quarta-feira, setembro 17, 2008
terça-feira, setembro 16, 2008
Há gente muito indignada com Mário Soares a propósito das afirmações que fez sobre a a visita de Sua Santidade, o Papa, a França.
Tenham piedade: Mário Soares é alguém sem o mínimo prestígio - já há anos atrás foi reduzido à sua insignificância por uma senhora deputada do Parlamento Europeu (de que ele acalentava o atoleimado desejo de vir a ser presidente).
O certo é que, como esse triste episódio provou, fora de Portugal nada é - e aqui vai-se aproximando de nada ser.
Com estas diatribes de botica de província de há cem anos em que agora se ocupa vingar-se-à da idade que chegou sem lhe trazer o prestígio, principalmente o internacional, que tanto quis. Nada veio: nem Nóbeis da Paz - que, suspeito, seria a ambição máxima - nem qualquer outro cargo honroso.
Deixemo-lo, por isso, a falar desde a sua insignificância, do já quase esquecimento, aos grandes deste mundo.
Ontem, naquele programa de televisão da não sei quantas Lopes ou se não é Lopes, outra coisa, o Prof. Adriano Moreira falava - outra vez - da mudança das fronteiras lusitanas, das imperiais para as novas, às portas da Ásia. Valha o bom senso a toda esta gente que o problema não é a fronteira ser no leste da Polónia, nem a nossa preocupação se havemos de ter uma estratégia planetária ou apenas europeia, mas ser a fronteira exactamente onde costumava ser, no Caia, ou em Vilar Formoso e a estratégia mais assisada e necessária aquela que nos permita viver melhorzinho, assim mais ou menos como se vive em Fuentes de Oñoro e, quem sabe, um dia como em Badajoz.
O resto são delírios de gente pobre.
segunda-feira, setembro 15, 2008
Sous de nombreux aspects, la situation actuelle est différente de celle que Paul a rencontrée à Athènes, mais, tout en étant différente, elle est aussi, en de nombreux points, très analogue. Nos villes ne sont plus remplies d'autels et d'images représentant de multiples divinités. Pour beaucoup, Dieu est vraiment devenu le grand Inconnu. Malgré tout, comme jadis où derrière les nombreuses représentations des dieux était cachée et présente la question du Dieu inconnu, de même, aujourd'hui, l'actuelle absence de Dieu est aussi tacitement hantée par la question qui Le concerne. Quaerere Deum - chercher Dieu et se laisser trouver par Lui : cela n'est pas moins nécessaire aujourd'hui que par le passé. Une culture purement positiviste, qui renverrait dans le domaine subjectif, comme non scientifique, la question concernant Dieu, serait la capitulation de la raison, le renoncement à ses possibilités les plus élevées et donc un échec de l'humanisme, dont les conséquences ne pourraient être que graves. Ce qui a fondé la culture de l'Europe, la recherche de Dieu et la disponibilité à L'écouter, demeure aujourd'hui encore le fondement de toute culture véritable.
S.S. Papa Bento XVI, Discurso ao Mundo da cultura, Paris, 12 de Setembro de 2008
sábado, setembro 13, 2008
Às vezes dou por mim, um saudosista, a lembrar-me de situações já irrepetíveis e não somente não sinto qualquer desgosto, quanto acabo por me demorar na contemplação dessa impossibilidade, num gosto manso, quieto e malsão que me introduz, por uma pequena porta discreta, no gosto do progresso, mesmo desse, inconfessado, em que desapareceram aqueles de quem gostámos. Não me conhecia e incomoda-me esta jactância de sobrevivente, disfarçada naqueloutra do narrador enfermiço que conta os seus males - o mais hipócrita e matreiro.
sexta-feira, setembro 12, 2008
quinta-feira, setembro 11, 2008
quarta-feira, setembro 10, 2008
Entretanto, o CERN prepara-se para, daqui a alguns meses, simular um momento alguns instantes após o Big Bang (se houve big bang. É uma teoria: muito verosímil parece - mas o que é verosimilhança nestas matérias?)
Sobre os choques de protões programados, há quem tema que provoquem pequenos buracos negros que poderiam engolir a terra. Alguns físicos que colaboraram no projecto Manhatthan também temiam não conseguir controlar a fissão em cadeia, com os mesmos efeitos práticos do aniquilamento do planeta. Temores cultos.
Sobre os choques de protões programados, há quem tema que provoquem pequenos buracos negros que poderiam engolir a terra. Alguns físicos que colaboraram no projecto Manhatthan também temiam não conseguir controlar a fissão em cadeia, com os mesmos efeitos práticos do aniquilamento do planeta. Temores cultos.
terça-feira, setembro 09, 2008
Eu gosto da Manuel Ferreira Leite por, entre outras coisas, não gostar muito dela - um dos meus desamores infantis; e achei o discurso da rentrée bom: Ferreira Leite é sólida e convicente, fala-nos do que o governo não fez ou fez mal. É desenjoativa: estou farto até à náusea do governo-canderel (momentos fake rough incluídos) e, como muita gente, já suspiro por notícias do - de - governo, por notícias desagradáveis, mas sobretudo, verdadeiras, que coincidam com o que se vê à nossa volta, no dia-a-dia, com todas aquelas as coisas que este governo kitsch tornou quase clandestinas).
segunda-feira, setembro 08, 2008
Ontem, na manhã de Ponte de Lima, na palração da missa no Largo da Havaneza, reencontrei gente que não via há eras. As senhoras, que concedem alguns dias deste mês às casas de família, das mais bonitas de Portugual, e protestam um desejo acutilante de lá viverem sempre se pudessem, sente a gente que, após as Feiras Novas, correm contrariadas para a tristeza de Lisboa. Os maridos estão, como eu, mais gordos, alguns mais calvos e dados às polítiquices locais: quando muito lhes pedem, fazem júri em coisas de cavalos. Elas e eles com o humor ainda mais excelente e mais subtil. Tive muito gosto em revê-los.
Hoje, já aqui em baixo, depois de uma chegada atribulada com o extravio de partes de bagagem já dentro de casa - uma proeza de que nunca tivera a imodéstia de me julgar capaz - a manhã muito límpida e bem cheirosa reconciliou-me com a perda - porque adormecera extenuado, perplexo e vexado e não dera ainda com as miseráveis coisas perdidas. O achamento não foi senão há bocadinho, ao abrir uma janela que deita para a varanda: lá estava tudo, explicação incluída e esta não tão bizarra ou asssustadora quanto esperava.
sexta-feira, setembro 05, 2008
quinta-feira, setembro 04, 2008
quarta-feira, setembro 03, 2008
O post de baixo compriu as suas funções de post-it: fui ao barbeiro. Foi multado em 50 euros no Verão. Não conheço a legislação sobre pesca, mas ele diz aquilo num tom neutro, nem de injustiçado nem de infractor, como se fizessem parte do destino dos pescadores estes tributos. Para maior estranheza, há no tom com que o diz o que me parecem résteas de vanglória.
Deves e haveres de que não conheço todos os segredos - e não tenciono esclarecer o mistério.
Não é um post (infra) mas fica aqui, que cumpriu o seu dever. Ainda não fui ouvir episódios de verão da epopeia piscatória - nem iria, se não tivesse posto o post-it. Vou daqui a bocado.
