A semana atarefada e a Cidade e as Serras em segundo plano...
Lamento-me - ocupação em que gasto algumas horas que, de outro modo, seriam de puro aborrecimento.
Mas o Jacinto... Melhor, a mãe dele: creio que Eça, pura e simplesmente se esqueceu dela...
O pai, o Cintinho, morre meses antes de ele nascer. Da mãe, fora o necessário para a situar na comunidade miguelista emigrada em Paris, nem uma palavra. Nem sequer morre, o termo mais indicado para descrever a sua sorte parece-me ser o utilizado na pintura novecentista para os longes do céu e do tempo: azula.
É a avó D. Angelina, não a mãe de Jacinto, a figura tutelar do 202. É a ela que cabe a decisão, motivada pelos achaques da idade, de não voltar a Portugal. Talvez aqui resida um motivo para Teresinha azular, mas no lo creo.
Seja como for e por que motivo for, Jacinto é o mais póstumo dos heróis ecianos.
(Está um temporal desfeito, capaz de fazer esvoaçar telhas... Vou para a cama. Uhm.. parece-me que Pinho Leal refere, por diversas vezes, grandes temporais em Outubro. Outras vezes, porém, é um mês calmo e pacífico. Vá-se lá saber...)
sexta-feira, outubro 31, 2003
quarta-feira, outubro 29, 2003
O Anarcoconservador, um novo blog amável, dos meus lados, linkou o Impensavel. Agradece-se, cumprimenta-se, retribui-se.
Ou assim como assim, escrevia no post anterior. O certo é que a emersão até à profundidade pode ser pode ser plácida, serena. De onde o "escalar", a persistência no esforço, na dolorosidade? Pfff....
Criei uma relação de necessidade que não é verdadeira: o último parágrafo é falso.
Que Camilo gritou sempre onde lhe doía parece-me uma verdade. Mas pode ser uma verdade de método.
Criei uma relação de necessidade que não é verdadeira: o último parágrafo é falso.
Que Camilo gritou sempre onde lhe doía parece-me uma verdade. Mas pode ser uma verdade de método.
O caminho mesmo do dizer não é ermo, a ruína não pode ser fruída sem o incómodo de muitas respirações.
E mesmo assim sucumbe-se, e ao relato, insiste-se.
Caberia antes calar, a escrita não nos cura de estarmos aqui dentro, le plus profond c’est la peau - Valéry - e acabar-se de vez com essa desajeitada tentativa de nos palpar por fora...
Ou, assim como assim, antes dizermos onde nos dói e sem escrúpulos e sem contenção, sem tentativas de avessos, escalar os capilares.
A desoras e a propósito de Camilo.
E mesmo assim sucumbe-se, e ao relato, insiste-se.
Caberia antes calar, a escrita não nos cura de estarmos aqui dentro, le plus profond c’est la peau - Valéry - e acabar-se de vez com essa desajeitada tentativa de nos palpar por fora...
Ou, assim como assim, antes dizermos onde nos dói e sem escrúpulos e sem contenção, sem tentativas de avessos, escalar os capilares.
A desoras e a propósito de Camilo.
terça-feira, outubro 28, 2003
O Almocreve das Petas, com Cesariny em epígrafe, dedicou-se à collage, Sexta-feira passada.
Um dos fragmentos usados foi uma frase do Impensavel, que agradece.
Um dos fragmentos usados foi uma frase do Impensavel, que agradece.
domingo, outubro 26, 2003
sábado, outubro 25, 2003
Há tempos lia umas memórias - poderiam chamar-se de uma menina bem comportada de província, tão placidamente relatam quotiadanos que, para o leitor de hoje, são pura arqueologia.
Nelas descreve o serviço de jantar de "todos os dias" da sua infância, com a representação do episódio de D. Fuas Roupinho.
Também, na minha casa da praia, havia esse "serviço de todos os dias" "cavalinho" da Fábrica de Sacavém, como agora sei que se chama e, igualmente, julguei que o cavaleiro era o miraculado da Nazaré. Um dia perguntei, riram-se - amavelmente, embora - e explicaram-me que não, que reparasse, era uma estátua equestre, entre ruínas num jardim, como havia nos jardins e parques antigos.
