuntos económico - Os cientistas modernos estão meditanto problemas transcendentes."
À atenção dos senhores bloguistas e público em geral.
Aproveita-se o ensejo para anunciar que na próxima semana este blog sofrerá intermitências por motivo de deslocação à capital do seu autor.
A endorreia é um abuso, não de prazeres, mas de gerúndios - se bem que o prazer, mesmo o mais momentâneo, seja, em si, uma espécie de gerúndio, uma perífrase bem sucedida (que se não veja aqui uma adesão ao ideário barroco, ou ao "rocaille minimal" tão em voga).
Voltemos ao abuso do gerúndio. Refiro-me a frases destas, transcritas do magnífico "Prontuário Ortográfico e guia da língua portuguesa" de Magnus Bergstrom e Neves Reis - "«os jornalistas vêm-se ocupando, ultimamente, de assuntos económicos» ou «os cientistas vêm meditando problemas transcendentes»". Acrescentam os autores: "Estas locuções absolutamente condenáveis - a minha edição é já antiga - ofendem a índole da nossa língua. Para as tornar correctas, basta escrevê-las: - Os jornalistas têm-se ocupado (...) de assuntos económico - Os cientistas modernos estão meditanto problemas transcendentes."
À atenção dos senhores bloguistas e público em geral.
Aproveita-se o ensejo para anunciar que na próxima semana este blog sofrerá intermitências por motivo de deslocação à capital do seu autor.
Do furor adjectivo, das impressões fugazes, do mais descabelado achismo cansados e fartos busque-se consolação em "posts" como o do Almocreve das Petas sobre os Painéis, de ontem, 23 de Janeiro. Alerta e corrrige de forma bem-educada, que acaba por constituir um desafio amável e de incentivo à leitura, e educativa - explana fundamentadamente e, no fim, oferece a bibliografiazinha... - completa, ou se não o está, muito perto de o estar.
Mais do que isto, só disponibilizar-se a emprestar os livros e mandar levá-los lá a casa...
Desecessário Post-scriptum mas, em Portugal, necessário, pelo usual que é o elogio conter uma zona de penumbra onde, por mal e bem entendidos, se aproveita para cortar nas casacas de terceiros: o post do Rua da Judiaria reúne os elementos necessários para ser excluído dos achismos e impressionimos que lastimava.
Mais do que isto, só disponibilizar-se a emprestar os livros e mandar levá-los lá a casa...
Desecessário Post-scriptum mas, em Portugal, necessário, pelo usual que é o elogio conter uma zona de penumbra onde, por mal e bem entendidos, se aproveita para cortar nas casacas de terceiros: o post do Rua da Judiaria reúne os elementos necessários para ser excluído dos achismos e impressionimos que lastimava.
Encontrei um livro de poemas de Pessanha que já nem sabia que tinha.
Imagens que passais pela retina
Dos meus olhos, por que não vos fixais?
Que passais como água cristalina
Por uma fonte para nunca mais!...
Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncais,
E o vago medo angustioso domina,
- Por que ides sem mim, não me levais?
Sem vós o que são o meus olhos abertos?
- o espelho inútil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos
Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão causal dos meus dedos incertos
- Estranha sombra em movimentos vãos
Camilo Pessanha
Imagens que passais pela retina
Dos meus olhos, por que não vos fixais?
Que passais como água cristalina
Por uma fonte para nunca mais!...
Ou para o lago escuro onde termina
Vosso curso, silente de juncais,
E o vago medo angustioso domina,
- Por que ides sem mim, não me levais?
Sem vós o que são o meus olhos abertos?
- o espelho inútil, meus olhos pagãos!
Aridez de sucessivos desertos
Fica sequer, sombra das minhas mãos,
Flexão causal dos meus dedos incertos
- Estranha sombra em movimentos vãos
Camilo Pessanha
quarta-feira, janeiro 21, 2004
A propósito da National Gallery assisti, num documentário, a uma conversa interessante e elucidativa entre o seu director de então, Neil Macgregor - hoje director do British Museum - e Bernard Pivot do "Apostrophes" e do "Bouillon de Culture".