Aquelas antromorfizações do Pacheco com a astronomia são um bocadinho.... A sonda mandou um murro é um pouco pateta, não é?
Aquelas antromorfizações do Pacheco com a astronomia são um bocadinho.... A sonda mandou um murro é um pouco pateta, não é?
Isto não é um post, é para me lembrar que tenho de ir ao barbeiro. Depois apago.
P.S. O hobby do meu barbeiro é a pesca. Tem boas histórias de pescarias e de grandes multas que, com muita habilidade, evitou, embora nesses aspecto admita, honestamente, golpes de sorte. Já o peixe - comido em festins alegres no fim das narrativas - deve-se apenas ao engenho e paciência.
P.S. O hobby do meu barbeiro é a pesca. Tem boas histórias de pescarias e de grandes multas que, com muita habilidade, evitou, embora nesses aspecto admita, honestamente, golpes de sorte. Já o peixe - comido em festins alegres no fim das narrativas - deve-se apenas ao engenho e paciência.
terça-feira, setembro 02, 2008
É estonteante a velocidade com que aqui tudo se confunde quando se fala de questões criminais. Da política de prevenção criminal (onde está? Alguém discutiu a Tolerance Zero, ou qualquer outra política preventiva?) à questão da prisão preventiva, das garantias do cidadão a um processo penal que é a apologia do estatismo, tudo se confunde e amalgama numa atitude que é de excesso ou de defeito e poucas vezes certeira.
E, no entanto, somos um país de bacharéis em direito.
O prazer do «eu não dizia?» não é um prazer rural. Ou pode sê-lo, mas o olhar sobre o acontecimento que fica ao nosso alcance - tal como havíamos previsto - é, ainda e acima de tudo, o do caçador sobre a sua presa.
Como escrevi há 5 anos:Ou seja, a prisão preventiva foi ilegal, termo que, tanto o deputado como o seu advogado já usaram para classificar a medida de coacção decretada pelo juiz de instrução. O que, entre outras coisas, tem o efeito de constituir o Dr. Paulo Pedroso no direito a uma indemnização, conforma se pode ler no artº 225º do mesmo código: "Quem tiver sofrido detenção ou prisão preventiva manifestamente ilegal pode requerer, perante o tribunal competente, indemnização dos danos sofridos com a privação da liberdade". O acórdão, ao julgar como suficiente o termo de identidade e residência, abre caminho para que, seja qual for o desfecho do caso, haja lugar a indemnização. Quem paga? Somos nós. Conviria, no entanto, que o Dr. Paulo Pedroso se lembrasse, quando pedir a indemnização choruda a que tem direito, que tem o dever de contribuir para alterar o inacreditável código do processo penal, em parte produto da demissão cívica do P.S....
segunda-feira, setembro 01, 2008
A primeira novidade de Setembro (à parte o Presto em Si Bemol de Poulenc - por mais que o oiça):
Miguel Esteves Cardoso tem um livro no prelo.
Com esta capa.
Miguel Esteves Cardoso tem um livro no prelo.
Com esta capa.
Boas notícias de Setembro
O Kiva mudou de política: antes, apenas se recuperava o empréstimo no seu termo. Se o prazo era de um ano, só no fim desse ano o dinheiro emprestado era devolvido. Ultimamente, reflexo da crise, os empréstimos diminuíram e aqueles que pediam com um prazo mais longo viam-se em dificuldades por falta de emprestadores. Um empréstimo a 16 ou 18 meses desanima, não tanto pela quantia, mas também porque não acontece nada - e esta boa vontadenão deixa de ter o seu quê de fuga ao tédio. Agora, à medida que os empreendedores vão pagando, vão os emprestadores recebendo e aplicaram já a novidade aos negócio em curso: de repente, muita gente ficou com activos que podia levantar ou reeemprestar. E parece que a grande maioria resolveu reemprestar: é impossível fazer um empréstimo, o servidor está sobrecarregado!
Se quiser tentar, o mínimo é de USD $25, perto de € 17.
Mais tarde: o açambarcamente prossegue e não há ninguém a quem emprestar!
sábado, agosto 30, 2008
Noite passada nos Pavilhões da França e da Roménia. Poulenc e Cioran. Os franceses sofreram, como é hábito.
Sobre este poema de Boileau,
Rien n’est beau que le vrai : le vrai seul est aimable ;
Il doit régner partout, et même dans la fable :
De toute fiction l’adroite fausseté
Ne tend qu’à faire aux yeux briller la vérité.
Sais-tu pourquoi mes vers sont lus dans les provinces,
Sont recherchés du peuple, et reçus chez les princes ?
Ce n’est pas que leurs sons, agréables, nombreux,
Soient toujours à l’oreille également heureux ;
Qu’en plus d’un lieu le sens n’y gêne la mesure,
Et qu’un mot quelquefois n’y brave la césure :
Mais c’est qu’en eux le vrai, du mensonge vainqueur,
Partout se montre aux yeux et va saisir le cœur ;
Que le bien et le mal y sont prisés au juste ;
Que jamais un faquin n’y tint un rang auguste ;
Et que mon cœur, toujours conduisant mon esprit,
Ne dit rien aux lecteurs qu’à soi-même il n’ait dit.
Ma pensée au grand jour partout s’offre et s’expose,
Et mon vers, bien ou mal, dit toujours quelque chose.
Diz o romeno, certeiro: "«...le vrai seule est aimable.» - C'est de là que proviennent les lacunes de la France, son refus du Flou et du Fumeaux, son anti-poésie, son anti-métaphisique."
Já Eça tinha reparado nessa falta - e no que sobre ela de bom e de mau se constrói - quando nos relata, através nas Cartas de Paris, nos Ecos, nas Cartas Familiares e Bilhetes de Paris, nas Notas Contemporâneas, etc, o que foi a superação da sua angústia de influência da França.
Que calor que está! Iremos ter outro Setembro quente?
Sobre este poema de Boileau,
Rien n’est beau que le vrai : le vrai seul est aimable ;
Il doit régner partout, et même dans la fable :
De toute fiction l’adroite fausseté
Ne tend qu’à faire aux yeux briller la vérité.
Sais-tu pourquoi mes vers sont lus dans les provinces,
Sont recherchés du peuple, et reçus chez les princes ?
Ce n’est pas que leurs sons, agréables, nombreux,
Soient toujours à l’oreille également heureux ;
Qu’en plus d’un lieu le sens n’y gêne la mesure,
Et qu’un mot quelquefois n’y brave la césure :
Mais c’est qu’en eux le vrai, du mensonge vainqueur,
Partout se montre aux yeux et va saisir le cœur ;
Que le bien et le mal y sont prisés au juste ;
Que jamais un faquin n’y tint un rang auguste ;
Et que mon cœur, toujours conduisant mon esprit,
Ne dit rien aux lecteurs qu’à soi-même il n’ait dit.
Ma pensée au grand jour partout s’offre et s’expose,
Et mon vers, bien ou mal, dit toujours quelque chose.
Diz o romeno, certeiro: "«...le vrai seule est aimable.» - C'est de là que proviennent les lacunes de la France, son refus du Flou et du Fumeaux, son anti-poésie, son anti-métaphisique."