Eu, que tantas vezes pedira ao cavaleiro, que também, julgava um santo - por ter sido salvo do demónio - fizesse desaparecer o restos de fígado, de peixe, da clara do ovo estrelado, tive um dos meus primeiros e mais acerbos desgostos de fé, os que ferem a absoluta capacidade, não de crer, mas de crer que Tudo em todas as coisas está, benfajezamente.
Sarei essa ferida, mas o tecido cicatricial, delicado e transparente, a pele nova e rósea, foi o da desilusão.
Esclareci, um dia, a Autora das memórias que não era, não era D. Fuas, mas um motivo de inspiração quase seguramente inglesa.
Ça va sans dire: herético.
Nelas descreve o serviço de jantar de "todos os dias" da sua infância, com a representação do episódio de D. Fuas Roupinho.
Também, na minha casa da praia, havia esse "serviço de todos os dias" "cavalinho" da Fábrica de Sacavém, como agora sei que se chama e, igualmente, julguei que o cavaleiro era o miraculado da Nazaré. Um dia perguntei, riram-se - amavelmente, embora - e explicaram-me que não, que reparasse, era uma estátua equestre, entre ruínas num jardim, como havia nos jardins e parques antigos.
Eu, que tantas vezes pedira ao cavaleiro, que também, julgava um santo - por ter sido salvo do demónio - fizesse desaparecer o restos de fígado, de peixe, da clara do ovo estrelado, tive um dos meus primeiros e mais acerbos desgostos de fé, os que ferem a absoluta capacidade, não de crer, mas de crer que Tudo em todas as coisas está, benfajezamente.
Sarei essa ferida, mas o tecido cicatricial, delicado e transparente, a pele nova e rósea, foi o da desilusão.
Esclareci, um dia, a Autora das memórias que não era, não era D. Fuas, mas um motivo de inspiração quase seguramente inglesa.
Ça va sans dire: herético.
quarta-feira, outubro 22, 2003
A Leitura Partilhada agendou a leitura partilhada d'A Cidade e as Serras,
Com a menção ao livro de Frank de Sousa, como ante-leitura.
Sei que há eciólogos recentes que se têm ocupado deste romance, porém, não conheço os trabalhos.
Uma pequena bibliografia passiva aqui.
Uma das obras mais fundamentais é "Língua e Estilo de Eça de Queirós" estude-se Guerra da Cal, na edição da Almedina, um dos livros mais fundamentais. Há, disponível, aqui
O autor que me fez descobrir um Eça muito para além do que conhecia através das sebentas de liceu - mesmo das boas - e principalmente o último Eça, foi João Medina, com o seu "Eça político".
Para ter uma noção "actualizada" de Eça, aconselho a biografia do Escritor por Maria Filomena Mónica - escrita já depois da publicação da correspondência trocada entre Eça e sua Mulher, Dona Emília de Castro com o que muito ganha a devolução de um Eça desentulhado, como escreveu alguém ( a própria MFM? estou com preguiça ir ver...) das visões marcadamente ideológicas dos dois últimos séculos ou mesmo de antipatias e simpatias pessoais.
Tudo isto se lê, numa primeira leitura, em três tardes e "depois de jantares".
Com a menção ao livro de Frank de Sousa, como ante-leitura.
Sei que há eciólogos recentes que se têm ocupado deste romance, porém, não conheço os trabalhos.
Uma pequena bibliografia passiva aqui.
Uma das obras mais fundamentais é "Língua e Estilo de Eça de Queirós" estude-se Guerra da Cal, na edição da Almedina, um dos livros mais fundamentais. Há, disponível, aqui
O autor que me fez descobrir um Eça muito para além do que conhecia através das sebentas de liceu - mesmo das boas - e principalmente o último Eça, foi João Medina, com o seu "Eça político".