Desde logo, o percurso de MacGregor, pouco usual na Europa continental e menos ainda na românica: advogado de renome na Grã-Bretanha, MacGregor descobriu que a advocacia não lhe interessava o bastante, ou interessava-lhe menos que as artes. Deixou toda a sua vida profissional passada e resolveu dedicar-se apenas à arte, seguindo o hábito inglês tão incompreendido, de fazer o que gostava, de trabalhar no seu hobby. Passado pouco tempo era o director da National Gallery e foi lá e nessa qualidade que Pivot o entrevistou.
A National Gallery tem, como muitos museus britânicos, entrada libre. MacGregor explicou a razão: o pagamento afastaria muitos frequentadores que dispõem de pouco tempo para visitar museus: quem, num intervalo de almoço, tivesse 20 minutos disponíveis, não pagaria um bilhete por tão pouco tempo. Sendo grátis, as pessoas podem entrar - e entram - nem que seja por 10 minutos ou para verem uma única obra. O preço do bilhete constituia um barreira que impedia muita gente de entrar dessa forma casual no Museu e foi esse entrave que foi removido. Aliás, acrescentou MacGregor, as obras de arte são pertença do povo britânico, e é, por isso, muito natural que não tenham de pagar para as ver.
Pivot, que parecia um pouco perdido tão longe da pátria, já tinha estranhado o francês impecável de Macgregor, mais estranhou que isso acontecesse numa monárquia e que não fosse assim na republique française... Não sei o que pensou MacGregor daquele disparate tremendo, mas o seu silêncio amável e polido, por muito que quisesse disfarçar, foi eloquente...
Muito educadamente, não explicou que tal respeito pelo público não derivaria tanto da forma da chefia do estado, mas da democracia. E que, em questão de democracia a republique française em nada se podia comparar com a democracia da monarquia inglesa. Penso que Pivot também percebeu que deveria ter ficado calado...
Desde logo, o percurso de MacGregor, pouco usual na Europa continental e menos ainda na românica: advogado de renome na Grã-Bretanha, MacGregor descobriu que a advocacia não lhe interessava o bastante, ou interessava-lhe menos que as artes. Deixou toda a sua vida profissional passada e resolveu dedicar-se apenas à arte, seguindo o hábito inglês tão incompreendido, de fazer o que gostava, de trabalhar no seu hobby. Passado pouco tempo era o director da National Gallery e foi lá e nessa qualidade que Pivot o entrevistou.
A National Gallery tem, como muitos museus britânicos, entrada libre. MacGregor explicou a razão: o pagamento afastaria muitos frequentadores que dispõem de pouco tempo para visitar museus: quem, num intervalo de almoço, tivesse 20 minutos disponíveis, não pagaria um bilhete por tão pouco tempo. Sendo grátis, as pessoas podem entrar - e entram - nem que seja por 10 minutos ou para verem uma única obra. O preço do bilhete constituia um barreira que impedia muita gente de entrar dessa forma casual no Museu e foi esse entrave que foi removido. Aliás, acrescentou MacGregor, as obras de arte são pertença do povo britânico, e é, por isso, muito natural que não tenham de pagar para as ver.
Pivot, que parecia um pouco perdido tão longe da pátria, já tinha estranhado o francês impecável de Macgregor, mais estranhou que isso acontecesse numa monárquia e que não fosse assim na republique française... Não sei o que pensou MacGregor daquele disparate tremendo, mas o seu silêncio amável e polido, por muito que quisesse disfarçar, foi eloquente...
Muito educadamente, não explicou que tal respeito pelo público não derivaria tanto da forma da chefia do estado, mas da democracia. E que, em questão de democracia a republique française em nada se podia comparar com a democracia da monarquia inglesa. Penso que Pivot também percebeu que deveria ter ficado calado...
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