Já Eça tinha reparado nessa falta - e no que sobre ela de bom e de mau se constrói - quando nos relata, através nas Cartas de Paris, nos Ecos, nas Cartas Familiares e Bilhetes de Paris, nas Notas Contemporâneas, etc, o que foi a superação da sua angústia de influência da França.
Que calor que está! Iremos ter outro Setembro quente?
sexta-feira, agosto 29, 2008
quinta-feira, agosto 28, 2008
Isto cansa muito. A mediocridade possidónia do primeiro-ministro, as mentirolas, a economia que resiste à propaganda e continua a definhar quanto a americana resiste aos prognósticos e continua a crescer. A manipulação, ridícula, canhestra, por semi-analfabetos, de realidades semi. «O que é» admitido com maus modos e logo medidas salvadoras: a de hoje, mudanças no código de processo penal - já mau, tributário de um pensamento que une vários estatismos (do pombalino ao leninista) - e que ameaça tornar-se péssimo e será péssimo em vão. Um pensamento mitómano, do acordo ortográfico à «repetência» e por todo o lado, a alastrar, o cada vez menos de tudo, salvo no delírio. Cansa.
Devemos encarar os últimos acontecimentos - os assaltos, os assassinatos - como um sinal de grande vitalidade, da grande vivacidade expressiva da sociedade portuguesa, a agradecer ao nosso governo - e a todos nós (não sejamos demasiado modestos).
Eu, por mim, tenho andado num pasmo e o assalto à carrinha blindada, modernaço, com C4 - que só tinha visto em filme - fez-me começar a respeitar o plano tecnológico do primeiro-ministro.
terça-feira, agosto 26, 2008
quinta-feira, agosto 21, 2008
sexta-feira, agosto 08, 2008
quinta-feira, agosto 07, 2008
quarta-feira, agosto 06, 2008
«[...] não compensa sair de casa para ir à praia, costume um pouco desconcertante se o compararmos com a verdadeira estação calmosa, com refrescos e boa mesa, e a persiana a meio correr. Em Coimbra regava-se o soalho; na Régua, bebia-se água da mina; em Amarante, faziam-se versos. Isto sim, eram férias.»
In Agustina Bessa Luís, Dicionário Imperfeito, pg. 292, Guimarães Editores, Lisboa, 2008
Enquanto copiava o Turismo de Verão do Dicionário, recebi um telefonema muito agradável, não esperado e, enquanto ia clicando pelos blogs, reparei que Bomba Inteligente tinha destacado este.
Começo de fim de tarde de uma agradável e agradecida bonomia.
In Agustina Bessa Luís, Dicionário Imperfeito, pg. 292, Guimarães Editores, Lisboa, 2008
Enquanto copiava o Turismo de Verão do Dicionário, recebi um telefonema muito agradável, não esperado e, enquanto ia clicando pelos blogs, reparei que Bomba Inteligente tinha destacado este.
Começo de fim de tarde de uma agradável e agradecida bonomia.
domingo, agosto 03, 2008
Morreu Aleksandre Solzhenitsyn.
Vivia longe da leveza presente.
Vivia longe da leveza presente.
Há uns tempos, quando recebeu o Prémio do Estado Russo, declarou desejar que o material histórico que coligiu entrasse nas consciências e na memória dos seus compatriotas.
Que faça parte também das nossas, das de todos, para que, como também desejou, nos protejamos, em tempos de crise, das soluções políticas que condenou. Solzhenitsyn é um escritor para o futuro.
Em pouco tempo, várias coisas me impressionaram. A primeira foi ontem, quando verifiquei que podia clicar num post com uma hiperligação e ver e ouvir com bom som os videos do youtube, isto tudo no meu gadget novo. Vi e ouvi o By the sea - e como não está ninguém posso dizer que tive grandes admirações e acho que acenos de cabeça a condizer. Tenho feito mais descobertas e já para lá despejei muitos megas de Bach, Mozart e os quartetos finais do Beethoven. Mais alegrias: chegou e detectou logo a rede sem fio e pediu a palavra-chave. Gostei do desenxovalho. Foi difícil, mas acabei por encontrá-la e funcionou. O informático, a quem contei isto a pretexto de saber se o sistema de segurança da rede era o melhor (há dois e um deles é um mau) ficou um pouco ofendido por eu ter descoberto a pass e que tinha tido sorte em não desconfigurar. Alegrei-me que também ele provasse da inutilidade que tanto afligiu os Bourbons, mas de boa vontade assenti na minha imensa e imerecida sorte.
Tenho meditado muito sobre como teria sido a minha vida se tivesse uma coisa destas aos 15 anos, aquela idade tão desagradável, até para La Boétie, de quem muito me lembrei numa volta a pé que resolvi dar antes de chamar o táxi (já com o novo device, o Keith Jarrett deixa de tocar automaticamente quando fazemos a chamada e retoma depois) e vim para casa para a primeira desilusão: a sincronização dos contactos não funciona bem porque não uso o Outlook. Em compensação, é fácil e divertido encontrar as casas de amigos espalhadas pelos campos, sempre situadas em estrada desconhecida e ficar espantadamente grato pela previsão do tempo abranger esta cidadezinha. Senti um arrepio de optimismo que tinha - juro - qualquer coisa de pré-PS, de momento Magalhães. Estremeci com estas petites servitudes agradecidas. Mas, agora o que queria era falar do bife. O bife, grelhado, em sangue, muito tenro, muito saboroso, era holandês. O feijão-verde era de cá, e estava com aquele excesso de cozedura que faz lembrar que também a eles, legumes, cabe a fornalha ardente. O arroz estava mau: embora seco, espapaçado. Semi queixei-me com bonomia. Disseram-me, muito simpaticamente, vendo em mim um companheiro de infortúnio, que a culpa era do hábito nacional. Ele, filho do dono, gostava, como eu, dos vegetais al dente (eu não tinha dito tal coisa). Os legumes servidos em side dish (à parte? duvido que seja a melhor tradução. Dantes não havia essas coisas e os quartos-minguantes ficavam - e ficam - lotados com 3 folhas de alface e mantê-las lá é um bom exercício para dias chuvosos)
Agora vou acabar de preencher os contactos, com as novas funcionalidades.
No caminho, há pouco, casas e casas abandonadas, uma delas habitada ainda num dos extremos - um gato numa janela, o som da televisão - enquanto que no outro as janelas já estão desfeitas e é quase ruína.
Isto não é um daqueles fins.
sexta-feira, agosto 01, 2008
Esta noite fechava, noutros tempos, o primeiro ciclo das férias grandes - que começava com o fim das aulas, em 11 de Junho. Amanhã (logo) era a ida para a praia, a volta à casa de férias. Tinha um sótão grande, objecto de expedições para aventureiros corajosos, um pára-raios (o cabo, vindo do telhado, passava perto das escadas e as empregadas fingiam medos de fulminações) e a casa de banho cá de baixo, grande e inóspita, que albergava um sistema de aquecimento de águas muito estranho, entre o primitivo e o arrebicado - neogótico niquelado? - fulgente e temperamental, em perpétua ameaça de explosão. Na sala, numa estante, muito Júlio Verne vindo de outras gerações, uma espreguiçadeira confortável, sempre a jeito, e - seria lá? - um pick-up não menos singular, no cimo de uma telefonia perfeitamente cúbica.. Em baixo, depois da escada, na porta alta e estreita, de dois batentes, começava, muito saltitado, o caminho para a praia.