Para ter uma noção "actualizada" de Eça, aconselho a biografia do Escritor por Maria Filomena Mónica - escrita já depois da publicação da correspondência trocada entre Eça e sua Mulher, Dona Emília de Castro com o que muito ganha a devolução de um Eça desentulhado, como escreveu alguém ( a própria MFM? estou com preguiça ir ver...) das visões marcadamente ideológicas dos dois últimos séculos ou mesmo de antipatias e simpatias pessoais.
Tudo isto se lê, numa primeira leitura, em três tardes e "depois de jantares".
No Gloucestershire, vi na televisão, grupos de pessoas com coletes de sinalização verde-alface vêem a cores do Outono, na floresta. Surpreendi tiques de vernissage: ares compenetrados, buscas de distância de leitura - o que tomei por isso - pequenos ajuntamentos de connaisseurs.
Ao longe, gente entre as árvores, uma instalação.
Aqui, sem cores de floresta, ventania e chuvadas e bonanças dormentes que padeço quietamente.
Ao longe, gente entre as árvores, uma instalação.
Aqui, sem cores de floresta, ventania e chuvadas e bonanças dormentes que padeço quietamente.
sábado, outubro 18, 2003
sexta-feira, outubro 17, 2003
Esta coisa de quererem que Portugal tenha a hora do meridiano de Berlim, questão que o governo quis inventar (certamente por lhe faltarem outras em que ocupe o seu génio resolvedor) é profundamente ofensiva, é uma imperdoável falta de respeito, sem qualquer justificação.
Metam-se cunhas uns aos outros, demitam-se todos ou, ficando, decretem as suspeitas coisas habituais, mas deixem-nos em paz, não macem, não aborreçam.
O meu voto já lá vai, airoso, para os nulos/brancos. Não, não são vocemecês. São os propriamente ditos, os do desleixo, inépcia, analfabetismo e asco. Muito asco.
Passem bem.
Metam-se cunhas uns aos outros, demitam-se todos ou, ficando, decretem as suspeitas coisas habituais, mas deixem-nos em paz, não macem, não aborreçam.
O meu voto já lá vai, airoso, para os nulos/brancos. Não, não são vocemecês. São os propriamente ditos, os do desleixo, inépcia, analfabetismo e asco. Muito asco.
Passem bem.
Ontem, aludi a um post do Textos de Contracapa e disso avisei o Autor do blog, por mail.
Hoje, ao ver o correio, encontrei um mail sucinto e cortês, agradecendo.
Assim me ensinaram, também, que se fazia, que todas as cartas tinham resposta.
Infelizmente, este mail foi um caso único - ou quase.
É o subdesenvolvimento da polidez... tão grave, entre nós, quanto qualquer outro.
(Mas não desesperemos).
Hoje, ao ver o correio, encontrei um mail sucinto e cortês, agradecendo.
Assim me ensinaram, também, que se fazia, que todas as cartas tinham resposta.
Infelizmente, este mail foi um caso único - ou quase.
É o subdesenvolvimento da polidez... tão grave, entre nós, quanto qualquer outro.
(Mas não desesperemos).
quinta-feira, outubro 16, 2003
Leio a interrogação no Textos de Contracapa: "Afinal que país real conhecem a eles, que ideia têm a nosso respeito (...)?"
A resposta parece-me evidente e é cruel: eles são o país real... e, quando e quanto por eles nos pensam, não erram muito: o que lhes escapa, aquém e além, é pouco.
Os protestos que agora ouvimos e em que comungamos são a expressão de uma inevitável - e desprezivel - margem de erro, um desvio estatístico, uma imprecisão, meia dúzia de inquietações.
Que aí se inscreva, desde o séc. XIX, a malaise do ser português, que é, no seu melhor, o sentimento de uma derrota, eis a questão triste.
Por mim, perdõe-se-me o egoísmo e a ambição, finjo que estou cá de férias e dou-me por feliz quando encontro comensais para jantar agradavelmente. E como sigo a medida de Lucullus - não menos que as Graças, não mais que as Musas, não me queixo em demasia.
A resposta parece-me evidente e é cruel: eles são o país real... e, quando e quanto por eles nos pensam, não erram muito: o que lhes escapa, aquém e além, é pouco.