Um dia, porém, colidida por uma galáxia brilhante com um buraco negro no centro, como se diz a nossa galáxia ter, a casa e as suas excêntricidades amavéis tornou-se uma coisa longínqua, a vogar no horizonte dos acontecimentos - e, com ela, as minhas coisas de praia (o balde, o ancinho, um moinho, um avião de lançar ao ar) e os verões absolutamente perfeitos.
quinta-feira, julho 31, 2008
Aqui entre nós, não se vem à hora do último gin tonic falar do estatuto das ilhas quando o país está tão mal que já nem se toma o último gin tonic tão descansadamente como dantes.
Sim, houve um tom agastado em relação ao PS, mas nada que justifique dolorosamente suspender a meio a mão que segura mais um gelo.
Mais tarde: que Cavaco prepararia terreno para dissolver a assembleia, li. E? Alguém preparado para tomar as medidas necessárias, todas elas de pequenos pormenores? Creio que, de um modo ou de outro, todos sonham ainda grandezas, a favor ou contra.
Tenho de confessar que Sócrates fora de S. Bento é um aliciante e, em notícia súbita, far-me-ia entornar qualquer bebida.
Ainda mais tarde: que perdi a ocasião de ficar calado? Que não compreendo o alcance e subtileza do gesto de Cavaco? Talvez.
Tinha passado na televisão o Mutiny of the Bounty e lembro-me de alguém, inteligente e sábio, por uma noite de Verão, depois de um feroz croquet nocturno no jardim ou enquanto estava morto ao bridge me ter perguntado porque se revoltaram os tripulantes do Bounty. Não queria os motivos imediatos mas um, mediato, que originara todos a situação. Quando me preparava lhe falar da indisciplina, ou das belezas locais, respondeu ele mesmo: «Bligh não era um gentleman». Ser um gentleman é ter, no poder, a arte da excepção sem jamais ser arbitrário e usá-lo como se se estivesse seguro de ter a adesão ou um consentimento jamais solicitados.
Hoje não temos qualquer gentleman - ou quem se possa confundir com - em cargos de estado. Não vai haver uma revolta, mas tudo se torna mais difícil.
quarta-feira, julho 30, 2008
Boa Notícia!
Se for assim, ainda bem!
Seria necessário saber o nome de quem votou não e salvou o Largo do Rato, por terem sabido respeitar o compromisso que os liga a quem os elegeu (e os de quem votou sim).
MAS, atenção!, é preciso continuar atento, diria mesmo mais: muito atento!
O trabalho que dá ser conservador em Portugal... as canseiras, os sobressaltos, os desgostos, as pouquíssimas alegrias.
Se for assim, ainda bem!
Seria necessário saber o nome de quem votou não e salvou o Largo do Rato, por terem sabido respeitar o compromisso que os liga a quem os elegeu (e os de quem votou sim).
MAS, atenção!, é preciso continuar atento, diria mesmo mais: muito atento!
O trabalho que dá ser conservador em Portugal... as canseiras, os sobressaltos, os desgostos, as pouquíssimas alegrias.
segunda-feira, julho 28, 2008
Ainda A.J. (antes de jantar): na televisão passa em roda-pé o aviso de que as novas regras do segredo de justiça podem pôr em causa vários processos.
Eis o subdesenvolvimento. E não lhes ocorre perguntar como será nos países onde não há segredo de justiça - nem nada que se assemelhe a esta disformidade burocrática que inventaram por cá? Não se perguntam como é que são investigados os casos de corrupção - ou seja do que for - em Inglaterra ou nos Estados Unidos ou... na Finlândia?
É muito cansativo viver por aqui. É muito cansativo viver num sítio de onde a evidência mais foi expulsa pelo concurso de várias crendices, da rural - a menos danosa - à mais modernaça, a superstição positivista.
A frase parece-me sem sentido, mas há, claro que há. Vejam-se Cuba, a Coreia do Norte, a URSS dos anos 30, dos anos 40, dos anos 50, dos anos 60, dos anos 70, dos anos 80. Foram saudadas - e por gente a que se não pode chamar estupida ou ingénua - como alternativas ao capitalismo (que, creio, incluía a democracia burguesa e as liberdades burguesas).
domingo, julho 27, 2008
Também li aquela do dr. Jardim ter considerado um insulto Portugal ser governado por Sócrates (nome próprio do Pinto de Sousa). Também acho que é um insulto, embora o ache um insulto merecido.
Ou parcialmente merecido. Ter gente com o curriculum académico do Pinto de Sousa ou o advogado de Berardo a decidir sobre a Língua Portuguesa é uma afronta que, apesar de tudo, Portugal não mereceu.
Fiquei em casa e vi o "Eixo do mal". Uma Clara Ferreira Alves, sempre muito definitiva, apregoava a ingovernabilidade do país se Pinto de Sousa não ganhasse as próximas eleições. E o espantoso é que diz isto sem rir e parece que considerando o Sousa - que eu, com V. licença, julgo um político medíocre e limitadíssimo - um grande estadista.
Acabo de ler o que escreve Vasco Pulido Valente no Público. Então e não é que tinha pensado exactamente o mesmo? Que não é função do governo ser uma direcção comercial (de luxe ou standard) que tal actividade, roubada aos particulares, era nefasta? Já tenho motivos de orgulho para o Agosto todo que aí vem.
sexta-feira, julho 25, 2008
As tolices do governo começam a assustar. Como não tem dinheiro, desforra-se na língua, que é grátis. Agora quer aproveitar para ir empurrando os africanos para a grafia brasileira. O ensino é miserável, ainda há fome e miséria nos oito países do cplp (coincidência?), venha daí a lingua. Só língua. Do estômago esquecem-se - que não do deles.
O que fez o idioma de Camões, Vieira e Pessoa para ser o brinquedo desta gente?
Choveu e ainda está nublado, agradável para descansar os olhos do excesso de luz.
(Interessante verificar como esta gente gosta do sol, do calor, da demasia, não deixando de ser partidários ferrrenhos da mesmice e cultivando ritualismos vários de celebração do lugar comum - do politicamente correcto ao politicamente correcto)
(Interessante verificar como esta gente gosta do sol, do calor, da demasia, não deixando de ser partidários ferrrenhos da mesmice e cultivando ritualismos vários de celebração do lugar comum - do politicamente correcto ao politicamente correcto)
Há um silêncio absoluto lá fora. Uma noite magnífica e muda.
Na televisão vi uma série - suponho que seja - sobre Henrique VIII. Má, podia ser a produção de luxo de artes dramáticas da high school de uma daquelas cidades afortunadas da costa da Califórnia.
Quando passei por lá - fiquei depois a ver uns 10 minutos, para conferir a péssima primeira impressão - Catarina de Aragão morria, a sua vasta cabeleira negra em... Como? Negra? Catarina de Aragão era loira, uma cor vulgar e comum para quem reunia em si o sangue de toda a Europa, de Teresa Lourenço, a Elizabeth de Wittelsbach e o muito inglês de Joan, the fair Maid of Kent - que compartilhava com o seu truculento marido.
Na televisão vi uma série - suponho que seja - sobre Henrique VIII. Má, podia ser a produção de luxo de artes dramáticas da high school de uma daquelas cidades afortunadas da costa da Califórnia.
Quando passei por lá - fiquei depois a ver uns 10 minutos, para conferir a péssima primeira impressão - Catarina de Aragão morria, a sua vasta cabeleira negra em... Como? Negra? Catarina de Aragão era loira, uma cor vulgar e comum para quem reunia em si o sangue de toda a Europa, de Teresa Lourenço, a Elizabeth de Wittelsbach e o muito inglês de Joan, the fair Maid of Kent - que compartilhava com o seu truculento marido.
Os cabelos escuros da tia de Carlos V não são produto da falta de documentação, mas da ideia feita, e da ilustração didáctica da tenebrosidade castelhana e católica.
quinta-feira, julho 24, 2008
quarta-feira, julho 23, 2008
Nós não sabemos de nada, nem entendemos nada. Enquanto vivemos aqui, tristemente, o nosso quotidiano mesquinho, creio que o nosso governo e grande parte da população do poder vive já no mando efectivo do futuro quintimpérico do mundo, na qualidade de plurais sogros da Grandeza Universal, com que o filial Brasil tem núpcias contratadas, sendo de supor que Angola, essa demoiselle prendada, faça parte do cortejo nupcial.
O nosso papel é, por isso, o dos criados broncos que nada percebem das cogitações geniais do patrão talentoso. Façamo-lo bem, para que a audiência ria da nossa atarantação grotesca e demos graças por, depois de 400 anos de ressaca épica, entrarmos na fase picaresca.
A questão da ortografia - e as outras - que canhestramente colocamos é um desses asssuntos em que se enreda a nossa insuficiência e com que incomodamos quem se ocupa já do futuro do mundo. Em palco, estamos de papel na mão, a tartamudear razões de aldeia enquanto o príncipe deste novo mundo preguiça num salão minimal, ouve Das Märchen de Emmanuel Nunes, e se ocupa do traçado das órbitas (sempre direi que mais adequada seria a Música das Esferas).
A seus pés, representantes das nações do mundo, esperam.
terça-feira, julho 22, 2008
Homenagem ao estadista desconhecido.
No século XIX sofremos alguns vexames, uns sem muita culpa (caso do Charles et George informe-se aqui), outros por ambição e falta de realismo (caso do Ultimatum inglês que não indico por ser geralmente conhecido).
Aquando deste último, houve grandes manifestações patrióticas e a estátua de Camões foi coberta com crepes negros, ridicularia que muito caiu no goto a Eça.
Ontem, o presidente Silva (não o «Lula») num episódio que ficará na história como um ponto alto na arte do auto-aviltamento e abjecção, assinou, sem dúvidas, um «acordo» que se resume a fazer escrever os portugueses do modo como uma potência estrangeira quer que escrevam.
Em matéria de falta de respeito próprio e de falta de vergonha na cara creio que atingimos um novo cume, dificilmente igualável.
Tenho, por isso, o direito à minha quota-parte de imbecis puerilidades e vou deslinkar, de modo simbólico e sentido, os blogs brasileiros e proclamar os brasucas como gente non grata neste blog.
segunda-feira, julho 21, 2008
Anibal Cavaco Silva promulgou o acordo ortográfico, segundo notícia do Público. Nunca teve o meu voto - nem terá - e nesse aspecto, estou feliz por não ter contribuído para um crime contra a cultura portuguesa.
De resto, Cavaco, produto de um país pobre e atrasado, limita-se a ser o que é.
Entretanto, se perdesse o 2º mandato e de modo visível por causa desta promulgação, isso seria uma grande, uma enorme contribuição para a democracia em Portugal.
De resto, Cavaco, produto de um país pobre e atrasado, limita-se a ser o que é.
Entretanto, se perdesse o 2º mandato e de modo visível por causa desta promulgação, isso seria uma grande, uma enorme contribuição para a democracia em Portugal.
Esteve aqui uma sonata, pois esteve, não completa, mas o primeiro andamemento na nº 1 para violino do Gabriel Fauré. É uma possível contribuinte para a de Proust, mas fica para depois da silly season
Um recado abrupto: não seria mau que a Dra. Manuela Ferreira Leite dissesse o que tenciona fazer do acordo ortográfico (de que o governo de Cavaco Silva, com a sua crença frustre no progresso e gosto pela novidade grátis, criada por via legislativa, é tão culpado). Eis um ponto que decidirá o meu voto - que agora está no ficar em casa.
Um recado abrupto: não seria mau que a Dra. Manuela Ferreira Leite dissesse o que tenciona fazer do acordo ortográfico (de que o governo de Cavaco Silva, com a sua crença frustre no progresso e gosto pela novidade grátis, criada por via legislativa, é tão culpado). Eis um ponto que decidirá o meu voto - que agora está no ficar em casa.
Sim, pois é, parte da classe média já decide o voto por estas questões. Pode ser ainda uma percentagem mínima, mas é um começo.
*Incrível: escrevi o post antes de saber que o Cavaco Silva tinha promulgado o acordo.
domingo, julho 20, 2008
Será que já assinou?
E, se sim, quantos atormentou para assinarem a petição para salvar o Largo do Rato?
Aqui, esta, sim.
Há pouco lia o elogio que Dalrymple (acho que no Our Culture, what's left of it?) faz do inteligente conservadorismo dos italianos, que, da direita à esquerda, nos municípios, tem preservado a herança do passado e dei comigo a pensar que, com esta gente que por cá há, Roma, Florença, Veneza, desapareceriam num ápice, sobre o entulho da falta de gosto.
E, se sim, quantos atormentou para assinarem a petição para salvar o Largo do Rato?
Aqui, esta, sim.
Há pouco lia o elogio que Dalrymple (acho que no Our Culture, what's left of it?) faz do inteligente conservadorismo dos italianos, que, da direita à esquerda, nos municípios, tem preservado a herança do passado e dei comigo a pensar que, com esta gente que por cá há, Roma, Florença, Veneza, desapareceriam num ápice, sobre o entulho da falta de gosto.
sábado, julho 19, 2008
sexta-feira, julho 18, 2008
O FMI atribui a culpa da crise portuguesa aos... portugueses, ao sobreendividamento, etc. Os jornalistas interrogam o Pinto Sousa mas, perante as evasivas - primárias - ninguém lhe pergunta se ele acha que o FMI está errado e em quê proporção. Os jornalistas reproduzem a pouca competitividade do país que o FMI lamenta.
«Numa sociedade miserável, o que se redistribui é sempre a miséria. Em 30 anos, Portugal chegou até onde a realidade e a "Europa" lhe permitiram chegar. Embora com erros, com desperdício, com ineficácia, a Segurança Social, o Serviço de Saúde e mesmo o "sistema educativo" redistribuem mais do que nunca se redistribuiu em toda a nossa a história. Se a desigualdade continua é porque os 20 por cento de pobres não ganham o que deviam ganhar e não porque os 20 por cento de portugueses mais ricos paguem ao Estado menos do que deviam pagar. A desigualdade continua porque o país não produz, não exporta, não investe e não poupa; porque se endivida; e porque o Estado o desorganiza, corrompe e abafa. Isto é a evidência. Infelizmente, de quando em quando, convém repetir a evidência.»