Os protestos que agora ouvimos e em que comungamos são a expressão de uma inevitável - e desprezivel - margem de erro, um desvio estatístico, uma imprecisão, meia dúzia de inquietações.
Que aí se inscreva, desde o séc. XIX, a malaise do ser português, que é, no seu melhor, o sentimento de uma derrota, eis a questão triste.
Por mim, perdõe-se-me o egoísmo e a ambição, finjo que estou cá de férias e dou-me por feliz quando encontro comensais para jantar agradavelmente. E como sigo a medida de Lucullus - não menos que as Graças, não mais que as Musas, não me queixo em demasia.
Cito de memória: "Os portugueses têm o sentido do luxo e da pompa, mas não o da dignidade"
A frase é da Rainha Dona Estefânia, numa carta a sua Mãe, e creio que a li nas "Cartas de D. Pedro V ao Conde do Lavradio", que Ruben A. coligiu e apresentou.
Perdidas as pompas - as pompas, aliás magras, da monarquia constitucional, perdido o luxo - o genuíno, o das atitudes - o que nos resta?
José Hermano Saraiva classificava, há tempos, na televisão, a actual 3ª república como a da pequena burguesia. Na altura, achei a classificação pessimista, inadequada por acanhada. Hoje vou-a tomando como um elogio e já imerecido, por excessivo.
A frase é da Rainha Dona Estefânia, numa carta a sua Mãe, e creio que a li nas "Cartas de D. Pedro V ao Conde do Lavradio", que Ruben A. coligiu e apresentou.
Perdidas as pompas - as pompas, aliás magras, da monarquia constitucional, perdido o luxo - o genuíno, o das atitudes - o que nos resta?
José Hermano Saraiva classificava, há tempos, na televisão, a actual 3ª república como a da pequena burguesia. Na altura, achei a classificação pessimista, inadequada por acanhada. Hoje vou-a tomando como um elogio e já imerecido, por excessivo.
quarta-feira, outubro 15, 2003
Bragança, a Time e o Governo
Se Bragança tem as meninas - como era, de há muito, público e notório - se a Time não mentiu, o Governo ofende-se com o quê?
Com o habitual... com a realidade, ou melhor, com a realidade em "letra de forma", com a publicitação, com a divulgação.
Ou seja, moral de bordel... Regista-se a coerência...
Se Bragança tem as meninas - como era, de há muito, público e notório - se a Time não mentiu, o Governo ofende-se com o quê?
Com o habitual... com a realidade, ou melhor, com a realidade em "letra de forma", com a publicitação, com a divulgação.
Ou seja, moral de bordel... Regista-se a coerência...
terça-feira, outubro 14, 2003
Caducidade
Areia movediça das horas. Silente e contínuo escoar-se
mesmo do edifício felizmente sagrado.
A vida sopra sempre. Já sem ligação ressaltam
as colunas ociosas, sem carga
Mas o decair: é ele mais triste que o regresso
da fonte ao espelho que ela de brilho empoa?
Mantenhamo-nos entre os dentes do mutável,
que de todo nos tome na fronte contemplativa
Rainer Maria Rilke, Muzot, fins de Fevereiro de 1924
Trad. de Prof. Paulo Quintela
Ed. Asa
Areia movediça das horas. Silente e contínuo escoar-se
mesmo do edifício felizmente sagrado.
A vida sopra sempre. Já sem ligação ressaltam
as colunas ociosas, sem carga
Mas o decair: é ele mais triste que o regresso
da fonte ao espelho que ela de brilho empoa?
Mantenhamo-nos entre os dentes do mutável,
que de todo nos tome na fronte contemplativa
Rainer Maria Rilke, Muzot, fins de Fevereiro de 1924
Trad. de Prof. Paulo Quintela
Ed. Asa
segunda-feira, outubro 13, 2003
Reli, este fim-de-semana, algumas cartas da correspondência entre Eça e sua Mulher, Dona Emília de Castro.
Numa das últimas que escreve, da Suíça, dias antes de morrer, treze dias antes de morrer, pergunta-se com inquietação, como pode ter sossego e, por isso saúde, com as constantes inquietações de dinheiro.
Poderia ter acrescentado, mesquinhas preocupações, de uma vida de classe média pacata que era a sua.