Vasco Pulido Valente, in Público
Vasco Pulido Valente, in Público
Falta de senso.
Dar a Saramago a Casa dos Bicos, que foi pertença do filho de Afonso de Albuquerque, repleta de história, um ícone nacional, património de todos, e fazer com que passe a ser apenas de alguns, dada a antipatia que existe por Saramago (parte pelo seu stalinismo e perseguições que moveu no DN) é criar crispações e irritações evitáveis - e muito de evitar numa altura em que nada está melhor.
quinta-feira, julho 17, 2008
Se quer que lhe diga, acho inqualificável, uma coisa republicana, ou pior - se houver pior - este ir embora.
Mas enfim, vou imaginar que o faz coagido.
Mas enfim, vou imaginar que o faz coagido.
Pequeno e ocioso mistério:
Porque não vou para a praia já, ao invés de ficar aqui a aguentar este calor medonho? Porque marquei só para dia 8 de Agosto, sendo certo que desde há anos proclamo aos quatro ventos que o tempo mais quente é a segunda quinzena de Julho? Mistério da natureza humana; se os decifrasse vivia melhor, com menos calor.
Porque não vou para a praia já, ao invés de ficar aqui a aguentar este calor medonho? Porque marquei só para dia 8 de Agosto, sendo certo que desde há anos proclamo aos quatro ventos que o tempo mais quente é a segunda quinzena de Julho? Mistério da natureza humana; se os decifrasse vivia melhor, com menos calor.
2515 assinaturas na petição para impedir a destruição do Largo do Rato.
2515 assinaturas que seriam, já ali em Badajoz, desnecessárias, por não haver ninguém que se atrevesse a fazer um projecto daqueles, que mutila uma obra de arte, faz desaparecer um jardim histórico, enterra viva uma praça de Lisboa, e destrói a memória de todos.
2515 assinaturas que aqui, somadas às que têm de chegar -porque não podemos ser tão maus quanto isso - não bastam ainda para parar esta capitulação ante a força obtusa e boçal do dinheiro.
Porque disso e de asinina falta de gosto e de respeito pelos lisboetas e pelos portugueses se trata. De mais nada.
Assinar AQUI
quarta-feira, julho 16, 2008
Encontro livros que não me lembro de ter comprado - ou sequer de ter. Terrível diferença daqueles primeiros de que continuo a saber tudo, empoeirados ainda de torrões de lembranças: onde comprei, com quem estava, onde tinha ido antes, onde comecei a lê-los.
Alguns, destes, anónimos - tenho de lhes criar uma designação -, são monumentos a leituras, comprados anos depois de ter lido e às vezes relido a obra, raramente na mesma edição. Com uns, verdadeiros ex-votos, relembrei leituras felizes, outros apenas folheei, outros estão novos, lombadas brilhantes e lisas, com o seu quê de cenotáfios.
Caloraça medonha, já. Cigarras em grande actividade lá fora. Não se pensa com este tempo, matuta-se num modo de preguiçar.
terça-feira, julho 15, 2008
segunda-feira, julho 14, 2008
O ministro Pereira do Interior diz que em Portugal não há rua onde a polícia não entre. Era o que nos faltava, que assim não fosse!... Essa não é a questão. A questão põe-se para o cidadão comum: há vias públicas em Portugal onde uma pessoa média, nem aventureira nem medrosa, não pode entrar, por correr perigo? E parece que há, que há ruas onde apenas um louco entraria: aquelas da Quinta da Fonte, que parecem tão desafogadas e normais, apenas podem ser passeadas por quem tenha perdido o juízo ou o gosto pela vida.
Da revolução francesa de que hoje se comemora a tomada de uma velha prisão caduca e semideserta gosto da sua agradável fase filosófica, como dizia Eça, e menos das carnificinas que se lhe seguiram.
Relembro que os droit de l'homme foram produto do iluminismo, mas anglo-saxão (Mr. Thomas Paine). Ainda hoje a França não tem o instituto do habeas corpus - pelo simples motivo de acreditar que a République é infalível e a France é mais république do que democracia. Os grandes intitutos da democracia vêm de Inglaterra (Bill of Rights 1689), não das ululâncias serôdias das ruas de Paris ou do sangue derramado pelos diversos imperialismos que 1789 gerou.
domingo, julho 13, 2008
A verdade revelada aos portugueses: novos desenvolvimentos (como é uso ouvir. Ambiciono ouvir, uma vez que seja, um velho desenvolvimento).
Alguém andou a ser perigosamente irresponsável, desde a educação e das políticas de integração ao simples policiamento e a realidade é aquilo, que depois, de supetão, se vê nos noticiários, tão pouco politicamente correcto e tão chocante para as almas simples - em que me incluo - que não acreditavam que por cá já houvesse «coisas daquelas como nos filmes».
Parte dos habitantes do bairro tentam sair de lá há anos (anos)! Como eu os compreendo e o que me apetece perguntar o que foi feito ao longo desses anos para melhorar a situação...
sábado, julho 12, 2008
Ontem ou anteontem estive durante uns minutos a ver um programa (na Sic?) com Nicolau Santos, que conheço das fotografias do Expresso e Ricardo Costa que não conheço senão da televisão. A discussão girava, ao que suponho, sobre o "estado da nação". A certa altura, com aquele ar grave com que se sopesam as questões graves, Costa afirmou que Manuela Ferreira Leite seria esmagada num frente-a-frente com Sócrates, como eles dizem. Esmagada. A coisa nem sequer faz muito sentido, e não conheço, na política, nos dias que correm, nenhum orador, nem alguém que se distinga pela solidez ou originalidade dos argumentos. E dentro do que há, Manuela Ferreira Leite, com um curso universitário tirando em tempos de exigência, parece-me que sairia facilmente «ganhadora». Parecia-me tudo aquilo (os juízos do Costa e o ar gravíssimo do Costa) um absurdo, só possível para quem os factos - que não me parecem demasiado favoráveis ao Pinto de Sousa - não contem.
Hoje, deparo com o artigo de Vasco Pulido Valente e estava lá tudo: «Para os participantes neste ritual [o debate do Estado da Nação], a substância de uma questão ou de um argumento não contam. "Ganhar" é a afirmação de uma simples superioridade teatral ou da "esperteza" bronca e bruta, que "apanha" o próximo e que o indígena tanto estima.»
sexta-feira, julho 11, 2008
Escreve Vasco Pulido Valente hoje no Público:
«O que me espanta é a tranquilidade ou, se preferirem, a passividade. Houve manifestações, meia dúzia com muita gente, mas pacata e "ordeira"; e alguma violência, mas limitada e ocasional. E há dia a dia na televisão a tristeza do país, que chora resignadamente a sua vida e fala em emigrar. O pessimismo português não degenerou numa visão apocalíptica da Pátria, nem sequer, como é costume, numa subespécie de messianismo. Ninguém espera do futuro nada de bom? Ninguém. E o medo voltou? Voltou. Só que não se manifesta. Portugal não reage às desgraças que lhe anunciam ou que já sofre. Parece que deixou de se interessar por si e que aceitará, inerme, o que vier.[...]»