E Eça de Queiróz era o maior escritor português vivo - continua a sê-lo, aliás - um colaborador assíduo em jornais portugueses e brasileiros, um diplomata de carreira com um cargo de responsabilidade e prestígio.
Hoje, a gente abre o jornal, lê uma coluna assinada por um anónimo e lá vem aquela prosa ressumando elegâncias caras de habitué das grandezas do mundo, em que se fala de Paris, de Roma, de Londres ou de Nova York com o à-vontade com que eu falo das minhas idas às cinco freguesias circunvizinhas.
Mas o que me aborrece mais, confesso, é a ausência de espanto, ou de desilusão, um e outra sintomas certeiros do principiante. Eu bem procuro, mas em vão: aquela prosa dir-se-ia que veio ao mundo rabiscada nos papéis de carta do Waldorf-Astoria, do Ritz, do Savoy, senhora de si, quase indiferente, blaisée.
Amuo. Amuo duplamente: por verificar quão tão longe estou desses usos de mundo e por cair no ressentimento castiço contra o estrangeirado, tradição ressentida em que me não reconhecia.
Apodá-los de provincianos nesses avessos de provincianismo como Pessoa fez a Eça? Seria fácil - e errado.
Dediquei-me a ler algumas coisas que publicavam. E aí... pelos contos, romancinhos, poemas, logo se descobre, às vezes melhor, outras pior escondido, um contentamento inteiro e imenso onde tudo submerge.
Eu não creio na infelicidade ou na miséria, mesmo as de mera convenção, como ponto de origem privilegiado da criação artística, mas narradores, autores implícitos e respectivos familiares - que os há - toda aquela gente se celebra em demasia. Não são provincianos, são parvenus e da alegria, da surpresa da chegada a um lugar ao sol bem pago se fazem, com poucas excepções, as letras actuais.
Prefiro o côté "história trágico-marítima".
Numa das últimas que escreve, da Suíça, dias antes de morrer, treze dias antes de morrer, pergunta-se com inquietação, como pode ter sossego e, por isso saúde, com as constantes inquietações de dinheiro.
Poderia ter acrescentado, mesquinhas preocupações, de uma vida de classe média pacata que era a sua.
E Eça de Queiróz era o maior escritor português vivo - continua a sê-lo, aliás - um colaborador assíduo em jornais portugueses e brasileiros, um diplomata de carreira com um cargo de responsabilidade e prestígio.
Hoje, a gente abre o jornal, lê uma coluna assinada por um anónimo e lá vem aquela prosa ressumando elegâncias caras de habitué das grandezas do mundo, em que se fala de Paris, de Roma, de Londres ou de Nova York com o à-vontade com que eu falo das minhas idas às cinco freguesias circunvizinhas.
Mas o que me aborrece mais, confesso, é a ausência de espanto, ou de desilusão, um e outra sintomas certeiros do principiante. Eu bem procuro, mas em vão: aquela prosa dir-se-ia que veio ao mundo rabiscada nos papéis de carta do Waldorf-Astoria, do Ritz, do Savoy, senhora de si, quase indiferente, blaisée.
Amuo. Amuo duplamente: por verificar quão tão longe estou desses usos de mundo e por cair no ressentimento castiço contra o estrangeirado, tradição ressentida em que me não reconhecia.
Apodá-los de provincianos nesses avessos de provincianismo como Pessoa fez a Eça? Seria fácil - e errado.
Dediquei-me a ler algumas coisas que publicavam. E aí... pelos contos, romancinhos, poemas, logo se descobre, às vezes melhor, outras pior escondido, um contentamento inteiro e imenso onde tudo submerge.
Eu não creio na infelicidade ou na miséria, mesmo as de mera convenção, como ponto de origem privilegiado da criação artística, mas narradores, autores implícitos e respectivos familiares - que os há - toda aquela gente se celebra em demasia. Não são provincianos, são parvenus e da alegria, da surpresa da chegada a um lugar ao sol bem pago se fazem, com poucas excepções, as letras actuais.
Prefiro o côté "história trágico-marítima".
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