Mas o porquê de tanta tranquilidade já o tinha fornecido o mesmo Historiador:
«Voltámos, como de costume, a uma "inferioridade", que desta vez não é atribuível a qualquer demónio externo ou azar histórico. E não existe no saco dos milagres outro 25 de Abril para nos "salvar". » in Público, 26/4/2008, «O 25 de Abril».
«O que me espanta é a tranquilidade ou, se preferirem, a passividade. Houve manifestações, meia dúzia com muita gente, mas pacata e "ordeira"; e alguma violência, mas limitada e ocasional. E há dia a dia na televisão a tristeza do país, que chora resignadamente a sua vida e fala em emigrar. O pessimismo português não degenerou numa visão apocalíptica da Pátria, nem sequer, como é costume, numa subespécie de messianismo. Ninguém espera do futuro nada de bom? Ninguém. E o medo voltou? Voltou. Só que não se manifesta. Portugal não reage às desgraças que lhe anunciam ou que já sofre. Parece que deixou de se interessar por si e que aceitará, inerme, o que vier.[...]»
Mas o porquê de tanta tranquilidade já o tinha fornecido o mesmo Historiador:
«Voltámos, como de costume, a uma "inferioridade", que desta vez não é atribuível a qualquer demónio externo ou azar histórico. E não existe no saco dos milagres outro 25 de Abril para nos "salvar". » in Público, 26/4/2008, «O 25 de Abril».
Li um post sobre as congestões - uma palavra que era muito cá de casa quando eu era pequeno, usada para designar o que hoje se chama trombose - suponho. Não se acreditava nas congestões depois do almoço ou do lanche (sim, do lanche): o pediatra - um prof - , perguntado sobre o que se achava ser uma modernice para gente excessivamente meticulosa e chata (tinham tomado sempre banho de mar sem fazer as contas às horas e não houvera baixas na familia ou amigos) confirmara que não havia perigo e eu lá ia para o mar, munido do assentimento materno. Só tinha de arrefecer à sombra, se tivesse estado a apanhar sol; não sei se já se sabia isso do choque térmico - ou se apenas lhe chamavam outra coisa; creio que era apenas o medo muito genuíno às mudanças bruscas.
quinta-feira, julho 10, 2008
Negativas na prova de Matemática do nono ano caem quase 40 por cento num ano noticia o Público.
Se não fosse o meu medo de ofender o espírito laico e republicano diria que tal melhoria é um milagre.
Se não fosse o meu medo de ofender o espírito laico e republicano diria que tal melhoria é um milagre.
Um Rodrigo Tavares, que não sei quem é, escreve sobre Ingrid Bettancourt: Também Ingrid já foi acusada de ter agido intencionalmente para alavancar as suas ambições políticas - visto ela saber que a zona de San Vicente del Caguán, onde foi raptada, era bastião das FARC. Foi o que fez novamente esta semana o famoso escritor colombiano Fernando Vallejo, autor da A Virgem dos Sicários durante uma palestra na VI Festa Literária Internacional de Paraty, no Brasil.
Só falta dizer que as FARC foram a vítima inocente das ambições conjuntas de Ingrid, de Uribe, da política externa francesa e, como não podia deixar de ser, do Presidente Bush.
Nem sei se não é de aconselhar aquela benemérita organização de esquerda a pôr toda esta gente em tribunal, começando, claro está, por Ingrid Bettancourt. Por fraude, ou burla.
Afinal, não é nada que a esquerda não tenha já feito.
quarta-feira, julho 09, 2008
Relembrado aqui
O riso de Muttley, puro desdém, é capaz de desempedernir o coração do mais estrénuo filantropo*.
*Filantropo, sic.
O riso de Muttley, puro desdém, é capaz de desempedernir o coração do mais estrénuo filantropo*.
*Filantropo, sic.
Rui Ramos no Público escreve sobre a incapacidade portuguesa de viver com a realidade e da facilidade deste estado de coisas se perpertuar já que, pensaríamos "até aqui chegámos e afinal foi sempre assim". Acontece, porém, que não foi sempre assim: a demasia de irrealismo faz mal e em 1580, exangues pelas quimeras e delírios, falecemos e entregámo-nos nas mãos de Espanha - por mera renúncia à realidade- e à vida dela.
E o regresso à soberania foi lento, doloroso e, creio, vão (embora goste da história do Portugal Restaurado).
E o regresso à soberania foi lento, doloroso e, creio, vão (embora goste da história do Portugal Restaurado).
A ratazana cinzenta, enorme, que não devia lá estar ou sequer pensar em para lá ir - assedia o pobre Rato que a todos pede ajuda. É preciso exterminá-la.
Estão a tratar disso, o Lesma Morta, o Cidadania Lx e O Carmo e a Trindade, entre outros.
Deixa-se aqui, novamente, o endereço electrónico da petição.
Estão a tratar disso, o Lesma Morta, o Cidadania Lx e O Carmo e a Trindade, entre outros.
Deixa-se aqui, novamente, o endereço electrónico da petição.
terça-feira, julho 08, 2008
A todos os que gostam de Lisboa. «Leiam, e se acharem bem assinem. Da autoria de Frederico Valsassina e Manuel Aires Mateus, este enorme edifício entre o Largo do Rato, Rua Alexandre Herculano e Rua do Salitre, teve agora luz verde dada pela autarquia lisboeta aos projectos de especialidade. Composto por 7 pisos acima do solo e 5 de estacionamento, com fachadas entre os 19 e os 22 metros , 10.000 metros quadrados em gaveto com apartamentos T0 e T2, trata-se de uma construção que pela volumetria rebenta totalmente com a escala do Largo. O projecto a construir prepara-se para descaracterizar definitivamente esta zona lisboeta e onde para servir tais propósitos o novo prédio obrigará à demolição de alguns imóveis, nomeadamente a centenária Associação Escolar de São Mamede e o Chafariz do Largo do Rato. Já a Sinagoga de Lisboa ficará quase tapada. Esther Mucznik, vice-presidente da comunidade judaica, evoca o cenário um dia discutido quando Jorge Sampaio presidia à Câmara: rasgar um jardim em direcção ao Rato , de modo a abrir a Sinagoga à cidade. Um sonho que passou "Agora estamos encurralados. Mais ficaremos"»
Vejam bem
E assinem a petição:
segunda-feira, julho 07, 2008
Lembrete
Se daqui a 15 ou 20 anos, nalguma falta ou aflição, me pedirem para ser ministro da cultura e eu, por distracção, aceitar: não esquecer de demitir o Bénard que, com 94 anos, bem pode deixar o lugar a outro.
E abrir o não sei do Porto. E por Porto, deve haver uns livros com umas reflexões e até, quem sabe?, de ideias para resolver a questão de um serviço pago por todos ser mais acessível - desde logo por questões de geografia - a uns poucos. Quantas óperas do São Carlos transmite a RTP2 por temporada?
Ainda artigos sobre as entrevistas. Alguns falam da inteligência do Pinto Sousa. Não consigo perceber onde e em quê a vêem. A mim parece-me um político extremamente limitado, muito inculto e supersticioso - parece que no livro se faz a si mesmo uma análise psicológica com base no signo astrológico - que decorou meia dúzia de frases ou ideias que se repete, que acredita que se não olhar o problema não está lá e que tudo faz com a teimosia, obstinação e rigidez muito típicas das pessoas não muito dotadas.
Li a frase no "Público": Pilar del Rio (que, descobri agora, é a mulher de Saramago e presidente de uma fundação com o mesmo nome) quer que lhe chamem presidenta e não presidente. Diz ela que «A palavra não existia porque não havia a função, agora que existe a função há a palavra que denomina a função. As línguas estão aí para mostrar a realidade e não para a esconder de acordo com a ideologia dominante, como aconteceu até agora. Presidenta, porque sou mulher e sou presidenta.» Não sabe o que são substantivos e adjectivos uniformes! Parece-me ignoranta e sentenciosa! Não acho que seja competenta.
Se fosse portuguesa creio que seria uma boa apoianta do acordo ortográfico, com este gosto pelo dislate. Ou será dislata?
Se fosse portuguesa creio que seria uma boa apoianta do acordo ortográfico, com este gosto pelo dislate. Ou será dislata?
domingo, julho 06, 2008
sábado, julho 05, 2008
quinta-feira, julho 03, 2008
Fatalidades e fatalismo
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, afirmou que «havia presença policial massiva» e os agentes «tiveram um comportamento exemplar» no incidente de Santa Maria da Feira, quando dois juízes foram agredidos em plena sala de audiência.
«Dentro da sala de audiência estavam três membros das forças de segurança, só não estavam mais por não caberem, e estavam mais lá fora. Queria dizer aqui com muita clareza que estavam presentes, não estavam em número insuficiente e tiveram uma atitude proficiente», afirmou Rui Pereira, à saída do Seminário Internacional «A Polícia e os Media», que decorreu na Escola Superior de Polícia, em Lisboa
Imagine-se o que teria acontecido se não estivesse tanta polícia e não tivesse agido tão proficientemente (o Ministro diria, talvez, que o mesmo: assim o teria querido o destino. Fatalismos laicos).
O ministro da Administração Interna, Rui Pereira, afirmou que «havia presença policial massiva» e os agentes «tiveram um comportamento exemplar» no incidente de Santa Maria da Feira, quando dois juízes foram agredidos em plena sala de audiência.
«Dentro da sala de audiência estavam três membros das forças de segurança, só não estavam mais por não caberem, e estavam mais lá fora. Queria dizer aqui com muita clareza que estavam presentes, não estavam em número insuficiente e tiveram uma atitude proficiente», afirmou Rui Pereira, à saída do Seminário Internacional «A Polícia e os Media», que decorreu na Escola Superior de Polícia, em Lisboa
Imagine-se o que teria acontecido se não estivesse tanta polícia e não tivesse agido tão proficientemente (o Ministro diria, talvez, que o mesmo: assim o teria querido o destino. Fatalismos laicos).
É uma vitória para a democracia a libertação de Ingrid Bettancourt e de muitos outros, conseguida por tropas do exército colombiano, depois de um rapto de seis anos pela organização terrorista de esquerda Farc.
Uma boa notícia, no meio de tantas más.
Parábens conservadores a todos os libertados e ao presidente da Colômbia, o muito corajoso Álvaro Uribe.
quarta-feira, julho 02, 2008
Ontem, a chefe da oposição acusou o actual governo de dilatar o pagamento dos investimentos a fazer em obras públicas durante 5 anos, isto é, acusa-o de adiar esse tempo os pagamentos por parte do estado português, com os consequentes encargos financeiras para o país.
Há pouco, quando a questão lhe foi posta - quase em surdina - o primeiro-ministro respondeu como se esse período de «carência» fosse o do não pagamento ao estado por parte dos concessionários de serviços públicos.
Era - e é - uma das grandes questões introduzidas ontem na discussão pública pela Dra. Manuela Ferreira Leite.
Esta «confusão» tão conveniente não foi corrigida nem por Judite de Sousa nem por José Alberto de Carvalho, conseguindo o primeiro-ministro fugir a esclarecer o mistério - que é, com toda a certeza, amargo para as nossas bolsas...
Palavras para quê? São dois entrevistadores portugueses.
Entretanto e enquanto se queixava da falta de civismo, o Sousa tratava os entrevistadores por vocês. "Vocês não vêem" dizia ele. E assim parece que é.
Mas o importante é notar que é já Manuela Ferreira Leite que traz o aliás pouco súbtil Sousa pela arreata.
Interesso-me tanto por futebol como por macramé - que julgo ser um hobby hippie.
Mas interesso-me pelo nosso sistema judicial.
Ontem foi conhecido o despacho que rejeitou a acusação deduzida pelo M.P. num caso de corrupção de árbitros. Com base em elementos que constavam do processo, o Juiz verifica que a testemunha Carolina Salgado está a mentir por, não sendo crível que possua o dom da ubiquidade, não poder ter escutado uma conversa telefónica que afirmou ter ouvido por estar na sala ao lado, quando, afinal, se encontrava, àquela mesma hora, a alguns kilómetros do sítio onde afirmara estar, como limpidamente se retira da análise das escutas feitas - que também indicam a localização da antena que recebe as chamadas.
Uma evidência para qualquer pessoa que olhasse para o processo e reflectisse no que lá está, tirando as respectivas ilações...
Nos Estados Unidos uma destas custaria, quase de certeza, a carreira ao acusador público.
Aqui, a incompetência e o amadorismo, embora provados, preto no branco, em documentos oficiais, custam-nos milhares de contos a nós.
E vai ser interposto recurso. São um exemplo de subdesenvolvimento estes recursos contra e evidência e ao arrepio da sensatez, ou melhor dizendo, esta demora burra em perceber - ou a fingir que se não percebe.
Sim, já todos - ou quase todos - sabemos que "isto" está mal e que o governo socialista não recuará perante uns milhões de custos adicionais para prender o pessimismo e o desânimo português num cofre de betão.
Por isso, qualquer atitude que ameace estes desígnios sinistros é bem-vinda e ver Manuela Ferreira Leite a exigir contas de modo competente e que não admite grandes escapatórias é, de certo modo, calmante.
Mas... o que pensa Manuela Ferreira Leite do acordo ortográfico (vai sendo altura de não deixar estas «pequenas» coisas esquecidas): é que, se o diário de bordo vier a registar o afundamento de grande parte do que é hoje Portugal, que o seja num português não aviltado. Mas, se for um registo de chegada a bom porto, que nada ofusque essa memória.
Por isso, qualquer atitude que ameace estes desígnios sinistros é bem-vinda e ver Manuela Ferreira Leite a exigir contas de modo competente e que não admite grandes escapatórias é, de certo modo, calmante.
Mas... o que pensa Manuela Ferreira Leite do acordo ortográfico (vai sendo altura de não deixar estas «pequenas» coisas esquecidas): é que, se o diário de bordo vier a registar o afundamento de grande parte do que é hoje Portugal, que o seja num português não aviltado. Mas, se for um registo de chegada a bom porto, que nada ofusque essa memória.
terça-feira, julho 01, 2008
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